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História The Avengers: Elemental - Capítulo 6


Escrita por: HTomlinson

Notas do Autor


Olaaá! Desculpem-me pela demora. Minha via estava uma loucura ultimamente então demorei mais do que o previsto para finalizar o capítulo. Mas veja o lado bom, são 15 mil palavras fresquinhas para vocês lerem ;D

O que acharam da série de Loki? Já estou sentindo falta e estou ansiosíssima para a segunda temporada. Já assistiram Viúva Negra? O que acharam? Eu assisti e renovei minha raiva da Marvel por ter matado minha ruivinha. De qualquer modo, achei tanto a série quanto o filme incríveis e já estou em abstinência de conteúdo Marvel.

Desculpem por todo e qualquer erro, dada a hoa de postagem vocês já sabem que meu tico e teco não está mais funcionando direito. Tenham uma ótima leitura! <3

Capítulo 6 - Capítulo 5 - Bem-vinda à Asgard...


Fanfic / Fanfiction The Avengers: Elemental - Capítulo 6 - Capítulo 5 - Bem-vinda à Asgard...

Torre Stark, Nova Iorque...

 

Não. — disse com simplicidade e Tony franziu o cenho, olhando para Natasha e Steve. Romanoff ergueu os ombros, tão confusa quanto ele e Steve manteve os olhos na garota, incentivando-a a terminar o próprio raciocínio. — Eu quero, sim, me encontrar com Loki. Mas não tenho interesse algum em me juntar a vocês em nenhum ato heroico para salvar o mundo. — balançou a cabeça negativamente. — E eu sei o que vocês veem quando olham para mim falando esse tipo de coisa: uma arma e ameaça em potencial. Afinal, quem, tendo poderes, não iria querer ser um herói? E preferem que eu esteja do lado de vocês, obviamente. — Amina suspirou e levantou-se do sofá, cruzando os braços. — Eu não os julgo, até compreendo. Mas a questão é que vocês não veem o quadro como um todo, eu sou uma bomba relógio. E começo a pensar que aquilo que viram, é só a ponta do iceberg. Eu não estou apta a ajudar ou salvar alguém quando eu não consigo nem mesmo me ajudar. Ou controlar.

 

— Mas...

 

— Eu entendo. — Natasha ergueu uma mão em direção a Tony, interrompendo o que quer que ele fosse falar. — Serei extremamente honesta com você, Amina. O que a S.H.I.E.L.D. vê em você é sim uma ameaça, das grandes. Não vou mentir. Você não só demonstrou ter habilidades interessantes, mas também esteve em contato com um dos homens mais perigosos e instáveis que já conhecemos e não sabemos o que aconteceu entre vocês. E até quando o entregou no fundo uma parte de si não queria fazer aquilo, para mim foi nítido. Mesmo sabendo de tudo o que ele já fez e é capaz de fazer, você está aqui, nos pedindo para levá-la até ele. Levá-la até um assassino.

 

— Não é apenas isso o que eu vejo nele....

 

— É exatamente essa a nossa preocupação. — aproximou-se dela e parou a sua frente. — Você tem um poder dentro de si que não consegue controlar e quer que ele controle. Você quer dar a ele esse tipo de poder. Quer dar poder a alguém disposto a escravizar toda a humanidade.

 

— Eu quero que ele me ajude a controlar, não que ele me controle. É diferente. — descruzou os braços e Tony revezou olhares entre as duas mulheres que se encaravam. Ele conhecia Natasha a tempo o suficiente para saber do que ela era capaz e que saberia se cuidar, mas vê-la parada de frente para Amina que era uns bons centímetros mais alta que ela e possuía uma postura intimidadora, além dos poderes que demonstrava possuir, uma parte de seu subconsciente ligou uma luz de alerta. Ele torcia para que elas não iniciassem um confronto repentinamente, intervir em uma briga não estava em sua agenda do dia. — Além do mais, ele não conseguiria me controlar de qualquer forma. Ele já tentou. O cetro não funcionou em mim. — explicou, mas ao invés da informação tranquilizá-los, acabou deixando-os ainda mais preocupados. Não como ele esperava pelo menos. Pensou sozinha completando a própria fala. — Gente, eu tenho total ciência de que ele é perigoso. Ele tentou me matar no dia em que nós nos conhecemos.

 

— Então por que você insiste em defender e se encontrar com ele? — perguntou Steve, genuinamente confuso, atraindo a atenção dela para si.

 

— Porque o horror que você cometeu não é quem você é. — disse voltando a olhar para a agente Romanoff. Natasha entendera que aquilo havia sido direcionado a ela também, mas não esboçou nenhuma reação. — Todos nós já fizemos coisas erradas na vida. Ou já fomos coniventes, conscientes disso ou não, com ações das quais não nos orgulhamos. — desviou o olhar para Tony que estreitou os olhos. Ardilosa. —   Todos têm direito de redenção, e eu estive perto dele o suficiente e por tempo o suficiente para saber que ele é mais do que o cara que atacou Nova Iorque com um exército alienígena. — seu foco agora voltara a ser Steve. — De qualquer modo, eu não quero encontrá-lo para me afiliar a ele, quero que ele me ajude assim como vinha fazendo antes do fatídico encontro no terraço do meu prédio. É simples. — finalizou seu discurso com um dar de ombros e voltou a sentar-se no sofá. Rogers, Stark e Romanoff trocaram olhares entre si.

 

— O que você deu a ele em troca da ajuda dele? — perguntou Tony, claramente ainda desconfiado da real motivação da garota.

 

— Abrigo. E me atrevo a dizer que no fundo o fato dele ter me ajudado é que ele estava extremamente curioso em relação aos meus poderes. — deu um pequeno sorriso.

 

— Na teoria é tudo muito lindo e maravilhoso, mas nós não temos nenhuma garantia do que vai acontecer quando...  Se você encontrar ele. Se é mesmo um pedido de ajuda da sua parte, ou dele. Pode ser tudo um plano de fuga.

 

— Se a minha intenção sempre foi me aliar a ele e ajudá-lo, por que eu teria entregado ele a vocês para começo de conversa? — arqueou as sobrancelhas, fazendo-os se entreolharem. — Até onde eu sei, eu sou uma boa pessoa. Não me envolveria com alguém que eu sei que é genuinamente ruim. Sei que a opinião dele seria suspeita, mas pergunte a Thor, tenho certeza de que ele também tem esperanças no próprio irmão. — na verdade ela não tinha certeza, mas visto a resistência que eles estavam demonstrando, uma mentirinha inofensiva não faria mal algum. — E ele também poderia ficar de olho em mim enquanto eu estiver com Loki, já que vocês não confiam nas minhas intenções.

 

Ah, isso não é nem discutível. Não deixaríamos qualquer um chegar perto dele sem supervisão. — Tony revirou os olhos batucou o dedo indicador na própria perna, pensativo. Respirou fundo e parou com o movimento. — Ok! — disse por fim e Amina abriu um sorriso. — Mas, teremos alguns adendos. — ergueu o dedo antes que ela se animasse muito. — Sendo eles: Thor vai ficar de olho em você. Você vai fazer uma avaliação com a S.H.I.E.L.D. Precisamos ter uma noção da dimensão do que você é capaz, você se juntando à equipe ou não. Se a sua intenção com o Loki for genuína, logo você terá controle das suas habilidades e com isso não terá desculpas para não se juntar a nós.

 

— Anthony...

 

— Apenas Tony, por favor. — franziu o cenho e balançou a cabeça negativamente.

 

Tony. — repetiu e respirou fundo. — Eu talvez não tenha me expressado muito bem, mas...  Eu não tenho intenção nenhuma de ficar usufruindo dos meus poderes, eu quero apenas controlá-los para não sair incendiando prédios ou eletrocutando pessoas acidentalmente. Eu gosto da vida pacata e normal que eu levo, eu trabalho na biblioteca, cuido da minha gata, eventualmente estudo sobre algo novo. É bem comum e talvez para vocês seja até sem graça e entediante, mas eu amo a minha vida como ela é. — deu de ombros e Steve assentiu, como quem compreendia o posicionamento dela. Stark é claro pensava o contrário:

 

— Eu vou te convencer a mudar de opinião. — afirmou e sorriu. — E, considere isso como um incentivo, para provar que eu estou certo, neste exato momento a reforma do seu apartamento já está acontecendo e sendo totalmente custeada por mim. — Amina abriu a boca pronta para contestá-lo, mas Tony ergueu novamente o dedo. — De nada. — ela franziu o cenho e Natasha balançou a cabeça negativamente. Não perca seu tempo discutindo com ele, é inútil. Esse dinheiro não vai fazer falta de qualquer forma. Amina suspirou e assentiu.

 

— Obrigada, Sr. Stark. — sorriu ainda meio incerta. — Eu só espero que mais tarde isso não seja usado como chantagem contra mim para me convencer a me juntar a vocês.

 

— Eu não sou do tipo que faz chantagem. — disse, fingindo-se de ofendido. — E me chame só de Tony. Cada vez que você se dirige a mim com tanta formalidade uma nova ruga nasce no meu rosto. — Natasha deu um sorriso e Steve revirou os olhos com o comentário. Ele é sempre assim? Perguntou a eles em pensamento e ambos assentiram, surpresos com sua habilidade, fazendo-a balançar a cabeça negativamente. E depois ele ainda se pergunta por que eu não quero fazer parte da equipe. Seu pensamento fez com que os três rissem e Tony franzisse o cenho. — Eu sei o que vocês estão fazendo e não aprovo. Podem parar. — levantou-se do sofá e indicou os três. — Agora deem o fora da minha torre, eu tenho uma reforma para cuidar. E você tem que se preparar para a sua viagem. — olhou para Amina. — Em que hotel você está hospedada? Vou mandar alguém te buscar quando o Thor chegar.

 

— Na verdade eu ainda estou no apartamento do Steve. — Tony revezou um olhar entre os dois e sorriu.

 

— Cuidado, capitão. O irmãozinho caçula do Thor tem cara de ser do tipo ciumento. Ele não vai ficar muito feliz quando souber que a namorada dele está com você. Você sabe, ele não gosta muito de você.

 

— Stark. — Steve olhou feio para ele. Relaxa, Steve. Ela o tranquilizou enquanto olhava para Tony.

 

— Primeiro, não é esse o tipo de relacionamento que eu e Loki temos. Nós somos amigos. Uma estranha amizade na qual eventualmente estamos tentando nos matar, mas ainda assim, amizade. — sorriu em divertimento. — Segundo, ele não tem motivo para ter ciúmes, Steve só foi gentil. Além do mais eu duvido que Loki saiba o que é ciúmes, ele não sabia nem usar um controle remoto.

 

Hum... Ok. — Tony assentiu ainda com o mesmo sorrisinho nos lábios e Amina revirou os olhos. — Romanoff, você fala com o Fury? — Natasha assentiu, seguindo em direção ao elevador com Rogers e Oyénusi em seu encalço. — Mande lembranças minhas a ele.

 

Os três desceram no elevador em silêncio, falando apenas quando já estavam para fora do prédio.

 

— Você quer uma carona para algum lugar? — Amina ofereceu a Natasha.

 

Ah, não. Eu vim de carro. Obrigada.

 

— Certo. De nada.... Steve, vai indo na frente, por favor? — lhe estendeu a chave do carro e ele assentiu, despedindo-se de Romanoff antes de se afastar. — Hum...  Olha eu não quis ser invasiva naquela hora. Eu ainda não sou muito boa em controlar os pensamentos que eu leio ou não, preciso praticar mais. Então eu juro que não foi proposital a invasão de privacidade. — explicou-se e Natasha tombou a cabeça levemente para o lado. — Bem, de qualquer forma eu falava sério quando disse aquilo sobre não sermos o que fazemos. — Romanoff olhou para o chão e soltou um suspiro antes de erguer o olhar para Amina com um sorriso nos lábios.

 

— Obrigada. —Amina retribuiu o sorriso e assentiu. — Até a próxima.

