História Thanks For The Memories - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, V
Tags 2shot, Relacionamento Abusivo, Taeseok, Vhope
Visualizações 21
Palavras 2.493
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Minha primeira fic ♡

Capítulo 1 - Made To Last


Eu nunca me senti tão perdido e descontrolado como me sinto agora, vários motivos me trouxeram a esse estado e pra ser sincero, eu não sei explicar muito bem quais sejam ou como sair desse labirinto de sentimentos ruins. Eu tentei, eu juro que tentei fugir disso, penso até que foi tentando que entrei mais nesse beco sem saída.

Frustrante essa vida, não sinto vontade de respirar às vezes, me afastei de todo mundo, deixei de fazer coisas que gostava e de novo, não faço ideia de como começou. Provavelmente por não saber de onde surgiu tudo isso, me via sem ninguém por perto e me reprimia barrando qualquer pessoa que tentava entrar no meu mundo. Contudo, sempre tinha uma exceção, sempre tinha aquele alguém derrubando minhas defesas e essa pessoa era Yoongi.

Ele era um ser estranho que estava ali do meu lado e mesmo não confessando eu era grato, me sentiria pior se não tivesse ele.

- Você demorou - Yoongi reclamou.

Estava calor, várias crianças brincando pela praça onde nos encontrávamos, sempre no mesmo horário, para poder jogar minhas lamentações nele e tomar um ar. Ele sabia que se não fosse por ele eu nem sairia de casa.

- Eu sei, eu vim andando bem devagar - Me sentei no banco junto dele, olhando para os lados e observando o movimento da praça.

- Sabia que quando você, por exemplo, machuca um dedo e.. sei lá, uns dias depois sua perna fica ferrada, o seu cérebro faz o corpo focar na dor da perna e esquecer parcialmente a do dedo?

- Onde você quer chegar com isso? - Ele diz, enquanto mordia a ponta do canudo do refrigerante que tomava.

- Que é por isso que as pessoas se cortam. Se machucando de propósito faz esquecer das dores internas. Curioso não é?

- Você perde muito tempo pensando em coisas mórbidas.

- Um dia a gente vai morrer de qualquer forma. - Dei de ombros.

Eu ficava assim durante todos os dias, indo atrás dele pra lamentar e voltando pra casa para fazer o mesmo, porém sozinho. Apenas esperando o dia da minha morte, sem expectativa de futuro e só aumentando mais a dor que aparentemente não tinha motivo.

Eu sentia que ela era como uma amiga, me abraçando e me acolhendo enquanto dizia o quanto eu era inútil e devia por fim nisso morrendo, ou seja, tudo que eu já sabia.

Parte de mim queria se render, já a outra, pedia para eu esperar mais um pouco e ver no que iria dar, como se houvesse um fio de esperança de que as coisas melhorassem. A questão é, tinha dias que eu não queria esperar pra ver e tentava fazer coisas que não faria em meu estado "normal", entretanto, meu instinto de sobrevivência sempre brigava comigo. As marcas não tão profundas pelo meu corpo mostravam como eu tinha um limite.

Bom, isso era o que Yoongi dizia, mas eu respondia,

"Hyung, as vezes limites podem ser superados, não conte sempre com isso. Pode ser que um dia eu olhe uma marca e queira fazer algo pior nela." E sempre acabava com ele me dizendo "Isso dependerá apenas de você."

Andando pela ruas, voltando para casa com o pensamento desfocado do asfalto e focado no céu, (em alguns momentos tendo a sorte de não esbarrar em ninguém) eu penso que talvez seria melhor ser um pássaro, sem ter obrigações, sem ter que ouvir reclamações sobre minhas atitudes, sem ter que agradar meus pais que diziam que tudo ia ficar bem, mesmo sem entender, e que depois se culpavam por não ter dado atenção aos machucados constantes pelos braços... Mas essa culpa não era deles, era apenas minha.

Os machucados internos estavam lá a muito mais tempo, eu apenas não conseguia lidar com o peso que o mundo colocou nas minhas costas e por conta disso, era doloroso voltar pra casa e ver a tristeza refletida nos olhos daqueles que me amavam.

                          °°°

Acordei agoniado, tentando respirar, lágrimas caiam pelo meu rosto e foi aí que a tristeza me bateu com força, me encolhi na cama e esperei passar aquele pequeno surto. Eram tantas formas de se matar que passavam por minha mente naquele momento. Peguei a caneta que estava jogada no chão e impulsionei contra pele do meu braço, intensificando cada vez mais, esperando a dor vir. Aqueles pensamentos tinham que parar e esse era o único jeito deles irem em embora, pelo menos por um tempo.

"Alguns dias sem dormir e é isso que me acontece, bela vida de merda."

Eu até achava bonita as marcas na minha pele, tinha uma arte envolvida naqueles riscos avermelhados, uma arte abstrata. Eu sorria pra mim mesmo olhando elas enquanto o Yoongi hyung revirava os olhos e dizia que era coisa da minha cabeça, que deveria parar com isso.

- Você não vê? Meu corpo é uma completa obra de arte, saiba apreciar.

