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História The Best Of Me - Capítulo 45


Escrita por:


Notas do Autor


Bom, nada mais válido do iniciar essa nota dizendo que esse capítulo marca o começo do fim de Best Of Me. Não se enganem, ainda há muita história para ser contada e desfechos para acontecerem.
Segundo que o capítulo está grande e nele existem informações cruciais que vão ajudar vocês a entenderem o que vai acontecer daqui pra frente. Então, por isso, LEIAM AS NOTAS FINAIS

Ah, e vale ressaltar que aqui o que vai ficar em evidência vão ser os pensamentos da s/n, então se sentirem um pouco de falta dos diálogos, saibam que o foco estava em outra coisa.

Boa leitura!!

Capítulo 45 - Tragado pelas Trevas da Inconstância


Fanfic / Fanfiction The Best Of Me - Capítulo 45 - Tragado pelas Trevas da Inconstância


“E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.”

-Friedrich Nietzsche





Os preparativos para o próximo álbum no NCT Dream já estavam sendo colocados em prática e eu quase me ofereci para co-escrever uma música, mas contracenar em um filme é tão cansativo e repetitivo que acabei dando para trás.


Intrigante mesmo era como meu interior parecia se desfazer um dúvidas e indagações que me davam a sensação de ser moída por dentro. Havia chegado o belo momento em que o americano quis ter a tal da conversa comigo. Sempre tagiversando, tocando em assuntos aleatórios e em uma inquietude que estava a me inquietar. Digno de estranheza. Mas o mais estranho era o que ele tinha a dizer a mim. “Acho melhor se afastar dele" “Ele pode não ser mais quem você deseja" “Não queira se aprofundar em algo tão raso". Em nenhum momento ele disse a quem se referia, mas não precisou, sua mensagem havia sido captada com sucesso, mas não absorvida. Quase fiquei tonta com a quantidade de rodeios no meio daquela troca de palavras sem sentido e posteriormente em pensar no real sentido delas, mas nada parecia se encaixar. A única coisa em que eu podia apostar minhas cartas era em algo que estava mais evidente que a luz do Sol, Yukhei estava se afastando de mim e de alguma forma mal executada esperava que eu fizesse mesmo. Só que muito provavelmente o chinês havia se esquecido de com quem ele lidava, e eu não era o tipo de pessoa que agia sob falta de explicações. E ele me devia uma muito boa para me dizer qual o motivo de ter deixado bem claro em seus últimos minutos ao meu lado o quanto me amava para depois simplesmente descartar qualquer ideia de proximidade nossa.

Às vezes eu me perguntava se era a única verdadeiramente transparente naquela relação. Não nego que ocultei muito dele, mas depois isso mudou e Yukhei pôde conhecer cada detalhe meu, desde o meu interior até o mais íntimo de meu exterior. No entanto com ele as coisas se diferenciavam, nunca o peguei sob uma séria mentira, mas o garoto me omitia muito mais do que eu era capaz de entender. Ele se entregou de corpo e alma no nosso relacionamento mas não me deixou ultrapassar suas maiores barreiras, aquelas mais altas.


Todos vivem em prol da omissão de seus segredos. Ninguém é puramente livre de seu lado mais oculto. O ser humano vive sob suas próprias suposições e disso chama a realidade, o que ele não quiser que faça parte dela, não fará. Contudo, é preciso que sempre exista um equilíbrio naquilo que você quer, ou não, que os outros saibam e no que precisa ser dito. Yukhei não soube de muitos dos meus segredos e não porque não quis contar, mas porque não houve momento para isso, e em contrapartida eu não pude saber dele muito do que eu me senti no direito de saber. O resultado? Um desequilíbrio gritante que ambos fingíamos não existir.


Estava em meu quarto praticando um solo de guitarra de Take Me Out, do Franz Ferdinand e devo declarar que não é das músicas mais fáceis de tocar. Nunca fui muito de usar paleta, mas a situação pedia, então acabei apelando para o objeto antes que meus dedos ficassem roxos.


-???: S/n! -Alguém bate na porta.


-S/N: Oi. -Abri a mesma e encontrei Kim Dongyoung.


-Doyoung: Está pronta? Temos uma reunião daqui a 5 minutos.


-S/N: Eu nem sabia que hoje tinha reunião. É com o grupo inteiro?


-Doyoung: Sim, se troca logo que já estamos subindo. -Foi ágil com as palavras e então se dirigiu para a sala.


Fiz uma careta, pois eu estava muito bem praticando Take Me Out e estragando meus dedos, isso me fazia evitar de pensar nas palavras de um certo alguém.


Vesti uma saia longa na cor bege e um cardigã listrado por cima da blusa branca lisa que eu já usava.

Pus o instrumento no suporte, desliguei a caixa de som e acompanhei os meninos até a famosa sala de reunião. Sempre achei engraçado a nostalgia que sinto toda vez que entro naquele local e me lembro que como foi minha primeira vez passando por aquela porta dupla de madeira que era possivelmente mais cara que o meu salário inteiro.

Nos sentamos todos ao redor da mesa e felizmente havia um copo de café expresso para cada, mas minha felicidade se foi quando descobri que era café gelado. Sempre achei um crime colocarem gelo no café, não conseguia me acostumar a isso.

Não muito tempo depois a Sra. Soyoung entrou na sala.


-SoYoung: Boa tarde a todos. -Nos levantamos para fazer reverência e retornamos a posição inicial. -Primeiramente eu gostaria de parabenizá-los. Todo o esforço e cooperação de vocês está dando ótimos resultados à empresa. -Tradução: dinheiro. -Em segundo lugar lhes informo que já temos data prevista para o novo comeback do NCT 127, mas ainda há de ser confirmado e o próximo Station será de Nakamoto Yuta, Lee Jeno, Leeteuk, ou Park Jeong-su, como for preferível, e o Suho do EXO.


-S/N: Caramba… é assim, do nada? -Murmurei para mim mesma.


-Yuta: É mais comum do que imagina. -Também murmurou ao meu lado e gesticulou um sutil sorriso.


-SoYoung: E por último, mas muito importante. Temos dois novos integrantes para debutar do NCT.


-A expressão dos meninos era de surpresa, mas não aquela surpresa inédita, e sim apenas porque era algo inesperado. Muito provavelmente aquela fora a reação deles pouco antes de verem minha cara. Acredito que depois daquilo nada foi o suficiente para ser digno de expressões realmente estupefatas.


-SoYoung: Eu imaginava que vocês não fossem ficar abismados, mas não esperava isso. Nossa s/n subiu a exigência de vocês para surpresas, né? Concordo com isso. -E começou a rir, a única da sala que havia visto graça nisso. De novo eu estava errada em acreditar que sua fase sarcástica havia lhe dado adeus. -Já deixo claro que esses serão os últimos integrantes a debutarem no grupo. Após isso as units se tornarão fixas, sem mais entradas e nem saídas de membros.


-Taeyong: Mas por quê? E o conceito do grupo?


-SoYoung: Com esses dois membros já teremos alcançado nosso objetivo inicial. O que não podíamos era continuar debutando mais gente, porque o espaço em branco entre os gastos com a quantidade de pessoas e com o retorno que temos, é insuficiente e não podemos arriscar em uma ideia perigosa.


-Taeyong: E vai ser definitivo?


-SoYoung: Muito provavelmente.


Após observar nossos rostinhos calados e ainda meio confusos com a notícia ela realizou aquele processo de sair da sala, chamar os novos integrantes e entrar com eles como se fossem troféus velhos em venda de garagem.


