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História Tempo (Imagine Uryuu Ishida) - Capítulo 1


Escrita por: _Heisenberg

Notas do Autor


Essa one é bem simples e bem dramática tipo o conteúdo que eu escrevia quando eu comecei aqui no site IJGSRUGIJSIF pra quem me conhece desde aquela época, é isso aí e eu nem revisei, é literalmente um texto ANTIGUEIRA
Eu amo o Ishida, ele é mto príncipe e merece muito amor aaaa espero que vcs gostem! Comentários e favoritos sempre bem vindos, eu agradeço de coração e com mto amor já que vcs sabem que a tia é enrolada DEMAIS pra fazer isso AAAA obrigada meus amores!!

Agradecimentos especiais a minha patroa @aestuantic por essa capa MARAVILHOSA!!! Obg amiga, tu é braba demais aaaaaaaaaaaaaaa

Capítulo 1 - Capítulo Único


O som da máquina de costura marcava o ambiente da casa do doutor Ryuuken Ishida. Era apenas uma noite tranquila como qualquer outra, eternizada por um acontecimento diferente ou um acidente como um termo mais sincero. No momento, estava tudo tranquilo graças ao som da agulha firmando o tecido em partes, costurando os pequenos cortes do vestido de cetim diante do costureiro habilidoso. O tecido era tão fino e delicado que era capaz de ceder apenas com uma leve agulhada da máquina fora de sintonia.

O jovem Ishida parou, silenciando a máquina ao desfazer o peso no pedal. Empurrou os óculos para mais perto dos olhos de safira e avaliou o conserto que fizera no vestido. Estendeu-o diante de si, a cor de salmão tinha pequenas lantejoulas encrustadas e babados moldando a barra e as alças finas. A luz da lamparina acesa dava um brilho extra aos detalhes e escondia perfeitamente os remendos que fizera pela parte de dentro. Foi tudo feito com tanto cuidado e apreço que o rapaz sorriu em triunfo. Aquele definitivamente fora a melhor roupa que fizera em sua curta experiência  na confecção de roupas - se é que poderia chamar daquela forma.

Dando os últimos reparos, o jovem lembrou-se de que seu pai chegaria pela manhã. Não podia ver aquele vestido, não por enquanto, não ainda. Teria muito o que explicar, especialmente por que a dona daquela peça feita a mão dormia em sua cama e tinha ferimentos ainda sangrentos e a pele estava marcada por escoriações. Realmente não havia jeito... não havia uma solução plausível para o jovem Quincy. Seu pai teria que saber.

O cheiro de amaciante invadiu suas narinas quando aproximou o vestido do rosto. Quando sua namorada chegara naquele dia, ferida após um ataque de hollow, foi um dos momentos mais assustadores da vida de Uryuu. Aquele vestido fizera para ela como presente de aniversário, e pediu que ela usasse em alguma ocasião especial.

Aquele era o aniversário dele, naquele exato dia em que o jovem decidiu ficar em casa e estudar para o vestibular de medicina... e [Nome] queria estrear o vestido, mostrando a ele o trabalho maravilhoso que fizera, demonstrando o quão feliz estava por finalmente poder usá-lo, mesmo que fosse apenas para assistir o namorado enquanto este estudava. Foi o momento em que Uryuu sentiu culpa por aquela dor que ela sentia.

Lembrou-se de vê-la diante de sua porta, a mão abraçando a costela e o corpo encostado no batente da porta. Tinha os cabelos bagunçados e aquele lindo vestido que fizera a mão com tanto apreço rasgado nas costas e completamente sujo. E a pior e mais dolorosa de toda a lembrança: ela chorava.

- [Nome]! -o rapaz exclamara, imediatamente envolvendo a cintura da moça e puxando-a com cuidado ao encontro de seu peito. As mãos agitadas tatearam as costas, onde podia sentir a pele com resquícios de poeira e os dedos voltaram pegajosos de sangue. Tentou desesperadamente ver seu rosto, buscar pelos arranhões que a faziam chorar tanto de dor, mas [Nome] simplesmente se agarrou a sua cintura e não soltou. - O que houve?! Quem te machucou?!

