História Terra dos Sonhos - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Dreams, Epiphany, Fantasy, Sleep, Surreal, Yaoi
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Palavras 2.613
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Viajando no sentido literal é uma coisa - mas viajando no sentido figurado é outra coisa... Uma coisa muito melhor. ;3
Boas Lonjuras!

~Rockeiro Sem-Noção.

Capítulo 7 - Viajando


Kyle abriu os olhos azuis e sentiu sua bochecha encostada em algo metálico bem liso. Ele olhou para baixo e viu uma longa barra de metal passando por baixo de sua cabeça e sendo seguida por tábuas e mais tábuas.

Ao perceber o perigo iminente de tomar um choque daqueles, Kyle se levantou na hora. Olhou ao redor e se viu de pé num trilho de trem, este estava cruzando a rua pavimentada de um bairro. Haviam arbustos verdejantes ladeando o trilho e cerejeiras floridas ornando a rua toda. Todos os apartamentos ao redor tinham sacadas com fios elétricos cruzando o ar e um sinaleiro de trem que poderia disparar à qualquer momento com a aproximação de alguma locomotiva.

-Como é que eu vim parar aqui?-Kyle perguntou inocentemente.

-É sempre engraçado quando você diz à alguém para tomar cuidado onde pisa segundos antes desse mesmo alguém mal prestar atenção no seu aviso e acabar se arrebentando em algum lugar.-Rainbow diz, aparecendo subitamente sentado no trilho ao lado de Kyle.

O garoto até gritou de susto. E o marmanjo ficou rindo tão logo apoiou os cotovelos num lados do trilho de trem e ainda pôs os pés pra cima como se estivesse num sofá bem confortável.

-Acho bom você parar de aparecer assim, senão eu vou ter um infarto aqui!-Kyle rosnou.

-Ruivinho, relaxa.-Rainbow sorriu em diversão.-Enquanto eu estiver aqui te guiando através dos sonhos, você não terá pesadelo algum.

-É...?-Kyle diz timidamente.

O capitão riu e se levantou dos trilhos. Ele estendeu sua mão para o ruivinho que, por um momento, hesitou – mas acabou pegando-a. Os dois foram andando de mãos dadas ao longo do trilho. De vez em quando, eles se entreolhavam de maneira rápida e tímida, porém na maior parte do tempo eles ficavam olhando para o horizonte, onde o trilho do trem se perdia eternamente.

Em algum momento, Kyle sentiu vontade de fazer algo que jamais fez em sua vida: subiu numa das barras de metal do trilho e foi andando em um perfeito equilíbrio e sem nenhum perigo de eletricidade ao mesmo tempo em que Rainbow o segurava pela mão num sorriso carinhoso.

O ruivinho riu de seus próprios pés andando rápida e habilmente pelo trilho como se ele fizesse isso a vida inteira.

-Por quê será que eu sonho com coisas tão loucas e divertidas?-Kyle perguntou, rindo.

-Porque você almeja todas elas.-Rainbow respondeu de um jeito bem psicológico.

O garotinho o olhou de um jeito inocente enquanto os dois continuavam andando pelo trilho.

-Como sabe?-Kyle questionou.

-Ruivinho, eu posso entender como você se sente.-Rainbow está dizendo.-Sua vida é como água parada na sarjeta de uma rua, cuja única emoção é a roda de um carro te fazendo respingar pelo ar porque será a única vez em que você vai sair dessa calmaria modorrenta e voar.

-Acha que todas as maluquices com que sonhei até agora...-Kyle diz pensativamente.-São fantasias minhas?

-Fantasias infantis, desejos do coração, sonhos secretos.-Rainbow explicou.-Tudo o que você não pode fazer num plano físico no Universo porque está limitado por regras e leis até de sua própria natureza, aqui na Terra dos Sonhos, você pode se libertar dessas amarras e fazer tudo o que quiser sem nenhum limite no horizonte.

O garoto de olhos azuis ficou boquiaberto. Ele já ouvira falar que as pessoas sempre eram mais livres em seus sonhos porque seus desejos e fantasias eram reprimidos pelas barreiras da humanidade – mas não imaginava que tivesse uma dimensão tão vasta desse significado.

-Cara...-Kyle ecoa com um olhar chocado e maravilhado.-Fazer tudo o que eu quiser? É muito poder nas minhas mãos...

O marmanjo de cabelos coloridos acabou rindo disso. Kyle ruborizou e abriu um pequeno sorriso acanhado.

