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História Terras Cinzentas - Capítulo 20


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Notas do Autor


Olá, leitores, como estão?
Quase postei um capítulo de Wigan que seria totalmente spoiler, já que estava encaminhando ele para minha amiga e primeira leitora. Hahah
Então, já que o último capítulo foi de Wigan, esse obviamente não o é. E se trata de um capítulo de Ongle, onde saberemos as decisões dela sobre Ecier.

Boa leitura.

Capítulo 20 - Jornadas pelo Mar


Zhun'dy Ongle estava organizando um banquete, não pessoalmente, mas discutia os detalhes com Lores, sua intendente. Seria um banquete solene, seria quando ela anunciaria a jornada de Rielo para as Montanhas Uday  e a de Ralfo aos Fenceen. Teriam quase uma dezena de pratos, incluindo uma salada de flores diversas, e um refogado de cogumelos, feitos, obviamente, em homenagem a Riv  Salfoy.

Ela estava com medo, tanto da jornada em si, quanto das consequências da jornada, ainda mais que Rielo deveria partir, mas o conselho estava certo, ele era uma das poucas pessoas que dominava o ecierene, além de ter um cargo elevado. Rielo iria as tribos mais ao norte de Uday, as tribos Kunga, que eram as mais poderosas e influentes das Montanhas Uday. Rielo iria compartilhar os planos de Ongle e Salfoy de reconquista ecierena, e caso os selvagens ajudassem, Ongle devolveria parte da terras cinzentas para eles. Salfoy não gostara muito do plano, mas Ongle o ignorara. Já seu irmão Ralfo iria para os selvagens Fenceen no norte da ilha de Pedinink, na região que recebia o mesmo nome.  Ir’Zhun Fiore fora contra aquela decisão,  e o motivo era uma guerra milenar, da época da fundação do Mundo. 

Na Alvorada dos Tempo, bem antes de Lelite, Ishvá e Adamo, Zhun dividia a abóbada celeste com Fenceen , mas ambos queriam cada vez mais e mais tempo sobre a terra, e por isso começaram a guerrear entre si. A guerra foi uma grande tragédia, e grandes heróis de ambos os lados pereceram e choraram, e suas lágrimas viraram o mar. A guerra prosseguiu durante tempos e mais tempos, até que ambos desistiram de lutar, pois alagaram metade do mundo em lágrimas e perderam seus heróis, que viraram estrelas na imensidão dos céus. Zhun e Fenceen voltaram a se revezar nos períodos diurnos e noturnos.  Os fenceen eram os tolos que ao invés de seguir Zhun, submetiam ao cruel Fenceen,e por isso eram isolados além das Colinas de Lelite. E se dizia que eles eram guerreiros extremamente valorosos, e por isso Ongle os queria na invasão Ecierena.

No dia do anúncio formal da jornada, Ongle passou a noite com Rielo, como faziam com muita frequência. Rielo estava praticamente morando em Zhun’dy’hom, e só ia para a casa familiar uma vez na semana, ver sua mãe, irmãos e sobrinhos. Eles conversavam nas últimas horas antes do despertar de Zhun.

-Quando você voltar, deveríamos começar a ter filhos, precisarei de um herdeiro. 

-Será um conselho justo, se os herdeiros forem meus filhos? 

-Claro que sim, você não terá problemas em repreender uma das crianças, assim como se me orientou, e também a Suza.

-Sabe que nome devemos dar para nossa criança?-Rielo estava com uma cara travessa, e Ongle sabia que o nome seria uma piada.

-Qual nome?-disse já sorrindo.

-Salfoyo, ou Rivanyo.

Ongle começou a rir alto.

-Eu não conseguiria amar um filho com esse tipo de nome. Sempre me lembraria do desagradável Riv Salfoy- apesar do homem de Ecier ter oferecido as próprias terras, Ongle não conseguira se livrar do sentimento amargo que subia a sua  boca toda vez que contemplava Salfoy, seu pai. Uma das poucas coisas que Ongle gostava em seu pai era o fato dele não pedir para ser chamado de pai, ela o chamava simplesmente de Riv  Salfoy, e ele a chamava de Zhun’dy Ongle. Nunca entenderia sua mãe. -Queria ir com você a Uday. 

