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História That's our forever - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único - This will be our forever.


Fanfic / Fanfiction That's our forever - Capítulo 1 - Capítulo único - This will be our forever.

Às vezes ela se flagrava observando um relógio do ponteiros preso á parede da floricultura que costumava ir. Até porque, no mundo atual, era raro encontrar uma preciosidade já considerada "velha", mas que parecia nunca perder seu lado clássico e interessante.
Era feito de madeira, com detalhes de rosas desenhadas diretamente na madeira, e seus números eram em algarismos romanos. A garota não sabia ao certo há quanto tempo ele estava lá, mas se lembra de vê-lo muitas vezes desde sua infância, e de como aquilo lhe atraía o olhar de forma estranha e ao mesmo tempo fascinante.
O som repetitivo de tique-taques preenchiam o espaço pequeno que ali era, e juntamente seus pensamentos acabavam viajando pra longe, além de ter o costume de pensar como ele havia chegado ali. Teria sido um cliente? O dono comprou? Tantas perguntas sem resposta, mas que levavam sua imaginação a criar até grandes histórias fantásticas. 
Foi exatamente desta maneira que Keira se sentiu quando o viu pela primeira vez. Ele caminhava em passos tranquilos pela rua cheia de pessoas apressadas ou vivendo em seu próprio mundinho. Aquilo chamou a atenção dela de tal forma que ela recordou no mesmo instante a visão do relógio funcionando. O rapaz, aparentemente dois anos mais velho, era frio, constante, e sempre seguia em frente.
A partir desse momento, a vida de Keira não poderia ser mais a mesma, principalmente depois de descobrir o mistério que o tornava tão diferente e atraente de todos os outros garotos. Quais segredos ele poderia esconder? Seus sentimentos poderiam ser correspondidos algum dia?
Diante de todas as incertezas e sua curiosidade que agora consumia seus pensamentos quase que por inteiro, ela seguiu o rapaz, mesmo não entendendo o motivo de uma atitude tão descomunal e até estranha. É aí que tudo começa.



