História Temporis - Capítulo 9


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Categorias EXO, Lu Han
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho
Tags Baekhun, Baekhyun, Exo, Sebaek, Sehun
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Palavras 6.557
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí galera~ eu tô toda animada com esse capítulo TT e já chorei tanto escrevendo ele que já vou avisando, vão ter que se hidratar depois. Enfim, já vou adiantando meu muito obrigado a todos que chegaram a esse capítulo.
Ah, e a leitura fica ainda melhor com a playlist que escolhi especialmente pra esse cap então POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DE OUVI-LA ~ o link tá nas notas finais.
É isso, boa leitura, a gente se vê lá embaixo.

Capítulo 9 - O Último Encontro: Abertura de Piano


Fanfic / Fanfiction Temporis - Capítulo 9 - O Último Encontro: Abertura de Piano

 

 

 

"Há muitas coisas que me preocupam e muitas coisas que eu nunca quis perder... Na mesma medida, muitas coisas que eu nunca quis ver, e muitas que eu sempre achei que seriam horríveis. Eu sei, eu sei que ambos os aspectos são essenciais na vida. Ainda assim, eu preferia ter evitado algumas coisas, algumas cicatrizes, o sofrimento, mas sem ter encarado toda essa dor, eu, muito provavelmente, nunca teria saído desse buraco. E tudo, tudo teve o seu ponto crítico naquela época. Acho que até isso eu devo a você, Sehun-ah".

 

 

A quietude reinava no local, sendo apenas interrompida pelos sussurros baixos vindos da televisão naquela pequena cantina. Até que o som do impacto foi imediatamente sucedido pela dor de cabeça subsequente causada por uma bola de voleibol, quando Baekhyun se curvou para pegá-la, o grito de Jongdae o surpreendeu por trás.

— Baekhyun, ficou surdo é? Tô te chamando tem um tempão! — O moreninho tinha um olhar de poucos amigos, mas ainda assim resaltava o sorriso brincalhão no rosto. — Quantas vezes preciso te chamar para você se dignar em responder? Você não disse que jogaria vôlei com a gente na hora do almoço?

— Ah... É mesmo, eu tinha esquecido me desculpe. Eu só vou acabar o ramen e já vou, ok? — Byun respondeu apressado, procurando salvar seu lugar no time. Naquele dia, havia poucas pessoas almoçando entre as aulas de arte, música e literatura, por isso não fora necessário silenciar ninguém para conseguir assistir o noticiário do meio-dia com calma, que era onde toda a sua atenção estava concentrada até poucos segundos atrás.

 

'Continuamos com nossa seguinte notícia. Há apenas algumas horas, os dois prisioneiros de quem falamos ontem foram executados. Como o Ministério da Justiça nos informou... '

 

Fora o que Baek ouvira da TV para que tudo ao seu redor perdesse o sentido. Chocado e até assustado, Baek parou toda ação, seu coração acelerou os batimentos enquanto seus pensamentos correram ao encontro dele.

"Sehun..."

— Baek? Está tudo bem? Você ficou pálido — O Kim se aproximou dele, mas o rapaz não respondeu; seus pensamentos perdidos em algum lugar remoto, desnorteado o suficiente para formar qualquer palavra ou sequer buscar outra interação semelhante.

 

 

Horas depois no Centro de Detenção de Seul...

 

Oh observava pela janela da sala espaçosa o céu cinzento do outro lado, levemente sorridente, e por que não, corando com mais frequência do que gostaria de admitir a si, mas ainda assim, absolutamente à vontade na presença de quem estava.

Era quinta-feira e, como todos os outros, ele estava sentado na sala de visitas, na mesma mesa, com o diretor Kim às suas costas, conversando animadamente com o rapaz sempre elegante do outro lado do vidro. Byun Baekhyun, que uma vez ou outra lhe dirigia um olhar divertido com direito a olhos brilhantes e um sorriso fácil.

Sehun voltou a abaixar a cabeça um tanto constrangido, mas seu sorriso só cresceu ao perceber aquela imagem do mais velho, aqueles lábios que evocavam mais lembranças do que ele gostaria de compartilhar com terceiros ao redor. Aquele carinho trocado alguns dias antes não saía de seus pensamentos nem por um momento e Baekhyun parecia fazer questão que fosse daquele jeito.

Oh muito se perguntava naqueles segundos e minutos que transcorriam entre essas conversas, se o mais velho o via da mesma forma, se ele... Viria a sentir sua ausência tanto quanto ele sentia em todos os outros momentos, em meio a sua pacata rotina. Mas ele não se prolongava naquilo, ele gostava de aproveitar cada instante que tinha com seu hyung, Sehun havia transformado em desafio ver quantas vezes conseguia decorar seu belo rosto com um sorriso, ele gostava de ser o causador daquele feito, porque, de alguma maneira, sentia essa necessidade. Desse jeito, se Baekhyun alguma vez pensasse nele, o garoto queria que ele se lembrasse de si com um sorriso no rosto, porque era assim que Sehun adorava vê-lo, e também como ele mais se lembrava de Baekhyun.

— Ah, a propósito... Próxima quinta-feira será o aniversário de Sehun. Se você quiser, nós poderíamos... — O sorriso alegre de Junmyeon foi desmanchando ao ver a expressão repentinamente abatida do jovem do outro lado. O que o impressionou, no entanto, foi que Sehun não parecia surpreso, pelo contrário, ele parecia preocupado.