Quando não recebeu resposta, o Quincy a carregou para dentro de sua casa. Caminhava bem devagar, acompanhando os passos dela, a face branca de preocupação. Foi até o sofá e a deitou com cuidado, o coração acelerado, bombeando sangue tão rápido para seus tecidos que imediatamente sua pele começou a suar. Observou a garota, tentando se acalmar, segurando o tecido da camisa do rapaz e fungando, como se procurasse ar para respirar onde não existia. A preocupação estampava o rosto de Uryuu enquanto incansavelmente tateava o corpo dela com cuidado, sendo o mais profissional possível buscando por fraturas ou ferimentos graves, mas não havia nada além daquele arranhão nas costas e alguns arranhões.

- [Nome], diga o que aconteceu! Não precisa mais chorar, eu estou aqui! -ele pediu, a voz já assumia um tom levemente autoritário, não por intenção, mas pela preocupação que insistia em martelar sua cabeça. Olhou nos olhos da moça e sua mão foi até o rosto dela, secando as lágrimas que não paravam de jorrar. Aquilo fez com que ele se sentisse inútil. - Quem te atacou? Está lá fora ainda?

Ele olhou para a porta da própria casa como se pudesse ver atrás dela, buscando no mínimo resquícios de alguma energia maligna. Se o responsável pelo ferimento de [Nome] fosse algum humano pervertido ou algo pior, talvez o jovem de cabelos escuros não respondesse por si mesmo. Arrancaria como um touro selvagem atrás do responsável e faria com que se arrependesse; naquele momento, porém, ele respirou fundo, sendo controlado pelas rédeas invisíveis que eram os soluços de [Nome]. Ela o manteve são, preocupado com seu bem estar, e e ele então se controlou. Ajoelhado no chão diante de sua figura mirrada no sofá, ele a observou, a cara fechada em preocupação e aflição.

- Uryuu... -ela finalmente emitiu o som, a voz chorosa. Buscou consolo nos olhos de safira do namorado, o rosto estava corado como um tomate por uma vergonha, a única coisa que maculava completamente seus sentimentos. As costas não doíam, o ataque não doera... nada poderia ter machucado tanto quanto aquela vergonha que sentia. Como explicaria a ele? -Aquele hollow veio atrás de mim... e rasgou o vestido que você fez!!!

-Hollow?! -ele perguntou, agitado. Segurou os ombros da moça, forçando sua posição sentada no sofá, mais preocupado do que antes. O que levaria um hollow até sua namorada humana sem mais nem menos? Ela podia vê-los, sentí-los e certamente tinha força e poder para afastar suas energias, mas nunca atraíra atenção deles antes. O que mudara agora? -E como você escapou?

[Nome] parecia mais triste do que com medo. Os olhos dela vagaram pelo colo, onde enroscava as mãos de forma agoniada. As lágrimas começaram a escapulir novamente dos olhos, mas foram amparadas pelas mãos de Uryuu. Mesmo preocupado, o jovem agora parecia mais aliviado do que antes; se [Nome] estava alí ao lado dele, ela tinha escapado ou cuidado do assunto sozinha, como ele esperava e confiava que pudesse.

Suspirando, ainda sem acreditar, o jovem então se sentou bem devagar ao lado dela no sofá, abraçando seus ombros com cuidado e dando atenção agora para suas costas. O vestido tinha uma língua de tecido cor de salmão pendurado, expondo um avermelhado corte na lombar.

- Vamos fazer um curativo nisso -ele disse então, acariciando levemente o ferimento com o dedo indicador, fazendo com que as costas da moça se arqueassem e um gemido escapulisse.- Vou te dar uns analgésicos e uma muda de roupas minhas.

Uryuu sempre demonstrara segurança em tudo o que dizia e propunha. Por ter um pai médico, e por também querer seguir carreira na área de medicina, Uryuu Ishida tinha talento para diagnósticos rápidos, costume adquirido observando o profissionalismo do pai. Ao mesmo tempo que era treinado para ser um Quincy, o jovem recebia instruções de um bom médico para primeiros socorros. Agora, parecia um outro Uryuu, mais tranquilo e sem dúvida controlado enquanto novamente se erguia de pé e puxava com delicadeza a namorada pelos braços, com o intuito de levá-la para descansar após tamanho trauma.

Entretanto, quando a levantou, ela simplesmente parou de andar, estancando no meio do carpete como se pesasse uma tonelada, quieta e de cabeça baixa. Mordiscava o lábio inferior, que tremulava.

