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História Terras Cinzentas - Capítulo 21


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Notas do Autor


Olá leitores, como estão?
Conforme eu tinha dito alguns dias atrás, quando chegássemos em 300 visualizações, teríamos mais capítulos lançados na semana.
E nesse final de semana, chegamos a marca de 300 visualizações!
Estou muito contente com isso. E para comemorar, postarei hoje, amanhã, quarta e quinta,.
Nesse capítulo temos os primeiros registros das viagens que Zhun'dy Ongle organizou.
Boa leitura

Capítulo 21 - As Colinas de Lelite


 

Filpo ainda sentia o beijo de Suza em seus lábios, o beijo dela era cheio de coragem,e o fazia ser uma pessoa melhor, ao contrário de Ralfo, que despertava nele os piores sentimentos. Filpo não queria mais conviver com Ralfo desde que começara a desfrutar a companhia de Suza, mas Zhun’dy Ongle o fizera ser um dos com companheiros de viagem de Ralfo, juntamente com a misteriosa Aidana.

A viagem começara com eles navegando pelo Mar virado, entre Zhun’Hom e Pedinink, em um barco chamado Ave de Canela, um nome estúpido na opinião de todos os membros da viagem. Aidana sugerira que eles dessem a volta em Pedinink de barco, seria uma viagem mais rápida que uma jornada a pé ou em lombo de zebras, afinal, eles iriam transportar uma enorme quantidade de presentes. Mas ainda assim, eles iriam pela terra, seria mais seguro, pois em Fenceen não havia um bom lugar para atracar, afinal a costa era muito pedregosa, e longe da praia,era muito profundo. Por isso estavam viajando pela terra.

No mar virado, Ralfo havia passado metade da viagem na cabine, ruim da barriga. E Filpo tentara aprender algumas coisas sobre Aidana, e descobrira apenas que ela mantinha o sagan perfeitamente equilibrado e que dava um nó muito eficaz no queixo. Outra coisa que ele descobriu, foi que Aidana era irmã da companheira de na’Salfoy, e tentou descobrir mais coisas acerca do estrangeiro, mas não descobriu nada. 

Filpo ainda não entendera exatamente o que Aidana fazia com eles, tinha a sensação de que ela fora enviada por Ongle para fazer relatório das más decisões e atitudes de Ralfo. Aidana era um mistério, apesar de ser amiga de Suza, ele não conseguia a desvendar. E isso o incomodava profundamente. Ele se queixara para Suza que ele não conseguia entender Aidana, e Suza respondera que era melhor assim.

Quando chegaram a Pedinink, foram recebidos pela Trest de Goitan, na’Rabadafa, e eles receberam homenagens e banquetes, e Ralfo dançou várias músicas com a filha de na’Rabadafa, na’Hareda, uma moça gentil,mas aparentemente um pouco tola, por se deixar levar pelos galanteios de Ralfo. E quando Filpo comentou a tolice da moça para Aidana,em uma tentativa de ganhar simpatia e confiança, ela respondeu que não tinha como julgarem a moça por se encantar com Ralfo, afinal ela não o conhecia. E isso foi o mais perto que Filpo chegou de Aidana falar mal de Ralfo.

Na cidade e banquete seguintes, foram recebidos por Trest na’Nedir, e por seu filho com o mesmo nome, o que Filpo achou estranho, já que na’Nedir era mulher. Ele nunca havia reparado quantas Trests haviam em Pedinink, mas talvez fosse um reflexo da grande Praga. No banquete oferecido por na’Nedir, o filho na’Nedir dançou muito tempo com Aidana, depois eles foram caminhar pelo jardim, e neste momento Filpo sentiu muita falta de Suza. E quando, posteriormente, Filpo perguntou sobre na’Nedir para Aidana, não recebeu respostas conclusivas.Só que o rapaz era gentil e valente, e que elogiara o sorriso dela. Era verdade, Aidana tinha um sorriso que valia a pena ser admirado quando aparecia. 

Ralfo reclamou de ambos os banquetes, que ou a comida estava fria, ou que ela estava apimentada, ou que o peixe não estava feito de uma forma adequada. Reclamou dos doces, das bebidas, das músicas e da roupa dos convidados. Nada estava bom para Ralfo. Seria por isso que na’Ongle o mandaria para administrar as Terras de Ecier? Para que ele sentisse falta de Alemar? Ou que ele, em suas constantes reclamações, acabasse por transformar Ecier em uma nova Alemar? Por favor, Zhun, não me mande para Ecier com Ralfo...Tenho tentado me tornar uma boa pessoa, e o amor de Suza tem me ajudado nisso...Ela não irá se separar de Ongle, e eu não quero me separar dela.

