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História The Answer to Our Life - Capítulo 36


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Capítulo 36 - Capítulo XXXVI


Allison

Achei que tudo ia melhorar depois da audiência, mas sendo bem sincera, não mudou muita coisa. Olívia continuava calada, pelos cantos. Fazia as suas obrigações, mas parecia que andava em piloto automático. Eu sempre tentava distraí-la e, por algum tempo, funcionava, mas logo depois ela voltava ao seu estado de inércia. Quando estava tendo aulas, ela ainda tinha mais com o que se ocupar, mas desde que suas férias começaram, ela parecia meio aérea o tempo todo.

Isso me deixava extremamente angustiada, o que me levou a basicamente obrigá-la a dormir comigo todo santo dia. Ela parecia gostar, sinceramente. Achei que haveria certa resistência, mas ela aceitou de cara e toda noite dormíamos juntinhas, como quando ela era mais nova e tinha medo de dormir só. Ela já não tinha medo de nenhum monstro escondido no quarto, o problema dela, agora, era ter que crescer. Sabia que ela sentia falta de Henry, mas ela não o mencionava. Não perguntava, não tocava no assunto, mas não precisava de nada disso pra eu saber que ela sentia saudades dele.

Sempre me lembrava de como ele parecia perdido, ao receber a notícia. Lembrava do seu olhar, lembrava de como ele parecia vulnerável e, principalmente, lembra de como ele tinha absoluta certeza de que Olívia era a sua filha desaparecida. Isso foi o que mais ficou marcado. Ele não estava simplesmente jogando com a sorte ou tentando me acuar. Ele estava sendo sincero quando dizia que sabia que era ela.

E mesmo que eu acreditasse que aquilo não era possível, mesmo que aquele exame tenha dado negativo, eu não conseguia deixar de pensar nele. Não conseguia parar de pensar na possibilidade dele estar certo. Era praticamente impossível que um teste de DNA errasse. Alguém estava tentando manipular ele, alguém estava tentando deixá-lo isolado, e eu seria capaz de apostar absolutamente qualquer coisa no fato de que Helena tinha algum envolvimento nisso, mas eu jamais a acusaria sem provas.

Se nada disso fosse suficiente, o meu mal estar persistia. Fingia que estava bem, perto de Kate, porque não queria que ela continuasse me pressionando a ir ao médico. Sabia que aquilo logo ia passar, então não via sentido algum em perder tempo indo ao médico pra ele me falar o óbvio.

Nick também era outro que insistia que eu deveria procurar um médico, mas quando eu lhe cortei pela segunda vez, ele parou de tocar no assunto. Ele virou presença constante lá em casa e Odin era a pessoa que ajudava Liv a voltar ao seu estado de espírito mais normal. Eles brincavam até cansar.

— O que tá se passando nessa cabecinha? – Nick perguntou enquanto eu olhava na direção de Olívia e Odin, mesmo que eu não estivesse realmente prestando atenção nos dois. Pisquei algumas vezes e olhei pra ele, como se tivesse saído de um transe. Dei de ombros, mas não falei nada. – Ah, por favor, conheço você o suficiente pra saber que tem algo te incomodando.

— Não vale a pena falar sobre isso. – respondi apenas – Você provavelmente não entenderia e me mandaria esquecer.

— Allison, assim você quase me ofende. – ele brincou e eu ri fraco – Qual é, sabe que pode se abrir comigo. Fala... – ele falou me fazendo olhar pra ele com uma careta – Fala! Fala! Fala! – ele ecoou como uma criança, me fazendo rir.

— Fica quieto, Nick. – falei empurrando seu ombro, fazendo com que ele risse também. Balancei a cabeça, pensando se falaria ou não e me sentindo muito tentada a fazê-lo – É o Henry... – falei e ele suspirou alto – Exatamente! Mas você insistiu.

— Continue... – ele incentivou e eu o olhei de rabo de olho. – Anda...

— Não sei, Nick... Alguma coisa me incomoda nessa história. – falei pensativa – Como podem dois exames darem resultados diferentes? – perguntei olhando pra ele.

— O primeiro pode ter sido manipulado – ele sugeriu e eu neguei com a cabeça, tão rápido que até me surpreendi. – Allison, não pode garantir que não.

