História Thank You, Destiny - Capítulo 29


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Categorias Girls' Generation
Personagens Personagens Originais, Taeyeon, Tiffany
Tags Bae Joohyun, Byun Baekhyun, Jungkook, Kim Seolhyun, Kim Taeyeon, Nichkhun, Original Characters, Sungjae, Tiffany, Vernon
Visualizações 11
Palavras 3.592
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 29 - Companhia


Fanfic / Fanfiction Thank You, Destiny - Capítulo 29 - Companhia

Uma fogueira.

Um colar.

Um chaveiro.

Passos e gotas de chuva.

De novo, minha mente me mostrava coisas que não pareciam fazer sentido algum para mim. Eu não sabia se elas de alguma forma, tentavam me mostrar algo sobre o meu passado. Mas se esse era mesmo o objetivo, não estavam sendo de muita ajuda porque eu não entendia como elas poderiam se conectar.

Era metade de agosto. Já faziam algumas semanas desde o dia em que encontrei com aquela garota no parque. Taeyeon. Nós mantivemos contato desde então. Ela insistia em me levar aos lugares que Seungkyung disse que eu gostava de ir. Na universidade, eu ficava meio desnorteado já que tudo voltava a ser novo para mim, mas Seungkyung, a namorada e Taeyeon me ajudavam. O campus era grande e eu normalmente me perdia tentando encontrar o caminho para a sala de aula. Taeyeon já me encontrou no bloco de Artes Cênicas e em uma outra vez, me levou de volta para a sala depois de eu ter ido parar no ginásio.

Agora, estávamos no intervalo e eu almoçava com eles dois e Taeyeon, no refeitório. Eu estava concentrado na minha comida quando cutucaram minha bochecha com a ponta dos hashis. Quando virei para o lado, encontrei Taeyeon sorrindo enquanto colocava comida na boca com o mesmo objeto com o qual ela perturbou minha concentração.

"Você passou mesmo esse negócio com a sua saliva no meu rosto?" Eu perguntei, erguendo uma das sobrancelhas. Taeyeon apenas deu de ombros.

"Você não estava ouvindo quando eu te chamei. Eu precisei de outro método pra atrair sua atenção."

"Agora você a tem. O que quer?"

"Saber se você não quer ir ao cinema, hoje à noite..." Ela disse, brincando comida em sua bandeja.

"Tá bom." Eu simplesmente respondi antes voltar a comer.

"Você conseguiu lembrar de alguma coisa?" Escutei ela perguntar.

Balancei a cabeça em negação. "Não. Mas eu tenho tido sonhos estranhos, ultimamente. Como se eles fossem fragmentos de momentos passados."

"E nenhum deles é familiar pra você?"

"Não. Só são confusos."

