História Thank You, Destiny - Capítulo 25


Escrita por:

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Categorias Girls' Generation
Personagens Personagens Originais, Taeyeon, Tiffany
Tags Bae Joohyun, Byun Baekhyun, Jungkook, Kim Seolhyun, Kim Taeyeon, Nichkhun, Original Characters, Sungjae, Tiffany, Vernon
Visualizações 5
Palavras 7.020
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 25 - Meu lugar especial Pt.1


Fanfic / Fanfiction Thank You, Destiny - Capítulo 25 - Meu lugar especial Pt.1

Quando já era de manhã e o Sol começava a aparecer, eu me levantei mesmo sem dormir a noite inteira. Depois que me lavei, comecei a me arrumar, mas não para caminhar. Peguei minha carteira, celular, fones de ouvido e restante dos salgadinhos da noite anterior e coloquei tudo na minha mochila. Era sábado então eu não tinha que me preocupar em voltar para casa até segunda de manhã.

Seungkyung dormiu na casa da Tiffany e halmeoni ainda estava dormindo quando eu saí de casa e fui em direção ao ponto de ônibus. Eu mentalmente anotei que precisava ligar para ela e avisá-la que eu havia saído por um tempo, assim ela não se preocuparia... não tanto, pelo menos.

Chegando à rodoviária, eu comprei minha passagem e esperei até a hora de entrar no ônibus.

Durante a viagem, eu ia escutando música enquanto observava a natureza tomar conta da paisagem. Eu comecei a analisar os formatos das nuvens no céu claro acima de mim. Consegui visualizar um cachorro sentado, um coelho deitado, uma rosa e o perfil do rosto de uma pessoa. Eu gostava de fazer isso, sempre que fazia essa viagem. Também me ajudava a me concentrar no meu Modo Buda, como Taeyeon costumava dizer.

As horas que eu passei dentro do ônibus até meu destino final, me ajudaram a refletir sobre minha atual situação com relação à Taeyeon.

Era mesmo a hora de seguir em frente? Era mesmo a hora de entregar minhas cartas e aceitar minha derrota? De entender que talvez 'nós' nunca tenha acontecido e que nunca vai acontecer?

Essas perguntas circundavam meus pensamentos, me atormentando com incertezas que pareciam não ter soluções. Algo me dizia que as respostas para elas era 'sim'. No entanto, era como se outra parte de mim se recusasse a desistir dela. Continuava me dizendo para continuar tentando, mesmo que eu sofresse. Essa luta dentro da minha cabeça parecia não ter fim. Eu fiquei nesse dilema até deixar que o sono me consumisse pela noite de descanso perdida.

~~~

"Ei garoto..." Meu sono foi perturbado quando senti alguém me chacoalhar pelos ombros. Abrindo os olhos devagar, para que eles se ajustassem à claridade, percebi que era um homem de uniforme olhando para mim.

"Ne?" Eu disse, ainda sonolento.

"Nós já chegamos em Busan. Eu tenho levar esse ônibus de volta pra garagem e você precisar sair." Ele me informou.

"Ah, eu sinto muito." Eu me curvei levemente, antes de pegar minhas coisas e sair do veículo.

No terminal rodoviário, eu me sentei no banco mais próximo e tirei meu celular do bolso. Vi que tinha apenas 2% de bateria e eu mentalmente me estapeei por não ter o recarregado durante a noite. Durante a viagem, eu acabei dormindo enquanto ele continuou a tocar música. Eu não sabia se ligava para a halmeoni ou se mandava uma mensagem para o Seungkyung mas não tendo garantia que ela atenderia de primeira, eu comecei a digitar no celular informando a Seungkyung que eu estava em Busan e que eles não precisavam se preocupar comigo. Logo quando eu apertei o botão 'enviar', a tela do meu celular se apagou, me informando que a bateria havia acabado. Eu só esperava que tivesse dado tempo de enviá-la.

Não pude pensar muito mais sobre o fato, quando meu estômago começou a reclamar de fome. Olhando no meu relógio de pulso, eu vi que eram duas da tarde. Durante a viagem, eu não havia lanchado considerando que eu dormi o trajeto inteiro então era de se esperar que eu estivesse faminto. Ao me levantar e pôr a mochila nas costas, fui até o restaurante que eu sempre ia toda vez que chegava em Busan, de ônibus.

Depois que almocei, segui meu caminho até o local cujo era meu objetivo, naquele dia.

~~~

"Seung, você não faz ideia de onde ele possa ter ido?" Taeyeon começara a ficar impaciente, ainda mexendo no celular.

"Eu não-- ele normalmente vai pro parque Banpo Hangang ou fica no jardim da faculdade. O hyung nunca sumiu desse je-- espera!" Seungkyung estalou os dedos, ao levantar-se.

"O quê? O que foi?" Taeyeon o questionou, ao aproximar-se dele.

"Tem esse lugar... Faz muito tempo que o hyung não vai lá, mas é o único no qual eu consigo pensar."

"Onde é?"

"É um farol dentro da base naval nacional. Fica na ilha Gadeokdo em Busan e ele só vai lá, um vez ao ano. Mas se ele foi mesmo então por algum motivo, resolveu ir mais cedo esse ano."

"Como eu chego lá?"

"Chegando em Busan, você precisa ir até a vila Daehang. Se não souber como, só mostre o endereço que eu vou te mandar por mensagem, pra um morador local." Seungkyung começou a digitar no celular e assim que mandou a mensagem, guardou o celular de volta.

"1237, Gadeokhaean-ro, Gangseo-gu, Busan. Entendi." Ela leu a mensagem e rapidamente alcançou as chaves do carro que usava em raras ocasiões, em cima do balcão.

"Mas noona..." Seungkyung a chamou, antes que Taeyeon saísse de casa.

"Ne?"