— Byun-ssi, você está me ouvindo? — O mais velho insistiu novamente.

— Hã? Eh... Desculpe, eu estava com a cabeça em outro lugar, o que estava me dizendo? — Envergonhado Byun voltou sua atenção nos dois.

— Está tudo bem, eu estava dizendo que o aniversário do nosso garoto está chegando. E ocorreu-me que poderíamos preparar uma pequena festa privada — O Kim sugeriu, dando uns tapinhas nos ombros de Sehun, que se encolheu todo, corando em silêncio.

— É mesmo? Eu acho uma ótima ideia — Concordou Baek olhando para o mais novo fixamente, com um sorriso brilhante; daqueles que conseguem desestabilizar qualquer um, Sehun se encolheu ainda mais. A cor em suas bochechas se intensificou.

— Eu tinha certeza que você gostaria de vir — Kim sorriu, guardando para si toda aquela cena.

— Diretor Kim, o senhor tem uma ligação urgente — Disse um guarda entrando na sala. Interrompendo o que em segundos viraria uma provocação ainda maior contra o mais novo. Kim tinha descoberto gostar de ver ele daquele jeitinho todo acanhado.

— Você disse urgente? — Ele viu o outro concordar para só então se virar em direção dos outros dois ali. — Por favor, me dêem licença um momento. Já volto.

E eles o assistiram sair da sala, quase tropeçando pela presa.

 

— Hyung, você estava muito animado alguns minutos atrás, o que aconteceu? — Questionou o maior com aquele olhar avaliador. Baek arregalou os olhos, mas não fora surpresa que ele tivesse notado, afinal ele era horrível fingindo, mesmo que ele estava certo que tinha posto muito de si em esconder a preocupação.

— Nada, só estou pensando em coisas sem importância... — Ele inclinou a cabeça para o lado, envergonhado. Até que uma ideia cruzou sua mente. — Então, o que o nosso garoto favorito vai querer de especial pelo aniversário?

— Eh... Não, obrigada hyung, mas não tem porque se preocupar... Acho que não me resta muito tempo, então não vejo necessidade disso — Balbuciou ele sorrindo por cortesia. Aquilo fez ou coração do menor se apertar. Não aguentava vê-lo daquele jeito, queria, precisava fazer alguma coisa... Criar uma linda lembrança.

— Sehun, só me diga. Eu não sei se posso conseguir o que você quer, não sou tão rico quanto pensa, mas posso tentar. Então só peça o que quiser — Ele se aproximou mais do vidro, sorrindo para ele com todo o entusiasmo que conseguiu evocar.

Seus olhos se conectaram com os dele, a sinceridade daquela proposta parecia tentadora, e Sehun só tinha uma coisa que ele queria mais do que qualquer coisa. Um pequeno, e assim mesmo, sabia que era um desejo impossível. Que beirava quase a tortura, mas... Ele não perdia nada lhe contando, não é?

— O piano... — Seu tom fora receoso, enquanto avaliava a reação do outro. Ele vislumbrou o brilho entre surpresa e medo nos olhos alheios. Mordeu os lábios, mas acabou por completar o pedido. — Se você pudesse, eu gostaria... Gostaria de ouvir você tocar o piano.

Aquele não era um pedido aleatório mesmo que Sehun morria de saudade de ouvi-lo tocando o piano, aquela na verdade era uma maneira do mais novo fazer com que Baekhyun se enmendase com o passado.

Já Baekhyun não pensava assim. Ele que já estava assustado com aquele começo na fala do maior acabou totalmente aterrorizado, aquilo era... Era uma loucura... Total e absurdamente impossível de ser cumprida. Ele tremia só pensar em colocar as mãos num piano o que seria ter que encarar um, ele provavelmente fora a ter um ataque de pânico ou coisa pior. Ele fechou os olhos, abriu e apertou as mãos várias vezes na tentativa de aliviar a tempestade de sentimentos encontrados que aquilo lhe produzia.

— Eu... Me desculpe, hyung eu não devia ter dito nada! Não sei o que me deu, eu sinto muito! — O rapaz se pronunciou imediatamente, se desculpando de forma desajeitada. Então Baek saiu de seu devaneio e o observou em silêncio, perdendo o olhar em algum ponto do rosto do mais novo. — Só esqueça o que eu pedi, tá bom. Eu sint-

— Está bem, eu vou tocar.

— O que? — Sehun levantou o olhar atônito, os olhos procurando alguma explicação, nem em seus sonhos mais loucos imaginou que Baekhyun acederia tão facilmente a um pedido desses, após a violenta reação que ele teve em sua segunda visita. Mas quando trocaram olhares, as orbes naturalmente escuras e desafiadoras de Byun perderam um pouco de sua cor, sua expressão rígida ganhou uma dose de angustia.

— Mas em troca... Você viveria pelo menos mais um ano por mim?

E se Oh Sehun pensou que não poderia mais ser surpreendido na vida, ali ele provou estar absolutamente errado, porque Byun sempre poderia surpreendê-lo das mais distintas formas. Não sabia como reagir, o que fazer, o que lhe dizer... Estava sem fôlego.

— Mas você sabe, isso não...

