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História Ternura e Tinta - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 3 - O Amarelo das Cores


Voltei pra casa naquela noite, tamborilando os dedos em cima do volante do carro e pensando no aluno novo. Era invevitável deixar de notar a avalanche de coinciências que o cercavam. Meus olhos cansados ainda usavam aqueles óculos de aros redondos – os do cotidiano mesmo, mas apesar deles, ainda sentia como se estivesse cego. Estava bastante cansado naquela noite; exausto como da vez em que estava doente.

No banco do passageiro, minha maleta de trabalho carregava os trabalhos da aula prática; talvez aquele tenha sido o motivo pelo o qual eu não havia capotado na cama assim que cheguei em casa.

Quando dobrei a esquina dos Newtons,  pude finalmente avistar minha casa. Minha doce e bem velha casa. A rua estava pacata, como sempre, e graças aos céus parecia não ter fezes dos "bichinhos" da Sra.Calista no meu jardim.

Mas só parecia mesmo.

— Mais que merda! — praguejei assim que desci do carro e pisei no que parecia ser um bolo enorme de cocô. — Esses cães imundos cagam onde lhes dão na teia! Olha o tamamho desta bosta!

Continuei fielmente com as sessões de xingamentos histéricos e incomuns, tanto que nem havia percebido que Paul me observava da janela de seu quarto. Ele provavemente usaria aquilo contra mim na próxima aula.

— Inferno — concluí, arrastando o último pedaço de bosta do solado do meu sapato na grama. — Meus bichinhos gostam de brincar aí. Velha desgraçada! — murmurei, enquanto retirava minha maleta de dentro do carro.

Bati a porta do veículo e acionei seu alarme, que fez um pequeno "bip bip" e refiz o caminho de casa, cuidando para não pisar em mais cocô.

Quando finalmente cheguei na sacada da frente, me vi diante de mais um problema: Encontrar as chaves.

— Vamos sua porcaria, cadê? — murmurei, fuçando os bolsos do paletó e calças, continuamente sem perceber que Paul me observava em tudo. — Finalmente — disse ao encontrá-las. Posicionei-as na fechadura e as girei duas vezes.

Enquanto encarava a maçaneta, para retirar a chave de dentro da fechadura, senti uma pequena cócega em meu pescoço. Virei-me com o cenho franzido e com uma mão no lugar, olhando a derredor e não econtrando nada. Deve ser algum bicho que veio daquela panqueca de bosta no jardim. Pensei.

Continuei, retirando completamente a chave de dentro da fechadura e a colocando no bolso, quando novamente senti um incômodo, desta vez nas costas.

— Mas o quê…? — virei-me completamente, procurando por algo que sequer sabia o que era.

Enquanto corria meus olhos pela rua deserta, senti novamente algo, desta vez na lente de meus óculos.

— Certo, quem diabos está aí?! — perguntei, dando alguns passos irritados para frente e sentindo mais uma vez aquilo, desta vez na minha testa. Automaticamente olhei para cima e vi o maldito rindo na janela.

Tratavam-se de pequenas pedrinhas atiradas por Paul McCartney. Como aquele estrume havia conseguido entrar em uma universidade, eu ainda não sabia. Ele parecia ter uns vinte anos, mas agia como se tivesse dez.

— Pois não? — perguntei ao indivíduo com um saquinho de pedras.

— Boa noite pro senhor também, professor. — Ele respondeu com um daqueles sorrisos de quem quer sorrir mais do que já estava sorrindo. — Vejo que é ainda mais desastrado fora da sala…

Franzi o cenho e cruzei os braços, aproximando-me da casa.

— Escuta, Sr.McCartney, eu não tenho obrigação de lhe respeitar fora de sala, mas mesmo assim o faço — comecei. — Já o senhor, poxa… Não consegue agir com respeito dentro e, como estou vendo, muito menos fora! — joguei os braços para cima. — O senhor tem algo pra me dizer, afinal?

Ele encarou o teto e bateu o indicador contra o queixo.

— Na verdade, eu tenho sim — disse, entrando para o interior do quarto até que eu não pudesse mais o ver.

— Mais essa agora… — resmunguei, dando um profundo suspiro.

— Aqui. — Ele voltou com um par de luvas de borracha amarelas. — Esqueceu enquanto cuidava do jardim.

Logo a minha cara amarrada tornou-se confusa.

— Oh, sério? — pigarrei. — Eu… Nem senti falta delas... — sorri amarelo e cocei a nuca, sentindo-me um tanto envergonhado por ter sido rude com o garoto. Mas ele havia sido rude primeiro.

— Sem problemas — disse ele, botando as luvas em uma sacola. — Às vezes não notamos detalhes pequenos demais — sussurrou.

Franzi o cenho.

— Como?

McCartney olhou ligeiramente para trás, como se algo estivesse acontecido dentro do quarto.

— Nada. — Ele sorriu, jogando a sacola com as luvas lá de cima. — Boa noite, professor. Até amanhã.

— Boa noite, Paul… — respondi com o cenho franzido.

Olhei para os lados e caminhei silenciosamente até a sacola com as luvas. Agachei-me para recolhe-las do chão, quando notei uma pequena folhinha de papel no interior da sacola. Franzi ainda mais o cenho e tomei a folhinha em mãos, notando que tinha algo escrito. Era um bilhete. 


"Não se esqueça mais dos detalhes." 


— Paul? — perguntei automaticamente ao terminar de ler o bilhete.

Um rápido barulho fora ouvido de dentro da casa de Paul, exatamente do lado de seu quarto. Franzi o cenho novamente, um tanto assustado e me afastei da casa com a sacola em mãos.

— Paul? — chamei-o novamente. — Está tudo bem aí?

Nenhuma resposta.

Mais um barulho fora ouvido, desta vez como se batesse algo contra a parede e um ruído de vozes em seguida. Logo, passos rápidos foram ouvidos descendo as escadas.

— Que merda. — Àquela altura eu já estava bastante apavorado, e não tive outra reação a não ser entrar pra casa e tentar pensar em algo.


Notas Finais


Vejo voces nos proximos capitulos 💖


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