História Thank You, Destiny - Capítulo 24


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Categorias Girls' Generation
Personagens Personagens Originais, Taeyeon, Tiffany
Tags Bae Joohyun, Byun Baekhyun, Jungkook, Kim Seolhyun, Kim Taeyeon, Nichkhun, Original Characters, Sungjae, Tiffany, Vernon
Visualizações 9
Palavras 8.238
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 24 - Perdido


Fanfic / Fanfiction Thank You, Destiny - Capítulo 24 - Perdido

Luto.

Apenas quatro letras para descrever um sentimento tão intenso. Parece meio sombrio, não é? A dor da perda de alguém. A saudade que essa pessoa deixa dentro de nós. A sensação de incapacidade por não poder fazer mais nada para viver mais alguns instantes ao lado dessa pessoa. Deixa você em um estado de profunda reflexão.

O que eu poderia ter feito? Por que esse alguém precisou ir embora mais cedo? Será que aproveitei o bastante com ele? Seja lá onde estiver, será que ele está ciente do quanto vai fazer falta e o quanto ainda vou sofrer com a partida dele?

Essas eram as perguntas que eu me fazia enquanto encarava o teto do meu quarto, jogado na minha cama. Já faziam alguns dias desde que eu tive alta do hospital e apenas 48 horas desde que eu voltei para casa depois de mais um dia de trabalho normal, encontrando Seungkyung e halmeoni abraçados no sofá da sala. Ambos de olhos vermelhos e inchados, me deram a notícia de que halabeoji havia sofrido um ataque cardíaco fulminante naquela tarde. Eu não parei de chorar desde então.

Só de pensar que ele não passaria mais nenhum aniversário, nenhum Natal ou Ano Novo conosco, só me devastava cada vez mais.

Era como se a história estivesse se repetindo. Eu novamente havia perdido meu avô. Novamente me senti inútil por não poder ter feito nada. 6 anos atrás, meu pai havia perdido o seu pai e agora, minha mãe havia perdido o dela.

Infelizmente, esse era o ciclo natural da vida. Como uma viagem de ônibus. As pessoas nascem ao entrar no ônibus, crescem durante a viagem e ao chegarem ao seu destino, descem do ônibus para dar lugar às pessoas próximas que estão por vir. O que as diferenciava, era o que elas decidiriam fazer durante essa viagem.

Quando meu avô paterno faleceu a seis anos, eu prometi a mim mesmo que aproveitaria todo o tempo possível, ao lado do halabeoji. Esse foi parte do motivo de eu ter me mudado para Seoul. Eu queria dar ao halabeoji, a atenção e o cuidado que eu não pude dar ao meu outro avô. Então a faculdade começou, eu me apaixonei, meu coração foi partido, eu entrei em depressão e me vi quebrando minha promessa ao negligenciar cada vez mais, o halabeoji. Agora ele não estava mais aqui e o remorso me consumia por dentro. Eu estava decepcionado comigo mesmo e meu atual estado era algo além de todos os Estágios pelos quais eu passei.

Eu liguei para a Sra. Jong e pedi por alguns dias de dispensa. Ela os concedeu a mim sem fazer perguntas. Sra. Jong sabia que eu gostava de trabalhar na biblioteca e que não faltaria ao trabalho por qualquer coisa. Eu a agradeci por sua compreensão e ela disse que esperava me ver bem logo e me assegurou de que ela e Taeyeon dariam conta de tudo por lá. 

Taeyeon.

Desde a nossa última conversa, parecia que eu finalmente havia conseguido o que eu achava que queria quando voltei de Busan. Nós mal nos falávamos e agora que estávamos de férias, eu só a via porque tínhamos que trabalhar no mesmo lugar. Não almoçávamos mais juntos e na volta para casa, não nos sentávamos juntos no ônibus.

Eu sentia falta das conversas por mensagem que eu tinha com ela antes daquele acampamento. Sentia falta de provocá-la e fazê-la ficar ou muito nervosa ou muito irritada, sendo que no final eu sempre acabava levando um soco no ombro de qualquer jeito. Sentia falta de fazê-la rir das minhas piadas e revirar os olhos logo em seguida, falando sobre o quão idiotas elas eram. Taeyeon foi capaz de destruir as barreiras que eu tentava manter em volta de mim e me tirar do Estágio 3. Agora eu não tinha onde me esconder. Não tinha com o quê proteger meu coração de mais mágoa e angústia e estava vulnerável a qualquer coisa.

Desde que soube no mesmo dia, como uma boa namorada, Tiffany passou o tempo todo com Seungkyung, confortando-o. Ela tentava distraí-lo ao levá-lo a outros lugares e animá-lo com a personalidade energética dela mas Tiffany também tinha seus momentos sérios e ela sabia usá-los em situações apropriadas.

Seungkyung tinha sorte e sabia disso. Ele tratava Tiffany como se ela fosse o item mais valioso de uma coleção de arte. Ele olhava para ela, como se ela fosse a mais bela paisagem que pudesse existir. Seungkyung era cuidadoso para não ultrapassar nenhum limite na relação deles dois. Ele não alterava o tom de voz com ela, dava toda a atenção do mundo quando ela falava com ele, dava flores à ela todos os dias e sabendo como Tiffany era ciumenta, sempre tinha uma carta na manga para assegurá-la de que só tinha olhos para ela. Jinwoo também teve essa sorte. Ele e Jinah foram feitos um para o outro. Meu cupido só podia estar se brincadeira comigo. Aquele inútil não fazia o trabalho dele direito e só sobrava para a minha vida amorosa. Mas isso não vinha ao caso naquela hora.

Meu celular tocava, mas eu só ignorava até que ele parasse de tocar. Halmeoni começava a se preocupar comigo de novo, porque eu havia parado de comer. Ela levava comida para mim e eu me obrigava a empurrar garganta a baixo nem que fosse um pouco porque ela já tinha que lidar com muita coisa por causa da mor-- perda do halabeoji e eu não queria ser só mais uma de suas preocupações.

Meus pais haviam vindo de Busan, junto com Jinwoo e Jinah. Agora, o hyung e a noiva estavam em casa com halmeoni, eu, Seungkyung e Tiffany. Eles estavam na sala e eu, na minha cama, sentado com as costas contra o espelho da mesma. Eu abraçava meus joelhos com a cabeça baixa, quando escutei a porta abrir. Não me dei ao trabalho de levantar a cabeça nem quando a cama se mexeu, ao sentarem perto de mim. O cheiro de baunilha invadiu meu nariz e um sorriso tênue e triste se formou no meu rosto ao lembrar das vezes em que eu sentia Taeyeon nos meus braços e deixava que a essência dela me intoxicasse. Quando senti o toque delicado e suave de mãos que lembravam as dela, eu levantei a cabeça apenas para encontrá-la com um olhar de compaixão nos olhos, enquanto ela parecia analisar cada feição do meu rosto.

