História Terrible Love - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Hashirama Senju, Madara Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Mito Uzumaki, Naruto Uzumaki, Obito Uchiha (Tobi), Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Tobirama Senju, Tsunade Senju
Tags Madasaku, Naruto, Romance
Visualizações 60
Palavras 7.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OBS: eu sei que Tsunade é neta de Hashirama. mas para a historia ter coerencia eu fiz ela como se fosse filha dele, okay???????????
bjos espero q gostem <3

Capítulo 3 - Afterparty


Já se passaram dois dias desde que Madara fez toda aquela cena. Reencontrei com meus amigos na praça, nos divertimos, contamos piadas... Tudo está indo bem. Exceto pelo Madara. Nas últimas quarenta e oito horas eu não vi sequer um sinal de vida naquela casa. Nada. O cachorro continuava irritante com os pombos, mas nada de Madara.

Felizmente está tudo se ajeitando e estou prestes a conseguir um emprego na cafeteria na qual ando tendo o costume de me encontrar com Tobirama. Isso mesmo. Estamos nos encontrando ultimamente.

Ele parece estar gostando de mim, e isto pode se tornar um problema. Ele é mais velho, é conhecido, e eu ainda tenho o Madara em mente. Ainda não consigo me esquecer de seu beijo ardente e intenso. Ele é intenso por completo. Mas eu estou gostando de conhecer Tobirama.

O dia hoje infelizmente é de chuva, e cá estou eu deitada em minha cama, entediada, olhando para o teto. Não sabia o que fazer, e esta maldita cidade em tempos de chuva, consegue  atrapalhar o sinal da TV. Nem vou falar sobre internet. Aqui encontrar um sinal é raridade, Shikamaru disse uma vez.

Levantei-me, ainda de pijama, e fui bisbilhotar na janela. Procurando algum sinal de Madara. Devia ser umas cinco horas da tarde.

Sorri de felicidade. Coração acelerou. Ele estava lá. Via de longe na janela uma luz acesa. Eu queria ir lá, bater na porta e abraça-lo. Não sei porquê. Afinal, eu estava começando a odia-lo, não? Nos beijamos somente uma vez e ele não é lá um exemplo de homem. Mas eu queria vê-lo. Beija-lo novamente. Troquei-me rapidamente, desci as escadas, e abri a porta da sala. Merda. Ainda chovia. Coloquei minha capa de chuva transparente, botas de chuva, e enfrentei a chuva e o vento frio. Era novidade aquela cidade quente e abafada estar fria e chuvosa.

Fui até a casa ao lado e toquei a campainha. Estava muito ansiosa. E com medo de ser rejeitada de novo.

A porta abriu-se. Era ele. De início ele olhou reto, afinal era mais alto. E depois ao perceber que sua visita era baixa demais, abaixou o olhar para mim. Seu olhar era tão frio quanto as cidades do Alasca.

- O que quer? – perguntou-me indiferente.

Tinha que fingir que eu não estava ansiosa demais em vê-lo. E que não fui ali só para isso.

- Seu cachorro. Latiu demais. Ele me atrapalhou a dormir...– menti. Será que eu sou boa em mentir, assim como ele?

- Que pena. A garota mimada da cidade grande não teve seu sono de princesa? – ironizou. Franziu os cenhos.

- Não sou mimada. Só incomodou. Você não estava aqui para perceber isso? – era uma forma indireta de saber aonde ele estava. E se ele realmente estava aqui. Quarenta e oito horas com janelas e luzes apagadas. Não que eu tivesse reparado...

- Estava viajando. Sentiu saudades? – sorriu malicioso.

Revirei os olhos e sorri de canto.

- Não. – menti de novo.

- Claro. Estava em boa companhia. Tobirama tem sido seu grande amigo? – era possível ele estar com ciúmes até hoje? E ainda negar? Dessa vez ele estava disfarçando muito mal.

- Não vai me chamar para entrar? – perguntei – Podemos conversar sobre este incidente.

- Não. – ele foi curto e grosso. Abri a boca espantada. Ele era muito franco.

- Por quê? Madara, dias atrás você queria se aproximar de mim. O que aconteceu? Qual é esse teu problema com Tobirama?!

- Não interessa. Percebi que perdi tempo contigo. Agora vá embora. Estou com frio e quero dormir. – ele ameaçou fechar a porta. Desta vez fiz como ele. Coloquei o pé interrompendo fechar a porta. Mas eu não escondi minha dor em tal ato. Contorci o rosto com dor. Ele tinha disfarçado melhor...

- Você é tão irritante... – ele abre a porta. Agora meu pé não estava sendo machucado. – Entre logo, droga. – ele me deu abertura. Entrei constrangida. Será que fiz certo? Sempre meus pensamentos me aconselham a desistir dele e cair fora, pois será desastroso. Mas eu sempre ignoro. – Tire as botas, não quero meu chão sujo de lama. – eu o obedeci e tirei. Eu estava de meia, e fiquei apenas de meia pisando sob o chão de madeira.

Ele andou em minha frente e eu observava cada detalhe de sua casa. Ao contrário do lado de fora, ela era bem mobiliada e moderna. A cozinha e a sala era dividida com um balcão de mármore preto. A sala possuia uma televisão de talvez cinquenta polegadas, e um sofá em formato de L, grande e preto. A casa era toda escura, assim como a parte de fora. Mas era bonita. Só por dentro.

Pude notar em uma mesinha da sala, molduras prateadas de fotos. Provavelmente seria sua família. Comecei a prestar atenção lá. Vi Madara e um garoto extremamente parecido com ele. Ambos sorriam e pareciam felizes. Madara era criança, talvez com uns treze anos. Nas outras fotos, eu não sabia distinguir quem era quem. Eram super parecidos, e seus rostos eram sérios, ao contrário de sua foto com o outro garoto.

- Este é meu irmão. – ao ouvi-lo eu dou um pulo de susto. Estava concentrada demais em observar as fotos. Voltei o olhar na foto dos dois garotos felizes.

- Ele mora onde? – perguntei curiosa.

- Ele está morto. – disse infeliz. Meu coração apertou-se em ouvir aquilo. Seria por este motivo, que Madara era tão amargo?

