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História The Blind Autumn (Vhope) - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 4


4 – 2 DE OUTUBRO

 

Hoseok estava andando atrás de seu pai, sentindo-se incomodado com o sermão que ele o dava, enquanto iam andando pelos corredores da faculdade.

— E seus amigos, Hoseok? — seu pai perguntou com um tom de voz bem debochado.

— Você fez eles se afastarem de mim, sabia? — Hoseok respondeu um pouco ácido. — Eles acham que não é legal e é vergonhoso trabalhar em uma cafeteria vestindo um avental de florzinhas.

— Ótimo! — seu pai comemorou. — Eu não gostava nenhum pouco deles. Trabalhar não é vergonhoso para ninguém, certo? Quando morei nos Estados Unidos para estudar, também lavei banheiros e servi pessoas e isso nunca me fez ser menor que ninguém, ao contrário, só me fez evoluir mais.

— Eu já sou bem de vida, pai. — Hoseok reclamou. — Eu prometo não fazer mais nada, porém é horrível trabalhar lá com todas as pessoas me julgando!

— Se tivesse sido uma pessoa legal com todos desde o começo, as pessoas iam lá para te ver como um amigo e não como uma pessoa para eles rirem. — seu pai jogou verdades na sua cara mais uma vez. — Hoseok, aprenda que não é porque você é um dos jovens mais ricos da Ásia que você pode ser soberbo do jeito que está. Ninguém cresce sozinho, ninguém é nada sozinho e principalmente, você não sabe o dia de amanhã. Nós podemos perder tudo que temos e virarmos uma das pessoas mais pobres. Seja legal com todos ao seu redor, até aquela pessoa que você acha inútil.

— Claro. Eu tento...

— Tenta? É para você conseguir, sim? — ele disse, chamando o elevador. — Matthew mesmo não sendo tão rico quanto você, é uma das melhores pessoas jovens que conheci, enquanto você está se tornando uma das piores e tudo para pagar de "descolado" na faculdade. Para mim o nome disso é ser trouxa! E agora está se tornando o saco de pancadas deles. Toma cuidado para eles não atropelarem você e deixá-lo sem andar.

— Os meus dias estão sendo bem difíceis e você ainda vem me jogar tudo que não gosta em mim na cara? Não bastou você ter brigado comigo pelo telefone? Eu não já estou fazendo tudo o que você quer?

— É para fazer e aprender. — eles entraram no elevador, onde Taehyung se encontrava junto a Jimin. — Eu quero que mude o que é por dentro e não por fora.

— Você vai brigar comigo mesmo na frente das outras pessoas? — Hoseok perguntou, virando o rosto para não encarar as duas pessoas na outra ponta do elevador. — Não é apropriado para uma pessoa do seu nível.

— Você não vai se livrar de mim hoje, entendeu?

— Eu vou trabalhar!

— Então eu estou indo lá, e você me servirá. — o elevador parou no andar da reitoria. — Eu espero que seu comportamento tenha mudado nesse tempo. — seu pai saiu do elevador, deixando os três sozinhos.

— Eita! Nem seu pai está suportando o filhinho, né? — Jimin provocou. — Isso diz muito sobre a pessoa.

— Jimin, me deixa em paz! — Hoseok passou a mão na cabeça. — Você vai ficar me enchendo o saco também? Saiba que você está se igualando a mim.

— Para de me igualar, eu preciso ser bem mais baixo do que isso! A mulher que você atropelou, ela morreu? — ele jogou na cara o acontecimento.

— Para sua infelicidade de jogar na minha cara, não! — deu uma risada. — Jimin, me deixa e vai atrás do seu namorado, vai!

— Ele está com os amigos dele, diferente de você, que tem nenhum.

— Jimin, não dê atenção para quem não merece. — Taehyung falou pela primeira vez. — Finge que não o vê.

Hoseok engoliu em seco e o elevador parou no térreo onde os três sairiam. O mais velho tentou passar na frente dos dois, porém Jimin o impediu.

— Deveria deixar as pessoas com dificuldades passar antes. É educado, chique e ético. Acho que você deve ter aprendido isso quando era pequeno. — Jimin segurou a porta para Taehyung passar, o que deixou Hoseok bem mais irritado.

Ele andou a passos largos na frente dos dois. Tinha certeza que iriam para a cafeteria e queria pegar uma mesa que não fosse a deles. Quando chegou lá, Somin estava no lugar de Jiwoo.

— Três minutos atrasado, oppa. — a garota falou.

— Desculpa, Somin, mas meu pai está por aqui e ele...

