História Teoria do Caos - Capítulo 12


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Colegial, Comedia, Física, Fluffy, Namjin, Sope, Taekook, Vkook, Yoonseok
Visualizações 2.732
Palavras 4.530
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


— Olá, gostaria de começar agradecendo a todxs que comentaram no capítulo passado, favoritaram e mandaram mensagenzinhas de amor desejando boa prova!!! O ENEM foi ótimo, obrigadinha mesmo!!!!

— Caso tenham interesse, eu entrei para dois perfis MARAVILHOSOS aqui no spirit: o @KooksRoom e o @Styletae. São perfis incríveis e que valem super a pena serem observados!!! A Staff é um amor, deem muito amor a gente hahaha <3

— Sem delongas, o capítulo de TDC :}

Capítulo 12 - XI. Briga de bar


Fanfic / Fanfiction Teoria do Caos - Capítulo 12 - XI. Briga de bar

A SEMANA HAVIA TRANSCORRIDO vagarosamente e sem nenhuma eventualidade e, ao final desta, outra igualmente maçante havia se iniciado. Um ciclo comum e nada fora do usual, mas que, de uns tempos para cá, eu não estava nem um pouco acostumado. Uma onda de mau humor e irritação havia acompanhado de maneira fiel cada dia quente que se seguiu, como se cada grau de temperatura aumentado fosse diretamente proporcional a minha impaciência.

Hoseok não havia dado as caras em nossas aulas por duas semanas. Quatorze dias, trezentas e trinta e seis horas e mais de vinte mil segundos. Era impossível para mim sequer me concentrar em meu trabalho para o final do semestre sem que meus pensamentos acabassem voltando a ele.

“Será que ele estava sorrindo agora? E sua preparação para a prova daquela semana, havia sido boa? Qual deveria ser a cor de seus cabelos agora?” questionamentos como esses pareciam jamais me abandonar, e parte de mim achava que mesmo se os MIB — Homens de Preto, para os leigos — aparecessem na minha frente com um neuralizador eu não ia conseguir esquecer a maneira exata como aquela peste sempre conseguia me tirar do sério.

Jung Hoseok fazia com que eu pensasse estar vendo galáxias em seus olhos toda vez que sorria, mas quando ele partiu sobrou apenas um buraco negro aumentando gradativamente dentro de meu peito — era assim que era estar apaixonado? Era pra esse sentimento que pessoas escreviam incontáveis livros, produziam filmes e escreviam músicas? Se este for o caso, então o quero bem longe de mim, muito obrigado.

Estar apaixonado dói mais que uma dor de garganta no meio do verão, quando você é proibido de tomar picolé e bebidas frescas mesmo que esteja o próprio reino de Lúcifer lá fora.

Caso alguém saiba como fazer para se livrar do amor, favor contactar Min Yoongi, estudante de bacharelado de física e residente do apartamento 302 da República dos Estudantes. Pagamento feito exclusivamente em balinhas.

É a sua vez de entrar no quarto. — Consegui escutar um sussurro assustado de Jin por detrás da porta.

Franzi as sobrancelhas. O que ele e Taehyung deveriam estar aprontando agora?

— Minha vez? Fui eu quem tive que aguentar a fúria do Yoongi quando entrei para pegar os seus livros ontem, seu inútil! — Taehyung retorquiu irritado, e não fosse pela porta eu teria certeza absoluta de que ele estava balançando os braços em exasperação.

Mas você não tem medo de ninguém, Tae!

Aparentemente eu tenho do Yoongi quando ele está ranzinza. 

Mas e se ele me matar?

A resposta de Taehyung veio sem que o garoto precisasse desperdiçar um segundo pensamento naquele assunto.

Aí eu ajudo a esconder o corpo. Vai logo, Seokjin!

Cansado dos dois idiotas que certamente desconheciam o conceito de “sussurrar”, aprumei minha postura e finalmente desviei os olhos das inúmeras apostilas espalhadas pela escrivaninha modesta. Ponderei bem as palavras antes de anunciar:

— Eu estou ouvindo tudo. Quando é que vocês vão entrar, hein? Eu prometo não morder, até porque não quero nenhum dos germes de vocês.

Demorou cerca de dois minutos para que a maçaneta da porta girasse, como se tanto Jin quanto Tae estivessem analisando as probabilidades de saírem daquele quarto com algum membro em falta caso o fizessem. Por detrás da porta desgastada pude ver as figuras dos meus dois amigos utilizando semblantes igualmente assustados, como se estivessem indo para o abatedouro e não entrar em um simples dormitório.