-  Vejo que você está piorando, o que aconteceu e o que é esse furo no seu braço? - Mais uma vez estávamos naquela praça depois do meu mais recente episódio.

- Outra arte não planejada, devido a uma crise no meio da madrugada. Acho que não vou poder mais dormir.

- Taehyung, por favor, não acabe consigo mesmo desse jeito. - Ele lamentava sempre ao ver minhas feridas.

- Já tivemos essa conversa e eu concordei em esperar mas não posso fazer nada se eu me descontrolo de vez em quando.

Dava pra ver quando ele tentava me deixar "estável" de novo, chegava a doer observa-lo assim, mas no fundo acho que ele tinha ciência de que eu estava andando pro caminho da morte e já não havia mais volta.

Deixo aqui minhas sinceras desculpas àqueles que tentaram me salvar.

                         °°°

Mais um dia. No meu ponto de vista mais um dia qualquer, sem nada muito bom pra acontecer, aquele temporal me estimulava, eu tinha um desejo de libertação naquele momento, até fechar os olhos e decidir atravessar a rua. Mas ai ele veio, no meio da chuva tentando me tirar do meio fio, pedindo para ir pra casa e que eu estava louco por estar naquele tempo sem proteção alguma. Eu sorri debochado. As pessoas num geral, não ligam pra um fracassado no meio de uma quase tempestade, prestes a atravessar uma rua de olhos fechados, apenas seguiam com seus passos apressados para seus destinos. Então por que ele se incomodou?

Depois de tanto insistir e perceber que eu não iria a lugar nenhum, o desconhecido me levou até sua casa e cuidou dos ferimentos que eu havia feito naquela mesma tarde, não perguntando porque me encontrava estático e com o olhar perdido, apenas me entregou uma xícara de café com leite e me deixou no sofá com uma toalha. Agora eu me perdia nos pingos de chuva que vinham contra a janela.

Não me pergunte porque me deixei ser levado e cuidado, talvez eu quisesse mesmo que alguém me tirasse dali junto com todos aqueles pensamentos ruins.

- Meu nome é Jung Hoseok - Ele finalmente se apresentou depois de ver que eu parecia mais calmo e nos eixos. O fitei sem emoção e ele sorriu nervoso, arrisco dizer que achava que eu poderia lhe atacar a qualquer momento. Não é todo dia que trazemos um estranho pra dentro de casa... Quer dizer, eu levava um estranho chamado "eu mesmo". Todo dia, eu me olhava no espelho e não me reconhecia.

- Desculpe ser tão estranho e te trazer aqui, só um louco traria pra dentro de casa alguém que encontrou na rua assim do nada, você poderia me matar a qualquer momento... mas sei lá... - ele passou uma das mãos pelo cabelo - você  parecia péssimo e perdido naquela situação e senti que precisava ajudar, e veja, você me deixou traze-lo até aqui, acredito que tenha feito a coisa certa. Poderia não estar mais vivo neste momento.

Eu simplesmente fui embora depois daquela explicação, sem dizer adeus, sem agradecer, sem falar nada, apenas levantei deixando a xícara e a toalha no sofá e sai para a rua onde a chuva já não se fazia mais presente. Ele não me parou.

Nos reencontramos meses depois daquele momento. Eu queria companhia, sentia que ia explodir e o Yoongi não estava disponível naquela noite. Desnorteado eu me vi caminhando até sua casa que havia ficado tão bem marcada em minha mente. Ele me deixou entrar depois de atender e ver que me encontrava de novo naquele estado mórbido. Nesta madrugada conversamos, eu tentei ocultar toda minha dor ao ver seus olhos me sorrirem e voltei ao meu estado habitual e normal perante a sociedade. Hoseok morava sozinho e tinha uma aura que contagiava, falamos a noite toda sobre coisas aleatórias.

Minha bomba relógio parou naquele dia.

Percebi como o mesmo me fez bem, me fez sorrir e depois daquilo, trocamos contato e eu voltei para ele todos os dias depois.

Conversávamos muito, assistíamos documentários, as vezes comíamos besteiras e ter a amizade dele era bom. Quando percebi já estava amando ele, era um amor com intensamente e uma pitada de gratidão.

Todos os dias eram mais leves e mesmo eu chegando com mais machucados e olheiras profundas ele não me questionava, só me puxava pra dentro do pequeno apartamento pra cuidar dos ferimentos e nem me cobrava pra falar o que havia acontecido. Eu me pegava seguindo seus movimentos como os olhos, achava admirável sua concentração ao limpar o sangue e aplicar o remédio, depois passar uma faixa pelos lugares marcados e ainda sorrir para mim quando nossos olhos se encontravam. Ele era bonito, não só externamente como internamente. Sua pele amorenada, seu sorriso aconchegante, suas mãos grandes e ao mesmo tempo delicadas, seus olhos escuros mas curiosamente iluminados. Era como um brilho próprio, uma luz em meio a escuridão que eu sentia dentro de mim. Eu tinha medo de estragar todo esse encanto.