"O hyung... Aquele lugar é... muito particular pra ele."

Taeyeon apenas assentiu e saiu.

~~~

No caminho até Busan, Taeyeon só parava para abastecer e comer, seguindo viagem logo em seguida. Horas depois, no final da tarde, ela finalmente havia chego ao seu destino e fez como Seungkyung havia instruído, indo para a vila Daehang. Com a ajuda de alguns moradores, ela encontrou o farol e após estacionar o carro lá por perto, foi em direção ao primeiro. Depois de andar por toda a extensão do quebra mar, Taeyeon chegou ao final da estrutura, encontrando uma figura masculina, inclinada sobre o parapeito abaixo do farol.

"Então esse é o seu lugar especial?" Ela perguntou, apoiando-se no parapeito.

"Depois que perdi o vovô, eu vinha aqui todos os dias, não importava qual fosse o horário..." Eu comecei, ainda olhando a frente.

"Eu me sentava aqui e ficava horas e horas, só olhando os barcos irem e voltarem, escutando o som das ondas e da água batendo contra as rochas e também o barulho das gaivotas, sentindo a mesma brisa que bate agora." Parei para respirar fundo e aproveitar aquele momento e me virei de frente para ela em seguida. "Como me encontrou aqui?"

"Eu estivesse procurando você o dia inteiro. Mandando mensagens a você e tentando te ligar mas nada adiantava. Fui à biblioteca, ao jardim da faculdade e ao parque Banpo e já estava sem ideias de onde te encontrar. Então Seung me falou que você vem aqui, uma vez ao ano."

"A bateria do meu celular acabou e eu não trouxe nenhum carregador." Expliquei.

"A quanto tempo você está aqui?"

"Peguei o primeiro ônibus saindo de Seoul e cheguei aqui por volta das duas da tarde." Eu respondi. "Espera, porque você tá aqui?"

Ela desviou o olhar de mim e encarou o horizonte à sua frente. "Eu precisava me desculpar..."

"Gwaenchanha." Eu respondi com pequeno sorriso.

"Ne?"

"Eu fiquei aqui tempo suficiente pensando em tudo o que vem acontecido ultimamente. Passar essa tarde sozinho, me permitiu tomar algumas decisões. As coisas tão começando a clarear pra mim, agora."

"Você vai desistir da música?"

Eu sacudi a cabeça em negação, sorrindo. "Não. Eu posso ter tido meu momento de dúvida antes, mas percebi que música sempre esteve presente na minha vida. E desistir disso, seria como desistir de parte de mim."

"Fico feliz em saber que você não vai deixar seu sonho de lado." Taeyeon sorriu.

"Mhm." Eu assenti antes de virar para Taeyeon novamente e perceber que ela não carregava coisa alguma consigo. "Você veio atrás de mim sem nada?"

"Eu vim dirigindo."

"Desde quando você dirige?" Eu a questionei, com uma das sobrancelhas levantada e ligeiramente surpreso.

"Já faz tempo que eu tirei a habilitação, só não via necessidade de usar meu carro, porque a distância entre o trabalho e minha casa, era pequena." Ela esclareceu.

"Ah... Não tá cansada?"

"Considerando que eu só parei pra abastecer e comer alguma coisa, eu diria que um pouco." Ela riu brevemente, ao se espreguiçar. "E você, não está com fome?"

"Faminto, na verdade. Quer comer alguma coisa? Conheço uma pojangmacha excelente na vila."

"Mostre o caminho."

Nós saímos do farol e andamos em direção a onde ela havia estacionado seu carro. Taeyeon quis ir para o lado do motorista mas eu a impedi, tomando as chaves de sua mão. "Você dirigiu até aqui sem descanso, deve estar exausta. Deixa que eu dirijo."

"Tudo bem." Ela sorriu e deu a volta no carro, indo sentar-se no banco do passageiro.

Quando sentei-me, ajustei o retrovisor e dei partida no carro. Eu dirigi até a vila e chegando próximo à barraca de rua, estacionei e saímos do veículo. Nós comemos de tudo, um pouco; Espetinhos de peixe, panquecas de kimchi, tteokbokki, gimbap, bolinhos e vegetais fritos cortados. Nós limpávamos o rosto um do outro, sempre que havíamos nos sujado com molho ou algo do tipo.

Depois de comermos, ela parecia bastante sonolenta, então sugeri que passássemos a noite em Busan e no dia seguinte, voltássemos para Seoul.

"Você conhece algum hotel ou casa de hóspedes por aqui?" Ela perguntou, enquanto voltávamos para o carro.

"Conheço, mas vai demorar um pouco pra chegar lá. Tudo bem pra você?"

"Claro, pode me acordar quando chegarmos? Eu necessito de um cochilo." Ela pediu.

"Sem problemas." Eu disse rindo, ao ligar o carro novamente.

Comecei a dirigir novamente e de vez em quando, desviava o olhar para o lado, observando-a dormir. Depois de um tempo, estacionei o carro, quando chegamos em frente à casa... dos meus pais, em Haeundae.

Eu desci do carro e toquei a campainha. Quando meu pai abriu a porta, ficou surpreso em me ver mas não pude conversar muito com ele ou com a eomma, ao explicar resumidamente sobre o porquê de eu ter ido para casa e que Taeyeon estava no carro. Voltei ao carro e eles abriram a garagem para mim. Ao estacionar na mesma, não tive coragem de acordar Taeyeon, então eu a carreguei para dentro de casa e subi com ela para o segundo andar, levando-a até o meu quarto. De vez em quando eu e Seungkyung voltávamos a Busan, então nossos quartos estavam sempre arrumados. O meu ainda estava do mesmo jeito que eu havia deixado... Fotos na parede dos campeonatos esportivos que participei quando era mais novo, outras com meus amigos e familiares, minha estante de livros, meu antigo violão ainda no suporte de chão ao lado da minha cama e até as roupas que eu não havia levado para Seoul, quando me mudei.

Eu deitei Taeyeon na minha cama, tirei seus sapatos e a cobri com o cobertor que estava lá. Ela estava mesmo cansada para nem ter se mexido no trajeto do carro até o quarto, em meus braços. Quando voltei para a sala, fui conversar com meus pais e explicar toda a situação.

"Joon-ah, por que veio mais cedo esse ano?" Eomma perguntou.

"Eu precisava de um tempo sozinho pra pensar em algumas coisas ou até mesmo tentar esquecê-las e o único lugar no qual eu conseguiria fazer isso, era o farol em Gangseo."

"Aconteceu alguma coisa em Seoul? Você só vai àquele lugar, uma vez ao ano e costuma ser mais tarde do que veio..." Appa adicionou.

"Sabe a garota que veio comigo?"

Eles assentiram calados, esperando que eu continuasse.

"Ela vem virando meu mundo de cabeça pra baixo desde o dia em que eu encontrei com ela pela primeira vez. E às vezes eu não faço ideia do que fazer, do que pensar e quando isso me deixa frustrado, eu só quero fugir pra qualquer lugar, longe de qualquer pessoa. Mas lá em Seoul, onde quer que eu vá agora, eu só consigo pensar nela... Meu único refúgio era o farol."

"Então eu suponho que aquela garota seja a Taeyeon que a sua avó tanto me falou por telefone...?" Eomma perguntou.

"A própria."

"Você deve estar cansado. Que tal conversarmos mais, amanhã? O F.C. Seoul vai jogar contra o Busan IPark no Asid Main Stadium e faz tempo que eu não assisto a um jogo com o meu filho..." Meu pai sugeriu.

"Claro pai." Concordei com um sorriso.

Meu pai sempre foi um grande fã de futebol e sempre levava seus três filhos, para assistir aos jogos naquele estádio. Depois que os desejei uma boa noite, fui dormir no quarto do Seungkyung, que ficava logo ao lado do meu.

