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História The Answer to Our Life - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Capítulo XVII


Allison

Apesar de tudo, a manhã estava sendo muito tranquila. Ainda que Liv tenha nos pego de surpresa com um resfriado, pelo menos eu não estava sozinha. Pude preparar um café da manhã para nós três, leve, mas que a sustentasse. Ela continuava deitada com Henry sem nem sequer se mexer, a única diferença é que agora ela estava enrolada em uma manta, depois de ter reclamado que ainda sentia muito frio.

Tudo estava normal, tirando o fato de que Liv estava bem menos falante, provavelmente por causa da dor de cabeça, mas ela ainda fazia alguns breves comentários com Henry que, ao contrário do que eu imaginava, parecia prestar atenção em absolutamente tudo o que passava na televisão.

Na hora de comer, foi uma verdadeira luta. Liv raramente me dava trabalho, mesmo doente, mas ela garantia que a garganta estava doendo, o que fazia com que ela resistisse à possibilidade de engolir qualquer coisa.

— Mas eu não quero... – ela falou chorosa, encolhendo-se contra Henry, me fazendo suspirar alto, muito próximo de perder a paciência. Eu sabia que ela não queria porque estava com dor, mas eu também sabia que ela precisava comer, pro próprio bem dela.

— Eu sei que está doendo, querida – Henry falou com doçura, tocando os cabelos dela e fazendo um carinho suave – Mas se você não comer, você não vai ficar forte. Se você não ficar forte, você não melhora. – ele continuou e ela suspirou, esfregando o próprio rosto, visivelmente irritada com tudo.

— Mas tá doendo! – o seu lábio tremeu e Henry a abraçou

— Vamos lá, nós vamos comer com você. – ele insistiu e ela suspirou com uma careta.

— E nada de remédios? – ela perguntou esperançosa e Henry riu

— Você sabe bem que precisa tomar o remédio – falei apertando os olhos e ela suspirou derrotada

— Tá, mas só um pouco. – ela falou pegando o garfo e espetando uma fruta que estava disposta na bandeja que eu havia preparado para nós três. Evitei preparar algo diferente do que ela comeria, para mim e Henry, então comemos bastante frutas pela manhã e bebemos suco. Liv preferiu o suco, pela facilidade na hora de engolir, mas beliscou alguns pedaços de manga.

No final, dei-lhe uma dose do remédio para o resfriado e ela o tomou com uma careta e muita má vontade, mas tomou.

— Viu? Você tava com fome – Henry falou e ela voltou a se deitar com ele, mais dengosa do que eu jamais a vi, o que me fez rir.

— Já vai se preparando pro almoço – falei dando um beijo em sua bochecha, ouvindo-a gemer de insatisfação.

O dia inteiro foi assim. Apesar da febre ter baixado e a cabeça ter parado de doer, a garganta ainda era um problema. Kate pediu algumas fotos da garganta e confirmou a inflamação, sugerindo que eu desse o antibiótico a ela.

No fim do dia, ajudei Liv a tomar banho e então ela dormiu bem mais cedo do que o de costume. Quando desci, Henry estava no telefone.

— Eu não fui para o escritório hoje, Nora. Surgiu um imprevisto – ele explicou tranquilamente, colocando um biscoito na boca – Eu vou pra casa hoje. O que ela quer? – ele perguntou confuso e então suspirou balançando a cabeça – Allison precisava de mim e eu fiquei aqui. – ele deu outra pausa e riu em seguida – Ainda posso demitir você, sabia? – ele riu novamente – Mais tarde estarei em casa. Se Helena continuar me procurando, diga a ela que eu morri. – ele instruiu e eu não contive o riso, fazendo com que ele olhasse em minha direção – Obrigado, Nora. – ele falou e então desligou – Me espionando?

— Sua esposa está te esperando em casa? – perguntei com sarcasmo – Não deveria estar com ela?