Já faziam dois dias que eu não saía do quarto. A cada meia hora, eu me acabava em lágrimas. Meus olhos já estavam inchados, avermelhados e eu não aguentava mais chorar, mas não conseguia evitar. As lágrimas simplesmente vinham e era impossível controlá-las.

Nós ficamos apenas nos olhando por alguns minutos. Ela me fez soltar dos meus joelhos e segurou minhas mãos, sem tirar os olhos dos meus. Eu engoli o grande nó que se formava na minha garganta, tentando conter minhas lágrimas mas não consegui segurá-las por muito tempo depois que ela disse...

"Tudo bem... Pode chorar."

Nos próximos segundos, eu me vi puxando-a para perto de mim, desabando em seu ombro. Fiz Taeyeon sentar no meu colo, colocando meus braços em volta da cintura dela. Ela colocou os seus em volta do meu pescoço e começou a mexer no meu cabelo. Eu soluçava... e soluçava... e soluçava. Tinha certeza de que já havia encharcado sua blusa, pelo tempo que ficamos daquele jeito. Logo fui vencido pela exaustão por não dormir por tantas horas e acabei adormecendo com Taeyeon no meu colo.

Em muito tempo, aquele fora o primeiro sono decente que eu tive. Sem pesadelos. Sem acordar em pânico, com dificuldades para respirar, transpirando e com o coração para sair pela minha boca. Nada. Eu estava tranquilo e em paz. Quando acordei, eu estava deitado na cama, com a cabeça entre o ombro e o pescoço dela. Ela tinha os braços em volta de mim enquanto eu tinha o meu por volta da cintura dela. Ela percebeu que eu acordei, quando eu me mexi.

"Dormiu bem?"

"Mhm. Na verdade, foi a primeira vez que eu consegui descansar bem assim, em meses." Eu respondi, sem coragem de mover um músculo.

"Por quê?" Ela voltava a brincar com o meu cabelo, o que me fez fechar os olhos novamente.

"Eu sempre tenho pesadelos que me fazem acordar do nada."

"Você precisa comer. Halmeoni me falou que você não tá se alimentando direito."

"Não tô com fome."

"Você pode acabar doente se continuar assim. Precisa ser forte por ela, agora."

A vontade de chorar ameaçava voltar e me deu trabalho ao engolir ela de volta. "Eu sei. Mas eu não tenho quem seja forte por mim."

Eu arregalei os olhos quando senti os lábios dela tocarem minha testa, por baixo da minha franja. Quando eu olhei para ela, Taeyeon cobriu um dos lados do meu rosto com a palma de sua mão e começou a acariciar minha bochecha com seu polegar, sorrindo afetuosamente. "É por isso que eu tô aqui."

Eu engoli em seco, não porque eu queria chorar mas porque meu coração começava a bater mais rápido pelo modo como ela olhava para mim.

"Vamos, você precisa colocar nutrientes dentro do seu estômago." Ela quis levantar mas eu a segurei mais forte, impedindo-a de sair dali.

"Não, por favor. Só... só espera mais um pouco. Fica assim por alguns minutos." Eu implorei, enterrando um dos lados do meu rosto em seu peito. Eu senti ela chacoalhar um pouco enquanto ria.

"Você vai dormir de novo?" Ela perguntou.

"Não. Só preciso aproveitar isso por um tempinho."

Taeyeon ficou quieta e eu pude escutar seus batimentos, o que me fez sorrir instantaneamente. "Essa é a primeira vez que eu ouço seu coração."

"Mhm..."

"Quisera eu fazê-lo bater por mim." Eu disse em voz baixa.

"O que você disse?"

"Nada..." Eu retruquei ao me sentar. "Vamos, eu preciso comer, não é?"

"Sim." Ela se levantou, deu a volta na cama e pegou minha mão, me arrastando para fora do quarto.

Quando chegamos na sala, todos pareciam um pouco surpresos por me ver fora da toca. Eu dei a eles um sorriso fraco ao entrelaçar meus dedos com os da Taeyeon.

"Hyung..." Seungkyung disse.

"Eu vou fazer alguma coisa pra ele comer. Nós já voltamos." Taeyeon interferiu, me levando à cozinha. Eu a agradeci mentalmente, pois não ia conseguir dizer uma palavra a ninguém ali.

Eu me sentei no balcão e fiquei observando-a procurar alguma coisa dentro da geladeira.

"O que você quer comer?"

"Qualquer coisa já tá bom." Eu dei de ombros, mesmo que ela não estivesse vendo.

"Não tá ajudando." Ela soltou uma fina risada, ao olhar brevemente para mim.

"Sanduíche?" Eu perguntei.

"Perfeito. Atum?"

Eu assenti.

Taeyeon começou a preparar meu sanduíche e eu assistia à ela como se eu estivesse vendo meu programa favorito. Não demorou muito para me distrair e começar a pensar demais. Dentro da minha cabeça, reinavam incertezas. A partida do halabeoji mexeu com o resto da estabilidade que eu ainda tinha e agora eu já nem tinha mais certeza do que eu queria para o meu futuro. Eu me sentia perdido, quebrado e precisava de um tempo, longe de tudo. Longe de todos. E eu só conhecia um lugar no qual eu poderia ficar sozinho.

"Ei, você tá aí?" Taeyeon estalou os dedos na frente do meu rosto, me tirando dos meus pensamentos.

"Sim?"

"No que você tava pensando?" Ela perguntou, um pouco preocupada.

"Nada." Eu disfarcei, desviando do olhar dela.

"Mentira. Você sempre me diz o que o seu coração sente, sem tirar seus olhos dos meus."

Eu suspirei, não querendo continuar aquela conversa. "Deixa quieto, Taeyeon."

"Não posso. Eu me preocupo com você."

"Escuta, eu agradeço que você esteja aqui pra dar apoio à nossa família num momento como esses mesmo que você não precise, mas essa fase é algo pelo qual eu vou passar querendo ou não. E nem se eu disser sobre tudo o que eu penso e sinto, eu vou me sentir melhor porque eu--" O nó na minha garganta me impediu de continuar e eu não conseguir segurar o choro, mais uma vez.

Eu encarava a superfície do balcão da ilha, com o olhar vazio enquanto minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu cobri meus olhos com a palma das minhas mãos e voltava a soluçar. Senti os braços de Taeyeon em volta de mim, enquanto ela descansava a testa no meu ombro.

