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História Termos e condições - Capítulo 28


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Notas do Autor


Oie galera, como vocês estão? E esse título? Interessante, não é mesmo? hmmmmmm.
Boa leitura

Capítulo 28 - Dizer adeus


POV’s Samantha Lambertine

O primeiro passo é encarar os fatos...

É domingo, o último dia da visita dos meus pais.

Eu não sou boa em despedidas, mas, realmente, quem é? Eu engulo o caroço na minha garganta enquanto minha mãe me dá um sorriso triste.

Nós estamos tendo nosso último almoço de domingo juntos antes que eu precise levá-los ao aeroporto. Eu já sinto falta deles.

Não é estranho o quanto você pode ficar acostumado com as pessoas? Quando descobri sobre a visita deles, eu fiquei desesperada com a ideia de ter que dividir o meu espaço e a minha vida com eles por três semanas. Agora, isso parece estar a uma vida de distância e, por algum motivo, eu temo a partida deles. Não só porque a minha casa ficará silenciosa sem eles, mas porque nós restabelecemos o nosso relacionamento nestas últimas semanas, ficando mais próximos do que éramos em um tempo muito longo. Inconscientemente, eles foram parte das três semanas da maioria das mudanças da minha vida, e no fundo eu tenho medo de que eles levem as tais mudanças com eles, deixando-me mais uma vez sozinha e solitária.

Aperto a mão de Lica ainda mais forte, ela suavemente esfrega seu polegar sobre o meu. A ação faz meus olhos lacrimejarem. Ela tem sido extremamente atenciosa comigo durante toda a manhã. De alguma forma, sem eu ter que dizer, ela pode sentir o quanto isso é difícil para mim.

Eu espeto minha comida com meu garfo com indiferença, ouvindo o suave raspar de talheres na porcelana.

"Então, vocês têm um lançamento de livro na próxima semana?" Minha mãe pergunta em tom de conversa fiada do outro lado da mesa.

Eu aceno e da minha periferia vejo Lica fazendo o mesmo.

"O livro é bom?" ela tenta novamente.

"É ok." Eu dou de ombros, empurrando um garfo cheio de salada em minha boca. Minha resposta não é uma mentira. O livro é realmente apenas ok. Por que Boris queria que a editora o publicasse, em primeiro lugar, está além da minha compreensão.

"Vale à pena comprar?" Eu tento engolir o conteúdo da minha boca para responder, mas meu pai se adianta.

"Nós esperaremos pelo de Lica".

Minha cabeça atira para cima em surpresa e, mais uma vez, Lica espelha a minha reação.

Se eu não tivesse a boca cheia de tomate, eu ficaria boquiaberta. Viro minha cabeça na direção de Lica. Ela parece amedrontada e, por um momento, eu esqueço por que eu estou me sentindo para baixo.

"Boa escolha." Eu digo com uma risada suave uma vez que eu engoli.

Sua deliciosa boca torce em um sorriso tímido, antes de ela se virar para me dar uma piscadela brincalhona.

"Valerá à pena a espera." Eu ouço minha mãe concordar, mas minha atenção está focada nos olhos cintilantes da mulher ao meu lado. Puta merda, ela é linda.

"Qualquer coisa que valha à pena geralmente justifica a espera." Ela murmura baixinho em resposta, movendo sua mão para descansar gentilmente na minha coxa.

Eu limpo minha garganta e dou a ela um pequeno sorriso, antes de voltar minha atenção para o meu prato.

"Clara pediu para dizer adeus e que eles verão vocês no casamento." Eu tento mudar de assunto.

"Katharine convidou Clara?" meu pai parece surpreso, mas eu não posso culpá-lo. Eu fiquei igualmente chocada quando Clara me disse no início desta semana. Aparentemente, ela não quis me dizer antes que recebeu um convite, com medo de que eu poderia surtar. Boa decisão. Ela não estava pensando em ir também, mas como eu disse a ela que tanto Lica quanto eu iremos, ela disse que aceitaria o convite para me dar apoio moral.

"Sim." Eu aceno, finalmente desistindo do meu prato pela metade, empurrando-o para longe de mim.

"Bem, ela conhece Clara há quase tanto tempo quanto conhece Samantha." Minha mãe estima corretamente antes de me dar um sorriso encorajador. "Estou feliz que ela virá".

