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História Texas Angel --- Anjo Texano. - Capítulo 2


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Notas do Autor


Sugestão de música para o capítulo: 10 Miles Stereo --- Beach House

Capítulo 2 - 10 Milhas Etéreas


Dias atuais... (Terra)

Índigo:

A única coisa que fazia sentido para mim era isso ultimamente. Voar. Senti o vento rasgar a pele das juntas dos meus dedos enquanto forçava o acelerador ao máximo, mesmo com as luvas de couro. Eu estava quase chegando a 150 km/h, mas eu estava na estrada de terra da minha fazenda mesmo, então que se dana-se. Viver já tinha perdido o sentido.

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Quando cheguei ao meu destino, tudo o que pude fazer foi encarar o esqueleto da velha casa da vovó e do vovô. Além de algumas estacas e de algumas janelas desabadas e da fundação, nada mais sobrara. O único resquício da velha fazenda era o celeiro. Por mais estranho que parecesse, o local só estava preservado daquele jeito por causa das placas que eu mandara colocar há anos. "Afaste-se!", "Território Condenado", "Vigilância 24 horas", "Território Radioativo!"

Eu estava contente pelos avisos terem funcionado. Aquele lugar era sagrado para mim. Não paro os outros, aquelas pessoas estranhas que gostavam da minha música. Muito menos aqueles cretinos mais metidos que diziam que me conheciam e que eram meus amigos.

Ninguém jamais me compreenderia. Apenas 3 pessoas chegaram lá. Minha mãe, Turquoise e... Meu Johnny... Mas agora todos se foram, eu não tinha mais ninguém e sinceramente, ninguém precisava de mim para parasitar as suas vidas. Eu também não queria ser parasitada mais. Receber glamour e glória pelos motivos errados. Eu não era ninguém e sempre fora ninguém, a pessoa que as pessoas pediam para tirar fotos e autografar, e gastavam fortunas nas minhas coisas usadas não existia. Eu queria, a verdadeira eu, queria mais que tudo desaparecer.

Meu celular começar a tocar. Era Turquoise: --- Hey Indie!

--- Hey Turk. Como você está.

--- Terminando os preparativos para a festa de despedida. Não esquece de aparecer aqui as 18:30, viu!

--- Eu sei, eu sei, não vou me atrasar. Caramba, eu tenho 26 anos sabia.

--- Eu ouvi a mesma coisa no aniversário de 10 anos da Scar, que você só chegou a 00:00 do dia seguinte.

--- Meu Deus, a culpa não foi minha, foi daquele papparazzo imbecil. Já falei! E como eu ia saber que a polícia ia tá perto.

---Eram só umas fotos. Não precisava ter quebrado a câmera nos dentes dele.

--- Acabou a sermão?

--- Ainda não, vou terminar ele quando você chegar.

--- O.K. Olha, eu tô aqui na fazenda dos velhinhos pegando umas coisas que eu gostaria que você levasse contigo, aliás, Havaí? Tem certeza? Parece ser tão...Isolado.

--- É um dos lugares com menos criminalidade na América, só perde para o Canadá.

--- Mamãe...

--- Oops, preciso desligar, Scarlett precisa de ajuda no dever de casa dela.

--- Tchau. --- E desligou. Todo mundo seguia em frente, só eu ficava na mesma. Eu era uma merdinha retardatária.

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Depois de tanto procurar, eu finalmente tinha achado. O meu primeiro violão. Um Gibson velho que já havia visto dias melhores. Ainda estava dentro de seu estojo de couro, cujo sim parecia um saco de lixo de puro plástico descascado, mas surpreendentemente ainda resistente. O violão também estava inteiro, todas as suas cordas fixas e ainda soavam notas limpas. Sabe-se lá como.

--- Você é peregrino não é meu velho. Não foi feito pra ficar guardado e virar casa de aranhas. --- Guardei ele em seu velho estojo e o prendi no meu ombro. Este seria o meu presente para Scarlett, ela merecia esse tipo de presente da sua titia, para variar. 

Depois de trancar o celeiro, mas ainda não iria embora daquele lugar, havia um último lugar para visitar, precisava ver como estavam as iniciais.

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Na clareira que acampamos um dia, eu avistei  a árvore onde cavamos nossas iniciais. Nossos nomes ainda estavam bem visíveis, e os anos que se passaram só tornaram a casca da velha wisteria mais escura, dando destaque as iniciais. As inscrições " I.J. + J.W = (infinito)*"

Eu não vinha para aquele lugar desde...Ele...Meu Johnny...

Meio que de automático uma lembrança surgiu na minha mente, uma das que eu tentara constantemente apagar da minha mente.

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" Eu te amo tanto" --- Ele me dissera e me enchera de beijos.

" Eu te amo mais" --- Ele dera um de seus sorrisos tortos mim, depois pegou a sua faca de combate e esculpira nossas inicias na árvore.

" Pronto, agora estamos equilibrados"

"Ui, infinito... Parece que alguém quer se comprometer." --- Eu tinha cantarolado.

" Definitivamente." --- ele tinha me puxado contra ele --- " Vamos ter uma família enorme, você e eu apenas, porque esse mundo tá bem maluco..." --- Ambos rimos. --- " E nunca irá faltar amor" --- Mais um beijo, um mais longo, mas eu o interrompi.

" Nem vem xará, Sem anel, sem negócio." --- Eu não queria mostrar o quanto as suas palavras tinham me comovido.