Pouco tempo antes de entrarem nas colinas de Lelite, com na’Nedir, na’Hareda, e vários na’ards e acompanhantes diversos, Filpo mandou uma carta para Suza. E no fim, perguntava o que ela sabia sobre o passado de Aidana ou Erine. Os herdeiros Trests que foram, iam para dar mais importância e relevância para Ralfo e sua jornada. E isso estava incomodando Filpo, pois mais gente significava uma marcha mais lenta.Não que houvesse pressa, mas não estava gostando da demora, isso significava mais dias longe de Suza.

As colinas de Lelite eram lindas, brilhavam em tantas cores como um arco íris quando Zhun brilhava no amanhecer, elas eram pedregosas, mas seus vales transbordavam vidas nas margens de seus rios, e todos os dias eles pescavam peixes fluviais e os comiam, e Filpo preferia peixes de água salgada, eram mais saborosos.  

Pelas colinas e vales eles avançavam devagar, Filpo e um na’ard chamado Marlon, que tinha a índole parecida com a de Ralfo, iam a frente. Depois vinha na’Neri, o filho, e Aidana, depois Ralfo e na’Hareda, que compartilhavam  a comida, a manta a noite e beijos. Depois vinham os na’ards, e por fim, os servos com as bagagens e presentes. O grupo fazia barulho e afastava a caça.E não raras vezes, cantavam músicas, ora deliciosamente obscenas,ora músicas populares de amor,e pelo menos uma vez ao dia, uma canção religiosa, fora as canções que cantavam nas preces. Quem quase sempre puxava as músicas era Ríbio, um na’ard muito eficaz,e que sempre pegava os peixes e os limpava. Era a companhia que Filpo mais gostava. Por isso, um dia,antes de começarem a jornada,Ríbio puxou Filpo para um canto e disse:

-Acho que Aidana está escondendo alguma coisa, a vi escrevendo uma carta.

-Para quem?

-Não sei ler- era óbvio que Ríbio não sabia ler, como Filpo pudera ser tão tolo ao fazer essa pergunta? Na verdade, Filpo estava surpreso de Aidana saber escrever.

Ele agradeceu Ríbio, e foi procurar Aidana, que estava perto da gaiola de pássaros.

-Para quem é a carta, Aidana?

-De que carta você está falando? 

-A carta que você escreveu.

-Não escrevi nenhuma carta.

-Ríbio me disse que te viu escrevendo,e agora a encontro próximo a gaiola dos pássaros, no mínimo é suspeito. Você me mostrará a carta, ou terei que chamar Ralfo,e a revistar a força?- por favor, escolha a primeira opção, por favor, iria odiar ter que te humilhar e te revistar.

-Não tenho como mostrar, já a enviei através dos ares- apontou um ponto pequeno do céu, e Filpo ficou  bravo, mas muito bravo, não com Aidana, mas sim com os demais. Como uma moça conseguira enviar uma ave através das colinas e através do mar, e ninguém ter visto?! Eles eram tolos ou incompetentes?! Pois se uma moça simples como Aidana conseguia enviar uma ave embaixo do sagans de todos eles, facilmente eles poderiam ser mortos pelos Fenceen em uma armadilha. 

-Você é mais esperta que eu pensava, afinal, conseguiu enviar uma ave debaixo do sagans de todos, e ninguém viu… 

-Só Ríbio- ela sorriu.

-Sim, mas ainda assim, ele viu a carta, mas não conseguiu te impedir de a enviar. A carta é para Ongle, sim?- ela concordou com a cabeça.- Não irei brigar com você, ou contar para Ralfo, afinal, você conseguiu enviar uma carta com discrição- olhou para o céu, e não viu mais a ave.Suspirou antes de continuar- você está enviando relatórios para Ongle desde onde? 

-Desde que desembarcamos em Pedinink. 

-Achei que si. Desconfiei de você desde o princípio, mas ainda assim, você foi mais esperta que eu. Aliás, conte para Ongle que você enviou uma carta para ela em plena face de Zhun, e que ninguém viu. Diga que ela enviou tolos para tratar dos Fenceen.

-Não direi isso a ela.

-Não achei que você fosse fazer. Mas me mostre a próxima carta antes de enviar… Ela não confia no irmão… Por isso que ela nos mandou para cá com ele... Se ela confiasse, ele que teria ido para Uday…

-Não sei...Talvez nunca saberemos as respostas para nossas dúvidas sobre Zhun e sobre seus Zhun’dys… E talvez isso seja melhor, podemos perder a fé se soubermos de todas as respostas…

-Quero que você me veja como um amigo, não aqui, até um tolo como Ralfo desconfiaria de algo se ficassemos próximos agora. Mas quando voltarmos, desejo que sejamos amigos. 