"Eu também." Eu concordo rapidamente e coloco minha mão sobre a de Lica, que ainda está firmemente plantada no meu colo. Tornou-se uma reação automática eu estender a minha mão para ela quando estou me sentindo levemente insegura de mim mesma. Ela vira sua mão e entrelaça nossos dedos, acalmando-me instantaneamente.

"Você e Lica ficarão conosco nesse fim de semana, certo?" minha mãe pergunta esperançosa, fazendo meu coração apertar. Eu odeio o fato de que eu a deixei tão incerta quando se trata de mim ao longo dos últimos anos.

Eu começo a virar a cabeça na direção de Lica para confirmar, mas ela responde por nós duas sem pausar. "Claro".

Isso causa um enorme sorriso em minha mãe, o que me faz rir suavemente da sua ansiedade. Eu aperto seus dedos em agradecimento, o que ela retribui passando o polegar sobre as costas da minha mão. Minha respiração acelera instantaneamente enquanto minhas coxas apertam em seu próprio acordo. Ela tem o meu corpo tão em sintonia com o dela que mesmo um pequeno gesto como esse me faz querer saltar em seus ossos.

Ela ri, mantendo seus olhos em seu prato. Ela sabe o efeito que tem sobre mim.

Eu viro as nossas mãos e pressiono a unha do meu polegar em sua pele. Bastarda presunçosa.

"Você virá conosco para o aeroporto, Lica?" meu pai pergunta do outro lado da mesa.

Os dedos de Lica param momentaneamente antes de ela levantar o olhar para o meu.

" Samantha ainda tem que me convidar, senhor." Ela responde calmamente.

"Ela tem que convidar?" meu pai parece tão confuso quanto eu.

"Para isso, ela tem." Sua resposta é tão baixa que eu tenho certeza que sou a única que ouviu. Eu franzo a testa para ela, implorando a ela com os meus olhos para explicar o significado das suas palavras. Ela oferece um pequeno sorriso, e então volta seu olhar para o seu prato, entrelaçando nossos dedos novamente.

"Eu estou bem em levá-los sozinha." Minha resposta vem como uma quase pergunta, sondando Lica por qualquer tipo de resposta. Eu não recebo nenhuma dela, no mínimo.

O segundo passo é se preparar para o adeus...

"Vocês estão prontos para ir?" Eu pergunto da porta do quarto de hóspedes. Minha mãe está embalando algumas coisas finais e papai parece estar vagando ao redor sem rumo.

"Mais dois minutos." ela responde por cima do seu ombro enquanto rapidamente se arrasta para o banheiro.

"Eu só vou verificar isso, e então temos que começar a nos mexer se quisermos chegar a tempo." Eu digo com um sorriso aguado antes de fazer o meu caminho para o meu quarto com passos pesados.

Encontro Lica deitada de bruços, dormindo. Ela está exausta após a semana que tivemos. Eu sorrio enquanto fecho a porta atrás de mim e caminho em direção a ela. Não é fácil conciliar um emprego de tempo integral e editar seu livro até ímpias horas da noite.

Eu paro ao lado da cama para apreciar sua forma deitada. Ela é a coisa mais linda que eu já vi.

Eu preciso me preparar para o adeus, mas, por agora, eu só quero esquecer que a minha casa estará vazia em apenas poucas horas.

Eu me abaixo atrás dela e moldo meu corpo nas suas costas, empurrando meu joelho entre as suas coxas, envolvendo meu braço ao redor da sua cintura estreita, cavando meu nariz no cabelo macio atrás da sua orelha, suavemente torcendo meus dedos em seu cabelo. Eu finjo. Eu finjo que esta é apenas uma tarde de domingo normal e que nós estamos tirando uma soneca depois do almoço, e que ninguém vai a lugar nenhum em breve.

Sentindo a minha presença, eu sinto Lica começar a se virar, mas antes que eu possa me afastar dela, ela está deitada de costas, seus braços em torno dos meus ombros e minha cabeça descansando em seu peito. Seus dedos entrelaçam com os meus em seu estômago enquanto eu inclino minha cabeça para olhar para ela.

"Ei." Ela sorri sonolenta, baixando seu queixo para beijar o topo da minha cabeça.