Keira se aconchega em seu casaco, tentando fugir do frio que fazia naquela noite. Por mais absurdo que sua atitude era, ela mantinha-se firme, e continuava o seguindo. "Quero saber mais sobre ele... Quem é? De onde veio? Por que parece nem se incomodar com o tempo frio que está hoje?" Pensou, o que alimentou ainda mais seu interesse.
Ele caminhou por mais um tempo, aparentemente sem parecer se preocupar de parar em algum lugar. Já era bem tarde da noite, e Keira bocejou de cansaço, sentindo-se cabalear de sono. De repente, quando olhou para frente, não o viu mais. "Mas como... Ele sumiu do nada?"
Mesmo com receio, andou alguns passos, ficando a vista. "Ah, ótimo, estou num filme de suspense." Pensou, irônica, e virando-se. "Devo ter algum problema de noção, resolvi seguir alguém que nunca vi na vida! Imagine se ele tivesse perce...".
Antes que pudesse concluir seu pensamento, teve a sensação de algo passar sob sua cabeça, e quando olhou para cima, grandes olhos negros lhe encaravam, e o espanto maior veio quando ela percebeu que era um morcego...
-Oi, senhorita! Tudo bom?
...Que falava.
-UOOOOOU! - Keira gritou, e andou para trás, porém, de tão nervosa que estava mais o cansaço de tanto andar lhe fizeram perder o equilíbrio e cair.
Mas, ao invés de tocar a calçada dura, sentiu-se envolta de braços largos, que a impediram de se machucar.
Ao abrir os olhos, viu atrás de si o rapaz que seguia até agora, e seu coração bateu descompensadamente. Somente vê-lo já fazia sua pele arrepiar. O que havia de mistério envolto dele havia, também, de uma sutileza incrível, tanto no seu jeito de segurar seus braços quanto o olhar.
Frio, constante, e sempre seguindo em frente.
-Por favor, Noir, não tente ser amigável com um ser humano aparecendo repentinamente e acreditando que ele irá isto como algo normal. - ele olhou para Keira por um momento - Muito menos uma senhorita.
Keira desvencilhou-se do rapaz, mas manteve-se perto, com receio do morcego falante.
-N-Não há problema, estou bem! - desculpou-se, gesticulando e sorrindo - Foi somente um susto inocente! É que, às vezes, as coisas parecem um pouco mais assustadoras durante a noite, e já estava com um bocado de medo também.
O rapaz arqueou uma das sobrancelhas, e a fitou, o que fez Keira desviar o olhar, de tão nervosa que se sentia, e o motivo não era mais o morcego.
-Ei, qual o seu nome? - perguntou, se aproximando dela.
-Me chamo Keira, e você?
-Eu sou Noir! - a garota riu da forma fofa com que ele falava. Sua voz era tão amigável que fez desaparecer o medo dela - E aquele ali é Dimitry! - ele voou até o rapaz, e Keira o acompanhou com o olhar.
-Você sabe que sempre preferi me apresentar pelas minhas próprias palavras, Noir - ele suspira -, mas, hoje você está perdoado. - ele olha para a garota - Muito prazer em conhecê-la, senhorita.
-Acho que não precisamos desta forma de referirmos um ao outro... - ela se aproxima timidamente, evitando encará-lo para não agir como boba novamente - Estou feliz por conhecê-los. - ela sorri, e boceja em seguida.
-Tudo bem contigo? - perguntou Dimitry.
-Nada, somente estou sonada. Amanhã preciso ajudar o florista, e ao invés de dormir cedo, perdi a hora, e mal estou me aguentando de pé. - brinca, e passa a mão pelo cabelo. - Bom, estou indo, talvez nos encontremos algum dia desses! - despediu-se, já se distanciando, e acenou. - Uma boa noite!
Ela virou-se tão rapidamente que nem entendeu a resposta deles. Correu o mais longe que pôde, e parou para descansar numa cafeteria. Deitou seu rosto nos braços, enquanto esperava seu chocolate quente.
"Não acredito que falei com ele! Acabei descobrindo seu nome de uma forma indireta e tão inesperada! É como se estivesse sonhando..." Pensamentos doces afloraram em sua mente. "Dimitry... Um nome tão antigo e incomum... Definitivamente, eu o incrível, e terrivelmente atraente." Suas bochechas coraram, e ela sorriu discretamente. "Além disso, o Noir é tão fofo... Por mais surreal o que acabei de presenciar, estou feliz. Finalmente alguma ideia minha funcionou! Yes!".
O chocolate quente não demorou a chegar, e assim que Keira o pagou, saiu distraída da cafeteria, tanto que demorou a entender o que um par de olhos conhecido fazia a encarando.
Ela ficou trêmula, e se aproximou tentando parecer calma. Porém, por mais que tentasse, Dimitry mexia com ela mais do que gostaria.
-O-O que faz aqui? - (Angel: Pergunta errada! -w-').
-Você ir embora sozinha com apenas este casaco fino e a esta hora lhe traria um resfriado forte. - ele estende um casaco dobrado - Use.
-Mas o que voltar sozinha interfere na questão do casaco?
-Em nada, somente que irei te acompanhar. Seria uma atitude rude não ajudá-la sabendo que você fora tão gentil comigo e com Noir. Ninguém que eu conheci nesta cidade nos tratou de forma pacífica ou ao menos tentou ser amigável com ele principalmente. Admiro sua coragem.
Um sorriso involuntário apareceu no rosto de Keira, e suas bochechas estavam quentes. Dimitry era realmente diferente, mais que qualquer um. Seu jeito de falar parecia ter saído de um livro medieval, e a maneira com que usou as palavras para expressar calmamente e diretamente o que pensava fez o coração de Keira quase explodir de tão rápido que pulsava, além de tornar seu sentimento de curiosidade por afeto ao rapaz.
-Obrigada, Dimitry. Aceito a sua companhia até minha casa, será muito bem-vinda! - ela vestiu alegremente o casaco, e riu quando percebeu que havia ficado um pouco apertado. Porém, ao invés de reclamar, decidiu não dizer nada, já que não sentia mais o frio daquela noite, mas sim, seu coração aquecido de felicidade.