- Sinto muito... de verdade...

- Eu não sinto. Não mais. – agora ele sentou-se no sofá. Acomodou-se e encostou a cabeça no encosto.

- Qual era o nome dele? –perguntei.

- Izuna. Izuna Uchiha. – respondeu-me. Ele estava com os olhos fechados, relaxando.

- Oh... deve ser triste perder o irmão... você parecia feliz com ele...

- Eu era mesmo. – pude entender que ele queria dizer que ele era realmente feliz. E não é mais.

- Do que ele morreu? – perguntei – Me desculpe – não queria ofende-lo. Logo me desculpei em saber que eu era curiosa e idiota demais.

- Assassinado. – ele respondeu apenas isto.

Saí de perto da mesinha com fotos e fui devagarosamente até o sofá. Sentei-me em silêncio. Não queria atrapalha-lo. Ele continuava de olhos fechados.

Fiquei o observando de longe por alguns minutos. Até parecia que ele estava dormindo. Observava cada traço de seu rosto, e a cada detalhe, mais obcecada eu ficava. Madara era um homem misterioso e indiferente, totalmente o oposto do que eu queria para a minha vida. Apesar de Sasuke não ser tão diferente. Mas Madara consegue ser “pior”.

- Veio aqui para ficar me olhando? Sou tão lindo assim? – perguntou ainda de olhos fechados.

- Você é um idiota. E não. Eu queria ainda saber porquê agir assim comigo. Você não estava assim.

- Quem acompanha Tobirama, não merece minha atenção. Está sendo sortuda em ficar aqui.

- Ele fez algo tão sério assim, para você odia-lo tanto?

- Ao meu ver, sim. Provavelmente ele irá te contar uma versão boa, uma versão em que ele é o bom da história. Mas claro, eu não ligo. Não quero saber de você. – ele abre os olhos e me fita. Ele sempre é sério e indiferente, mas agora ele estava mais que o normal. Seu olhar era penetrante. – Que sejam felizes.

- Eu não tenho nada com Tobirama! Somos apenas amigos! – exclamei.

- Amigos por enquanto. Ele é outro idiota. Se me acha um cafajeste, imagine ele. Não vai demorar muito para abrir as pernas para ele.

Me levanto irritada.

- Você é pior, Madara! Não sabe tratar uma mulher! Acha que não ouvi aquele dia, que foi em minha casa? O jeito que tratou aquela moça? E veio até mim, achando que eu lhe daria uma chance. Você é pior. Ele pelo menos me trata bem, é educado e me respeita. – respondi com verocidade. Ele havia passado dos limites. Eu infelizmente estava gostando dele, mas cada vez que ele abria a boca, mais eu queria atingir um soco nele.

Madara levanta-se e vai até mim em passos lentos. Eu tremia de medo. Eu estava na casa dele agora, qualquer coisa poderia acontecer, e ninguém veria. Minha mãe não chegaria para me salvar. Talvez o cachorro dele, mas acho que ele iria preferir me comer.

- Ela era uma puta. – respondeu-me – Achei que você fosse abrir as pernas na primeira oportunidade. Mas infelizmente me enganei. Acho que eu terei de ser idiota e brega como Tobirama para fisga-la.

- Eu me arrependi de ter vindo aqui. Achei que podíamos nos entender, mas você é um babaca. – dei as costas para ele e fui até a porta. Olhei para trás e o vi sorrir maldoso. Ele parecia ganhar a vida irritando e magoando os outros.

- Achou errado. – ele repetiu as mesmas palavras que ele disse no dia em que expulsou a outra garota. Ele estava fazendo aquilo para me atingir, como se eu fosse igual a ela. Mas ignorei botei minhas botas; e fui embora. Bati a porta com força e voltei para casa.

Revirava na cama pensando no homem do olhos cor de ônix, no seu jeito de falar, na sua voz. Estaria eu me apaixonando? Eu não posso. Não por ele. Ele não é homem para isso.

Queria afastar meus pensamentos de Madara, então  lembrei-me de que Temari havia me dito que a noite eles se reuniam em uma espécie de bar, no centro da cidade. Era um bar familiar, com canções de rock e blues. Eram meus estilos musicais favoritos. Eles já haviam me convidado, mas sempre recusei por preguiça. Eu nunca tive o costume de frequentar bares. Somente casas noturnas; mas pelo visto esta cidade está longe de ter uma.

Coloquei uma saia listrada e um cropped preto. Coturno preto e uma maquiagem escura. A maquiagem escura realçava meus cabelos rosas. Já fazia um tempo na qual eu não havia me arrumado tão bem assim. Mas eu queria ficar com algum garoto, esquecer-me de Madara, e talvez eu me arrumando, eu consiga algum garoto. Saber que eu nunca havia transado e só tinha ficado nos beijos, me deixava irritada. Talvez conhecendo algum garoto as coisas mudem aqui. Talvez Tobirama esteja lá...

Desci as escadas e vi minha mãe na cozinha.

- Aonde vai? – ela me viu e deu um sorriso brincalhão.

- Vou para aquele bar da cidade. Meus amigos me convidaram. – eu havia contado à ela que havia conhecido ótimos amigos, e ela ficou feliz por mim. Diz ela que ela já conhecia a família de alguns deles.

- Aproveite, e juízo. – ela sorriu. Mãe... juízo é uma coisa que eu pretendo perder hoje.

Saí de casa e fui andando até o bar. Olhei de canto a casa dele. Silenciosa como sempre. Revirei os olhos e continuei caminhando. O ar estava quente agora, e eu nunca vou entender as mudanças repentinas do clima desta cidade.

Cheguei até em frente ao bar. Era grande e possuia luzes brilhantes nele. Eu nunca havia notado. O nome do bar era Eagles.

Havia uma fila grande para entrar, então impacientemente esperei na fila. Econtrei com meus amigos na fila e sorri em vê-los. Não estava sozinha. Temari como sempre falava muito. Havia dois outros novos integrantes neste grupo de amigos, cujo os nomes eram Chocho e Kiba. Kiba era um garoto bonito. Chocho era um garoto gordinho e adorável. Não que isso fosse algo importante. Mas ele era adorável. Conversávamos na fila e pude ver em frente um cabelo negro e espetado. Tentei ver se era quem estava pensando, mas desisti, pois devia ser algum outro maluco com cabelos espetados. Tem louco para tudo nessa cidade.