Deus, dai-me paciência, porque se der força eu mato.

— Vocês não vão entrar? — perguntei.

— Eu estou com medo. Você vai nos chamar de lesmas incompetentes se demorarmos mais que cinco minutos procurando algo, se irritar e então jogar uma luminária em nós? — Taehyung questionou, taciturno.

Eu me remexi em meu lugar de maneira desconfortável, a gola da camisa subitamente apertada demais para o meu gosto. Limpei a garganta antes de tornar a falar:

— Eu já disse que sentia muito.

— Sentir muito não vai fazer meu corte cicatrizar! — Ele apontou dramaticamente para o arranhão minúsculo em seu cotovelo que havia sido coberto por um band-aid dos Minions. — Eu podia ter tido uma hemorragia e sangrado até a morte! 

— Eu nunca deixaria isso acontecer, Tae — assegurei — Até porquê quem teria que limpar todo o seu sangue do chão seria eu, e no momento quanto menos bagunça em minha vida melhor.

— Você realmente acabou de dizer que o único motivo pelo qual não me deixaria sangrar até a morte seria a bagunça causada? — Taehyung me lançou um olhar abismado, ao qual eu retribui com um dar de ombros — Inacreditável.

— Enfim, peguem logo o que quer que tenham vindo pegar e saiam do quarto. Ainda tenho muita coisa da minha pesquisa para terminar — suspirei, balançando a mão em um sinal universal de “me deixem em paz”.

Visto que o silêncio havia se instaurado mais uma vez no quarto, tornei para meus estudos com um suspiro audível. Pelo canto de meu olho, no entanto, pude ver o exato momento em que Taehyung e seus cabelos ruivos chamativos — o que, segundo ele, na verdade havia sido uma experiência com o descolorante que havia dado tremendamente errado — cutucaram Jin com o cotovelo, forçando o psicólogo a avançar em minha direção.

— Então, Yoongi… — começou — Você e o Hoseok ainda estão brigados? — perguntou cautelosamente, como se eu fosse uma cobra cheia de veneno e que parecia estar louca para fazer sua próxima vítima.

(Não que eu discordasse daquilo; muito pelo contrário, estava até pensando em comercializar o veneno que sobrasse para aumentar a renda mensal).

Ele está brigado comigo — enfatizei — Eu, no entanto, não faço ideia do porquê.

— Já tentou conversar com ele sobre isso?

Abri meu melhor sorriso forçado, cruzando os braços sobre meu joelho.

— Poxa, Seokjin, que conselho maravilhoso! Eu certamente não havia pensado nisso!

— Esse sarcasmo vai fazer com que as pessoas se afastem de você, mocinho. — Seokjin ameaçou, acionando sua típica “voz de mãe”.

— Claramente não está dando certo se você continua aqui — provoquei — Mas respondendo à sua pergunta: eu já tentei falar com o Hoseok infinitas vezes, mas o maldito bloqueou o meu número e não aparece nas aulas há duas semanas, então estabelecer um canal comunicativo com esse ser é meio que impossível no momento.

Entre meus suspiros desanimados e a expressão de pena que Seokjin lançava em minha direção, os olhos de Taehyung brilharam como se finalmente houvessem compreendido a origem do Universo. Ou alguma maneira de fazer com que Jeongguk finalmente aceitasse ir para cama com ele.

— Oh, então foi por isso que o Hoseok pediu para eu lhe entregar esse bilhete! — anunciou, retirando do bolso de seu casaco carmesim um papel amarelado um tanto amassado.

Sem pensar duas vezes, içei meu corpo para frente — sem me importar nem um pouco se parecia mais com um drogado que havia sido colocado de frente para um pote de crack após semanas de abstinência ou não — e tomei o bilhete de suas mãos, observando de imediato a caligrafia meio garranchada e desleixada que preenchia o papel quase que completamente. 

“Yoongi,

Precisamos conversar. Encontre-me em frente à biblioteca às 13 horas. Estarei esperando.