"Eu sinto muito, Joon. Não consigo imaginar o tamanho da sua dor mas eu tô aqui pra tentar pelo menos amenizá-la um pouco."

Nós ficamos assim por um tempo, até que Taeyeon me virou de frente para ela, tirando minhas mãos dos meus olhos e cobrindo ambos os lados do meu rosto.

"Ei, olha pra mim." Ela disse, e eu lentamente fiz como o pedido. Taeyeon começou a enxugar minhas bochechas, com seus polegares. "Onde quer que ele esteja agora, tenho certeza de que ele tá bem. E que ele quer que você também fique."

Eu fungava olhando nos olhos dela, pensando no quão sortudo Baekhyun era e o quão idiota ele também era por não saber dar valor à garota mais incrível que já existiu.

"Quando você quiser, eu vou estar pronta pra ouvir tudo o que você tem a dizer."

Eu apenas assenti e ela sorriu levemente, voltando ao outro lado do balcão para terminar de preparar meu sanduíche. Eu sabia que uma hora ou outra, eu ia ter que conversar com alguém sobre o que eu sentia mas naquele momento, só o que eu queria era alguém para me confortar. E Taeyeon era a única pessoa na qual eu podia pensar.

Depois que comemos, nos sentamos na sala com o resto do pessoal e eu apenas brincava com meus dedos no meu colo enquanto os escutava conversarem sobre algo do qual eu não fazia ideia do que se tratava. Taeyeon estava sentada ao meu lado e percebeu que eu estava distante.

"Gwaenchanha?" Ela perguntou olhando nos meus olhos, pondo a mão sobre as minhas.

Eu consegui dar-lhe um sorriso fraco, antes de coçar os olhos e bocejar. "Só cansado."

Me levantei e disse ao resto do pessoal que eu voltaria para o quarto, antes de dar meu 'boa noite' a todos eles. Peguei minha toalha, outro pijama e fui tomar um banho. Depois que saí do banheiro, voltei para o quarto e encontrei Taeyeon sentada na beira da minha cama, olhando para o meu violão. Eu sentei de costas para o espelho da cama, encolhendo os joelhos, cruzando os braços em cima dos joelhos e descansando o queixo sobre os mesmos.

"Eu nunca mais ouvi você tocar." Ela comentou.

"Ultimamente não tem sido muito fácil encontrar uma razão importante o suficiente pra continuar com isso." Eu simplesmente dei de ombros, encarando o vazio da parede à minha frente.

"Isso? Joon, você adora música. Eu nunca conheci alguém com tanta certeza do que quer na vida como você." Taeyeon retrucou, sentando-se de frente para mim, em cima de uma perna enquanto a outra ainda estava fora da cama.

Eu suspirei. "Eu não tenho mais certeza de nada, Taeyeon. Eu não sei se devo ficar aqui e terminar o que eu comecei. Não sei se devo voltar pra Busan e ajudar meu irmão com os negócios do meu pai. Eu só... Ugh, tá uma grande confusão dentro da minha cabeça. Isso sem mencionar tudo o que o meu coração tá tendo que aguentar." Eu passava as mãos pelo meu cabelo, me sentindo frustrado para dizer o mínimo.

"Eu... Eu não sei como ajudar você... Eu sinto muito." Taeyeon parecia tão perdida quanto eu.

Peguei uma de suas mãos e entrelacei meus dedos com os dela. "Você já tá fazendo muito."

"Mas não o suficiente. Eu odeio ter que ver você desse jeito. Você não sorri, não conta piadas nem provoca mais. É como se você tivesse perdido sua alegria e eu sei que parte disso, é minha culpa." Ela disse, baixando a cabeça.

Eu senti que a culpa era minha também. Se eu tivesse continuado com o meu plano inicial depois que me mudei para Seoul, minha cabeça não estaria do jeito que estava naquele momento.

"Me desculpa." Eu disse.

"O quê? Por quê?" Ela logo me fitou, levemente franzindo a testa.

"Por ter complicado as coisas. Seria tudo mais fácil se eu tivesse lutado contra meus sentimentos por você, desde o início. Se eu soubesse que iria acabar desesperadamente apaixonado, eu teria ignorado meu coração naquela época."

Taeyeon olhava para mim com algo em seus olhos, o qual eu não conseguia dizer exatamente o que significava. Ela continuou sem dizer uma palavra, então eu continuei.

"Ainda tem muita coisa na qual eu preciso pensar, mas acho que é seguro dizer que eu e você não vamos a lugar algum, não é?" Eu perguntei retoricamente, soltando um riso sem graça. "Só quero que você saiba que eu espero muito que você encontre a sua felicidade. Você é uma garota extraordinária... Nunca deixe que te digam o contrário, tá?" Eu pedi tentando dar à ela o meu melhor sorriso, ao bagunçar seu cabelo.

"P-por que você tá dizendo essas coisas, como se fosse um 'adeus'?" Ela perguntou, antes de engolir em seco.

"Eu não sei." Eu respondi com uma risada fina, dando de ombros. "Não era minha intenção, de qualquer forma."

Um bocejo escapou da minha boca e Taeyeon entendeu como um sinal para ir embora, ao levantar-se da cama.

"Você precisa descansar mais. É melhor eu ir." Ela apontava com o polegar para a porta atrás dela.

"Tem mesmo que ir?" Eu involuntariamente alcancei sua mão.

"Uh?"

"Pode ficar aqui, hoje... comigo?" Eu perguntei inocentemente. "Eu só preciso de companhia, eu juro."

"A-ah tudo bem... eu só preciso fazer uma ligação, antes." Ela disse e eu assenti, soltando de sua mão.

Enquanto Taeyeon falava ao celular, eu peguei algumas roupas para que ela pudesse trocar dormir mais confortável. Quando ela voltou, eu  as entreguei à ela e ela logo saiu do quarto novamente, para se trocar.

Eu já estava deitado e coberto, com o Butter descansando a cabeça em cima da minha barriga por cima do edredom, quando Taeyeon veio até a cama e sentou-se na beira. Eu ri da timidez dela e bati no lugar meu ao lado, para que ela deitasse.

"Não se preocupe. Eu não vou fazer nada que você não queria." Eu a assegurei.

Taeyeon hesitou por mais um tempo, antes de deitar-se ao meu lado e dividir o edredom comigo.

"Ele sempre dorme assim?" Ela perguntou apontando para o pequeno cão em cima de mim.

"Mhm. Acho que ele gosta do movimento que minha barriga faz quando eu respiro." Eu respondi, antes de desviar o olhar de Butter para Taeyeon. "Gomawo. Sabe... por estar aqui."