— Sehun, você me ensinou a gostar da companhia dos meus alunos, como rir com outras pessoas, a apreciar as pequenas coisas da vida... Agora, graças a você, quando eu olho em volta de mim, mesmo que apenas um pouco, eu posso ver que, nos meus dias tem algo mais além da dor — Devagar e quase sem perceber as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto níveo. — Embora eu não me sinta bem, sei que ao meu redor sempre haverá pessoas que vão me mostrar um sorriso sincero e viveram felizes por mim. Pessoas que se sentem genuinamente bem na minha companhia, eu... Sinto isso em relação a você, sabe...

 

Oh viu aqueles olhos brilhantes, sinceros e, de repente, o significado daquelas palavras pareceu ganhar vida.

 

"Ele realmente... Sente a mesma coisa..."

 

— Como é que você me ensina a viver a vida... E tenha que morrer logo depois? Você não acha isso injusto?! Me diga Sehun! O que eu faço sem você! — A rompância em sua voz não intimidou Oh, que não desviou o olhar apesar do ritmo desenfreado dos seus batimentos. Com as mãos cerradas em punho, Baekhyun começou a bater no vidro com força. Ele não podia conter tudo o que tinha guardado e, por tanto tempo. Ele bateu no vidro, uma, duas, tantas vezes quanto suas forças lhe permitiram, mas quando se viu tão sozinho, tão vulnerável diante do maior ele só queria extravasar o seus pensamentos, seus sentimentos. E as lágrimas eram a prova de que o que diziam seus lábios não era só o acumulo do desespero a que havia chegado. Eram a prova do sentimento que nascera, e crescera tão forte, mas assim tão frágil, que teria que morrer com eles. Elas continuaram a cair, e apesar de ter a cabeça abaixada, já que Baekhyun não permitiria deixar a mostra seu rosto revoltado e distorcido pelo descontrole, a dor e revolta que emanava por trás de suas palavras era suficiente.

Sehun mordeu os lábios com força, aquela cena doendo no âmago de sua alma, ele não podia negar o imenso desejo que sentia de segurá-lo em seus braços naquele momento. Ele viu do outro lado, o pequeno punho contra o vidro e ergueu os dígitos trêmulos; e mesmo com o vidro de barreira ele desenhou o contorno da mão do outro lado, viu-o tremer entre seus soluços sôfregos, seu rosto já descansando em seu outro braço. Chorando compulsivamente. Sehun nunca se sentiu tão impotente em toda a sua vida, ele queria se desfazer de suas amarras ali mesmo e chorar junto a ele, mas encontrou forças e se conteve; apesar de seus desejos ele não queria vê-lo sofrer, ainda mais por sua causa.

 

 

 

 

 

 

À noite e sua escuridão caia lentamente sobre a capital coreana, e em seu apartamento, Baekhyun travava uma batalha pessoal com o objeto rente a si. As teclas ainda estavam lá, intocadas, pois ele estava com medo de se aproximar. Os tremores começaram tímidos, mas com o passar dos minutos eles aumentaram até tornar quase impossível qualquer tentativa de contato. Em sua mente, ele se perguntou se algum dia conseguiria conter esses ataques enquanto procurava pelo menos acalmar sua respiração.

"Vamos Baekhyun, você é mais forte do que isso. Mais uma vez... Apenas uma tentativa... Mais".

 

Ele lentamente estendeu as mãos trêmulas e a lembrança daquele bastardo batendo nele voltou. Toda aquela morbidez escondida naquele sorriso horrendo...

Baek pressionou as orelhas tentando evitar escutar aquelas palavras obscenas, sentiu-se novamente despido, sujo, manchado, sem valor. As lágrimas não demoraram em aparecer enquanto se via submergindo nas profundezas daquele angustioso tormento na qual sempre se vira em pesadelos. Quando, acima de seus fantasmas, ele subitamente passou a ouvir a voz doce do mais novo.

 

 

"Se você pudesse, eu gostaria... Gostaria de ouvir você tocar o piano."

 

Seu pedido fora tão singelo e sincero, Sehun realmente desejava aquilo, além do mais, seria um presente seu, intrinsecamente seu, porque tocar piano era provavelmente a única coisa que ele tinha aprendido a fazer direito, já que um desenho estava fora de cogitação nesse ponto, embora tenha melhorado muito desde a última vez que ele lhe mostrara algum de seus trabalhos. Baekhyun suspirou, esfregando o rosto tentando se concentrar.

 

 

"Por ele... Eu devo focar só nele! Ser forte por ele".

 

Ele limpou o suor da testa e as lágrimas dos olhos com a determinação renovada, observou o piano mais uma vez; fechou os olhos e deu um longo suspiro para só então se libertar... Após 10 anos, seus dedos voltaram a tocar as teclas de um piano. E só percebeu da saudade que sentia do instrumento quando o seu coração começou a bater numa melodia diferente. Uma calidez rodeou o seu peito e um sorriso misturado com mais lágrimas nasceu despretensioso dos seus lábios. Os fantasmas foram abafados pelo seu próprio grito de alegria.

 Sim, Alegria, ele quase se esquecera do quão feliz se sentia ao se entregar em cheio a música. E se dependesse dele e do insistente Oh Sehun nunca voltaria a se afastar do velho companheiro novamente.

 

 

 

 

 

— Parece que eles decidem os dias aleatoriamente. Podem passar anos sem que eles se pronunciem, ou pedir a ordem de execução de vários ao mesmo tempo — Disse um dos guardas veteranos comentando com os outros.

— Sim, nisso você está certo. Até parece que eles acham divertido ouvir as nossas queixas.