- Ele me encurralou... mas era muito lento... eu consegui correr quando ele me acertou nas costas e depois dei uma bela sova nele -ela contou, a lembrança da surra do Hollow bem fresca na memória, ainda causando a dor de quando fora atirada contra a parede. A jovem então, triste e magoada ergueu o rosto para o namorado, uma ferida muito maior que a das costas incomodava de uma forma devastadora. A voz subiu algumas oitavas. -O vestido... ele rasgou o vestido, Uryuu... eu não pude evitar!

O tom de voz e a tristeza na expressão de [Nome] machucou profundamente o rapaz. Ele olhou para o chão, depois para o vestido. Ela tinha ficado tão linda nele, a cor marcava sua pele com perfeição, além da forma com que o tecido escorregava marcando as curvas com delicadeza, de forma elegante e nada vulgar, como ele acreditava que combinava com ela. Observando melhor seu trabalho, Uryuu lembrou-se de que aquele vestido não dera muito trabalho, na verdade tinha uma costura simples e um formato pouco complexo. [Nome] merecia mais, merecia o melhor e mais complicado dos vestidos, e definitivamente ele faria outro. Vê-la chorando daquela forma por um presente tão simples, mesmo que cheio de significados machucava muito mais do que gostaria de dizer.

Suspirando, ele balançou a cabeça. Tocou-a levemente na cintura e fez um afago íntimo e carinhoso, sem conseguir acreditar na razão de tanta preocupação.

- [Nome], eu não estou nem um pouco preocupado com o vestido -ele disse, empurrando os óculos para mais perto dos olhos. Envolveu um dos braços nos ombros da moça e começou a guiá-la pela enorme casa. Conduziu-a com cuidado, dando a ela seu tempo para que não se esforçasse além do necessário. - Só o que me importa é que você está bem. Posso fazer outros vestidos e isso não me dará trabalho algum. Qualquer coisa por você.

Ele mesmo sentiu o rosto corar ao dizer aquilo. [Nome] tinha parado de chorar, e ele entendeu o que realmente tinha ocorrido. A preocupação verdadeira da moça era que ele ficasse chateado pela perda do vestido, afinal, o Quincy tinha muito apreço pelo que fazia, pela capacidade maravilhosa que tinha de costurar. O vestido não dera nenhum trabalho para ele, na verdade terminou-o em menos de três horas, entre intervalos de estudo para poder presenteá-la em seu aniversário. Pediu que ela não o usasse naquele dia, pois para comemorar o aniversário, foram a um passeio ao ar livre e para o parque de diversões.

E ela finalmente decidira usá-lo. Uryuu dissera que não queria comemorar o próprio aniversário, que tinha que estudar, afinal, o vestibular de medicina estava próximo. Passar em medicina garantiria um futuro brilhante, e como médico ele poderia dar uma vida decente para [Nome]. Não pretendia apenas namorá-la. Queria casar-se com ela e ter uma família feliz. Não conseguia ver a si mesmo com nenhuma outra mulher.

Ao chegarem no quarto, Uryuu foi completamente atencioso e cavalheiro, exatamente como sempre fora com todas as pessoas. Entregou a namorada uma toalha limpa e uma muda de roupas dele, cujos tecidos foram parar no nariz de [Nome]. Ela aspirou o cheiro do namorado e sorriu, o rosto avermelhado. Já nem se lembrava mais dos motivos de ter chorado tanto. Nem mesmo do medo que passara por ser atacada lhe perturbava mais. Alí, diante do namorado, ela se sentia segura e tranquila.

- Tire o vestido, [Nome]. Vou precisar lavá-lo antes de costurar -ele disse, novamente empurrando os óculos pelo nariz. - E me passe para que eu possa lavar.

E então ele saiu do quarto, encostando a porta em seguida e aguardando, os braços cruzados. Finalmente podia respirar com tranquilidade. Aqueles minutos foram sufocantes, e de certa forma assustadores. Não imaginava o que faria caso [Nome] fosse ferida gravemente, ou pior do que isso. Se Hollows começaram a demonstrar interesse, ele teria que ficar cada vez mais perto e de olho nela. Como Quincy era seu dever não somente ser superior a Shinigamis, mas também honrar sua companheira.

Mesmo que sua companheira fosse uma humana. Uryuu sabia que seu pai não aprovaria aquele relacionamento. Sabia que Ryuuken queria que ele se relacionasse com uma Quincy, e claro que não se importava muito com essa exigência de seu pai. Ele se apaixonara por [Nome], a garota humana que conhecera no colégio, e nada nem ninguém poderia mudar o que sentia dentro do peito . Uryuu sorriu, agradecido por ela.