-Eu sei, e muito gostaria de sua companhia, iluminada Ongle, mas não é adequado para Alemar que você deixe o trono de Zhun para se aventurar. E você deve estar aqui para receber os fenceen quando Ralfo regressar do Vale das Paineiras.

-Você acha mesmo que devemos nos alinhar aos fenceen?-Ongle começara a ter dúvidas nas vésperas.-Precisamos mesmo de Ecier?

-Não sei, tenho tantas dúvidas quanto você- disse ao beijá-la.-Mas Zhun e eu sempre estaremos com você, Ongle. Até depois do fim do mundo.

Ficaram conversando até o raiar do dia ser visível através das grandes janelas que Ongle deixava abertas por causa do calor. Se arrumaram, e foram a Merr’Zhun fazerem suas orações.  Na volta, encontraram Lores.

-Tudo já está pronto, Zhun’dy Ongle. 

-Reúna todos na sala do trono, me trocarei e já irei-Salfoy estava hospedado em Zhun’dy’hom, para que ele pudesse chegar rapidamente na hora do anúncio. 

Ongle se vestiu com uma saia verde musgo, presente de Salfoy, para simbolizar as terras que pretendia conquistar, e um colete de cor semelhante. Estava vestida com vestes Alemar com as cores de Ecier.  Sentiu novamente o amargo na boca.Tentou não pensar no assunto, e arrumou os cabelos com uma rede de pérolas, que também era presente de Salfoy. 

Foi até a sala do trono.

-Rá nionins fen eman Zhun?-disse Ongle.

-Tuv eman Zhun- responderam todos os presentes, e Ongle sentiu um estranho formigamento, as pessoas a estavam saudando. Esperara por isso a vida toda, mas no momento que acontecia, dava uma sensação estranha.

Ongle se assentou, e ajeitou os cabelos, ela queria perder o hábito de arrumar os cabelos antes de falar em público, mas aquilo fazia com que ela se sentisse mais confortável em falar. Correu os olhos pela sala, havia muita gente, a maioria eram pessoas de confiança ou laços comerciais de sua mãe.

-Pouco antes da morte de minha gloriosa mãe, Zhun’dy Singla, recebi a promessa de terras, muitas terras, planícies e rios, morros e vales. Recebi a promessa de terras cinzentas além do mar- fez uma pausa dramática, aumentou o tom de voz, e apontou um dedo para Salfoy.- Riv  Salfoy me ofereceu as terras dele, as terras de Ecier!

Ouviu alguém resmungando a palavra traidor. Teria sido um dos seus, ou um dos rapazes de Salfoy? Com certeza era um dos seus, os rapazes de Salfoy não iriam praguejar em Alemar, ou alemarano, de acordo com o rapaz idiota e laranja. 

-Não será fácil, mas recuperaremos as terras que Ishvá conquistou! Ampliaremos nossas fronteiras, faremos mais comércios com mais povos, e Zhun iluminará todos os cantos escuros e esquecidos do mapa. É uma nova era de Luz e esplendor para Alemar!

As pessoas começaram a comemorar,e Ongle sentiu uma alegria e um orgulho invadir seu interior. Mas deveria continuar a falar, e não sucumbir às próprias emoções. Levantou a mão pedindo silêncio.E rapidamente as pessoas se calaram

-A jornada não será fácil, e para tal jornada, encarreguei meu irmão Ralfo para ir aos Fénceen em busca de apoio e armas. E mandarei Rielo para as montanhas Uday, a leste de Acier, para conquistar apoio dos selvagens, para  que nossa jornada fique mais simples. E para celebrarmos e recebermos as bênçãos de Zhun,há um banquete em homenagem aos nossos heróis que irão para as Terras Enrugadas!