Ao chegarem, pelo que Keira calculou, no meio do percurso, sua atenção foi atraída até uma praça extensa que costumava ser o ponto de encontro dela e de alguns amigos. Sorriu, e começou a relembrar diversos momentos divertidos que passaram ali.
-Por que está cabisbaixa? Aqui lhe traz alguma insegurança ou tristeza? - perguntou Dimitry, com a voz tranquila.
Keira negou rapidamente, na tentativa de acalmá-lo. Ela se sentia ainda mais constrangida quando era desengonçada, e temeu que ele se incomodasse, então tomou uma postura mais séria.
-Oh, claro que não, só tive saudades. Estive somente pensando em antigas memórias...
-Gostaria de saber. Afinal, as memórias dizem quem nós somos.
-Não é nada demais, você iria se entediar, não sou boa contadora de histórias...
-Então não as conte. - Dimitry segura sua mão gentilmente, e a leva em direção à praça - Me mostre.
Um arrepio percorreu a espinha de Keira, e sua tempertarua subiu, além de sentir sua mão queimando com o toque dele. A garota observou que sua mão era mais fria que o normal, mas considerou a ideia de que o tempo hoje estava exageradamente frio e assim deixou pra lá.
Ela olhou ao redor, e assim que viu uma árvore familiar, parou, e guiou Dimitry para segui-la.
-Nossa... Esta árvore tem muitas coisas para serem contadas... - ela solta a mão dele, e toca o tronco. - Eu vinha aqui com a minha prima e uma amiga brincar. Fazíamos de conta que quase todo este lugar era nosso reino, e que do alto do castelo enxergaríamos o mundo inteiro. Me lembro da sensação de me sentir... Infinita. Que todos meus medos desapareceriam se eu conseguisse alcançar o céu.
-Quais são seus medos? - ele pergunta, estando um pouco distante.
Keira pensou por alguns minutos.
-De estar presa. De não ser livre. Acho que sempre foi o que me aterrorizou mais, e ainda me aterroriza um pouco.
-Você não sentiria medo se conhecesse um ser, por exemplo, considerado sobrenatural?
-Os meus verdadeiros medos são os monstros que vejo quando não sei o que fazer. Agora, penso somente em me livrar de uma vez desta sensação deprimente de ter uma visão tão limitada das coisas.
-A cidade não lhe agrada? Você está... Infeliz?
Ela o encara, gostando de estar conversando tão pacificamente com um alguém que havia conhecido não faz nem duas horas.
-Infeliz é um termo muito forte. Estou somente inquieta. Porém, a cidade é um lugar bom de se viver. Eu gosto das pessoas daqui, e também gosto muito do lugar em que eu moro.
Dimitry a fitou, como se tivesse se esquecido do mundo ao redor, o que trouxe novamente o nervosismo de Keira. Ela não sabia lidar com toda aquela situação e, por isto, irritou-se consigo mesma por estar agindo feito idiota.
Ela se virou, e tentou esconder sua irritação dele. Respirou fundo, então disse, sem olhá-lo:
-Vamos embora, quero apenas ir pra casa.
Como Dimitry não havia dito nada, ela não viu necessidade de esperá-lo e andou mais a frente. Cruzou os braços, e seguiu caminhando com os pés pesados. "Por que estrago tudo com tanta facilidade? Não posso agir normalmente UMA VEZ? Ele deve ter desistido e ido embora. Quer saber? Melhor assim. Se mal posso ser menos estabanada, que isto não afete a vida de outros que estiverem comigo." Pensou, e chegou a uma conclusão.
De repente, sentiu uma mecha que ficava presa atrás de sua orelha ser puxada, e no lugar dela, algo muito delicado foi colocado.
-E-Ei! - ela se vira, e vê Dimitry segurando um buquê de cravos. Seus olhos se arregalaram, e deu um passo para trás. -O-O que está fazendo? O que colocou na minha orelha?
Assim que tocou o objeto, sentiu que era uma flor. Ela sentiu seu coração se acelerar no mesmo instante, principalmente pelo olhar gentil que Dimitry esboçava enquanto olhava para Keira.
-Esta flor combina com você. Deixa seu rosto mais vivo e contrasta com seu cabelo.
-Qual flor é?