~~~

Logo de manhã, eu senti falta de ser acordado pelo Butter. Fui ao banheiro no final do corredor do segundo andar, lavei o rosto e escovei meus dentes. Desci até a cozinha e encontrei meu pai na mesa, lendo seu jornal enquanto tomava seu café preto como sempre fazia e eomma cozinhando, enquanto assistia à TV que ficava na parede.

"Bom dia." Eu disse ao pegar uma maçã na cesta em cima do balcão da ilha central da cozinha.

"Oh Joon-ah, bom dia meu bebê." Eomma me cumprimentou com um sorriso e veio até mim, dando-me um beijo na testa.

"Eomma, acho que já passei da idade de ser chamado assim." Eu reclamei, o que só a fez apertar minhas bochechas e sacudir minha cabeça de um lado para o outro.

"Você e seus irmãos sempre serão meus bebês." Ela disse.

"Pronto pra ver o Seoul levar uma surra do IPark?" Papai perguntou.

"Ha! Como se isso fosse mesmo acontecer, appa." Eu sorria sarcasticamente. Sempre torci para o time da capital enquanto meu pai era fiel ao time local.

"Vocês e esse futebol." Mamãe revirou os olhos e voltou a fazer as coisas que estava preparando.

"Hm? O que é tudo isso, eomma?" Eu perguntei, apontando para as diversas vasilhas em cima do balcão.

"Você esqueceu que hoje é domingo?"

"Ahhh, arasseo."

Todo domingo, meus pais faziam um churrasco e chamavam toda a vizinhança. Tínhamos um quintal grande, com aquelas grandes mesas de piquenique e piscina, o que divertia os filhos dos vizinhos. Eomma gostava de preparar os acompanhamentos enquanto appa cuidava da churrasqueira.

"Por que não vai logo se trocar, Joonhwa? Assim aproveitamos e saímos logo." Meu pai sugeriu.

"Ne. Eomma... Tem alguma escova de dentes pra Taeyeon?"

"Ah, sim... No armário do banheiro lá de cima."

"Okay, já volto." Eu avisei e voltei lá para cima. Fui ao banheiro e procurei pela escova dentro do armário. Quando encontrei a embalagem, fui ao meu quarto e a deixei na mesinha ao lado da cama. Taeyeon ainda dormia profundamente e eu apenas ajeitei o cobertor, cobrindo suas pernas completamente. Deixei um bilhete junto com a escova e antes de sair do quarto, peguei algumas roupas no meu armário.

Depois que me troquei, desci para a sala onde minha mãe avisou que meu pai já esperava no carro. Eu a avisei que Taeyeon ainda estava dormindo e ela disse que esperaria a mesma acordar, para poder sair e ir à feira.

No caminho até o estádio, meu pai quis conversar um pouco.

"Então, como estão as coisas lá na casa da sua avó?" Ele perguntou, focado na direção.

 "Tudo bem. Parece que com a chegada do Butter, ficou tudo mais animado, lá." Eu ri, ao lembrar da mudança no clima de casa.

"Ah, e quando irá trazê-lo aqui pra que ele conheça Chuck e Mochi?"

Chuck era um dos cães que meus pais tinham em casa. Ele era um Bulldog Inglês de pelagem branca e bege, era forte, baixinho e como todo cão da raça dele, Chuck era dócil, calmo e preguiçoso. Se ele pudesse, passaria o dia inteiro, deitado no sofá da sala. Ele tinha o corpo e o rosto cheio de dobras, o que fazia você querer apertá-lo para sempre.

Mochi era um Akita todo branco, parecendo neve. Dei esse nome a ele, justamente pela sua aparência me lembrar um bolinho de arroz japonês. Ao contrário do Chuck, Mochi gostava de fazer exercícios físicos todo dia, o que o levava a tomar mais água e se tornar um pouco bagunceiro. Vai entender, né? Então basicamente, tínhamos os dois lados da mesma moeda, em casa. Chuck era o preguiçoso e Mochi, o agitado.