 

Kim Junmyeon estava espremido em sua mesa perto daquela roda de conversa. Ele continuava a esperar por algo, até que ele engolindo um suspiro finalmente tomou coragem para pegar o celular e fazer aquela ligação.

 

O celular na mesa ainda estava no segundo toque quando ele atendeu.

 

— Sim? — Baekhyun respondeu sem muita delicadeza. Se preparando para tomar um banho rápido. 

— Baek...

— Tia Mônica! Estava prestes a ligar para a senhora, você não vai acreditar no que eu tenho pra te contar — Ele sorriu animado com a incrível novidade.

— Acabei de receber uma ligação do diretor Kim, querido — A voz da mais velha soou rasgada, distante e meio cortante.

 — Eh? O que ele- — O sorriso se desmanchou e a preocupação tomou conta da expressão do jovem que conteve a respiração por um momento, tinha algo de errado, o tom de voz da mulher tinha algo que o alertou, e o assustou na mesma medida.

— Eu sinto muito, Baek... Ele... Eu realmente sinto muito meu querido...

 

 

 

 

“Quando jovem, ainda no colégio eu aprendi sobre alguns dos poetas mais importantes da história. Eu não lembro muito dos nomes ou das poesias, no entanto, eu me lembro de uma que me marcou de certa forma porque era uma chamada “Invictus” do escritor inglês William Hentley, que segundo relatos era a preferida do líder sul-africano Nelson Mandela, um cara digno de se admirar. Então, com os anos, de certa forma, eu percebo que as palavras se ajustam ao espírito de Sehun. Mesmo que naquela época eu não o entendesse, eu me recusava a compreender na verdade, mas hoje eu sinto que elas lhe fazem jus.

 O poema era meio assim...

Do fundo desta noite que persiste

A me envolver em breu - eterno e espesso,

A qualquer deus - se algum acaso existe,

Por minha alma insubjugável agradeço.

 

Nas garras do destino e seus estragos,

Sob os golpes que o acaso atira e acerta,

Nunca me lamentei - e ainda trago

Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

 

Além deste oceano de lamúria,

Somente o Horror das trevas se divisa;

Porém o tempo, a consumir-se em fúria,

Não me amedronta, nem me martiriza.

 

Por ser estreita a senda - eu não declino,

Nem por pesada a mão que o mundo espalma;

Eu sou dono e senhor de meu destino;

Eu sou o comandante de minha alma.”

 

 

 

 

 

— Por favor, irmão! Você tem que me ouvir!

— Você está perdendo seu tempo. Fazer qualquer coisa quando já faz tanto tempo que ele foi condenado à morte é inútil, Baek...

— Sim, eu já sei disso, mas ainda assim eu me recuso a entregar os pontos! Você é o melhor advogado de Seul, pelo amor de deus Baekho! Tem que haver alguma coisa que você possa fazer! — O mais novo estava gritando ao telefone enquanto dirigia com pressa para algum lugar.

— Eu não quero continuar com essa conversa, Baekhyun. Vou desligar.

— Espera! Hyung, não-

 

 

"Sonhar com a morte... É talvez a prova veraz e resoluta de que você está vivo".

 

Baekhyun apertou o aparato em suas mãos, com dedos trêmulos insistiu em ligar novamente, mas seu irmão simplesmente o ignorou. Ele estacionou ao lado da pista e sem mais, ele começou a chorar de pura raiva, a impotência gritante nos soluços esganiçados era agoniante. E contradizendo o que acabara de dizer, Baekhyun simplesmente entregou os pontos naquela manhã triste e solitária.

E seus fortes soluços formaram uma pequena e suave sinfonia no meio daquela bela vista da cidade onde ele se encontrava.

 

"O fato de viver e deixar de viver faz parte da própria vida. Demorei tanto a entender isso..."

 

 

Os flocos de neve a cair, ali também por trás das janelas de sua oficina, Junmyeon os apreciava com atenção, Sehun amava a neve, e ele passou a prestar mais cuidado no que o mais novo dizia ao respeito de tudo ao seu redor. Aquele menino conseguia enxergar poesia até no ato mais singelo da vida. De repente, e sem se dar ao trabalho de bater, invadiram sua sala num estrondo.

 

— Diretor Kim! — O rapaz entrou afoito. O rosto níveo com marcas vermelhas aparentes nas bochechas revelava o esforço dele na correria a que se viu obrigado para chegar até ali. Ele tinha prometido a si mesmo não sair até atingir seu objetivo, que era, no momento, só falar com o Kim.

— Sinto muito, diretor Kim. Eu tentei detê-lo, mas... — Um guarda da entrada apareceu ao lado do menor.

— Por favor, deixe-me vê-lo! — Implorou o jovem Byun tentando soar firme, o ar ao redor deles ficou rarefeito e era difícil para ele respirar normalmente. Junmyeon e Baekhyun trocaram olhares, qualquer um poderia perceber apenas com vê-los que eles estavam prestes a quebrar.

— Eu não posso fazer isso... — Sussurrou então o mais velho, cabisbaixo.

— Vou assumir qualquer responsabilidade, só me deixe vê-lo... Por favor.

— Eu disse que não posso! — Ralhou Junmyeon enraivecido, ato que fez o Byun silenciar de imediato. — Eu não posso deixar que o veja sabendo que amanhã de manhã sua sentença será cumprida — A voz foi mudando até desaparecer num murmúrio fraco.