Entramos no bar e ele estava cheio. Perguntei-me para mim mesma como tantas pessoas estavam naquele bar, sendo que a cidade parecia ter nem mil habitantes. O som de fundo era um blues gostoso, e eu estava me deliciando com aquilo. Bebia algumas doses, nada em excesso, afinal eu havia acabado de fazer dezoito anos. Não tinha o costume de beber muito.

Dançavamos, ríamos, bebíamos... eu me sentia feliz ali. Fazia tempo que não tinha me divertido tanto. Comecei a flertar com um homem de cabelos cinzentos; ele não parecia ser tão velho. Devia ter uns vinte e poucos anos. Era bonito e seu sorriso era bonito também. Seus cabelos eram jogados para trás, o que deixava ainda mais sexy.

Ele me olhava e eu o olhava, e depois desviavamos os olhares. Até que decidi ir até ele. Acho que a bebida tomou conta de mim.

- Ola, mocinho. – apesar de eu saber que ele era mais velho que eu, queria provoca-lo.

- Olha, mocinha. – respondeu-me com uma voz sexy – O que a traz aqui? – ele me olha de cima a baixo, mordendo os lábios. Desta vez eu gostei de ser olhada dessa forma.

- Queria conhecê-lo melhor... – coloquei minhas mãos em seus braços. Por céus, a  bebida estava tomando conta de mim.

- O que acha de irmos para um lugar reservado? – ele sugere. E sabia o que ele iria querer. Mas eu não queria. Não com ele. Eu iria aceitar apenas para dar-lhe uns beijos, e cair fora assim que ele tentasse algo a mais.

- Boa ideia. – levantei-me e eu o segui. Fomos para perto dos banheiross, mas ficamos na parte de fora. O som era abafado, agora mudando de gênero, tocando The Neighbourhood.

- Espere. Qual seu nome? – perguntei para o homem.

- Hidan. – respondeu já indo com seus lábios em direção à minha boca. Colocou suas mãos em meu rosto, e começou a me beijar. Seu beijo era gostoso. Nos beijávamos intensamente, por vezes ele me acariciava e colocava suas mãos em minha cintura.Tentou duas vezes colocar sua mão por baixo da minha sala, mas não permiti. Nessas horas, ele voltava a colocar a mão em minha cintura.

- Venha. – ele segurou minha mão, guiando-me para o banheiro masculino. Parei de andar, e ele olhou-me intrigado. – O que foi?

- N-não. Vou indo. – soltei sua mão e dei as costas. Ele me virou e insistiu.

- Venha, vamos, você estava gostando. – volta a segurar minha mão.

- Eu já disse que não. – determinei. Afastei-me e olhei firme, para que ele entendesse.

Hidan sorriu travesso e continuou puxando-me.

- Sei que se faz de difícil, venha logo.

Eu negava com a cabeça e o empurrava, porém ele era forte demais. Ninguém estava por perto para que eu pudesse pedir ajuda. Mas que merda, ninguém vai ao banheiro aqui não?

Ele começava a usar mais força, e aquilo estava me dando medo. Ele queria levar-me a força ao banheiro. Comecei a tentar arranha-lo, mas nada. Ele era forte demais para se incomodar.

Eu estava consciente de que não queria ir, mas estava bêbada demais para conseguir ver algo direito. Eu o via me puxar, mas o lugar era escuro e o som era abafado. Pela primeira vez eu estava bêbada. E com o cara errado.

Alguém o empurrou com força e eu caí de bunda no chão, devido a força que eu fazia para sair de perto dele. Hidan quase caiu dentro do banheiro feminino, devido a força bruta da outra pessoa. Tentei olhar para quem era, mas não conseguia. A sombra era alta, então provavelmente era um homem. Seria algum de meus amigos? Forcei a vista para enxergar, e nada. Vi o vulto de Hidan se levantando e indo para cima do tal homem, mas foi em vão. O homem deu-lhe um soco em Hidan, que caiu no chão. Creio que esteja inconsciente, pois Hidan não levantou mais.

O tal homem segurou em meus braços e ajudou-me a levantar. Levantei cambaleando, mas ele me segurava. Eu queria ver quem era mas não conseguia. Tudo estava rodando. Vomitei nos pés do tal homem Joguei tudo. Senti o suor frio vindo pela minha nuca, e eu soltei tudo que me fazia mal aqui dentro. Vomitei e levantei, tentando olhar aos olhos do homem para agradecer e pedir desculpas. Nunca mais irei beber na minha vida.

- D-desculpa... – pedi as desculpas toda zonza. Eu não sei se ele entendeu o que eu disse, pois eu falei tão confusa que nem eu entendi direito. Só sei que eu tive a intenção de falar.

O som alto abafava tudo que eu dizia. E consequentemente me atrapalhou em ouvir o que o homem me respondeu.

- Cale a boca. Já fez merda demais. – o homem me tirava dali com força, mas não tanta força. Eu estava um pouco pesada, pois não tinha forças mais em minhas pernas. Estava muito envergonhada. Estava torcendo para ser um de meus amigos.

Torci também para que ninguém me reconhecesse depois. A garota nova da cidade totalmente bêbada aos braços de um desconhecido. Minha mãe me mataria.

Saímos do bar; apesar de eu ainda não conseguir vislumbrar direito o que se passava. Sei que saímos pois o som estava cada vez mais distante. O homem impaciente pegou-me no colo e me colocou em um carro. Eu já estava ferrada demais. Vai saber se era algum estuprador? Ele me salvou somente para tentar me estuprar de vez, igual o tal de Hidan queria? Ele nem sequer tinha boas intenções, talvez.

Mas e se for Tobirama? Eu estaria em boa companhia. Mas ainda sim não conseguia olhar direito para o homem. Tudo rodava. Cansei de tentar olhar em minha volta, meu estômago estava prestes a revirar de novo. Eu não vou vomitar no homem que me salvou de novo. Pelo menos não agora.

Acabei adormecendo.