"Aniya. Isso não é nada, comparado ao que você já fez por mim." Ela retrucou, bocejando.

"Boa noite, Tae."

"Boa noite, Joon."


~~~


Graças à companhia e o apoio de Taeyeon, passar pelo funeral e o enterro do halabeoji foi um pouco menos doloroso do que seria se eu não a tivesse lá para segurar a minha mão e me confortar.

Alguns dias depois, eu tentava voltar à minha rotina, fazendo minha caminhada toda manhã, indo trabalhar e passando o final de semana em casa, não fazendo nada produtivo. Mas tudo parecia sem sentido. Ainda era difícil ter que entrar em casa e não sentir o cheiro do café que a halmeoni fazia para o halabeoji, todas as tardes. Vez ou outra, ao passar pelo quarto deles dois, eu a escutava soluçar e fungar, tentando chorar silenciosamente. Passar 50 anos ao lado de uma única pessoa era realmente algo invejável, sabe? Poder dividir metade de uma vida com alguém especial e não ter dúvidas de que seu coração nunca vai bater por outra pessoa como bate por aquela quem ele escolheu amar até não aguentar mais. Isso não era para qualquer um. Como todo casal, eles discutiam mas os sentimentos que tinham um pelo outro, eram o que prevalecia.

A relação que eles tiveram, só me fez perceber que se eu não tomasse uma iniciativa logo, talvez jamais pudesse ter a minha chance de tentar viver o que eles viveram. Construir a minha história, com a minha pessoa especial.

Eu havia me aproximado da Taeyeon novamente e ela continuava me ajudando a lidar com o luto. Às vezes ela tentava me levar a vários lugares para me distrair. Ela sabia do que eu gostava, então Taeyeon sabia onde me levar. Zoológicos, pequenos concertos musicais de R&B/ Soul ou Folk, feiras de livros, cinemas...

Cada segundo perto da Taeyeon, com ela me dando tanta atenção e carinho com aquele sorriso que me fazia perder a cabeça, era como um analgésico para a dor dentro de mim. Mas eu sabia que meu remédio acabaria cedo ou tarde, justamente porque não era meu.

"E aí? O que vai ser hoje?" Eu escutei a voz dela perguntar, me fazendo desviar a atenção do livro que eu lia para a garota ansiosa por uma resposta à minha frente.

"Como assim?" Eu perguntei ao fechar o livro, depois de marcar a página na qual minha leitura havia sido interrompida.

"Pro almoço." Ela batia os dedos contra a mesa, ainda animada.

"Mmmm..." Eu batia o indicador contra o queixo, pensando no que comer. "Bolo?"

"Sempre cheio de boas ideias, huh Jung Joonhwa-ssi?" Ela me deu um sinal de aprovação.

Sorrindo, eu revirei os olhos e balancei a cabeça em reprovação. "Que seja. Vamos..."

~~~

"Eu vou querer um suco de laranja e uma fatia daquele bolo de chocolate que tá me dando mole desde que eu entrei aqui."

Eu apontava para o balcão, enquanto terminava o meu pedido e a garçonete que nos atendia, começou a rir.

"Mais alguma coisa?" Ela perguntou sorrindo, ao colocar uma mecha do cabelo que caía sobre o seu rosto, atrás da orelha.

"Uhh não, pra mim é isso... Taeyeon?" Ao virar para a mesma, vi que algo não a agradava pelo jeito como seus olhos expressavam tédio e um pouco de irritação.

"Chá gelado com limonada e uma fatia do bolo de baunilha com morango." Taeyeon respondeu indiferentemente, fechando o cardápio e o entregando à garçonete. Eu fiz o mesmo e ela nos deixou a sós.

"Gwaenchanha-yo?" Eu perguntei, depois de um tempo em que ficamos calados.

"Mhm." Ela assentiu, com os braços cruzados e as costas contra o encosto da cadeira.

"Aqui é bem legal." Eu comentei, olhando à minha volta.

"É okay." Taeyeon deu de ombros sem muito interesse.

"Tá bom... alguém não quer conversar."

"Parece que não era só o bolo quem tava dando mole pra você." Taeyeon subitamente disse.

"O quê?" Eu franzi a testa, ligeiramente confuso.

Taeyeon revirou os olhos e suspirou dramaticamente. "Ela gostou de você."

"Quem... a garçonete?" Eu ergui as sobrancelhas ao perceber a quê ela se referia. Eu olhei para trás e vi a garota que nos atendeu, olhar de relance para mim com um pequeno sorriso no rosto antes de desviar o olhar e voltar a atender outra mesa. "Ah, ela até que é bonita."

"É? E por que não chama ela pra sair?" Tinha algo no jeito como Taeyeon me fez aquela pergunta, que me fazia acreditar que ela estava incomodada.

"Sempre cheia de boas ideias, huh Kim Taeyeon-ssi?" Eu repeti o que ela havia dito mais cedo, apenas para provocá-la.

Ela ainda tentou responder mas fora interrompida quando a garçonete voltou com os nossos pedidos.

"Obrigado." Eu disse e ela sorriu.

"Se precisarem de mais alguma coisa, não hesitem em me chamar. Meu nome é Jiyeon." Ela piscou para mim, depois que deixou tudo na nossa mesa. Eu apenas ri e ela voltou ao trabalho.

Quando me virei para Taeyeon, ela já havia começado a comer e não falava nada. O tempo todo ela ficava mexendo no celular, ignorando a minha presença.

"Então, o seu bolo tá bom?" Eu perguntei.

"Mhm." Ela respondeu sem levantar a cabeça.

"Posso experimentar?"

"Por que não pediu o mesmo?" Ela me questionou com uma ponta de irritação na voz.

"Caramba, calma aí... não peço mais." Eu levantei os braços em rendição antes de começar a comer meu bolo.

Passamos um tempo comendo quietos, até que eu quis quebrar o silêncio novamente.

"Então..." Eu comecei e ela apenas olhou para mim, levando o canudo do seu copo de chá gelado até a boca. "Uhh, tem algo programado pra amanhã à noite?"

Ela deu de ombros. "Vou sair com o Baekhyun."

"A-ah..." Se eu dissesse que não fiquei decepcionado e triste com a resposta dela, mentiria.

"Wae?"

"Ah, não é nada. Eu só tava pensando em ir ao... deixa pra lá." Eu desconversei com um sorriso que não chegou a alcançar os meus olhos. De repente perdi a vontade de conversar e resumi meu lanche em silêncio.