Assim que aqueles dois garotos entraram na sala meus olhos quase soltaram de suas órbitas de tão arregalados.


-SoYoung: Esses são Diego Wang e Nagasawa Hiroshi. -Apontou para os garotos igual fizera comigo.


Enquanto a mulher dizia suas idades e nacionalidades eu bebia aquele café horrível para molhar a garganta e assistia a cena mais exclusiva de todo o ano.


-SoYoung: Diego entrará como integrante do NCT Dream na posição de rapper principal e sub-vocalista, e, é claro, mais novo maknae. Hiroshi debutará no NCT U e NCT 127 como vocalista principal e dançarino líder em ambas as units.


Talvez não fosse combinado, embora eu ache muito difícil, mas aqueles dois garotos me olhavam como se estivessem me provocando. Quase podia ver escrito em seus olhos “O que acha disso, hein? Gostou?”


Nos reverenciamos aos meninos e eles se sentaram nas poltronas da frente e ouviram SoYoung falar mais um monte de assuntos não importantes. Eles se mudariam no mesmo dia.


Nessa situação a divisão dos quartos sofreu grande mudança, já que a distribuição de quartos ficaria muito desorganizada se apenas os colocássemos onde havia espaço.

Kun, Yukhei e Ten tiveram suas coisas realocadas para o dormitório do WayV. O Winwin, que agora mudara de dormitório, teve seu quarto ocupado por Jungwoo que tinha quase que todos seus compromissos focados no NCT 127 e como o antigo quarto do Yukhei ficara vago Vitor passou a ocupá-lo. Diego moraria no dormitório do NCT Dream, dividiria o quarto com Jisung e Jeno. Agora eu tinha um quarto apenas para mim, sentiria falta de Jungwoo.


-S/N: Vocês sabem que eu estou brava, né? -Parei de dobrar as roupas do Diego e comecei a falar. -Como vocês ousam nem mesmo me mandar uma mensagem. Tipo “Ah, oi, tudo bem? Então, vou debutar no NCT, é nois"


-Vitor: A ideia de não contar foi dele. -Aqueles dois pareciam estar rindo de mim, o que me fez querer subir no pescoço de cada um.


-S/N: Você tem 17 anos e me vem com o papo de que obedeceu um menino de 15? -O fuzilei com os olhos.


-Diego: Vou ignorar o fato de você achar que não sou influente o suficiente para que alguém possa me obedecer e dizer que eu só dei a ideia e ele concordou.


-S/N: Eu continuo me perguntando porque eu me declaro amiga de vocês. Mas, por que não contaram? -Voltei a dobrar as roupas conformada em ter sido 100% negligenciada.


-Diego: A gente queria fazer uma surpresa. Seria bom ver sua cara sabendo que entraríamos no NCT também. -Ambos soltaram um sorriso de satisfação.


-S/N: Vocês são ridículos. E, quer saber, acabei de lembrar que tenho que sair daqui há meia-hora porque a gravação de um filme me espera, então arrumem e levem as coisas de vocês sozinhos. -Terminei de dobrar uma calça de mal jeito e fui em direção a saída.


-Vitor: S/N! -Veio atrás de mim, mas eu realmente não queria ouví-lo, então saí do dormitório e fui para o meu, afinal, eu realmente deveria ir para o set de gravação.



           Quebra de Tempo



O set estava uma loucura, havíamos acabado de gravar uma cena que envolvia um pouco de ação, mas por acidente eu havia sido empurrada e caí no chão, o que rendeu um pequeno machucado em minha perna e uma série de desculpas de Kim Donghee. Engraçado foi o fato de que o empurrão veio a calhar e como eu não havia deixado a personagem e ele também não, o diretor resolveu adicionar a cena e ainda me elogiou pela profissionalidade e improviso.


Foi uma grande surpresa para mim saber que o filme envolveria ação ao ler o script, já que pelo que havia sido informada o gênero seria romântico. Eu estava contudo, adorando a adrenalina em que estava sendo exposta, mesmo que por poucas cenas, durante as gravações. Isso me fazia esquecer de toda a confusão em que minha mente havia afundado, ainda mais depois que a Eunhye havia debutado e estava em solo chinês. Eu odiava admitir, mas ela era realmente yma mulher talentosa.


-Donghee: E então, você está bem? -Apareceu na porta da enfermaria e se encostou no batente da porta.


-S/N: Infelizmente vou ter que amputar minha perna. -Imitei uma voz chorosa.


-Donghee: Você tá brincando. -Riu e deu umas batidinhas na parede. -É óbvio que é brincadeira… né?


-S/N: Será?


-Enfermeira: Pare de assustar o garoto. -Sorriu depois de me repreender. Provavelmente uma forma de dizer que eu estava errada mas o mundo não estava em perigo por conta disso, então estava tudo bem. -Foi só um arranhão. Em poucos dias já vai estar muito melhor e se der sorte não haverão cicatrizes para contar história. -Pegou alguns papéis e saiu da sala de curativos.


-Donghee: Você sabia que eu sou cardíaco? -Se sentou ao meu lado na maca.


-S/N: Não, não é. -Ri. -Mas, pode relaxar, não foi nada de mais e agora o filme terá uma cena extra.


-Donghee: Okay, mas como pedido de desculpas eu te pago um capuccino, já que você tanto gosta.


-S/N: Ah é? E como você sabe?


-Donghee: Sou observador.


-S/N: Hum… com chocolate extra?


-Donghee: Chocolate extra.


-S/N: Duplo? -Abri um grande sorriso e ele semicerrou os olhos, algo como “Está tentando abusar da minha bondade?”


-Donghee: Certo… duplo. Mas, e agora? Como vão ser as gravações agora que sua perna tem um curativo do tamanho da minha mão?


-S/N: Não sei, mas como a cena vai ser incluída é provável que não vá ser problema aparecer com o curativo. Depois de um tempo eu posso começar a usar só calça, sei lá. Mas as gravações de hoje foram encerradas?


-Donghee: Pra você, sim. Pro resto do elenco ainda tem mais umas horinhas de diversão.


-S/N: Boa sorte.


-Donghee: Antes das gravações reiniciarem, o que acha de irmos tomar um café? Não gosto de ficar devendo.


-S/N: Seu desejo é uma ordem. -Me impulsionei para frente e me levantei, um pequeno choque e surgiu na minha ferida e acho que deixei isso transparecer.


-Donghee: Precisa de ajuda? -Seu olhar preocupado era realmente uma graça.


-S/N: Acredite, minha perna não corre nenhum risco, eu estou bem. Vamos.


Saímos da ala de saúde e caminhamos até a cafeteria enquanto conversávamos sobre tudo, qualquer coisa que surgisse em nossa cabeça virava assunto. Kim Donghee era uma pessoa realmente interessante.


Enquanto eu falava sobre como era o Brasil, respondia algumas dúvidas suas sobre meu país de origem e bebia meu capuccino, algo me chama atenção, ou melhor, alguém que cruza rapidamente um corredor estreito. Muito provavelmente eu estava errada, não havia chances de ele estar lá, era impossível. Ainda meio intrigada, continuei o diálogo até que ele fosse chamado para o set de filmagens.


Passei o resto do dia no set estudando o script para minha próxima cena. Infelizmente eu não era muito boa com memória, na verdade eu era pessoa que mais esquecia minhas falas na hora da gravação. O diretor do filme já havia me dado várias broncas por isso, mas disse que minha sorte era que eu era excepcionalmente boa em atuação.