 

— Até. — lançou a ela um último olhar antes de caminhar até o próprio carro. Sentou-se no banco do motorista e colocou o cinto, girando a chave em seguida. A viagem até o apartamento de Steve foi feita em um estranho silêncio. Ela sentia que algo o incomodava, mas esforçava-se para não ler seus pensamentos. Ela precisava praticar de qualquer forma. Quando subiram, assim que a porta se fechou, ele finalmente falara algo.

 

— Amina. — ele chamou e ela parou no caminho para a cozinha para olhá-lo.

 

— Sim? — arqueou as sobrancelhas incentivando-o a continuar.

 

— Eu queria me desculpar pelas insinuações do Stark e deixar claro que não tenho más ou segundas intenções com relação a você. Não que eu não ache você bonita, você é uma moça muito bonita, mas...

 

— Está tudo, Steve. — ergueu as mãos e deu risada. — A vantagem de ser telepata é saber as reais intenções das pessoas em relação a você, então não levei em consideração nada do que ele falou ou insinuou. — disse e ele respirou fundo em alívio, fazendo-a rir novamente. Então era isso que o estava incomodando. — E obrigada pelo elogio. Eu também acho você um homem muito bonito, mas, sem ofensas, você não faz meu tipo. — fora a vez de Steve rir.

 

— Fico mais aliviado. É bom estarmos na mesma página.

 

— Com certeza. — sorriu. — Escuta, ...  Eu preciso sair para comprar algumas coisas. Você precisa de alguma coisa?

 

— Acho que não... — fez uma cara pensativa enquanto tentava se lembrar se precisava de algo. — Mas você aceita companhia?

 

— Claro, vou só colocar comida para Mamba e podemos ir.

 

••••••

 

Ala sul do Palácio, Asgard...

 

Thor terminou de lavar as mãos e respirou fundo, caminhando até a varanda de seus aposentos. Observou a vista que tinha, de grande parte do reino, e permitiu-se perder-se em pensamentos por alguns minutos. Nos últimos tempos ele vinha tentando se manter o mais ocupado possível exatamente para que isso não ocorresse. Sempre que se permitia pensar demais, sua mente e pensamentos viajavam sem a sua permissão até Midgard. Até Jane. Era inevitável para ele sorrir ao se recordar dela. Um ano atrás quando fora exilado de Asgard ele nunca imaginaria que conheceria alguém como ela, que sentiria por ela o que estava sentindo.

 

Ele sentia falta dela em uma intensidade absurda, mesmo que tenha tido pouquíssimo tempo ao seu lado. Aqueles pequenos momentos foram o suficiente para que se apaixonasse perdidamente por ela. Infelizmente eles eram de mundos completamente diferentes e para piorar ainda mais as coisas, seu pai era contra o relacionamento ou o que quer que seja que eles tinham, ou tiveram. Thor podia ser um homem feito, mas a última palavra ainda era de Odin. Após seu exilio ele não se atreveria a ir contra seu pai, a menos que fosse por algo muito sério, extremo. E ainda assim ele pensaria muito antes de se decidir.

 

Sua linha de pensamentos foi interrompida com três batidas na porta. Ele virou-se em direção a porta, mas se manteve na varanda.

 

— Entre. — segundos após sua permissão, uma das criadas abriu a porta com timidez.

 

— Perdoe-me o incômodo, meu príncipe. Heimdall deseja vê-lo.

 

— Obrigado. — ele assentiu, voltando para dentro do quarto. — Diga a ele que o encontrarei na Bifrost em um instante.

 

Após a criada sair, Thor ajeitou a própria roupa e vestiu seu manto antes de deixar seu quarto, rumo ao encontro de seu amigo. Assim que chegou à extremidade mais distante da ponte, o encontrou parado a sua espera.

 

— Thor. — o homem negro de olhos tão dourados quanto suas roupas e armadura o saudou com um acenar de cabeça.

 

— O que há de errado Heimdall, é a Jane? — perguntou, sua preocupação explicita em seus olhos e voz.

 

— Fique tranquilo, sua humana está bem. Você me pediu para que o avisasse caso alguém em Midgard estivesse tentando contatá-lo, pois bem. Há um amigo seu, Anthony Stark, tentando contato. Creio que seja um pouco urgente, envolve alguém chamado...

 

— Amina.

 

••••••

 

Nova Iorque...

 

Amina pegou os sete livros da prateleira e os depositou no cestinho que Steve segurava estendido em direção a ela. — Obrigada. — sorriu e passou os olhos pelas placas de gêneros literários da livraria. Estreitou os olhos na esperança de ler e achar mais rápido o que queria.

 

— O que você está procurando?

 

— Mitologia. — Steve apontou para uma área atrás dela. — Obrigada. Eu preciso urgentemente passar em um oftalmologista, minhas leituras noturnas não me fizeram muito bem. — disse enquanto caminhavam até a seção desejada.

 

— Eu imagino, você tem um grande apetite por livros. — ele assentiu olhando para dentro do cesto que já tinha oito livros.

 

Ah, esses não são para mim não. — balançou a cabeça negativamente enquanto lia os títulos dispostos na prateleira. Mitologia Nórdica. Deve servir. — Esse aqui é para mim.

 

— E os outros, para quem são?

 

— Loki. — respondeu distraidamente olhando para a pequena lista que fizera em um pedaço de papel. Céus, eu preciso melhorar minha caligrafia. Pensou e franziu o cenho olhando para as próprias letras. Steve ergueu as sobrancelhas surpreso com sua resposta. Eles realmente são amigos, que estranho. — É uma oferta de paz, o humor dele é bem....  Complicado. — revirou os olhos ao se lembrar e em seguida os ergueu até Rogers. — Mas sabe... Apesar de sua excentricidade, ego meio inflado e mal humor, ele é muito inteligente, culto e avido por conhecimento. É um aspecto que eu gosto bastante nele.

 

— Você o descreve com muita propriedade para alguém que o conheceu mês passado.

 

— Bem, eu estive dentro da mente dele. — deu de ombros e Steve franziu o cenho. — Talvez seja por isso que eu o defenda tanto, no fundo temos algumas coisas em comum.

 

— Você já pensou em invadir e governar outro planeta? — perguntou com humor e ambos deram risada.

 

— Não é para tanto, né Steve?

 

— Só quis ter certeza. — deu um sorriso e ela retribuiu, voltando a olhar a livraria. — Vai pegar mais alguma coisa?

 

— Acho que por hoje é só, se você não for pegar nada para você nós podemos ir almoçar.

 

Durante todo o caminho até o caixa da livraria e do caixa até a lanchonete, uma dúvida martelava insistentemente na cabeça de Steve, mas ele por sua vez decidira esperar até que estivessem sentados já com seus pedidos à sua frente. Ele queria perguntar a ela de uma forma casual para que não soasse como um interrogatório. Em sua opinião eles estavam se dando muito bem e seria melhor se continuassem assim, dessa forma seria mais fácil para tentar descobrir e entender melhor sobre ela. Ele não acreditava que ela fosse realmente uma ameaça, mas ela com certeza era perigosa. Melhor dizendo, o seu descontrole era perigoso. Eles teriam de manter os olhos nela.

 

— Então... — murmurou com casualidade e ela ergueu os olhos do copo de suco que bebia e arqueou as sobrancelhas o incentivando a continuar. — O que você quis dizer quando disse que esteve na cabeça de Loki?

 

— Bem... — soltou o canudo dos próprios lábios e recostou-se a cadeira, voltando sua total atenção a Steve. — Aconteceu uma coisa bem estranha no dia em que eu o conheci. Na verdade, aconteceram diversas coisas estranhas. — franziu o cenho por um instante, mas logo suavizou a expressão. — De qualquer forma, como eu ia dizendo, aconteceu algo bizarro. Antes de eu saber quem ele era, ele inicialmente havia dito que seu nome era Luke, eu estava cuidando dos ferimentos dele e no instante em que eu toquei sua cabeça, eu estava dentro dela. — disse com o olhar perdido, lembrando de semanas atrás, e Rogers assentiu enquanto a observava com atenção. — Não foi por muito tempo, eu vi apenas alguns flashes de lembranças e acontecimentos passados da vida dele, mas foi o suficiente para que eu, de alguma forma, conseguisse captar a essência dele, sabe? Não sei se expliquei bem, mas basicamente depois do ocorrido inconscientemente foi como se eu o conhecesse há muito tempo.

 

— Acho que eu compreendi, um pouco. Mais ou menos. — Steve disse meio incerto e ela deu risada em resposta, olhando para as batatas no próprio prato.

 

— Eu não sei explicar como ou por que eu confio nele, pois nem mesmo eu entendo muito bem. — deu de ombros enquanto pegava uma batata a sua frente. — Eu só...

 

— Se identificou com ele? — Amina ergueu os olhos e assentiu.

 

— Ele de certa forma me entende, sabe? Não só pela questão dos poderes, é que algo nele me parece familiar. O que eu tenho que admitir, é estranho. Como eu posso sentir familiaridade por algo ou alguém se eu não ne lembro de nada do meu passado, não é? — sorriu voltando a comer. Ela detestava batata frita fria, ficava com um aspecto grotesco.

 

— Realmente. Mas pode ser o seu subconsciente. Talvez alguém do seu passado fosse parecido com ele e mesmo que você não se lembre de fato, algo dentro de você se recorda ou ao menos sente. — Steve sugeriu e ela assentiu novamente, lembrando-se do sonho que ocasionara o incêndio. Darien. Ele tinha alguns traços de aparência parecidos com Loki, agora que ela parara para pensar. Olhos verdes e cabelos longos e pretos. Mas as semelhanças paravam por . O homem em seu sonho a olhava com tanto carinho, preocupação e amor que era quase palpável, já o asgardiano/jotun poderia até ser educado, mas seus olhos ao pousarem nela sempre transmitiam impaciência, tédio, sarcasmo e às vezes até desprezo. Apesar de esse último sentimento ter sido visto mais na primeira semana de convivência. Será que a aparência era o suficiente para... O que eu estou pensando? Eu não sei nem se aquilo foi realmente algo mais do que um sonho. — Terra chamando Amina. — a voz de Rogers a trouxera de volta ao tempo presente. A garota piscou os olhos rapidamente e os fixou no homem a sua frente. — O que houve?

 

— Na noite do incêndio eu tive um... Sonho. Estava me lembrando dele. — balançou a cabeça negativamente. — Mas não importa, vamos comer. Não sabemos quando Tony conseguirá falar com Thor, mas quero estar no seu apartamento quando ele aparecer para me buscar. — explicou e Steve concordou, voltando-se para o próprio prato. Terminaram a refeição entre conversas casuais e em questão de minutos estavam em seu caminho de volta ao apartamento. Assim que ela estacionou o carro em frente ao prédio, um homem moreno saiu de dentro do carro parado atrás deles.

 

— Srtª. Oyénusi?

 

— Sim? — deu um pequeno sorriso, vendo pela visão periférica Rogers parar ao seu lado após sair do carro.

 

— Sou Happy Hogan. Tony pediu que eu viesse buscá-la.

 

••••••

 

Torre Stark, Nova Iorque...

 

— Então, revisando as regras... — Tony disse afastando-se da mesa repleta de plantas do projeto da nova torre. Thor e Amina que estavam sentados lado a lado no extenso sofá o olharam com atenção. — Loki não pode ficar com a esqueirinho sem supervisão, quero evitar manipulações mentais. A visita é estritamente para fins acadêmicos, vamos assim dizer. Então se você vir que eles não estão tentando resolver o pequeno problema dela, já sabe. De volta à Terra. — olhou para Thor e a garota franziu o cenho, mas não disse nada. — A principal regra: garantir que seu irmão não invada meu planeta novamente e tente escravizá-lo. Tudo certo? — ambos assentiram. — Ótimo! Aproveite sua jornada. — deu as costas e voltou a focar em sua tarefa anterior. Amina e Thor se olharam e ele lhe deu um sorriso, levantando-se do sofá. Ela o seguiu em silêncio até o deck, sem saber o que falar. Uma parte de si ainda queria sentir raiva dele, por Loki, mas estava cada vez mais difícil. Thor era tão... Caloroso. Sempre sorrindo e sempre gentil.