Quando terminamos, eu disse à Taeyeon que poderia esperar do lado de fora enquanto eu pagava a conta. Jiyeon era quem estava no caixa e sorriu abertamente quando eu me aproximei dela. Ela me disse quanto era e após dar o dinheiro à ela, eu falei para ela ficar com troco. Eu ia saindo quando ela me chamou.

"Sim?" Eu perguntei.

"Uhh, eu queria saber se você... sei lá... não quer fazer alguma coisa amanhã à noite?"

Eu pensei por um tempo. Taeyeon estaria ocupada com o namorado. Seungkyung estaria ocupado com a namorada e eu não ia ter nada para fazer. Jiyeon parecia ser uma garota legal e ficar em casa, pensando em como Taeyeon estaria se divertindo com alguém que não merecia seus sorrisos e suas risadas, não era o melhor jeito de passar minha sexta à noite.

"Claro, me dê seu número. Eu te mando mensagem amanhã." Eu pedi, entregando meu celular à ela. Depois que Jiyeon digitou algumas coisas, ela me entregou o celular de volta. "Até amanhã, Jiyeon-ssi. A propósito, meu nome é Joonhwa."

Ela sorriu e acenou para mim enquanto eu andava de costas para a porta de saída. "Até amanhã, Joonhwa-ssi."

~~~

Durante a caminhada de volta para a biblioteca, Taeyeon não disse uma palavra. Eu queria acreditar que tinha algo a ver com a Jiyeon e que ela possivelmente estaria sentindo ciúmes mas era difícil saber o que se passava na cabeça da Taeyeon. Ela sabia bem como esconder seus sentimentos.

O resto da tarde, ela também não falou comigo. Quando eu perguntava de tinha algo de errado, ela apenas falava que não e saía de perto de mim. No ônibus de volta para casa, ela se sentou em um dos assentos individuais da parte da frente do ônibus e eu fiquei mais para o fundo. Quando o ônibus parou no ponto em que ela tinha que descer, Taeyeon apenas saiu sem nem olhar na minha direção.

Ao chegar em casa, eu jantei e depois de tomar meu banho, me joguei na cama com o Butter mas não consegui dormir de imediato. Eu não gostei de como as coisas foram de um extremo a outro com Taeyeon. Primeiro estava tudo bem e logo em seguida, ela já me ignorava completamente. Deixei que meus pensamentos me consumissem, até que eu caísse no sono.

~~~

No dia seguinte, halmeoni pediu que eu fosse à feira no caminho de volta da minha caminhada e assim eu fiz. Eu teria que andar um pouco mais, sendo que a feira que ela gostava de ir ficava no distrito Gangnam mas não seria um problema.

Eu já havia comprado a maioria das coisas que estavam na lista da halmeoni e agora eu estava em uma barraca de tomates. Enquanto eu escolhia alguns, acabei pegando um ao mesmo tempo que outra mão o alcançou. Ao olhar para a pessoa ao meu lado, vi que era Taeyeon olhando com curiosidade para mim.

"Bom dia." Eu disse, sorrindo levemente.

"Bom dia." Ela respondeu, retraindo a mão de baixo da minha. "Você não costuma acordar cedo quando não precisa. O que fazer aqui?"

"Não costumava." Eu a corrigi. "Halmeoni precisava que eu comprasse algumas coisas quando eu voltasse pra casa, da minha caminhada."

"Caminhada?" Ela ergueu uma das sobrancelhas.

Eu assenti com a cabeça. "Eu caminho todo dia de manhã, pra manter o estresse longe."

"Ah..."

Eu sorri rapidamente antes de separar o resto dos tomates e entregá-los ao rapaz atrás da barraca, para que ele os embalasse para mim. Peguei o tomate que Taeyeon também havia pego e o coloquei em sua mão. Paguei ao rapaz da barraca pelos tomates e ele os entregou a mim em uma sacola de papel.

"Bom, eu já vou. Até logo." Eu acenei para ela antes de me virar e ir embora.

"Espera!" Escutei ela dizer, antes de me virar de frente para ela e vê-la trotando em minha direção. "Eu... eu queria..."

Ela parecia ter dificuldades em dizer o que queria dizer mas eu já havia entendido que ela se referia ao seu comportamento no dia anterior. "Gwaenchanha, não se preocupe com isso. Já terminou com suas compras?"

Ela assentiu timidamente.

"Vamos, eu te acompanho até em casa."

Nós andávamos em silêncio, de volta para a casa dela quando Taeyeon limpou a garganta. "Uhh, então..."

"Então?" Eu perguntei, esperando que ela continuasse.

"Desde quando você caminha?"

"Mmm, desde que voltei pra casa. Virou um hábito, sabe? Eu não caminho só pra aliviar o estresse... Gosto da brisa que bate de manhã e de ver as diversas cores no céu quando o Sol tá nascendo."

Quando Taeyeon não respondeu, eu olhei para ela apenas para encontrá-la já olhando para mim, como se estivesse tentando encontrar algo em meu rosto. Quando eu sorri, ela logo desviou o olhar com as bochechas ligeiramente coradas.

"Então, onde o seu namorado pretende levar você hoje?" Eu perguntei.

"Mollayo. Ele só disse que era pra eu me vestir formalmente." Ela deu de ombros.

"Ahh..."

"E você? Vai sair com a garçonete?"

"Uhh, é. Ela queria fazer alguma coisa hoje e eu pensei 'por que não?'"

"Ahh..."

"Chegamos." Eu avisei, ao parar em frente ao portão da casa dela.

"Obrigada por me acompanhar."

"Sem problemas. Bom, uhm, a gente se vê na segunda?"

"Uhh, é... é claro. Até segunda, então."

"Divirta-se no seu encontro." Eu instintivamente ergui a mão para bagunçar o cabelo dela mas pensei duas vezes antes de fazer isso.