— Eu sei que você quer me proteger e que o melhor é eu “vê-lo de forma objetiva” – falei fazendo aspas com as mãos – Mas ele não é assim. Ele não faria isso. – falei rápido, vendo ele abrir a boca pra me contestar – E, bom, eu sei que fugir com a Olívia também foi loucura demais, mas... – suspirei antes de continuar – Não consigo deixar de compreender o lado dele, sabe?

— Acha justificável ele ter fugido com a sua filha? – Nick perguntou, realmente curioso, sem nenhum julgamento por trás.

— Não. Lógico que não. – falei rapidamente – Mas eu entendo de onde veio isso. – expliquei – Nick, se alguém aparecesse na minha porta agora e dissesse que a minha filha está viva, eu realmente não sei se conseguiria agir de algum jeito diferente do dele. – falei, me assustando com a minha própria fala.

— Allison... – Nick tentou argumentar, mas eu o cortei outra vez.

— Tem algo errado nessa história! – falei segura – E, não, eu não sei lidar bem com o fato dele acreditar que eu seria capaz de roubar um bebê. – me apressei em dizer – E é por isso que eu sei que eu e ele nunca mais teremos o que tínhamos antes, acabou, mas... E se ele tiver certo? – questionei com um olhar preocupado – E se por alguma ironia do destino a garota que eu encontrei na caçamba de lixo, em um subúrbio do Arizona, for a filha dele? O que eu faço com a minha consciência se Liv realmente for a filha dele? – falei com passando a mão nos cabelos.

Nick ficou em silêncio por tanto tempo, que achei que ele tivesse se arrependido em insistir no assunto, antes.

— Prometi que ficaria ao seu lado, independente da decisão que você tomasse – ele falou após um suspiro – Se você acha que existe essa possibilidade, não vou ficar contra você. Se acha isso mesmo, deveria conversar com ele. – Nick aconselhou, me olhando com carinho.

— Acha que ela vai me ouvir? – perguntei – Se ele achasse que eu sou inocente, ele teria vindo, não?

— Não acho. – ele respondeu – Nada disso deve estar sendo fácil, pra nenhum de vocês dois. Sabe Deus o que está se passando na cabeça dele. – Nick falou encolhendo os ombros – Não acho que ele tenha coragem de vir, não agora. A cabeça dele deve estar a mil.

— Acha que eu devo ir até lá? – perguntei e ele riu.

— Se eu falar que não, você não vai deixar de ir – ele respondeu e eu ri – Allison, faça o que tiver que fazer, desde que isso te dê paz.

— Certo... – falei com um suspiro e ele me olhou curioso.

— O que foi agora? – ele perguntou querendo rir.

— Alguém precisa olhar a Olívia.

— É claro que eu faço isso – ele riu e eu também.

— Sei lá... Por que não chama a Tâmara pra te ajudar? – sugeri e ele me olhou sem entender, me fazendo rir. – Eu sei que você causa um baita impacto nela, especialmente com crianças. – eu comentei rindo.

— Do que você tá falando? – ele perguntou e eu ri outra vez

— Tudo bem que você é loiro, mas tá ficando burro também? – perguntei e ele me olhou fingindo estar ofendido – Ah, me poupe dessa cena. Eu vou me arrumar e você liga pra ela.

Deixei Nick olhando as crianças e corri pro meu quarto. Não demorei muito no banho e escolhi uma roupa simples. Jeans e camiseta eram peças fiéis e constantes, eu jamais abriria mão de nenhum desses dois itens, especialmente porque eu não queria aparecer lá como uma mendiga e nem arrumada demais. Sei lá, eu provavelmente estou pensando demais em uma coisa que não é tão importante. Vesti a roupa que escolhi, sequei meus cabelos e decidi passar uma base, pelo menos pra disfarçar a minha cara abatida.

— Tâmara está vindo – Nick falou ao me ver descendo as escadas, sorri maliciosa e ele rolou os olhos rindo. – Para de ser boba!

— Sem beijos na frente das crianças! – avisei e ele riu – Olívia vai fazer questão de dizer como ela acha isso nojento.

— Allison... – ele falou rindo e eu ri também

— Não, sério. Ela consegue ser bem insuportável a respeito disso – falei rindo – Fora isso, dou todo o apoio. Vai fundo! – falei e ele ergueu uma sobrancelha pra mim – Quer dizer, não tão fundo assim, hoje – acrescentei e ele riu alto.

— Sai daqui, anda logo – ele falou e eu ri, dando um beijo em sua bochecha e anunciando a minha saída a Olívia.