 

Acordei. Estava deitada em uma cama de casal. Não era a minha cama. O quarto estava com janelas fechadas, e as paredes eram brancas. Somente uma delas possuía uma cor meio bordô. Me espanto em saber distinguir cor, afinal estou com uma ressaca do caramba. Minha cabeã doía horrores. Sentei-me na cama e comecei a analisar o quarto. Aonde estou?

Era um quarto simples. Uma cama de casal, um abajur, uma janela com cortinas pretas... e um quadro com um símbolo esquisito na parede. O quarto tinha uma porta que ligava-se para um banheiro. Era uma suíte.

Comecei a me apavorar. E se eu estiver na casa de um psicopata e ele me fazer de refém? Queria me levantar da cama, mas novamente meu estômago começou a embrulhar-se. Corri para o banheiro e vomitei na privada, vomitei muito mesmo.

Dei descarga e fui me olhar no espelho. Eu estava horrível. Minha maquiagem estava toda borrada. Eu estava sem tênis. Provavelmente o tal homem os tirou. Minha roupa continuava em meu corpo. Isto talvez seja um bom sinal.

Saí do quarto e me espantei com o que vi. Ou melhor, com quem vi. Era Madara. Era ele então o homem que havia me salvado de Hidan. Ele que me ajudou.

- V-você? – me aproximei dele devagar. Ele continuava imóvel. Me olhava desgostoso.

- Você me deu trabalho. – respondeu ele ignorando minha pergunta. Claro, foi uma pergunta besta. Lógico que foi ele.

- M-me desculpe. Eu bebi demais e... – tentei me explicar, mas ele me cortou.

- Foi aos braços de um qualquer, podia ter sido estuprada; afinal estava sob efeito da bebida. Foi uma irresponsável. E ainda vomitou nos meus sapatos. – eu dei uma risadinha ao ele falar isso. Mas pude ver a expressão dele. Ele não gostou nem um pouco de os sapatos dele estarem sujos de vômito.

- Não foi por querer... eu bebi demais... não irá se repetir de novo. Muito obrigada, Madara. – agradeci.

- Se fosse só nos meus sapatos, até ia. Mas foi no meu carro também. Está com um cheiro horrível de vômito. – ele me cortou de novo. Foi até seu guarda roupa e  pegou uma camiseta. Esqueci de citar que o deus grego estava sem camisa. E estava uma bela visão.

- Eu posso pagar pela limpeza dele... – sugestionei. O coitado além de me salvar, foi todo vomitado.

- Não preciso do teu dinheiro. Volte para sua casa e invente que dormiu em uma amiga. Não quero problemas.

- Você é sempre tão grosso assim? Eu estou te agradecendo, Madara. Se não fosse você, sabe-se lá o que aquele Hidan poderia ter feito...

- Eu sei muito bem. – respondeu frio. Ele ainda estava de costas para mim, vestindo a camiseta preta.

Eu também sabia. Infelizmente.

- Por quê me ajudou? – não pude deixar de perguntar. Logo ele, que parecia ter raiva de mim – sem motivos, logico - .

- Estava de bom humor. – virou-se para mim e me fitou – Você está  horrível. Parece um panda com essa maquiagem preta toda borrada. – falou sério.

Dei uma gargalhada alta. Apesar de ele ter falado sério, não pude deixar de rir dessa observação besta.

- Só quero te agradecer de novo, Madara. – me aproximei dele rápido e dei-lhe um abraço apertado – Você me salvou. De verdade.

Madara não retribuiu o abraço. Na verdade ele parecia surpreso com minha atitude. Ou talvez nunca tenha recebido um abraço sincero. Madara ficava com os braços abertos, como se não soubesse como reagir. Sorri em ver sua surpresa. Soltei Madara e o olhei.

Continuamos nos encarando. Ele era orgulhoso demais. Virou a cara para mim. Mas sei que ele gostou.

- Que seja. Não se acostume. E seja mais responsável. Não vai ser sempre que vou estar lá para te salvar. E também não vai ser sempre que eu vou estar afim de salvar alguém.

Dei um sorriso. Ele fingindo não se importar era até fofo.

- Vou indo. Que horas são? – afastei-me dele.

- Nove horas da manhã.

Gelei. Minha mãe deve estar furiosa comigo. Estou ferrada.

-Meu Deus! Minha mãe vai me matar! – corri para fora do quarto. Pude ouvir uma gargalhada logo atrás de mim. Ele parecia se deliciar com isso. Desci as escadas rápido. Nem tive tempo de olhar ao redor da casa. Corri para fora da casa e fiquei ereta. Tentaria voltar para casa como se nada tivesse acontecido. Apenas dormi na casa de uma das minhas novas amigas, convenci a mim mesma.

Fui andando devagar até em casa, com o coração acelerado. Estava muito ferrada.

Abri a porta e vi minha mãe sentada na mesa da cozinha com uma xícara de café na mão. Ela notou minha presença e levantou-se num pulo, correndo até mim e logo depois me abraçando.

- Sakura! Aonde você estava? Você está bem? O que aconteceu com sua maquiagem? Eu disse para ter juízo! – ela falou tudo de uma vez. Eu não sabia o que responder primeiro.

- Mãe... desculpe... – tentei pensar em uma mentira – Temari me chamou para dormir na casa dela, que era próximo do bar. Não queria recusar... estava com preguiça de voltar para casa. – sorri tentando parecer convincente.

Minha mãe suspirou aliviada.

- Achei que tivesse sido sequestrada... ou tivesse ido para a casa de algum rapaz... sabe como as coisas estão hoje em dia! – eu realmente tinha ido para a casa de um rapaz. Mas foi uma caso diferente.

- Não, mãe. A cidade é tão pequena, estas coisas não tem tanto perigo aqui. – sorri tranquila – Só dormi na casa de uma amiga.

- Continue achando que não tem perigo... – ela falou pensativa, ainda sim olhando para mim.

- E o que seria perigoso, mamãe?

Ela sai de seus devaneios e torna a me olhar consciente.