"Você também." Ela respondeu quase em um sussurro ao virar-se e entrar pelo portão.

~~~

Chegando em casa, eu deixei as compras no balcão da ilha da cozinha e resolvi ligar para Jiyeon, para discutirmos sobre o encontro. Depois de alguns segundos, ela atendeu.

"Jiyeon-ssi?"

"Joonhwa-ssi?"

"Annyeong." Eu respondi rindo.

"Annyeong." Eu conseguia ver o sorriso dela pelo modo como ela respondeu.

"Eu só liguei pra perguntar se eu poderia acompanhá-la em um adorável encontro no Lotte World..."

"Seria uma honra, senhor." Ela riu.

"Ótimo! Você prefere que nos encontramos lá ou que eu vá até a sua casa pra que possamos ir juntos?"

"Vou mandar mensagem com o meu endereço." Ela disse.

"Oookay. Então, nos vemos mais tarde?"

"Até mais tarde." Eu senti ela sorrindo de novo, antes de desligar.

Nessa hora, Seungkyung voltava do quarto e me olhava com um sorriso sugestivo no rosto.

"Com quem você tava falando?"

"Uhh, ninguém."

"Uh huh... esse é o nome dela?" Ele ergueu uma das sobrancelhas a mim.

Eu suspirei, sabendo que ele não sairia do meu pé. "Não. É Jiyeon."

"Mmmm, e quando você conheceu essa Jiyeon?"

"Ontem."

"Onde?"

"Num café, durante o almoço."

"E você vai sair com ela?"

"Vou."

"Jinja?! Hyung, isso é bom! Quer dizer que você finalmente tá seguindo em frente?!?" Algo parecia ter brilhado nos olhos dele quando eu respondi mas antes que eu pudesse continuar, ele continuou. "Fico feliz que você tenha tomado essa decisão. Já tava na hora."

"Woah, calma. Eu não falei nada sobre isso. Nós só vamos sair em um encontro casual e eu nem sei irão haver outros."

"Bom, você deveria pelo menos tentar... Vai que dá certo, dessa vez."

"Quem sabe..." Eu dei de ombros, ao deixar o celular em cima do balcão. "Eu vou tomar um banho. Pode levar o Butter pra passear um pouco?"

"Claro. Butter!!" Seungkyung gritou e logo o pequeno cão juntou-se a ele.

~~~

Eu já estava do lado de fora da casa da Jiyeon, esperando que ela aparecesse para irmos ao parque de diversões. Não muito tempo depois, ela apareceu vestindo um vestido floral azul marinho que ia até um pouco antes do joelho, um cardigan creme e botas marrom escuro de cano curto. Seu cabelo castanho estava solto, com ondulações nas pontas. Ela tinha pouca maquiagem no rosto mas estava encantadora do mesmo jeito. Já eu, havia decidido ir com uma camiseta branca básica por baixo da camisa jeans, cujas mangas estavam enroladas até os cotovelos, meus jeans pretos e sneakers branco.

"Você tá linda." Eu comentei.

"Você também não está tão mal." Ela retrucou e ambos rimos.

"Vamos?"

"Mostre o caminho."

De repente minha mente me levou de volta ao dia do parque Namsan. Como aquelas mesmas palavras haviam saído da boca da Taeyeon, me deixando nervoso e ansioso para mostrá-la o que eu havia preparado. Como eu fiquei preocupado em fazer alguma besteira e acabar arruinando o primeiro encontro que eu tivera na vida, tendo a sorte de ele ter acontecido com a garota mais maravilhosa da face da Terra, embora aquele tenha sido um dos melhores dias de toda minha existência.

Se perdidamente apaixonado não me descrevia, eu não faço ideia do que poderia.

"Joonhwa-ssi?" A voz de Jiyeon me trouxe de volta ao mundo real. Eu devia mesmo parar de sonhar acordado daquele jeito.

"Sim?"

Ela riu. "Nós vamos ao parque ou você prefere ficar em frente à minha casa a tarde toda?"

"Vamos." Eu disfarcei com um sorriso e nós seguimos para o nosso destino.

Ao chegarmos lá, Jiyeon e eu fomos em todo tipo de atração. Nós na verdade, competimos cada vez que íamos em um dos brinquedos. Quando paramos para comer, Jiyeon quis experimentar de tudo, um pouco. Hot dogs, pipoca, algodão doce, corn dogs e até maçã caramelizada. Nós agora tomávamos sorvete, sentados de frente para a uma das partes baixas da montanha russa alguns metros à nossa frente.

"Me conte sobre você, Joonhwa-ssi." Ela disse.

"Uhh tá bom, deixa eu ver..." Eu olhei para cima por um tempo, pensando no que dizer.

"Eu tenho dois irmãos, sendo que eu sou o do meio. Tenho um cachorro chamado Butter. Eu curso Música na Universidade Nacional da Coreia. Gosto de ler. Sei cozinhar um pouco. Minha comida favorita é pizza. Minha sobremesa favorita é sorvete. Minha cor favorita é vermelho mas eu também gosto de azul claro ou turquesa. Gosto de all-stars e relógios de pulso e meu gênero de filme favorito é terror."

"Bom, quanto a cozinhar, acho que você pode me ajudar porque eu sou péssima nisso." Ela comentou rindo, me fazendo rir também. "Não, é sério... Eu adoro cozinhar, só não garanto que gosto a comida vai ter."

"Eu sou persistente, talvez eu te dê uma mãozinha. Mas e quanto a você?" Eu perguntei.

"Mmm, eu tenho um irmão mais velho. Tenho medo de água, altura e escuro. Sei lutar Taekwondo. Gosto de me exercitar. Minha cor favorita é azul-celeste. Eu também amo sorvete e eu odeio filmes de terror."

"Woah woah woah, espera um pouco... Como assim, você 'odeia' filmes de terror?" Eu a questionei.

"Eu só... não gosto. Por que eu assistiria a algo que eu sei que me assustaria? Não faz sentido."

"Mas a graça dos filmes de terror tá no suspense. Na tensão que você sente. A adrenalina correndo pelas suas veias, fazendo com que o seu coração bata mais rápido. Filmes de terror também podem ter comédia, romance... eles são ricos em muitos aspectos e não se limitam só a sustos."

"Wow... você gosta mesmo deles, não gosta?"

"Muito." Eu ri, ao perceber que havia me empolgado na minha defesa.

Quando terminamos de tomar sorvete, começamos a andar pelo parque, apenas observando as outras pessoas nos brinquedos.

"Bom, eu tinhas as opções da montanha russa, a roda gigante e a casa assombrada pra levar você mas acho melhor evitarmos esses lugares, certo?" Eu ri ao perguntar.

"Certo." Ela freneticamente assentiu com a cabeça, me fazendo rir ainda mais.

Nós fomos em mais alguns brinquedos antes de decidirmos ir embora. No caminho de volta, nós íamos conversando confortavelmente no ônibus.

"Então..." Ela começou. "O que você ainda faz sem uma namorada?"

"Tentando consertar meu coração partido."

"Quem teve a audácia?" Ela fingiu estar furiosa, o que novamente me arrancou algumas risadas.

"Lembra da garota que estava comigo no café, ontem?"

Ela assentiu.

"Ela é a culpada por roubar meu coração."

"E não tem como você pegá-lo de volta?"

Eu dei de ombros. "Eu já tentei. De diversas formas."

"E sair com outra garota foi sua última opção?" Ela perguntou.

"Penúltima."