Deixei a empresa às 22h e cheguei em casa terrivelmente cansada, e longe de ser no sentido físico, mas minha mente estava latejando de tanta inquietação, o excesso de informações estavam me expulsando de mim mesma. E para piorar as promoções ainda estavam a todo vapor. Cada minuto do meu dia tinha uma função, estavam todos contados, eu estava a ponto de perder a cabeça.


Tudo que eu poderia desejar no momento era um cigarro, só um, mas eu não podia, eu realmente não podia.


Tomei um banho gelado na tentativa de esfriar a cabeça e fui para a cozinha tomar um chá de lavanda para fazer ao menos eu me sentir menos tensa.


Eu tomava meu chá e comia alguns cookies quando avistei Vitor vindo em minha direção.


-Vitor: Você tá bem? Vi o curativo na sua perna. -Se sentou na cadeira à minha frente e pegou um cookie.


-S/N: Pequeno acidente durante a gravação, mas não é nada de mais. -Dei um gole na bebida.


-Vitor: Ah… você, por acaso, ficou realmente com raiva do que aconteceu hoje de manhã, sobre não ter te contado nada? -Assenti sem hesitação.


-S/N: Talvez eu não me importasse tanto se vocês tivessem dito que só queriam fazer uma surpresa para mim, mas a forma como vocês fizeram me deixou com raiva. Você não ter tido vontade de contar antes é okay pra mim, é uma escolha sua, mas o que te motivou a fazer isso é foda, né?


-Vitor: Certo, eu acho que te devo desculpas por isso, acho que meio imaturo tanto da minha parte quanto do argentino, então perdão. -Disse sério, como o Vitor não era assim em grande parte do tempo, era crível que ele estava sendo sincero.


-S/N: Tudo bem… esse foi o último dos meus problemas.


-Vitor: E quais são os outros? -Pegou mais um cookie.


-S/N: Nada que valha sua atenção. Se eu te contasse você não acharia grande coisa e mesmo se achasse não tem como me ajudar.


-Vitor: Então você acha certo guardar pra você?


-S/N: Sei lá, Vitor, eu só não quero deixar isso continhar ocupando minha cabeça. Eu realmente não tô tendo tempo pra isso. Algo me diz que as coisas vão mudar muito daqui pra frente e eu queria acreditar que vão ser só acontecimentos bons, mas não consigo me enganar.


-Vitor: Talvez você esteja se sobrecarregando demais. Aceitar um filme bem em época de promoção deveria ser repensado porque cada vez mais você vai se sentir sobrecarregada e uma coisinha vai ter um peso enorme pra você. Agora que já começou não dá mais pra sair, mas tenta não pensar mais nisso, ou ao menos ocupar sua mente com algo que te faça bem. Só saiba que independente de qual for o problema, você pode me contar tudo.


-S/N: Eu sei, obrigada. Pelo menos nisso tudo a sua entrada foi algo bom, agora vamos poder ficar mais tempo juntos.


-Vitor: Literalmente, já que eu durmo no quarto no fim do corredor. -Sorriu. -Ah, e eu comprei um Xbox Series X edição limitada. -Seus olhos até brilhavam ao falar de seu mais novo filho. -Quer jogar comigo?


-S/N: Talvez amanhã, mas hoje eu acho melhor ir dormir. Então, tenha uma boa noite. -Me levantei.


-Vitor: Boa noite. Posso ficar com seu chá e os cookies?


-S/N: Claro.


O dia seguinte foi deveras corrido. Assim que acordei eu tive que correr para Wonju, local onde passariam a ser as gravações do filme. Eu já estava agradecendo pela minha morte que estava cada vez mais próxima no longa metragem, caso contrário eu poderia acabar arrancando meus cabelos.


Durante o intervalo das gravações eu permaneci sentada em um dos bancos da praça onde estava sendo gravada uma cena com o casal protagonista. Observava a entrada da sede da SBS, que por acaso era bem a frente da praça.


Minha mente não parava de maquinar sobre o por quê do Yukhei além de não ter respondido minhas mensagens ou apenas me ligado nem mesmo atendeu as minhas ligações. Antes fosse ele querendo um espaço para si mesmo, mas eu conhecia aquele homem o suficiente para saber que se houvesse algum incômodo da parte dele ele me diria, mas nem mesmo os meninos me diziam o que havia com ele, sempre tentavam mudar de assunto e quase imploravam para que eu parasse de fazer tantas perguntas, o problema era que eu não estava mais conseguindo ignorar a situação. Eu sentia que algo estava errado e até queria poder dizer que era alguma coisa em mim, mas nós nem mesmo nos comunicávamos para eu poder me culpar dizendo que errei sem ter notado. As pessoas acham que é muito pior você tomar uma decisão e dar tudo errado do que simplesmente não tomar, mas a verdade é que o pior é não tomar um caminho por não ter uma direção a qual seguir. O sentimento de perdição é o pior, porque a sensação de incapacidade toma conta de nós, atinge o mais profundo do nosso âmago.


Eu já estava para chorar com a angústia que tomava um espaço cada vez maior em meu interior quando novamente um alguém chamava minha atenção. O dia poderia estar quente, mas não o suficiente para eu ter delírios ao imaginar uma silhueta familiar atravessar as portas de vidro do prédio da SBS. Deixei de lado a minha inquietação e fui atrás da pessoa que novamente havia cruzado meu caminho e algo em mim dizia que eu a conhecia.

Entrei no prédio e senti o ar fresco do ar-condicionado cair pelos meus ombros, me trazendo uma feliz satisfação. Segui para a direção onde o suposto conhecido fora e atravessei o hall de entrada e o encontrei em frente ao elevador mexendo no celular. Parei ao seu lado o encarando e esperando que ele notasse minha presença. As questões que mais passavam pela minha cabeça era no que ele fazia na Coreia do Sul, em Wonju, na sede da SBS na cidade exatamente ao meu lado.


O elevador abriu e ele entrou, olhei as horas no relógio digital do hall para saber se ainda me sobrava algum tempo e também entrei no bloco de aço. Seu celular parecia bem interessante e seu silêncio demonstrava isso.


-S/N: Eu não sei se é a minha altura, já que eu não sou muito alta, como você já comentou uma vez, ou porque eu tive que pintar meu cabelo da cor natural, no caso castanho escuro, mas eu realmente achei que de alguma forma você pudesse notar que eu estou no mesmo local que você. -O olhei esperando que ao menos ele se desse ao trabalho de reparar na minha existência.


-Darren: S/n? Minha nossa, é você! -Me olhou em uma mistura de confusão e surpresa até finalmente abrir um grande sorriso e vir me abraçar. -Que coincidência te encontrar aqui! -Bloqueou o aparelho e guardou em seu bolso.


-S/N: Eu que o diga. Sério que você realmente não percebeu eu aqui? Seu celular deve estar bem interessante mesmo. -Fiz uma careta.


-Darren: Isso é ciúmes do meu celular, é? -Sorriu e arqueou a sobrancelha. Encostou no espelho na parede e cruzou os braços.


-S/N: Você é a comédia em pessoa. Aliás, seu coreano melhorou muito desde a última vez que nos vimos, o que é bastante tempo, na verdade.


-Darren: É um dos meus talentos. Mas, pra onde você tá indo? Não apertou em nenhum botão do painel até agora. -Observou o painel e notou que apenas um botão, que ele mesmo havia pressionado, acendera.


-S/N: Ah, é mesmo, né! -Ri nervosamente e apertei um botão qualquer. -E o que faz aqui na Coreia.


-Darren: Tenho projetos aqui, minha empresa me mandou pra cá pra trabalhar na minha carreira de ator em parceria com a YG Entertainment. Então… o que tinha dito mesmo sobre nós provavelmente nunca mais nos vermos? -Me provocou.