- Nada, Sakura. Apenas tome cuidado. – ela deu-me um beijo na testa – Vou ir trabalhar. Volto de madrugada. – ela faz uma cara triste – Tome um banho e tire esta maquiagem. Parece até um panda. – ela riu. E eu também. Lembrei-me de Madara falando isso mais cedo.,

Nos despedimos e subi as escadas, entrei no banheiro e tomei um belo de um banho. Tirei a maquiagem e senti meu rosto limpo. Nunca fui de colocar maquiagens carregadas. Ontem foi uma exceção. E me arrependo de ter ido. Lembrar do tal Hidan me forçando. Aquilo me deixava mal. O lado bom foi que estive na companhia de Madara. E fui salva por Madara.

Agora com um pouco de consciência comecei a sorrir ao perceber que havia dormido na cama de Madara. Estava tão mal que nem percebi no cheiro que tinha na cama. Queria saber o verdadeiro cheiro de Madara. Quem sabe um dia?

Madara teria um pouco de sentimentos em seu coração, para se preocupar em salvar alguém? Muitas perguntas passavam-se em minha mente.

Saí do banho e vesti um short e uma roupa de alcinha preta. Coloquei tênis, e desci as escadas indo até a cozinha para tomar um remédio; para que melhorasse minha dor de cabeça.

Decidi ir até aquela pracinha, na qual ando me encontrando com os meus amigos. Queria vê-los.

Saí de casa e como de costume, olhei para o lado. Para a casa dele. Como sempre silenciosa. Dei as costas e fui andando para a tal pracinha.

Na pracinha estava somente Temari e Shikamaru; o casal fofo da cidade.

Me aproximei deles.

- Será que atrapalhei o casal aqui?! – perguntei travessa. Os dois ficaram vermelhos de vergonha, e dei uma gargalhada por isso. Na nossa roda de amigos, todos provocam esses dois. E como sempre, os dois ficam sem graça com essas brincadeirinhas. Obviamente rolava algo entre os dois.

- Ora, Sakura, pare com isso. – Temari tentou desfarçar, um pouco irritada. Dei mais uma risada em perceber que consegui provoca-los. – Você sumiu ontem a noite com aquele homem. Você o conhece? Ficamos preocupados. – ela começou a ficar séria.

Mas que merda. Tinham me visto com Madara, então.

- E-ele é meu vizinho.Resolveu me ajudar. – respondi.

- Ajudar com o que, Sakura? Não que tenhamos algo a ver com sua vida. Mas somos amigos, então nos preocupamos com você. – dizia Shikamaru – E podemos garantir que Madara não é confiável.

Já era a segunda pessoa que havia me falado isso. Então realmente devo ficar alerta. Mas por quê?

- Eu sei... já me falaram isso... mas o que o faz não ser confiável? Eu ainda não entendo.

- Antes responda a pergunta dele. – falou Temari séria. Ela era do tipo daquelas amigas que defende suas amizades com unhas e dentes. E as protege com sua própria vida.

- Hm... – tentei me lembrar de tudo – Um tal de Hidan ficou me incomodando... – os dois se entreolharam ao ver que falei de Hidan – E Madara o separou de mim.

- Hidan? Aquele sem-vergonha? Ele não presta – disse Temari – Ele dá em cima de todas as garotas.

-  Ele já deu em cima de você? – perguntou Shikamaru.

Temari revirou os olhos.

- Não enche, Shikamaru. Enfim, Sakura. Me espanta Madara querer ajuda-la. Ele não é disso. Ele é o tipo de homem que incomoda mulheres.

Comecei a imaginar Madara fazer o mesmo que Hidan. E chegava a ser pior do que lembrar de Hidan tentando me pressionar.

- Não consigo imaginar ele fazendo isso... – falei.

- Muitos relatos de garotas da cidade dizem isso. Ele costuma pegar garotas da nossa idade; mas ele anda de caso com uma tal de Mei. Ele aparentemente não quer nada com ela além de... – ela olhou querendo explicar o que era. Mas eu entendi. – E ela parece ser apaixonada por ele.

- Quem é Mei? – perguntei. Quem é a mulher que Madara se relaciona? Quem ela acha que é para ficar com o meu Madara. Pareço doida, enciumada de um homem que nem meu é.

- Uma das professoras daqueles cursos que te explicamos. Ela dá aulas de química. Muitos escolhem a aula dela só para ficar perto dela. Ela é uma gata. – Shikamaru falou colocando os braços atrás de sua cabeça, relaxando. Mas Temari o acertou com um tapa nas costas.

- Como sempre  falando merda. – ela irritou-se.

Dei uma risadinha em ver a briguinha do casal.

- Entendo... mas eu não teria nada com ele, óbvio. Ele só me ajudou. – menti. Mas é claro que eu teria algo com ele. Mas fico triste em saber que minha concorrência é melhor que eu. Pelo que Shikamaru falou, essa tal de Mei é maravilhosa.

- O que aconteceu depois que ele te tirou de lá? – perguntou Temari.

- Vomitei em seus sapatos; depois ele me levou para o seu carro para me levar para minha casa. E vomitei em seu carro também. – dei uma risada. Ambos caíram na gargalhada ao ouvir aquilo.

- Merecido. Deveria ter vomitado na cara dele. – falou Shikamaru – Depois de tudo que ele já fez, deveria engolir vômito.

- Mas o que ele fez/faz de tão sério para odiarem ele tanto assim? – perguntei

- Ele é um esquisito. O clã Uchiha sempre tem pessoas problemáticas. E ele é um deles. Depois que seu irmão morreu ele ficou louco. Dizem que ele começou a participar de uma máfia; onde ele mata pessoas para ganhar dinheiro.

- Uma espécie de assassino de aluguel. – acrescentou Temari.

Matar pessoas.  Apesar de não me espantar tanto, visto a personalidade de Madara, nunca o imaginei matando alguém. Aquilo me incomodou um pouco. E se for verdade? Um assassino morando ao lado da minha casa? Um vizinho cujo estou quase me apaixonando? Que aquilo continue sendo só boatos.

- Ele já foi acusado de matar alguém? – perguntei.

- Muitas pessoas ricas desta cidade morreram. Geralmente em festas, para aumentarem as suspeitas. Mas Madara sempre estava lá como convidado. Não sei como o desgraçado ainda não foi preso.