"Meu pai vai chegar e encontrar [Nome] aqui. Não sei o que ele pode pensar, como ele vai reagir... Mas [Nome] estava em perigo, ele certamente vai ajudar"

Quando a moça simplesmente demorou demais para sair do quarto, Uryuu se preocupou novamente. Quase entrou sem bater na porta, e parou no ato de empurrar. Seu rosto se corou e ele então pigarreou.

- Ahn, [Nome], está tudo bem aí? -Ele perguntou, a mão parada na porta enquanto que com a outra mantinha os óculos próximos do rosto. Encostou a cabeça na fresta, a luz que vinha do quarto ressaltando o azul de seus olhos. - Estou entrando.

Abriu a porta então e não olhou diretamente para a namorada. Ficou com a cabeça baixa, e pela visão periférica notou que ainda estava vestida, os braços retorcidos para trás, tentando puxar o zíper, que travara no meio do caminho. Era claro que ela não conseguiria tirar sozinha, sem contar que a parte rasgada do vestido atrapalhava, além de que o ferimento ardia. Uryuu então avançou devagar e ficou atrás dela, ouvindo-a fungar ao fazer força.

- Eu... Eu posso te ajudar com isso? -Perguntou, a voz quase vacilando. Uryuu era muito tímido, e certamente ajudar a namorada a se despir era um ato um tanto... Impróprio. O rosto do rapaz corou violentamente apenas por perguntar, mas não tinha outra opção.

- Por favor, Uryuu -ela respondeu, ainda de costas. Não parecia tão constrangedor para ela. Estava vulnerável, magoada pelo estrago do vestido.

Queria uma noite perfeita. Sabia o quanto Uryuu estudava para o vestibular, quase que incessantemente. Pouco saía de casa, pouco a chamava. Ela sabia que era por causa do pai de Uryuu, sabia também do problema que ele tinha com Shinigamis e do quanto queria ver seu filho seguindo seus passos, especialmente se casando com uma Quincy. Entretanto, naquele dia ela resolveu ignorar a aversão do doutor Ryuuken e quebrar as regras... Decidiu estrear aquele vestido lindo e visitar o namorado, fazendo-o parar de estudar um pouco e relaxar. Uryuu acabaria ficando louco pelo quanto estudava, e mesmo que ela desse todo o apoio e se orgulhasse do quão inteligente o rapaz era, ela ainda se sentia afetada pela falta que ele fazia.

Talvez recebera um castigo divino por ter sido tão injusta, tão rebelde. Se não quisesse atrapalhar Uryuu a buscar um futuro decente, aquilo jamais teria acontecido. [Nome] resolveu ficar em silêncio então. Não compartilharia aquele sentimento com o rapaz, pois ele certamente negaria.

- C-com licença -pediu Uryuu, os dedos tremendo levemente enquanto alcançava o zíper do vestido. Não foi tão difícil quanto ele imaginou - claro, despir a namorada, não a dificuldade com o zíper. Embora o rosto do rapaz continuasse corado, ele estava mais tranquilo, aliviado, mesmo que em sua mente, observar as costas nuas da moça e a curva do quadril fazia com que ele tivesse pensamentos beirando ao impróprio. E ele rompeu o zíper pelo nervosismo. - Desculpe, [Nome]... Ah... Pode ficar à vontade, tem tudo o que você precisa no banheiro... Eu vou consertar seu vestido.

Ele dizia as coisas de forma nervosa. Não olhou no rosto da moça, que ria dele bem baixinho. O rapaz correra até o armário e trouxera uma muda de roupas limpas, depositando-as na própria cama. Saiu imediatamente, fazendo uma pequena mesura para a moça.

[Nome] riu ao ver a muda de roupas na cama. Olhou para as roupas e a toalha limpa que ele já tinha depositado em seus braços. Quis chamá-lo de volta e comentar do engano dele, que já tinha entregado tudo o que ela precisava, mas não o fez. Embora se sentisse a culpada por tudo, ela vira algo bom naquilo. Acabara salvando seu namorado de enlouquecer estudando, mas agora o matava de outro tipo de loucura. E então ela foi tomar banho.