 

— Lady Amina, vou precisar que você se segure bem firme em mim. — explicou enquanto lhe estendia a mão. Ela revezou um breve olhar entre sua mão e seus olhos azuis antes de aceitá-la. A garota passou os próprios braços ao redor de um dos braços do deus e respirou fundo, sentindo seu coração acelerar em expectativa. Ela ia mesmo ir para outro planeta? Não tinha realmente parado para pensar naquilo antes quando pedira, mas, agora que parara para pensar, a ideia parecia surreal. Ela nunca saíra do estado de Nova Iorque e agora sairia do planeta em poucos minutos. — Creio que seja melhor você fechar os olhos. — ele avisou, dando-lhe outro sorriso. Ela correspondeu, meio incerta, e seguiu sem conselho. — Heimdall?

 

Amina sentiu uma rajada de vento ao seu redor e certa estática no ar. Sua curiosidade falara mais alto do que seu medo, então não resistira a tentação de abrir os olhos e dar uma breve espiada. Assim que o fez, viu-se cercada de luzes fortíssimas e coloridas, mas as cores eram suaves e pareciam possuir certa transparência. Parecia-se com um arco-íris. Olhou para baixo e rapidamente fechou os olhos e se encolheu ao notar seus pés fora do chão. Thor deu uma breve risada com sua reação e em poucos minutos tudo havia acabado.

 

— Já posso abrir os olhos? — ela perguntou. Mesmo que já sentisse o chão sob seus pés, teve medo de que fosse sua mente lhe pregando peças. Queria ter certeza antes de voltar a abrir os olhos.

 

— Sim, pode. — disse em meio a outro sorriso. Amina abriu um olho de cada vez, desconfiada. — Sã e salva.

 

— Obrigada. E desculpe. — falou ao notar que ainda apertava seu braço. Olhou ao redor com curiosidade. O local parecia uma redoma dourada, a sua frente um arco dava saída em uma extensa ponte que parecia ser feita de vidro, tão colorida quanto a psicodélica viagem até ali. Virou-se de costas e arqueou as sobrancelhas, surpresa, ao ver um homem parado ali os observando com olhos tão dourados quando as paredes. Ele era alto, forte, trajava uma armadura dourada que fazia um belo contraste com sua pele negra. — Oi.

 

— Amina, esse é Heimdall. Um grande amigo e guardião da Bifrost, a ponte arco-íris. Heimdall, essa é...

 

— Amanita Oyénusi, de... Midgard. — estreitou os olhos em direção a ela brevemente antes de sorrir. — Bem-vinda à Asgard.

 

— Obrigada, Heimdall. Pode me chamar de Amina. — retribuiu o sorriso e lançou mais um olhar ao redor do local.

 

— Vamos? — Thor lhe estendeu o braço e ela assentiu, entrelaçando-o ao próprio braço. Começaram a caminhar pela curiosa ponte. — Lady Amina, Stark me explicou de forma bem vaga o seu interesse em vir a Asgard atrás de meu irmão e eu não tive tempo de falar com o meu pai, sendo assim... Ele, como rei, deve primeiro aprovar sua visita e solicitação.

 

— Certo... — assentiu enquanto apreciava a paisagem e a comparava as lembranças que Loki compartilhara com ela semanas atrás. — Espera, o que? — parou e o encarou de olhos arregalados. — Eu vou ter que falar com o seu pai? O rei?

 

— Bem, sim. — lançou a ela um olhar confuso que passou despercebido por parte dela que voltara a olhar para frente com um sorriso nervoso nos lábios. Maravilha. Pensou com ironia enquanto voltavam a andar. Já dentro do palácio, não pôde deixar de notar os olhares estranhos e curiosos dos guardas para si. Olhou rapidamente para a própria roupa, um vestido simples e solto, na cor rosa envelhecido e repleto de pequenas rosas brancas, seu cumprimento ia até seus tornozelos, sem decote e de gola alta e suas mangas eram três quartos. Não parecia a roupa mais adequada para ir a um palácio, mas visto sua situação atual de não estar no próprio apartamento era o melhor que podia fazer. Pararam em frente a uma grandiosa porta dupla com um guarda de cada lado dela. — Uma visitante para meu pai.

 

— Como devemos anunciá-la, alteza?

 

— Lady Amina de Midgard. — respondeu Thor e o guarda que havia feito a pergunta adentrou a porta. Ela aproveitou para tentar dar uma ajeitada no próprio cabelo, o soltou rapidamente e voltou a prendê-lo em um coque com o palito, deixando apenas duas pequenas mexas soltas na frente. Amina virou-se para Thor e arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse silenciosamente como estava. Ele sorriu e ergueu as mãos, dando-lhe joinhas. Ela sorriu com sua resposta, curiosa como ele havia aprendido aquilo.

 

— O Pai de Todos a aguarda, lady Amina. — o guarda disse assim que saiu da porta e a manteve aberta para ela. Thor voltou a lhe estender o braço e ela respirou fundo antes de aceitar e seguir com ele para dentro da sala. Assim que entrou passou os olhos a sua volta, era um salão amplíssimo e muito bem iluminado pelas janelas que iam quase do teto ao chão. Não havia muitas coisas ali além da iluminação e do grande trono de ouro com um senhor sentado nele. Odin. Ela saberia que era ele mesmo que não tivesse sido avisada que teria que encontrá-lo, ela se lembrava bem do homem de cabelos brancos e tapa olho dourado das lembranças que Loki compartilhara com ela. Odin a olhou a distância com uma expressão neutra, mas ela podia notar que ele a observava atentamente com seu olho azul. Sua postura austera e sua expressão indiferente, mas afiada, causam certa sensação de intimidação. Ou talvez fosse apenas o fato dele ser rei e ela nunca ter estado diante de alguém com tal título. O que quer que fosse fazia-a sentir-se intimidada e pequena.

 

— Meu pai. — Thor apoiou um de seus joelhos no chão em reverência e Amina ficou em dúvida se deveria imitar seu ato. Olhou rapidamente para o próprio vestido e por fim decidiu por fazer uma breve reverência sem ajoelhar-se, curvou levemente o próprio tronco e cabeça e em seguida voltou a ficar ereta enquanto o cumprimentava:

 

— Pai de Todos.

 

— Meu filho. — olhou para Thor que já havia se levantado e lançou a ela um rápido olhar antes de voltar o foco para Thor. — Por qual motivo você a trouxe até aqui? Por favor, não me diga que trocou uma mortal por outra? — um vinco se formou entre as sobrancelhas dela perante o comentário.

 

— Não, meu pai. Lady Amina é uma amiga de Loki. — Thor explicou e Amina viu o homem a sua frente assumir uma expressão tão confusa quanto desconfiada.

 

— Amiga? De Loki? — repetiu e assentiu brevemente. — Deixe-nos a sós. — Thor lançou um olhar hesitante a Amina, mas por fim assentiu e após pedir licença se retirou do cômodo. A garota observou o deus do trovão sair e então voltou sua atenção ao então deus da sabedoria. Odin ainda a olhava da mesma maneira desconfiada. Após um minuto de silêncio, ela respirou fundo. Ele não dirá nada? Pois bem, falo eu então.

 

— Pai de Todos, venho diante do senhor para pedir permissão para visitar Loki.

 

— Com qual propósito?

 

— Bem... É uma história um pouco longa e sei que é uma pessoa ocupada. Mas, de forma resumida, Loki vinha me ajudando a controlar meus poderes e preciso que ele continue. Ou eu ao menos preciso consultá-lo.

 

— Poderes? Quais poderes?

 

— Para ser honesta eu ainda não tenho muita noção da amplitude das minhas habilidades, até o presente momento eu notei possuir influência sobre alguns elementos como fogo e água, e até mesmo o trovão. — Amina pensou se deveria mencionar ou não sobre suas habilidades mentais e por fim decidira que, por ora, seria melhor manter em segredo. Ninguém nunca reage bem ao saber que está lidando com um telepata. Odin inclinou a cabeça quase que imperceptivelmente para o lado.

 

— De onde você é originalmente, lady Amina?

 

— Da Terra... Midgard. Pelo menos é o que eu sei. — respondeu e pôde vê-lo estreitar seu olho livre do tapa-olho.

 

— Temo que não seja possível atender a sua solicitação. Loki é um prisioneiro e por tanto possui visitas limitadas com propósitos limitados.

 

— Eu compreendo essa questão, Pai de Todos. Porém peço que reconsidere. Vim de muito longe pois se trata de uma questão urgente e ouso dizer que de vida ou morte. — explicou e suspirou. — Sei da gravidade dos erros dele, eu estava lá quando tudo aconteceu.

 

— Exatamente por estar lá, eu imaginei que você entenderia. — contrapôs e ela suspirou novamente, segurando as laterais do vestido entre os dedos de suas mãos. Calma, Amina. Mantenha a calma.

 

— E até quando ele ficará nesse regime de reclusão?

 

— Loki passará o resto de seus dias nas masmorras ou pelo tempo que eu julgar necessário. — as mãos de Amina automaticamente se fecharam em punhos. Como ele podia fazer aquilo? Com o próprio filho?

 

— Mas ele é seu filho, majestade. Crê mesmo que ao fazer isso estará ajudando-o? Ou tornando a situação melhor? Eu acredito que...

 

— Você está questionando minha autoridade? Minhas decisões como rei? Loki cometeu ações monstruosas e crimes terríveis e por eles deve pagar, você pedir para que eu reconsidere minha decisão é absurdo. Beira o desrespeito. — e então isso fora a gota d’água para ela.

 

— Você pode até ser rei de Asgard, mas não é meu rei! — exclamou Amina em um rompante. Se ela pensava que não gostava do homem antes de conhecê-lo, agora ela sentia que estava à beira de odiá-lo. — Se quiser ser respeitado, faça por merecer e, melhor do que isso, respeite os outros. Acha-se no direito de falar de Loki? Não se esqueça que monstros não nascem, são criados! É muito fácil para você julgá-lo de sua posição sem saber de nem mesmo metade da história.

 

— Ousa insinuar que as barbaridades cometidas por Loki são minha culpa? — Odin questionou, erguendo-se de seu trono.

 

— Eu não estou insinuando nada, eu estou afirmando! — rebateu, sem deixar-se ser intimidada. Ela sentia a adrenalina pulsar em suas veias, lhe dando coragem para enfrentá-lo. — Se o seu filho é assim, parte, grande parte da culpa é sua! O que você esperava receber em troca de criar uma criança a base de mentiras e segredos? E ainda por cima ele é quem leva o nome de deus da mentira. Quanta ironia e hipocrisia, Odin. Até onde eu sei foi você quem sequestrou um bebê de outro reino e o criou supostamente como seu filho, alimentando-o com mentiras e falsas esperanças durante toda vida. A história que você conta que você o encontrou depois que ele foi deixado para morrer é mesmo verdadeira? Porque eu, sinceramente, não acredito.

 

— Vejo por que você o defende com tanto afinco, vocês têm a mesma insolência. — seu tom de voz expressava uma mistura de desgosto e irritação.

 

Insolência? — repetiu Amina, arqueando as sobrancelhas e dando alguns passos em direção ao trono. — Se me recusar a abaixar a cabeça diante de suas tolices, desrespeito e absurdos é insolência, que eu seja tida como insolente então! Eu sou insolente e você é um velho mentiroso, frio e manipulador.

 

— Já chega! Você retornará a Midgard hoje e nunca mais voltará a Asgard. — decretou Odin e a garota sentiu seu coração acelerar e afundar em seu peito, uma parte de si arrependendo-se de seu rompante de ira. Ela estava certa, mas talvez esse não fosse o melhor momento ou a melhor maneira de se expressar. Como poderei ajudar Loki e pedir ajuda a ele estando tão longe? — Guardas! — chamou e de imediato as portas foram abertas, quatro guardas passando por elas. — Escoltem-na até a Bifrost levem-na de volta a Midgard.