"Talvez no próximo feriado. Vou ver se consigo convencer a halmeoni a sair um pouco de Seoul."

Um momento de silêncio se instalou dentro do carro antes do appa quebrá-lo. "Como ela está lidando com tudo isso?"

"Não acho que vá melhorar de uma hora pra outra, considerando que ela viveu mais de 50 anos com ele..." Eu suspirei.

"E você?"

"Hm? O que tem eu?" Me virei para ele.

"Isso já aconteceu com você antes... Perder alguém tão próximo."

"Eu sei que ainda vai doer por muito tempo e que vão haver dias em que eu vou estar bem e dias que não vão ser tão bons... Mas eu sei que tenho minha família e meus amigos comigo e sou muito afortunado por isso."

Abeoji apenas sorriu e bagunçou meu cabelo com a mão direita, enquanto a esquerda segurava o volante.

Enquanto isso, Taeyeon havia acordado e começara a perceber que o quarto em que estava, não parecia nada com um quarto comum de um simples hotel ou casa de hóspedes. Ela levantou-se e começou a olhar em volta, analisando as fotos na parede de um garoto sorridente, cujo rosto apresentava feições similares a alguém que ela já conhecia. A porta deslizante do guarda-roupa estava aberta então Taeyeon também pôde ver as camisas e casacos, pendurados nos cabides, dentro do armário. Na parede oposta ao guarda-roupa, estava a estante de livros e ao lado desta, ficava o violão. No canto mais afastado da porta, ficava a cama na qual ela acordou. Encostada na parede e em frente à ela, ficava a escrivaninha, a qual se posicionava de frente para a janela do quarto.

Quando Taeyeon sentou-se na cama novamente, depois do tour pelo quarto, ela viu a escova de dentes sobre a mesa, junto com um bilhete, no qual estava escrito:


{Bom dia :)

Antes de qualquer coisa, nós dormimos na casa dos meus pais, noite passada. E caso você esteja se perguntando quem é o garoto das fotos na parede do quarto... Sou eu e esse é o meu quarto ㅋㅋㅋ

Eu saí com meu pai. Apenas saia do quarto e desça as escadas, que você deve encontrar minha mãe na sala.

Voltamos antes do almoço,

Joon.

PS.: Não se assuste com ela. Eomma sempre quis ter uma filha mas o resultado foi 3 filhos homens, então ela pode querer te tratar como uma ㅋㅋㅋ}


"Tá bom, então... eu passei a noite na casa dos pais dele... dormi no quarto dele... e a mãe dele tá lá em baixo?!?" Taeyeon arregalou os olhos, uma vez que percebeu toda a situação.

Ela pegou a escova e foi para o banheiro. Lavou o rosto, escovou os dentes e ajeitou suas roupas, passando a mão nos cabelos, tentando parecer o mais apresentável, possível. Taeyeon tentou descer as escadas furtivamente, e se sentiu até aliviada de não encontrar ninguém na sala.

"Oh Taeyeon-ssi, você acordou." Uma voz disse de repente atrás de Taeyeon, fazendo-a dar um pulo de susto e olhar para ela, como se fosse uma assombração. "Eu sinto muito por assustá-la. Você dormiu bem?"

"Por acaso... Você é a..." Taeyeon analisava a senhora alta à sua frente, de cabelos negros na altura do queixo. Se você está tentando imaginar como ela seria, é seguro dizer que ela era muito parecida com Kim Sung Ryung.

"Ah, me desculpe..." Ela sorriu. "Meu nome é Jung Ahreum, sou a mãe do Joonhwa... E você é Kim Taeyeon, não é?"

"Uh? C-como sabe quem eu sou?"

Ahreum apenas sorriu. "Está com fome? Venha, vou fazer algumas panquecas pra você." Ela ficou ao lado de Taeyeon, levando-a até a cozinha.

Taeyeon sentou-se no banco da ilha da cozinha e mamãe a serviu um pouco de café. "Vai querer torradas também?"

"U-uh? Ah, não... tudo bem." Taeyeon respondeu, balançando as mãos em sinal de negação.

"Aye~ você precisa se alimentar direito. Vou fazer algumas." Eomma insistiu, levando algumas fatias de pão à torradeira.

"Kamsahamnida, Sra. Jung." Taeyeon curvou-se à ela."

"Ah meu amor, não seja tão formal. Pode me chamar de 'eomeoni'." Mamãe deu à Taeyeon, o sorriso reconfortante que sempre tinha em seu rosto, não falhando em fazer qualquer pessoa que o visse, sorrir também.

"O Joon e a avó dele, também me pediram isso quando eu os conheci." Taeyeon sorriu, ao lembrar.

"Aish, aquele garoto. Não há qualquer conversa minha com a avó dele, em que ela não mencione o seu nome, Taeyeon-ssi." Ahreum explicou, abafando um riso por entre dentes, enquanto começava a preparar o café da manhã para Taeyeon.

"Halmeoni? Ela fala de mim?"

"Se ela fala de você?! Minha mãe só sabe falar de como ela gosta quando você e a Tiffany vão à sua casa. Além de, é claro, contar sobre como o humor do Joon varia com relação a você."

"E-eu?"

"Quando ele passa o dia com você, ele volta com um sorriso enorme pra casa. Quando não te vê, ele fica triste.

Ele até disse à ela que só vai à universidade, pra ver você todos os dias." Eomma riu, enquanto terminava fazer as panquecas para Taeyeon.

"Mas ele ama música, porque seria eu o motivo de ele frequentar a faculdade?"