"Talvez não precise de mais uma." Ela sorriu para mim e eu sorri de volta.

"É... talvez."

Depois que acompanhei Jiyeon até sua casa, eu voltei para casa e após tomar banho e vestir meu confortável pijama, eu ainda não estava com sono, então resolvi assistir a um filme. Vi que meu sorvete havia acabado e não tinha mais salgadinhos dentro do armário da cozinha. Sem meus 'suprimentos', meu programa não teria graça. Com preguiça demais para trocar de roupa, eu apenas coloquei meu moletom, peguei minhas chaves, carteira e celular e fui à loja de conveniência mais próxima.

Eu já havia colocado na minha cesta, um pacote de marshmallows, Twix, Cheetos e uma lata de Pringles. Tinha pipoca em casa, então era algo a menos na minha lista. Agora eu estava à caminho de pegar meu sorvete de baunilha quando meu celular tocou. Ao tirá-lo do bolso, fiquei surpreso em ver quem me ligava.

"Kim Taeyeon."

"Jung Joonhwa."

"Posso ajudar?" Eu perguntei rindo.

"Tá fazendo o quê?"

"Compras."

"A essa hora? Por quê?"

"Eu resolvi assistir filme mas vi que meu sorvete tinha acabado e que eu fiquei sem salgadinhos, então me arrastei até a loja de conveniência mais próxima de casa e agora tô indo pegar meu sorvete."

"Você não vive sem sorvete, não é?"

"Mmmm... não."

Escutei ela rir. "E que filme vai assistir?"

"Annabelle 2. Quer se juntar a mim?"

"Depende... Você vai comprar Gummy Worms?"

"Posso abrir uma exceção."

"Já jantou?" Ela perguntou.

"Não, por que?"

"Pepperoni ou Meat and Bacon?"

"Os dois."

"Te vejo daqui a pouco." Ela disse rindo, antes de desligar.

De repente, eu me senti mais animado por saber que passaria o resto da minha noite com Taeyeon. Quando peguei o sorvete e o pacote de Gummy Worms para a Taeyeon, fui até o caixa e recebi alguns olhares estranhos da moça que me atendeu. Provavelmente porque eu sorria como um idiota.

Ao voltar para casa, deixei tudo no sofá da sala e fui até a cozinha fazer a pipoca. Logo quando eu voltava para a sala com a vasilha de pipoca em mãos, a campainha tocou. Quando eu abri a porta, encontrei Taeyeon sorria para mim, segurando duas caixas médias de pizza empilhadas em cima uma da outra. Ela pegou um punhado de pipoca da vasilha e fez seu caminho até o sofá.

"Refrigerante ou suco?" Eu perguntei deixando a vasilha que eu segurava, na mesinha de café à frente do sofá.

"Coca-Cola." Ela respondeu, mexendo na sacola que eu havia deixado quando voltei da loja.

Fui à cozinha e voltei com duas latas de refrigerante em mãos. Entreguei uma à Taeyeon e após abrir a minha, apertei 'play' no controle remoto antes de pegar uma fatia de pizza de pepperoni.

"Então, como foi o seu encontro?" Taeyeon perguntou, enquanto prestávamos atenção ao início do filme.

"Uhh foi... legal. Nós fomos ao Lotte World e eu conheci um pouco mais sobre ela."

"O que você sabe sobre ela, agora?"

"Algumas coisas." Eu dei de ombros, honestamente achando estranho ter aquela conversa com Taeyeon sobre Jiyeon.

"Tipo o quê?"

"Sua cor favorita é azul-celeste. Ela gosta de exercícios. Sabe lutar Taekwondo. Gosta de cozinhar. Ama sorvete como eu. Tem medo de água e altura e não gosta do escuro." Eu enlistei tudo o que eu lembrava.

"Ela tem medo de escuro?! Quantos anos ela tem... 4?" Taeyeon perguntou em um tom sarcástico.

"Falou quem gosta de Minions e Frozen." Eu retruquei, provocando-a.

"Pra sua informação, eles são pra todas as idades."

"Se isso faz você se sentir melhor, então tudo bem." Eu brinquei, bagunçando o cabelo dela.

"Na verdade, eu achei bem fofo ela ter medo disso." Eu comentei rindo levemente.

Pela minha visão periférica, vi Taeyeon revirar os olhos e cruzar os braços. "Que bom. Então parece que você encontrou a garota perfeita."

Eu sorri sem mostrar os dentes, balançando a cabeça em negação. "Não... Ela não gosta de filmes de terror e isso é um ponto crucial na minha lista de características do meu tipo ideal."

"E o que mais tem nessa lista?"

"Mmm, ela tem que ser gentil. Ter senso de humor pra rir das minhas piadas. Tem que aguentar minha cafonisse, como você diz. Deve ser paciente porque eu sempre vou dar carinho à ela mas vou precisar receber também. Vai ter que confiar mim e ter certeza de que eu nunca vou fazer qualquer coisa pra machucá-la. Ela deve ser honesta comigo e dizer o que não a agrada, mantendo a nossa relação sem segredos. Ela tem que ter o sorriso mais lindo do mundo que me faça ficar cada vez mais apaixonado por ela, e olhos cativantes que me hipnotizem toda vez que eu olhar pra eles. Seu toque tem que me fazer relaxar e sua presença tem que fazer meu coração se encher de felicidade."

É, eu sei. Só uma pessoa se encaixava nesse perfil e ela estava bem ao meu lado com a boca cheia de minhoquinhas de gelatina, totalmente desatenta ao fato de que eu acabei de descrevê-la.

"Bem... Parecem ser muitas qualidades pra uma pessoa só."

"Ela vai ter todas elas. Mas quando ela estiver pronta pra vir até mim, eu vou abraçar todas as suas imperfeições com prazer porque elas também formam quem ela é... e eu não mudaria nem um fio de cabelo nela." Eu completei, balançando a cabeça em negação ao me esticar e pegar mais um pedaço de pizza.

"Me avise quando encontrá-la." Taeyeon pediu.

Eu assenti e a conversa se encerrou ali. No meio do filme, eu aproveitava cada colherada do meu sorvete quando percebi que Taeyeon começou a sentir frio, dado pelos calafrios que ela sentia e como ela esfregava os braços.

"Quer um cobertor?" Eu perguntei.

"Uh?" Ela virou-se para mim, colocando um pedaço de Twix na boca.

"Um cobertor."

"Não precisa." Taeyeon voltou seu olhar para a tela da TV.

"Tem certeza? Você pode acabar doente se continuar com frio e--"

"Pode me abraçar?" Ela pediu, quase murmurando.

