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História The air i breathe - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa noite! Espero mesmo que estejam gostando da fic nova ❤ Estou amando escrevê-la. Devo já deixar claro que ela nao será muito longa, nao sei ao certo quantos capítulos, mas de uma coisa eu sei: nao vai ser do tamanho das que geralmente eu posto. Enfim, sem mais delongas, boa leitura! ❤

Capítulo 2 - Capítulo Dois Uma surpresa agradável?


Capítulo Dois – Uma surpresa agradável?

 

Minha vida é perfeita. Sou uma médica Pneumologista de grande peso na cidade de Nova York, tenho uma vida econômica em alta, tenho o carro que eu quero e tudo que eu quero na hora que eu assim desejo, assim como mulheres. Amor não faz parte de minha vida, mas sexo, é algo com que eu convivo diariamente e não fico sem. Eu e minha melhor amiga Nicole Nichols somos umas verdadeiras baladeiras, galanteadores, não nos apaixonamos, mas temos uma mulher para cada dia.

Minha profissão é algo que eu amo, uma de minhas únicas paixões, salvar vidas, e esse trabalho toma muito tempo de minha vida, às vezes passo muito mais de 12 horas dentro do Hospital, mas me sinto bem fazendo isso. 

E hoje seria um daqueles dias: pesados, cansativos, mas agradáveis. Nicky e eu estávamos na lanchonete, era nosso mantra antes de começar o dia no Hospital dar pelo menos uma passadinha na lanchonete.

— Ontem foi demais! Àquela boate estava fervendo mulheres gatonas! — disse Nicky se espreguiçando.

— Sabe, eu nunca mais te escuto, Nicole. — bebi o café amargo, minha cabeça estava explodindo de dor.

— Você é uma dramática, Vause. — rolou os olhos. — Eu não te puxei pelos cabelos e te obriguei a ir até lá ontem, e a muito menos beber e transar com várias ao mesmo tempo. Não me culpe pelas suas merdas, querida. — sorriu cínica bebendo seu latte.

Dei-lhe um dedo do meio da maneira mais sutil possível e Nicky explodiu em risadas.

— Vou pedir um Danutts, tá afim?

— Estou bem. — falei enquanto respondia alguns e-mails importantes.

Quando ergui meu olhar vi Shani se aproximar. Ela era uma jovem que veio do Egito em busca de uma vida melhor em nosso país, e claro que ela tinha que escolher Nova York, porque essa cidade era a cara do nosso país. Era uma moça sorridente, que sempre estava feliz com a vida e trabalhava na lanchonete.

Ela era todos sorrisos para Nicky enquanto se aproximava. 

— Sim, Dra. Nichols, o que deseja? — seu sorriso era todo derretido.

Meus olhos passaram de Shani para Nicky, que a fitava com aquele sorriso sedutor. Eu a conhecia há muito tempo para saber exatamente o que estava acontecendo ali.

— Por favor, anjinho, me dê um Danutt.

Apoiei meu rosto nas mãos incrédula com a cara de pau de Nicole. Shani anotou tudo com seu rosto vermelho e um sorriso que não saia do seu rosto.

— Logo trarei. — saiu entre passos incertos e tropeços.

— Você é uma tremenda cara de pau filha da puta, Nichols! — bati palmas rindo sem parar. — Não acredito que está pegando a Shani, porra! — tirei meus óculos para limpar as lágrimas que escorriam pelos cantos dos meus olhos.

Ela fitou-me com um ar convencido. 

— O que posso fazer se ninguém resiste aos meus encantos? Ela praticamente se jogou pra cima de mim, minha cara Vause.

Sorri maneando minha cabeça em negativa. 

— Ah, é?

— Sim. Fazer o que? — deu de ombros com toda a serenidade que ela sempre tinha.

— Você é mala.

— Não queria pegar profissionais do Hospital, essa é minha primeira e espero que a única. Shani é um docinho. — sorriu safada.

Ri incrédula. 