— Mas por que? — Baekhyun inquiriu rude. Sentindo os olhos queimarem tamanho o esforço por não começar a esbravejar. — Não posso pelo menos dizer a ele que vai morrer amanhã? Você vai deixar ele passar a sua última noite no breu, totalmente alheio ao que vai acontecer em menos de-

— Ele sempre soube perfeitamente que esse dia chegaria... — Junmyeon cortou sua fala sem hesitar. Sua voz soava ferida, segura de uma forma tão sofrida que foi impossível não notar a própria impotência nelas. Eles voltaram a trocar olhares, dessa vez, cheios de ansiedade e revolta.

— Ainda assim você deve dizer a ele que será amanhã! — O jovem voltou a insistir, teimoso, cansado, amargurado.

— Será que é tão difícil assim de entender?! Os condenados à pena de morte estão preparados para morrer a qualquer momento, Byun-ssi! — Kim elevou a voz novamente, vendo-o fixamente. Algo no seu olhar fez Baekhyun recuar. Foi só ali que Byun percebeu que não estava tão só quanto imaginara, e muito menos que era o único a sofrer pela partida anunciada de Sehun, que além de si, tinham outros que perderiam um extraordinário ser humano e amigo ali.

— Cada manhã eles sentem medo quando ouvem os passos dos guardas. E toda noite eles vão para a cama sem saber se no dia seguinte chegará a hora deles. Mas no caso de Sehun... — Ele desviou os olhos novamente. — Não era assim, para ele, é diferente. Ele ficava aliviado quando amanhecia.

Junmyeon se lembrou do garoto e voltou a sentir aquela opressão no peito.

— Mas ele se sentia péssimo quando percebia que sua sentença não seria cumprida naquela manhã, e eram nesses dias quando ele tentava cometer suicídio. Mas há alguns dias... Ele me disse que estava com medo — Uma lágrima, tímida e clara brotou dos olhos doces dele, escorreu lentamente pelo rosto bonito até morrer no chão. — Ele me disse que, ao ver você, sentia vontade de continuar vivo. E isso o assustava...

Baekhyun arregalou os olhos incrédulo, desnorteado e talvez, só um pouquinho mais amargurado do que já se sentia. 

 

 

"Eu não tinha ideia... Sehun..."

 

O mais velho fechou os olhos e rapidamente enxugou as lágrimas com as costas da mão, até que forçou um pequeno sorriso ao ver os olhos lacrimejantes do Byun.

 

— Apesar de tudo, estou feliz por Sehun, porque agora ele se arrepende do que fez. Além do que, o dia que ele esperava por tanto tempo finalmente vai chegar. Mas, sabe... Por mais que eu tente lembrar, é impossível encontrar um dia em que tenha visto Sehun sorrindo abertamente... — Kim procurou o olhar do outro. — Agora, tudo que ele quer é que você seja capaz de viver a vida de uma maneira completamente normal. Por essa razão, acho que a única pessoa que deveria lembrá-lo com um sorriso sincero no rosto é a pessoa que conseguiu mudá-lo.

 

Lágrimas silenciosas evidenciaram o amolecer do mais novo, Baekhyun sentia a confusão de emoções tão profundas lutando para se abrirem passo no seu âmago, engolindo um suspiro e um monte de ofensas para si mesmo, ele se entregou ao abraço cálido oferecido por Kim, porque dessa vez ele não se sentiu sozinho. Não naquele momento, quando tinha o Junmyeon chorando junto dele. Um amigo, um apoio, que era tudo o que ele precisava no momento.

 

— Apenas você, Byun-ssi, só você merece lembrar seu sorriso.

 

 

 

 

 

"O lugar em que estamos não importa, seja do outro lado de um muro bem alto ou dentro de uma prisão, longe de tudo e todos. No final, não consegui encontrar uma boa resposta... Eu não encontrei a diferença entre ele, que foi rotulado de criminoso, e eu, que poderia ter sido um..."

 

 

 

O clima não deu uma brecha naquele dia, tinha nevado a noite toda, mas de manhã o céu estava límpido, o sol brilhava tão intensamente dando um calorzinho gostoso naquele dia invernal.

Houve o som abafado de passos do outro lado da porta, Sehun sequer notou; passou a noite inteira pensando em seu pequeno anjo e naquele pedido.

"Em troca... Você viveria pelo menos mais um ano por mim?"

 

É a primeira vez que alguém me pede para continuar vivendo... — Pensou o rapaz sentindo os primeiros raios do sol entrarem pela fresta da janela, para então a porta ser aberta. Na frente de seus olhos, todos vestidos de uniforme, os guardas compareceram em sua cela. Um deles, aquele conhecido homem, amável e sempre disposto a servir de confidente, o diretor Kim.

 

—Eh? O que está acontecendo, diretor Kim? O senhor está vestindo o uniforme... — Sehun vislumbrou a tristeza aparente nas orbes sempre tão calmas do mais velho, e soube. — Hoje eu... Entendo — Abaixou os olhos. — É hoje que eu vou... Morrer.

— O Byun-ssi me pediu para não mentir para você, e eu também não quero fazer isso — Kim disse piscando os olhos devagar, se contendo. Sehun notou que o homem não estava ali como mais um oficial, ele estava ali como um amigo.

