História Terror existencial - Capítulo 1


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Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo
Tags Lyricism, Seventeen
Visualizações 10
Palavras 547
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lírica
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - :)



 Existem cavernas espelhadas pelo mundo, paredes pintadas com o sangue de frutas que já não mais existem, cenas de guerra e de triunfo, pintadas por alguém que sentava separado enquanto o banquete acabava.

 Nós fomos sempre destinados a lembrança, e a lembrar. Fomos sempre, como criatura, ligados a esse desejo primordial de fazer concreto, seja por fotos, por filmes, por textos, por histórias, por paredes. Esteve sempre aqui, debaixo de nossas costelas, essa necessidade selvagem por certeza. 

 Por todos os deuses usando ouros e sedas, foram os reis com capas majestosas, os homens barbudos com óculos grossos, sempre existiu esse medo por não saber. Não é um conceito novo, que a incerteza nos assusta, mas é compreensível. A ciência e as preces, filosofia contada em bares de esquina, o horror de querer entender cada mínimo detalhe. E ainda assim, não entendemos. Ainda existem lugares mais além do que onde alcança a mais potente luneta, mais fundo que qualquer submarino, a humanidade sempre crescendo, o mundo sempre se reinventando. 

 Mas o inexplicável é um presente, um acalento, porque Deus livre nosso povo de um futuro sem perguntas. Está na nossa natureza viciada em respostas amar perguntas, e criá-las uma atrás da outra, escrevendo-as em documentos do Google, em páginas de cadernos, em paredes de cavernas.

 E ainda assim, não parece ter um porquê concreto para isso. A maior pergunta ainda é a mesma de mil anos atrás: por quê amamos tanto perguntas, porque repousa tão dentro de nossos peitos essa necessidade por novos por quês? Por que não podemos acalmar nossos ouvidos, nossas bocas, deitermo-nos sob a Lua e ouvir músicas calmas? Por que é tão difícil encarar um mundo que só seja, sem motivos, sem explicações?

 É aqui que vivemos, e não há remediação. Não é pela morte ou pela vida que sairemos disso, porque no sentido mais puro da palavra, nós estamos presos a isto. Sem aparentes motivos, sem aparentes morais. Apenas nós, em um lugar tão vasto que nossa mais potente luneta não consegue capturar, em uma existência tão abstrata que não se sabe por que, como, ou até quando. Não se sabe se morrendo escaparemos, se voltaremos, se deixaremos de existir, mas e se caso deixemos, isso continuará? Estamos vivos, no final, como podemos ter certeza, se tudo que nos parece certeza, se toda ciência que não parece óbvia, agoda, um dia foi mito?

 Como podemos repousar de noite quando a cada nova pergunta que fazemos, mais aterrorizante se mostra essa existência?

 E ainda assim, no olhar penetrante de cada nova resposta e cada novo medo, nós continuamos. Criamos novos rituais porque é isso que fazemos. Porque como espécie, nos é inerente o otimismo. Não podemos escapar desse horror, então enfeita-mo-lo.

Criemos arte, em grandes telas ou em nossos rostos, em nossas carteiras. Aceitemos o bizarro, o grotesco, as rachaduras, as ranhuras. Pintemos nossas histórias em cavernas, ou em quadros, ou nos bolsos de nossas calças. Que criemos grupos unidos por bandeiras coloridas, que esses grupos não se delimiten, que dejamos todos um só, como tanto sonhamos, antes. Entendamos e aceitemos nossas antigas peles, por elas são nossa história e nosso orgulho, e que achemos em nós mesmos as respostas que não alcançamos com nossas lunetas. Que façamos disso bom, que façamos disso belo.

 



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