"Ei." Eu suspiro, incapaz de tirar meus olhos dela. "Sinto muito por acordá-la".

"Não sinta." Sua voz está rouca e baixa de sono, fazendo meu corpo reagir com saudade. Sua voz de sono surpreendentemente se assemelha à sua voz de sexo. "Sinto muito por adormecer".

"Não sinta." Eu repito suas palavras com um sorriso e recebo outro beijo, desta vez na minha testa. "Sinto muito se eu a fiz trabalhar tão duro esta semana".

"Não sinta." Ela responde com uma risada suave, olhos brilhando de alegria antes de beijar minha bochecha. "Sinto muito por você ter que trabalhar tão duro".

"Não sinta." Eu rio quando Lica escorrega ligeiramente para baixo até estarmos cara a cara, deitadas de lado para encarar a outra. Eu sinto o peso da partida dos meus pais derreter e escorrer dos meus ombros enquanto seu olhar brincalhão permanece fixo no meu. Eu posso sentir sua respiração no meu rosto e me deleito na sensação do seu polegar esfregando círculos na minha coxa enquanto ela a coloca sobre o seu quadril. "Sinto muito que temos o lançamento do livro na sexta-feira para adicionar à sua carga de trabalho".

"Não sinta." Nós duas rimos quando ela se inclina e beija meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar com o contato dos seus lábios quentes. "Sinto muito que isso será completamente um saco".

"Não sinta." Eu completo a risada. Lica odeia o livro que estamos prestes a lançar, e não estava nada além de relutante em se envolver em qualquer um dos arranjos. Infelizmente, é parte do seu trabalho e do meu, e, por isso, apesar de eu concordar com ela, nós não temos escolha além de aparecer e fazer parecer que queremos estar lá. "Sinto muito por eu ir com a Cecília".

Por apenas uma fração de segundo a brincadeira se foi enquanto nós olhamos um para a outra pensativamente. Nós já discutimos que eu irei para o lançamento do livro com uma colega de uma das nossas filiais. Os arranjos foram feitos muito antes de Lica e eu começarmos... isso... o que quer que seja. E, além disso, não há nenhuma maneira de ela e eu sermos capazes de ir a uma função de trabalho juntas. Não sob as atuais circunstâncias, de qualquer maneira.

"Não sinta." Ela responde com a voz rouca, baixando sua cabeça para a minha lentamente, mantendo-me aprisionada com o calor em seu olhar enquanto ela desce seus lábios molhados até os meus. Meus lábios separam com um suspiro e Lica aproveita a oportunidade para deslizar sua língua na minha boca. Um golpe suave e quente e eu estou caindo aos pedaços. "Eu não sinto muito que ela não conseguirá prová-la assim." Ela murmura contra os meus lábios e desliza sua língua para dentro mais uma vez. "Eu não sinto muito que ela nunca conseguirá tocá-la assim." Ela enche a minha boca com carícias molhadas e quentes da sua língua, fazendo os dedos dos meus pés curvarem e minhas coxas empurrarem contra os seus quadris.

"Você não tem algo que quer me perguntar?" Lica geme na minha boca, eu me contorço contra ela descaradamente, ansiosamente perseguindo o atrito que nós duas estamos procurando.

"Não que eu me lembre." Eu choramingo, mordendo sua boca desesperadamente.

Sua mão cai do meu joelho e empurra entre as minhas pernas até que esteja segurando totalmente o meu sexo.

Eu fico imóvel por apenas um segundo, e então eu ofego quando ela empurra na costura do meu jeans com a palma da sua mão.

"Eu tenho que soletrar para você?" Ela geme, correndo seus dedos para cima e para baixo, lembrando-me da sua promessa de soletrar o alfabeto contra o meu sexo.

"Sim." Eu silvo quando seu polegar pressiona contra o meu clitóris coberto. Eu estou a cerca de dois segundos de distância de transar com ela com meus pais esperando por mim no quarto ao lado. Eu saio dessa minha neblina sexualmente induzida ao pensar neles, e rio sem fôlego, empurrando seu peito e abaixando a perna do seu quadril.

"Estamos prontos, querida." A voz de minha mãe surge como se ela tivesse escutado meus pensamentos e assusta Lica – literalmente a fazendo estremecer de surpresa.