De repente, uma misteriosa luz dourada começou a brilhar na frente deles. Kyle olhou para a frente e viu que o trilho do trem agora seguia cegamente por vastos campos verdejantes e pastagens em direção à algo que não se sabia se era o nascer, ou o pôr do Sol. Nos altos céus, havia um azul mais escuro e cósmico com a aparição de um gigantesco planeta misterioso e uma lua logo ao lado.

Era a visão mais linda do céu.

-Eu sempre desejei ver planetas de perto...-Kyle sorriu lindamente.

-Acredito que você gostaria de viajar bem alto e por longas distâncias, não?-Rainbow perguntou, abrindo um sorriso brincalhão.

-Bom, eu já quis viajar para o Japão.-Kyle está dizendo.-O que faz sentido porque eu ando vendo cerejeiras demais por aqui.

-Não é só por isso...-Rainbow riu bem baixinho.

-O quê?-Kyle piscou os olhos azuis de forma inocente.

-Está ouvindo?-Rainbow murmurou.

Então, os dois pararam de andar no trilho. Ao longe, eles ouviram algo que parecia ser a buzina de um trem.

Na hora, Kyle olhou para trás e viu um trem todo branco, arredondado e liso partindo em alta velocidade na sua direção.

-Ah, não!-Kyle gritou.-Eu invoquei um trem-bala com os meus poderes!

-Não é um trem-bala...-Rainbow diz, já se desmanchando de rir.

Foi aí que a buzina daquele trem começou a mudar para outro tipo de som e de suas laterais surgiram um par de asas gigantescas de metal com turbinas colossais.

Nessas, Rainbow caiu de joelhos no trilho e ficou rindo feito um louco. Kyle sentiu raiva na hora.

-Por quê não me disse que era um avião?!-Kyle berrou de raiva antes do grande impacto.

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-Atenção, passageiros.-diz uma voz misteriosa nos alto-falantes da primeira classe.-Estamos passando por algumas turbulências. Parece que Kyle ficou com raiva só porque não sabia que ia ser atropelado com um avião no meio de um trilho de trem. Que infantilidade...

Kyle olhou para Rainbow sentado ao seu lado na poltrona do avião.

-O que foi?-Rainbow diz, inocente.

-Se fosse possível, eu dava uma descarga em você no banheiro desse avião e você se desintegrava no ar lá fora...-Kyle diz sombriamente.

-Hmm, não seja tão malvadinho assim, ruivinho.-Rainbow faz um beiço manhoso.-Eu só queria te fazer uma surpresa...

-Depois dessa, eu nem sei se terei coragem de subir num avião.-Kyle respondeu e virou o rosto.

Do outro lado, estava uma janela que mostrava o céu e o mar tão azuis e repletos de nuvens que davam a impressão de estarem se misturando num só.

Então, o garoto ruivinho sentiu um cheiro delicioso e doce ao seu lado. Ele olhou para o marmanjo colorido e viu que ele estava segurando uma caneca bem grande com uma bebida que parecia visualmente suculenta.

-Rainbow, que troço gostoso é esse?-Kyle exigiu saber.

-Chocolate quente com marshmallows e pimenta coberto com chantilly de arco-íris, calda de caramelo e esse lindo diamante de chocolate brilhante.-Rainbow apresentou toda aquela bebida fantástica e bizarra.

-Eu quero...-Kyle diz manhosamente.

-Eu te dou...-Rainbow sorriu.-Com uma condição.

Há um breve momento de hesitação.

-Qual?-Kyle se aventurou à perguntar.

-Me dá um beijinho.-Rainbow provocou.

Instantaneamente, o garotinho ruborizou violentamente ao mesmo tempo em que o sorriso do marmanjão se alargava ainda mais em pura diversão.

-Um beijo?-Kyle consegue dizer.

-Olha, eu já beijei você naquela tempestade de cavalos.-Rainbow não deixa de rir.-Então, acho justo você me beijar agora... ou não vai ganhar chocolatinho quente.

Aqueles lindos olhos mais azuis do que o céu e o mar juntos o olharam com uma doce vergonha levemente raivosa e sua cor fria contrastava lindamente com a cor quente do rubor vermelho em seu rostinho tão lindo, onde as sardas desapareciam quase que completamente.

-Tá bom...-Kyle cedeu, enfim.-Mas é pelo chocolatinho quente...

-Como quiser...-Rainbow diz, sorrindo.-Ruivinho lindo.