-Um cravo vermelho. Vi plantados em uma parte da praça, então logo lhe vi com um deles.
-Obrigada... - ela mal soube o que responder.
-Venha, você parece exausta, não devemos demorar mais.
Ela suspira, mas concorda, sentindo suas pálpebras pesadas. De jeito nenhum Keira desejava se separar de Dimitry, exatamente quando mais queria dizer tantas coisas, compartilhar experiências...
Após mais dez minutos de caminhada, enfim pararam em frente a uma casa térrea, e a garota sorriu, tentando conter sua tristeza.
-Bom, é aqui. Valeu por... Tudo. Eu estava saindo poucas vezes esses tempos, e reviver memórias foi algo que me deixou feliz. Sua companhia é especial. - Keira cora ao dizer a palavra "especial", percebendo que acabou exagerando - E-Eu acho que tenho de ir. Boa n-noite, Dimi.
Ela se vira, mas quando passar pelo portão, ouve seu nome.
-Keira, espere, por favor.
"Mais arrepios, mais arritmia... Não entendo..."
-Sim?
-Por que me chamou de "Dimi"? - perguntou, confuso.
-Ah, nossa, acabei lhe chamando assim por acidente! - ela ri, e abre o portão - Vou evitar que isto se repita. E... - ela pigarrea - V-Você poderia... Me ver amanhã também?
Ele desvia o olhar, e respira fundo.
-Keira, existe algo que nos impede de nos reencontrarmos.
Ela arqueia a sobrancelha.
-Diga-me qual o motivo.
Dimitry se aproxima, e fixa o olhar nos olhos castanhos de Keira.
-Como Noir me apresentou para ti, teve um detalhe que escapou que você tem de saber sobre mim. Meu nome é Dimitry, e eu sou um vampiro.
Outro "baque" caiu sobre a garota, levando a crer que a noite não podia ter mais surpresas. Primeiro, conheceu um morcego que fala, e, agora, descobre que o rapaz que ela estava falando normalmente era, o tempo todo, um vampiro. Ela definitivamente ficou incrédula.
Keira teve um grande espanto, e deu um passo para trás. Por um momento, ela sentiu medo. Pensou no que ele poderia fazer, se era um vampiro mal, e acima de tudo percebeu o quão indefesa estava. Porém, algo a fez parar de pensar. Keira decidiu que não levaria em conta como as atitudes de Dimitry poderiam ser, mas sim, como elas eram. Ele não lhe fez mal em nenhum momento, pelo contrário, foi gentil e educado.
-Sendo vampiro ou morcego, isto não me importa. Quero te ver amanhã. Se você não estiver me esperando na cafeteria, pessoalmente vou te buscar. - ela diz, em um tom firme, mas sorrindo. - Tenha uma boa noite.
Ela entrou, fechou o portão e lhe acenou.
"Acho que entendo. Não tive mais medo por não querer que ele fosse embora. Sabia que, se dissesse qualquer coisa naquele momento, ele iria desistir. Gosto dele. Mal posso compreender a intensidade dos meus sentimentos, mas tenho a certeza de que gosto de verdade dele."
Mesmo com toda esta felicidade, ela se pergunta o porquê de ter se apaixonado tão repentinamente. Quase sem perceber, Keira olha para trás, e para assim que vê algo.
Dimitry está olhando para a garota, com um leve sorriso no rosto, mas que o deixou com o rosto radiante, e fez o coração dela acelerar.
Sim. Agora ela tinha entendido. Os poucos momentos que tiveram até aquele instante era apenas o início. Aquela sensação nova, se dependesse dela, iria se repetir incontáveis vezes, por querer tanto estar ao lado dele. Queria poder ver seus sorrisos mais vezes.
Ela se sentiu leve. Sentiu-se feliz.
Sentiu-se completa, como se pudesse ouvir os ponteiros do relógio girando sem parar, as badaladas ecoando em sua mente diversas vezes, e ela percebeu que, mesmo que Dimitry provavelmente havia vivido muito, ela estaria lá para ouvir suas histórias. Estaria lá.
As barreiras que o tempo criou entre eles foi quebrada.
Um coração frio foi aquecido. Um constante tique-taque fora mudado.
Isto seria infinito. Isto seria eterno, como o tempo que continuará seguindo em frente.

∞ FIM ∞

 



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