Ele me mostrava mais do seu mundo enquanto eu me preparava pra mostrar a realidade do meu. E foi em uma manhã de sábado que eu corri até ele, e mesmo com uma cara de sono e sem entender nada, despejei todas as minhas desgraças, sem esperar, sem entrar em seu apartamento, preto no branco. Hoseok apenas me olhava enquanto tentava explicar os motivos de tantos machucados. Precisava lhe contar, agora ele era meu escape também.

- Vem Tae, entra, ta frio, vamos limpar isso.

Foi só o que disse e eu chorei, era irreal demais existir alguém que ao invés de mandar eu melhorar ou dizer que eu era estranho, me acolher. Naquele dia, nos beijamos pela primeira vez e acabamos na cama, nos amando. Porém, me senti como um puta de um egoísta pois sabia, ele ia acabar se machucando no final.

Claro, não ia ter final feliz, eu não era a pessoa certa para ele, eu não era certo nem para mim mesmo e minha tendência era ser assim pra sempre. Eu ainda não via meu futuro, mesmo tendo Hoseok ao meu lado. Minhas crises vinham, ficávamos sem nos encontrar por meses e toda vez que eu voltava eu estava pior e todas as vezes ele me acolhia. Eu me sentia um lixo por fazer ele me aguentar, por sentir que o usava, era muito injusto, eu parava a vida dele com os meus problemas. Não era com beijos, transas, conversas longas no meio da madrugada que simplesmente me fariam melhorar. Eu tinha chegado em um estágio que precisava mais do que isso para voltar a viver. Mais do que amor, mais do que ser amado ou amar ele. Eu ainda não me amava.

                       °°°

- Me mande embora - supliquei assim que ele abriu a porta.

Ele me olhou confuso, disse que não poderia fazer aquilo, me abraçou e me puxou para dentro, enquanto eu chorava batendo em suas costas implorando, pedindo que me mandasse sair. No fim não fui e adormeci em seus braços.

Hoseok não entendia, achava que poderia me salvar, ele não via o quanto as minhas feridas estavam abertas e profundas. Era tarde demais para que fossem curadas, já consumiam meu corpo todo e minha mente. Eu andava pelas ruas imaginando como seria ser atropelado ou se alguém me matasse por diversão ou se por acaso minha casa pegasse fogo ou desabasse. Já se foi o tempo que eu me prendia ao pensamento de como Yoongi e meus pais iriam se sentir com minha partida, eu só queria ir.

Contei meus planos em uma noite de dezembro. Já estávamos quase 2 ano juntos e foi a primeira vez que eu o vi chorar, ele estava quebrado por minha culpa. Doeu ver mas ele tinha que aceitar que a morte faz parte das nossas vidas, cedo ou tarde.

- Não Tae, você não pode me deixar, não pode fazer isso consigo mesmo, é muita crueldade. - Me olhou assustado.

- Seria crueldade comigo mesmo se eu não fizesse - Suspirei e peguei na sua mão - Hobi, por favor, me entenda.

- Não, eu não posso entender. - Ele levantou do sofá e começou a andar de um lado para o outro - Eu pensei que você estivesse melhorando, você estava bem, estamos bem, você até sorria mais.. você.. você - Voltou a chorar e meu coração doeu - Você disse que me amava, não pode fazer isso comigo.

- E eu te amo, tanto que te pedi para me mandar embora, Hoseok, eu sabia que ia chegar esse momento.

- NÃO! eu não aceito isso - Disse enquanto chegava perto de mim, ajoelhava no tapete pegando minhas mãos - Podemos ir em algum psicólogo, terapeuta, igreja, qualquer lugar, vamos dar um jeito nisso Tae.. eu só.. eu só não posso perder você.

Me soltei de suas mãos e as coloquei em seu rosto, secando suas lágrimas.

- Prometo tentar, tudo bem? - dei um sorriso mínimo e selei nossos lábios

- Obrigado. - sorriu numa expressão de puro alívio.

Só que a alegria foi momentânea. Novas crises vieram, machucados e choros ficaram mais constantes e não importa quanto amor eu recebia a cada lágrima que percorria meu rosto, eu sempre sentia algo quebrando dentro de mim. A falta de ar não me deixava dormir e eu queria gritar. Hobi ficava do meu lado, dizendo que tudo ia ficar bem mas eu já não via saída. Eu não sabia mais o que era felicidade.

Foi em uma quinta feira. Eu havia dado a desculpa de que iria dormir na casa dos meus pais, ele desconfiado insistiu em me levar lá. Eu esperei tudo se tranquilizar, quando todos tinham ido dormir eu simplesmente pulei a janela, peguei a bicicleta na garagem e fui em direção ao parque que eu e Hoseok costumávamos ir. Foram tantas lembranças que vieram em minha mente. Fazíamos piqueniques ou só ficávamos deitados olhando o céu. Me doeu ter que estragar todas essas memórias. Porém a dor parou quando eu fechei meus olhos e deixei de pensar, tanto em Hobi quanto em meus pais, Yoongi ou qualquer outra coisa.

Eu estava livre.


Notas Finais


Adoro fazer um personagem sofrer, admito.


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