*-*-*-*-*-*-*-*

Levando o vestido nos braços, Uryuu chegou no quarto. A porta estava do jeito que tinha deixado: entreaberta, contudo, a luz estava apagada. [Nome] devia ter adormecido, e aquilo era bom. O jovem não mais estava afetado pelo acontecimento anterior, onde olhava para o corpo de [Nome] de uma forma diferente. Aquela não era hora pra isso, não em um momento tão sensível de [Nome], e até dele mesmo. Uryuu era maduro o suficiente para entender que seus pensamentos eram lícitos, porém intrigantes demais para crer serem impróprios, mas guardava aquilo para um momento mais oportuno... Embora pensar naquilo apenas aumentava sua vontade de cuidar de [Nome] e protege-la. Era inteligente para saber dos motivos da moça de ter se arriscado indo visitá-lo, e honraria aquilo com toda a certeza. Apresentaria a moça para seu pai naquela manhã quando voltasse do plantão médico e aproveitaria o resto daquela noite com ela. Não precisavam terminar a noite com uma lembrança tão amarga de um ataque.

Entrando no quarto, ele teve cuidado de caminhar bem devagar até a cômoda, onde havia um abajur de luz tranquila e leve. Acendeu-o e viu a moça adormecida, as roupas grandes e folgadas em seu corpo, dando um aspecto indescritível para sua beleza. Uryuu se sentiu corar, abriu um pequeno sorriso e então deixou o vestido sobre a poltrona do lado de sua cama.

Sentou-se então do lado de [Nome], curvando-se para frente e se aproximando do rosto dela. Deus... quantas vezes dissera que ela era linda? Não foram muitas as vezes, mas foram suficientes para fazê-la acreditar naquilo, correto? Ele beijou a bochecha dela, com leveza e depois com mais pressão, saboreando o aroma de sabonete e a frieza da pele recém banhada.

- Acorde, [Nome]... Temos a noite inteira pela frente -ele sussurrou, assistindo-a abrir os olhos devagar e espreguiçar-se de forma bem gostosa e cheia de preguiça até o momento de curvar as costas, onde gemeu de dor. - Ah, além disso tenho que fazer uns curativos nas suas costas.

O ocorrido anterior voltou a tona e o rapaz suspirou. A ligeira mudança de ar assustou [Nome], e ela logo apressou-se a modificar aquilo.

- Uryuu, foi só um arranhão... Nem está sangrando mais. Pode verificar -ela disse então virando de lado na cama, levantando a blusa até as costelas e exibindo as costas.

Uryuu viu que realmente não fora um arranhão grave. Na verdade havia apenas alguns pontos em que sangrara anteriormente, agora já coagulados, nem mesmo precisava de curativos. Ainda assim, Uryuu suspirou, a mão foi de forma impulsiva no ferimento, acariciando levemente, como se o ato fosse capaz de curar a dor, tanto dela quanto dele.

- Não é sua culpa, Uryuu - ela disse então. A voz fora levemente abafada pelo travesseiro. Havia um pesar em seu tom de voz que fez o rapaz crispar-se. - Eu fiz as coisas por impulsividade... Só queria te alegrar no seu aniversário, como você fez com o meu.

- Não foi culpa de ninguém, [Nome] -o rapaz declarou então, o semblante sério. Fez com que [Nome] se virasse de volta pra ele e então, bem devagar e emotivo, aproximou o rosto do dela. - Fiquei preocupado porque poderia ter sido diferente. Relutei muito em te apresentar para o meu pai, e me preocupei demais com meu futuro a ponto de te deixar de lado.

Uryuu estava pronto para aquele discurso desde muito tempo. Tinha tanto o que falar e aquele acontecimento apenas antecipou todas as suas palavras. Respirou profundamente e apoiou-se nos cotovelos, cada um dos dois lados dos ombros da namorada, o rosto bem perto do dela, o suficiente para que pudessem manter um bom contato visual.

- Eu fiquei tão focado no futuro que acabei deixando o presente de lado. Me desculpa por ter feito você pensar que tudo isso era... Proibido ou perigoso -ele cerrou os olhos e abaixou um pouco o rosto no dela, tocando as pontas dos narizes. Sabia que durante seu discurso [Nome] tinha prendido a respiração, e ele não queria preocupá-la. - Eu já devia ter te apresentado há muito tempo para o meu pai. Ele tem que aceitar que eu não sou uma cópia dele. Já me rebelei sendo amigo de Shinigamis e não sei por que me preocupei tanto...

- Ahh Uryuu... -[Nome] levou a mão até o rosto do rapaz, acariciando da bochecha até a têmpora, observando-o relaxar diante de seu toque. - Não precisa se preocupar com isso... Eu estou pronta... digo, nós estamos prontos.

