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História Teu Corpo é Meu Texto - Capítulo 3


Escrita por: e teledramatica


Notas do Autor


Olá!

Capítulo 3 - Ilhabela



Um coração despedaçado e um humor decaído era tudo que Regina tinha, enquanto os filhos viajavam de férias com suas respectivas famílias, ela permanecia sozinha em seu apartamento, que agora parecia cada vez maior com a solidão que tomava conta de seu ser. A vida nem sempre havia sido fácil, na sua longa trajetória as pessoas desconheciam as entrelinhas da história de uma mulher que apesar de todo seu prestígio, sentia-se vazia não só por relacionamentos fracassados, mas pelas angústias que cercavam seu coração e sua mente de reflexões do tipo "será que de fato vivi ou sobrevivi?"


Após uma leve espreguiçada na cama coberta de travesseiros, ela abriu seus olhos e se deparou com um dia ensolarado totalmente oposto ao inverno de suas emoções. Passou a mão pelo criado mudo em busca de seu celular e sem querer derrubou o copo de água que estava próximo ao aparelho.



— O dia já começou uma maravilha! - reclamou levantando-se. — Maldita noite em que eu prometi a Suzana que iria naquela ilha. - calçou as sandálias e foi em direção as cortinas abrindo-as por completo. 



Olhou a vista formada pela movimentação de carros, o som exaustivo de buzinas e por alguns minutos pensou se deveria sair de casa. O ambiente estava bom, favorecendo uma sensação de quietude no caos de suas tristezas. Naquele momento ela embarcou em uma pequena retrospectiva de sua vida, tudo que havia passado, as renúncias, as vitórias e percebeu que se não tomasse uma atitude correria sérios riscos de afundar-se nas garras de uma ferrenha depressão. Lançando os pensamentos negativos para longe ela terminou de organizar sua mala, tomou um banho rápido e desceu. Passou na cozinha pegou uma maçã na geladeira, seguiu até o estacionamento destravando o automóvel, pôs sua mala no banco detrás seguindo para o banco do motorista e ligou o som antes mesmo de colocar o cinto. Por coincidência, a música que começara a tocar era Volta por cima, de Maria Bethânia.


Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava



Regina deu partida no carro permitindo que as lágrimas que insistiam em cair lavassem sua alma, trazendo o conforto que só um bom choro poderia trazer.


Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher 
Venha lhe dar a mão 
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E da a volta por cima



A viagem de carro de São Paulo até Ilhabela, duraria por volta de quatro horas, tempo suficiente para a atriz chorar suas mágoas e se renovar emocionalmente. Não muito distante dessa realidade destrutiva de pensamentos sucumbindo cabeças nervosas, Antônio, andava pelo espaço do teatro com um cachimbo nos lábios. Sua mente não dava trégua, as reflexões vinham a ele como formigas famintas em busca de açúcar. Ele sentia a sensação de que seus neurônios explodiriam a qualquer momento. Mara, que havia esquecido alguns papéis do roteiro em seu camarim na noite anterior retornou ao teatro para pegá-los, deparando-se com a imagem de Fagundes andando entre as cadeiras daquele imenso local.



— Ei! - gritou. — Tá tudo bem? - o ator apenas levantou o polegar sinalizando que estava bem.  A ex-mulher não convencida foi até o homem. - Eu te conheço, o que aconteceu?


— Nada, Mara. Estou apenas refletindo. - a olhou de cima a baixo. — O que você tá fazendo aqui? 


— Vim buscar uns papéis que esqueci ontem. - suspirou. — Eu sei que você não gosta de conversar sobre suas aflições mas, se precisar estou aqui.


— Obrigado pelo carinho, querida. - piscou para ela.


— Um abraço? - Fagundes concordou e eles se abraçaram calorosamente, ele sentiu-se renovado com aquele gesto e era bom saber que haviam pessoas que se importavam, mesmo sendo um homem tão difícil de lidar, com suas complicações e imperfeições... ele só queria alguém que o amasse e o ajudasse a ser melhor. 


Eles se afastaram.


— Conta comigo, sempre. - afirmou Mara.


— Obrigado mesmo. Seria um prazer conversar contigo agora mas, eu tenho uma viagem a fazer.


— Sempre fugindo né, seu Fafá. - brincou.


— Juro por Deus que não estou. - eles gargalharam. — Quando eu voltar, a gente bate um papo. - deu uma piscadela.


— Seja lá para onde você for, procura se divertir. Você tá com uma aparência deplorável. - retorceu as sobrancelhas.