Mudaram de sala, e começou o banquete. Riv Salfoy, Rand’Mir Gilon e  Ralfo fizeram um brinde,e eles pareciam competir entre si para  ver quem fazia o maior e mais eloquente brinde. E o brinde que Ongle mais gostou foi o de Anir Alba, que não entrou na competição imbecil. Então a moça de armas de Salfoy, Erine,se levantou.

-O jovem Guardallar Will pediu que eu fizesse um brinde em seu lugar, pois ele ainda não sabe falar Alemar-ela buscou auxílio com o olhar, e o encontrou tanto em Ongle como em Salfoy, e cutucou o rapaz laranja, que disse algo em seu ouvido.- Will disse que nasceu em Ecier, em um lugar chamado Hutra e o seu lar era Ery Itivo, ou seja, tem uma chuva fina e constante o tempo inteiro- fez uma pausa escutando o rapaz.-  Disse que aquelas terras cinzas foram as únicas coisas que ele conheceu durante a maior parte da vida dele. E que agora vive em Alemar- pausou novamente,o menino disse outra coisa.- E que aprendeu a gostar de Alemar e das pessoas daqui, apesar de não falar o idioma.

Ongle ficou em dúvidas sobre se a fala sobre o menino não saber o idioma era dele mesmo, ou um comentário irônico de Erine, e caso ela fosse parecida com Aidana, era ironia.

-E ele deseja que seus objetivo, Zhun’dy Ongle em Ecier se realizem, apesar dele não saberem quais são- sim, era ironia da parte de Erine, e Ongle sorriu, e se moveu pelo salão até chegar próximo a Will, pegar suas mãos e o agradecer pelas belas palavras, deu um beijo no rosto do menino, que enrubesceu e gaguejou.

E ela achou a situação engraçada, mas nada disse.Voltou para seu lugar, e então as comidas começaram a serem servidas, a primeira foi uma salada de  flores com frutas-estrelas, e depois foi servida uma salada de folhas amargas e roxas, teriam muitas saladas naquele banquete, iriam aproveitar a abundância de frutas, flores e folhas enviadas por Zhun. Era também uma forma de mimar Rielo, pois em sua jornada teria que comer grãos e cogumelos, e tomar chuva. Ela queria a felicidade dele antes que ele se arriscasse pelas Montanhas Uday.

Durante o banquete, Salfoy acenou para Erine e Will, que trouxeram um baú para frente de Ongle e Rielo, e Salfoy se aproximou e disse:

-Mandei fazerem roupas ecierenas para Rielo, para o proteger das chuvas, e do frio de Ecier e Uday- fez um sinal, e Erine se ajoelhou, abriu o baú e tirou uma peça acinzentada.-Sei que não é uma roupa vistosa, como as de Alemar, mas é uma roupa quente,e que não irá chamar atenção. Este aqui é um véu, para o proteger das eternas chuvas.

-É bom tomar chuva,Riv Salfoy- disse Rielo.

-Não, não é, você não conhece nossas chuvas, acredite em mim. E aqui, temos sapatos que tentam ao máximo serem impermeáveis, você não iria muito longe usando sandálias, na’Rielo. São presentes sinceros, e votos sinceros de sucesso.

No final do banquete, Ongle e Rielo se recolheram, ela iria o ajudar a preparar sua bagagem, e ela estava triste que ele estava partindo, então queria ficar o máximo de tempo perto dele. Por Ongle, ela passaria o tempo em silêncio, mas desta vez, Rielo que tinha perguntas e que precisava falar.

-Queria ver meu irmão. Mas provavelmente não o verei, seria impossível.

Seria Ongle um ser desprezível por estar separando famílias só para que ela tivesse mais terras? Estava separando Anir Alba de seus filhos, Rielo, de seu irmão, separava a família de Rand’Mir Gilon, separava Erine e Aidana, a separava de Rielo. Valeria a pena ter terras cinzentas e alagadas? Valeriam a pena todas as lágrimas derramadas, para ganhar as lágrimas do céu? O que ela deveria fazer? Deveria cancelar tudo. Deveria deixar de ser ambiciosa, sim. Não, não podia mudar de ideia, dera sua palavra. Zhun era testemunha de suas palavras.