— Entendo. — bebo um pouco mais do meu café. — E ela sabe que é só sexo?

— Alex, Alex... Essa é a primeira coisa que eu sempre faço questão de deixar claro. Até parece que não conhece as regras.  — deu uma piscadela.

Sim, eu conhecia as regras, porque eu agia exatamente da mesma forma.

— Mas mudando de assunto, — recoloquei meus óculos. — Ficou sabendo que a Lorna vai casar? — ajeito os óculos em meu rosto.

Nicky fitou-me de um modo estranho. 

— Morello? — espantou-se. — Morello vai se casar quando?

— Sim, ela mesma. Lorna Morello. Não se fala em outra coisa na minha ala, no quanto o namorado dela, e agora noivo chamado Vincent foi romântico no pedido de casamento. — falei. — Ela merece. Sabe muito bem que o sonho dela é se casar, constituir uma família e essas coisas. — dei mais um gole em meu café. — Mas respondendo sua pergunta: eu não sei quando vai ser.

Lorna era enfermeira na ala de pneumologia, por isso convivíamos bastante no dia-a-dia, e na verdade, eu a considerava como uma amiga e uma ótima colega de trabalho. Ela sempre foi apaixonada pela Nicky, só que Nichols nunca quis nada com ela, não queria estragar a amizade nem nada disso. Coisas de Nicky. Ao mesmo tempo em que ela era uma cafajeste, às vezes também era sensata. Todos do Hospital sabia na época do quanto Lorna era apaixonada por Nicole, embora a mesma nunca tenha se declarado, era mais do que nítido.

— Qual é! — Nicky riu maneando sua cabeça em negativa. — Eu nem fiquei sabendo que ela estava em um relacionamento. Por que ela não me contou? Poxa, pensei que éramos mais próximas. — comentou, parecia mesmo aborrecida com o acontecido. — Na verdade, nem creio que isso vá dar em algo. Isso é só a Lorna dando uma de maluquete querendo formar a família dela e só. — fez um barulho com a boca com desdém.

Arqueei as sobrancelhas, enquanto a analisava. 

— Ela não te disse nada porque vocês andam bem afastadas desde aquele “mal” entendido.

— Mal entendido? Não me lembro de nenhum mal entendido. — se fez de marte.

Rolei os olhos. 

— Não se lembra, é? Então vou refrescar sua memoria; Aquele mal entendido em que a Lorna te roubou um beijo. Não se lembra?

Ela deu um leve tapa na testa. 

— Para de lembrar essas merdas, Alex. — fitou-me indignada. — Desde aquele dia e olha que já faz meses, não nos falamos direito. Eu sempre a ignorava, ou fugia, afinal, ela é minha amiga. Por que diabos foi me beijar, caralho? — suspirou.

— Bom, não sei, talvez porque ela te ame. — respondi com sarcasmo.

— Odeio quando é sarcástica! — bufou.

Dei de ombros, então Shani se aproximou.

— Aqui estão seus Danutts. — colocou uma caixa sobre a mesa toda sorridente.

Nicky sorriu de volta.

Ela então se foi.

— Ah, hoje eu dou uns pega nela no cômodo da limpeza! — esfregou as mãos.

Comprimi meus olhos. 

— Idiota.

Ela riu e deu de ombros. 

— Então Lorna está em um relacionamento? — se alto indagou dando uma grande mordida no doce. 

— É o que parece. — coloquei as mãos sobre a mesa, cruzadas. — Se está tão interessada no assunto, porque você mesma não fala com ela sobre tal assunto? Ela é a que mais sabe sobre. — sorri cínica.

— Nossa, mas você está um doce hoje, sabia? — maneou a cabeça em negativa limpando o resto de chocolate no canto da boca.

Dou de ombros.  

— Faço o que posso.

— Eu não estou interessada nessa história, — tratou de se explicar.  — Só... só espantada, ué. Só isso. Porque foi tudo muito rápido. 

Sorri.