Taeyeon assentiu, parecendo um pouco triste por alguns segundos mas logo deixou de lado e voltou a comer como se aquela conversa nunca tivesse existido.

~~~

Estávamos eu e Taeyeon a caminho da biblioteca onde ela disse que eu costumava trabalhar. O plano dela se constituía em basicamente fazer com que eu voltasse à rotina que eu levava antes do acidente. Nós íamos para a universidade, depois para a biblioteca e assim se repetia. Eu me sentia grato por ela estar fazendo tanto esforço para me ajudar. Eu acho que tinha sorte de ter uma amiga como ela. Taeyeon era sempre tão paciente e gentil, tomando conta para que eu não me machucasse ainda mais e ela sempre estava ao meu lado quando eu precisava de ajuda. Me acostumei tanto com a presença dela que se eu passasse muito tempo longe dela, eu já sentia falta de tê-la por perto.

"Então..." Eu comecei, depois de um curto período em que ficamos calados. "Me conta mais sobre aquele cara de quem falávamos lá no parque, no outro dia."

Ela brevemente olhou para mim com as sobrancelhas erguidas e desviou o olhar para a frente. "Uhh... Bom... E-ele... tem esse hábito de coçar o nariz quando fica nervoso. Quando ele começa a pensar demais, ele olha pra todos os lados fazendo uma careta engraçada. Quando ele fica distraído, começa a assobiar a primeira música que vem à sua cabeça e bate os dedos contra qualquer superfície enquanto faz isso. Eu sempre o pego me encarando mas ele não fica com vergonha e desvia o olhar. Pelo contrário, ele sorri e diz coisas que só ele poderia dizer. Ele raramente fica sério e quando faz alguma coisa certa ou que tenha agradado a outras pessoas, ele sempre sorri abertamente como se tivesse ganho o dia."

O tempo todo, Taeyeon não parou de sorrir, o que me fez perceber que os sentimentos dela por essa pessoa eram intensos. Era lastimável que agora que ela tinha certeza do que sentia, eles não pudessem se resolver.

"O que foi?" Ela perguntou, ainda sorrindo.

"Você gosta mesmo dele, não gosta?"

Taeyeon parou de sorrir e desviou o olhar na mesma hora. "E-eu... uhh..."

"Mm-hm..."

"Olha! Chegamos!" Ela anunciou, apontando para o prédio da biblioteca e me puxando para dentro pelo pulso.

Durante a tarde, eu ajudei Taeyeon com os afazeres da biblioteca. Quando fomos liberados para o almoço, ela me arrastou para fora do recinto e me levou até um parque em outro distrito, no qual eu não havia ido antes. Ou não lembrava de ter ido. Nós andamos por um tempo dentro do parque, subindo um grande lance de escadas até pararmos em uma das partes mais altas do lugar, onde era possível tem uma visão panorâmica das partes mais baixas do parque e outras da cidade.

"Wow..." Eu disse, deslumbrado com a vista. "É lindo aqui."

"Eu sei." Ela sorriu e assentiu com a cabeça. "Foi aqui que eu tive o melhor primeiro encontro da minha vida."

Quando virei para olhar para Taeyeon, vi que ela tinha um brilho nos olhos ao olhar para o longe, como se estivesse lembrando do dia especial que ela tivera naquele lugar. "Me conta como foi."

"Uh?"

"Seu encontro." Eu esclareci ao sentarmos na grama. O clima era agradável e o céu estava em um azul claro onde nuvens assumiam diversas formas.

"Foi incrível. Desde o início ele me tratou como se eu fosse da realeza. Ele foi tão gentil, romântico e paciente que eu não consegui parar de sorrir nem por um instante. O tempo todo, ele segurou minha mão e eu me sentia segura só com pequenos gestos como aquele. Sempre que ele olhava pra mim, era como se estivéssemos nos encontrando pela primeira vez e eu me apaixonava por ele de novo e de novo..."

O jeito como ela falava, como ela descrevia o que ele a fez sentir, me trazia uma sensação estranha. Eu não conseguia pôr em palavras exatamente o que era, mas só no que eu conseguia pensar era em como parte de mim sentia inveja de seja lá quem tivesse entrado no coração dela. Taeyeon era uma ótima amiga... mas por quê eu sentia que isso não era o suficiente?

"Joong?" Ela me trouxe de volta dos meus pensamentos. Já faziam alguns dias desde que ela começou a me chamar assim. Eu não me importava, porque parecia adorável na voz dela.

"Ne?"

"Nada... eu só tava me certificando de que você ainda estava aqui." Ela riu de maneira afável e eu havia acabado de decidir que aquele era o meu som favorito no mundo todo.