- Mas por quê ele faz isso? – eu queria perguntar mil coisas de uma vez. Shikamaru e Temari, por morarem e ter nascido aqui, podem saber de muita coisa sobre Madara. Já que Madara não me fala, posso ficar sabendo por eles.

- Para ganhar dinheiro, oras. E também para saciar sua vontade de sangue. Dizem que ele bebe o sangue das pessoas que mata. – Shikamaru falou.

Temari o repreendeu batendo em seu braço.

- Pare de fantasiar, Shikamaru. Ele não é um vampiro. Só um psicopata mesmo. – falou Temari.

Eu ri daquela fantasia de Shikamaru.

- Do que o irmão dele morreu?

- Ele sempre acusou de que Tobirama havia o matado. Afinal os dois não se entendem. Mas foi decretado que ele foi assassinado por reagir à um assalto. Ele queria ferrar o irmão de Hashirama para se vingar. Ele odeia Tobirama. – falou Shikamaru.

- Mas por quê esse ódio pelo Tobirama? Tobirama é um homem tão bom... – ao contrário de Madara, eu não conseguia imaginar Tobirama matando alguém.

- Você tá querendo saber muito dele, em, Sakura? – provocou-me Temari – Está interessada no Uchiha? – ela sorriu maliciosa.

Fiquei envergonhada. Já  podia imaginar minhas bochechas vermelhas.

- Ora, claro que não! Só curiosidade mesmo... – menti. Ando aprendendo a mentir com Madara. E parece que meu professor é bom. Afinal, eles pareceram acreditar.

- Tobirama nunca confiou nos Uchiha. – Shikamaru começou a explicar – Sempre foram problemáticos. Antigamente todos moravam aqui. Havia uma mansão somente dos Uchiha. A delegacia da cidade é dos Uchiha. Permaneceram alguns, mas são boas pessoas. Os ruins, como Madara, Izuna, – lembrei de Madara dizer que Izuna era o nome de seu irmão – entre outros... foram embora. Madara ficou, infelizmente. E felizmente Izuna morreu. Era outro problemático.

- Quais problemas eles causavam?

- Como sabe, os Senju que governam a cidade. Atualmente Hashirama Senju governa; o irmão de Tobirama Senju. – assenti. Tobirama já havia me falado aquilo – Madara e Hashirama fizeram esta cidade crescer. Dizem que Madara batizou esta cidade de Konohagakure. Mas ela nunca foi chamada assim. Por nunca gostarem de Madara – e com razão – ignoraram tal nome. Agora não temos um nome específico. Mas pessoas de fora ainda sim chamam de Konoha. – explicou Shikamaru – Daí, ao “fundarem” a cidade, – ele enfatizou as aspas. Certamente eles não haviam fundado a cidade. E sim fizeram ela crescer e ser “conhecida”. – Madara seria nomeado o governante. Mas Tobirama interviu, dizendo que o certo é o povo decidir quem irá governa-los. Escolheram Hashirama. Madara parece ter inveja de Hashirama até hoje. Agora virou uma espécie de rebelde assassino. Um completo idiota.

Eu quis repreende-lo em ouvir ele chamar Madara de idiota. Ouvindo isso, só pude ver o quanto Madara era injustiçado. Talvez seja por isso que Madara era tão amargo. Perdeu o irmão e depois foi injustiçado desta forma. Ele também merecia os créditos pela cidade. Mas apenas por não gostarem dos Uchiha, o deixaram de escanteio.

- Madara também merecia os créditos pela cidade... – opinei.

-  Claro que não! Ele e seu clã queriam se rebelar e atacar se necessário com força bruta para tomar conta da cidade! Alguns recusaram, e se puseram contra Madara. Acho que ele tem um certo ódio pelo clã Uchiha; por eles traírem até a ele. – disse Temari.

Eu só pude sentir dó de Madara. Ele merecia ser reconhecido.

- E aí depois ele perdeu o irmão? – perguntei.

- Não. Ele havia perdido o irmão antes. Ele já era problemático antes disso. – falou Shikamaru rindo.

- Até hoje não se sabe ao certo quem matou Izuna?

- Não. Mas Madara insiste em culpar Tobirama. Ele tem sorte de Hashirama gostar dele e perdoar estas calúnias. – Shikamaru falou.

- Hashirama gosta dele?  - eu queria saber quem era Hashirama. Sabia que era o governante. Mas queria saber como era a aparência dele. Será que se parecia com Tobirama?

- Sim. São amigos de infância. Mas Madara sempre foi destinado ao ódio. Nunca se entendiam direito. Se entenderam apenas uma vez, quando se juntaram para “fundar” a cidade.

Destinado ao ódio. Dizendo assim, até parece que o clã Uchiha era amaldiçoado.

- Então tem poucos Uchiha na cidade? – perguntei.

- Creio eu que tenha só Madara. Apesar de a delegacia pertencer aos Uchiha, Madara nunca se interessou em tomar conta dela. Agora policiais de outras famílias tomam conta. Ele repugna aquelas policias. Ele deve se lembrar dos Uchiha que o traiu. – Temari explicou.

- Tem algum outro Uchiha vivo? – lembrei de Sasuke. E se for apenas coincidência? Daqui para minha antiga cidade, é muito longe. Deve ser só coincidência. Ou não...

- Dizem que ele tem dois sobrinhos em alguma cidade ai. Um chama Itachi...  O outro se chama... o que mesmo? – Shikamaru perguntou esquecido para a Temari.

- Sas... Sas alguma coisa... – Temari também não se lembrava.

- Sasuke? – completei ansiosa.

- Isso mesmo! Você o conhece? – Shikamaru exclamou.

Então Sasuke é sobrinho de Madara... Não é atoa que ambos são tão parecidos. Tanto fisicamente, quanto na personalidade.

- Infelizmente... ele era colega de classe...

- Que azar. Conhecer dois Uchiha. Eu rezaria para não conhecer o terceiro. Apesar que dizem que ele é o mais bonzinho dos Uchiha. – Temari falou.

Tentei imaginar como seria Itachi. Seria parecido com Madara e Sasuke?

- Itachi é irmão de Sasuke. Nunca o viu? – perguntou Shikamaru.