— Sabe, você não me engana. Você está com ciúmes, Nichols!

Ela riu de modo escandaloso e exagerado, e quando ela fazia isso, era porque estava mentindo.

— Eu? Com ciúmes? — maneou a cabeça em negativa. — Essa palavra aí não existe no meu vocabulário e você deveria saber disso. 

Decido deixar isso para lá. Nicky é uma cabeça dura mesmo.

— Tá bom. — bebo meu café. — Vamos que está na nossa hora. — me ergui.

Ela então pegou a caixa com Danutts e fechou levanto consigo. Já estávamos com os nossos jalecos, prontas para mais um dia de trabalho.

Usamos nossos crachás para bater o ponto e então cada uma vai para a sua ala. A minha da pneumologia e de Nicky da cardiologia. Agora somente no horário de almoço para nos encontrarmos novamente.

Cumprimento o pessoal sorridente como todos os dias, vou até a Lorna que bebe água no corredor.

— Bom dia nova noiva do pedaço. — sorrio.

Ela sorri de um modo irradiante.

— Bom dia, Alex.

— O que temos hoje?

Ela então me entregou sua prancheta.

— Paciente nova no quarto 409. Piper Elizabeth Chapman, 20 anos, Fibrose Cística. 

Suspiro vendo a ficha da paciente. Seus pulmões estavam péssimos, completamente tomados pela bactéria B.Cepacia.

— Certo, certo. Nova no pedaço. — lhe entreguei de volta a prancheta. — Vamos até ela então. 

Caminhamos lado a lado, enquanto Lorna me contava sobre seu noivado. Ela estava bastante animada com isso, e não era para menos. Esse era o acontecimento do século para alguém como Lorna Morello. Uma jovem de família de italianos que tudo que mais desejam é se casar e formar uma família. Coisas tradicionais.

Ela me deixou na porta do quarto e teve que ir atender outro paciente. Meneando minha cabeça em negativa e sorrindo com suas maluquices fui adentrando o quarto que estava com a porta aberta.

Quando o fiz, meu mundo pareceu congelar por incontáveis segundos. A mulher, ou melhor, garota diante de mim, era a mesma da boate, em que tinha esbarrado em mim. O anjinho doce que ficou na minha cabeça por uns dias, e logo tratei de tirar por ser uma infantilidade para uma mulher com 30 anos da cara.

— Então você é a paciente Piper Elizabeth Chapman? — tratei de dizer algo para ela não pensar que eu era um panaca, ou algo do tipo.

Ela me encarava com aqueles olhos azuis cintilantes sem nada dizer. Seus cabelos estavam igual àquela noite: presos com mechas foras do penteado, o que a deixava linda.

Sacudi minha cabeça tirando esses malditos pensamentos de minha mente.

— Sabe o que isso quer dizer? — sorri de uma maneira galanteadora, mas não sabia o porquê de estar fazendo isso com ela. Minha paciente de 20 anos de idade.  — Que serei sua médica, srta. Chapman.

— Não, não. — finalmente algo saiu de seus lábios. — Você não pode ser médica, muito menos a minha médica. — ela parecia até ofendida.

Aproximei-me mais da cama. 

— Algum problema com isso? — eu estava me divertindo com a situação.

— É que você... — ela procurou as palavras. — Você não parece médica.

Soltei um riso.

— Está falando pelo o que houve naquele dia na boate?

— Não é obvio? — rebateu.

O incrível era que mesmo doente diante de uma cama e com oxigênio no nariz e um pouco pálida, essa garota ainda conseguia ser linda e transmitir algo que eu não sabia identificar. Era algo bom.

— Eu estava fora do meu âmbito profissional. — deixei que a postura séria tomasse conta de mim. Ajeitei meus óculos. — Sou Alexandra Pearl Vause, a Pneumologista desse Hospital e sua médica agora.

— Você é Doutora Vause? Nunca imaginaria. — ela parecia bestificada.