– Hoseok”

Chequei meu relógio de pulso no instante seguinte, soltando um gemido exasperado no minuto em que meus olhos se cravaram no ponteiro das horas. Graças a demora de Taehyung em me entregar essa porcaria, agora faltava cerca de dez minutos para as 13 horas. Some-se a isso o fato de que a biblioteca ficava a, pelo menos, três blocos de distância da República dos Estudantes e era possível perceber que eu tinha um problema gigantesco em mãos. Se quisesse chegar a tempo sem margem para atrasos, teria que fazer a coisa mais abominável, intragável e todos os “avel’s” que pudessem existir para um ser humano ocioso como eu: eu teria que correr. E rápido.

— Puta que pariu, Taehyung — rosnei, pegando meu casaco em cima da cadeira e partindo sem delongas.

— Yoongi, onde você está indo? — Jin gritou, colocando a cabeça para fora do quarto ao passo em que eu corria como uma ema perneta usando pára-quedas.

— Eu estou atrasado! — E, com isso, já não havia mais sinal de Min Yoongi pelos corredores vazios da República.

O que eu não sabia, no entanto, era que enquanto eu me desesperava para chegar no local marcado na hora certa, os ajudantes de Satanás — isto é, Seokjin e Taehyung — haviam permanecido em nossas acomodações usando expressões que eram, no mínimo, fora do comum para eles.

— Tae? — O mais velho chamou, sem conseguir desviar os olhos do corredor agora vazio.

— O que foi, Jin?

— O Hoseok não lhe deu bilhete algum — declarou, apontando acusadoramente para o ruivo.

Apoiado na soleira da porta, Taehyung empertigou-se, um sorriso largo e felino fazendo seu percurso em direção aos lábios finos do rapaz.

— Eu sei. — Balançou a cabeça — Mas eu não aguentava mais o Hoseok se escondendo do Yoongi e do Jimin no meu dormitório, muito menos o fato de que Min Yoongi, o nerd, estava colocando medo até mesmo em mim! Espero que tudo se resolva agora. Agora vamos, dar uma de pseudo-cupido em tempo integral para esses retardados é extremamente cansativo.

E, se aquela profissão não existisse, ele havia acabado de inventar.

♡ ♡ ♡

Quando eu finalmente cheguei à biblioteca, senti como se todos os meus músculos estivessem protestando de contra ao esforço repentino realizado por minha pessoa. Minhas panturrilhas queimavam, minha cabeça latejava e minha respiração não conseguia manter-se estável, independentemente do quanto eu tentasse — ainda assim, Jung Hoseok havia feito o favor de não estar presente como havia dito que estaria.

Conhecendo aquele ser entrópico como a palma de minha mão, no entanto, achei que seria preferível esperar um pouco e ver se estava, ou não, sendo enganado. Parte de mim queria acreditar desesperadamente no fato de que Hoseok e seus cabelos sempre descoloridos em um tom novo e excêntrico viriam me encontrar, ainda que a parte racional de meu ser estivesse praticamente gritando que aquilo deveria ser apenas uma brincadeira de mau gosto.

Treze minutos se arrastaram de maneira maçante enquanto, lentamente, minha respiração ia se estabilizando e os músculos paravam de latejar. Foi apenas quando eu havia convencido a mim mesmo de que Hoseok não viria que um pontinho amarelo entrou em meu campo de visão, correndo de maneira — por falta de uma palavra melhor — desesperada até onde eu estava.

— Yoongi! — Hoseok acenou há uns três metros de distância, tossindo algumas vezes enquanto se aproximava mais e mais — Tudo… bom… com… você? — perguntou entre lufadas de ar inconscientemente inspiradas, apoiando-se em seus joelhos no momento em que chegou perto de mim.

Seu cabelo loiro puxado para o platinado caiu sob sua testa molhada, fazendo com que meus dedos imediatamente achassem seu caminho em direção aos fios bagunçados. Na metade do caminho até sua franja, entretanto, forcei minha mão a parar, observando com as bochechas enrubescidas o modo como meu corpo havia adquirido vida própria ao tratar-se de Jung Hoseok.

— Vocês está treze minutos atrasado — afirmei em meio ao pânico de ser pego naquela cena embaraçosa, intercalando olhares entre o garoto na minha frente e o relógio em meu pulso.

— Eu sinto muito — choramingou, a respiração quase tão entrecortada quanto a minha estava minutos atrás  — Taehyung deixou seu bilhete em cima da cômoda e eu acabei demorando a ver e—

Cerrei minhas sobrancelhas, confuso.

— Bilhete?

— É o seu bilhete — Hoseok explicou, me encarando como se eu finalmente houvesse perdido minha cabeça — Aquele que mandava eu vir aqui para nos encontrarmos.