- N-não... eu nunca conheci direito o Sasuke... ele era meio...

- Esquisito? – Temari falou rindo – É de família.

Dei uma risadinha concordando. Era de família mesmo.

- Mudando de assunto, já fez sua inscrição, Sakura? – Temari me perguntou.

- inscrição? Dos cursos?

- Isso. Começou hoje.

- Não! Eu vou lá, vai comigo?

- Vou sim. – Temari se levantou e despediu-se de Shikmaru com um beijo na testa. Eles eram tão fofinhos. Shikamaru resolveu voltar para sua casa, afinal já havia se inscrito. Ele disse que se inscreveu para espionagem. Era bem o estilo dele.

Eu e Temari caminhávamos para lá. Chegamos e vi que era uma espécie de escola. Ou faculdade. Era enorme, e tinha muitos jovens lá. Podia jurar que essa cidade pequena não tinha tantos jovens assim. Todos pareciam ter minha idade. Alguns eram mais novos, devem estudar no fundamental.

Esperei na fila até que chegou a minha vez. Quem me atendeu foi um homem loiro. Ele era até parecido com Naruto. Podia jurar que era o Naruto mais velho. Ele era gentil e tinha um sorriso lindo. Sua voz era tão linda quanto.

- Seu nome? – perguntou-me.

- Sakura. Sakura Haruno. – respondi trêmula. Ele era tão lindo que me deixou nervosa.

- Não sabia que a família Haruno havia voltado... – disse ele pensativo.

Olhei para ele sem entender. Sabia que minha família havia partido, afinal haviam já me explicado. Mas pelo visto foi tão escandaloso, que todos sabiam.

- Já tem dezoito anos, Sakura? – perguntou-me de novo, agora olhando para os meus olhos. Seus olhos eram azuis.

- Sim. Tenho. Fiz no início do ano.

- Certo. Para qual curso quer se inscrever?

- Enfermagem. – sorri.

- É um curso muito importante. – ele falava anotando na folha, escrevendo meus dados – Gosta de medicina?

- Eu amo! Herdei de família, sabe? Minha mãe também é enfermeira... minha família toda é desta área... – comecei a falar. Percebi que como sempre estava tagarela demais.

- Que bom. Vai se dar bem então. A professora é muito experiente. Conhece a Tsunade? – perguntou.

- Não... me falam muito dela. Estou curiosa.

Ele apontou o dedo para trás de mim. Segui seu olhar e vi uma mulher loira. Ela tinha peitos enormes. Não que eu fosse notar isso. Naturalmente, eu não iria. Mas eram tão grandes; que não tinha como perceber. Ela falava com um homem moreno de cabelos grandes. Era um homem bonito. Muito bonito. O jeito de expressar da tal Tsunade era um tanto agressivo. Lembrava da Temari.

- Ela é Tsunade Senju. A professora de enfermagem. Ao lado dela é Hashirama Senju. O governante da cidade. – explicou-me. Voltei a notar o homem moreno, afinal nunca tinha conhecido Hashirama. – Hashirama é o pai de Tsunade. – ele parecia novo demais para ser pai de uma mulher como ela. Ela parecia ter uns trinta e poucos anos.

- Que legal! Nunca tinha conhecido os dois.

- Agora conhece. – ele sorri.

- E qual seu nome? – perguntei, agora olhando para o homem dos cabelos loiros.

- Minato. Minato Namikaze.

Sorri para Minato, contente por conhecer uma pessoa gentil como ele. Esta cidade estava repleta de pessoas gentis.

Minato entregou-me um papel indicando o dia, a sala e o horário que começava as aulas. Agradeci e saí da fila, encontrando com Temari, que me esperava perto de um pilar.

- Aquela vai ser minha professora... – apontei para Tsunade escondido.

- Tsunade nos dava aulas de biologia. É uma mulher dura, mas muito boa. – explicou Temari.

- Quem vai ser seu professor? – perguntei.

Temari havia escolhido espionagem.

- Minato ou Kakashi. Um dos dois.

- Kakashi? – nunca ouvi aquele nome antes.

- Kakashi Hatake. Você ainda não o conheceu.

Mais um nome que entrava para minha lista de pessoas que eu iria conhecer.

Fui andando com Temari e olhei para Hashirama. Ele não parecia com Tobirama. Tobirama era mais claro, com cabelos prateados e olhos avermelhados. Hashirama era moreno, parecia até um indiozinho. Era mais brincalhão e mais falante que Tobirama. Tsunade, que conversava com Hashirama, falava alto e esbravejava. Por vezes brincava.

- Olha quem está aqui! – conheço aquela voz. Olhei para trás e era Tobirama.

- Tobirama! – sorri ao vê-lo.

Tobirama como sempre muito sério, aproximou-se sem muita falação. Olhou para Temari e a cumprimentou educado.

- Veio se inscrever? –perguntou.

- Sim. Parece que já conheci minha professora... de vista. – sorri .

Ele também sorriu.

Olhar Tobirama só me fazia lembrar de Madara. E das histórias de Shikamaru, falando que Tobirama era acusado de ser o causador da morte de Izuna.

- Já que está em companhia, vou indo. Nos vemos em breve, Sakura. – despediu Tobirama. Temari me olhava rindo. Já sabia o que ela ia dizer.

- Cheio de homens, em? – falou provocando – Ta podendo Sakura. – gargalhou.

- Para. – fiquei vermelha – É so meu amigo...

- Amigo... uhum... primeiro Madara, agora Tobirama... resolveu fisgar homens mais velhos e problemáticos, uhm? – ela riu mais.

Eu ria também, mas no fundo queria bater na Temari.

- Vamos indo... antes que eu te bata aqui mesmo. – ri.

Fomos embora e me despedi de Temari. Expliquei a ela tudo que ocorrera naquela noite, e que se algum dia perguntarem o que aconteceu depois que Madara me pegou, era para ela dizer que fui até a casa dela e dormi lá. Ela me deu bronca e disse que foi perigoso dormir na casa de um homem desconhecido, ainda mais Madara. E ela tinha razão.

Temari seguiu seu caminho e eu segui o meu. Estava um pouco distante de casa, até que escuto passos logo atrás de mim. Estava noite, umas sete horas da noite mais ou menos. Na minha antiga cidade, isso seria perseguição, e eu correria gritando. Então eu só acelerei os passos sem olhar para trás.