— Ficaremos muito tempo juntas, meses. — olhei seu prontuário. — Você está infectada pela bactéria B. Cepacia, e nosso objetivo aqui vai ser curar isso para que possamos fazer o transplante de pulmão a seguir.

— E porque desta vez séria diferente? Eu tentei vários, incontáveis tratamentos e nada deu certo. — seu tom de voz não era acusatório, na verdade, era como se não estivesse mais esperanças.

— Porque agora se trata de mim cuidando de sua saúde. 

— Nossa, você é petulante e arrogante! — acusou-me.

Dei de ombros.

— Não é a primeira pessoa que me diz isso. — ajeitei meus óculos. — Vamos aos remédios diários?

— Tá.

Sorri.

Ela parecia uma criança birrenta.

Céus, Alex, ela era uma criança birrenta!

Repassamos tudo como seria dali em diante, o tratamento, os remédios, a sua rotina. Não, não era uma coisa simples, era bem complicado de se conseguir. Pessoas com esse tipo de doença não tinha uma vida normal. Era basicamente: não ter contato com ninguém com a mesma doença, usar mascara e luvas quando sair do quarto, beber seus remédios sem nenhum engano ou erro, nos horários corretos. Era cansativo, exaustivo, mental e fisicamente.

— Isso é um saco! — Piper cruzou os braços.

— O que é um saco? — a questionei enquanto pegava o aparelho para escutar seu coração.

— Ficar aqui sabendo que não tem cura. O que eu tenho não tem cura. E eu já cansei dessa doença me tirar tudo que eu amo, as pessoas que eu amo. No hospital passado meu amigo que também tinha essa doença estava lá, eu nunca pude tocá-lo e ele morreu, sem que eu pudesse nem sequer dar um abraço nele. No final das contas, eu fico aqui como uma idiota na esperança de alguma coisa boa, mas então do nada, meus pulmões não funcionam mais eu morro com falta de ar e fim.

— Nossa, que otimista você. — falei irônica, em resposta ela me lançou um olhar zangado. — Por que está aqui, então?

— Pelos meus pais. — deu de ombros. — Eles merecem que eu tente até o fim.

— Descruze os braços. Vou escutar o seu coração. — disse séria, ela então o fez e escutei seu coração. — Por acaso está nervosa? — a provoquei, seu coração estava disparado. — Eu te deixo nervosa, srta. Chapman?

Ela corou.

— Não. Meu coração é assim.

— Nossa, então vou ter que te encaminhar para a Doutora Nichols da cardiologia, porque você está morrendo. — brinquei finalizando o exame.

Piper fitou-me com tédio.

Dei uma risada e fui até a porta do quarto a procura de Lorna. Ela estava saindo de um dos quartos, então a chamei com um aceno de mão.

— Prepare um hemograma, ultrassom e raio-X do tórax, por favor, para a paciente Chapman.

— Claro. — ela assentiu e se foi.

— Bom, vão fazer uns exames em você, mas por hora é isso. — a encarei, mas ela nada disse. Me aproximei da cama. — Chegou aqui quando?

— Ontem. — foi breve.

— O que estava fazendo naquela boate naquele dia?

Ela me fitou.

— A mesma coisa que você.

Sua língua era atrevida.

Sorri. 

— Não, não era a mesma coisa.

— O que você estava fazendo? — devolveu a pergunta.

Arqueei uma das sobrancelhas.

— Bebendo, beijando na boca, essas coisas e você?

Mais uma vez, Piper corou.

— Fazendo o que eu nunca faço. — olhou para as mãos. — Aproveitando a vida como uma pessoa normal.

Engoli em seco e dei uns passos para trás.

Estava me envolvendo sentimentalmente com um paciente e isso era antiético.

— Isso é bom. — foi tudo o que eu disse. — Mais tarde eu volto com os resultados dos exames. — sai em olhar para trás.

Isso não era nada bom.

 

//

 

O horário do almoço chegou passei meu crachá na maquina de bater ponto e olhei ao redor, não demorou para ver Nicky se aproximando para fazer o mesmo.