Entrei no carro sentindo a ficha cair de que eu estava indo atrás de Henry, fazendo com que um nervosismo tomasse conta de mim quase que imediatamente. Meu estômago começou a embrulhar no momento em que eu dei a partida no carro, mas não permiti que isso me parasse. Enquanto eu dirigia, eu respirava fundo tentando acalmar o enjoo e pensava no que eu diria a ele. Não preciso dizer como um automaticamente anulava o outro. Pensar na conversa que eu teria, não ajudava a passar o meu enjoo, assim como o enjoo não me ajudava a pensar direito na conversa que eu teria.

Isso, claro, enquanto eu me sentia otimista o suficiente pra achar que ele iria me ouvir.

— Já está aqui, Allison. Não é hora de amarelar. – falei pra mim mesma, me olhando no espelho interno, do carro. Parei o carro na frente do prédio e fiquei ali por alguns segundos, tentando colocar a minha mente em ordem. Fiquei um pouco nervosa quando pensei na possibilidade dele ter proibido a minha entrada no prédio. – Ele não fez isso, anda logo. Sai desse carro. – falei comigo mesma, mais uma vez. Respirei fundo e permiti que o meu corpo obedecesse os comandos que eu mesma me dava.

Saí do carro e andei até a entrada do prédio, acenando para a câmera com um sorriso, como eu costumava fazer. Pra minha surpresa, o portão se abriu imediatamente. O enjoo ganhava força a cada passo que eu dava, mas eu me esforçava pra não permitir que isso transparecesse.

— Boa noite, Anthony! – cumprimentei o porteiro assim que eu o encontrei.

— Olá, dona Allison! Quanto tempo! – ele falou com um sorriso amigável – Sr. Cavill está esperando a senhora? Não vem aqui há bastante tempo...

— Pois é, tem bastante tempo que não nos vemos, mesmo – falei simpática

— Ele chegou com o Sr. Richardson, não tem muito tempo. – ele informou despreocupadamente e eu sorri – Mas o sr. Richardson foi embora há pouco. – eu duvido que Anthony desse essas informações a qualquer um, o que me fazia crer que ele não estava nenhum pouco ciente da situação em que o meu relacionamento com Henry se encontrava.

— Então, eu vou subir... – comuniquei ainda sorrindo e ele sorriu de volta, concordando. Chamei o elevador e entrei nele assim que as portas se abriram. – Tchauzinho, Anthony... – falei dando-lhe um tchau segundos antes das portas se fecharem. Encostei-me na parede do elevador e ergui minha cabeça, encarando o teto e respirando fundo. Kate tinha me ensinado que aquilo ajudava bastante com os enjoos.

Quando o elevador finalmente parou no último andar, reuni o pouco da coragem que me restava e caminhei até a sua porta, tocando a campainha, um pouco hesitante. Não demorou até que eu ouvisse sua voz, do outro lado da porta.

Jesus, Kevin, isso tudo é saudade? – o som de sua voz fez com que cada pelo do meu corpo se arrepiasse imediatamente, Deus, como eu sentia falta desse homem – Eu já disse que estou bem... – a porta começou a se abrir e eu achei que ia vomitar ali mesmo, ou ter um ataque cardíaco. Um dos dois. – Oh, Deus... – ele falou, me olhando em choque.

— Não posso mais esperar, Henry. – falei suspirando, sem saber exatamente como reagir – Precisamos conversar.


Notas Finais


Eu sei que vocês estão esperando horrores pela conversa dos dois e ela já está escrita, prontinha pra ver a luz do dia, mas eu achei que era importante ter, antes, a visão da Allison, assim como a do Henry, a respeito desse momento que os dois estão passando e o motivo da Allison decidir ir até o Henry.
Como vocês podem ver, o Nick não é o vilão dessa história, de maneira NENHUMA. Ele jamais faria nada que magoasse a Allison ou manipulasse as coisas ao favor dele. Ele está sendo um amigo valioso, pra ela, e já tá na hora de todo mundo ver isso como de fato é: uma amizade verdadeira, sem segundas intenções onde os dois querem, acima de tudo, a felicidade um do outro.
Eu provavelmente não vou demorar a postar, porque tô louca pra ver a reação de vocês, a respeito da conversa dos dois. Eu, pessoalmente, acho que vocês vão sofrer um pouquinho, mas... Só descobriremos na hora.

Beijos e até o próximo.


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