 

Dois guardas pararam cada um de um lado de Amina e seguraram seus braços, levando-a até a porta.

 

— Você colhe aquilo que planta, Odin. E isso não é uma ameaça, é um aviso. Semeie revolta e você colherá uma rebelião, mantê-lo recluso não é, nem de longe, a solução. — foi a última coisa que a garota disse antes de ser levada. Enquanto caminhava pela ponte do arco-íris ela começou a pensar como havia chegado naquela situação. Dias atrás ela jamais pensaria que estaria sendo expulsa de outro planeta, ainda mais pelo próprio rei.

 

Ainda na sala do trono, Odin deu um longo suspiro e apertou a própria lança que tinha em mãos. Ouviu passos delicados se aproximarem, mas não se deu ao trabalho de olhar na direção do som. Ele já sabia quem era.

 

— Frigga. — disse e ergueu o olhar até ela. Sua expressão facial não era das melhores, o que o fez deduzir que ela ouvira a conversa que tivera com a suposta midgardiana.

 

— Você acha que tomou uma decisão sábia? — seu tom de voz deixava claro seu estado de espírito. Ela não estava contente e muito menos de acordo com a decisão dele.

 

— Ela não pertence a este lugar, e tampouco seus problemas e opiniões.

 

— Isso não responde à pergunta que eu lhe fiz, então vou reformulá-la para você. — disse e se aproximou ainda mais dele. — Você acha sábio repetir o mesmo erro do passado?

 

— Frigga, não creio que aquela garota seja a resposta para o problema de Loki. De fato, creio que ela seja uma má influência e que nos trará apenas mais problemas. Seu temperamento é tempestuoso, sua magia, perigosa. Não foi necessário mais do que dez minutos para saber disso. Não preciso de outra feiticeira me causando problemas.

 

— Ora, você continua mesmo com esse mesmo pensamento em relação a magia alheia? Por que se casou comigo, então? — perguntou, mas antes que ele tivesse tempo de respondê-la, ela continuou: — Me calei por tempo demais e por vezes demais, Odin. Mas agora estou farta! — Odin recostou-se ao trono, surpreso com o rompante de Frigga. Ela sempre fora tão calma. — Você é o rei de Asgard, mas eu sou a mãe dele. Não irei mais tolerar suas interferências nos relacionamentos de Loki. Você não vê que ao isolá-lo isso apenas piora a situação e o machuca ainda mais? A pobre garota veio de muito longe apenas para poder vê-lo e o que você faz? A manda de volta sem ao menos deixar que eles se vissem. Por Helheim, não quero nem imaginar o que Loki irá pensar quando descobrir isso. Como se o relacionamento de vocês não estivesse abalado o suficiente.

 

— Não posso tolerar o desrespeito e insolência dela...

 

— Você nem mesmo quis escutar o que ela tinha a dizer, não me admira que ela tenha ficado irada. Aquilo não foi insolência e despeito, foi a ira e a impotência dela falando. Ela veio até aqui pois precisava de ajuda e você, como rei e protetor dos nove reinos dos quais incluem Midgard, recusou a ajuda. Isso mostra muito o tipo de rei que se tornou.

 

— Frigga...

 

— Não me interessa como, mas você irá resolver essa situação. Não acha que foi o suficiente condenar outro de nossos filhos? — perguntou e o deus suspirou ao ver seus olhos azuis com lágrimas. — Agora ainda apaga a única fagulha de esperança de ele melhorar e se redimir. Você ouviu o que ela lhe disse? Ele estava a ajudando. Isso não lhe fez repensar nem um pouco? Começo a me preocupar e me perguntar se você realmente o ama como diz.

 

— Mas é claro que eu o amo. No entanto, é necessário levar em consideração qual interesse ele tinha para estar ajudando-a.

 

— Se o ama mesmo, por que você constantemente o castiga apenas por ele ser ele mesmo? E pensa tão pouco de seu próprio filho? — perguntou e Odin se calou. — Pense como quiser, mas apesar de não ter sido dito da melhor forma, nada do que ela disse foi mentira. Nós o criamos assim, a culpa é nossa.

 

••••••

 

Brooklyn, Nova Iorque...

 

Amina deu duas batidas leves na porta e esforçou-se para resistir a vontade de encostar a cabeça na madeira. Não levou nem um minuto completo para que Rogers surgisse em sua frente com um olhar de compaixão, como se soubesse que que a ida a Asgard foi um grandioso fiasco. Ele não disse nada e apenas deu espaço para que ela adentrasse o apartamento, logo estavam ambos, lado a lado no sofá.

 

— Eu perguntaria como foi lá, mas pela sua cara já sei que não foi nada bem. Ou ao menos não foi como o esperado. — Steve começou e ela deu um sorriso desanimado em resposta. — Deixe-me adivinhar, ele se recusou a ajudá-la?

 

— Antes fosse, eu nem mesmo cheguei a vê-lo. — suspirou e Steve franziu o cenho, confuso.

 

— Thor não deixou que você visse Loki? Isso não faz sentido, por que ele te levou até lá então?

 

— Thor, não. Odin. — o nome saíra de seus lábios com tanto rancor que soara como uma ofensa. Amina vinha notando uma estranha tendência a pegar aversão as pessoas facilmente. Ela nunca notara esse aspecto de sua personalidade antes, mas agora estava tão explícito que não tinha como não notar. Na mesma intensidade e rapidez que ela gostava das pessoas, ela pegava raiva delas. Estava admirada de não ter incendiado Odin e seu trono.

 

— Quem é Odin?

 

— Pai de Thor e rei dos noves reinos. — disse e revirou os olhos. Ela achava absurdamente ridículo uma única pessoa querer governar nove reinos. Ele pensava que estava onde, Westeros? — Ele achou que fui insolente e me proibiu de retornar a Asgard, então agora eu sou oficialmente uma causa perdida. — riu e passou as mãos no rosto, levando-as até o cabelo, onde enterrou os dedos por entre os fios, os bagunçando. — Um problema matemático que nunca terá solução.

 

— Não diga isso, Amina. — Steve passou a mão por seu ombro, tentando confortá-la.

 

— Não quero ser negativa, Capitão. Mas a única pessoa que parecia apta a me ajudar agora está fora de cogitação. Para piorar a situação, ele era meu único amigo. Se é que a essa altura eu posso chamá-lo assim. Loki tem tendência ao rancor, quanto mais tempo eu levar para me retratar com ele, mais raiva de mim ele vai ter.

 

— Primeiro, não creio que você precise se retratar com ele. — preciso, eu com certeza preciso. Amina pensou, mas não disse nada. — Segundo, sei que não nos conhecemos há muito tempo e tampouco nos conhecemos nas melhores das circunstâncias, mas você pode me considerar ao menos um colega. Quem sabe, com o tempo, até mesmo um amigo. Eu entendo como é se sentir sozinho, Amina. Confie em mim. Acordei após passar setenta anos dormindo, todos que eu conhecia estão mortos. Perdi meu melhor amigo, que era como um irmão para mim, há muito tempo. De certa forma estou tão sozinho quanto você então se quiser, podemos nos fazer companhia em nossa própria solidão. — Amina ergueu os olhos cheios de lágrimas até Steve e suspirou, assentindo.

 

— Obrigada, Steve. — murmurou e deitou a cabeça em seu ombro. — E eu não quis te ofender dizendo aquilo de não ter amigos, só não quis me precipitar já te considerando um amigo quando nem sei se na verdade eu estou sendo um peso e inconveniência para você. Mas você me ofereceu um teto enquanto o meu estava, literalmente, em chamas, eu seria tola se não te considerasse um amigo em potencial.

 

— Não se preocupe, eu não me ofendi e você não está sendo um peso e nem uma inconveniência. Depois de anos sozinho, ter uma companhia não é nada mal na verdade. — admitiu e ela sorriu ainda sem olhá-lo. — Vem, vou te fazer mais um chocolate quente.

 

— Continue assim e você vai rapidamente conquistar a minha amizade. — brincou, enquanto seguia atrás dele até a cozinha, e Steve deu risada. Amina pegou duas canecas do escorredor de louça e as colocou sob a pia, passando então a observar Rogers enquanto ele preparava suas bebidas.

 

— Sabe... Eu acho que você deveria repensar. — Steve disse quebrando o silêncio e ela o olhou confusa.

 

— Sobre?

 

— O recrutamento. — explicou e ela assentiu em compreensão e o incentivando a continuar a falar. — Acho que faria bem para você. Quando estou com a cabeça muito cheia, eu pratico box. Talvez isso funcione com você também, não necessariamente com box. Mas... Sabe quando tem algo acontecendo que você não consegue controlar? Minha mente por vezes fica assim, mas quando eu estou lutando, quando eu sinto que estou no controle do meu corpo, não ter controle dos meus próprios pensamentos passa a não importar mais. — disse e virou-se para ela. — Não sei se isso fez muito sentido para você, mas o que eu estou tentando dizer é que a S.H.I.E.L.D. tem um intenso programa de treinamento, tanto físico quanto mental. Talvez se você sentir que têm controle sob seu corpo e mente, ajude com o controle de seus poderes.

 

— Fez sentido, sim. — sorriu e assentiu novamente. — Eu só... Não sei. Acho que eu tenho medo. Parece muita responsabilidade.

 

— Você pode participar dos treinamentos sem compromisso. — a tranquilizou, voltando-se para o preparo do chocolate. — Para o Fury, você ter controle sobre si mesma e seus poderes é tão interessante quanto você participar da equipe. — pegou as canecas e virou-se de frente para ela novamente lhe estendendo uma das canecas. — Pense com carinho. Mas saiba que independente da sua escolha, eu vou te apoiar e respeitar. — ela assentiu e suspirou, aceitando a bebida.

 

— Eu vou pensar. Obrigada.

 

••••••

 

Central Park, Nova Iorque...

Uma semana depois...

 

Amina sentia seu coração bater rapidamente em seu peito de forma dolorida. Inspirou fundo pelo nariz e em seguida soltou pela boca, na esperança de melhorar, mas a mudança e melhora fora ínfima. Ela estava fora de forma.

 

— Você não vai me fazer perder minha aposta né Amina? — perguntou Rogers aparecendo ao seu lado e diminuindo a velocidade da própria corrida para acompanhá-la. — Apostei com Stark que em uma semana eu te deixaria pronta para começar a treinar.

 

— Steve, isso é absolutamente impossível por uma única e simples razão: eu sou sedentária. Nem em um milhão de anos você conseguiria fazer um sedentário estar apto a um treinamento de super-heróis em uma semana.

 

— Estou confiando em você para provar que essa sua teoria está errada. — piscou e então se afastou, voltando ao seu ritmo normal de corrida. Que o normal para um super soldado era um ritmo nível super comparado ao de um humano normal. A garota revirou os olhos e deu risada, parando aos poucos ao ver sua mochila encostada a árvore a poucos metros de si. Sentou-se na grama e pegou a própria garrafa de água, bebendo. Em poucos minutos Steve estava ali novamente. Parou a sua frente e balançou a cabeça negativamente.

 

— Nenhum comentário, Rogers. Sente-se e me acompanhe antes que eu lhe dê uma rasteira por ter me feito acordar às cinco da manhã de uma sexta-feira. — resmungou e Steve riu, sentando-se ao seu lado. Amina pegou a outra garrafa de água que havia levado e lhe estendeu.

 

— Obrigado.

 

— De nada. — respirou fundo e deitou-se, fechando os olhos. — Eu estou a isso aqui de me arrepender de ter aceitado participar do treinamento. — disse e aproximou o dedo indicador e polegar, deixando um centímetro de distância entre eles. Steve riu novamente e balançou a cabeça negativamente, continuando a beber a própria água.