— Que cara boa. — observou ironizando e se aproximou. — O que foi?

— Lembra aquela garota da boate? — a indaguei enquanto caminhávamos lado a lado.

— Garota da boate? — indagou. — Poxa, está querendo demais, afinal, há muitas garotas de boate. 

— Aquela que derramou meu Uísque há mais ou menos um mês atrás. — insisti.

— Oh! Sim, sei, sim. O que tem?

— Ela é minha nova paciente.

Nicole arregalou os olhos.

— Sério?

— Sério.

Nos sentamos em uma mesa e pegamos os cardápios.

— Que destino... Tipo, ela balançou um pouco seu coração, não foi?

— Bom... ela só me chamou a atenção. Só isso. — encolhi os ombros.

— Ela é gata?

— Gata, uma gatinha, na verdade. Tem 20 anos só. — ri maneando minha cabeça em negativa.

— Poxa, — riu também. — novinha.

— Sim. — analisei o cardápio.

— Quero conhecer sua gatinha.

A encarei com uma cara nada boa.

— Só conhecer, Vause, credo. — se defendeu.

— Só respeite meus pacientes, Nicole. Só isso que eu te peço.

— Pode deixar sua paranoica. — também pegou o cardápio. — Mas me fala aí, se ela não mexeu com seu coração, porque está nessa vibe?

— Vibe? Que vibe?

— Isso te afetou, Alex. 

Ri com desdém.

— Não me afetou, não.

— Tá, eu admito que estou com ciúmes da Lorna, mas você tem que admitir isso, porra.

Segurei o riso.

— Está mesmo com ciúmes?

Ela deu de ombros.

— Estou e não ria. — passou as mãos pelos cabelos. — Eu não sei o que tem de errado comigo. — fez cara de cachorro sem dono. — Tipo, eu sempre achei a Lorna gatinha, mas nunca o suficiente para passar da zona de amizade, entendeu?

— A Lorna não é gatinha.  — neguei. — Ela é gostosa!

Em resposta Nicky me tacou um sachê de ketchup.

— Mais respeito! — exclamou fitando-me com cara de poucos amigos. — Que seja! O que eu quero dizer, é que eu nunca a vi com outros olhos, mas hoje, depois do que eu fiquei sabendo... — suspirou afundando o rosto entre as mãos. — Sei lá, algo mudou dentro de mim e eu estou morrendo de ciúmes. É isso.

— Sabe como isso se chama?

Ela franziu o cenho.

— Como?

— Dar valor no que perdeu. Tipo, você a tinha, então agora que sente que não é bem assim, caiu a ficha.

— Será?

— Eu acho que é. 

Em seguida Shani veio e fizemos nossos pedidos. Desta vez Nicole acabou deixando-a no vácuo, não por querer, mas sim por estar preocupada com seus sentimentos. Não queria estar se apaixonando.

— Já falou com a Lorna?

— Não e nem vou. — deu de ombros. — Eu não vou me humilhar, Vause. Não mesmo. Se ela quer casar que case, ué. — cruzou os braços e ficou bicuda.

Segurei o riso.

— Não ria de mim, ok? Isso é sério, caramba.

— Tá, mas para com esse bico, então. — tirei os óculos limpando as lentes. — É que acaba sendo engraçado.

Ela de meu o dedo do meio.

— Não precisa falar com ela sobre esse assunto, só volte a falar com ela. Vai te fazer bem.

— É, pode ser que sim. — suspirou. — Mas e você, não me disse o que sente em relação à garota lá. — encarou-me com atenção.

— E chegou a minha vez. — suspirou.

— Pois é.

— Eu gostei dela. — deixei meus óculos sobre a mesa. — Gostei mais do que deveria. É perigoso, Nicky.

— Como assim?

— Ela é minha paciente, é antiético. E tem só 20 anos, é praticamente uma criança.