-S/N: O destino é uma caixinha de surpresas, sabia disso?


-Darren: Não acredito em destino. -A porta se abriu e ninguém entrou, nem saiu. -Você não vai sair? É o seu andar. -Me olhou confuso.


-S/N: Ah, sim, claro. Quase me esqueci. Até a próxima, Huaze Lei. -Saí do elevador e o ouvi reclamar mais uma das outras trocentas vezes em que o chamava por esse nome.


Depois de um tempo sorrindo como uma boba e pensando no quanto eu havia sido revitalizada por sua presença, notei que eu não sabia onde estava e nem mesmo porque estava ali. Apertei o botão do elevador novamente para descer para o set, já que havia acabado de terminar o meu intervalo.


Pois então era oficial, Darren Chen estava na Coreia do Sul.



           Quebra de Tempo



-S/N: Parece que já se enturmou com os garotos, né? -Falei para Vitor assim que saí do estúdio de música para gravar a primeira demo de uma beside do primeiro full álbum do NCT Dream e assim que cheguei no dormitório o encontro jogando Call Of Duty: Warzone com o Yuta. Eu deveria imaginar que não demoraria para esses dois se enturmarem, mas não esperava que o mais velho gostasse de games.


-Vitor: Sou mestre na arte da socialização. -Respondeu sem tirar os olhos da tela de televisão.


-S/N: Nem um pouco modesto. Tá acabando com ele, Yuta?


-Yuta: É o meu objetivo, mas ele não é muito humilde.


-Mark: E aí, s/n, como foi a gravação? -Perguntou da sala enquanto eu bebia um copo de água na cozinha, mas não era motivo para problema na comunicação pois os dois cômodos eram em conceito aberto.


-S/N: Do filme ou da música? -Me aproximei do canadense.


-Mark: Pode ser os dois.


-S/N: O filme não foi muito cansativo. Hoje fomos pra Wonju e a maioria dos takes foi pro casal principal. Já sobre a gravação da demo, foi boa, mas ainda vão ser mudadas algumas coisas. Eu não fiquei sabendo de muito porque cheguei atrasada na reunião, mas aparentemente nada está caminhando para o lado negro da força.


Yunoh se levantou e pedi para que ele levasse meu copo para cozinha.


-Jaehyun: Mas como sabe se vou pra cozinha?


-S/N: E você vai?


-Jaehyun: É, eu vou…


-S/N: Então ótimo. -Lhe entreguei a peça de vidro e ele seguiu caminho. Decidi ir tomar um banho para me livrar de toda a tensão que castigava meu corpo.


Ao chegar em meu quarto, que agora parecia tão vazio sem a presença de Jungwoo, me sentei em minha cama ainda de toalha e peguei meu celular. Entrei na conversa com o chinês e rolei meus olhos para todas as aquelas chamadas não respondidas e ligações perdidas. Eu não sabia se deveria me preocupar ou apenas começar a ignorar a situação, deixar fluir como dizia minha almofada. Eu não sabia nem mesmo se tinha o direito de estar brava com ele porque eu não fazia ideia de qual eram as motivações de suas atitudes. Aqueles dias foram quase insuportáveis. Muito provavelmente eu poderia lidar melhor com seus motivos, quaisquer que fossem, do que me sentir abandonada por ele sem qualquer porquê. Ele havia me tirado o direito de sentir raiva, ódio, decepção, tristeza ou qualquer sentimento ruim por si apenas por tornar tudo uma tela em branco, sem espaço para interpretações.


Visualizei as mensagens de Quan Hong e nelas diziam:

“Agora que já provou por si só que suas convicções podem te enganar e que, sim, a melhor pessoa da sua vida está na Coreia do Sul, o que acha de tomar um sorvete comigo semana que vem?

Para não dizer que sou muito mau te deixo escolher o dia e a hora

Tenha um bom restante de dia, s/n"


Eu queria poder dar-lhe uma resposta, mas sabia que naquele momento tudo o que meus dedos digitariam seria um “não” e eu não podia deixar o meu estado de espírito transtornado nublar o meu processo de decisões, portanto não o respondi nada.

Coloquei meu pijama, prendi o cabelo e fui até a sala na esperança de encontrar os meninos, mas só havia um japonês nerd se embebedando.


-S/N: Cadê todo mundo? -Me sentei no sofá ao seu lado.


-Vitor: Cada um foi pro seu quarto. O dia deles foi bem ocupado.


-S/N: O meu também.


-Vitor: É, mas você dá um jeito. -O olhei incrédula. Ele só podia estar tirando uma com a minha cara.


-S/N: Vai se foder, seu merdinha.


-Vitor: Calma aí, calma aí. Eu tô só brincando, meu anjo, sei que tudo vem sendo espacialmente cansativo pra você. -Pausou o jogo. Quando ele fazia isso, era porque algo sério vinha por aí. -Você quer conversar?


-S/N: Por que tá me perguntando isso?


-Vitor: Qual é, s/n, eu te ouvi chorando ontem à noite e hoje pela manhã. Você tenta esconder, mas eu sei que tem alguma coisa errada, não quero que carregue isso tudo sozinha. -Passou suas mãos macias em meus fios úmidos.


-S/N: Não é questão de esconder ou não algo, é que como eu já disse essa minha rotina tá me sobrecarregando. E eu não sei se posso te falar sobre o que realmente vem me afetando porque eu também não sei o que tá acontecendo. Só não precisa achar que tem motivo pra se preocupar, as pessoas choram e ficam tristes, isso é normal, ninguém é 100% o tempo todo. -Expliquei de forma calma enquanto era observada pelos seus lindos olhos.


-Vitor: Tudo bem, não quero te pressionar a falar sobre nada, mas sempre que precisar, fala comigo. Eu não gosto de pensar que tem alguma coisa errada.


-S/N: Eu sei, mas agradeço muito o apoio. E o que você está bebendo, hein? -Mudei o rumo da conversa e apontei para a garrafa em cima da mesa de centro, embora eu já soubesse o que era.


-Vitor: Whiskey, Blak Label, quer?


-S/N: Achei que não fosse perguntar. Mas como conseguiu essa garrafa? Não é muito fácil achar em qualquer loja e em todo lugar que vende são rigorosos com as carteiras de identidade. -Além disso, aquelas garrafas eram bem caras, não que isso fosse problema para o Vitor, mas aumentava ainda mais a restrição para conseguir uma.


-Vitor: Meu pai que me deu. -Arqueei a sobrancelha e o olhei curiosa. Me entregou meio copo da bebida. -Chegou hoje. Ele sabe que eu gosto, então eu pedi e ele me deu, já que não posso comprar aqui em Seul.


-S/N: Seu pai além de te deixar beber, te compra Black Label? -Bebi dois goles da bebida que desceram rasgando pela minha garganta, mas sempre apreciei seu sabor.


-Vitor: Ele nunca me deixou passar da conta. Na maioria das vezes a gente bebia saquê, principalmente no Japão, e aí quando me apresentou o whiskey usou uma forma engraçada de dizer que se eu ficasse bêbado, então que não fosse na frente dele para minha mãe não suspeitar de nada. -Rio meio nostálgico, com um olhar que parecia observar o nada, mas que olhava direto para seu passado. -Sinto saudades dele. -Disse por fim.


-S/N: Seu pai deve ser uma pessoa muito boa. O que acha de nos embebedarmos essa noite em sua homenagem?


-Vitor: Olha, se amanhã acordarmos de ressaca e formos pegos eu juro que jogo a culpa toda em cima de você e digo que fui coagido.