"Merda." Ela ri, enterrando seu rosto no meu travesseiro, suas orelhas ficando rosa de vergonha.

"Você é fofa." Eu dou uma risadinha, beijando seu pescoço enquanto corro minha mão sobre as suas costas. As muitas camadas desta mulher ainda me encantam.

"Fofos abraçam. Eu transo." Ela oferece secamente quando vira sua cabeça na minha direção com um sorriso.

"Você tem que ser tão grosseira?" Eu suspiro, caindo de volta no travesseiro ao seu lado.

"Você quer meus dedos dentro de você?" Ela revida enquanto cutuca minha lateral divertidamente.

"Acho que eu estava mais interessada na sua língua desta vez." Eu faço uma careta e dou um tapa em suas mãos, tirando-as da minha cintura.

Ela praticamente sufoca ao meu lado e, em seguida, vira seu rosto de volta no travesseiro, suas orelhas ficando um tom ainda mais escuro de vermelho.

"Eu acabei de envergonhá-la?" Eu pergunto em surpresa, lutando contra uma risadinha chocada enquanto fico de boca aberta para a parte de trás da sua cabeça.

"Você tem que ir." Ela murmura no travesseiro, recusando-se a olhar para mim.

Eu rio ofensivamente com o rumo interessante desse evento. Eu nunca pensei que veria o dia em que a minha conversa de travesseiro deixaria Heloísa Gutierrez tímida. Ela deve estar realmente exausta.

Eu me inclino e sussurro em seu ouvido, "Ainda fofa", antes de empurrar-me para cima e para fora da cama e pulando para a porta do quarto, sentindo-me muito mais leve do que antes.

"Sammy?" Ela chama antes de eu abrir a porta.

"Sim?" Eu me viro, encontrando-a deitada de lado, a cabeça apoiada na sua mão – língua cor-de-rosa lambendo seu lábio inferior. Eu literalmente tenho que agarrar a maçaneta da porta para me impedir de me lançar de volta em seus braços.

"Sem perguntas?" Ela pergunta suplicante.

Eu franzo a testa para ela em confusão, sentindo que estou de fato esquecendo alguma coisa, mas não consigo saber o que é.

"Não que eu saiba." Eu finalmente dou de ombros, incapaz de identificar o sentimento atroz na boca do meu estômago quando ela me olha de forma suplicante.

Eu vejo um flash de mágoa estragar suas feições, o que me confunde ainda mais, antes de ela sorrir e me dar um aceno de cabeça.

Eu franzo a testa e sorrio de volta de forma incerta, antes de desistir e me afastar.

Eu lentamente caminho para o quarto de hóspedes, ainda vasculhando meu cérebro pela resposta à sua pergunta espreitando apenas fora do meu alcance. Um sentimento de medo me engole quando eu percebo que o sorriso não alcançou seus olhos.

O terceiro passo é dizer o adeus...

"Nós o veremos em duas semanas." Minha mãe diz através das lágrimas enquanto abraça Lica no hall de entrada.

"Sim, senhora." Ela sorri por cima do seu ombro e levanta seus olhos para mim. Eu reviro meus olhos de brincadeira, mas ela rapidamente baixa seu olhar, transformando o meu sorriso em uma carranca.

Lica saiu do meu quarto com pressa uma vez que eu saí a fim de cumprimentar meus pais antes da sua partida. Ela esteve evitando contato visual comigo desde então, mesmo depois de várias tentativas da minha parte de chamar sua atenção.

"Cuide da minha filha." Eu ouço meu pai exigir bruscamente enquanto mantenho meus olhos focados nos meus pés, incerta do comportamento dela e ainda mais perplexa com seu ato de evitar.

"Eu cuidarei, senhor." Lica responde com a mesma seriedade, fazendo-me olhar para a troca deles.

"Chame-me de Arthur".

Pela segunda vez hoje, tanto Lica quanto eu ficamos de boca aberta para meu pai, em estado de choque. O que diabos está acontecendo com ele? Primeiro o livro e agora isso?

"Obrigado, Arthur." Lica se recupera normalmente, o que é mais do que eu posso dizer de mim mesma.