— Qual é! — Nicky abriu os braços incrédula. — Alex, tá panqueca da cabeça agora? Nem os jovens de 13 anos hoje é criança mais. Elas tem a mente mais suja do que o Tietê.

Ri com sua comparação.

— Você acha?

— Tá de zueira? — riu. — As “crianças” — fez aspas com os dedos. — de hoje em dia tão pegando mulher, homem, travesti, intersexual, e o que mais vier pela frente, elas fazem coisas que até Deus duvida, mulher. E essa garota aí, tem 20 anos, com essa idade a gente já tinha pegado geral, fumado uma maconha e não éramos nada inocentes.

Ri.

Nicky e seus comentários.

— Tá, tá, mas enfim, são dez anos de diferença.

— Que se foda! Se as duas quiserem, é o que importa.

Recoloquei meus óculos.

— Esquece isso.

— Cagona!

— Olha quem fala! — retruquei.

 

//

 

Os exames de Piper estavam prontos. E tudo que estava no prontuário foi confirmado, então fui até o seu quarto, somente para informar os resultados. Já era fim de tarde, e tudo que eu queria era dormir um pouco, ir embora, mas ainda tinha muitas horas ali. Era dia de plantão.

Fui no quarto, a porta estava fechada desta vez. Piper estava assistindo algo na televisão.

— Os exames ficaram prontos. — fui logo dizendo.

— Ah, sim.

— Não me mostraram nada que eu não soubesse, mas na verdade é bom. Poderia estar pior.

Ela estava estranhamente calada.

— Quero que saiba de uma coisa. — minha postura ficou séria. — Não é atoa, Piper que eu sou a melhor nesse ramo. O projeto que venho desenvolvendo aqui anda dando muito certo, os procedimentos estão sendo eficazes. Pode ser antiético, mas meu ego não me deixa calada. — sentei-me na cama de frente para ela, mas não a toquei nem nada disso, somente a encarei diretamente nos olhos. — Você vai sair daqui com um pulmão novo.

Piper fitava-me e vi em seus olhos azuis um fio de esperança surgir. Um sorriso leve surgiu no canto de seus lábios e ela assentiu, sem expressar nada mais que isso, ou dizer algo.

 

Alex Off

 

Nicky tinha acabado de fazer uma cirurgia de alto risco. Um paciente estava com pouca passagem de sangue na veia principal do coração. Saiu cansada, exausta. Foram mais de oito horas de cirurgia. Tirou a roupa cirúrgica, toca, luvas, botas e mascará e lavou as mãos. Tudo que queria agora era dar uma pausa, comer alguma coisa.  Seu dia por hoje estava chegando ao fim. O sol estava começando a ir embora. Sorriu. Logo estaria em casa no seu colchão, dormindo profundamente.

Pegou suas coisas no armário, passou seu crachá suspirando de alivio. Foi então até o elevador, chama-lo. Apertou o botão, e logo as portas se abriram, ela entrou e então alguém segurou as portas. Seu coração gelou. Era Lorna.

As duas se encaram por alguns instantes, então Morello desistiu de entrar, mas Ncky tratou de segurar as portas, colocando seu braço no meio.

— Não vai vir?

Lorna hesitou.

— Não sei... er...

— Pelo amor de Deus, Lorna, entra. 

Ela assentiu e o fez.  As portas se fecharam, eram muitos andares para descer. As duas se mantinham lado a lado caladas.

— Fiquei sabendo do seu noivado. — Nicky puxou papo. — Parabéns! — conseguiu dar um sorriso.

Lorna sorriu sem jeito.

— Obrigada!

— É... É, mas eu ne, sabia que estava namorando.

— Vai mesmo fazer esse drama? — retrucou Morello sem paciência.

Nicky suspirou.

— Não, não vou. Não estou na posição disso. — admitiu.

— Que bom que sabe.

— Quero me redimir. Sei que me afastei depois daquele acontecido, mas quero... quero minha amiga de volta.

— Não sei, Nicky.