- Caramba, garota! Acha que vou te assaltar? – era a voz dele.

Parei os  passos e olhei para trás. Madara chegou até mim.

- Achei que fosse um assaltante... – falei

Ele riu.

- Vou assaltar esses seus tênis de cidade grande, claro. – ele sempre me zombava  por ser de cidade grande.

- O que você quer?

- Mais cedo me abraçou agradecida, agora parece uma leoa prestes a atacar. Eu gosto disso. – sorriu – Vi você andando e quis acompanhar minha querida vizinha para sua casa... Nada demais.

- Fingido... – sorri – Estou falando sério.

- Mas é isso mesmo. – falou sério – Só menti na parte do querida.

Revirei os olhos.

- Então vamos andando... – dei partida. Ele começou a andar ao meu lado.

- Vai participar dos cursos patéticos daquela escola? – perguntou.

- Não são patéticos. E vou sim.

- Qual área escolheu?

- Enfermagem...

Ele gargalhou.

- Que engraçado. Vai se defender de quem fazendo enfermagem? Vai se defender de um agressor usando bisturí?  - debochou.

- Toda cidade precisa de médicos. Eu vou ser enfermeira... – ignorei sua brincadeira.

- Se não me engano, Tsunade será sua professora. Ela é tão mimada quanto você.

- Você conhece ela? – olhei para ele.

- Ela é filho de um antigo amigo meu. – respondeu amargo. Concluí que o antigo amigo seria Hashirama.

- Seu antigo amigo é Hashirama?

Madara não respondeu.

- Seus amigos vão ser espertos. Escolhendo espionagem, – apesar de ser um nome brega – Vão aprender lutas e tudo mais. Muito mais interessante.

- Não sou eles.

Ele me olha agora me analisando.

- Tem razão... não é. É mais chatinha que eles. – bricou.

- Você é bobo... – brinquei.

- E você é doida. Doida por mim. – disse ele convencido.

Revirei os olhos e ignorei. Ele estava certo, realmente sou doida por ele. Mas não vou dar a ele o gostinho de me irritar.

Chegamos até na frente de nossas casas. Tinha uma mulher na porta da casa de Madara, provavelmente esperando por ele. Ela era alta e de seios fartos. Não tão fartos quanto os da Tsunade. Era de cabelos ruivos escuros. Incrivelmente linda.

Madara ao olhar para ela revirou os olhos e suspirou de nervosismo.

- Droga. – falou.

- Madara! – veio a mulher dos cabelos ruivos – Eu fiquei te esperando. – ela chegou perto e o abraçou. Ela me olhou de cima a baixo e voltou a olhar para ele, me ignorando por completo.

- Você não cansa de ser rejeitada? – Madara perguntou impaciente.

- Não fale assim, meu amor... – ela começou a acariciar seu rosto; mas Madara tirou suas mãos, irritado.

- Vá embora, Mei. – então ela era a tal da Mei. A mulher que se relacionava com Madara. A sortuda. Ela é linda demais para competir.

- Eu amo você, pare com isto. – ela insistia em abraça-lo.  Madara impaciente a empurrava devagar, sem agredi-la. Mei olhou para mim irritada. – Ela é seu novo brinquedinho? Me trocou por isso?

Madara olhou para mim procurando resposta.

- Sim. Estou com ela agora. – respodeu de uma vez. Eu olhei para ele desentendida. – É um brinquedinho novo. E estou melhor com ela do que com você. Agora cai fora daqui.

Mei me olhava com ódio. Acho que entendi a jogada dele. Ele disse isso para fazê-la cair fora e talvez nunca mais voltar.

- Eu sei que você me ama, Madara. Não desisti de você ainda! – a mulher ruiva falava com ódio em suas palavras. Mei saiu dali com passos pesados, extremamente irritada. Claramente ela estava com ódio de mim.

- Só assim pra ela ir embora. – ele me soltou. Queria que ele continuasse apertando meu braço.

- Vocês... são namorados? – perguntei com medo da resposta.

- Nunca namorei com ninguém. Essa maluca transa comigo algumas vezes e já acha que sou propriedade dela. – ele olha em direção onde a mulher foi embora. Depois volta a olhar para mim – Enfim.

- Enfim... – não sabia o que falar.

Ele olhava para meu rosto e eu para o dele. A lua clareava seu rosto, e o deixava ainda mais sexy. Olhar para seus olhos negros era como olhar para o abismo. E eu sinto que estou caindo nesse abismo. Gostar dele era errado, e eu gostava disso.

- Poderia te beijar aqui, agora. Mas sou velho demais para isso. – ele brincou.

Mordi os lábios.

- Acho que não tem problema... – tentei retirar o que eu disse. Um beijo dele era tudo o que eu almejava naquele momento.

- Não sei... – ele estava se fazendo de difícil, então?

Decidi por mim mesma levantar meus pés e segurar seu rosto. Olhei para ele por um segundo e o beijei. Qualquer um pode ter visto isso. Uma garota de dezoito anos beijando um homem de trinta e poucos anos. Apesar de eu ter idade para isto, era moralmente errado. E eu não estava nem aí para o que achariam de mim. Eu só queria beija-lo. Queria ele para mim.

Madara coloca sua mão em minha cintura e retribuí meu beijo. Nos beijamos por alguns minutos, até que nos separamos.

Madara sorriu e eu também.

- Boa noite, rosada. – Ele me solta e se afasta, indo até sua casa. Ele não nem um pouco romântico. Acho que qualquer um depois disso falaria algo fofo, ou tentaria mais. Mas ele simplesmente deu as costas e foi embora. Creio que vou ter que me acostumar com isso.

- Boa noite, Madara.

Naquele momento, não se passava em minha cabeça que, ele só queria me conquistar. Que ele só queria me conquistar e fazer o que queria. Conquistar a confiança da filha do homem que foi lhe dada a missão de matar. Não só ao homem, como também sua família. Aquela maldita missão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


eu queria sabr se estão gostando, para que eu tenha incentivo de continuar a historia, entende?

bjao xx


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