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História The Answer to Our Life - Capítulo 35


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Capítulo 35 - Capítulo XXXV


Henry

As últimas palavras da juíza ainda ecoavam em minha mente.

Senhor Cavill, você não é o pai da menor Olívia Harriett Williams.

Diferente da última vez, eu não tive uma crise de ansiedade ali, na frente de todo mundo. Pra minha surpresa, não houve nenhum tipo de reação imediata de nenhuma parte, apenas um silêncio sepulcral, sendo seguido pelo eco do martelinho da juíza anunciando o fim da sessão.

No entanto, isso só durou alguns segundos, Kate e Nick pareciam incapazes de conter a alegria deles, com o resultado e foram os primeiros a gritar e correr pra abraçar Allison.

            — Isso é impossível! – eu falei alto, mais alto do que eu esperava. Sentia meu corpo inteiro tremer e os meus olhos arderem. Eu sabia muito bem que não tinha como aquele ser o resultado certo. Olívia era minha filha e eu sabia disso, eu tinha certeza absoluta. – Esse resultado está errado!

            — Henry, não faça isso... – a voz de Kevin, calma e tranquilizadora, sussurrou ao meu lado. – Tem certeza de que o seu teste deu positivo? – ele perguntou baixo o suficiente pra que somente eu ouvisse. Olhei pra ele perplexo. Como assim? Eu sei o que li.

            Certo? Eu tinha lido aquele resultado várias vezes, será possível que eu tivesse entendido errado?

            — Olívia é minha filha! – eu me levantei, me recusando a duvidar das minhas próprias convicções  – Allison, por favor... – falei, sem saber exatamente pelo que eu estava pedindo, mas ao olhar pra ela, seu olhar encontrou o meu mais uma vez e era indecifrável. – Allison, ela é minha.

— Senhor Cavill, entendo que isso possa ser frustrante para o senhor, mas o exame seguiu o padrão de segurança do departamento e todas as exigências feitas por ambas as partes, na audiência anterior. O resultado é válido e final. – a juíza falou, mas ainda assim, aquilo era inaceitável. Eu sabia que Olívia era a minha filha, era impossível que o primeiro exame estivesse errado.

— Allison, por favor... – falei começando a sentir os primeiros sinais do desespero me invadindo. Ela, no entanto, respirou fundo levantando-se lentamente.

            — Você fez um exame de DNA sem eu saber, sem o meu consentimento. – ela falou devagar, sem desviar os olhos dos meus – Por isso, estamos aqui. Pra você provar o que aquele maldito teste falou. Tem noção do que isso tudo tem causado na Olívia? – ela perguntou apertando os olhos e eu fechei os meus, sabendo exatamente como ela devia estar se sentindo, mesmo sem saber ao certo do que se tratava. – Agora que um exame legal prova que o seu estava errado, você me pede por favor? O que exatamente você quer que eu faça por você, Henry? – ela perguntou com certo sarcasmo, mas o seu olhar era triste. Seu olhar sustentou o meu por mais algum tempo e então ela balançou a cabeça, decepcionada – Jogou tudo no lixo e a troco de que? – ela perguntou, uma lágrima solitária rolou em seu rosto ao mesmo tempo em que eu senti as minhas bochechas úmidas.

            — Querido, por favor, sabe que não tem conversa com essa gente... Ser manipuladora está no sangue dela! – Helena falou ficando de pé ao meu lado e tentando tocar meu rosto. Segurei sua mão com força, antes que ela pudesse me tocar.

            — Me deixa em paz! – falei baixo e pausadamente, olhando em seus olhos a cada palavra dita. – Não quero mais ouvir sua voz, não quero olhar pra você. Me deixa em paz! – falei e o seu olhar se tornou duro e frio. Ela puxou sua mão com força, se libertando do meu aperto. Mais uma vez, Helena surpreendia. Era a segunda vez que a nossa filha “desaparecia” e ela agia como se não fosse grandes coisas. Preferia atacar Allison a ter que esboçar qualquer reação referente a Clarisse.

            — Henry... – Kevin tocou o meu braço e eu dei um passo pra trás, me afastando de Helena. Mais uma vez, olhei pra Allison, mas ela virou o rosto na mesma hora, sendo abraçada por Nick e Kate, que estavam ao seu lado.

            — Tá tudo bem agora. – ouvi Nick falar, oferecendo-lhe um sorriso acolhedor quando Kate saiu do abraço – Não falei que ia ficar tudo bem? – ele disse beijando a testa dela e abraçando-a outra vez. Bem, é difícil colocar em palavras o quanto me incomodava ver os dois juntos.

            — Vamos embora. – falei para Kevin, sem conseguir parar de olhar para Allison, por mais que aquilo me machucasse profundamente.

            Minha opinião sobre Olívia não tinha mudado, eu continuava tendo certeza de que ela era a minha filha, mas tinha algo de muito errado nessa história e, por mais que eu odiasse admitir, a pergunta de Kevin também ecoava na minha cabeça. Será mesmo que eu entendi errado? Eu simplesmente não conseguia acreditar nisso, mas eu ia tirar essa história a limpo, mais cedo ou mais tarde.

 

...

 

Eu queria honestamente dizer que depois daquela audiência, eu voltei ao meu ritmo normal de vida, mas eu estava pior que nunca. Eu não sentia vontade de nada e nem mesmo dos assuntos da empresa eu queria cuidar. Me sentia completamente vazio. Já haviam se passado duas semanas e eu me sentia a pior pessoa do mundo. Me sentia horrível por ter me deixado levar pelas palavras de Helena, me sentia horrível por ter feito tudo errado. Me sentia horrível por não poder estar com a minha filha, mesmo sabendo exatamente onde eu poderia encontrá-la.