A mesma engoliu em seco encarando Lorna. Como tinha sido tola. Ela era linda. Extremamente linda. Inteligente. Maneou a cabeça em negativa e suspirou.

— Só me deixe tentar.

Lorna ficou calada.

— Sempre fomos amigas. — prosseguiu. — A menos que não queira minha amizade por ainda sentir algo por mim.

— Eu nunca senti nada por você. — ficou rubra de vergonha. Jamais admitiria seus sentimentos, ainda mais agora. — Eu só te beijei, por que... sei lá, estava confusa, mas agora como pode ver, irei me casar e a confusão não faz mais parte de mim.

Nicky sentiu aquelas palavras como um golpe em seu peito. Engoliu em seco assentindo.

— Então só aceite minha amizade. Não tem porque não aceitar.

Lorna ponderou. Nicole estava certa. Não tinha porque não aceitar sua amizade. Negar sua amizade seria admitir seus sentimentos.

— Tudo bem, Nicky. Eu aceito sua amizade.

A ruiva sorriu, feliz com seu feito.

— Então... o que acha de sairmos para comemorar isso?

— Olha, você não cansa, não? — riu incrédula.

— Canso, mas também tenho fome. — colocou a mão sobre o estomago, fazendo Lorna rir ainda mais.

— É, eu também estou com fome.

Foram então para a lanchonete de frente para o Hospital, onde a comida era boa e gordurosa.

— Me fala sobre seu noivo.

— Bom, — Lorna limpou a boca com o guardanapo. — O Nome dele é Vincent Muccio, ele trabalha com finanças e é de família italiana também. — sorriu orgulhosa.

Nicky sorriu sem vontade, porque, sim, era mesmo o cara perfeito para uma mulher como Morello.

— Nossa, que príncipe encantando, hein? — bebeu sua cerveja.

— É sim. — sorriu derretida.

— E como vocês se conheceram? — mesmo que fosse um martilho, queria saber mais sobre esse assunto.

— Na festa de aniversário da minha sobrinha.

— Nossa, que coisa. E quanto tempo vocês estão juntos?

— Cinco meses.

— Não acha pouco tempo? — indagou com os olhos esbugalhados.

— Não, quando se há amor. Não. — foi firme na resposta.

— Certo... — murmurou. — E para quando é o casamento?

— No final do ano. Ainda falta muito, mas tudo bem. Casamentos dão trabalho. — riu contente.

— Dão.

Não se demoraram muito ali, ambas estavam cansadas do dia no Hospital. Assim que saíram da lanchonete um carro veio buscar por Lorna, um Jeep SUV vermelho. Ela entrou no carro e beijou o homem, que Nicky deduziu ser o tal de Vincent. 

Suspirou nada contente com aquilo e acompanhou o carro ir embora. Bufou indo até o seu AUDI SUV branco. Tudo que queria era ir para casa e dormir a noite toda.

— Nicky! — escutou alguém lhe chamar.

Olhou ao redor e viu Shani se aproximar.

— Ai meu Pai, o que essa menina quer agora? — disse baixinho. — Oi, Shani. — sorriu.

— Oi. — ela sorriu toda derretida. — Já indo embora?

— Sim, já indo embora e você?

— Também. — sorriu sem jeito.

— Que bom.

— Estava pensando se não poderíamos fazer algo hoje.

— Oh, — coçou a nuca. — Sinto muito, gatinha, mas hoje estou um caco. Fiz uma cirurgia de oito horas no final do dia para acabar com tudo. Sério, não dá hoje, mas marcamos outro dia sem falta. — tocou seu queixo.

— Ah, tudo bem, então. 

— Até amanhã. — deu uma piscadela entrando no carro.

Shani acenou um “tchau”.


Notas Finais


O que estão achando? Muitos acontecimentos né. Já está dando para pegar a vibe da fic? Alex confusa, Piper caidinha e bravinha, Nicky com dor de cotovelo, e essas coisas kkkk até o próximo ❤


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