— Estou exatamente onde eu deveria estar – ele falou me pegando pela mão e me guiando até ele

— Por que fez isso? – perguntei me referindo ao fato dele nem sequer ter hesitado em passar o dia inteiro assistindo desenho com uma menina de nove anos, doente e dengosa. Ele sorriu, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha

— Porque eu me importo – ele respondeu com um suspiro – Porque eu gosto de vocês duas. – ele sorriu – Não é nenhum sacrifício, pra mim, ficar perto de vocês... Eu gosto.

— E quem é Nora? – perguntei e ele me olhou divertido

— Com ciúmes?

— Até parece – ri rolando os olhos – Curiosa, na verdade.

— Nora é minha governanta. Uma espécie de irmã mais velha também. – ele falou com um suspiro, abraçando minha cintura

— Entendi – falei tocando seu rosto e ele sorriu, fechando os olhos ao sentir o meu toque – Precisa mesmo ir?

— Infelizmente – ele falou sorrindo e eu ri baixo – Mas eu volto.

— É melhor que volte mesmo – falei mandona e ele riu, me puxando para beijá-lo.

Helena

Já faziam dois dias que eu não tinha qualquer notícia do Henry e, na situação em que nos encontrávamos, isso era bem preocupante. Procurei por ele na empresa, mas ele tinha cancelado seus compromissos. Sabendo disso, procurei por ele em seu apartamento, mas ele também não estava lá.

Ele poderia estar com outra, poderia também estar com Kevin. Dada as atuais condições, eu não sei qual das duas opções era a pior. Kevin usaria toda e qualquer ferramenta ao seu dispor pra que esse divórcio saísse em tempo recorde e se Henry continuasse onde eu não pudesse encontrá-lo, eu não teria muito o que fazer a respeito.

— Henry, eu preciso falar com você. É urgente. Me liga quando receber essa mensagem! – era a quinta mensagem que eu deixava em sua caixa postal. Tentei alcançá-lo através dos aplicativos de mensagens, mas a última visualização tinha sido antes das sete da noite, no dia anterior. – Que inferno! – praguejei ao olhar o visto por último pela quinquagésima vez.

Eu já tinha entendido que estar em Nova York não ajudaria em nada. Ele fugiria de mim, Kevin o ajudaria nisso e daria força a qualquer relacionamento extraconjugal que Henry possa ter, Nora então... Eu não consigo imaginar uma dupla que me odiasse mais do que esses dois. Se Kevin não fosse casado, eu apostaria em um romance entre os dois. Nova York era o território dele e eu não poderia fazer muito aqui, já em Phoenix...

Resolvi mudar minha estratégia, fingiria que estou recuando, quando, na verdade, estou com a mente a todo vapor, bolando uma maneira de fazê-lo desistir dessa ideia. Henry não fazia ideia do que eu era capaz.

Decidi retornar ao apartamento, dando de cara com Nora mais uma vez.

— Helena – ela atendeu cansada e eu a olhei querendo rir

— Eu ainda sou esposa do seu patrão. Onde está o “Sra. Cavill"? – perguntei com sarcasmo, mas sua expressão em nada mudou.

— Certo... – ela falou – E a senhora pretende fazer o que? Exigir que ele me demita? – ela perguntou com desinteresse e eu precisei me controlar pra não demonstrar insatisfação com a resposta.

— Talvez eu nem precise que ele a demita.. Talvez eu mesma faça isso.

— Eu desconfio que é mais fácil ele se livrar da senhora do que de mim – ela afirmou e eu bufei. Nora nunca gostou de mim, mas jamais ousou em me dar uma resposta atravessada ou falar comigo naquele tom. Sabia muito bem que era por respeito ao Henry, mas agora, talvez, ela achasse que não precisava me respeitar mais.

— Escuta aqui, sua.. – tentei descontar minha raiva nela imediatamente, mas Henry apareceu e me impediu

— Obrigado, Nora. Pode ir agora. – ele falou antes que eu pudesse concluir a frase.

Nora o respondeu com um aceno de cabeça e saiu sem se dar ao trabalho de sequer olhar para mim outra vez. Olhei para Henry, furiosa, ao contrário dele, que parecia ter descoberto a cura do câncer.

