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História Tenías que ser tú - Capítulo 1


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Notas do Autor


reciclando uma histórinha ♻

Capítulo 1 - Primero


“O futebol de Sergio Reguilón acabou junto com o seu namoro?”

Imprensa. Maldita seja.

Com raiva Sergio bloqueia a tela do celular e o larga sobre suas coxas, e em seguida afunda com força a colher dentro do pote de sorvete, quase quebrando ela. Pragueja pelo frio em seus dedos, xinga por mais uma manchete daquelas.

Sabia que não era o tipo de coisa que deveria estar comendo no momento – ainda mais em quantidade exagerada como estava fazendo, porque aquele já devia ser o sétimo pote de sorvete do dia, sempre com muitos complementos, e nem contava as outras besteiras que tinha comido – mas Reguilón precisava descontar a raiva e frustração em algo que não fosse os móveis da casa ou outras pessoas.

E comer era, de longe, a melhor solução, mesmo que isso significasse sobrepeso e mais dificuldade para retornar ao bom futebol que vinha mantendo.

Sua vida tinha desandado de uma maneira digna de roteiro de cinema. Do sucesso a lama em poucos dias. De talentoso e promissor lateral para mais um reserva esquecido no banco.

Descoberto seu caso extraconjugal com outro homem, do dia para a noite, Sergio tinha virado o cara mais odiado de toda a Espanha e ele definitivamente não estava acostumado com todo aquele tipo negativo de atenção; era taxado como um libertino traidor que vivia na malandragem e tinha esquecido como fazer o feijão e arroz do futebol.

E nada que fizesse resolvia a situação, que se já não era o ruim bastante, fez sua família ficar com raiva de si.

Certo, a raiva pela traição ele aceitava. Aquilo era muito errado, ele estava arrependido, ciente do quanto magoara a ex-namorada, mas tudo tinha limite e uma coisa era sua vida pessoal, outra o seu futebol, por isso não aceitava que seu relacionamento fosse manchete de jornal.

E não aceitava muito menos os outros xingamentos e trocadilhos que andava recebendo.

Lhe faltava a coragem e a vontade de ao menos responder? Sim, mas estava em seu direito de fazer isso. Porque se sentia um merda e isso não passaria tão cedo, por isso nos últimos tempos Reguilón vivia andando por Madrid em horários que devia estar em casa descansando e conhecendo muitas sorveterias e se acabando em sorvete.

– Vou engordar? Vou, mas foda-se. – Murmurou em um tom raivoso olhando os inúmeros potes de sorvete espalhados pelo banco ao seu lado.

Suspirou observando o céu maravilhosamente estrelado que dava para contemplar ali naquela parte da cidade sem muitos prédios, mas que apesar de ter uma ótima sorveteria italiana, era um tanto quanto perigosa.

A rua não era muito movimentada e como estava tarde da noite, com exceção a Reguilón no banco, havia somente um homem em frente a entrada de um prédio e outro caminhando na direção de Sergio. Engoliu em seco ao perceber como de longe o homem parecia nada amigável e como suas mãos pareciam suspeitas dentro do enorme casaco, porque, afinal, não estava tão frio para tanto.

É, acho que vou ser assaltado.

Reguilón ainda tinha chance de correr, mas suas pernas pareceram travar e antes de qualquer ação o homem já estava gritando consigo para passar tudo que tinha. Trêmulo, tentou pegar o seu celular para entregar ao assaltante, mas o cara pareceu se dar conta de algo e ouviu mais uma voz gritando enquanto recebia uma coronhada na cabeça.

Caiu deitado no banco e quando abriu os olhos novamente só enxergava o branco do hospital.

Gemeu com a dor de cabeça e tentou se localizar no espaço; as cortinas deixavam passar poucos raios de sol, mas era provavelmente manhã e ao que tudo indicava alguém já tinha notado sua falta visto que por causa da sua péssima situação futebolística, a última coisa que Reguilón fazia era faltar treino. Torcia muito para o hospital ou quem o ajudou, ter dado uma olhada em seu celular e ter ligado para algum dos seus companheiros de time na lista de emergência.

– Toda desgraça para mim está sendo pouca mesmo... – Sergio sussurrou levando a mão até a cabeça, procurando um sinal de que tudo havia sido muito mais grave do que pensava, mas aparentemente estava muito bem.

A porta se abre de repente e Sergio não esconde nenhum pouco da sua surpresa quando a porta se abriu e uma enfermeira sorridente adentra o quarto junto de dois de seus melhores amigos e companheiros.

Sergio se dava bem com todos seus companheiros, mas gostava especialmente da amizade que mantinha com Thibaut, Federico e Marco.

– Como você está?! – Marco foi o primeiro a se atirar contra Sergio, com a preocupação evidente no rosto.

– Bem? – Respondeu hesitante.

– Regui, pelo amor, o que diabos está acontecendo com você? – Courtois abaixa o tom de voz, se aproximando do espanhol. – Primeiro trai a namorada, toma um pé na bunda colossal do amante, agora fica noivo e não conta! Amigo, não estou te reconhecendo.