"Talvez seja porque ele gosta mais de você do que da música, agora." A senhora respondeu, sorrindo ao perceber que Taeyeon havia corado. "Minha mãe também contou que você foi a primeira a visitá-lo, logo que soube o que aconteceu. Obrigada por ter estado lá por ele, querida." Ela pôs sua mão sobre a de Taeyeon, dando uma fraco sorriso à ela.

Taeyeon olhou nos olhos dela e pôde perceber que a sensação que ela tinha era familiar, o que a fez ficar um pouco nervosa. "Q-quê isso... O Joon sempre foi uma pessoa incrível e sempre me ajudou quando eu mais precisava. Eu não poderia fazer menos, por ele."

"Ele gosta muito de você, Taeyeonie."

"Antes de qualquer coisa, o Joon é uma pessoa valiosa pra mim, eomeoni." Taeyeon sorriu.

"É bom saber, querida." Ela afastou-se de Taeyeon, deixando-a comer suas torradas e panquecas, sossegada. Pelo menos por alguns segundos.

"Taeyeonie."

"Sim?"

"Você tem namorado?"

Taeyeon quase engasgou com o pedaço de panqueca que estava comendo. "N-ne?!"

"Você tem namorado?" Ela repetiu.

"A-ah... E-eu... B-bom... Você pode dizer que sim."

"Ah~ achei você e o Joon estivessem juntos." Eomeoni riu.

"Uh?! W-wae?"

"Bom, ele só sabe falar de você e você é a primeira garota que ele trás aqui em casa e que dorme aqui."

"A-ahh... Ele está saindo com uma garota também." O tom de voz de Taeyeon pareceu mudar para algo um pouco mais desapontado e magoado.

"Hm? Jinja? Bom isso é estranho..." Ahreum parou para pensar.

"Por quê?"

"Ele não disse que estava saindo com alguém, em todas as vezes que nós nos falamos."

*Ele não contou à ela sobre Jiyeon?! Por quê?*

"Faz pouco tempo, vai ver ele esqueceu de mencionar..." Taeyeon disse.

"Ahh~ bom, espero que ela esteja tratando-o bem." Eomeoni comentou, quando começou a lavar a louça.

"Eu também." Taeyeon disse baixo, enquanto encarava a comida em seu prato.

"Taeyeonie, vou à feira aqui perto comprar algumas coisas... Gostaria de ir comigo?" Eomeoni perguntou, enquanto enxugava suas mãos.

"Ah, claro." Taeyeon concordou, levantando-se e indo levar os pratos à pia.

"Perfeito! Deixe isso aí, querida... Vamos." Eomeoni pegou Taeyeon e as duas saíram de casa, com os braços entrelaçados.