 

— Podemos encerrar a corrida por hoje. — informou olhando o próprio relógio de pulso. — Você ainda precisa ir trabalhar.

 

— Obrigada pela consideração. Agora que uma parte de mim já morreu. — voltou a resmungar, mas em seguida riu e abriu os olhos, voltando a se sentar. — Eu tenho mesmo que ir a base hoje?

 

— Sim, foi um pedido do Fury. — a garota grunhiu em resposta e caiu de costas na grama novamente. — Eu acho que ele só quer conversar com você, fica tranquila.

 

— Isso não me reconfortou em nada, Steve. Mas visto que estou a um passo de sofrer uma parada cardíaca por excesso de esforço, vou tentar colocar na minha cabeça que conversar com o Fury é melhor do que começar o treinamento de verdade.

 

Ei, isso que estamos fazendo já é um treinamento de verdade.

 

— Sério? Achei que você só estava tentando me matar enquanto testava minha resistência corporal que por sinal nós já vimos que é péssima. — brincou e ambos riram novamente. — Mas falando sério, estou surpresa que sobrevivi a essa semana.

 

— Eu também estou. — concordou e ela o olhou boquiaberta.

 

Ei! — deu um leve empurrão em seu ombro e sorriu. Se espreguiçou e soltou um longo suspiro. — Bem, vamos lá que ainda temos um longo dia pela frente. — se levantou e estendeu a mão a Rogers que aceitou e se levantou também. Pegaram as próprias coisas do chão e caminharam lado a lado em direção da saída do parque. Assim como nos dias anteriores, Amina deu carona a Steve até seu apartamento antes de ir para a própria casa. — Steve, você tem algo para fazer hoje a noite? — perguntou assim que estacionou em frente ao prédio dele.

 

— Nada importante. Por quê? — tirou o cinto e virou o rosto para olhá-la.

 

— Você seria um bom amigo e me acompanharia até a S.H.I.E.L.D? Nada mais justo já que foi você que me meteu nessa enrascada.

 

— Claro, sem problemas. — sorriu e pegou a própria bolsa.

 

— Eu te busco depois que sair do trabalho então.

 

••••••

 

Biblioteca de Manhattan, Nova Iorque...

 

Balançou a cabeça tranquilamente no ritmo da música que tocava em seu fone e cantou a música mentalmente, tentando manter seus pensamentos focados apenas na letra. Olhou para o próprio carrinho para verificar quantos livros ainda faltavam para serem guardados e se surpreendeu por faltar apenas dois. Pegou ambos para checar a qual secção e prateleira eles pertenciam e ao ver do que se tratavam soltou um suspirou involuntário. Graças a aparição de Thor e Loki nos noticiários após o ataque a cidade, a busca por livros sobre mitologia nórdica aumentara drasticamente. Mesmo após um mês do ataque e fazendo apenas uma semana que a biblioteca reabrira totalmente, ela já tivera que devolver livros sobre os deuses para a prateleira pelo menos seis vezes, contando com essa.

 

Deixou o carrinho de lado e caminhou até o corredor de estantes com os livros em mãos. Assim que entrou no corredor correspondente, pôde avistar um senhor de costas para ela e de frente para a janela. Amina franziu o cenho e retirou os fones, caminhando até ele.

 

— O senhor precisa de ajuda? — perguntou de forma solicita.

 

— Creio que o eu preciso é me desculpar. — disse e virou-se de frente para ela.

 

— Odin? — perguntou e arqueou as sobrancelhas em surpresa. Ela não o reconhecera de imediato pois, diferente de como estava vestido quando o conhecera, ele estava com roupas simples e típicas de midgardianos. Ele vestia uma calça social preta, uma camisa de botões branca e um sobretudo cinza chumbo. Apenas seu cabelo branco e relativamente longo não era o suficiente para reconhecê-lo.

 

— Olá, lady Amina. — disse e ela em resposta apertou os livros que tinha em mãos. Deus me ajude, se esse homem veio até aqui para me irritar... — Podemos conversar?

 

— Olha, eu estou trabalhando...

 

— Serei breve e não tomarei muito de seu tempo, eu prometo. — a tranquilizou e ela o olhou hesitantemente antes de suspirar e assentir, guiando-o até os bancos externos da biblioteca onde poderiam conversar mais a vontade sem perturbar a leitura de ninguém. Sentaram-se lado a lado e logo um estranho silêncio se instaurou. Amina deixou os livros que tinha em mãos de lado e entrelaçou os dedos uns nos outros.

 

— Então... — murmurou olhando para o jardim a sua frente. As folhas das árvores possuíam tons de laranja e marrom devido ao outono e muitas delas já haviam caído. Não havia flores. E seria uma paisagem deprimente se ela não gostasse tanto da estação. — Ao que devo a honra de sua visita, majestade?

 

— Nosso último encontro não foi dos melhores, não? Vim me desculpar com você pela maneira como tudo terminou. — se explicou e virou-se para olhá-la. — De alguma forma meus filhos sempre acabam me odiando, então creio que no fim a culpa seja realmente minha como você mesma pontuou. — disse e ela franziu o cenho. Thor amava o pai, aquilo era nítido para qualquer um. E Loki... Bem, Loki também o amava apesar dos pesares.

 

— Eu não sei sobre tudo o que você fez a ele ou sobre tudo o que você mentiu e tampouco estou em real posição de opinar, mas... Eu sei como ele se sentiu com tudo e lhe digo com propriedade, ele está magoado. E com razão. Mas ele não te odeia.  — virou para olhá-lo. — Então não é a mim que você deve desculpas, Pai de Todos. Não foi para mim que você mentiu, não fui eu quem você enganou, prendeu, julgou e puniu. — deu de ombros. — Tivemos um mal começo? Sem dúvidas. Mas nosso breve conflito nem se compara ao estrago feito ao Loki, isso eu te garanto. Então se quiser pedir desculpas a alguém, comece por ele.  — lançou a ele um último olhar antes de voltar a olhar para frente. Odin respirou fundo ainda olhando para a jovem a sua frente e deu um pequeno sorriso, mais como um leve e discreto erguer dos cantos dos lábios. Ele a julgara mal. Fez como ela e voltou-se para frente. Ficaram em silêncio por alguns minutos até que ele voltara a falar.

 

— Amanhã pela manhã um dos guardas virá buscá-la. — disse e se levantou do banco, pegando a própria bengala. Amina ergueu os olhos em sua direção, mas não soube o que dizer e tampouco teve tempo. Em questão de segundos Odin havia partido. Ela soltou o ar dos pulmões pela boca em uma lufada e passou as mãos pelo rosto. Sentiu os próprios olhos marejarem e os fechou, dando risada. Balançou a cabeça negativamente e pegou o celular do bolso de seu macacão. Buscou rapidamente o contato de Steve e quando o encontrou lhe enviou uma mensagem:

 

[Amina]:

Steve você não vai acreditar quem apareceu na biblioteca.

 

Pressionou enviar e rolou até a conversa mais recente, vendo uma mensagem não lida de Tony:

 

[Anthony]: Esqueirinho, você consegue passar na torre após o trabalho? Preciso discutir uma questão com você.

[Amina]:

Eu preciso ir falar com o Fury mais tarde, acho que começo o treinamento hoje. Pode ser outro dia?

[Anthony]: Mas ninguém me conta mais nada nessa bagaça? Como seu recrutador eu esperava ser o primeiro a saber quando você fosse iniciar seu treinamento.

 

Amina leu a mensagem e revirou os olhos, dando risada.

 

[Amina]:

Sinceramente eu nem tenho certeza, só deduzi que fosse isso. Mas vocês dois que se entendam, eu não sei de nada.

[Anthony]: Esquiva. Segunda-feira às 20:00 na torre, pode ser?

[Amina]:

Você é quem manda, chefe. Até segunda.

[Anthony]: Eu só passo o cheque, a chefia eu deixo para o picolé.

 

Falando em Steve Rogers... Pensou e voltou para a conversa com ele ao ver que ele havia respondido sua mensagem:

 

[Steve]: Quem?

[Amina]:

Odin em pessoa... Ele tentou me pedir desculpas. Foi beeem estranho. Mas ao que parece amanhã pela manhã eu vou para Asgard. De novo.

[Steve]: Espero que dessa vez tudo dê certo. Mas por curiosidade, dá tempo da nossa corrida matinal?

[Amina]:

Me recuso a te responder, Rogers. Pelo amor de Deus, amanhã é sábado.

[Steve]: Sedentária.

[Amina]:

Super soldado ancião.

[Amina]:

Até mais tarde, cap. Preciso voltar ao trabalho.

[Steve]: Até mais, Amina.

 

••••••

 

Masmorras, Asgard...

No dia seguinte...

 

Já fazia alguns minutos que os servos haviam saído levando seu prato e deixando uma vasilha com algumas frutas, quando Loki ouviu passos próximos de sua cela. Franziu o cenho levemente.

 

— O que você está fazendo aqui? — murmurou sem erguer os olhos do livro que tinha em mãos. Amina ergueu as sobrancelhas impressionada por ele ter notado sua presença tão rapidamente mesmo ela tendo sido silenciosa. Loki parecia tão concentrado em ler seu livro, sentado ao chão, que Amina realmente acreditou que ele não a notaria logo de cara. Mas é claro que ele notou, assim que a barreira fora desativada ele notou. E antes mesmo disso. Ela poderia ter sido verbalmente silenciosa, mas sua mente era, como sempre, inquieta.

 

— Eu vim visitar o meu mágico favorito. — disse com humor e Loki revirou os olhos em resposta, porém Amina não viu por ele ainda estar de cabeça baixa, focado em seu livro. — E te trouxe presentes como oferta de paz. — ergueu a sacola que tinha em mãos e a deixou ao lado dele, mordendo o lábio inferior. O observou por uns segundos antes de se afastar. — O que você está lendo? — perguntou com curiosidade, aproximando-se da cama. Loki fingiu não ouvir e continuou sua leitura, mesmo que a essa altura não estivesse realmente prestando atenção nas palavras que lia. Ele com certeza teria que voltar e reler tudo. Ele não queria ter de falar com ela, por mais que fosse incomum dele, ele sentia-se chateado com ela. Não quis pensar no porquê, mas realmente não estava nada feliz com ela. Já ela não podia dizer o mesmo já que, apenas por ter finalmente conseguido vê-lo após semanas, ela estava feliz. Sentira falta do mal humor habitual dele.  — Você vai mesmo me ignorar? — perguntou deitando-se de costas para o colchão na cama ali disposta. — Eu achei que tínhamos um trato. Você não ia me ensinar uns truques de mágica?

 

— Eu também pensei que tivéssemos. Não era você que não ia me entregar aos vingadores? Mas ainda assim o fez, e sem hesitar. — rebateu e arrependeu-se no segundo seguinte por ter demonstrado o incômodo, no entanto não deixou transparecer e permaneceu com uma expressão indiferente, os olhos ainda focados no livro que tinha em mãos.

 

— Seu ponto é válido, mas não é como se eu sozinha fosse capaz de dar conta deles, não é? Eu não sabia nem o que eu estava fazendo, tampouco estava realmente controlando, Loki. Aliás, o combinado era eu te dar abrigo, não me lembro da menção dos vingadores no nosso trato. Até porque se eu soubesse que você era o maluco que tinha causado todo aquele caos, nem da rua eu teria tirado você, que dirá bater de frente com o seu irmão e companhia. — virou-se de lado na cama, para poder encará-lo. — De qualquer modo, desculpe-me se sentiu-se traído por eu ter deixado que te levassem tão facilmente. Eu não deveria ter feito aquilo com você. — murmurou por fim, com sinceridade, atraindo a atenção de Loki. Um vinco se formou entre as sobrancelhas dele novamente. A garota o deixava confuso. Muito confuso.