E ela sorriu então. Seu sorriso como sempre instigava a curiosidade de Uryuu. Lembrava-se de que foi pelo sorriso dela que se apaixonara, e seu rosto se corou como em muitas vezes. Sorriu de volta, era impossível não compartilhar daquele sorriso, daquela emoção. Uryuu não imaginava que [Nome] um dia enfrentaria a si mesma e passaria por obstáculos como o pai dele para vê-lo. Ela era realmente a pessoa com quem ele queria passar o resto da vida. Seu pai não poderia fazer nada contra isso.

Com cuidado, ele então a puxou pelo braço. [Nome] riu, envergonhada por ser exposta assim com as roupas dele. O cheiro e calor que elas emanavam eram enebriantes e consolavam sua dor e saudade, o que a acompanhou por tanto tempo durante os estudos dele. Agora, pega nos braços dele, [Nome] abraçou seu pescoço e enterrou o rosto entre o pescoço e os cabelos azulados, rindo pela facilidade com que ele a pegava no colo e caminhava porta afora, correndo até as escadas.

- Pra onde vamos, Uryuu? -ela questionou, rindo e se agarrando mais a ele.

- Pedir comida e assistir alguns filmes, tudo bem? -ele perguntou, depositando um beijo na bochecha dela, ainda caminhando pelas escadas, conhecendo cada degrau cuidadosamente se precisar olhar. - Meu pai chega pela manhã, teremos muito tempo para recuperar os dias que fiquei estudando.

E eles ficaram na sala de estar, a televisão ligada no volume máximo enquanto um filme de aventura passava. [Nome] estava encolhida ao lado de Uryuu, que timidamente a abraçava e de vez em quando dava beijos em seu rosto. Por que demorara tanto tempo para desenvolver tal intimidade com a moça? O que tinham durante muito tempo baseava-se em encontros após as aulas. Jamais decidiram passar a noite inteira vendo filmes e séries, conversando, especialmente compartilhando roupas, o que ainda deixava Uryuu levemente sem graça.

Olhando-a alí, encolhida ao seu lado e com um sorriso imenso estampado no rosto fez com que a consciência de Uryuu despertasse. Nem parecia que ela tinha sofrido um traumatizante ataque de um hollow apenas para vê-lo e livrá-lo daquele tão pesado estudo. E tudo aquilo somente porque ele decidiu ter um tempo pra ela.

Se fosse para ser daquela forma, com [Nome] tão feliz... que ele tirasse um tempo maior a partir de hoje. E estava disposto a aquilo. Abraçou-a com mais força, agradecido por não tê-la perdido naquela noite e por ter a oportunidade de honrar ainda mais sua companheira. Ao abraçá-la com mais força, não notou o quão próxima ela estava agora, o nariz tão perto e os olhos completamente conectados.

Uryuu arregalou os olhos em surpresa e não controlou o rubor, como usual. Já a beijara tantas vezes, mas por que ainda ficava tão sem graça com aquilo? Não havia motivos para se afastar, afinal, não estavam na escola, onde ele ruborizava e a afastava com delicadeza quando sentia a timidez lhe afetar pela proximidade, como bom tímido que era. Desta vez não temeu, e simplesmente cedeu ao quão doce e macio foi o beijo dela, uma pluma, um algodão doce como ele imaginou no momento. Tremeu quando ela enfiou os dedos entre seus cabelos azulados para puxá-lo para mais perto, apenas para devorar ainda mais seus lábios, e faminto ele correspondeu, sem se dar conta de que faziam sons provocativos quando mudavam o rosto de lado. Ele se aprofundou, guiado pelos batimentos cardíacos acelerados, o conteúdo de biologia voltando a sua mente quanto a suas funções biológicas, mas acabou se esquecendo delas na hora.

Assim como ela esqueceu do vestido. Do que não se esquecia quando era beijada por Uryuu Ishida?


Notas Finais


E lembrem-se: estudar é muito importante, mas tirem um momento pra vcs, porque qualquer um fica doido se n puder tirar uns momentinhos pra curtir o que gosta de fazer aaaa

espero que tenham gostado <3 quem sabe futuramente eu traga as one shots antigueiras que tenho arquivadas :3 AAAAAAAAAAAAA beijos e muito obrigada a quem for comentar! Leio com MUITO AMOR sempre AAAA


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