*Bem que você disse, Joon.*

Taeyeon pensava ao observar como a senhora estava feliz em tê-la em casa.

~~~

"Então filho... Você e a Taeyeon estão juntos?"

"Não appa, ela tem namorado."

"Ahhh, e você? Tem namorada?"

"Ani."

"Gosta de alguém?"

"Sim."

"Então por que não a chama pra sair?"

"Porque ela tem namorado."

"Ohhh..."

"É."

"Mas por que não procura sair com outras garotas?" Ele perguntou.

"Porque eu só consigo pensar nela." Eu respondi, olhando para a pulseira azul turquesa em meu pulso.

"Talvez você possa esquecê-la, saindo com outra garo--"

"Eu tô apaixonado, pai. Não consigo ver mais ninguém na minha frente, que não seja ela. Não quero mais ninguém." Eu apoiei o queixo na mão do braço que descansava sobre a porta do carro e fiquei olhando pela janela.

"Aigo~ seu irmão já teria esquecido dela, do jeito que ele é." Papai comentou.

"Quem? Seungkyung?! Ele não é mais assim, pai. Só tem olhos pra uma garota, agora." Eu ri, lembrando de como Tiffany o mudou.

"É sério?!" Ele levantou as sobrancelhas, surpreso.

Eu apenas assenti, tentando não rir da expressão no rosto dele. Nós finalmente havíamos chego ao estacionamento do estádio e ele procurava por uma vaga. Quando saímos do carro, entramos no estádio e fomos procurar pelos nossos assentos.

Desde o início, meu pai não parava. Ele cantava junto com a torcida, brigava com os jogadores nos lances errados, ficava apreensivo tanto quando partiam para o ataque, quanto quando tinham que defender. Em lances de bola parada perto da área do gol, como escanteios e faltas perigosas contra o time de Seoul, ele nem respirava. Meu pai era fanático por futebol.

Durante o intervalo, ele conseguiu se acalmar um pouco e enquanto comíamos cachorro quente e refrigerante, mandei uma foto minha e dele para a eomma, que já havia voltado da feira com Taeyeon e com a ajuda da última, já continuava preparando as coisas para o almoço.

"Ah, olha só esse dois." Eomeoni disse, mostrando à Taeyeon a foto que eu acabara de enviar.

"Hm? Este é o pai do Joon?"

"Sim... Sr. Jung Ji Ho." Mamãe respondeu.

Meu pai era aquele cara com sorriso amigável que sabia um pouco de tudo e era muito respeitado por todos. Fisicamente, se minha mãe era parecida com a atriz Kim Sung Ryung, eu poderia dizer que ele era o sósia de Jung Woo Sung... só alguns anos mais velho.

"Onde eles estão?" Taeyeon perguntou enquanto cortava alguns vegetais.

"Foram assistir a um jogo de futebol, devem voltar em uma hora."

Taeyeon apenas sorriu e assentiu em resposta e elas continuaram a cozinhar. Algum tempo depois, Ahreum ainda parecia curiosa sobre a garota a qual Taeyeon mencionou.

"Taeyeonie, essa garota com quem o Joon começou a sair... Você a conhece?"

"Uh? A-ah sim."

"E como ela é?"

"Eomeoni, você não acha que seria melhor se o próprio Joon contasse sobre ela?" Taeyeon hesitou em contar sobre Jiyeon. Parte porque ela não achava que era da conta dela e parte porque não queria falar sobre a mesma.

"Ani, quero saber o que você acha dela!" Ela esclareceu.

"Eu?! Wae?" Taeyeon perguntou, tentando não deixar que suas bochechas rosadas, entregassem seu súbito nervosismo.

"Porque eu confio em você e sinceramente..." Ela parou para se aproximar de Taeyeon. "Eu gostaria que o Joon encontrasse uma garota como você." Ela disse em tom de voz baixo quase num cochicho, mesmo que estivessem só elas duas em casa.

"E-eu?! M-mas por que eu?!" Taeyeon agora já estava de fato, corada e nervosa, desviando o olhar da minha mãe.

"Depois que perdeu o avô a 6 anos, ele ficou muito mal e achamos até que fosse cair em depressão. Então ele começou a mostrar interesse em outras atividades. Música, esportes, eram só no que ele pensava e continuou assim por um bom tempo. Nós deixamos, pois achávamos que era como ele estava conseguindo lidar com o luto, mas no fundo sabíamos que ele só estava fazendo tudo aquilo pra se distrair e não ficar mal. Ele continuava sorrindo e sendo bondoso e afetuoso com todo mundo, querendo o melhor para as pessoas à volta dele..."

*Sempre pondo as pessoas na sua frente, não é?*

"E agora que ele perdeu o outro avô, tenho medo que não aguente e se entregue. Por isso que eu espero que essa garota seja boa pra ele, Taeyeonie."

"Entendo."

"Entende o quê?"

Taeyeon se assustou ao ouvir uma voz masculina vinda de trás dela, fazendo-a virar-se na mesma hora. "J-Joon, você me assustou... Ah, é só... Conversa de... Mulheres, sabe?"

"Mhm..."

"Então, como foi o jogo?" Eomma perguntou, enquanto appa ia até ela, para dar-lhe um beijo.

"Papai ficou feliz porque o Busan ganhou. Tive que ficar escutando ele cantar o hino do time, desde que saímos de lá, até aqui." Eu respondi.

"Se você também torcesse pra eles, poderia ter cantado comigo." Ele respondeu.

"Dispenso." Eu disse, soltando um leve riso.

"Vou começar a assar as coisas." Ele anunciou, tirando algumas bandejas de inox com diversos tipos de carne temperada e indo para a área externa da casa.

"Joon-ah, por que você não leva a Taeyeonie pra conhecer a casa enquanto o pessoal não chega? Eu chamo vocês, quando estiver tudo pronto."

"Mwoya? Taeyeonie?! Vocês já estão tão próximas assim?" Abafei um riso por entre dentes, intercalando meu olhar entre elas duas.

"Que foi? Taeyeonie é uma ótima pessoa, super simpática e eu acho que era com uma garota como ela, que você deveria namorar."

Às vezes eu esquecia da honestidade da minha mãe.

"Tá bom, mãe. Estaremos no meu quarto." Eu disse segurando nos ombros de Taeyeon, levando-a para longe da cozinha, antes que eomma dissesse mais alguma coisa que me fizesse corar mais ainda.

Chegando lá enquanto eu tocava alguns acordes no violão, sentado na cama, Taeyeon começou a olhar novamente as fotos na parede do quarto.

"Você participou de muitas competições, não foi?"

"Uh? Ah, é. Sempre gostei de esportes e durante a época do colégio, eu joguei de tudo um pouco." Deixei o violão em cima da cama e fui para o lado de Taeyeon, analisando as fotos com ela.

"Qual deles você gostou mais de praticar?"