-S/N: Minha a garrafa não é. -Ambos rimos e com agora mais um copo a mesa, uma garrafa sendo estreada por dois adolescentes inconsequentes e uma série de boas histórias para contar, se iniciou a nossa primeira noite tomando um porre só nós dois juntos.



                     …..



-S/N: E aí, depois disso eu caí do sofá direto no chão e fiquei com as costas doendo por uma semana. -Ao mesmo tempo nós dois desabamos em risadas quando terminei de contar a história de quando briguei com a Yerim por um pacote de tteokbokki que já havia passado da validade.


-Vitor: Eu e o Jungseok tínhamos prazer em irritar a Yerim e em um dia, durante a aula a canto, infernizamos tanto a garota que na hora da saída ela pôs o pé na frente do menino pra ele tropeçar e ele caiu de joelhos na frente do próprio Lee Soo Man! -O olhei estarrecida por alguns segundos depois de organizar em minha cabeça as palavras emboladas que haviam escapado de sua boca e quando me toquei mais risos histéricos tomaram conta daquela sala.


A garrafa já estava perto de seu fim e em contrapartida havíamos perdido a cabeça.

Depois de rirmos até perdermos o fôlego continuamos calados bebericando alguns pequenos goles do líquido que àquela altura já tinha seu sabor amargo imperceptível.


-Vitor: Eu, eu posso te confessar uma coisa? -Olhei para sua cara inchada e vermelha. Ele dava risadas do nada e não era difícil apostar que ele havia fumado um baseado por conta de seus olhos lentos e vermelhos.


-S/N: Pode, pode mas aí eu já não prometo te confessar alguma coisa também, hein! Sabe como é, né, sou bem… misteriosa. -Bati em seu ombro sem qualquer motivo.


-Vitor: É, okay, beleza. Eu, Nagasawa Hiroshi, sempre tive uma quedinha por você.


-S/N: Eu sempre tive por você também, mas não foi suficiente pra roubar meu, oh -Apontei pro meu órgão cardíaco. -Coração. -Brinquei com sua afirmação.


-Vitor: Eu falo sério, caralho. -Apontou para mim e mexeu o dedo indicador para cima e para baixo. -Eu gostei de outras pessoas desde que cheguei aqui, mas sempre tive interesse em você, sua feia.


-S/N: Já posso me declarar como rainha deles. Agora, vamos, eu te levo no colinho pro seu quarto. -Me levantei com certa dificuldade para manter o equilíbrio e ignorei por completo suas palavras, o álcool não me deixava pensar de forma lúcida acerca da situação.


Puxei o seu braço e acabei caindo por cima da garoto. Me levantei mais uma vez o puxei para se levantar. Apoei uma mão em suas costas e a outra em suas pernas, mas ao fazer força para o levantar caímos os dois no chão.


No momento mal parei para pensar em como ninguém ainda havia aparecido para verificar a confusão que havíamos criado.


-Vitor: Eu me declaro e você tenta me matar. -Choramigou e deu tapas no assoalho de madeira.


-S/N: Sobe nas minhas costas. -Me levantei e puxei o japonês novamente.


Me abaixei e então o garoto subiu em minhas costas e depois de cambalear de um lado para o outro e bater sem querer seu corpo nas paredes finalmente chegamos em seu quarto e o joguei em sua cama como um saco de arroz.

Só então notei que as duas camas haviam sumido e dado lugar a outra king-size. Aquele móvel era enorme.


Me curvei até ele e acariciei seus fios lisos e enegrecidos.


-S/N: Dorme bem. -Me levantei para sair do quarto mas ele puxou meu pulso.


-Vitor: Dorme comigo essa noite. -Pediu com a voz meio sonolenta.


Eu não sabia o que pensar. Algo em mim me dizia que ali estava meu amigo, uma pessoa que por mais que já tivesse tido meus momentos nunca tive desejos por si e que talvez poderia me arrepender. Mas também algo me pedia para ficar, eu não podia me enganar, a vontade estava escancarada e talvez eu odiasse admitir, mas nada me impedia, eu era uma garota sem qualquer tipo de compromisso com mais ninguém.

Ponderei o máximo que meu raciocínio conseguia trabalhar em vista de meu estado e então me livrei seu toque. Ouvi um murmuro seu e andei até a porta, levantei o braço e desliguei o interruptor.


Me deitei ao seu lado e não demorou muito para que um beijo lento e bom, todos seus beijos eram sempre bons, se iniciasse. O gosto de álcool de nossas bocas foi a última de nossas preocupações quando nos demos conta da forma sensacional em que nossos movimentos pareciam se encaixar. Seu corpo estava tão quente que parecia febril e mesmo vendo tão pouco de sua face, tive a certeza que suas expressões entregavam grande satisfação.

Mãos ansiosas entraram em cena depois de alisarem todos os locais possíveis por cima de nossas roupas, era hora de tirá-las. Lenta e suavemente cada peça fora retirada e logo só tínhamos nossos corpos nus e nossa impulsividade em cima daquela cama.


Seus gestos e ações a partir dali entorpeceram todos meus sentidos. Se antes eu dissera haver um lado meu que hesitava em responder aos meus estímulos sexuais esse lado já não existia mais. Meu único fio de consciência responsável pelo meus pensamentos lúcidos em meio as sensações terrivelmente gostosas que estava tendo contato simplesmente me dera adeus quando seus lábios voltaram a beijar-me e não me refiro à minha boca.


Mal podia acreditar na energia que meu corpo possuía mesmo em meio a tanta sonolência e de pouco me recordo dessa noite, mas nunca serei capaz de me esquecer da intensidade que explodiu meu corpo em prazer quando ambos atingimos o ápice.



Aquela madrugada parecia um sonho, não um sonho em alusão à acontecimentos maravilhosos, mas simplesmente um sonho que temos ao dormir. Nada me parecia real e ao estar deitada em minha cama e sentir os raios solares iluminarem meu quarto tive certeza de que tudo acabou depois da bebida, já que minha cabeça latejante estava lá para provar. Abri os olhos lentamente e respirei fundo, apenas conseguia pensar no dia cansativo que teria mais uma vez.

No entanto, a medida em que minha mente ia desanuviando e meu corpo já sentia os efeitos do sono passando uma estranheza tomou conta de mim quando notei que aquela cama era diferente da minha, muito mais confortável, olhei novamente para o chão e encontrei meu sutiã e meu short do pijama jogados como panos velhos, eu nunca largava minhas roupas assim. E quando o que pareceu fazer parte apenas de sonho foi tomando cada vez mais nuances que entregavam sua veracidade, um frio surgiu na espinha e o medo de me virar para o outro lado do móvel de dormir tomou conta de meu corpo, e ao ver minhas peças largadas e sentir um ar fresco até demais atingir certas partes da minha pele tive que admitir estar completamente nua.


Levantei meu tronco lentamente e mais lentamente ainda me virei para o lado já sabendo o que estaria lá, mas torcendo para não estar. Infelizmente estava. Vitor dormia como um anjo e ao julgar pelos seus braços e peito a mostra também estava nu, mas isso não era novidade. Cubri a boca com a mão antes que um grito de surpresa passasse por ela. De pouca coisa me recordava da madrugada, mas a bagunça do quarto e a bagunça maior ainda de minha cabeça foi suficiente para juntar os pontos… eu de fato havia dormido com meu amigo.


-S/N: Meu Deus, meu Deus, meu Deus. O que eu fiz? Minha nossa. Que horas são agora? E, meu Deus eu tranquei a porta? Não me lembro, eu preciso ver isso logo antes que-


Murmurava como uma doente psiquiátrica, mas antes mesmo que a ação de me levantar e verificar se a porta estava fechada fosse tomada a mesma se abre e ninguém menos que Jung Yunoh é avistado pelos meus olhos.


