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História Teoria final de Crossroads - Capítulo 3


Escrita por: e Tearpi


Capítulo 3 - Tudo começa nos embalos de uma noite de sábado


 

 

Os comentários e burburinhos nos corredores só revelavam o quanto as alunas estavam assustadas com a morte de Kim Minju no sábado, definitivamente não se falava de outra coisa. Embora o acontecimento tivesse pegado todos de surpresa, o colégio não suspendeu as aulas, e na manhã de segunda, as alunas do internato seguiam cabisbaixas para suas respectivas aulas.

Eunha estava sentada ao lado das meninas, enquanto faziam suas enormes e cansativas anotações na aula de biologia. Desde a noite passada não conseguia esquecer daquela arma, nem tampouco do beijo no quarto depois de toda aquela confusão. Nem sequer havia olhado direito para Yerin, de tanta vergonha que sentia.

— Eu odeio biologia. — Sowon choraminga baixinho. 

As meninas olham para trás quando a porta do pequeno laboratório de biologia é aberta. A professora Kim também olha de relance para trás, fazendo uma — nada sutil — expressão de desgosto, ignorando totalmente a chegada de quem abrira a porta. Logo a figura mais exótica de todo o colégio adentra a sala, Hwang Eunbi. Cabelos loiros e compridos, o jeito largado de andar e sentar-se, o olhar debochado de quem claramente não dava a mínima para os estudos. A garota tinha um estilo encrenqueiro e anti-institucional, sempre rompendo os padrões do sistema tradicionalista do internato, ofendendo os bons costumes. Desde usar roupas nada femininas até questionar a direção o porquê de não poder namorar uma certa garota do colégio. 

A Hwang aproxima-se, deixa o livro surrado sobre a mesa e puxa uma banqueta, sentando-se junto às outras meninas.

— Pequeno atraso. — justifica-se.

— Nenhuma novidade. — Sowon ri. — Os professores claramente já desistiram de você, Sinb.

— Caso perdido. — Yuju completa.

— Não falem assim dela. — Yerin protesta, com um sorriso nos lábios, enquanto desenha algo no canto do caderno. 

— Onde você estava? — Umji olha para a mais velha. — Não estão deixando ninguém ficar fora das salas em horário de aula, ainda mais depois do que aconteceu.

— Eu? — a garota aponta para si mesma. — Eu tava por aí.

— Por aí não é resposta. — Eunha retruca baixinho.

— O que você disse, tampinha? 

A professora Kim abaixo o óculos, direcionando para as garotas o mesmo olhar mortal de quando Sinb a questionava sobre seus conhecimentos acadêmicos apenas para irritá-la. As meninas voltam rapidamente para as anotações, escrevendo tão freneticamente que por certo a última preocupação era aprender o que estava sendo passado para o caderno.

— Ei, Sinb? — Sowon sussurra. — Que é isso no seu uniforme?

Todas olham para a camisa amarrotada da garota, pouco ao lado dos primeiros botões abertos e da gravata frouxa uma pequena mancha vermelha se fazia evidente. 

— É sangue?! — Umji arregala os olhos.

— Você se machucou, amor? — Yerin a encara preocupada.

Eunha sentiu um arrepio anormal subir pelas pernas descobertas. Todas as suas desconfianças voltaram em segundos, tudo aquilo que lutou para reprimir o dia todo. Viu apenas a Hwang dizer que havia se cortado mais cedo quando foi fechar a janela do dormitório. Mas Eunha dormia lá e não viu Sinb aproximar-se da janela em momento algum.

A mais velha não permitiu que a conversa se prolongasse, passou a mão sobre o livro que deixara sobre a mesa e despediu-se dizendo que iria encontrá-las mais tarde na sala do clube. Eunha a acompanhou com os olhos, fazendo o caminho até a porta da sala e saindo depressa dali.

(...)

Jung Eunbi deixou seis batidas na porta do velho clube, esperou alguns segundos e então fora atendida por Yuju, que logo lhe deu passagem. Adentrou a sala, e inevitavelmente seus olhos recaíram sobre Sinb e Yerin se beijando no sofá. Sentiu o coração errar uma batida, como se desejasse com todas as suas forças que não pudesse enxergá-las, ou até mesmo que pudesse torná-las invisíveis. 