"Mian. Acho que o 'Modo Buda' ligou." Eu brinquei e ela riu novamente.

"Tá com fome?" Ela perguntou, abrindo a mochila que havia levado consigo.

"Mhm." Eu assenti e ela me entregou um sanduíche embrulhado e tirou outro para si.

Nós trocamos mais algumas palavras enquanto comíamos e ao terminarmos, nós nos deitamos na grama e ficamos observando as nuvens a cima de nós. Ainda tínhamos algum tempo antes de voltar para a biblioteca, então não estávamos com tanta pressa. Eu usava o braço esquerdo como apoio para a cabeça enquanto o direito apontava para o céu.

"Aquela nuvem parece com um vaso de flores."

"Aquela outra parece um golfinho." Ela apontou para outra.

"Eu vejo um dragão naquela ali."

"Aquela ali parece um porquinho da Índia." Ela riu.

"Nuh uh, aquilo é definitivamente um rato." Eu retruquei.

"Ah, qual é... Ele nem tem rabo e ele tá muito gordo pra ser um rato. Aquilo é um porquinho da Índia."

"E daí? Só porque eu não consigo ver o rabo dele, não quer dizer que não esteja lá... É um rato." Eu insisti.

"Porquinho da Índia."

"Rato."

"Porquinho da Índia."

"Rato."

"Porquinho!"

"Rato!"

"Rato!"

"Porquinho!"

"Ha!" Ela exclamou animada, apontando para o meu rosto.

"O quê? Não! Eu quis dizer 'rato'!" Eu tentei me corrigir mas ela continuou rindo.

"Nuh uh, você admitiu que eu estava certa." Ela sorria orgulhosamente enquanto cutucava a região das minhas costelas. Aquilo fazia cócegas e ela estava bem ciente sobre isso, porque mesmo comigo pedindo para que ela parasse, Taeyeon continuou. No entanto, ela esqueceu sobre o meu machucado e acabou atingindo onde a barra de metal havia perfurado, me fazendo reclamar em dor.

"Me desculpa, Joong... eu esqueci!" Ela logo se sentou e pôs sua mão sobre a minha cuja se posicionava sobre a região do ferimento.

"Não, tá tudo bem. Eu também esqueci." Eu dei à ela um sorriso fraco e sem perceber, eu segurei sua mão.

Somente naquele instante, eu percebi o quão próximo do meu rosto, o dela estava. Eu conseguia analisar cada feição do rosto dela, começando pelos seus olhos, então seu nariz, suas bochechas, sua boca e seu queixo.

"... Na verdade, eu esqueço de qualquer coisa ruim quando tô com você." Já não era mais eu falando aquilo. Era como se tivesse entrado em piloto automático.

Então ela sorriu.

*Wow.*

Acho que nunca vi algo tão incrível quanto aquela cena. O modo como o cabelo dela balançava com a brisa que batia contra nós dois e como a luz do Sol iluminava o rosto dela, tocando sua pele clara, foi como se algo dentro de mim tivesse se acendido, fazendo meu coração bater mais rápido, deixando minha garganta seca e minha respiração pesada e difícil de controlar. Eu sentia o cheiro de baunilha do hidratante que ela usava e descobri que aquela era a minha essência predileta.

Tive que piscar repetidamente algumas vezes, para voltar à realidade e foi então que eu senti o toque da mão dela na minha testa.

"Joong, gwaenchanha-yo? Você parece doente. Seu rosto tá um pouco quente e você tá tremendo..." Ela disse preocupada, franzindo a testa. Desde quando a voz dela ficou tão doce e suave de se escutar?

"Uhh, e-eu tô... b-bem. É, t-tá tudo bem." Eu sorri nervosamente ao tentar me sentar só de uma vez. Grande erro. A região do abdômen no lado direito havia voltado a me incomodar, só que agora, dez vezes pior. "Argh!! Droga!"

"Ei, calma... vai passar." Taeyeon tentou amenizar minha dor, fazendo círculos com os polegares nas minhas bochechas. Ela estava genuinamente preocupada comigo e eu tinha certeza, pelo modo como ela olhava nos meus olhos. Em questão de segundos, eu havia esquecido da dor e agora só conseguia me concentrar na delicadeza de seus dedos e na intensidade do seu olhar. Acho que ficamos alguns bons minutos apenas olhando um para o outro, sem trocar uma palavra.

"Passou." Foi o que saiu da minha boca mas pelo menos fez ela me dar um sorriso doce que só a fez ficar ainda mais perfeita.

Ela notou que ainda segurava ambos os lados do meu rosto e estava consideravelmente perto de mim, o que a fez retrair as mãos e se levantar na mesma hora. "Uhmm... eu acho melhor nós voltarmos logo. A Sra. Jong deve estar precisando de ajuda."

"N-ne." Eu assenti e ela estendeu a mão para me ajudar a levantar e eu a peguei.

"Gwaenchanha-yo?" Ela perguntou ainda preocupada com o meu ferimento.

"Mm-hm, vamos." Eu sorri à ela e nós fomos embora.