-Jaehyun: Hiroshi, você tá muito atrasado, vamos. -Ouço sua voz detrás da porta não pude nem mesmo gritar para que ele não abrisse, a ação já havia sido realizada. -O WayV já cheg- puta que pariu.


-S/N: Yunoh, nã-! -Rapidamente ele fechou a porta. Me encontrava tão surpresa quanto ele, não conseguia nem mesmo pensar no alívio que senti assim que a porta se fechou ou no desespero quando abriu.


Ouvi algumas vozes no corredor incluindo a de um Jaehyun desesperado para que não entrassem no quarto. De um instante a outro eu identifiquei as vozes e porra, a do Yukhei era uma delas, justo a do Yukhei. Ele queria saber onde estava algum objeto seu ou algo do tipo que não estava em seu novo dormitório.

Eu não sabia como a situação poderia se afundar mais.


Em um relampejo de luz tomo a atitude de sair pelo quarto pescando minhas roupas e as vestindo de qualquer jeito, eu poderia facilmente ser confundida com uma moradora de rua.


Quando eu pensei que pior aquele cenário não poderia ficar, descobri da pior maneira que confiei demais no coreano como o guarda-costas daquela porta e assim que exerço a ação de colocar as alças do sutiã sobre meus ombros ele abre a maldita porta, isso mesmo, ele. Meu desespero para me vestir era tanto que a última coisa em que pensei foi em usar aquela tranca para que novamente ninguém tivesse que me encontrar naquele estado. E naquele estado eu digo: apenas de calcinha e sutiã e com um homem aparentemente morto e coberto apenas por um edredom em cima da cama.


-Yukhei: Mesmo se ele estiver pelado eu não sou do tipo que me impressiono fácil, acredit- -Sua fala fora cortada exatamente do mesmo modo como a de Yunoh ao olhar para mim, depois para a pessoa jogada na cama e enfim avaliar todo o cenário.


Sua expressão era a mesma que a do coreano e do XiaoJun atrás de si. A diferença era que ele não soube como processar a cena que seus olhos viam e eu também não. Passaram-se segundos que tinham duração de uma eternidade até que Yunoh tomasse a frente e por si só tornasse a fechar a porta.

Foi então que eu percebi o quão errada havia sido aquela noite e o quanto isso iria me atormentar. Eu não conseguia pensar em mais nada além de terminar de me vestir e mesmo depois de tê-lo feito eu me sentia nua, não fisicamente, mas interiormente, da pior forma possível.


Meu primeiro pensamento foi fugir daquele quarto e correr para o meu que só era duas portas a frente, mas Yunoh disse que Vitor estava atrasado e eu não podia continuar deixando aquele garoto desmaiado, mesmo que sentisse vontade de asfixiá-lo com um de seus travesseiros maravilhosos por me convencer a dormir com ele.

Não queria ter que falar qualquer coisa com ele naquele exato momento, então peguei seu relógio despertador e programei para um minuto depois. Foi o tempo de eu pegar minhas meias e sair daquele quarto que tinha o meu cheiro e o dele juntos muito presente, que droga!


Cheguei em minhha cama, me sentei e passei minha mão pelos meus fios bagunçados. Eu sentia uma aflição gigante me sufocar toda vez que ficava estática em um lugar e cada vez mais minha memória ia diminuindo a distância entre mim e o não lembrado. Minhas lembranças da última noite eram nubladas, mas cada vez mais eu sentia toques, sensações e me recordava de sons que se tornaram minha nova tortura, porque eu havia gostado tanto. Quanto mais eu lembrava mais eu gostava eu conseguia me sentir mais culpada. Culpada pelo quê? Eu não sabia!!


Me levantei em um pulo quando lembrei que estava de dia, mas eu deveria ter acordado às 6 da manhã, quando o sol ainda estaria nascendo. Eu não fazia ideia de onde estava meu celular e tive medo de olhar para o relógio digital no criado-mudo e olhar as horas, porque eu sabia que definitivamente não devia estar lá, mas não queria ter que confirmar.

De qualquer forma, olhei para o visor… 7:54. Imediatamente eu corri para o banheiro, dando graças a Deus por ele estar livre, tomei uma ducha de menos de 4 minutos e corri para meu quarto. Peguei a primeira calça, camiseta e blusa de frio que vi pela frente. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo de dar pena porque estava pingando água, embaraçado e nem todos os frios ficavam presos devido ao seu tamanho. Corri para a sala e Vitor estava tomando um copo gelado de água, sua expressão entregava que ele estava em uma ressaca horrível e além disso alguns olhares me observavam curiosos e pior ainda, silenciosos.

Fui atrás do meu celular, mas, para minha sorte, a bateria havia acabado.


-Vitor: S/n, é… eu posso falar com voc- -Se aproximou de mim lentamente com os olhos quase fechados.


-S/N: Não, não pode. Olha só. -Corri para o armário de calçados e peguei o primeiro tênis da Nike que vi, não sabia nem mesmo se era meu. -Eu tô muito atrasada agora, então, por favor, eu só preciso sumir daqui. -Terminei de calçá-los, estavam grandes então realmente não eram meus, e saí daquele dormitório antes que eu sentisse as paredes me expremerem e o teto caísse sobre mim.


Peguei o primeiro táxi vago que cruzou meu campo visão e quando eu estava no meio do caminho me lembrei do que havia esquecido, meu crachá de identificação da SBS estava em casa! Não podia e nem queria voltar. Já não estava mais nem em Seul.


Ao chegar na empresa eu tive que esperar o guarda ligar para administração para saber que eu era eu mesma e me liberaram. Ao pisar os pés na sede o meu supervisor chega até mim e me lança um sermão de mais de 20 minutos.

Ele estava tão bravo e minha mentalidade estava tão abalada que comecei a chorar sem nem ter certeza do motivo.


Finalmente eu fui encaminhada para o camarim e posteriormente para o set.


Aquele dia fora péssimo para mim, eu não conseguia manter a cabeça no lugar para me concentrar. Foram poucas as cenas que fiz que puderam ser usadas e eu estava me sentindo horrível por ter sido tão improdutiva.


O fim do dia havia finalmente chegado, só que eu tinha plena certeza de que algo muito pior do que esporro do meu superior e uma sequência de takes frustrados me esperava em casa. Quanto mais os metros entre Wonju e meu dormitório diminuíam mais o nervosismo me atacava, eu estava inquieta, ansiosa, com medo.

Pisei no chão de minha casa às 20h30, guardei o tênis de quem quer que fosse no lugar onde havia encontrado e fui direto para meu quarto. Ao abrir a porta encontrei Vitor sentado na antiga cama de Jungwoo mexendo em seu iPhone. Por um momento me ocorreu a ideia de fingir que errei de quarto e fechar a porta para evitá-lo, mas ele notou minha presença infelizmente rápido demais.


-Vitor: Minha nossa, você está viva! Eu te mandei algumas mensagens porque sabia que não podia atender minhas ligações, mas você não respondeu nenhuma delas. -Se levantou e se aproximou de mim preocupado.


-S/N: O que faz no meu quarto? -Me desviei de si e larguei minha blusa de frio na cama.


-Vitor: Eu estava te esperando. Acho que a gente precisa conversar sobre o que aconteceu e pelo que te conheço você não iria até mim para isso.