"Badminton." Apontei para a foto em que eu estava com meu troféu do campeonato regional, do qual participei.

"Por que esse?" Ela ainda olhava para a foto.

"É um esporte que te leva a aprimorar vários aspectos. Agilidade, velocidade, força, pensamento rápido, resistência... eu gostava bastante de praticar."

"E parou por causa da faculdade?"

Sacudi a cabeça em negação. "No último torneio em que eu joguei, machuquei o tornozelo e fiquei com medo de forçá-lo ainda mais e acabar piorando. Eu sempre levei as coisas que faço muito a sério e nunca consegui desistir de algo na metade do caminho e por isso, eu treinava todos os dias sem parar, mesmo que meu treinador brigasse comigo. Mas quando eu me lesionei, percebi que havia ido longe demais e que aquilo não iria fazer bem pra mim se eu continuasse daquele jeito, então resolvi deixar de lado esse meu lado esportista."

"Seus pais parecem ter dado muito apoio a você durante aquela época."

"É." Dei um sorriso fraco e voltei à cama, sentando de lado, com o violão sobre uma das coxas.

"Então Jung Joonhwa, vai me levar pra conhecer sua cidade?" Ela sentou-se à minha frente, espelhando a posição em que eu estava.

"Hm? Depois do almoço, nós podemos ir à praia mas se você quiser voltar para Seoul ainda hoje, temos que sair daqui no final da tarde."

"A praia já tá ótimo mas eu quero que você seja meu guia turístico, da próxima em que eu vier à Busan."

"Fechado!" Eu disse e nós sorrimos um para o outro. "A propósito, minha mãe não contou sobre momentos vergonhosos da minha infância, contou?"

Ela riu. "Não, mas agora fiquei curiosa pra saber quais são." Taeyeon disse erguendo uma das sobrancelhas, sorrindo estranhamente.

"Bela tentativa, mas não." Eu apenas ri, antes de voltar o foco para o violão.

"Joon..."

"Hm?"

"Eu só quero que saiba que eu tô aqui, caso você precise."

"Mwoya? Por que a declaração tão repentina?" Eu perguntei sorrindo, ainda com os olhos no instrumento de cordas.

"Porque todo mundo precisa de alguém pra se apoiar, certo?" Ela riu, ao repetir o que eu havia dito à ela, um tempo atrás.

Depois de escutar aquilo, levantei a cabeça, encontrando Taeyeon com as bochechas levemente coradas, olhando para o chão.

"Yah Kim Taeyeon, você deveria parar de ser tão legal comigo ou eu vou acabar roubando você do seu namorado." Eu ri ao responder, mas não era brincadeira.

"N-ne?!" Ela virou-se para mim, encontrando meus olhos, mesmo nervosa.

"Foi o que você ouviu. Se você quer ser alguém que vai estar sempre aqui por mim, pra me confortar e me animar, então eu não vou me segurar pra ter você de volta." Respondi com um sorriso de canto e uma piscada.

"Y-yah! Você tá saindo com uma garota, não devia estar falando essas cois--"

Antes que ela terminasse, eu subitamente aproximei meu rosto do dela, deixando uma distância de milímetros entre eles. Eu conseguia sentir sua respiração ficando mais pesada a cada segundo que batia contra a minha face.

"Quem te disse que eu tô saindo com alguém?" Eu mantive o mesmo sorriso cínico no rosto.

"B-bom, você já foi a um encontro com a Jiyeon..." Ela desviou o olhar para o lado, parecendo não gostar do que disse.

"E aquilo incomoda você?"

"Por que incomodaria? Eu tenho namorado e você tem o direito de fazer o que quiser com quem quiser." Ela deu de ombros, num tom de voz indiferente.

"O que eu quiser?"

Ela assentiu.

"E se eu quiser, não sei... beijar outra garota?"

"É problema seu."

"Quem eu quiser?"

"Aish, por que você fica repetindo em partes tudo o que eu disse?" Ela perguntou, irritada.

"Por que se eu tivesse mesmo o direito de fazer o que quero com quem eu quero... Então eu estaria te beijando agora mesmo." Devagar, fui aproximando meu rosto mais e mais, olhando fixamente para a boca semi-aberta dela até que parei quando vi que ela ainda estava de olhos abertos, olhando para mim.

Recuei e voltei a tocar violão. "Mas não é o que você quer, não é? Vai ficar com a consciência pesada por fazer isso com o seu namorado."

"Eu--" Taeyeon parou quando escutamos alguém bater na porta do quarto.

"Joon-ah, seus amigos chegaram." Eomma disse ao entrar.

"Já vou descer." Eu respondi, ao levantar da cama e deixar o violão no lugar. "Você vem?"

"Ne."

Nós saímos do quarto e quando chegamos ao quintal, algumas pessoas já estavam conversando com meus pais, enquanto outros ajudavam os filhos a passar protetor solar pois entrariam na piscina, até que escutei chamarem meu nome.

"Joonhwa hyung!"

Um garoto de cabelos escuros me chamou e, juntamente com outras 3 pessoas, veio até onde eu e Taeyeon estávamos.

"Oi pessoal!" Eu sorri, acenando para eles.

"Nós sentimos sua falta, oppa!" Uma delas comentou.

"O clube de Badminton não é mais o mesmo, depois que você se formou." Outra garota dissera em seguida.

"Você não é mais a mesma, depois que o hyung se formou." Um dos garotos a provocou, revirando os olhos.

"Yah Kang Seungsik, você quer morrer?!? Pára de dizer coisas sem sentido!" Ela retrucou com o rosto vermelho, dando-lhe um tapa com o dorso da mão, em sua barriga.

"Como se fosse mentira..." O outro soltou uma risada sarcástica.

"Também senti falta de vocês, pessoal. Ah, esta é Kim Taeyeon. Taeyeon, estes são Kang Chanhee, Jeon Somi, Kang Seungsik e Park Chaeyoung." Eu ia apontando para cada um, enquanto dizia seus nomes.

"Annyeonghasaeyeo." Os quatro disseram, um após o outro, curvando-se brevemente à ela.

Taeyeon fizera o mesmo, sorrindo para eles.

"Hyung, eu ainda quero minha revanche." Seungsik pediu.

"Acha que consegue ganhar, dessa vez?"

"Ele treina todo dia, só pensando em ganhar de você, hyung." Chani comentou.

"Seungsik, não faça isso. Respeite seus limites e não ponha sua saúde em risco porque quer alcançar um objetivo. Tudo tem o seu tempo e se você for no seu ritmo, então quando sentir que realmente melhorou, terei o prazer de aceitar o desafio e jogar contra você." Sorri a ele, pondo a mão em seu ombro. Ele sorriu de volta e assentiu.

"Uwa~ oppa, você continua sabendo a coisa certa a dizer, não é?" Somi perguntou.