Essa nova provocação quase incapacitou o garotinho do próximo ato, mas ele acabou tomando coragem e se aproximando do marmanjão. Seus rostos ficaram bem próximos até que suas respirações acabaram se cruzando em meio ao ar.

De maneira tímida e doce, os lábios carnudos de Kyle acabaram tocando os lábios de Rainbow. O beijo deles começou lento, calmo e quase contido. No entanto, o ruivinho começou a se deleitar com o beijo e acabou o aprofundando mais. Logo, ele e o capitão estavam se beijando com mais vontade e prazer. Cada um deles chupava os lábios um do outro com muito sabor e não resistiam em dar mordidinhas carinhosas que lhes arrancavam suspiros de prazer e gemidos manhosos bem finos.

O garoto de olhos azuis tocou o maxilar forte do marmanjo de dreadlocks coloridos, fazendo carinho nele com seu polegar e fazendo também o próprio rosto dele se ruborizar levemente. Seus dedos brincaram de forma distraída com um dreadlock violeta, enrolando-o num deles e puxando vagarosamente. Rainbow chupou aquele lábio inferior carnudinho, sentindo sua doçura macia e se deleitando com o som de um gemidinho manhoso.

Algum tempo depois, seus lábios se desgrudaram como se fossem mundos antigos se desconectando. Os dois se olharam timidamente – o azul brilhando diante do dourado que se deleitava com o seu brilho.

Então, Rainbow acabou sorrindo e entregando a caneca de chocolate quente para Kyle. O ruivinho ficou todo feliz e a entornou todinha. Porém, quando ele abaixou a caneca, viu que não estava mais na primeira classe de um avião, pois ouvira a buzina de um trem lá fora. Agora, o garoto e o marmanjo encontravam-se sentados no banco do vagão de um trem de viagem.

Kyle voltou-se para Rainbow com um olhar maravilhado. Ele apenas riu disso.

Num instante, o garoto de olhos azuis colocou a cabeça para fora da janela e segurou um chapéu que nem sabia que tinha para não deixá-lo sair voando no vento forte. Lá fora, o trem percorria a beirada de uma montanha toda verdejante e arborizada. Pássaros passavam voando e uma linda cachoeira jorrava lá do alto. Enquanto isso, o capitão colorido apenas ficou contemplando a alegria daquele doce menino sorrindo tão vivo e lindo contra o vento lá fora.

Kyle tinha uma beleza única e especial. O próprio céu teria tanta inveja do azul de seus olhos que se tornaria tempestuoso, assim como o mar iria se revolver e todas as safiras virariam pó. O sorriso dele brilhava mais do que todo o Sol que já brilhou na Terra dos Sonhos e tinha a mesma inocência e doçura de uma criança que jamais conhecera qualquer tipo de trevas, ou maldade. Tudo ali era maravilhoso para ele e, por um momento, Rainbow sentiu uma leve pontada de mantê-lo ali ao seu lado para que sempre estivesse feliz.

Logo mais, o trem partira de seu trilho na montanha e agora corria pelo trilho ao lado de uma estrada pavimentada toda ladeada por árvores verdejantes. Kyle continuou olhando fixamente para elas porque sabia que alguma coisa iria aparecer por trás.

Dito e feito.

O Sol surgiu resplandecendo dourado no horizonte de um céu ainda roxo e estrelado, e sua luz gloriosa estava banhando com calor os vários níveis de vastos campos de arroz que se elevavam como escadaria de águas e plantas verdes.

Kyle olhou para Rainbow e riu alegremente.

Ele sempre se lembraria desse riso tão lindo.

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O trem agora estava indo embora por uma ponte alta de pedra lá perto do nascer do Sol. Ao lado dos campos de arroz, havia uma estrada sinuosa ladeada por postes de luz acesos naquela manhã dourada e violeta. Kyle e Rainbow ficaram andando serenamente por ali para apenas contemplar a linda paisagem e sentir uma leve brisa fresca soprar seus cabelos longos.

Seus pés descalços pisavam no pavimento da estrada sem se incomodarem do mesmo estar levemente gelado com uma garoa misteriosa.

-Rainbow...-Kyle o olhou subitamente.-Eu queria te perguntar uma coisa...

-Pergunte.-Rainbow sorriu de maneira brincalhona.

-Você não tem...-Kyle procurou as palavras.-Alguma coisa... parecida com família por aqui?

-Acho que toda a tripulação do meu navio seria o que eu tenho mais próximo de uma família.-Rainbow explicou.