— Espera, Hobi — Levei uma de minhas mãos ao bolso de meu casaco, retirando o papel e tirando o amassado do mesmo antes de balançá-lo na frente do rosto dele — Você está falando desse bilhete?

— Exatamente — disse, boquiaberto.

— Aquele maldito do Taehyung! — grunhi — Eu vou arrancar os olhos dele com uma tesoura!

Hoseok encolheu os ombros, incerto.

— Ele provavelmente só estava incomodado com nossa briga.

— “Nossa” briga uma pinóia! — Praticamente enfiei meu dedo indicador na cara dele — Porque você surtou daquela maneira? Enlouqueceu de vez e decidiu virar uma cigana que nem o Jin para ficar faltando aula?

— Eu… eu não quero falar sobre isso — Hoseok resmungou, as bochechas antes levemente sem cor agora em um tom vívido de escarlate. 

— Mas eu quero! — teimei — Anda, Hoseok. Eu não passei duas semanas irritado para você chegar e dizer isso. Ou você me dá um motivo razoável ou eu juro que vou mandar o Taehyung infernizar sua vida em tempo integral.

Ele soltou um muxoxo, correndo seus dedos esguios por entre seus fios e desarrumando-os ainda mais. O dono das madeixas loiras mordeu os lábios dolorosamente antes de tornar seus olhos para mim e dizer em um tom que assemelhava-se a uma prece atormentada. 

— Não era pra eu ter ficado zangado com aquilo, ok? Eu sei disso — gemeu baixinho — Não vale nem a pena insistirmos no assunto.

— Foi porque estávamos espionando o Namjoon?

— Vocês estavam fazendo o quê?!

— Espionando o Namjoon, Hoseok. — Revirei os olhos — O Jimin não ficou irritado quando descobriu, mas você é mais amigo dele, então eu pensei que—

— Jimin isso, Jimin aquilo — Ele fez uma careta contrariada, os cantos de sua boca se curvando de maneira desagradável — Desde quando vocês ficaram tão amiguinhos?

— Desde nunca. Nos falamos duas vezes, eu acho, mas você está fugindo do assunto, Hobi!

Os lábios finos de Hoseok se comprimiram, e por um momento eu pensei que o rapaz fosse arrancar todos os seus fios recém descoloridos.

— É porque você não consegue enxergar o que está bem na sua frente!

Você está bem na minha frente, seu acéfalo! — retorqui, praticamente fumaçando — E minha visão é perfeita, caso você queira saber.

— Esqueça, Yoongi. — Hoseok suspirou — Olha, eu não estou com raiva e prometo que vou parar de evitar você, mas acho melhor ir embora antes que o Jimin nos veja aqui.

— Porque seria um problema se ele nos visse?

Ele ergueu uma sobrancelha cética em minha direção.

— Yoongi, vocês estão juntos.

— Não estamos não!

Hoseok cerrou seus olhos em minha direção, como se por um momento suas células cerebrais estivessem entrando em uma espécie de desacordo. Sua lábios partidos em um “O” e as sobrancelhas rebaixadas faziam com que ele parecesse a personificação de incredulidade e confusão.

— Espere, então o que caralhos foi aquele beijo? — questionou — Você simplesmente sai trocando saliva com qualquer um que tenha menos de 1,60 e sorrisos brilhantes?

— Que beijo, Hoseok? Nós nunca nos beijamos! — Joguei meus braços para cima, exasperado. Será que o Jung havia perdido sua mente de uma vez por todas nesse curto intervalo de quatorze dias que passamos longe um do outro? — Ele estava me ajudando a tirar um pouco de terra que tinha melado meu rosto — expliquei, mas logo fiz questão de acrescentar: — Além do mais, eu tenho plena certeza de que o Jimin tem mais do que 1,60.

Sem aviso prévio, Hoseok jogou seu corpo com força em direção ao chão, apoiando-se em seus joelhos e enterrando o rosto em suas mãos enquanto murmurava:

— Ai meu Deus, eu sou um idiota!

— Esse é um fato universalmente conhecido, Hobi. — Tentei confortá-lo, mas, convenhamos, eu não fazia ideia de como as pessoas faziam isso. Será que eu deveria dar tapinhas em suas costas para que ele se sentisse melhor? Ou deveria fazer que nem um gif que havia visto na internet um tempo atrás e usar uma vassoura para fazer isso? Assim que retornasse ao dormitório, tiraria aquela dúvida com Jin (alguém que, por incrível que pareça, possuía mais habilidades de sociabilidade do que eu).