Depois de levar um momento para me recompor, eu passo por Lica, tentando capturar seu olhar enquanto meus pais passam pela porta da frente em direção ao elevador, mas, mais uma vez, sem sucesso. Eu suspiro em agitação, irritada por ela estar agindo como uma criança sem motivo, e passo por ela.

"Sammy?" Lica respira no meu ouvido assim que estou prestes a marchar para o corredor.

Eu congelo, olhos focados nas costas dos meus pais enquanto ela gentilmente pressiona-se contra mim, fazendo meu coração falhar e meus dentes cerrarem em apreensão.

"Ainda nada que você queira dizer?" Ela sussurra.

Eu pisco em confusão e viro minha cabeça para encontrar seu olhar. Sua vulnerabilidade me pega de surpresa por um momento, enquanto eu procuro em seu rosto pela resposta para a sua pergunta.

"Não." Eu respondo cuidadosamente, franzindo a testa para a decepção que pisca brevemente por trás dos seus olhos. Levanto a minha mão para o seu queixo e acaricio sua bochecha gentilmente. "Está tudo bem?"

"Tudo está bem." Ela sorri suavemente, beija minha bochecha e então fecha a porta atrás de si.

Eu me viro, olhando boquiaberta para os meus pais, incapaz de me mover ou compreender a razão do seu comportamento.

O que diabos está acontecendo?

O quarto passo é lamentar o seu caminho...

"Fique em segurança, seja gentil e cuide-se e de Lica." Minha mãe diz enquanto se afasta do nosso abraço, lágrimas escorrendo pelas suas bochechas.

Eu ofereço a ela um sorriso encorajador e entrego um lenço de papel da minha bolsa, que ela aceita com gratidão.

"Fique em segurança, seja gentil e diga a Lica que eu a caçarei se ela não cuidar de você." Meu pai distorce a versão de minha mãe de despedida seca antes de me puxar para um abraço.

Eu rio contra o seu peito e prometo que transmitirei a mensagem para Lica.

"Estamos orgulhosos de você, Sam." Ele sorri através do seu bigode antes de me tocar levemente no queixo.

"Obrigada por terem vindo me visitar." Eu engulo algumas lágrimas. "Eu sentirei falta de ter vocês por perto".

"Duas semanas." Ele concorda com determinação antes de pegar o cotovelo de minha mãe a fim de orientá-la em seu caminho para longe de mim. "Rainha do drama." Ele balbucia sobre a cabeça dela com um revirar dos seus olhos. Eu rio e aceno enquanto eles passam pelo portão de embarque.

No meu caminho de volta para casa eu estou surpresa com o quanto estou composta. Isso me confunde sem fim e eu ainda estou refletindo sobre o meu comportamento irracional quando entro em meu apartamento.

Está silencioso.

E então isso me atinge – a razão pela qual eu estive tão ansiosa. Eu estou sozinha e, pelas últimas três semanas, eu me esqueci como era.

Fechando a porta suavemente atrás de mim, parece que o clique suave da fechadura ecoa através da minha casa como a batida de uma cela de prisão.

Eu engulo em seco o nó na minha garganta e caminho para a minha sala, deixando cair minha bolsa em uma das poltronas. Virando minha cabeça em todas as direções, eu de repente sinto falta da presença do meu pai no sofá e do cantarolar desafinado da minha mãe na cozinha.

Empurrando meus ombros para trás e limpando minha garganta, eu ando até a cozinha com determinação. Eu não estou prestes a cair em alguma depressão emo e boba só porque minha mamãe e meu papai foram para casa.

Abrindo a geladeira, eu estendo a mão para o vinho, mas eventualmente gravito para a última cerveja empoleirada na prateleira do meio.

Eu sorrio e a agarro, virando-me para procurar um abridor de garrafas. Eu não sou uma bebedora de cerveja, mas vendo como papai é tão específico por essa cerveja, eu tenho que experimentar e ver qual é o alarde sobre ela.

Depois de remover a tampa, eu levo a garrafa aos meus lábios e tomo um longo gole. Eu estremeço levemente pela amargura, mas prossigo através de outro gole e depois outro, acostumando-me com o gosto e a contragosto admitindo para mim mesma que eu poderia realmente gostar dela.