 

— Primeiro, eu não sou mágico de circo para te ensinar truques de mágica.  — disse enquanto fechava o livro, suas últimas palavras soando com desprezo. Deixou o livro de lado e levantou-se do chão, caminhando até a cama. — Em segundo lugar...  Se tem algo que você precisa urgentemente aprender comigo é a não se desculpar sem motivo. Quem disse que eu me senti traído? Para eu me sentir e ser traído eu preciso, no mínimo, confiar em você, minha querida. E eu não confio em ninguém, Amina.

 

— Talvez você também precise aprender algumas coisinhas comigo, meu querido. — sorriu e Loki voltou a revirar os olhos. Se possível ela conseguira ficar ainda mais irritante do que da última vez que a vira. Uma parte dele sentia falta de quando ela o temia. Mas apenas uma parte. — Você espera que eu lute contra os vingadores por você, mas você não confia em mim? E ainda por cima mente. Você pode até dizer que não se sentiu traído, mas eu tenho certeza de que se eu... — esticou a mão em direção a cabeça de Loki, mas ele foi mais rápido e segurou o pulso de Amina antes que ela tentasse invadir sua mente.

 

— Você não ouse fazer aquilo. — disse com rispidez, quase cuspindo as palavras.  — Não acha que é muito baixo da sua parte usar contra mim algo que eu mesmo lhe ensinei?

 

— Eu não ia... — murmurou e arregalou os olhos levemente perante a ira dele. Olhou para o próprio pulso que ele segurava com firmeza e franziu o cenho. Loki seguiu o seu olhar e suspirou.

 

— Eu acho que você deveria partir. — disse, soltando seu pulso. — Deve ter alguém entre aqueles desajustados que possa te ensinar melhor o que quer que você queira aprender ou entender sobre si mesma.

 

— Loki, eu...

 

— Eu não pretendo perder mais nenhum segundo da minha existência gastando-a com midgardianos, e isso inclui você. — Loki a interrompeu novamente e um flash de mágoa transpareceu pelos olhos da garota. Amina apenas assentiu e levantou-se da cama, caminhando para a saída da cela. Parou brevemente ao ouvi-lo voltar a falar. — E, por favor, não me procure mais.

 

— Como desejar.

 

Inacreditável. Pensou enquanto subia as escadas. Eu vim de outro planeta por ele e é isso o que eu recebo em troca? Eu quase fui banida de vir aqui por ele! Sem que percebesse Amina fazia careta e soltava resmungos pelos corredores. Estúpido. Eu é quem deveria estar irada com ele! Mentiroso de uma figa! Falso!

 

— Lady Amina? — a voz de Thor a arrancou de sua bolha de indignação. — O que houve? Está tudo bem?

 

— Loki foi o que houve. — respondeu no automático ainda irritada com as atitudes dele. Ela não estava esperando uma recepção calorosa, é claro. Mas ele não precisava ter sido tão... Ele.

 

— Ele lhe fez algo? — perguntou Thor preocupado. Ele conhecia o irmão muito bem, perdera a conta de quantas vezes ele já havia aprontado consigo e tentado matá-lo. E ele não se perdoaria se algo tivesse acontecido a ela, ele havia aceitado dar privacidade a eles contrariando totalmente o combinado estabelecido com Stark.

 

— Fez. Mas nada que eu já não esperasse. — deu de ombros não querendo aprofundar-se muito no assunto. Não queria dar mais motivos para Thor e Loki se estranharem. Loki já tinha raiva de Thor o suficiente e vise versa.

 

— Mas você conseguiu resolver aquilo que queria? — Amina balançou a cabeça negativamente. — Bem, é uma pena que tenha vindo novamente de tão longe por nada. Aceita juntar-se a nós em um banquete que faremos hoje à noite? — convidou e Amina preparou-se para agradecer o convite e recusar. — Assim não terá sido uma viagem em vão. — completou tombando a cabeça de lado. Que outra oportunidade como essa eu terei? Pensou e deu de ombros, vencida.

 

— Por que não, não é mesmo? — sorriu e Thor retribuiu o sorriso, lhe estendendo o braço. Amina entrelaçou seu braço ao de Thor e se permitiu ser guiada. Sozinha ela com certeza se perderia e ao notar isso ficou grata por ele tê-la encontrado.

 

— Vou levá-la a minha mãe, ela me disse que já solicitou o preparo de um quarto para você.

 

— Ora essa... E se eu tivesse recusado o convite? — arqueou as sobrancelhas e Thor soltou uma risadinha antes de responder:

 

— Nós teríamos que convencê-la. — Thor contava e explicava sobre o palácio enquanto andavam pelos corredores em direção à onde Frigga estava. Amina já poderia dizer que se daria muito bem com o asgardiano, ele gostava de responder e explicar tanto quando ela gostava de perguntar e aprender. E ele não parecia em momento algum incomodado com suas perguntas, diferente de Loki que a essa altura já teria revirado os olhos no mínimo umas três vezes e teria evitado responder suas perguntas. — Deixo você com a melhor companhia possível em Asgard, lady Amina. — disse assim que encontraram Frigga. Sua mãe sorriu e acenou com a mão displicentemente, Thor deu um beijo em seu rosto e se despediu de ambas, deixando-as a sós.

 

— Rainha Frigga. — Amina disse em cumprimento enquanto ambas entravam no quarto. Ele era muito bem iluminado e arejado graças as duas janelas e a sacada que havia ali. A decoração era em um tom de rose claro, a mobília era em madeira escura e incrustradas de belos arabescos. Havia uma grande cama a sua direita, nela caberia três ou até mais de si mesma. Era realmente grande. Do outro lado do quarto era possível ver duas portas as quais ela deduziu que fossem do banheiro e do guarda-roupa. — O quarto é lindo, obrigada.

 

— Que bom que você gostou, querida. — Frigga sorriu e fechou a porta dupla atrás de si mesma. — Como foi com Loki? — perguntou e Amina não pôde segurar um suspiro.

 

— Foi pior do que o esperado, eu confesso. — deu um pequeno sorriso. — Ele está chateado e bravo por eu ter deixado que o levassem. Ele não admite, mas é a única explicação plausível para ele estar como está...

 

— Loki não tem jeito... — Frigga disse, mas soou mais como se disse para si mesma do que para Amina. — Ele se recusou a ajudá-la?

 

— Na verdade eu não tive a chance de dizer a ele que eu precisava de sua ajuda. Ele interpretou de forma errada uma ação minha, achou que eu fosse invadir sua mente, e então não havia mais jeito de fazê-lo me ouvir. Ele ficou irredutível, e, como eu não queria piorar ainda mais a situação, eu não insisti.

 

— Compreendo. — a rainha acenou com a cabeça levemente e entrelaçou as mãos. — Loki sempre foi difícil de lidar, desde pequeno. — deu um sorriso como se estivesse se lembrando da época em que seu filho caçula ainda era um garotinho. — Ele é tão sensível quanto é cabeça dura.

 

Ah, eu percebi. — assentiu rapidamente e ambas deram uma breve risada. Ambas trocaram breves palavras até que Frigga a deixou sozinha em seu quarto. Amina observou os detalhes do aposento com ainda mais atenção e então encaminhou-se ao banheiro. Ficara boquiaberta tanto pelo tamanho do banheiro quanto pela bela banheira que se encontrava no centro dele. Ela possuía detalhes dourados que a garota tinha quase certeza de que eram de ouro, mas só de imaginar isso ela ficava descrente. Ela não vivia em uma pobreza extrema, mas com certeza não tinha tido contato com nada tão luxuoso e caro quanto aquilo. Aliás, tudo ali gritava caro. Era um palácio, afinal de contas. Saiu do banheiro e foi olhar o armário, assim que abriu a porta voltou a ficar boquiaberta. Havia diversos vestidos ali, um mais lindo do que o outro. Diversos modelos e cores e detalhes. Aquilo ali era um verdadeiro paraíso para ela que amava vestidos.

 

Ela não tinha ideia que horas seria o banquete ou que horas eram naquele momento, mas por não ter nada melhor para fazer decidira escolher a roupa que usaria mais tarde e começara a se arrumar. Sua real vontade era sair para explorar todo o reino, mas tinha certeza de que se perderia. Além do mais, não queria correr o risco de Odin mudar de ideia e mandá-la de volta à Terra. Ela ainda não estava certa do que havia feito ele mudar de ideia em relação a deixar ela ficar em Asgard. Seu palpite era Frigga, ela parecia gostar dela. E Amina realmente esperava que ela gostasse, pois ela com certeza gostava da rainha, ela era um doce de pessoa.

 

••••••

 

Masmorras, Asgard...

 

Loki observou a barreira de energia ser erguida novamente assim que Amina saíra. Pegou o livro que há minutos lia e sentou-se em sua cadeira para retomar a leitura. No entanto não teve êxito, seus olhos iam, inconscientemente, na direção da sacola que a garota tinha levado para ele. Ele pôr fim revirou os olhos e se levantou, pegando a sacola. Dentro havia a coleção inteira dos livros do Harry Potter, diversas embalagens do que ele acreditava serem doces e balas e o tal cubo mágico que ela mencionara a ele uma vez em uma de suas conversas. Ele não pôde conter um suspiro ao ver tudo aquilo. Talvez ele tenha sido muito duro com ela, afinal de contas.

 

— Ora, Loki. Agora não importa. — resmungou e deixou as coisas de lado, pegou apenas um dos livros e sentou-se em sua cadeira, folheando o livro em buscava de onde parara quando ainda estava em Midgard. Para a sua surpresa, havia um marcador de páginas na página exata em que ele tinha parado no livro de Amina e isso o fez sentir-se ainda mais incomodado. Ela teve todo esse cuidado, eu poderia ter sido ao menos educado e agradecido antes de enxotá-la para fora daqui. Pensou antes de começar a ler o novo livro. Sua leitura, no entanto, não durara mais do que trinta minutos. Ouviu passos suaves se aproximando e franziu o cenho. Ergueu o olhar e encontrou sua mãe parada em frente a cela, o observando. Em segundos a barreira de energia cedeu lentamente e Frigga adentrou a cela, caminhando até ele. Loki engoliu a seco e fechou o livro, levantando-se.

 

— Loki.

 

— Olá, mãe. — murmurou e estreitou minimamente os olhos em sua direção. — A que devo a honra de sua visita?

 

— O que houve entre você e Amina? — ela perguntou e ele franziu o cenho. Ela realmente havia decido até ali por isso? E Amina, não perdera tempo em ir fazer intriga com sua mãe. O que ela queria, fazê-la se virar contra ele? Já não era o bastante Odin e Thor o odiarem?

 

— O que quer que ela tenha lhe dito, é mentira. Eu não fiz absolutamente nada. — disse e voltou a se sentar.

 

— Então você está me dizendo que não a destratou e a expulsou daqui? Mesmo ela tendo tido um belo conflito com seu pai para que ele a deixasse vê-lo? — Loki abriu os lábios, pronto para revidar, mas Frigga continuou a falar, o que o impediu de proferir o que quer que ele planejara dizer. — Está mesmo me dizendo que é mentira que você nem mesmo a deixou dizer por que veio até aqui? Porque, sinceramente, eu espero que o que ela tenha dito seja mentira mesmo, pois eu não o criei para fazer esse tipo de coisa.

 

— Mãe, não se deixe enganar por aquele rostinho bonito. Eu estou aqui por culpa dela.

 

— Você não está aqui porque ela deixou que o trouxessem, você está aqui pelos erros que cometeu na Terra. Assuma seus erros na mesma proporção que você os comete, Loki.

 

Ah, maravilha. A senhora vai mesmo defendê-la a defender a mim?

 

— Não é uma questão de defender você ou ela, filho. O problema é que quando você não crê que merece algo, você o arruína. — Frigga suspirou e Loki franziu o cenho, desviando o olhar momentaneamente para o livro que tinha em mãos antes de voltar a olhar para a própria mãe. — Aquela moça realmente se importa com você. E perante tudo o que ela fez para chegar até você, o mínimo que você deveria ter feito era ter dado uma chance a ela de se explicar e lhe dizer por que ela está aqui.