— Não acredito que passei duas semanas me roendo de ciúmes e sem sequer conseguir olhar vocês no olho por pura vergonha! — gemeu angustiado.

— Mas você mora com o Jimin, isso não faz sentido.

— Eu fiquei no dormitório do Tae. Aparentemente ele burlou o sistema e disse para a diretoria que tinha um colega de quarto, mas na verdade subornou o garoto a se mudar no primeiro dia de aula da faculdade, uns três anos atrás. Ele disse que tirou a ideia da “sábia” London Tipton, seja lá quem ela seja.

Lhe lancei meu melhor olhar indignado, sem conseguir acreditar no que estava escutando.

— Eu não acredito que você estava com o Taehyung esse tempo todo e essa jaguatirica não me avisou!

— Pra ser sincero eu acho que ele estava querendo me expulsar desde o primeiro dia, se serve de algum consolo — Hoseok abriu um sorriso caloroso, fazendo com que eu precisasse cerrar meus punhos para não fazer com que meus lábios se curvassem para cima involuntariamente. Será que ele não conseguia perceber o que estava fazendo comigo? Como parecia ter me infectado com o tal do “amor” e estava deixando todo o meu organismo fora de ordem?

Decidi, para o bem da minha própria sanidade mental, mudar de assunto.

— Então… Você estava com ciúmes…

Hoseok levantou-se instantaneamente, balançando a cabeça de maneira negativa em minha direção.

— Ah, não, não vamos falar disso.

— Porque você estava com ciúmes, hein, Hobi? — provoquei, sem conseguir me controlar ao ver como aquilo havia lhe deixado desconcertado.

Ele parecia prestes a ter um ataque de pânico, correndo seus olhos de maneira frenética por toda a área do campus.

— Eu… Eu… Eu tirei oito e meio na prova de física do senhor Hwang!

— Você o quê?! — Eu sentia como se estivesse dizendo aquilo com bastante frequência no dia de hoje, mas, infelizmente, era a única expressão que conseguia transmitir com precisão meus sentimentos.

— Eu tirei oito e meio na prova do senhor Hwang. — Hoseok disse alegremente, fazendo uma dancinha da vitória que mais assemelhava-se a um pato manco com sinusite — Vamos para um bar hoje à noite para comemorar minha primeira nota boa.

— Oh, certo.

Hoseok inclinou sua cabeça em minha direção, os fios loiros caindo por sua face enquanto ele se aproximava perigosamente de mim.

— Isso foi um convite, Yoongi — sussurrou, e sua voz saiu mais como o ronronar de um gato.

Foi impossível controlar o calafrio que percorreu minha espinha, congelando-me em meu lugar.

— Eu não me sinto muito bem perto de tantas pessoas — respondi, tentando meu máximo para deixar minha voz estável — Além de que, eu não bebo. Álcool mata células cerebrais.

— Eu ficaria muito feliz se você fosse. Quero dizer… ér… pense nisso como um pedido de desculpas!

Mordi meus lábios, indeciso. Por um lado, teria de virar uma "babá de bêbados" com toda a certeza do mundo; por outro, poderia ficar um tempo a mais na presença de Hoseok...

— Tudo bem, eu vou. Mas não espere que eu vá cuidar de você se ficar bêbado 

— Eu não pediria algo assim de você. E Yoongi?

— Sim?

— Não pense que eu esqueci de nossa aposta. — Ele sorriu malicioso, os olhos negros enchendo-se de um ar arteiro que certamente não encontrava-se lá antes — Já pensei até de que cor você pintará seu cabelo.

— Pode ir tirando seu My Little Poney da chuva, Hobi. — Revirei os olhos, enfiando as mãos no bolso do casaco logo em seguida e voltando para o dormitório ao lado do garoto de cabelos loiros que havia feito tanta falta no meu dia-a-dia.

Por Hoseok eu pintaria até mesmo cada listrinha amarela de uma abelha de lilás, quanto mais meu cabelo — isso, contudo, não era algo que ele necessariamente precisasse saber.