— Eu fico feliz de ter estado sob seus cuidados, Junmyeon hyung. Você fez por mim mais do que pode imaginar — Disse o mais novo ficando em pé frente ao Kim, mesmo que o outro não conseguia encarar o seu olhar; mesmo que notara as pernas levemente oscilantes do mais velho, ele quis soar genuinamente sincero e grato, porque Kim ainda tinha traços de lágrimas remanescentes no rosto pálido. Fora por isso também que usou a denominação de hyung com ele, já que assim o sentira. Um verdadeiro irmão. 

Foi assim, que num impulso leve, Sehun fez uma reverência respeitosa na frente de Junmyeon, pela última vez.

 

"Vou sentir saudades, Kim".

 

— Muito obrigado...

 

 

 

 

 

 

 

"Hyung... Me disseram para escrever um último testamento, mas... Embora eu tivesse posses de valor, não tenho família a quem entregá-las".

 

Lentamente, os três homens, dois oficiais e o preso 3987 caminhavam pelos corredores.

 

"Por esse motivo, eu aproveito esse momento para fazer outra coisa. Te escrever uma carta, como sempre faço. Você não tem ideia o quanto me surpreendeu te ver na prisão naquele primeiro dia".

 

Ao longo daquele corredor, muitas coisas passavam pela mente do jovem Oh enquanto cruzavam com portas abertas aleatoriamente. Por curiosidade tinha reparado no interior das duas primeiras salas até que o golpe do passado o acertou em cheio, e lembrou-se de sua adolescência.

 

"Para ser honesto, eu estive procurando você por um longo tempo. Desde o dia que meu irmão morreu e eu fiquei sozinho no mundo, mesmo quando você já tinha esquecido os holofotes e desaparecido das telonas. Eu procurei por você."

 

O jovem Oh Sehun, aquele que embarcou em uma busca absurda naqueles meses de inverno, revivia às suas memórias. Aqueles dias em que a solidão o espreitava e a única coisa a dar-lhe esperança era ouvi-lo novamente.

 

"Eu procurei e procurei sem cessar... Mas eu nunca achei você. No final, acabei esquecendo o assunto, tamanha a minha desilusão... "

 

— Desculpe diretor Kim, mas não acha que passar frente ao auditório é um desvio desnecessário? — O segundo oficial se manifestou ao lado deles.

— Não temos tanta pressa assim, Kang — O mais velho se pronunciou com uma voz profunda e seria ainda para si. Sehun o olhou de canto, um tanto confuso pela sua atitude, mas continuou andando atrás dele.

 

"É por isso que, quando eu te vi aqui na prisão, pensei que talvez... Deus realmente existia."

 

O rapaz só deu mais alguns passos, quando ao atravessar outra das muitas portas, pensou ter visto uma visão.

Sobre um palco improvisado ele o encontrou, ao lado de um grandioso piano de cauda. Sehun parou de andar e prendeu a respiração pela primeira vez naquele dia, ele estava quase relutante em acreditar no que seus olhos lhe mostravam.

Baekhyun estava lindo, com um terno de um branco delicado acolhendo sua silhueta magra, seu cabelo escuro brilhando na luz do dia, mas não tanto quanto as lágrimas tímidas em seus olhos caídos, que ao encarar Sehun de fato, começaram a rolar pelo seu rosto. Apesar disso, o jovem lhe sorriu e fez uma reverência para aquele que seria seu único e mais importante espectador.

Oh viu-o sentar-se em frente ao piano e, depois de um breve intervalo, começou a encher aquele pequeno auditório com as mais belas melodias que ele tivesse escutado jamais. Isso fora tudo o que Sehun precisava para se desmanchar num choro quieto quase desajeitado pela situação, mas ele já não podia conter tantas emoções em seu coração. Estava absolutamente encantado e tocado por aquela surpresa.

 

 "Graças a essas quintas-feiras que eu pude passar com você... Finalmente consegui saber como é se sentir feliz. Realmente feliz".

 

Baekhyun não conseguiu se conter, pelo contrário, deixou-se arrastar pelas notas de seu piano. Seus soluços silenciosos juntaram-se à melodia.

Sehun ainda estava com os punhos no rosto, todo encolhido e chorando como aquele garoto bobo de 14 anos, na frente daquele artista magistral que lhe oferecia o maior presente que ele pudesse ganhar em toda sua vida.

 

"Ser feliz... Isso é algo que eu nunca consegui alcançar sozinho. Agora eu posso entender porque as pessoas vivem suas vidas se misturando com o resto das pessoas ao seu redor... "

 

A peça musical estava chegando ao fim, o menor levantou os dedos por um segundo das teclas, meros segundos que levou Sehun prender a respiração novamente e abaixar os punhos, mostrando um rosto banhado, com os olhos lacrimejantes procurando intensamente pelo mais velho, como fizera no passado. Eles trocaram um olhar tão carregado de carinho que Baekhyun quase desmoronou naquele momento. Os olhos profundos, doces, sinceros de Sehun mostraram um querer tão desesperante, mas de um modo tão puro, para então agraciá-lo com um sorriso secreto, amoroso e completamente estonteante que o desestabilizou. Baekhyun suspirou baixinho, retribuindo o gesto enquanto se virava novamente em direção do piano.

Foi aí que o tempo pareceu gritar para ambos, que se lembraram de que a realidade não tinha paciência para os bons momentos.