-Poderemos ser.

Depois deste breve diálogo com Aidana, Filpo ficou pensativo sobre o que Ongle realmente queria…  Ongle queria Ecier, e poderia conquistar facilmente usando somente as forças Alemar, não precisava dos Fenceen. Mas ainda assim ela estava mandando Ralfo...o que isso significava? Ela poderia conquistar Ecier sacrificando o menor número de alemar possíveis, se colocasse os Fencen para lutar na linha de frente… E como Ralfo que estaria fazendo a aliança, ele que iria os liderar… Era uma forma sutil de Ongle se livrar de Ralfo... Outra possibilidade, era que os Fenceen se irritassem com a proposta, e matassem todos eles. Ongle não perderia poder, e ainda se livraria da ameaça de Ralfo. Era uma armadilha para Ralfo. 

O que Filpo deveria fazer? Poderia falar a verdade para Ralfo, mas o que ele ganharia? Apenas tiraria dos seus ombros a responsabilidade… Mas fora a verdade, não ganharia nada, somente perderia.  Ralfo não teria como o recompensar pela verdade, e Ongle não o recompensaria por ter revelado os planos dela para Ralfo. A verdade para Ralfo estava fora de consideração. 

Deveria revelar para Ongle que sabia a verdade, e que estava do lado dela. Sim, faria isso, era a única possibilidade de glória e louvor futuro.  Pediria a proteção de Ongle, e iria pedir o presente que ela prometera no dia da morte de  Zhun’dy Singla, o presente de qualquer coisa que estivesse ao alcance de Ongle. Pediria o presente do perdão.

Procurou Aidana no início da noite, e a levou para um canto afastado, deixaria que os outros pensassem que eles iam se deitar juntos. Mas pegou discretamente um pedaço de papel e tinta.

-Descobri o motivo de Ongle estar nos mandando para os Fencenn. Ela quer a morte de Ralfo. Ou os fenceen o matarão, ou os Ecier, quando desembarcarmos nas terras chuvosas. Preciso contar para ela que descobri a verdade, pois só assim terei proteção. Me ajude, para que a gente se salve.

-Como assim?

-É uma armadilha para Ralfo, e eu que sempre estou com ele perecerei!Me salve!

-Cale a boca!

-Como assim? Você tem que me salvar.

Ela colocou a mão dela na boca de Filpo, e apontou algo entre as rochas, era uma cabeça. Alguém ouvira a conversa. Por favor, que seja Ríbio, mas Ríbio não se esconderia. Alguém ia contar a verdade para Ralfo. Filpo e Aidana tinham que fazer algo, e depressa. Filpo pegou o material de escrita, e rabiscou um recado, Ongle, descobri a verdade sobre a ida de Ralfo para os Fenceen, não contarei para ele, em troca quero sua proteção, para mim e Aidana. E Aidana enviou a ave pelos ares.

Voltaram para o acampamento, e viram na´Hareda falando algo para Ralfo, provavelmente a verdade, uma variação dela que incriminaria ainda mais Filpo. Como ele poderia pedir perdão para uma traição tão fria e vil? Estava condenado, e seu sangue mancharia ainda mais as coloridas colinas de Lelite. Mas para a surpresa de Filpo, Ralfo começou a rir. Ou era Ralfo não levara o perigo a sério, não acreditara na traição…

 -Gostei da piada, Hareda- . Filpo estava certo, e na’Hareda era tola,e não ouvira, ou não entendera a traição.-Gostaria que você contasse para todos.

Filpo estava tão aliviado da traição não ter sido descoberta, que não conseguiu prestar atenção a piada, mas sabia que envolvia um jarro de mel, e um bordel. Fazia sentido Ongle querer se livrar de Ralfo. Ele dizia em boca pequena que gostaria de pegar o trono da irmã, pois ela tinha um sangue sujo, de água. E se cercava de imbecis, na verdade, o próprio Filpo era um imbecil também por andar com Ralfo.

Filpo passou os dias restantes da jornada até Fenceen preocupado que Ralfo descobrisse a verdade, ou a traição, mas nem uma coisa, nem outra aconteceu, pela graça de Zhun. Filpo não falou mais com Aidana, mas ela sempre dava um jeito de mostrar os recados que enviava para Ongle. Aidana era bem mais esperta que aparentava. 

E todas as noites ele rezava a Zhun, agradecendo a burrice de Ralfo, e pedia também que a ave chegasse até Ongle, e que ela mostrasse misericórdia.


Notas Finais


Olá
O que acharam? Já temos bastante história até agora: tempo de fazer suas teorias. As deixem nos comentários, terei prazer em as responder.


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