♡ ♡ ♡

— Apenas fique perto de mim. — Hoseok disse por detrás do meu ombro enquanto nos movíamos entre grupos de pessoas que entravam e saíam do bar. No momento, eu estava o mais próximo de Hoseok que havia estado desde que nos conhecemos, nossas  mãos a centímetros de se encontrarem. Ele olhava para trás esporadicamente e reforçava para que eu me mantivesse perto, apenas para ter certeza de que não iria me perder.

— Sabe, Hobi, essa não é a primeira vez que eu venho em um bar — disse, revirando os olhos.

— Mas é a primeira vez que você vem em um bar comigo — enfatizou, como se fosse óbvio.

Uma vez dentro do “Bar 100 Nome” — nome este que fez com que Seokjin passasse, no mínimo, quinze minutos rindo sozinho e batendo palmas —, Hoseok sentou-se de frente para o barman e pediu sete cervejas, embora soubesse que eu não bebia. Meu papel naquela noite era apenas aproveitar um tempo ao seu lado e, quem sabe, gravar alguns vídeos de Seokjin atingindo o estágio “psicólogo de gatos” de bêbado.

— Hobi, você sabe que eu não bebo — Cerrei as sobrancelhas, apontando sugestivamente para o copo que havia acabado de ser colocado na minha frente.

— Eu sei. — Ele sorriu, balançando a cabeça — Apenas guarde-o consigo e use em qualquer cara que venha dar em cima de você como modo de defesa pessoal.

— Eu não acho que alguém vai tentar dar em cima de mim, Hobi — assegurei, apontando para mim pessoa e fazendo uma expressão de “sério, olha pra mim”.

— Cada parte de você é linda, Yoongi. Desde seu nariz levemente arrebitado até o modo como sua gengiva costuma aparecer quando sorri de verdade — Ele bebericou de sua bebida antes de tornar para mim e completar: — Se eu posso ver isso, então outras pessoas também podem.

Abri e fechei a boca inúmeras vezes, sem conseguir fazer com que meus neurônios entrassem em um acordo a fim de responder o comentário de Hoseok. Aquilo, entretanto, parecia ter feito com que um sorriso singelo se emoldurasse em seu rosto. Levantando-se brevemente com a desculpa de que iria falar com um conhecido em outra mesa, observei enquanto o biótipo esguio e com músculos nos lugares certos de Hoseok se movimentava elegantemente em meio às outras pessoas, como se sequer andasse, mas sim flutuasse. Eu estava prestes a entrar em combustão espontânea graças a minhas bochechas coradas quando Jin chamou minha atenção.

— Yoongi — sussurrou — Tenta puxar assunto com o Hoseok. Fale sobre algo que ele gosta, tipo música. O Jimin disse que ele ama My Chemical Romance.

— Para ser sincero, eu estava pensando em fugir daqui o quanto antes — murmurei de volta, em pânico.

— Mas que porra? — Jin fez uma careta, dando um tapa na minha cabeça com uma espécie de espada que o mesmo havia feito com os guardanapos. Ah, então era por isso que o barman estava encarando a gente com cara de nojo… — Se recomponha, Min Yoongi! Eu não te criei com leite ninho e mucilon pra você sair correndo!

— Você não me criou Jin! 

— Isso não vem ao caso agora! — O mais velho grunhiu de volta para mim.

— Mas é claro que— — Comecei, mas fui interrompido no instante em que um ser desconhecido tropeçou em mim, apoiando-se de maneira breve em meu ombro. Estremeci ao sentir os dedos rústicos envolvendo meu ombro, quase cravando-se nele como uma garra.

Agradeci mentalmente por estar usando uma camisa de manga que ia até os pulsos, mas não pude ignorar o leve formigamento na região.

— Opa, mocinho, sinto muito — Um homem na casa dos quarenta anos, com barba para fazer e voz um tanto trôpega murmurou perto de meu ouvido. Recuei incomodado — Quer que eu te pague uma bebida para compensar nosso encontrão?

Fiz que não com a cabeça.

— Não, muito obrigado, eu não bebo.

— E que tal conversar um pouco? — insistiu, o mau hálito de álcool queimando minhas narinas e fazendo com que a bile ardesse em minha garganta.

— Cara, ele já disse que não quer. — Jin se levantou, segurando a mão do sujeito sem um pingo da gentileza que lhe era característica.

— Eu só queria bater um papo amigável — O homem se desvencilhou da mão do meu amigo, lançando um olhar inflamado em nossa direção. — Ele é seu namorado, por acaso?