Ok. Dois pontos importantes da fala de Courtois: o cara com quem Sergio teve o caso não aguentou quando tudo veio a público e se mandou, deixando Reguilón ainda mais louco com toda a situação porquê por um momento pensou que finalmente ia ser feliz dentro de uma relação e teria alguém o ajudando com tudo que ia vir... mas foi chutado por uma mensagem. E noivo? Desde quando Reguilón tinha ficado noivo?

– E que homem bonito! – Courtois abaixou o tom de voz e deu uma risadinha.

Reguilón olhou incrédulo para o amigo. Ele não tinha noivo, por que os amigos estavam acreditando naquilo e ainda por cima dizendo que o homem era bonito?

– Vocês... vocês não estão com raiva? – Falou a única coisa que conseguiu e balançou a cabeça em seguida. Tenho que perguntar se eles não estão loucos. – São que horas? – Olhou para a enfermeira, porque estava com dor de cabeça e uma fome do cão.

– Dez da manhã. – Marco se adiantou na resposta. – E raiva depois de conhecer o cara? Nenhum pouco! Todo educado e simpático. – Falou animado. – Apesar da maneira conturbada que foi, fico feliz que tenha saído do armário e encontrado alguém legal.

– E olha, o de agora é muito mais charmoso do que aquele lá. – Courtois falou e Sergio respirou fundo.

Queria gritar que nem sabia de quem estavam falando, mas seus amigos pareciam tão animados, que se manteve calado e se o tal do seu noivo tinha conhecido eles e não desmentido nada, porque Reguilón desmentiria sem antes falar com ele? Poderiam até fazer um acordo sobre essa história toda!

O rapaz já ia perguntar novamente sobre o dito cujo quando ouviram os toques na porta e a mesma foi aberta dando passagem para um homem.

Sergio torceu um pouquinho para que aquele fosse o tal noivo e não o médico, mas se decepcionou no minuto seguinte ao perceber que o homem estava todo vestido com a mesma roupa da enfermeira. Se apresentou e fez todas as perguntas de praxe e explicou a Reguilón que a pancada na cabeça tinha sido bastante forte e foi sorte ele ter alguém para o ajudar no momento.

– Sorte a sua que seu noivo estava com você, poderia ter acontecido algo pior! – A enfermeira comentou depois que o médico saiu dizendo que voltava logo para dar alta ao jogador.

Reguilón, totalmente disperso ao falatório dos seus amigos com a enfermeira. Seria muito agradecido se ao menos soubesse quem é ele.

– Uma pena que ele não pode ficar, mas deixou suas coisas aqui. – Thibaut tirou o celular e a carteira de Reguilón do bolso, entregando para o amigo.

Dentre todas as mensagens dos seus companheiros de time e alguns conhecidos, havia uma com uma carinha piscando um olho e um singelo “fica bem”; Regui estreitou os olhos, achando uma invasão absurda de privacidade o desconhecido ter mexido no meu celular e salvado o contato dele.

“Amor ❤”.

Que abusado.

Seja lá quem fosse, já estava contando que Sergio fosse estar de acordo de toda a palhaçada e, bom, no fundo ele ia porque aparentemente os dois iam tirar proveito da situação.

***

– Agora pode nos explicar. – Federico falou assim que sentou à frente de Sergio. – Que história é essa de noivado?

Sergio deu de ombros. Alguém do hospital tinha dado todas as informações possíveis para os jornais e a manchete do dia era “Sergio Reguilón e noivo sofrem tentativa de assalto, mas tudo fica bem” e logo depois vinha a questão: quem era o homem?

Uma boa pergunta que Reguilón também queria saber porque tinha mandado mensagens ao estranho pedindo informações, mas até agora tinha recebido apenas vácuo.

Federico e Mina o ouviam atentamente enquanto ele explicava o pouco que sabia e o fizeram a mesma pergunta que Sergio tinha feito a si mesmo: por que não desmentiu logo de cara?

Sua família agora já sabia e estava aparentemente bem com aquilo. Asensio já tinha dado conta de espalhar aquilo pelo vestiário e todo mundo estava dando parabéns pelo noivado e a coragem de Reguilón e Sergio era vergonhoso demais para dizer que tudo era uma grande mentira.

Valverde era o único que não tinha levado aquela história a sério e a ele e a esposa Reguilón se sentia confortável o suficiente para contar a verdade. Tinha virado amigo do casal não só por dividir o vestiário com Federico há muito, mas porque eram vizinhos e Sergio era o maior fã do bebê Beni.

– Não é um pouco arriscado? Digo, esse cara pode ser qualquer tipo de pessoa. – Mina falou preocupada e o marido concordou com ela.

– É sim, mas... – Mordeu o lábio inferior.

Federico suspirou.

– Só toma cuidado, está bem?

O lateral até ficaria mais, mas estava tarde e Sergio estava exausto, além de ter que apresentar bem cedo no dia seguinte aos médicos do time para que eles também o liberassem para treinar. A casa dos amigos não ficava longe da de Reguilón, mas andar pelo condomínio não era nenhum sacrifício, por isso e por suas caminhadas solitárias ajudarem a colocar seus pensamentos em ordem, Sergio pegou um caminho contrário à sua residência e começou a vagar sem rumo.