" Poxa vida, agora você me pegou" --- ele olhou a sua volta e puxou uma folha de capim do chão. --- " Índigo Tennessee Jones. Eu sou um homem sem nome e sem posses. Tudo o que tenho é o valor da minha palavra" --- ele me levantou e se ajoelhou diante de mim. --- " Mesmo que eu nunca possa te oferecer  um nome, eu juro te dar um lar, uma família e garantir que cada dia da sua vida seja repleto de felicidade e amor" --- então ele fez um laço perfeito em meu dedo anular e fez um laço perfeito. --- "Tendo o seu Deus como testemunha e os seres vivos que testemunharam essa proposta, agora eles sabem que tu és minha."

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As lágrimas haviam voltado a cair depois de meses. Era por isso que eu não voltara para aquele lugar. Doía demais.

Me aproximei lentamente da árvore, apenas para sentir uma última vez as inscrições na minha mão. Foi quando notei que envolta da wisteria havia crescido um círculo de cogumelos perolados, então tudo começou a brilhar. --- Mas o que é isso...? --- Quando dei por mim, estava numa sala grandiosa e clara e atrás de mim havia um cristal gigantesco e azul brilhante. Aquela visão me fez assoviar de admiração --- Que bonito. --- Eu tentei tocá-lo completamente mesmerizada, foi então que alguém gritou atrás de mim.

--- Quem é você? Como conseguiu entrar aqui? --- Me virei assustada e... Tive certeza de uma coisa naquele dia. A Lili tinha batizado o meu café com LSD de novo, e só tava fazendo efeito agora. --- De quem você faz parte? Templários? Maçonaria?

--- Quê? --- Até onde eu sabia eu era católica.

--- Responde!

--- Ahhhh... --- A mina raposinha era piromaníaca!

--- Hein?

--- Ah tudo bem... Ah... Eu tava andando com a minha moto e cheguei na fazenda dos meus falecidos avós. Tava procurando o meu antigo violão para dar de presente para a minha sobrinha, mas por razões sentimentais, acabei passeando no bosque da fazenda e achei uma árvore com cogumelos estranhos e acabei aqui. Fim da história. --- Vomitei toda a informação sem saber se ela tinha me entendido.

A mina raposinha só me olhou de cima abaixo no maior julgamento, foi então que ambas escutamos uma explosão, vinda de sabe-se lá onde. --- O que foi isso?! --- A mina raposinha me inqueriu.

--- Não sei de nada. Acabei de chegar --- levantei as mãos pro alto, só para prevenir.

--- Jamon! Cuide dessa aqui. Conhece o procedimento. Eu tenho que ver o que está havendo.

--- Jamon? Quem é Jamon?

Jamon, era apenas uma enorme muralha de músculos com um rosto suíno. Que com um simples movimento me jogou nos seu ombro, dando para mim um novo sentido sobre a expressão "andar de porquinho". Depois começamos a sair daquela.

--- Aí o cara, que violência é essa? Da licença, eu tenho os meus direitos!

--- Grrr... --- Ouvi o rosnado do bichão monstro, mesmo de ponta cabeça, enquanto ele me levava para sabe-se lá onde, vi um par de pernas másculas cruzar o nosso caminho não muito longe.

--- Hoy... --- assoviei --- Aí o tio, ajuda aqui! Não sei para onde estão me levando. Isso é um abuso dos meus direitos. Quero um advogado, quero falar com a imprensa!

--- Silêncio! --- O Pumba Marombado falou, e depois de passar por inúmeras escadas e salas, chegamon numa espécie de ante câmera fúnebre e decrépita. Parecia a sala dos funcionários do DisneyWorld. O Pumba Marombado desceu uma das gaiolas que estavam no teto e abriu a porta, tirando o meu violão do ônibus e me colocando-me lá dentro com uma certa delicadeza, logo trancafiando-me e levanto a gaiola para o alto.

--- Aí qual é?

--- Não mexer. Miiko mandar não sair.

--- Sob que crime eu to sendo presa, seu guarda? --- eu berrei, mas ele já tinha saído, apenas dizendo "Não sair...". Eu não podia ficar ali...Seja lá que lugar fosse aquele, Turquoise estava me esperando, a menos que...É, só podia ser, era a única coisa que fazia sentido. Eu tava doidona e aquilo tudo era fruto das profundezas torpe da minha. Lili realmente devia ter jogado LSD no meu café... --- Ahhh! --- Do nada uma sombra sinistra havia aparecido do fundo da fossa de água que circundava a gaiola, eu não conseguia ver direito o que era, mas conseguia escutar bem.

--- Mua hua hua...Você nunca saíra daqui... --- A coisa sinistra falara e depois desaparecera. Aquela alucinação tava se tornando um bad trip.

--- Calma Índigo... Isso não é real, pense em coisas fixas e ancoração, foque num ponto e lembre-se do que é real. Não se perca. --- Certa de que aquela rápida meditação me ajudaria a clarear a mente e a sair do barato, lembrei que o meu celular estava no meu bolso e fiz a única coisa que podia naquela hora. --- Lili, sua puta! Você batizou meu café de novo não é, vadia vingativa. Espera só quando eu voltar pra Vegas, você conseguiu uma limiar de afastamento sua merda.

--- *Turu-ru* O número chamado não pode ser encontrado no momento, certifique-se de estar num local com recepção ad... --- Aquela vaca, devia ter colocado aquela merda de gravação na caixa postal. A porra da minha operadora tinha 7G, era impossível eu não ter sinal, mesmo eu estando no meio de uma fazenda. Agora tudo o que me restava a fazer era ficar tranquila e o mais calma possível, até aquela droga perder o efeito. Para minha sorte eu tinha 98% de bateria e mais de 1000 músicas para distrair. Coloquei os fones de ouvido e comecei a esperar.

 

 

 

 

 

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Notas Finais


* Não sei fazer o símbolo de Infinito


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