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História Tentativas - Capítulo 1


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Notas do Autor


Isso nasceu da vontade de participar do concurso de festa junina, que só ficou na vontade mesmo. Depois de semanas com um rascunho sem conclusão, decidi postar por nenhum motivo em especial.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Único


Fliq já havia se arriscado na cozinha, claro, as receitas tradicionais de família passam de geração por geração e, apesar de tudo, ele não fica de fora. Porém o meio-elfo nunca ia além do solo seguro, se mantendo apenas nas receitas que vira sua mãe fazer tantas vezes. Tudo mudou quando Salazariel comentou um dia, como quem não quer nada, o quanto sentia falta de um doce feito com grãos de arroz que uma tia humana fazia. Fliq já ouviu falar de arroz doce outras vezes, especialmente durante o mês da Festa Ursina, em que os humanos tinham as próprias festas - sobre as quais ele nunca deu muita bola. De qualquer forma, vendo o namorado manhoso desejar o doce, Fliq fez de sua missão pessoal a realização da receita na tentativa de agradá-lo - Fliq adora agradar, especialmente o outro meio-elfo. Para isso, pediu auxílio do único humano em que - talvez - pode confiar: Vitorino. 

Não é como se Vic tivesse mais habilidade na cozinha do que o ladino, mas pelo menos sabe como cozinhar um arroz ou usar leite condensado para coisas além das batidas alcoólicas que Fliq faz vez ou outra. E assim se uniram numa tarde de típica de outono em que o clima não está muito quente, mas também não está frio - mesmo que devesse, já que o inverno está próximo. Fliq gosta do outono. 

O que Fliq não gosta é da aparência de vômito que o doce ficou. “O que a gente fez de errado, Vic?” pergunta decepcionado. “Eu já disse que é assim mesmo, parece nojento mas ele vai adorar”, Vic sorri satisfeito. Não vai admitir, mas também gosta de agradar Salazariel. Ele tem essa forma especialmente carinhosa de agradecer e reconhecer o esforço dos namorados para as mínimas coisas. Fliq, carente como é, está sempre pronto para receber cafunés e beijinhos. Vic é mais resistente, finge que não gosta muito do contato, mas sempre sucumbe quando é elogiado. Salazariel sabe muito bem como cada um funciona, e o que fazer para mantê-los próximos e satisfeitos. 

Não é como se tivesse sido fácil assim desde o início - o humano não suportava a relação dos outros dois, mas apenas porque era deixado de fora. Somente na primeira vez que beijou o druida no meio de uma discussão, entendeu que não era ódio que sentia, muito menos desprezo. As personalidades se encaixaram com o tempo, a convivência mostrou qual a melhor dinâmica entre eles, e hoje, alguns meses depois - ainda foragidos da Mãe, mas em um distrito mais distante -, os três se encontram contentes. 

Quer dizer, nesse momento Fliq não está tão contente assim. Encara o arroz doce com cara de nojo - já não é muito fã de coisas doces, muito menos de coisas doces e feias. Vic não liga muito, saboreando uma colherada do doce. Não está o mais gostoso que já comeu, mas por ser seu primeiro, está excelente. Vic fica muito satisfeito com suas conquistas pessoais, e cozinhar sem ajuda de alguém mais capacitado é com certeza uma conquista.


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Salazariel retorna de uma missão com Vicky quando já está anoitecendo. As duas partys meio que vivem juntas onde tem espaço - Touro e Shi vez ou outra visitam Joana por alguns dias, como agora, por exemplo, que foram mostrar como funciona uma Festa Ursina à humana -, mas Salazariel, como esperado, possui um bunker próprio, onde costuma ficar com os namorados. Vic sempre achou curioso - e suspeito - o fato do meio-elfo ter tantos locais espalhados, inclusive em distritos diferentes, mas não questiona. A desculpa é que Salaz foi um jovem rebelde, saia sozinho em busca de aventuras, acabou mantendo os abrigos favoritos. Touro acha repugnante ele ter tantos locais habitáveis sendo que só precisa de um, enquanto tantos outros seres vivem a céu aberto em busca de abrigo. 

Mas isso não vem ao caso. O que importa aqui é que Fliq está com as palmas das mãos suadas de nervosismo, imaginando a cara de decepção de Salazariel ao ver a gororoba. “Mesmo se tiver ruim, ele vai gostar da intenção, né?” Ao que Vic responde “você poderia dar terra pra ele e ainda assim seria recompensado. Para de drama”. E é quase ofensivo ouvir a rainha do drama reclamar de outra pessoa sendo dramática. Assim, Fliq acende um cachimbo - “é quase como tomar chá, mas sem a parte da água”, Touro disse quando ofereceu essa milenar técnica de relaxamento. 

O nervosismo não dura muito. Logo recebem um Salazariel limpo e curioso. “Vai se lavar logo, a gente preparou uma surpresa”, Vic disse assim que ele chegou há alguns minutos, e é claro que Salaz se apressou um pouco, ansioso para ser surpreendido. A verdade é que ele esperava algo relacionado às fantasias que confessou há algumas noites, numa conversa preguiçosa antes de dormirem, mas foi presenteado com uma cuia de uma coisa branca pastosa com cheiro de cravo e canela ao invés disso. 

E o que veio depois nenhum dos outros dois esperava. 

As lágrimas começam tímidas, apenas marejando os olhos, mas logo escorrem pelo rosto do meio-elfo. Ele abraça os outros dois, um braço em volta do pescoço de cada um, segurando suas cabeças confusas contra o peito. “Hey, calma, o que foi?” Fliq é o primeiro a se desvencilhar, segurando o rosto do druida com as duas mãos, passando os polegares sob os olhos num carinho suave. “Você nem experimentou. Sabe o quanto a gente trabalhou pra fazer isso?” Vic reclama, tirando a cuia que ainda estão nas mãos do outro, que ri como se nem tivesse chorado. 

A verdade é que Salazariel não está acostumado a ser cuidado, e sim a cuidar. Ele que mima seus garotos de formas variadas. Então, quando vê que eles se preocuparam com algo tão bobo quanto a vontade de comer um doce, se derrete de amor. Vic diz algo sobre Salaz ser emocionalmente descontrolado demais para um aventureiro Classe A e recebe um beliscão na cintura. Fliq se arrisca a experimentar o doce, mas só depois de dar uma colherada à Salazariel - surpreendementemente, o gosto é melhor que a aparência. “É  igual você”, Vic brinca ao ouvir o comentário do ladino. Recebe uma língua de fora de um e outro beliscão de outro - mentiria se dissesse que não faz de propósito. 

A noite passa devagar, regada de mais doce, um sanduíche feitos às pressas, e namorados aninhados um no outro, aproveitando a queda de temperatura na madrugada de fim de outono. “Na próxima, vocês podiam fazer curau”, Salazariel comenta mais tarde, recebendo suspiros cansados como resposta. Sorri, já criando planos para o natal.



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