-S/N: Olha, Vitor. -Me direcionei a ele e respirei fundo. -Eu não lembro de muita coisa do que houve e aposto que você também não, mas ambos sabemos o que fizemos. Eu só acho que cometi um erro, eu não pensei direito, você não pensou e o que quer que tenhamos feito é melhor ser esquecido.


-Vitor: Espera um momento, por que você se incomoda tanto por termos transado? Você por acaso sente vergonha disso? Se arrepende? -Ele parecia confuso, perdido em si mesmo, mas podia sentir um amargor em sua fala, como se estivesse odiando pensar que as respostas para as suas perguntas pudessem ser “sim".


-S/N: Não me entenda mal. Eu não sinto vergonha, mas, sim, me sinto incomodada com a ideia de ter dormido com você por motivos que talvez você não entenderia.


-Vitor: E quais motivos são esses? Eu não consigo te entender, se você não queria era só ter negado na hora, nunca te obriguei a nada. -Eu poderia estar me confundindo e meus olhos pregando peças em mim, mas o Vitor estava com a voz embargada, ele queria chorar?


-S/N: Calma, se acalma, por favor. Eu sei o que fiz e sei que quis isso, mas na hora eu não pensei que você já namorou uma amiga minha, que seu melhor amigo já gostou de mim e que… que, eu não sei por quê, mas a todo momento a imagem do Yukhei vem à minha cabeça. -Andei de um lado para o outro angustiada demais para olhar diretamente para seu rosto. -Eu não posso te dizer que me arrependi, mas acho que foi o momento errado. Estávamos reféns do álcool e isso não nos deixou pensar direito.


-Vitor: Talvez esse seja o seu pensamento, mas eu nunca menti em dizer que sempre te desejei desde que te conheci, mas só ontem tive a coragem de dizer. Eu te amo muito como a amiga maravilhosa que você sempre foi pra mim, estando comigo quando eu mais precisei, mas eu só cansei de ficar oprimindo o que sentia. -Antes que uma lágrima escapasse pelo canto esquerdo de seu olho, ele passou a mão em seu rosto e a levou embora.


-S/N: Deixe-me entender, você gosta de mim?


-Vitor: Não sei, só tinha vontade de estar com você, ficar com você. -Se aproximou de mim tristonho e vê-lo assim apertava-me tanto o coração.


-S/N: De onde eu venho isso se chama tesão. Sabe, Vitor, -Coloquei a mão em seu ombro. -Você foi e ainda é umas das melhores coisas que já me aconteceu, e odeio admitir mas uma das minhas melhores fodas também. -Ele soltou um riso soprado de pura satisfação. -Mas eu quero poder continuar te vendo como um amigo. Não quero que as coisas acabem se confundindo e quando eu menos esperar a nossa amizade foi pro saco. Não quero te perder por conta de uma atitude que tomamos sem pensarmos bem. Aposto que nem mesmo você tinha total certeza do que fazia.


-O mais alto partiu para um abraço apertado e aconchegante. Por meio do gesto quase pude sentir o quanto toda a nossa amizade era importante para ele.


-Vitor: Eu prometo que o que fizemos nunca vai interferir em como eu sempre te vi, a melhor amiga que já tive. Talvez você esteja certa e a nossa decisão realmente foi precipitada, mas tenha certeza de que eu nunca me arrependi e nem vou, porque amei ter você em meus braços mesmo que por poucos momentos. -Respirei fundo quando o ouvi dizer aquilo, porque eu sentia que mesmo que as sensações para ambos tivessem sido as mesmas eu sabia que havia um significado a mais para ele e eu nunca poderia atender a isso, mas estava profundamente aliviada por saber que mesmo isso não seria suficiente para nos afetar. Se separou do abraço e me observou calado por alguns segundos. -Você sempre vai continuar sendo a minha amiga, desde o dia em que fui até você para me apresentar até o último de nossas vidas, nada, nem mesmo uma foda insana, vai mudar isso. -Liberou seu sorriso perfeito e fiz o mesmo.


Ele nunca teria ideia do peso que havia retirado de minhas costas.


-S/N: Ah, qual é! Eu fui tão boa assim? Cuidado que posso começar a ficar arrogante. -Brinquei.


-Vitor: É, até que você surpreende um pouco. -Deu de ombros, como se fizesse pouco caso, mas mal lembrava ele dos gemidos roucos que teve por minha causa.


-S/N: Hum, não espere um elogio vindo de mim, não vou fazer um. -Dei de ombros também e cruzei os braços.


-Vitor: Não precisa, eu sei que sou bom no que faço. -Concluiu sua massagem em seu próprio ego. Começou a se afastar de mim aos poucos, andando de costas até a porta. -E como você fez mesmo? Ah, sim “Nossa, ain, não para. Eu nunca tinha sentido isso antes.” -Imitou-me descaradamente. Pois eu peguei o primeiro travesseiro que vi joguei nele antes que saísse e fechasse a porta.


Me sentei em minha cama ainda rindo de suas palhaçadas e só quando o efeito alucinante da presença de Nagasawa Hiroshi se dissipou eu percebi que meus problemas ainda não haviam sido resolvidos e que eu precisava de explicações de um certo alguém que fingiu minha inexistência por quase um mês completo.


Guardei minha blusa de frio e fui até a cozinha beber um copo de água gelada. Depois das emoções em que havia sido exposta durante todo o dia, nada melhor do que um copo de água gelada para refrescar a mente.

Enquanto olhava para o fogão e pensava no que poderia preparar para eu e os meninos comerem e corria o dedo indicador pelo pela boca do copo de vidro vazio, sinto uma presença se aproximar de mim e eu já sabia a quem pertencia.


-Yukhei: S/n, eu acho que-


-S/N: Não, não, você não acha merda nenhuma. Você perdeu todo esse direito quando teve a coragem de me ignorar um mês inteiro! -Me distanciei dele. Ali pude notar que acima de qualquer sentimento de preocupação, dor ou medo que eu podia ter sentido por ele havia dado lugar a uma raiva extrema. Se algum dia eu já disse estar morrendo de raiva de raiva de alguém, esse dia não se compara a agora.


-Yukhei: Fica calma, s/n, eu só estou te pedindo isso. -Sua voz era mansa, mais do que o normal.


-S/N: E por quê, hein? Você tem noção de como foi passar todos esses dias sem ter ideia do que havia acontecido com você pra agir assim? Ninguém me contava nada! E você não teve a mínima decência de responder sequer uma mensagem minha, nem para dizer se estava bem! E agora tem a puta audácia de se aproximar de mim e pedir calma? -Minhas mãos tremiam de ódio e meus olhos estavam molhados com lágrimas que não estavam ali por nenhum motivo de tristeza, mas, sim, decepção.


-Yukhei: E por não ter notícias minhas você foi afogar sua preocupação na cama de outro? -Eu demorei alguns pouco segundos para processar as suas palavras e juntá-las em minha cabeça e quando o fiz a minha mão perdeu o controle e foi parar no meio de seu rosto, um tapa ardido com um barulho agudo que ecoou pelos meus ouvidos e pelo resto de todo o cômodo.


-Taeyong: Escuta aqui, gente… -Se aproximou da cozinha, do outro lado da ilha. Me lembrei de que haviam outras pessoas no recinto, mas não me importava de qualquer forma.


-S/N: Não, Taeyong, não. Eu admiro seus esforços em tentar sempre consertar as coisas, mas dessa vez fica fora disso. -Argumentei sem tirar os olhos do rosto surpreso do chinês.


Taeyong balançou a cabeça em reprovação e foi em direção a porta de saída do dormitório.