 

"Talvez eu devesse ser mais corajoso e te dizer para me esquecer, e viver sua vida sem olhar para trás. Mas eu quero que você se lembre de mim, hyung. Eu quero que pelo menos você... Nunca se esqueça de mim. Por favor..."

 

— Desculpe, Sehun. Mas... Temos que ir agora — Apenas ouviu Junmyeon, ao seu lado. Oh respirou fundo e observou o belo pianista, o seu anjo, seu pequeno príncipe, o peito latejando de um modo pesado. Olhou pela última vez aquele que sem saber havia lhe ensinado o doce sabor do amor. Aquele que enfrentou seus medos, por ele. Aquele que tocava com aquela delicadeza e habilidade como só ele sabia, para ele.

Repuxou os lábios em um pequeno sorriso enquanto enxugava as novas lágrimas. Seu coração tinha escolhido bem a quem amar.

 

"Uma vez você me disse que não importa o quanto você odeie alguém a ponto de querer matá-lo, no final, o medo faz com que você duvide e desista. Mas não acho que, no seu caso, o medo tenha sido o motivo pelo qual você não o fez. Em vez disso, sua valentia foi o que impediu você de realizá-lo. Se eu tivesse a mesma coragem que você tem... Talvez eu pudesse ter dito a você as palavras que eu nunca seria capaz de dizer, pelo menos não frente a frente... "

 

— Está bem — Ele balbuciou finalmente, voltando ao corredor. Passo a passo, ele foi se afastando. Mas ele saíra dali com a promessa sorridente de que eles voltariam a se encontrar.

Antes mesmo de perceber; Baekhyun sentiu sua partida. Ele parou de tocar, mas suas lágrimas não pararam de cair, começando dessa vez um choro ainda mais intenso com a cabeça enterrada nos braços e sobre as teclas do instrumento. Quem diria do pequeno Byun, nem ele mesmo acreditaria uns meses atrás, mas nem ele mesmo se lembrava do Byun do passado. Ali, naquele momento nem se importava estar se debulhando em lágrimas por um cara, não, um homem incrível que o tinha resgatado de sua própria miséria, que foi quem abriu seus olhos e por quem acabou profunda e desesperadamente apaixonado. E essa era a única verdade que importava.

 

"Palavras que eu nunca havia dito antes. Palavras que desde que nasci nunca saíram da minha boca. Provavelmente porque nunca sentira nada tão intenso quanto isso, mas quando me lembro daquele dia em que te vi pela primeira vez... "

 

Sehun abaixou os olhos e enquanto se aproximava do final do corredor, retornou àquele momento em seu passado. Aquele dia mágico quando ele viu aquele anjo pela primeira vez na tela de um dos arranha-céus.

 

 

"A partir daquele dia, desse exato momento... Eu te amei, Baekhyun".

 

O corredor os levou a uma escadaria, cuja luz no final da mesma os guiava, Oh Sehun subiu os degraus com lentidão, tendo real certeza que estava deixando o seu maior tesouro para trás, e junto dele abandonara seu coração.

 

"Viva hyung... Viva cada dia da melhor forma que puder. Viva cada momento como se fosse o último. E, por favor... Encontre o seu caminho. Encontre e seja mais feliz do que qualquer um poderia ser... "

 

 

 

 

 

A luz de um novo dia caía sobre a cidade, mas em especial, no conjunto de edifícios que fazia tempo Baekhyun não chamara de lar.

Em suas mãos estava àquela carta, a última carta de Sehun. Ele passou os dedos pela escrita rabiscada e quase ininteligível que lhe dava aquele charme especial. Ele havia mantido muitas das suas coisas, muitos dos quais ele não abriria mão, muitas memórias, muitas outras, cartas como àquela que representavam o último restigio de sua existência. Baekhyun as lia todas, diariamente, enquanto se encontrava confortavelmente sentado na frente de seu velho companheiro piano.

A lembrança daquela voz rouca, levemente fanha, o fez sorrir e abraçar aquele pequeno pedaço de sua alma com mais força.

 

— Como é que você me pede para vir a esse muquifo que você chama de estúdio? Será que não foi o suficiente você voltar a morar aqui e que eu tenha que suportar a sua incomoda presença? — A voz seca de Byun Yujeong ressoou alto perto da porta. Os dois trocaram olhares cheios de farpas, mas no último segundo Baekhyun suspirou cansado. Encolheu os ombros e, olhando fixamente para a mulher, proferiu as suas seguintes palavras.

— Eu sei que você provavelmente não vai acreditar no que eu vou dizer, mas sinceramente tô cansado disso, dessa relação que viemos arrastando todos esses anos, então eu só... Te perdoo, mãe.

 

A expressão de choque no rosto da mulher não passara despercebida pelo mais novo, mas a surpresa fora completamente inevitável para ela. Afinal de contas, o caçula havia superado aquela personalidade agressiva habitual. Deixado de lado toda a raiva, o remorso e o sarcasmo e começara a agir de forma até normal, madura. Ela vinha notando isso, a mudança só se findara com a decisão do rapaz de voltar a morar com a mãe, argumentando que fora para cuidar dela. Claro que no começo ela achara suspeito e que aquilo não passava de vingança, uma forma de se impor e de torturá-la, mas com as semanas ela foi se habituando novamente a sua presença, a aproximação quase tímida dele, o fato que ele até voltara a encher a casa com o belo e cativante som do piano, que Baekhyun fazia questão de praticar justo na hora do chá, o único momento que ela parava na casa para descansar. Foi nesses dias que ela cedeu um pouquinho e admitiu ficar levemente comovida, ao perceber o quanto sentia falta daquele som, daquela forma tão única do filho de tocar o instrumento, e porque não, percebera o quanto sentia falta dele também.