Satisfeita que eu posso me aventurar se eu quiser, e rindo através de algumas lágrimas perdidas, eu volto para a sala de estar, caindo em uma das poltronas, e jogo minha cabeça para trás para dar outro gole. Estou me sentindo muito Bridget Jones sentada em uma sala escura e silenciosa, bebendo sozinha e limpando ranho e lágrimas. A única coisa que está faltando é a boa e velha Celine...

E então isso me bate com uma angústia.

E Heloísa.

Eu não sou Bridget Jones. Eu não sou a Rainha do Gelo. Eu sou Samantha, Sammy, amor, e há uma mulher lá fora que queria se esfregar em mim apenas algumas horas atrás. Uma mulher quente que não consegue manter suas mãos longe de mim, que entrelaça seus dedos com os meus debaixo de uma mesa onde ninguém pode ver o que podemos fazer uma com a outra, que me beija até me deixar sem fôlego e me faz rir apaixonadamente. Uma mulher que sorri tão docemente, um sorriso que não alcançou seus olhos hoje mais cedo, que me beijou suavemente e pareceu muito triste quando eu saí.

Eu me atiro do sofá e praticamente corro para o meu quarto, lançando um olhar rápido para o quarto de hóspedes vazio e encontrando-me mais uma vez surpresa que eu não sinto a pontada angustiante de solidão que eu esperava sentir.

Meu quarto está escuro quando eu entro. Escuro e vazio e aquela sensação me corroendo que eu tive apenas algumas horas atrás quando eu estive neste mesmo lugar, olhando para Lica para responder suas perguntas, atinge-me em pleno vigor. Eu não espero que ela esteja aqui, sabendo que ela teria ido para casa uma vez que saíssemos, mas a sensação de medo se instala em meus ossos quando meus olhos vagueiam e param perto do meu armário.

Um gemido escapa dos meus lábios quando eu ando até a cômoda, para o espaço que eu limpei para as coisas de Lica naquele primeiro dia que tivemos a nossa primeira festa do pijama controversa. Com dedos trêmulos, eu abro a gaveta apenas para encontrá-la vazia, como se ela nunca tivesse estado aqui, como se as últimas três semanas nunca tivessem acontecido.

Confusa e magoada, eu tropeço para a minha cama e caio no travesseiro que Lica estava ocupando mais cedo. Eu viro meu rosto nele, respirando fundo para saborear seu cheiro ainda incorporado ali. Ela estava aqui. Foi real.

Mil cenários flutuam através da minha mente enquanto eu respiro o cheiro dela - o pior de tudo - que Lica pode ter apenas esperado meus pais saírem para que ela pudesse finalmente se livrar de mim também.

Eu respiro com dificuldade, tentando aliviar o aperto no meu peito, e quase sufoco por conta de uma coisa colando no meu nariz molhado e bochechas.

Eu me sento e, lutando para remover o item ofensivo do meu rosto, eu estendo a mão para a lâmpada de cabeceira para lançar alguma luz sobre meu ambiente atual.

Como diabos um pedaço de papel higiênico acabou no meu travesseiro? Eu franzo a testa para ele com uma raiva irracional, pronta para atirá-lo para o lado, quando noto a caligrafia familiar nele. Minha mente pisca de volta para a trilha de papel higiênico que ela me deixou antes, e antes que eu saiba, eu estou sorrindo novamente.

Minha respiração engata na minha garganta enquanto eu puxo os delicados pedaços de papel e, em seguida, eu choro como não tinha chorado em anos. Desde que minha avó morreu. Desde que Katharine me deixou.

Peça para eu ficar.

O passo final é viver a vida...

Eu rio amargamente para mim mesma enquanto recito o final dos cinco passos de como dizer adeus. Clara comprou-me um livro de autoajuda alguns meses depois que Katharine e eu nos separamos, tentando desesperadamente fazer sua melhor amiga seguir em frente. Eu ainda me lembro de cada passo em detalhes vívidos. Não ajudou merda nenhuma, mas eu sou firme na perseverança. O que eu não sabia, quando estava recitando os passos ao longo do dia, era que eu nunca tive medo de dizer adeus aos meus pais. Inconscientemente, eu estava tentando lidar com dizer adeus a Lica.