— Que cara é essa? – perguntei imediatamente sem conter minha confusão

— O que quer? – ele perguntou ignorando totalmente a minha pergunta e se sentando confortavelmente no enorme sofá.

— Que você me responda. – exigi e ele riu

— Então pode voltar pra onde você veio. Não tô aqui pra ficar te dando satisfações – ele ameaçou levantar, mas eu o chamei, fazendo que ele se virasse pra mim novamente.

— Henry, calma! – pedi me aproximando, ele permaneceu no mesmo lugar, mas parecia que qualquer conversa seria inútil pra mim. Olhei pro seu rosto e percorri todo o seu corpo, vendo que a grossa aliança que ele nunca tirava do dedo já não estava mais lá. Percebendo, ele mudou de posição e cruzou os braços na frente de seu peito. A coisa estava bem mais grave do que eu esperava – Eu decidi que vou voltar pra Phoenix. – pela primeira vez, ele esboçou uma reação. Era uma surpresa nítida e um sorriso reprimido. Quis socá-lo por isso. – Percebi que não adianta eu ficar aqui, quero que você tenha o seu espaço e volte a sua rotina. Sei que vai ser melhor assim. Precisamos de um tempo longe um do outro.

— Entendi – ele falou balançando a cabeça com certo sarcasmo – Dez anos talvez não tenham sido o suficiente.

— Sei que vai encontrar a razão e vamos superar isso – permaneci positiva – Sei que me ama e sei que você vai voltar pra mim.

— Eu já encontrei a razão, Helena. – ele falou sem hesitar – No dia em que te pedi o divórcio. Se era só isso, você já sabe qual é o caminho da saída – ele indicou a porta de entrada, deu-me as costas e saiu andando, mas antes de me deixar completamente sozinha, ele se virou pra me olhar outra vez – E eu não te amo mais. – ele disse com tanta certeza que me fez sentir como se o ar tivesse abandonado completamente ao meus pulmões. Deu-me as costas, me deixando sozinha ao vê-lo subir as escadas.

— A senhora consegue encontrar a porta de saída sozinha ou precisa de ajuda? – Nora voltou a aparecer, me olhando com a expressão neutra, mas eu sabia que ela tinha os fogos de artifício preparados pro dia em que esse divórcio fosse concluído.

— Deve estar adorando isso, não é? – perguntei furiosa e ela deu apenas um suspiro longo e me olhou sem muita disposição – Não se acostume muito com a ideia de se ver livre de mim. Ele pode até não demitir você, mas espere só até isso tudo se acertar. Acho melhor você ir se acostumando com a minha presença aqui.

— Não acho que vou precisar disso – ela respondeu tranquilamente – Bom, ele me autorizou a chamar a segurança e é exatamente o que eu farei se a senhora não sair imediatamente desse prédio.

Usando todo o meu autocontrole, me retirei do apartamento sem gritar com ela. Eu não lhe daria esse prazer. Saí do prédio discando o número conhecido e entrando no primeiro taxi disponível. Após alguns toques curtos, a pessoa finalmente atendeu.

— Preciso que fique de olho no Henry – falei no instante em que ouvi a voz do outro lado atender – Tudo o que ele fizer, cada passo que ele der. Eu quero saber de absolutamente tudo.

— Henry está no Arizona? – a mulher perguntou confusa e eu suspirei

— É claro que não. Preciso de você em Nova York, Lydia. – falei impaciente – E preciso de alguém de confiança no Arizona, eu estou voltando.

— Helena, o que está acontecendo? – a voz se tornou preocupada

— Henry quer o divórcio. Achei que não precisaria me preocupar com esse surto dele, mas a situação está mais caótica do que eu previ. – admiti insatisfeita – Não posso continuar aqui, estou atrapalhando tudo, mas preciso resolver algumas coisas no Arizona e preciso de alguém competente e de total confiança.

— Resolver o que? – Lydia perguntou preocupada e eu suspirei fundo antes de respondê-la.

— Preciso encontrar a Clarisse. – falei determinada e bastante irritada com isso.

Eu não queria precisar chegar a esse ponto, mas Henry não me deixava outra opção. Eu sabia que a única coisa que pararia os seus planos de se separar de mim, seria encontrar a menina.