"Somi-ah, Chaeyoung aqui vai ficar com ciúmes se você continuar falando do hyung assim..." Seungsik continuou provocando a última.

"Yah!" Chaeyoung exclamou, correndo atrás dele quando ele começou a se afastar de nós.

"Nos falamos depois, hyung." Chani acenou enquanto ele e Somi, iam atrás dos outros dois.

"Está com sede?" Perguntei à Taeyeon.

"Ah, um pouco."

"Vou pegar algo para bebermos." Eu disse, indo em direção ao cooler que estava próximo à churrasqueira, um pouco afastada de onde estávamos.

Quando cheguei ao cooler e peguei duas latas de refrigerante, meu pai havia me chamado para conversar com alguns dos amigos dele. Taeyeon ainda esperava no mesmo lugar, quando uma das garotas de mais cedo, havia voltado a se aproximar dela.

"Taeyeon-ssi, posso fazer uma pergunta?"

"Hm? Ah, Chae...young-ssi, não é? Claro, pode perguntar o que quiser."

"Você e o oppa são amigos?"

"Uh? Ah, sim..."

"Só amigos?"

"Uhh ss-sim. Mas por quê a pergunta?"

"E-é que... Eu... Bom..." Chaeyoung suspirou, frustrada. "Eu sempre fui louca por ele e todo mundo sabe disso porque eu nunca consegui esconder o quão boba eu fico toda vez que ele sorri. Eu me derreto toda quando ele me olha com aquele olhar doce. Mas eu sei que ele só me vê como uma junior do clube que ele participava e sei que não deveria alimentar um sentimento desses por ele, mas é impossível não se apaixonar por alguém como ele."

*Eu sei... Eu sei de tudo isso.*

Taeyeon pensava.

"Chaeyoung-ah!" Seungsik chamou-a de onde estava sentado com Chani e Somi.

"Já vou!" Ela respondeu, antes de virar-se para Taeyeon e despedir-se da mesma.

"Temos mais coisas em comum do que eu achei que teríamos, Chaeyoung-ssi." Taeyeon falava sozinha, enquanto olhava a última se distanciar.

"Tipo o quê?" Perguntei, surpreendendo-a novamente.

"Yah, até quando vai ficar me assustando assim?" Ela perguntara, com a mão sobre o lado esquerdo do tórax.

"Você é quem está toda distraída, hoje... Aqui." Entreguei à ela, uma das latas que eu tinha em mãos. "Vamos sentar."

Eu comecei a me encaminhar à uma das mesas vazias, até que senti segurarem minha calça. Quando me virei, vi que era uma garotinha cujo cabelo estava dividido em dois rabos de cavalo e sua franjinha caia sobre sua testa. Ela usava uma pequena coroa de flores e um vestido listrado em azul e branco. Na outra mão, ela segurava uma folha de papel e alguns lápis de diferentes cores e olhava para mim com aqueles grandes olhos escuros.

"Oppa!"

"Oh, Deokhye-ah." Eu sorri ao vê-la e me apoiei em um dos joelhos, para ficar na altura dela. "Você cresceu bastante, não foi?"

"Já cresci o bastante pra casar com o oppa?" Ela perguntou, esperançosa.

Abafei uma risada por entre meu sorriso. "Você ainda é muito nova pra se casar, Deokhye. Mas não acha que eu sou velho demais pra você?"

"Aniyo, não importa quantos anos o oppa tenha. Não importa se o oppa for um vovô, eu ainda vou querer casar com o oppa." Ela disse.

"E se o oppa já gostar de outra garota?"

"Então eu vou crescer e ser mais bonita do que a garota que o oppa gosta."

Não consegui segurar a risada, diante da resposta dela. "Você tem sido uma boa garota?"

"Ne! Na escola eu sou a melhor da classe!" Ela disse com confiança.

"Tem obedecido seus pais?"

"Ne."

"Mm~ muito bem." Eu sorri, satisfeito.

"Oppa..." Ela se aproximou do meu ouvido, tentando cochichar mas não estava dando muito certo. "Quem é a unnie do seu lado?"

Olhei rapidamente para Taeyeon que sorria para Deokhye, antes de me virar para a pequena garota e falar no ouvido dela, porém usando o mesmo volume de voz que ela usou. "É uma amiga muito especial."

"Ela é bonita, oppa." Ela 'cochichou' novamente.

"Eu sei. E sabe o quê mais?"

"O quê?"

"Ela também gosta de desenhar."

"Jinja?!?" Deokhye arregalou os olhos antes de se posicionar em frente à Taeyeon. "Unnie, desenha comigo!" Ela pedia, animadamente.

"Ne?!" Taeyeon nem conseguiu questioná-la, visto que Deokhye já estava levando-a para uma mesa.

Elas duas sentaram-se e Deokhye começou a rabiscar na folha enquanto Taeyeon apenas a observava, mas não demorou muito para que a última começasse a dar sugestões de que cores Deokhye poderia usar para colorir seu desenho. Eu apenas as assistia, conversarem como se Taeyeon fosse uma irmã mais velha, ajudando a pequena Deokhye com uma lição de casa.

"Agora eu entendo o porquê de sua avó falar tanto dela." Eomma comentou, cruzando os braços e sorrindo para a mesma direção onde eu olhava.

"Hm? Como assim?" Me virei para ela.

"A Taeyeonie... É uma garota excepcional."

"Arayo."

"E como você sabe disso?"

"Taeyeon é aquela pessoa responsável e madura que mostra preocupação e é gentil com aqueles com quem ela se importa, mas que também tem seu lado infantil e engraçado. Ela tem um bom coração e sabe lidar com as coisas com calma e da maneira correta. Foram todos esses e muitos outros aspectos da personalidade dela que me fizeram perceber que ela é a garota dos meus sonhos."

"E o que pretende fazer, já que ela tem namorado?"

Respirei fundo, ao voltar para a realidade. "Não sei. Se eu não posso ficar com ela, então talvez eu tente ficar um tempo sem estar perto dela. Parar a faculdade por um tempo e viajar pra Jeju e passar um tempo morando lá com a vovó."

"Tudo isso por conta de uma garota, meu filho? Por que você não aceita e segue em frente de uma vez?"

"Não é só uma simples garota, mãe. Foi ela quem meu coração escolheu. E eu não consigo deixar pra lá, porque tenho medo de não encontrar alguém que me faça tão bem quanto ela faz sempre que está perto de mim, e acabar me destruindo ao me entregar a um relacionamento onde eu não sinta que é verdadeiro."

"Então o seu plano é se afastar dela, até que consiga voltar a olhar pra ela como olha pra qualquer outra amiga?"

"Basicamente. Eu sei que leva tempo pra esquecer um sentimento desse tamanho, mas acho que a distância pode acelerar o processo."

"E quando pretende fazer isso?"

"Logo."



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