-Então...-Kyle ecoa pensativamente.-Não deve existir algo, ou alguém que... te dera à luz, não?

-Eu não sou do Universo para ser descendente de algo ascendente.-Rainbow está dizendo.-Os sonhos de toda parte são algo tão antigo que são praticamente primordiais, então meu início de existência simplesmente não existe. Eu apenas existo desde sempre sem jamais correr o risco de ter um fim.

-Isso é meio confuso...-Kyle confessou, rindo.-Como é imaginar algo que não tem começo, nem fim, mas ainda assim existe?

-Você pode pensar no metafísico dessa forma.-Rainbow sorriu um pouco.-Tudo isso está além de sua compreensão humana e você nunca terá a sabedoria total para entender isso a menos que sua consciência, espírito e corpo atinjam um novo nível super avançado.

-Já conheceu algo assim?-Kyle abriu um sorriso todo animadinho.

-Já.-Rainbow assentiu, rindo.-Já conheci raças antigas de seres de energia em todo o Universo. Muitos deles não possuem necessidades básicas como comer e dormir, mas consequentemente eles nunca mais acessaram a Terra dos Sonhos depois dessa evolução. E eles são tão avançados que respiram a energia cósmica do Universo, se comunicam com telepatia e não possuem forma física. São espíritos de luz.

Kyle ficou com uma expressão maravilhada ao ouvir tudo isso. Agora, ele tinha informações importantes sobre vidas extremamente avançadas fora do planeta Terra.

-Apesar disso, eles ainda possuam formas de criar os seus descendentes.-Rainbow continuou.-Formas muito mais avançadas do que um contato físico obsceno.

-Hmm...-Kyle ruborizou levemente com essa última parte.-Mas... você já não imaginou... como seria ter uma família?

Essa pergunta pareceu surtir algum tipo de efeito emocional misterioso em Rainbow. Ele desviou o olhar e ficou calado por um momento como se isso o perturbasse de alguma forma.

-Eu tento não imaginar isso...-Rainbow respondeu finalmente.-E você?

-Eu tenho uma família.-Kyle assentiu rapidamente – depois murchou.-Bom, já tive... agora eu só tenho cinzas do que já foi a minha família...

-O que aconteceu?-Rainbow diz delicadamente.-Não precisa falar, se não quiser.

-Não. Está tudo bem.-Kyle riu bem levemente.-A minha...

O garoto ruivo parou de andar na estrada. O marmanjo de cabelos coloridos ficou parado ao seu lado com um olhar curioso.

Por sua vez, o garoto girou seu corpo em direção aos campos de arroz logo ao lado da estrada e viu algo ali.

Era uma camponesa que parecia estar colhendo arroz em meio às águas e estava até usando um tradicional chapéu de palha que sempre se vê em zonas rurais da Ásia. Mas ela não era asiática.

Seus longos cabelos eram intensamente ruivos como se fossem fogo puro. Em algum momento, a camponesa levantou a cabeça e olhou diretamente para Kyle, mostrando seu rosto sardento e seus olhos tão sobrenaturalmente azuis que até cintilaram como luzes na escuridão.

Kyle deu um passo para trás – seu rosto em estado de choque.

Há um som de passos pesados no pavimento da estrada. Ele e Rainbow olharam para trás.

Era uma abelha monstruosamente colossal andando na estrada. Era tão gigantesca que devia ser muito maior do que um caminhão de carga, ela abriu suas asas de envergadura quase infinita e soltou um rápido zumbido estrondoso.

Foi aí que Kyle saiu correndo. Rainbow apenas o olhou correr pela estrada, assim como a misteriosa camponesa ruiva e a abelha gigante.

O garoto ruivo saiu correndo em disparada pela estrada numa velocidade tão extraordinária que toda a paisagem ao seu redor estava se desfazendo em um borrão cego e confuso de cores desbotadas. Seus olhos azuis foram derramando lágrimas e cada uma delas saiu voando pelo ar. Ele não queria pensar nessa tragédia de novo, logo quando tudo estava perfeito.

No horizonte, um grandioso livro de capa rosada ornada com ouro, cristais, folhas de árvore e penas de pássaro surgiu do nada, este se escancarou todo, revelando suas infinitas páginas escritas. E de suas páginas, foram saindo galhos de árvores por cima e um campo florido por baixo. Uma coruja ainda maior surgiu por trás do livro e abriu suas asas colossais.

 

Kyle correu cegamente e agarrou as páginas do livro antes de desaparecer entre elas.



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