 

— E por que ela está aqui, afinal?

 

— Todos nós temos nossos motivos. Se quiser mesmo saber, terá que deixar que ela mesmo lhe diga. — disse antes de se retirar da cela. Loki olhou para trás, ainda sentado em sua cadeira, vendo a barreira se colocar entre ele e sua mãe. — Tudo o que você precisa saber é que o seu pai não irá interferir na relação de vocês, seja ela apenas de amizade ou não. — deu um pequeno sorriso antes de se retirar das masmorras, deixando um Loki confuso e pensativo para trás.

 

Sua mãe por vezes era muito enigmática.

 

••••••

 

Palácio, Asgard...

 

Amina vagou pelos corredores do palácio a perder de vista, a taça em sua mão antes cheia, já se encontrava abaixo da metade. Sentia seu corpo e sua cabeça leves, como se pudesse flutuar. Encostou-se a parede brevemente e respirou fundo antes de voltar a andar. Uma parte de si já havia se arrependido de ter saído do salão principal desacompanhada, pois provavelmente iria se perder. Porém, tinha certeza de que ninguém estaria disposto a acompanhá-la até onde ela queria ir. Mesmo que tivessem sido todos supreendentemente amigáveis com ela durante o banquete. Após andar por mais alguns minutos, teve a certeza de que estava perto de seu destino. Pôde avistar ali mais guardas do que vira em qualquer outra parte do palácio que havia passado. Ou estava perto do cofre de Asgard ou das masmorras. Torcia para que fosse a segunda opção.

 

Virou no corredor a sua direita e respirou fundo, pensando em uma maneira de distraí-los para poder entrar lá sem ser vista ou impedida. Claro que seu cérebro não estava em pleno funcionamento graças a bebida alcoólica asgardiana fortíssima que tomara. Olhou para fora da janela que havia ao seu lado e teve uma ideia, maluca, ao ver um monte de folhas e galhos recentemente podados. Pegou um dos candelabros que havia perto de si mesma e o jogou naquela direção junto de sua taça, torcendo para que o fogo não se apagasse. Os deuses ou o universo pareciam estar ao seu favor, pois o fogo não só não se apagara como se espalhara pelas folhas e galhos, consumindo o álcool ali derramado e chamando a atenção dos guardas.

 

Aproveitando a breve distração deles, apressou-se em direção as portas das masmorras. Entrou e fechou a porta atrás de si, encostando-se a ela. Respirou fundo tentando acalmar o próprio batimento cardíaco e sentiu as mãos tremulas. Saiu de perto da porta e caminhou por entre as celas, a procura da de Loki. Ignorou os olhares atravessados que recebia das estranhas criaturas que haviam por ali e suspirou em alívio ao achar o que procurava, como o habitual ele estava deitado em sua cama, lendo. Amina aproximou-se da barreira, mas foi ele quem falou primeiro:

 

— Olha só quem voltou. — disse num tom ameno, mas sem tirar os olhos das letras impressas. Tentaria ser mais educado com ela do que havia sido horas atrás, ele ficara extremamente curioso para saber por que ela estivera disposta a ir até Asgard e enfrentar Odin para vê-lo, ainda mais após a conversa que tivera com sua mãe. Franziu o cenho levemente ao não receber nenhuma resposta da garota. Fechou o livro e sentou-se na cama, finalmente olhando para ela. A olhou em confusão ao notar que ela estava abraçando a si mesma, encolhida e quase chorando. — Amina? — assim que terminou de ouvir o próprio nome ela sentiu uma lágrima escorrer de seu olho, ela sendo acompanhada logo em seguida de diversas outras. — Alguém lhe fez alguma coisa? — perguntou deixando o livro de lado e se levantando de vez da cama. Surpreendeu-se por estar genuinamente preocupado. Ela balançou a cabeça negativamente e se aproximou mais da parede de energia — O que houve então? — voltou a perguntar, também se aproximando da barreira. Era estranho vê-la assim, ela sempre estava tão animada. Irritantemente animada, mas ainda assim animada.

 

— Eu...  Eu... — por mais que tentasse falar, tudo o que conseguia fazer era chorar. Tudo o que havia guardado e ignorado nos últimos dias. Ele era o que ela tinha de mais próximo de um amigo, apesar de suas diferenças. Ainda não se sentia plenamente à vontade com Steve em relação a certas coisas. Para melhorar ainda mais as coisas, o álcool rompera o muro que ela havia mantido de pé durante todo a semana e naquele momento tudo o que ela queria era chorar e receber um abraço. Antes que pudesse se controlar, deu dois passos em direção a barreira e Loki arregalou os olhos, erguendo as mãos em alerta prevendo o que aconteceria.

 

— Não, Amina, não. Cuidado. Por favor, não faça... — sua sentença morreu e ficou no ar, enquanto ele ficou surpreso ao vê-la passar intacta e sem nenhuma dificuldade pela barreira que deveria tê-la repelido e machucado. — Como... — sussurrou confuso e sentiu-a passar os braços ao redor de seu corpo, o abraçando. Em primeiro instante ele ficara tenso, por ter sido pego totalmente de surpresa, mas então ao sentir o corpo quente e tremulo dela contra o seu, relaxou aos poucos e passou os braços meio incerto por suas costas. Sua ação fez com que ela estreitasse ainda mais o abraço e seu choro se intensificasse. Loki suspirou e relaxou os braços de vez, tentando deixar o abraço mais confortável e menos estranho possível. Colocou uma ilusão em sua cela, fazendo com que seu choro não pudesse ser ouvido e tampouco o abraço pudesse ser visto. A sensação do abraço em si era boa, ele não poderia negar, mas não era algo que ele estivesse habituado nos últimos anos então não sabia muito bem como reagir ou como se portar. Ainda mais por ela estar chorando. Eu deveria falar alguma coisa? Pensou olhando para o monte de cachos preso em um penteado abaixo de seu queixo e no topo da cabeça dela. Suspirou novamente e o cheiro cítrico que emanava dela adentrou suas narinas. Ele nunca havia reparado que ela tinha cheiro de laranja. É agradável. Franziu o cenho com o próprio pensamento e balançou a cabeça negativamente.  — Acalme-se, Amina. Está tudo bem. — tentou confortá-la enquanto passeava a mão por suas costas, mas não saberia dizer se surtiria efeito. Ele nem mesmo sabia por que ela estava chorando. — Você não vai me dizer o que houve? Não posso tentar ajudá-la se não souber o que aconteceu.

 

Eu...  Eu coloquei...  Eu... — aquilo não daria certo. Aparentemente as lembranças do ocorrido faziam-na chorar ainda mais. Deveria ter sido algo extremamente grave e Loki estaria mentindo se dissesse que não estava ficando cada vez mais preocupado ou, ao menos, curioso.

 

Shh, está tudo bem. Não precisa me falar. Posso ver em sua mente? — antes que pudesse se frear se viu pedindo permissão a ela que em resposta assentira ainda em meio ao choro. Loki soltou seu terceiro suspiro dentro dos últimos cinco minutos e levou sua mão esquerda até a lateral direita do rosto dela, que era a mais acessível, pousando as pontas dos dedos em sua têmpora. Enquanto ele navegava por suas lembranças e pensamentos, a garota parecia estar finalmente começando a se acalmar. — Nossa. — foi a única coisa que conseguiu dizer quando compreendeu o que havia acontecido. Amina afastou-se alguns centímetros para que pudesse olhar seu rosto. Foi então que Loki emitiu seu quarto suspiro. Sem que pensasse no que estava fazendo, passou os polegares pelo rosto dela, retirando o rastro úmido que as lágrimas haviam deixado. A pouca maquiagem que ela estava usando havia borrado, deixando sua aparência ainda mais...  Bagunçada. Seus olhos estavam vermelhos e suas pálpebras já começavam a inchar.

 

— Eu sei que você não quer se envolver com os meus problemas, mas eu preciso da sua ajuda, Loki. — ela dizia enquanto ele ainda tentava retirar o borrado debaixo de seus olhos. Ele assentiu, para demonstrar que estava ouvindo, mas continuou em sua missão. — Eu estou desesperada e não sei mais o que fazer ou a quem recorrer. Não conheço mais ninguém que mexa com magia e estranhamente, ou talvez estupidamente, eu confio em você. — seu último comentário o fez esboçar um pequeno sorriso. Era bom que ela soubesse que uma parte de sua confiança era, de certa forma, estupidez. — Eu estou implorando por sua ajuda e estou disposta a fazer qualquer coisa por ela.

 

Qualquer coisa? — repetiu e inclinou levemente a cabeça para o lado, olhando no fundo de seus olhos. Ela piscou os olhos rapidamente devido a intensidade e cogitou desviar o olhar, mas ficaria muito na cara dada a proximidade de seus rostos. — Esse termo é bem amplo, você sabe disso, não sabe? — ele voltou a falar e ela limitou-se a assentir. Loki desviou os olhos por um instante em direção a barreira de energia atrás dela, logo em seguida voltando a olhá-la. — Eu irei te ajudar, fique tranquila.

 

— Mesmo? — perguntou com os olhos voltando a se encher de lágrimas. Oh, céus. Ela iria chorar novamente?

 

— Se você for voltar a chorar a resposta é não. — disse em tom de brincadeira e ela deu um pequeno sorriso e piscou os olhos rapidamente novamente, tentando espantar as lágrimas. — Bem melhor, querida.

 

— Obrigada, Loki.

 

— Não há de que, Mina. — murmurou, testando o apelido em sua língua. Era sútil a mudança, apenas de uma única letra, mas soava tão diferente. Ele olhou seu rosto atentamente. Combina com você. Compartilhou seu pensamento e ela sorriu. Loki respirou fundo e finalmente soltou seu rosto, afastando-se, ao notar que ainda estavam desnecessariamente muito próximos. — Deite-se e durma um pouco antes que desmaie de exaustão. Logo alguém dará falta de você e virá te procurar. — indicou a cama e retirou o próprio livro de cima dela. A garota se aproximou e sentou-se na beirada da cama, observando-o se acomodar na cadeira que havia ali, erguendo as pernas sob o banquinho. — Sei que você não tem feito mais do que tirar breves cochilos nos últimos dias. Isso não é saudável e não ajuda em nada, sabia? — seu tom beirava a repreensão.

 

— Eu estava com medo de dormir e acontecer de novo. Eu ainda estou com medo, para ser sincera. — admitiu e ele assentiu. Era compreensível. Se ele tivesse tido o descontrole que ela tivera dias atrás, até mesmo ele tentaria evitar dormir.

 

— Você está comigo agora, pode dormir tranquila que eu não deixarei nada lhe acontecer. — abriu o livro para voltar a ler, mas assim que pousou os olhos nas letras franziu o cenho perante como sua fala soara. — Até porque se algo acontecer a você, vai acontecer a mim também já que estou preso e não posso sair daqui. — completou, mas não notara que estava praticamente falando sozinho. O sono acumulado e o álcool fizeram com que ela dormisse quase que instantaneamente ao deitar a cabeça em seu travesseiro. Ele abaixou o livro para olhar o que ela fazia e revirou os olhos ao constatar que ela já até ressonava de olhos fechados. Levantou-se da cadeira e foi até a cama, retirando seus sapatos com cuidado para não acordá-la e colocando o cobertor sobre seu corpo. Voltou para a própria cadeira e lançou um último olhar ao corpo adormecido antes de voltar a ler. Ele já estava chegando ao final do primeiro volume da saga, muito provavelmente terminaria antes do amanhecer.