Depois de nove anos, finalmente vou precisar encarar o maior esqueleto guardado no meu armário.

Henry

— Achei que ela fosse te fulminar – comentei rindo ao lembrar do olhar mortal que Helena dirigiu a Nora antes de sair.

— Não me veria lamentar, caso isso acontecesse – Nora respondeu despreocupada e dando de ombros, beliscando o sanduíche disposto em um prato diante de si – Acho que seria um favor para a humanidade.

— Nora... – tentei freá-la, mas ela riu

— Achei que ela ia te enrolar outra vez – ela comentou rindo – Por um instante, quase achei que você cederia.

— Não passei nem perto disso – falei olhando o copo de suco em minha mão – É como se eu finalmente tivesse me libertado do poder que ela tinha sobre mim, seja ele qual for.

— E imagino que a responsável por isso seja a Allison – Nora chutou e eu ri, olhando pra ela com divertimento e um pouco de timidez – Da última vez, você tinha dito que não era nada demais, apenas algo casual.

— E é – falei imediatamente – Allison e eu temos muitas questões pessoais e tivemos relacionamentos muito difíceis. Não sei se quero algo sério com ninguém por um bom tempo.

— Acho lindo como você tenta racionalizar as coisas, é um comportamento inteligente – ela elogiou e eu ri fraco – Mas eu conheço você desde o dia em que você nasceu.

— E isso significa? – perguntei e ela riu rolando os olhos

— Gosta dela?

— Muito.

— E da filha? – ela perguntou com a sobrancelha arqueada, eu ri.

— Como se fosse minha – assumi balançando a cabeça, suspirando alto ao pensar nisso.

— E quer mesmo que eu acredite que a sua razão vai vencer, quando suas emoções tomarem conta? – ela riu apoiando o rosto na palma da mão – E, bom, eu diria que elas já tomaram conta e você nem percebeu.

— A menina estava doente. – me justifiquei e ela riu – Pediu pra eu ficar.

— Teria ficado de qualquer maneira, Henry. – ela sorriu – E eu te entendo. Não tente controlar o curso do destino. Deixe as coisas acontecerem da maneira que elas devem acontecer. Eu só aconselho que você seja prudente.

Isso não fazia o menor sentido. Deixar as coisas acontecerem como estão acontecendo, era o extremo oposto de ser prudente.

— Prudente? – perguntei com uma careta

— Tenha cuidado com a Helena – ela aconselhou e eu suspirei – Ela não me convence e, pra mim, essa história de voltar pra Phoenix não faz o menor sentido.

— Era o que a gente queria, certo? – perguntei e ela fez que sim com a cabeça, mas seu pensamento definitivamente estava bem longe.

— E desde quando a sua esposa faz o que a gente quer? – Nora questionou e um silêncio invadiu o cômodo, me fazendo ficar reflexivo a respeito disso.

Eu só queria que ela me deixasse em paz, mas, pelo visto, nem nisso eu poderia confiar


Notas Finais


Gente, mil perdões pelo atraso. Vou passar as postagens para os fins de semana, pois é quando vou ter mais tempo para escrever, revisar e postar. Desde já, peço desculpas por qualquer erro de digitação. Estou escrevendo pelo celular, tentando ao máximo adiantar tudo para não atrasar ainda mais a postagem. Agradeço a compreensão de vocês!

Agora quero saber do que realmente interessa!!! O que acharam do capítulo????
Henry todo paizão. Esse eu chamava de daddy com toda a facilidade kkkkkkk. Heleninha voltou! E agora, podemos começar a ter algumas respostas de como ela realmente se sentia a respeito da filha e da gravidez! O que será que aconteceu com a Clarisse?? Cuidado com as especulações, às vezes as coisas não são como parecem, mas às vezes elas podem ser exatamente o que parecem ser hahaha.
Nora sempre sendo a voz da razão do Henry.

Deixem seus comentários porque eu amo o feedback de vocês!!! Obrigada por lerem e semana que vem teremos mais!!! 🖤


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