Sentia falta da Olívia. Tanta falta que só o pequeno gesto de pensar nela, me fazia querer chorar. Sentia falta de vê-la quando ela chegava da escola, sentia falta de todas as pérolas que ela soltava a cada segundo, sentia falta de vê-la correndo pela casa com Sirius. Isso tudo, somado a saudade que eu sentia de Allison, era simplesmente insuportável. Eu fiz tudo errado, tudo errado mesmo, e a sensação era de que eu tinha percebido isso tarde demais.

“Meu Deus, como eu fui idiota... E nem posso reclamar, porque não foi por falta de aviso.”

Kevin me visitava todo dia e esses eram os breves momentos que eu saía do quarto, na primeira semana. Na segunda, me obrigava a caminhar no Central Park, com o Kal. Afinal de contas, meu cachorro não tinha nenhuma culpa pelas minhas péssimas decisões. Muitas vezes Kevin ia comigo. As vezes em seu horário de almoço, as vezes ele separava um tempo só pra mim e eu me sentia grato por ele não me abandonar, mesmo eu tendo sido um idiota com absolutamente todo mundo nas últimas semanas.

Ele não costumava tocar no assunto. Se havia uma coisa boa, em Kevin, é que ele sempre soube respeitar os meus limites e sabia bem que eu falaria quando me sentisse confortável, mas ele sempre me aconselhava a fazer a mesma coisa.

— Tem que conversar com ela, Henry. – ele falava com calma e eu sempre suspirava, fazendo que sim com a cabeça. Eu sabia que ele tinha razão, mas eu não tinha coragem de ir até ela. Me sentia estúpido e péssimo por estar nessa posição. Antes do resultado do teste, eu me prendi demais às palavras de Helena. Suas acusações ficavam rodeando minha mente a cada segundo e tudo isso, junto com a culpa por me sentir negligente, me fizeram tomar as piores decisões a respeito de Allison.

É óbvio que não posso jogar toda a culpa na Helena por eu ter sido um babaca. Eu tive a escolha e eu escolhi mal, muito mal, e agora eu estava pagando por isso em incontáveis formas. Depois da audiência, fiquei me perguntando o que realmente teria acontecido. Olívia era minha filha, mas Allison insistia que não tinha sequestrado Clarisse. Pensei em diversos cenários, incontáveis formas de como ela poderia ter chego até Allison sem que Allison não a tivesse sequestrado, mas nada fazia sentido. Nas minhas infinitas buscas, eu tinha visitado todas as possibilidades.

Na época chequei todos os abrigos, orfanatos, chequei cada hospital em busca de uma recém nascida que pudesse ter sido abandonada ali. A polícia investigou a equipe médica e eu pessoalmente conversei com a médica que fez o parto de Helena. Ofereci recompensas generosas a qualquer funcionário que tivesse informações, mas ninguém sabia dizer o que tinha acontecido, processei o hospital por tudo o que se possa imaginar, fiz Kevin utilizar todas as suas cartas na manga, mas o máximo que conseguimos foi que o hospital nos pagasse uma indenização. Nenhuma informação relevante sobre Clarisse. Isso não me parou, muito pelo contrário. Só Deus sabe o quanto gastei com a polícia, fazendo doações significativas pra incentivar a investigação de todo e qualquer indício de tráfico infantil no Arizona e todas as vezes que paguei por informações que chegavam até mim, mas nunca me levavam a lugar algum.

Nada disso me rendeu frutos, minha filha continuou perdida até agora. Até eu encontrá-la com Allison. No entanto, Allison garantia que não tinha sido responsável pelo desaparecimento dela, o que significava que eu só teria uma resposta quando eu finalmente tivesse coragem de sentar e conversar com ela.

E eu não me sentia pronto pra isso, ainda não.

Naquela tarde, Kevin foi pro apartamento comigo, disse que passaria pra dar um beijo em Nora e depois iria pra casa. Fui tomar banho enquanto eles conversavam. Demorei mais do que gostaria, finalmente tinha decidido fazer a barba e voltar a parecer um pouco mais com o Henry de dois meses atrás. Quando saí do banho, Kevin tinha acabado de ir embora, segundo Nora.

— Vou preparar um sanduíche pra você. – ela falou um pouco mais relaxada. Nos primeiros dias, Nora vivia preocupada, especialmente diante da forma como eu agia. Ela sabia bem que aquele tinha sido um golpe muito sério em mim.

— Não precisa, Nora... Não estou com fome. – falei deitando-me no sofá da sala e ouvindo sua risada.

— Se eu for esperar pela sua fome, você não come mais. – ela rebateu e eu suspirei, vencido. Sabia que ela enfiaria o sanduíche goela abaixo, se fosse preciso.

Antes que eu pudesse me sentir confortável demais no sofá, a campainha tocou. Fui atender, pronto pra fazer uma piada com o curto tempo que Kevin levou até voltar. Provavelmente tinha esquecido algo, mas eu não perderia a chance de fazer uma piada.

— Jesus, Kevin, isso tudo é saudade? – falei girando a chave na porta e puxando-a para abrir – Eu já disse que estou bem... Oh, Deus... – falei me assustando ao ver que quem estava na porta não tinha absolutamente nada a ver com Kevin. Me senti nervoso ao vê-la ali, parada na minha frente, me encarando como se a vontade de sair correndo fosse igual ou superior a minha.

— Não posso mais esperar, Henry. – Allison me falou suspirando em seguida – Precisamos conversar.


Notas Finais


Resolvi parar de torturar vocês. Estavam esperando esse final? Eu acho que não hahahaha
O que será que vai acontecer? Será que, mesmo arrependido, o Henry vai conseguir agir normalmente perto da Allison? O que será que ela vai contar pra ele? Façam suas apostas! Hahahahah


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