-S/N: Você, me escute bem, não tem o direito de falar assim comigo. Você perdeu tudo isso depois de me comer no meu quarto, dizer que me amava e depois ir embora e não falar mais nada comigo. -Abaixei meu tom de voz e me aproximei de si, mas a quebra de distância entre nós não diminuía o desprezo que sentia de suas ações.


-Yukhei: Eu tenho meus motivos pra isso. -Uma lágrima escapou de seus olhos e ele desviou o olhar para algum outro lugar que não fosse meu rosto.


-S/N: Louvável. Quais são?


Sem fazer contato visual comigo Yukhei finalmente se pronunciou, uma pena que depois de tanta insistência minha eu tenha entendido o porquê de sua demora em simplesmente ser franco, ele sabia que descobrir seus motivos fosse por ligação ou mensagem de texto seria mais doloroso do que ouvir de sua própria boca, mas ainda assim eu desejaria nunca ter ouvido nada. Preferiria lidar com a dúvida e só então descobri porque as pessoas chamam isso de benefício, porque a certeza corrói muito mais. E infelizmente o preço que paguei por saber a verdade não foi barato, uma parte de meu coração foi levada.


-Yukhei: Eu estou namorando a Eunhye e, olha, agora que voltei com ela, nada mais justo do que acabarmos com qualquer relação que temos além da profissional. -Yukhei ditou cada sílaba sem olhar em meus olhos em nenhum momento. Eu apostaria que ele estava mentindo, mas suas lágrimas pareciam exteriorizar uma dor que nem mesmo eu era capaz de sentir.


No entanto eu só podia estar o julgando erroneamente. Por que lhe doeria tanto dizer que estava em uma outra relação? Ele devia ter seus próprios motivos e querendo eu ou não, esses motivos em nada tinham mais a ver comigo.


-S/N: Então é isso? Porque você voltou com aquela mulher depois de dizer o quanto ela era horrível, não podia me responder mais? Também disse para os meninos esconderem de mim? -Me apoiei na ilha o olhei minhas lágrimas pingarem uma por uma sobre o quartzo. -Sabe, isso parece tão hipócrita que nem consigo conciliar as coisas. Você espera se livrar de mim para ir pros braços de outra mulher e tem a coragem de me julgar por ter dormido com outra pessoa?


-Yukhei: Eu não queria que soubesse por outra pessoa e não quis continuar contato por mensagem. E, olha, eu agi por impulso, afinal, agora você é uma pessoa livre pra fazer o que quiser, não é mesmo? -Eu podia jurar que aquela pessoa que dizia tais absurdos na minha frente não era Wong Yukhei de forma alguma.


-S/N: Eu não consigo acreditar no quão ridículo você consegue ser. -Me virei para ele. -Eu sei que não tínhamos mais um namoro, mas você disse que me amava, como pode iniciar algo com outra assim que sai do país? Ou foi tudo uma mentira?


-Meu coração estava tão estraçalhado, tão machucado que nem mesmo me doía mais, só me causava uma agonia interminável. Tudo de repente perdeu seu sentido, eu procurava porques para minhas dúvidas, mas nada se encaixava mais, eu não sabia raciocinar mais nada. Acabara de ser ferida de modo que nada mais poderia me curar.


-Yukhei: Não, não foi tudo mentira. Eu só… eu só… eu só não te amo mais.


-S/N: Olha nos meus olhos e repete isso que acabou de dizer. -Me aproximei relutante dele, eu precisava que ele olhasse no mais profundo dos meus olhos para que eu tivesse certeza de que havia alguma verdade no meio de afirmações tão sem sentido.


Yukhei fechou seus olhos por alguns segundos e então olhou para mim sério, olhou para mim como nunca antes, em uma intensidade que revirou meus órgãos e me fez ter certeza de que qualquer coisa que ele pudesse dizer dali para frente eram reais.


-Yukhei: Eu, Huang Xuxi, não te amo mais, s/n. -Sua frase fora demasiadamente consistente. Ele parecia ter ensaiado aquilo por dias, mas de qualquer forma era real, tudo o que tivemos até então havia marcado seu trágico fim.


-S/N: Eu, s/n, te odeio com todas as minhas forças, Huang Xuxi. -Segurei o choro o máximo que pude, juntei o que restava de minhas forças, agarrei o pingente do colar que ele me presenteara na noite de nosso primeiro beijo e o arranquei de meu pescoço. Yukhei se impressionou com tal atitude, mas àquela altura isso pouco me importava, então o larguei no balcão ao seu lado. Me livrei de seu olhar antes que ele destruísse tudo o que sobrara do estrago que suas palavras afiadas como lâminas de diamante haviam causado.


Corri para fora daquele apartamento e desci as escadas enquanto uma série de flashbacks cruzavam minhas memórias. Das mais bonitas as mais dolorosas, um emaranhado da curta história que tive com a pessoa que me levou a dois extremos, que me fez conhecer o mais bonito do amor e o mais sofrido da dor.


Em pouco tempo ao seu lado pude assistir a minha vida ser radicalizada, eu não era a mesma pessoa que havia pisado os pés naquele país e graças a ele nunca mais voltaria a ser.


Me recordei também, quando entrei no saguão do prédio, de todas as vezes em que eu me perguntei se ele valia a pena, se tudo aquilo valia a pena. Eu era uma garota muito nova que estava tendo muitas primeiras vezes uma atrás da outra e o excesso de informação me fez questionar se no fim de tudo ainda era correto o que fazíamos, mas então, em uma noite chuvosa quando eu sentia meu peito tranbordar de saudade de sua presença, concluí que o amor nunca vem em pacotes convenientes. Nem sempre sairemos felizes de situações em que só queríamos que tudo desse certo, e no fim só nos resta aceitar que nada mais representa a vida do que esses escorregas que sempre levamos.


Parecia até que estava em meus últimos minutos de vida vendo toda minha vida amorosa consigo passar como filme bem diante de mim e aí abruptamente o filme se encerrou, sem muitas explicações e uma infinidade de pontas soltas, mas eu já havia aprendido que as incógnitas da vida vão estar presentes até mesmo nos menores detalhes. Eu não só conseguia compreender, nada mais fazia sentido. Não me bastavam os dolorosos “eu não te amo mais" para acreditar que toda aquela história no fundo tinha um final tão trivial.


Eu pensava ter perdido mais uma parte de mim enquanto cruzava o largo corredor entre prédios até que Chanyeol para bem à minha frente. Ele observa meu rosto pálido que segura bravamente uma onda de prantos e assim que ele percebe o quão frágil estou, abre seus braços para um abraço e eu simplesmente desabo ali, bem na sua frente, como uma criança.


E meu fim de noite se inicia dessa forma, sentada em um banco de pedra abraçada por um amigo que em nenhum momento disse uma palavra sequer, apenas me ouvia chorar e libertar aquela dor que finalmente chegou e varreu todas as convicções que um dia eu tive acerca de quem eu admiti amar para todo o sempre.





“Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal.”

-Oscar Wilde



Notas Finais


Calmaaa!! Tudo nessa vida tem um porquê. Yukhei definitivamente está escondendo algo, agora o que será? Mas, sim, o relacionamento deles realmente acabou, it's over... só que isso é um ponto final na história dos dois? Não, gente, eu não sou tão má assim kkkkkk

AVISO IMPORTANTE
A história agora vai dar um salto de 3 anos e meio, ou seja, s/n já vai ser maior de idade, MUITA coisa vai ter acontecido, mas, tudo bem, vão haver flashbaks pra explicar o gap que foi deixado nesse meio tempo.
Então, sim, pode ser declarada a nova, e a última, era de Best Of Me.

Foi isso. Se cuidem, lavem as mãos e até a próxima =)


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