1. Spirit Fanfics >
  2. Teoria final de Crossroads >
  3. É um segredo

História Teoria final de Crossroads - Capítulo 2


Escrita por: e Tearpi


Capítulo 2 - É um segredo


 

 

Despedindo-se apenas com um aceno, ainda no corredor, as meninas seguiram para seus dormitórios, Umji e Yerin, Sowon e Yuju, Sinb e Eunha. Por normas do colégio, não era permitida uma aproximação muito exagerada, que sugerisse segundas intenções, então no fim do dia, apenas um aceno encerrava a longa jornada de rebeldia das seis amigas.

Sinb adentrou seu dormitório, caminhou até a sua cama, deixando no chão a bolsa que carregara o dia todo. Da porta, Eunha a encarava, tentando decifrá-la de algum modo.

— Você ficou me olhando o caminho todo. Quer me falar alguma coisa? — a Hwang pergunta, concentrada em contar as pequena rachaduras no teto branco descascado. — Eu já disse que vou devolver, se for isso.

— Não quero que você se meta em confusão. — a garota fecha a porta quando percebe o rumo da conversa. — Precisa devolver o que pegou.

Sinb adorava desobedecê-la, como se lhe causasse um enorme prazer ver a pequena Eunha em total pavor. Levantou-se da cama, começou uma sequência de passos em direção à jovem de cabelos rosa.

— E se eu não quiser?

— Hwang Eunbi, você me prometeu que iria devolver. — a mais velha a repreende. — Você vai…

Os olhares se firmam um no outro, Eunha perde a própria fala, enquanto Sinb deixa surgir sorrateiramente um sorriso em seus lábios. Agarra a mais nova pela mão, puxando-lhe para perto, segurando o rosto pouco pálido em seus dedos.

— Confie em mim, eu vou fazer o que prometi. — fala, calmamente. — Nós sempre cuidamos uma da outra, se lembra, DongDong-nni?

Esse era o apelido dado a Eunha por Sinb quando ainda eram crianças, e ouvi-lo novamente depois de tanto tempo era como estar imersa no passado. Em um passado que Eunha gostava de estar.

— Eu me lembro.

— Então não se preocupe. 

Sinb a solta aos poucos, passa pela garota, caminhando com certa pressa até a janela.

— Pra onde você vai? — pergunta em um tom preocupado. — Já passamos do toque de recolher, você não pode sair.

— Vou encontrar minha namorada ué. — a mais nova ri, levantando cuidadosamente o vidro da janela. — Volto mais tarde. Deixa a janela aberta, ou eu juro que mato você, Eunha.

A Jung nem tentava mais impedi-la. Pedir para Sinb não ir encontrar Yerin era como pedir para um leão faminto não comer um pedaço de carne bem a sua frente. Mas sempre implorava a elas que tomassem cuidado, afinal, se descobrissem sobre o namoro das duas, uma possível expulsão ou transferência de colégio estaria a caminho.

Assim que a Hwang sai, Eunha fecha a velha cortina de um beje desbotado, tira do bolso do casaco a pequena esfera cristalizada, a observando por alguns segundos, imaginando para que servia aquilo. Certamente algum propósito tinha, ou não teria rolado até seus pés, como se lhe estivesse sendo oferecida por alguém. E algo lhe intrigava ainda mais, quem era aquela pessoa que esteve no trilho? Estava seguindo as meninas? E por que não mostrava o rosto? 

Eunha deixa a pequena esfera sobre sua cômoda, esfrega os olhos, tentando se esquivar dos pensamentos confusos. Não queria ficar se lembrando daquilo, ainda mais quando sabia que não teria respostas. 

— Chega, Eunha. Você precisa dormir, apenas dormir. — fala olhando para o chão de madeira amarelada. — Aquilo não foi nada. Só sua imaginação boba.

Involuntariamente os olhos da jovem Eunha repousam sobre algo no chão do dormitório, que em qualquer outro dia não lhe chamaria atenção, mas lhe prendeu completamente naquele sábado. 

Eunha aproxima-se devagar, atenta aos barulhos que fazia, agacha-se e toma nas mãos a bolsa de pano que Sinb sempre usava. Antes de sequer definir por certa alguma teoria, a garota viu a pequena mancha vermelha na parte de baixo. Não havia como negar do que se tratava.

Jung Eunbi não pensou muito, abriu a bolsa e sentiu o coração falhar ao ver o embrulho de pano, revelando o formato exato de uma arma. A respiração elevou-se, bem como os batimentos. O que Sinb fazia com uma arma? E que mancha era aquela? 

Eunha fechou novamente a bolsa, empurrou-a para baixo da cama e levantou-se de qualquer jeito, correndo para fora do quarto. Não estava nem aí para o toque de recolher ou para os castigos que receberia. Precisava encontrar a Hwang. Correu pelos corredores e antes mesmo de chegar a escadaria trombou em alguém, interrompendo o ritmo frenético em que vinha desde o quarto. Olhou para frente, vendo o rosto familiar.

— Que correria é essa, Eunha-ya? 