– Olá.

Imediatamente Reguilón estanca no lugar, temendo outro assalto. A porra desse lugar não se diz cheio de segurança?

– Desculpa, te assustei. – Sentiu uma mão tocar seu ombro e finalmente virou para trás dando de cara com um rapaz mais alto que si e com o rosto encoberto por um capuz.

Sergio afastou a mão do seu ombro com pressa e deu alguns passos para trás, decidido a começar a fazer um escândalo para alertar a segurança.

– Quem é você? – Perguntou assustado.

– Um anjo. – O homem abaixou o capuz. – Marcos, ou o cara que sem querer te salvou de um assalto e foi confundido pela enfermeira com o acompanhante de outro paciente e virou seu noivo. – Deu de ombros.

– Como entrou aqui? – Sergio deu mais um passo para trás.

– Dei meu jeito. Será que podemos conversar um pouco?

A resposta mais sensata era um não, porque agora definitivamente Reguilón concordava com Mina sobre a loucura que foi não desmentir a história no primeiro momento, mas o lateral tinha essa tendência de fazer o contrário do que era certo, e agora corria o risco de ser roubado ou assassinado por um possível psicopata louco, mas lá estava ele, conduzido o loiro para sua casa.

Porém, enquanto entrava em casa, mandou uma mensagem à Federico avisando da situação e deixando o número da polícia no teclado de discagem. Só por precaução.

Observou com atenção o loiro adentrar a sala atrás de si e com a melhor iluminação da casa, Sergio percebeu que o anjo parecia alguém extremamente bem-apessoado e entendeu a animação dos amigos ao vê-lo dar um sorriso sem graça e encarar seus pés parecendo envergonhado. Uma fofura.

– Desculpe por te assustar daquele jeito. E te deixar no vácuo. – Marcos o encarou e Sergio balançou a cabeça, não focando muito nos olhos claros brilhantes. – Bela casa. – Elogiou.

– Obrigado. Mas sobre o quê quer conversar? – O jogador cruza os braços em frente ao peito e Marcos enfias as mãos dentro da jaqueta que usava, sorrindo de um jeito que faz um bico se formar nos lábios de Reguilón.

– Você anda com a imagem bem ferrada. Quero te ajudar consertar isso.

Ah, claro, um bom samaritano aparecendo na minha vida assim do nada. Sei.

– Vai extorquir outro.

Marcos riu sem humor.

– Não preciso do seu dinheiro. Preciso de sua visibilidade.

Minha visibilidade?, Sergio ergueu as sobrancelhas. Marcos estava dizendo que precisava estar na mídia através de Sergio, era isso?

– Perdão? Acho que entendi errado.

– Não entendeu não. Sua ex fazia isso, você entende bem do que estou falando.

– Obsessão por ser famoso e pela vida dos outros é coisa perigosa, garoto, sugiro procurar um tratamento. – Sergio sacudiu a cabeça negativamente.

– Garoto não porque sou um pouco mais velho e maduro que você. Enfim, a questão aqui é outra. Os dois podem sair ganhando: viro o noivo perfeito para você por algum tempo, em que você provavelmente vai acabar se apaixonando por mim em algum momento, sua imagem de bom moço comportado e fiel volta, além de ser pioneiro no que diz respeito a jogadores gays assumidos no alto nível do futebol e eu fico conhecido por toda Espanha como seu noivo.

O moreno ergueu mãos pedindo uma pausa, desacreditado com o que estava ouvindo. A confiança de Marcos em seu próprio taco era algo impressionante.

– Isso é loucura!

– Loucura nada, admita que estava considerando a ideia de continuar a mentira, se não nem tinha me mandado mensagem.

– Até estava, até ver que você é um doido! – Justificou.

Marcos se calou e suspirou, dando um passo na direção de Reguilón.

– Minha abordagem foi péssima, eu sei. Mas, se aceitar a proposta, prometo nunca mais agir feito um perseguidor ou ladrão com você ou ninguém.

A consciência de Reguilón começou a gritar de algum lugar distante. Não faz isso!, mas parecia tão tentador. E caramba, Sergio ia ter o nome dele carimbado na história – sabia que não era o primeiro jogador assumido com um relacionamento amoroso na mídia, mas porra, quem ligava para jogador gay da MLS? Ele jogava a LaLiga, jogava no Real Madrid.

Ia fazer história. Ia dar exemplo. Ia encorajar outros.

Vai dá merda!, mais uma voz alertou e aquela tinha até o sotaque de Federico. Seu amigo ia ser totalmente contra aquilo, ele tinha total certeza.

Você nem sabe nada do cara! Sergio encarou a mão estendida em sua direção e depois o rosto de Marcos. Não sei nada, mas posso descobrir e ele parece tão boa pessoa...

– Eu aceito.

Um aperto de mão e estava selado: Sergio Reguilón tinha mesmo um noivo.



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