Eunha não podia negar o que havia acontecido entre ela e Sinb no quarto, ainda que não significasse nada, tinha mesmo acontecido. Sinb traiu Yerin, com uma amiga. E ainda se perguntava o porquê dela ter feito aquilo.

Caminhou para o outro lado, na direção oposta, deixou sua velha mochila no chão e encostou-se na parede.

— Meninas, você acreditam que Kim Minju cometeu mesmo suicídio? — Umji questiona. 

— Talvez, quer dizer, é uma possibilidade. — Yuju senta-se ao lado de Sowon no tapete do centro. — Vocês acham que foi?

As meninas se entreolham. 

— Não. — Sowon e Umji respondem em uníssono.

— Mas comprovaram que foi suicídio. Por que o diretor do colégio iria mentir? — Sinb retruca, acariciando os cabelos de Yerin. — Ele tirou a informação direto com a polícia.

— Nã, nã, eles disseram que foi suicídio. Não vimos provas de que realmente foi. — Sowon abraça as próprias pernas. — Pensem, um corte na garganta?

— Verdade. — Yuju encara sua unnie. — Se fosse um suicídio Minju teria cortado os pulsos, ou tomado alguma medicação em excesso talvez, já que é fácil pegar na enfermaria. 

— O que vocês estão querendo dizer? — Eunha pergunta do canto da sala.

— Que quem matou a Minju cortou a garganta pra ela não gritar, e transformou em uma cena suicida pra acobertar o crime. — a mais velha explica.

Sinb solta uma risadinha fraca, de estranheza.

— Vocês estão imaginando demais.

— Mas faz sentido, amor. Ouvi dizer que a Minju estava namorando um rapaz que morava ao lado da casa dos pais, ele tocava na Igreja, algo assim, e ela estava feliz. Um suicídio assim do nada não faria sentido nenhum. — Yerin completa.

Umji dá uma breve olhada para a porta, conferindo se havia mesmo a fechado. Não precisavam que ninguém as encontrassem no antigo clube quebrando regras e pior, falando sobre o caso de Kim Minju.

— Isso é loucura. A garota podia simplesmente estar passando por um momento difícil, e não viu outra saída, sei lá. — Sinb levanta-se do sofá, caminhando até a janela da sala.

Eunha odiava a maneira como não conseguia tirar os olhos de Sinb. E essa mania se intensificava ainda mais em uma situação como aquela. Sentia necessidade de analisar cada micro expressão no rosto da garota, a fim de decifrá-la, de saber se estava mentindo sobre o que jurou na noite passada. Mas a única coisa que acabava sentindo era medo, medo de para onde as evidências estavam a levando. Hwang Eunbi só não era suspeita, como parecia de fato ser culpada. Mas por que Sinb mataria Minju?

— Os pais da Minju são bem religiosos, a família e a própria repudiavam suicídio. Os policiais e o diretor não a conheciam como nós alunas a conhecíamos. É óbvio que para eles uma cena ainda que forjada iria ser o que de fato parece. — Yuju conclui. — Mas tudo indica que ela foi morta, e que temos uma assassina no colégio.

— Isso é muito ridículo. Deixem o trabalho de investigação para a polícia. 

— Sinb, é só olhar pros fatos. Não faz sentido essa história que estão contando. 

— Talvez seja só pra não assustar as alunas. Talvez eles até saibam que foi um assassinato. — Yerin puxa uma almofada, se agarrando a ela. — Que horror, meu Deus!

— Deveríamos investigar. — Sowon sugere.

—  Concordo. — Yuju assente no mesmo instante.

— Se tudo começou na noite de sábado, então devemos procurar quem esteve com ela no dia. 

As meninas olham para a porta imediatamente ao ver a mesma sendo batida. Sinb acabara de sair da sala.

— O que deu nela? — a Choi pergunta sem entender.

— Sei lá, Sinb é louca, vocês sabem.

Eunha percebeu o quanto ela estava incomodada com o assunto, um tipo de incômodo específico, como se estivesse preocupada, com medo. A arma, o sangue, Sinb saindo aquela noite, a história totalmente mal contada. Eunha não podia negar, tudo apontava para ela. Sua melhor amiga era uma assassina. 

 

 

 



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