 

Os segundos foram passando e se transformaram em minutos, e os minutos logo se transformaram em horas. Loki bocejou e fechou o livro, deixando-o em seu colo. Recostou-se a cadeira e fechou os olhos. Abrindo-os um minuto depois e pousando-os automaticamente na cama. Eu deveria ter perguntado se ela se importava de dividirmos a cama. Pensou e bufou, passando a mão pelo rosto. Apesar de que a cama tem tranquilamente espaço para nós dois. Coçou o próprio queixo ainda pensando nos prós e nos contras. Mas eu não posso simplesmente ir até lá e me deitar com ela sem o seu consentimento. Franziu o cenho e respirou fundo. Por outro lado, a cama é minha. Continuou com sua discussão interna e grunhiu afundando o rosto nas próprias mãos. Se eu soubesse que ela apareceria aqui eu teria dormido decentemente nas noites anteriores para não ter sono agora. Afastou o rosto das mãos e se levantou da cadeira, deixando o livro em cima do banco. Aproximou-se da cama ainda meio incerto. Ah, isso é ridículo. Eu só vou dormir. Retirou os próprios sapatos e deitou-se ao seu lado, mas não se cobriu deixando o cobertor como uma fina barreira entre seus corpos. Olhou para sua expressão serena e adormecida e se permitiu fechar os olhos. Provavelmente eu vou acordar antes dela e ela nem vai saber.

 

••••••

 

Na manhã seguinte...

 

Amina foi despertando gradativamente. Abriu os olhos e piscou algumas vezes, se adaptando a claridade. Quando seus olhos se habituaram, a primeira coisa que viu foi Loki adormecido a sua frente, com uma expressão tranquila em seu rosto. A garota tentou se mexer para fora da cama, mas desistiu ao sentir o peso da mão dele em sua cintura, impedindo-a de sair do lugar. Voltou sua total atenção para o rosto dele e, não resistindo ao impulso, fez uma leve carícia em sua maçã do rosto, afastando alguns fios de cabelo para trás de sua orelha na sequência. Deu um leve sorriso e afastou as mãos, não querendo acordá-lo. Ele era tão angelical enquanto dormia. E diabólico enquanto acordado.

 

— Bom dia, Amina. — a voz grave de Loki soou em um murmúrio levemente rouco, surpreende-a. Bom dia. Eu não queria te acordar, desculpe. — Eu não estava dormindo. — disse, finalmente abrindo os olhos. Aquilo era mentira, pois ele estava de fato dormindo. Após acordar no meio da noite para livrar a mente da garota de qualquer que fosse o pesadelo que estivesse tendo, Loki se permitiu cair em um sono profundo ao seu lado. Ele também não tinha dormido muito bem nos últimos dias, então mesmo com seu vigor mais duradouro, chegou em um nível que mesmo se ele não quisesse, ele dormiria. Mexeu o corpo para deitar de costas no colchão e só então notou que adormecera praticamente a abraçando. Mesmo que aquilo tenha sido um mero resultado de sua tentativa de acalmar os sonhos dela, Loki sentiu-se constrangido e rapidamente retirou seu braço de cima dela.

 

Parando para pensar, ele ficou em dúvida se havia melhorado a sua situação ou piorado ao dizer que não estava dormindo. O que era menos vergonhoso, admitir tê-la abraçado enquanto dormia ou dizer não estar dormindo enquanto deixava que ela lhe fizesse carinho? Ao seu ver ambas as situações eram embaraçosas, pois ele tinha uma reputação a zelar. Mas para seu alívio ela não comentou nenhum dos ocorridos e tampouco questionou o fato dele ter se juntado a ela na cama. Se encararam em silêncio por breves segundos até Loki suspirar e se afastar, se levantando da cama. Amina observou com confusão enquanto ele assumia uma postura mais tensa, no entanto, antes que pudesse perguntar o que estava errado, ouviu passos apressados se aproximando. Sentou-se na cama a tempo de ver Thor surgir em frente a cela com diversos guardas em seu encalço, assim que a barreira de energia que cercava o cubículo se desfez, eles adentraram o ambiente rapidamente fazendo com que o espaço ficasse ainda mais pequeno.

 

— O que você fez? — indagou Thor, puxando Loki pelo colarinho. Ele por sua vez não demonstrou resistência e nem disse nada, mantendo uma expressão de tédio em seu rosto. Amina levantou-se da cama em um pulo e parou ao lado de ambos, colocando uma mão no braço de Thor, tentando puxá-lo para longe de Loki ao notar a força que ele usava.

 

— Thor! — chamou Amina e ele finalmente largou o próprio irmão, virando-se para ela. — O que está acontecendo?

 

— Você está bem lady Amina? — perguntou a medindo e Amina franziu o cenho, confusa. Por que eu não estaria bem? — Loki lhe fez algum mal?

 

— Mas é claro que não, eu estou ótima. — respondeu, pondo-se automaticamente entre eles, na frente de Loki em uma postura defensiva. — Seu irmão não fez nada de errado.

 

— Mas como ele conseguiu atrai-la para dentro da cela? Irei pedir que reforcem a segurança e...

 

— Loki não fez absolutamente nada! — o interrompeu com impaciência e Thor assumiu uma expressão confusa. — Eu vim aqui por livre e espontânea vontade. Entrei, acidentalmente, por conta própria e então não consegui sair. A única coisa que Loki fez foi ser gentil em ceder a própria cama para que eu pudesse dormir e não precisasse passar a noite em claro até que eu pudesse sair daqui. — explicou e o deus do trovão olhou para ela e então para trás dela com desconfiança, logo voltando o olhar para ela novamente.

 

— Tem certeza? — insistiu Thor e o mais novo revirou os olhos, finalmente mostrando alguma reação perante a cena que seu irmão mais velho fazia.

 

— Eu pareço ferida para você? — perguntou Amina e Thor a observou atentamente. Loki estreitou os olhos, mas não disse nada. — Aprecio sua preocupação, mas eu estou bem. Agora vocês podem, por favor, nos deixar a sós? Já é bem desagradável seu irmão ter de ficar em uma cela, o mínimo que poderiam dar a ele é privacidade, você não acha? — Thor revezou o olhar entre os dois novamente e assentiu, afastando-se.

 

— Não se demore muito, o café da manhã será servido em breve. — alertou antes de deixar a cela junto com os guardas. Amina soltou um suspiro enquanto o observava se afastar.

 

— Você está bem? — perguntou virando-se para Loki e olhando-o com atenção. Ele estranhamente continuava quieto e como estava bloqueando sua mente, nem seus pensamentos Amina tinha acesso. Loki não disse nada e afastou-se, em direção a pilha de livros que havia ali, pegando o primeiro.

 

— Vejo que você já caiu nos encantos de Thor e ele nos seus. — murmurou Loki sentando-se em sua cadeira, abrindo o livro que tinha em mãos. Finalmente. Pensou Amina. Todo aquele silêncio está deixando-a agoniada, ela não fazia ideia do que ele estava pensando, sentindo ou planejando. Ele ainda estava chateado? Ela não sabia. Do que se lembrava ele não parecia mais chateado na noite passada, mas ele era meio instável então ela não tinha certeza de nada.

 

— Ele não é de todo mal como você me havia descrito, confesso. — concordou Amina e Loki conteve um suspiro. Ele não conseguiria nem ficar surpreso com isso. Na verdade, ele já havia se acostumado a isso, sempre fora assim e aparentemente sempre seria. — Mas eu ainda prefiro você. — admitiu fazendo-o ficar surpreso. Para sua sorte o livro que tinha em mãos cobria o seu rosto perfeitamente então Amina não conseguiu ver sua expressão de surpresa e nem o pequeno sorriso de satisfação nos cantos de seus lábios. — Bem...  Eu vou te deixar lendo o seu livro. Já atrapalhei sua noite de sono, não pretendo atrapalhar sua leitura também. Preciso me preparar para partir...

 

— Desistiu de aprender sobre seus poderes? Eu ia até mesmo te indicar algumas leituras disponíveis na biblioteca para facilitar meus ensinamentos e seu aprendizado. — disse casualmente ainda com o livro em frente ao próprio rosto e Amina sorriu. Eles estavam bem. — E não se preocupe, você se comportou muito bem durante a noite, como uma perfeita lady. Quase me esqueci que você estava aqui.

 

— Você está sendo irônico? — perguntou, de forma desconfiada. — Não estou conseguindo distinguir.

 

— Acho que você nunca irá saber. — abaixou o livro para olhá-la, finalmente prestando atenção na roupa que ela vestia, um vestido longo e acetinado em um tom de laranja escuro que realçava a sua pele fazendo-a parecer ter um brilho dourado, e em seguida o levantou de novo rapidamente. — Você deveria ir para os seus aposentos e se trocar, do contrário perderá o desjejum.

 

— E quanto a você?

 

— O que tem eu? — abaixou o livro novamente e arqueou as sobrancelhas.

 

— Você não vai se juntar a nós? — perguntou e Loki sorriu, dando uma breve risada em seguida, em meio a um suspiro.

 

— Eu sou um prisioneiro, Amina. — usou o próprio dedo para marcar a página e apoiou o livro na própria perna. — Não espere me ver participando das refeições ou passeando por Asgard. O Pai de Todos deixou bem claro qual é o meu destino. Mofar aqui pelo resto dos meus dias. — lançou um último olhar a ela antes de voltar a ler. Amina franziu o cenho.

 

— E você vai se conformar com isso? — perguntou entre dúvida e indignação. Desde quando Loki se tornara essa pessoa conformada? Mal fazia um mês desde a última vez que o vira, mas aparentemente ele havia mudado drasticamente um importante traço de sua personalidade.

 

— O que mais eu poderia fazer?

 

Amina não respondeu e deixou a cela, sua mente a mil. Uma parte de si sentia-se culpada, ela ter entregado ele tão facilmente fez com que ele fosse parar ali. Outra parte de si sabia que ele estava pagando por seus crimes. E outra sentia que de alguma forma ela tinha de ajudá-lo, fosse diminuindo sua pena ou tirando-o dali. Não importava como, ela daria um jeito. Loki abaixou o livro e observou, com um sorriso, Amina caminhar em direção a escada a passos determinados. Mais fácil do que eu pensei.

 

Cerca de trinta minutos depois as criadas adentravam sua cela lhe trazendo seu café da manhã. Loki observou em confusão enquanto um criado depositava outra cadeira em sua cela e outros dois trocavam a pequena mesa redonda por uma maior. As servas que carregam sua refeição depositaram os itens na nova mesa e a confusão de Loki só não aumentou ao ver a quantidade de comida, pois no mesmo instante o mesmo aroma cítrico que sentira na noite anterior adentrara o ambiente sendo acompanhado de uma Amina já devidamente trocada e com um grande e caloroso sorriso nos lábios. Ela entrou na cela enquanto os criados saíam, os deixando a sós na medida do possível.

 

— Espero que você não se importe, eu tomei a liberdade e pedi a permissão para me juntar a você em suas refeições.  — Loki observou o vestido preto, longo e de mangas compridas que ela usava, ele possuía alguns detalhes em uma delicada renda, subiu mais o olhar e encontrou seu rosto emoldurado pelo próprio cabelo que estava solto. Ele não disse nada e apenas se aproximou da nova cadeira, parou nas costas dela e a puxou. Amina levou alguns segundos para entender o gesto, mas assim que entendera, se aproximou e sentou-se na cadeira que ele segurava. Ele afastou-se e deu a volta na mesa, sentando-se na própria cadeira. Loki pegou o bule de cima da mesa e despejou chá em suas xícaras. Tudo o que ela fez ao assistir a cena foi sorrir e preencher seus pratos com o café da manhã. Quando ela se distraíra momentaneamente com o próprio guardanapo Loki se permitiu dar um pequeno sorriso enquanto a observava.

 

Aquilo não era o que ele estava esperando quando a viu sair dali com tanta determinação no olhar, mas ele definitivamente não estava se queixando. Após semanas sozinho, ter companhia, mesmo sendo a dela, não era nada mal. E, no fundo, mesmo que não admitisse nem para si mesmo, uma parte dele gostava da irritante bruxinha.


Notas Finais


Espero que tenham gostado! :D Me digam o que estão achando. As coisas agora vão começar a deslanchar melhor e até mais rapidamente. Até o próximo capítulo! <3


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