~~~

O resto da tarde ocorreu sem eventos e agora já estávamos em frente à bilheteria do cinema no shopping, tentando decidir a qual filme iríamos assistir.

"Okay, nós temos 'Além da Morte', 'A Morte Te Dá Parabéns' e 'It'... qual desses vai ser?" Ela perguntou.

"Você gosta tanto assim de filmes de terror?" Eu a questionei de volta.

"É o seu gênero de filme favorito." Taeyeon disse.

"Mm? Jinja? Bom, então pra mim serve qualquer um." Eu dei de ombros, distraído com os pôsteres dos outros filmes que, ou estavam em cartaz ou ainda estavam para estrear.

"Tá bom, vou comprar nossos ingressos. Você fique aqui e não se perca." Ela ordenou me fazendo rir.

"Ne, eomma!"

Taeyeon revirou os olhos mas sorriu do mesmo jeito antes de me dar as costas e ir até a bilheteria. Fiquei olhando os pôsteres por mais algum tempo até que Taeyeon voltou com os ingressos em mãos.

"Ainda temos algum tempo antes do filme começar. Você quer comprar pipoca e refrigerante?" Ela sugeriu.

"Tudo bem." Eu concordei e nós dois foi ao snack bar do cinema.

"Boa noite, o que vão querer?" A atendente atrás do balcão perguntou, sem parar de olhar para mim.

"Uh, um balde grande de pipoca e dois refrigerantes, por favor." Eu pedi enquanto abria a carteira.

"₩14524,25." A atendente informou e ia entregando ₩15000 à ela quando Taeyeon me parou.

"Só um refrigerante grande." Ela sorriu para a atendente de modo estranho, recebendo o mesmo sorriso da última. Eu fiquei sem saber o que estava acontecendo mas resolvi deixar de lado.

"Tem certeza?" Eu perguntei à Taeyeon.

"Claro, Joong." Ela sorriu e me cutucou novamente, dessa vez, do lado esquerdo do meu abdômen bem longe do machucado.

"Ah~~ arasseo!" Eu segurei a mão dela, pois começava a fazer cócegas em mim. "Um refrigerante grande, então."

"₩11337,92." A atendente disse em um tom de voz um pouco mais frio do que antes. Eu entreguei ₩11500 à ela e ao me dar o troco, percebi que ela também havia me entregado um pedaço de papel.

"Aqui o seu troco... e o meu número." Ela piscou para mim.

"Uh, obrigado." Eu agradeci me inclinando ligeiramente para a frente antes de sair da fila com Taeyeon. Enquanto esperávamos pelo nosso pedido, percebi que ela tinha os braços cruzados e parecia irritada com algo. "Gwaenchanha-yo?"

"Eu tô bem." Ela disse indiferentemente.

"Aqui está, senhor." Um rapaz atrás do balcão me entregou o balde de pipoca e o refrigerante com dois canudos, um vermelho e um azul. Eu o agradeci e me virei para Taeyeon.