— Não, mas—

— Não é? — riu, tocando novamente em meu ombro — Então o que acha de sairmos da—

— Por favor, não saia por aí tocando nas pessoas como se elas lhe pertencessem. — A voz de Hoseok se fez ser ouvida em meio a toda a música e burburinho que infestavam o bar, tão fria e impositiva que demorou cerca de alguns segundos para que eu associasse o seu rosto àquele timbre. — Você está bem, Yoongi?

— Sim.

— E você, o que é? Outro amiguinho dele?

— Eu sou o namorado. Vamos embora daqui, Yoongi — cuspiu as palavras, retirando a mão do homem uma outra vez de meu ombro e lhe lançando um olhar gélido — Não pretendo passar minha noite em um lugar que aceite pessoas desse tipo.

O homem, que já não estava em um estado muito sóbrio e parecia ligeiramente desequilibrado, soltou uma risada de escárnio e apontou com desdém de Hoseok para mim, como se tudo aquilo fosse uma grande piada.

— Pessoas do meu tipo? — Arqueou uma sobrancelha — Eu quem estou surpreso aqui, pois aparentemente deixaram entrar até mesmo essa putinha que não tem nada para ofere—

O assediador não conseguiu concluir sua fala, pois, no segundo seguinte, Hoseok havia se lançado de contra si com um olhar que eu nunca pensei que fosse vislumbrar em suas feições sempre leves e descontraídas. Mais do que um simples aborrecimento; era ódio que se enraizava em cada fibra de seu ser, sendo expelido para fora de seu corpo através de socos concisos e furiosos. O homem sequer teve uma chance de se defender antes que seu rosto houvesse se convertido em uma confusão de sangue e saliva, cortes profundos causados pelo choque dos nós dos dedos de Hoseok se formando a cada novo encontro de juntas e tecido epitelial. 

Não demorou muito para que o barman, juntamente com Jeongguk e Namjoon, se colocasse entre o rapaz de cabelos loiros e o desconhecido, afastando-os o mais rápido possível. O problema, no entanto, residiu no fato de que os amigos do homem, coléricos com a explosão de raiva de Hoseok e as lesões do companheiro, decidiram juntar-se à luta que estava tão perto de ser resolvida.

Partindo para cima de Jeongguk com uma cadeira, um homem atarracado com um grosso bigode tentou acertá-lo, mas foi impedido quando eu, em um arco reflexo, dei um chute em sua canela e fiz com que desmoronasse. O homem acabou sendo acertado por sua própria cadeira na queda, o que resultou em uma ferida feita na parte direita de sua cabeça. Outro homem, este mais alto e franzino, desferiu um soco na mandíbula de Hoseok. Ele cuspiu sangue, limpou a boca com as costas de sua mão e impulsionou seu corpo para frente,  usando o arranco dos quadris aliado à força do braço.

— A polícia chegou! — Alguém gritou perto de mim, sendo seguido imediatamente por um barulho excruciante de sirenes que preencheu o local sem delongas.

As luzes vermelhas e azuis piscavam sem parar diante dos meus olhos, ao mesmo tempo em que pelo menos cinquenta pessoas passavam por mim correndo e gritando alguns palavrões dos quais a existência eu desconhecia até o momento. Minhas pernas estavam trêmulas e eu respirava de forma irregular. Olhei para os lados a procura de Hoseok ou de algum dos garotos, mas apenas consegui enxergar rostos borrados e assustados.

Quatro policias adentraram no bar no minuto seguinte, apartando os envolvidos na briga e os guiando para fora do estabelecimento. Correndo meus olhos de maneira desesperada pelo local, pude capturar o exato momento que uma coroa de fios platinados era empurrada em direção a uma das viaturas e desaparecia de meu alcance.

Puta que pariu.

Jung Hoseok havia acabado de ser preso.


Notas Finais


O que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado o// Caso desejem comentar eu ficaria muitíssimo feliz <3 de verdade, os comentários de vocês me dão vida <3

Eu vivo pra escrever fluffy Yoonseok, ugh!!!

Próxima atualização em duas semanas!!!! Mas se vocês pedirem muito quem sabe saia antes heheheeh

— Perguntinhas:
1) Qual seu livro favorito?
2) E o seu personagem favorito? Pode ser de uma fic também, caso queira.
3) Vocês gostam mais de que estilo de fic? Anfst, ABO, Fluffy, Lemon, Colegial, etc...?

AMO VOCÊS DEMAIS TA?

xx kiara


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