— Eu estou com a mesma aparência de sempre. - Mara gargalhou do amigo. 


— Você é gato e sabe disso. - sensualmente, ela o olhou de cima a baixo. — Mas, ultimamente você tá deplorável. 


— Prometo melhorar. - pegou a mão direita dela e depositou um beijo. — Tchauzinho! - se despediu e foi saindo.


— Vê se tira essa barba. - falou alto.


— É meu charme. - disse já na saída e os dois gargalharam.



Fagundes adentrou o carro e uma leve preguiça tomou conta de seu ser, quando lembrou-se que teria algumas horas de viagem pela frente.



— Vamos lá, né. - respirou fundo. — Você precisa dessas dias de paz, Antônio. - falou consigo mesmo e girou a chave no contato do automóvel dando partida logo em seguida.


                                                                                             ********


Quando estava próximo do local desejado ela desceu o vidro do carro, observando a paz que aquela ilha trazia. Bares e restaurantes lotados com pessoas sentadas nas cadeiras que ocupavam as ruas estreitas daquele município aconchegante. Ela seguiu até seu destino, um hotel na praia do Curral. Adentrou o espaço belíssimo composto por uma decoração rústica, desceu do carro e entregou as chaves ao manobrista, retirou sua mala do veículo e foi para a recepção fazer o check-in. Após o ato ela caminhou a passos lentos pelo atalho que levava aos quartos. Haviam flores por todos os lados dando contraste a grama verde e o azul da piscina que ficava de frente para o mar. Era um verdadeiro paraíso, com certeza Regina agradeceria Suzana pela insistência para que ela fosse a ilha.


Ela não lembrava do quanto aquele município era lindo e leve. Apenas pelo fato de chegar naquele local, já sentiu um peso enorme sair de suas costas. A atriz encontrou seu quarto e entrou no mesmo, pôs a mala em um canto, pegou seu chapéu de sol e foi dar um passeio pela praia. Na praia, haviam várias espreguiçadeiras e estofados espalhados acompanhados por guarda-sóis. Regina andou por quase 20 minutos, até que se deitou em uma espreguiçadeira e se pôs a continuar suas reflexões. Ela precisava encontrar uma maneira sadia de fazer com que Eduardo desistisse de insistir para voltar com ela, estava cada vez mais intolerável aguentar seu ex marido e suas falácias. Ela não o amava, ela não o queria mais e faria de tudo para que ele entendesse aquilo de uma vez por todas.


Não muito obstante de onde a mulher estava, Antônio chegava para fazer check-in. Ele foi convidado para participar de um luau que o hotel estaria fazendo para os hóspedes, apenas afirmando com a cabeça agradeceu o convite, porém, no seu íntimo ele já sabia que não iria mas por educação pegou o convite e saiu. O ator andou pelo mesmo atalho que ela havia passado horas atrás. Como todo bom introvertido em seu mundo paralelo, ele adentrou seu quarto, retirou da mala seu cachimbo e um livro, e deitou-se em uma rede. Não sendo muito chegado a banho de mar ou a dias ensolarados, preferia ficar na varanda do quarto observando de longe toda aquela composição do mar azul e das árvores ao redor.


Fagundes se perdeu no horário, quando deu por si já havia lido mais da metade do livro e o dia já havia virado noite, olhando para o relógio e constando que faltava pouco para as sete e meia da noite, assustou-se.


— Uma hora vocês me sucumbem. - gargalhou e pensou alto. — Se é que já não me sucumbiram né? - disse olhando para o livro, como se o objeto o entendesse.


Levantou-se e foi tomar um banho relaxante, após quase vinte minutos ele saiu, trocou de roupa, foi até o telefone que havia no quarto e pediu um vinho. Depois de uns dez minutos, o camareiro foi entregar a bebida, ele agradeceu e entregou uma gorjeta. Pôs o vinho na taça e retornou para a varanda. Os convidados do luau já estavam chegando, uma banda tocava musicas acompanhadas de violão e alguns instrumentos de percussão. O ambiente estava animado, com pessoas dançando, outras conversando. 
Para ele, tudo muito comum, passava seus olhos sobre todo o local, até que algo lhe chamou atenção: uma mulher de cabelo curto e negro sentada em um estofado, com uma taça de espumante um pouco afastada da festa. Aparentava está apenas observando todo aquele festejo ele estreitou os olhos mais um pouco para ter certeza se de fato era ela mesma que estava ali e sim, era ela. Regina Duarte, a mulher do sorriso mais bonito do mundo.


Notas Finais


Qualquer coisa estamos no twitter: @vitheeee e @IndioOta.


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