"Qual você quer?" Segurei os canudos à frente dela e ela olhou primeiro para mim, depois para o que eu segurava. Taeyeon apenas tirou o canudo azul da minha mão e pegou o refrigerante antes de se encaminhar para a entrada das salas. Quando entramos e encontramos nossos lugares, ela pôs o refrigerante no porta-copos que ficava entre o meu assento e o dela. Ela tirou o balde da minha mão e começou a comer sozinha enquanto ainda passavam trailers de outros filmes.

"Que foi?" Ela perguntou com a boca cheia de pipoca, depois de um tempo que eu fiquei apenas observando-a, com um sorriso bobo no rosto.

"Nada... é que você fica uma graça, comendo pipoca desse jeito."

Mesmo com pouca iluminação na sala, eu percebi que as bochechas dela haviam mudado para um tom mais rosa. Taeyeon limpou a garganta e tomou um pouco de refrigerante. Eu sorri internamente ao perceber que ela havia ficado nervosa. Enquanto as luzes se reduziam por completo, anunciando que o filme estava começando, eu alcancei o balde de pipoca no colo de Taeyeon e tirei um pouco para mim.

Durante o filme, notei que não havia quase ninguém naquela sessão conosco. Provavelmente porque o filme já estava em cartaz a algum tempo e a maioria das pessoas já tinha visto. Agora estava na parte do projetor, em que os garotos e a Beverly estavam na garagem do Billy. Quando o projetor começou a mudar sozinho e a tela do cinema começou a acender e apagar à medida que o projetor mudava de foto e de repente, Pennywise apareceu em tamanho anormal, com os olhos amarelos e os grandes dentes afiados e sorriso demoníaco, foi quando eu e Taeyeon pulamos de susto ao mesmo tempo mas eu não estava com um balde de grão de milho estourado no meu colo. Quando virei para olhar para ela, vi que ela estava coberta de pipoca enquanto tentava se recuperar do susto com a mão no lado esquerdo do peito.

"Banho de pipoca faz bem pra pele?" Eu brinquei sem conseguir segurar a risada, enquanto tentava limpar o cabelo dela.

"Oh. Ha. Ha. Parece que o seu senso de humor foi mais uma das coisas que você não esqueceu." Ela disse ao limpar suas roupas. Taeyeon logo voltou a assistir ao filme como se nada tivesse acontecido mas agora eu não conseguia tirar os olhos dela. Só fui perceber que estava encarando-a, quando ela jogou um punhado de pipoca no meu rosto, tentando chamar minha atenção. "Você tá perdendo o filme."

"Você gosta mesmo de desperdiçar pipoca, não gosta?" Eu comentei ao me limpar.

"Shhh! Presta atenção!" Ela me repreendeu, franzindo a testa, sem tirar os olhos da tela.

Eu balancei a cabeça em falsa desaprovação, sorrindo, antes de fazer como ela falou. Um bom tempo se passou e quando eu senti sede, me inclinei para alcançar o copo e só percebi que Taeyeon havia feito o mesmo, quando havia uma distância quase insignificante entre nossos rostos. Quando os meus olhos encontraram com os dela, foi como se minha sede tivesse se intensificado 1000x mais. Eu dei graças pelo filme camuflar o som dos meus batimentos cardíacos, porque eu aposto que ela conseguiria escutar se estivéssemos em um local silencioso.

Por algum motivo, meus olhos foram desviados para os lábios dela e só no que eu pensava era se o toque deles era suave e macio como eu imaginava. Eu sabia que não devia estar pensando sobre isso... sobre ela, daquele jeito. Nós éramos amigos e ela estava apaixonada por outra pessoa. Mas não tive muito tempo para pensar mais sobre o assunto, quando outro susto nos separou bruscamente e nervoso, eu mantive o foco no filme até o final.

Quando o filme acabou, nós saímos do cinema e resolvemos comer alguma coisa antes de voltar para casa.

"Então..." Ela começou, quebrando o estranho silêncio que havia se instalado desde que entramos no restaurante. "Você gostou do filme?"