 

— A verdade é que eu ainda te odeio. Tanto ao ponto de querer te matar algumas vezes — Ele admitiu baixinho, perdendo o olhar no conjunto de cartas em suas mãos. — Mas ainda assim, eu... Não te desejo o mal, mãe. Eu até gosto de nossas brigas, posso praticar melhor minha eloquência, sobretudo minha paciência.

Ele sorriu artero enquanto lhe veio à imagem de Sehun a mente, o seu garoto Sehun.

— É que eu percebi em meio de tudo que aconteceu que eu tô cansado de levar a vida como eu levava antes. Eu quero... Não, eu tenho que viver. Viver uma vida melhor, me relacionar melhor com as pessoas ao meu redor porque eu não tô só vivendo a minha vida, eu tô vivendo por alguém, graças a esse alguém... — Baek lutou contra as lágrimas e se concentrou no sorriso que se formara tão naturalmente ao lembrar dele. — Então, como eu disse, eu te perdoo. De todo coração.

 

Ele colocou as cartas de volta entre as páginas de seu diário, o silêncio que sua mãe lhe oferecia era uma amostra de que havia alcançado o primeiro passo; Redenção.

 

— E outra coisa... Eu voltei a tocar o piano, eu quero muito voltar a fazer isso profissionalmente, é por isso que tenho praticado. Se quiser, eu posso continuar a tocar pra senhora como eu fazia quando criança, então não precisa se esconder ou fingir que o som te incomoda, tá bom? — Ele piscou e abriu um pequeno sorriso sincero que de alguma forma desarmou sua mãe, que rapidamente se retirou para se trancar em seu quarto, antes morta que deixar alguém vê-la chorar. A mulher forte e firme de todos os dias, naquele momento se mostrava profunda e dolorosamente arrependida, por tantas coisas, mas acima de tudo, por ter ignorado o ataque que seu filho sofreu anos atrás, o trauma que isso gerou e que ele foi forçado a carregar sozinho. Lamentou não tê-lo ajudado e que acabaram odiando-se a ponto de desejar a morte do outro.

Só que naquele dia seu filho lhe dera a lição mais humilde e importante de sua vida. O perdão, ele não apenas perdoou a si mesmo, mas também a ela. Que entre todas as pessoas era provavelmente a que menos merecia.

Talvez não naquele dia, mas no futuro próximo, ela teria a mesma coragem do filho e pediria perdão de forma oficial. Talvez, eles chorariam e zombariam um do outro no processo, talvez com isso eles prometessem uma trégua e com isso as feridas da família Byun fechariam de vez.

 

Baekhyun permaneceu em seu estúdio, passou os dedos longos sobre as teclas, lembrando-se da última peça que interpretara para ele, a que virara a música dos dois.

 

 

"É graças a ele que agora também entendo como obter o que todo mundo chama de felicidade. Farei o que você me pediu, Sehun, vou cumprir seu último desejo. Prometo que nada nem ninguém vai me impedir de realizar os meus sonhos. Sei que vão ter dias em que não vou enxergar nada além da dor. Mas também sei que haverá outros dias em que só vou enxergar o amor. O amor e o carinho que as pessoas têm por mim. Vou lembrar da gente, juntos, sorrindo um para o outro, e eventualmente vão escapar alguns suspiros e, sejamos honestos, algumas lágrimas porque você me conhece. Mas cada dia vão aparecer menos lágrimas, até que um dia, eu poderei olhar para suas cartas com um sorriso largo e orgulhoso no rosto de ter conhecido e me apaixonado por um homem tão incrível quanto você".

 

 

Baekhyun olhou para o seu diário, com as cartas, seus desenhos toscos, a sua história que ficaria bem guardada em si.

 

 

"O Amor, é algo ao qual me sinto preparado graças a você, Sehun. Por isso eu vou viver todos os dias, por mim e como forma de agradecimento ao homem que me salvou do inferno. De agora em diante, e até que seja minha hora de partir... Eu vou viver e desfrutar de cada momento dessa incrível aventura.

Obrigado por isso, por tudo, Sehun. Eu te amo e sempre vou te amar, lembre-se disso. Bem, isso até nos encontrarmos novamente e essa história recomeçar. Nesta vida, pelo menos; nossas horas felizes encontraram o seu Fim.”

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E foi isso meus amores~ eu tô toda emotiva my gosh TT não acredito que cheguei até aqui, que teve gente que gostou de verdade dessa história e muito menos que ela chegaria aos 80 favoritos, tipo eu nem achava que passaria dos 10! Eu tô muito MUITO feliz e grata por terem dado uma chance.
Um agradecimento especial a todos que comentaram, suas palavras valem ouro para mim, vou sempre guardar elas com carinho. E eu realmente recomendo que dem uma olhada nessa playlist, ela inspira muito, tanto pra quem escreve como pra quem lê.
https://open.spotify.com/user/spotify/playlist/37i9dQZF1DWTmhGAhbrFb3

Pra quem quiser dar amor ou só uns bons tapas otl eu sempre tô no tw https://twitter.com/xo_lost_star

Um abraço lovelies e se cuidem, beijocas da Fabs~ <3


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