Depois que lavei meu rosto para me livrar das lágrimas que derramei por mais de uma hora, percebi que de alguma forma eu estava me preparando para deixar Lica ir. Em algum lugar nos recessos da minha mente, a partida de meus pais foi traduzida em perder Lica também. Uma vez que eles fossem embora, nosso acordo tornava-se nulo e sem efeito. Portanto, se Lica ficasse comigo, seria porque ela queria, e não porque ela estava presa pelo nosso acordo para estar lá.

Se Lica ficasse, seria porque eu tinha pedido a ela, o que eu não fiz.

Eu quero ficar com raiva dela pelas insinuações sutis, em vez de apenas dizer sem rodeios. Mas eu não posso. Ela precisava que eu pedisse para ela primeiro. Ela precisava que eu acabasse com o nosso acordo exatamente como eu o comecei - por minha conta.

Ela precisava de confirmação que eu queria isso, ela, sem termos ou condições anexados.

E eu estraguei tudo. Eu sou uma maldita idiota.

Minha mão está tremendo quando eu a levanto, então a deixo cair, apenas para repetir o processo uma e outra vez.

Eu suspiro pesadamente, dando-me uma rápida, porém silenciosa, conversa de vitalidade, e então levanto minha mão e bato três vezes seguidas.

Eu estou vivendo a vida. É o único passo nesse livro que faz sentido para mim agora. Não estou mais me permitindo ser uma espectadora amarga e endurecida. Eu quero viver. Eu quero amar. Eu quero tudo isso. Mas, acima de tudo - eu quero isso com Lica.

Espero com ansiedade, rezando para que ela me ouça, rezando para que ela abra mesmo a porta para mim.

Estou prestes a bater de novo quando ouço o barulho da chave na fechadura antes da porta ser aberta com um floreio.

Parada na minha frente está um Lica muito desarrumada, muito bagunçada. Seu cabelo está bagunçado. Sua camiseta branca está enrugada. Seu short de pijama está pendurado e torcida em seus quadris, quase como se tivessem sido vestidas com pressa.

Sorrindo para os seus pés descalços, eu permito que meus olhos derivem de volta para o seu rosto.

Ela é tão linda que meu coração dói.

Seus olhos ainda estão pesados do sono enquanto ela me observa silenciosamente por um momento, antes de me surpreender dando um passo à frente e envolvendo seus braços ao redor da minha cintura.

Eu fico chocada apenas por um segundo, antes de levantar meus braços e colocar ao redor dos seus ombros, enterrando meu nariz na pele macia do seu pescoço e respirar seu cheiro quente. Ela me lembra de roupa recém-lavada e do meu cobertor favorito quando eu era criança, seguro e reconfortante. Eu derreto.

Baixando suas mãos, ela as leva até minhas coxas antes de puxar minhas pernas para cima e ao redor da sua cintura. Eu suspiro.

"Você demorou bastante." Ela murmura antes de nos virar, chutando a porta com o pé e me levando para o seu quarto ainda envolvida em torno dela.

"Eu sinto muito." Eu falo em seu pescoço, mais uma vez me sentindo como uma completa idiota.

Lar é onde Lica está, e se ela não ficasse, eu poderia perambular pelo resto da minha vida.

"Não sinta".

Eu rio sem fôlego contra ela, lembrando da nossa provocação de hoje mais cedo. Ela aperta minhas coxas, deixando-me saber que ela lembra também.

Eu engulo em seco, intimando a coragem de perguntar o que eu deveria ter perguntado dias atrás.

" Fica comigo " Eu sussurro contra o seu pescoço enquanto ela nos leva para o seu quarto.

"Sim." Ela sussurra de volta, e meu coração levanta vôo. Eu aperto meus braços ao redor do seu pescoço ainda mais quando sua boca molhada encontra meu ombro. Estou segurando como a minha preciosa vida.

Por mim.


Notas Finais


Gente que aflição me deu quando a Samantha não estava entendendo o que a Lica queria. Mas foi tão fofo a Sam pensando o que a Lica significa para ela, essas duas são muito fofas juntas, mas... já deixei um pequeno spoiler do que está por vir, essa história de festa de lançamento de livro pode trazer surpresas para o nosso FINALMENTE casal, e lembre-se que ainda temos Katiane nessa equação, será que ela vai aprontar no próximo capítulo? Comentem, quem sabe volta amanhã ?
Obrigada pela leitura e até a próxima


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