O que ela fizera?

-Rielo, sinto que pequei. 

-Como assim?

-Acho que estou cometendo um pecado contra Zhun ao enviar tantas pessoas assim em missões além mar, só para conquistar terras. Estou sendo ambiciosa e destruidora. Será que será assim que se lembrarão de mim no futuro? Zhun’dy Ongle, a destruidora. Zhun’dy Ongle, a que queria terras cinzentas.

-Zhun deu os sinais que aprovavam suas jornadas…

-E se interpretamos os sinais errados? E se Ir’Zhun Fiore estiver errado sobre a vontade de Zhun?

-Agora é tarde, mas não tem como Ir’Zhun e os Iruys terem errado todos os sinais de Zhun,Ongle. Zhun sempre derrama seu ceen em você, Ongle. Você será Zhun’dy anos e mais anos, anos cada vez mais iluminados por Zhun, não tema. Voltarei para você, e teremos longos anos juntos. As famílias se reunirão  em seu domínio, e todos receberão o ceen Zhun através de você.

As palavras de Rielo eram belas, talvez verdadeiras, e a consolaram momentaneamente, mas quando Zhun se escondeu, as dúvidas e angústias retornaram. Ela não deveria ter aceitado o presente de Riv Salfoy, a morte da mãe fora um aviso claro, mas ela e seus conselheiros o ignoraram. Saiu dos braços de Rielo, se vestiu e foi a Meer’Zhun em busca de consolo. Como que Rielo buscaria Zhun, se  Zhun não brilhava em Ecier e Uday? Encontrou um Iruy dentro de Meer’Zhun.

-Tuv ceen Zhun, Zhun’dy Ongle.

-Rá nionins fen eman Zhun?
    -Tuv eman Zhun.

-Posso te perguntar algo? 

-Minha vida e eu pertencemos a Zhun e a Zhun’dy. Pode perguntar o que quiser, mas não sei se saberei responder- respondeu o jovem Iruy.

-O que você teria feito em meu lugar? Em relação ao presente de Riv  Salfoy.

-Eu faria a vontade de Zhun sobre o assunto.

-E como você saberia a vontade de Zhun? Como você saberia que o seu desejo não estaria interferindo no propósito de Zhun?

-Zhun é bom, e envia seu cenn para evitarmos tropeçarmos. Envia seu ceen para que possamos ler seus desígnios e propósitos.

Ongle não ficou satisfeita, mas teria que se contentar com aquela resposta. Queimou um  incenso e fez uma prece, e voltou para a cama, para os braços de Rielo.

A corte amanheceu no porto, tanto Rielo quanto Ralfo partiriam naquela manhã. O barco que levaria Rielo se chamava O Mercador. Era um barco Alemar, com velas ecierenes ordinárias, que não chamaria atenção, não possuía nenhum detalhe que se destacava, e Rielo, vestido com as roupas de Ecier, parecia um marinheiro qualquer. Já o barco de Ralfo, Ave de Canela, era tão metido e vaidoso quanto seu irmão. Ongle se despediu com um abraço de seu irmão, assim como seus companheiros, Filpo e Aidana. Já Rielo ganhou um beijo, um abraço e lágrimas. Ambos juraram em Zhun que fariam tudo que estivesse ao alcance deles para Ongle atingir seus objetivos.

Ongle ficou observando os barcos partirem em busca de novos horizontes, quis chorar, estava com medo e arrependida. Até que ela olhou para o céu anil,e viu Zhun, e Zhun iluminava tudo que Ongle conseguia olhar, ele derramaria seu ceen em tudo que Ongle via, inclusive em Rielo. E neste momento, Ongle se sentiu reconfortada.


Notas Finais


E aí? O que acharam?
Gostaram da decisão dela? Ou a repudiam? Hahaha
E os sentimentos de culpa?

Vocês já sabem, mas não custa repetir : sugestões, comentários, críticas, teorias, só comentar aqui. Terei prazer em responder, desde que não seja um spoiler hahah.

Bom final de semana adiantado.


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