— Umji, Umji, eu preciso mostrar… Lá no quarto tem uma… 

— Ai céus, espera aí, se acalma. Eu não entendi nada. — a mais nova fala, a abanando. — Você já soube o que aconteceu, não é? Por isso está assim tão desesperada.

— Como assim o que aconteceu?

— Minju do terceiro ano foi encontrada em seu dormitório com a garganta rasgada. — fala baixinho. — Pediram para todas nós voltarmos para os nossos dormitórios e não sairmos de lá até segunda ordem.

Eunha a encara, extasiada. 

— É melhor você ir para o dormitório também, Eunha. Por questão de segurança. Vejo você e as meninas na sala do clube depois, quando der.

Umji passa pela mais velha e segue o caminho pelo corredor. Eunha vira-se novamente, voltando pelo caminho que fizera antes, não acreditando ter ouvido aquilo, quer dizer, um assassinato dentro do colégio? Como isso podia ser verdade? E pior, Sinb escondendo uma arma no quarto. Mas não fazia sentido, uma garganta rasgada provavelmente fora feita com uma faca, não uma arma. Tudo parecia suspeito e ao mesmo tempo surreal.

Entrou em seu dormitório, correu para a cama, deitando-se ali e rezando para que aquilo fosse alguma pegadinha de mal gosto, e nada além.

Ouviu a janela sendo aberta e direcionou os olhos para lá, vendo a Hwang entrar com certa dificuldade.

— Porcaria de janela. Por que tão pequena? — resmunga, terminando de passar a perna pelo espaço que tinha.

— Sinb, o que você fez?! — a mais velha levanta-se, vai apressada até a garota, enchendo-lhe de tapas. — O QUE VOCÊ FEZ?!

— Hm? — olha para a outra, confusa. — Entrei pela janela, como eu sempre faço. Louca. — segura os pulsos da Jung. — Quer parar de me bater e me explicar que droga você fumou, garota?

— Onde você estava? O que foi fazer lá fora?

— Eu fui encontrar a Yerin. E eu te falei isso, inferno. — Sinb esbraveja, soltando aos poucos os pulsos dela. — Era só o que me faltava!

Eunha passa as mãos pelos cabelos, caminha até a cama da mais velha e ajoelha-se no chão, puxando de baixo da cama a bolsa branca. Abre a mesma sem nenhuma cerimônia e despeja o que estava lá dentro, uma pequena agenda roxa.

— Não, não. Eu vi, tinha uma arma. Você roubou uma arma e matou a… 

— Do que você tá falando, Eunha?

— Mas eu vi.

Sinb não era a pessoa mais paciente do mundo, mas sentia que precisava ter muita calma naquele momento, sabia que precisava manter-se tranquila, apesar das acusações. Caminha até a Jung, ainda no chão.

— Você não parece nada bem. Vem aqui, tampinha. — Sinb a ajuda a se levantar cuidadosamente, levando-a em direção à cama. — Você vai dormir comigo hoje, ok? Está assustada demais para ficar sozinha.

Eunha faz que sim, vendo Sinb fazê-la sentar-se e deitar-se logo após. Tira os sapatos da mais velha, pacientemente, deixando-os sobre o chão frio, e então deita-se ao lado dela, puxando um cobertor para colocar sobre as duas.

— Precisa encarar as coisas com mais naturalidade.

— Você roubou uma arma. — Eunha ameaça ceder a um choro desesperado apenas em lembrar-se da gravidade do ocorrido. — E a Minju aparece morta. Isso parece normal pra você?

— Eu peguei por engano, eu não queria uma arma. Mas já devolvi, não se preocupe. — fala, acariciando o rosto da garota. — Eu jamais mataria alguém, Eunha-ya. Você me conhece.

— E o sangue? Tinha sangue na sua bolsa, eu vi o sangue…

Sinb ri fraco.

— Eu me machuquei hoje no portão quando fui sair do colégio pra encontrar vocês na sala do clube. — explica. — E você acredita em mim, não é?

Eunha não conseguia nem mesmo cogitar a resposta “não”, Sinb estava tão perto de seu rosto que só lhe ocorria naquele momento a cena mais inusitada de todas entre as duas. Se perguntava por que ela estava tão próxima, e por que estava gostando tanto de tal aproximação. 

— É um segredo nosso, e segredos temos que levar pro túmulo. Promete que nunca vai contar isso pra ninguém?

— Eu não vou, Sinb. Acredito em você.

Não teria como não acreditar, conhecia Hwang Eunbi como a si própria desde que se entendia por gente. Preferiu acreditar em cada palavra da mais nova.

E sem nenhum aviso prévio, Eunha sente os lábios tocarem os seus, tão delicadamente que pode sentir suas pernas ficando imóveis e seu corpo sendo gradativamente anestesiado. Não pensou em Yerin e no que estavam fazendo naquele momento, nem no possível assassinato de Minju, e muito menos na arma. Apenas cedeu ao beijo e permitiu-se ser a pior amiga de todas por aqueles míseros segundos.

 

 

 


Notas Finais


desculpem a demora pra atualizar :(
vou colocar dias fixos pra postagem pra não acontecer mais, vai ser todo sábado.
até o próximo :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...