"A-ah, ne. Foi... foi legal." Eu queria me estapear por parecer tão nervoso mas não queria que ela pensasse que eu era louco. "Da próxima vez, eu preciso lembrar de levar um guarda-chuva ou usar uma capa de chuva."

"Hm? Pra quê?" Ela perguntou, confusa.

"Considerando que você jogou metade do balde em si mesma e o resto em mim, acho que seria viável eu fazer isso se quiser sair do cinema sem ficar cheirando a manteiga e milho estourado."

"Então vai ter uma próxima vez?"

"Você quem manda." Eu respondi dando de ombros e um grande sorriso se estendeu pelo rosto dela enquanto ela baixava a cabeça.

Nosso jantar seguiu normalmente e depois que eu ganhei a discussão sobre quem pagaria o jantar, eu a acompanhei até em casa. Enquanto andávamos, eu senti a mudança no clima quando comecei a sentir calafrios. Taeyeon também esfregava os braços tentando se aquecer. Eu tirei minha jaqueta jeans e coloquei nela, fazendo ela olhar para mim, um pouco surpresa.

"Você pode acabar doente se continuar com frio." Eu comentei.

"Mas você também precisa se proteger..." Ela tentou tirar a jaqueta que cobria seus ombros, mas eu pus minhas mãos sobre as dela e àquele toque, nossos olhares se encontraram.

"Se Taeyeon estiver bem, então eu também estou." Eu disse observando como os cílios dela se movimentavam à medida em que ela piscava lentamente. O modo como os olhos dela refletiam as luzes que iluminavam a rua, só me deixava ainda mais enfeitiçado por ela. Mas novamente, meu cérebro deu um jeito de me lembrar que gostar dela, era entrar em zona proibida. "Vamos... É melhor voltarmos antes que fique mais frio."

Quando seguimos, eu tentava manter os dentes cerrados para evitar que eles batessem sem parar e controlava o tremor das minhas mãos, colocando-as dentro dos bolsos da minha calça. Chegando em frente ao portão da casa dela, Taeyeon me devolveu a jaqueta e ao vestir, eu consegui sentir o cheiro que havia ficado do perfume dela. "Obrigada por me acompanhar até aqui."

"Nah, eu não me sentiria bem com o fato de você voltar pra casa sozinha a uma hora dessas."

Se eu pudesse congelar o tempo e ficar admirando Taeyeon com as bochechas coradas, sorrindo de cabeça baixa, assim eu o faria. Ela era adorável demais até para a minha consciência me dizer para parar de pensar assim e empurrar aqueles sentimentos mais intensos para o interior da minha mente.

O mais impressionante de tudo aquilo, era que nada do que ela fazia comigo parecia novo. Eu sentia aquela estranha sensação de deja vù, como se tudo fosse familiar. O jeito como eu me sentia perto dela, como ela olhava para mim, os lugares em que ela me levava... tudo aquilo me trazia um único sentimento de estar de volta ao único lugar em que eu queria estar.

Taeyeon apertou meu nariz com o indicador como fosse um botão, me fazendo piscar repetidamente, até voltar meu foco para ela. "Achei..."

"Mwo?"

"O botão que liga você." Ela respondeu rindo, me fazendo sorrir também. "Bom, eu acho que já vou entrar. Você devia ir logo também... pra não ficar doente com esse frio."

Eu assenti enquanto assistia ela abrir o portão  e antes que ela entrasse em casa, eu a chamei.

"Taeyeon?"

"Ne?"

"Era um rato." Eu brinquei e ela começou a rir, balançando a cabeça em negação.

"Boa noite, Joong."

"Boa noite."

Quando eu me virei para ir embora, senti meu celular vibrar antes que eu pudesse dar o primeiro passo. Desbloqueando a tela, vi que era uma mensagem que Taeyeon havia me enviado naquele mesmo instante.

[Taeyeon]: Porquinho da Índia.

Eu ri comigo mesmo enquanto encarava a tela do meu celular. "Aish, essa garota-- Atchim!"



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