Eu engoli em seco ao processar as palavras dela na minha cabeça. Eu queria ter certeza de que não escutei errado. Taeyeon queria mesmo meu abraço? Eu não pensaria duas vezes em dar à ela o que ela pediu mas minha consciência me dizia que mesmo que o namorado traíra dela merecesse, ela se sentiria culpada por estar abraçada com outra pessoa.

"Uh?" Foi no que o meu cérebro idiota conseguiu pensar.

"Você parece uma caldeira ambulante. Melhor do que qualquer cobertor." Ela brincou.

"Vou tomar isso como um elogio." Eu disse rindo. Eu nervosamente me aproximei de Taeyeon, colocando meu braço em volta dela e descansando gentilmente minha mão em sua cintura. Ela encostou a cabeça na região entre o meu pescoço e o meu ombro, também colocando seu braço em volta de mim. Taeyeon voltou a comer seu chocolate e eu deixei o pote de sorvete entre as minha coxas usando a mão que não segurava Taeyeon, para cavar o conteúdo do porte.

À medida em que íamos assistindo ao filme, ficava mais fácil dar comida um na boca do outro considerando a posição em que estávamos no sofá. Ela levava marshmallows à minha boca e eu, Pringles à dela. Às vezes ela errava de propósito só para me ver irritado mas era divertido vê-la com aquele sorriso bobo e inocente em seu rosto, me mostrando sua covinha. Quando eu ameaçava remover meu braço dela, Taeyeon logo enchia minha boca com comida e começava a rir de como minhas bochechas ficavam inchadas como as de um coelho. Eu apenas revirava os olhos e balançava a cabeça de um lado para o outro, enquanto lutava para mastigar.

Quando o filme acabou, Taeyeon disse que precisava ir ao banheiro mas antes pediu que eu escolhesse outro filme. Decidi escolher outro gênero e como eu sabia que Taeyeon gostava de filmes de animação, eu comecei a procurar por algum que ainda não tivéssemos assistido. De repente eu lembrei de que alguns dias atrás, ela chegou a comentar que ainda não havia assistido Meu Malvado Favorito 3 porque não teve tempo e foi justamente esse que eu escolhi. Taeyeon voltou do banheiro e Butter a seguiu. Ele sentou no meu colo e ela encostou a cabeça no meu ombro. Dessa vez eu não hesitei em colocar meu braço em torno dela como eu tinha feito antes. Taeyeon começou a acariciar o pêlo do Butter enquanto esperava o filme começar.

Passamos um bom tempo em silêncio, já que ela tinha realmente interesse nos Minions. Como eu apenas enxergava o topo da cabeça dela, eu realmente cheguei a achar que ela havia dormido mas descartei a possibilidade ao escutar o som de sua voz.

"Você a beijou?"

"O quê?" Eu me virei para ela, mesmo não podendo ver o seu rosto.

"No seu encontro... você a beijou?" Ela repetiu.

"Uhh não. Foi só o nosso primeiro encontro e eu ainda não sinto nada por ela."

"Ainda? Quer dizer que pode vir a sentir?"

"Eu não sei. Talvez..."

"Okay." Ela respondeu e se calou posteriormente.

Taeyeon me confundia. Em um momento ela estava bem e no próximo ela voltava a se fechar. Parecia que ela ainda estava em conflito ao ter que escolher entre eu e ele, sendo que ela já havia deixado claro qual havia sido sua escolha. Era como se ela ainda esperasse por algo que a fizesse mudar de ideia. Como se esperasse que um de nós fizesse algo que a induzisse a pensar novamente. Mas pelo menos eu, não faria mais isso. Eu sentia que já havia tentado toda e qualquer coisa que eu pudesse ter feito para que ela tivesse me escolhido. Taeyeon e Baekhyun tiveram uma história. Talvez esse tenha sido o parâmetro considerado por ela. Talvez ele tenha sido importante e ela não quis abandonar e esquecer completamente o que uma vez sentiu por ele.

Doía pensar nisso. Mas era a única coisa que fazia sentido para mim.

"Taeyeon?"

"Hm?"

"Você é feliz com ele?"

Ela demorou um pouco para responder, como se estivesse refletindo sobre a pergunta. "Se eu não fosse, por que eu ainda estaria com ele? Por que eu teria dado outra chance a ele?"

Eu lentamente retraí o braço que estava em volta dela, enquanto cerrava o punho da outra mão. "Vou considerar isso como um 'sim'." Eu respondi com um riso sem graça.

Taeyeon se afastou de mim. "Você devia considerar dar uma chance à Jiyeon. Talvez assim, parasse de se preocupar tanto com o meu relacionamento e começasse a cuidar da própria vida." Ela disse irritada ao levantar-se subitamente do sofá.

"Woah, calma aí. Por que você tá me atacando desse jeito?" Eu a questionei, ao pausar o filme.

"Talvez se você não o atacasse tanto, essa discussão não seria necessária." Ela respondeu, cruzando os braços.

"Atacá-lo?!? Eu tava tentando proteger você de se machucar por causa daquele idiota!" Eu me levantei, ficando frente a frente com ela.

"Eu não preciso da sua proteção."

Deixei uma risada irônica sair. "Ah é, eu esqueci que a Sra. Independente não precisa de ninguém."

"Eu já tenho quem eu preciso."

Qual era o sentido de todas aquelas palavras que mais pareciam como facas penetrando na minha pele?!? O que foi que eu fiz?!?

"Você tá falando sério?! Primeiro vem com essa história de querer se aproximar de mim e agora me trata como se eu fosse uma peste. Que mal eu fiz a você, Taeyeon?!? Me preocupei demais, porque você era importante pra mim?! Me dediquei demais a você, porque cuidar de você me fazia sentir bem?!"

"Eu nunca te pedi que fizesse nada disso."

Eu me sentia indignado com tudo o que eu escutava sair da boca dela. Taeyeon não era assim. Ela sempre foi gentil. Nunca foi rude e eu não entendia porquê ela estava sendo assim comigo. Eu nunca achei que poderia me machucar mais do que já havia me machucado. Tudo isso. Toda essa dor por causa de uma única garota.

"Você poderia por favor... ir embora?" Eu pedi de cabeça baixa, tentando engolir o enorme nó entalado na minha garganta.

Taeyeon apenas pegou suas coisas e saiu sem dizer mais uma palavra.

Naquela noite, eu não consegui dormir. Minha discussão com Taeyeon me fez lembrar que eu precisava de um tempo para mim mesmo. Ela tinha razão, eu precisava tomar conta da minha vida e aceitar que ela não me queria na dela.

Eu precisava do meu refúgio.



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