— Brigou com você? — Somin riu. — Não ligo mesmo, vai trabalhar, pois só tem nós dois aqui hoje, então boa sorte para nós.

— Cadê os outros?

— Jiwoo não se sentiu bem e os dois meninos a levaram para a enfermaria.

— Tomara que não seja um bebezinho, né?

— Se for, vai ser bem-criado, mas tão bem-criado, que não vai ter chance alguma de se tornar uma pessoa que nem você.

Hoseok fechou os olhos, controlando-se para não dizer algo para a garota. Ele viu que Taehyung entrou sozinho no lugar e lembrou-se que ele não estava querendo nem que ele o atendesse. Como sempre, ele sentou-se no mesmo lugar do primeiro dia que o viu.

— Somin?

— Fala.

— Você poderia atender ele? É que ele não quer ser atendido por mim...

— Claro que não. — ela riu. — Euvou fazer os pedidos, ou Matthew já te ensinou como fazer?

— Ele vai embora.

— E você ganhará menos. — ela deu de ombros. — Sabe que seu salário é de acordo com as mesas que atende.

Aquele era definitivamente o dia que tiraram para fazê-lo se sentir uma coisa descartável no mundo. Ele pegou suas coisas, indo em direção à mesa.

— Eu já disse que não quero que você se aproxime de mim. — Taehyung disse.

Hoseok ainda se impressionava com a capacidade do outro reconhecê-lo apenas com o seu jeito de andar.

— Me desculpa, porém hoje só tem eu aqui. Não tenho o que fazer...

— Pode trazer o mesmo de sempre, então.

— Não cansa de comer a mesma coisa todos os dias? — Hoseok perguntou.

— Não é da sua conta. — Taehyung foi direto. — Faz seu trabalho quieto.

— Perdão.

Hoseok saiu um pouco magoado de lá, deixando Taehyung sozinho. Tateando a mesa lisa e fria, o garoto sentiu-se bem e mal ao mesmo tempo. Bem por ter tratado Hoseok da forma que ele merecia, e mal por ter sido tão grosso com alguma pessoa, coisa que ele costumava ser nas intimidades e brincadeiras com seus próprios amigos.

Os ouvidos espertos dele conseguiram ouvir uma chuva fina que tinha no lado de fora. E ele sequer tinha trazido um guarda-chuva. Pelo menos, ele esperava que Jimin fosse rápido no que fosse fazer fora da universidade para poder buscá-lo. Ele virou-se de lado para pegar sua bolsa, à procura de seu celular para mandar uma mensagem para alguém que estivesse disposto a ajudá-lo trazendo um guarda-chuva para poder voltar para a aula sem se molhar.

— Bom apetite. — Hoseok disse, colocando o pedido no mesmo lugar que ele preferia.

Taehyung achava que a voz dele estava mais baixa e fraca do que o normal, mas fingiu não ligar. Ele continuou procurando o que queria e quando achou, percebeu que estava com o fone de ouvido. Assim que conseguiu tirá-lo, ele pediu para o identificador de voz ligar para Jimin.

Oi, Tae. — Jimin atendeu rapidamente.

— Onde você está? Eu preciso de um guarda-chuva.

Onde você está?

— Na cafeteria, comendo algo antes de voltar para a aula.

Tae, eu vou apressar o Jungkook aqui para irmos te buscar. Só que tem muito trânsito. Se não chegarmos a tempo, você pode pedir para alguém te levar até lá.

— Acontece que aqui trabalhando hoje só tem aquele menino... o Hobi...

Hoseok? Pede para ele chamar Jiwoo ou a Somin, não deve ter só ele trabalhando no local.

— Certo. Mesmo assim, obrigado.

Eu te ligo quando tiver chegando, ok?

— Ok. Tchau.

Taehyung desligou o celular, indo comer logo.

Assim que terminou de comer, Taehyung levantou a mão. Hoseok, que atendia outra mesa, passou rapidamente pela mesa dele.

— Pode ir, eu já sei que é para colocar na conta.

— Poderia chamar a Jiwoo? Somin? Alguém?

— Não me leve a mal, mas só tem Somin e eu trabalhando aqui hoje. Precisa de algo?

— Preciso de um guarda-chuva para ir para a aula.

— Eu vou pedir para a Somin falar com você, um minuto.

— Tá bom. — ele mexeu a cabeça, esperando Somin vir falar com ele.

— Algum problema, Taehyung? — ela sentou-se na frente dele.

— Está chovendo e esqueci de trazer um guarda-chuva. — ele sorriu. — Preciso de um ou de alguém que me leve até lá para não me molhar. Eu vou fazer uma prova importante e não posso me atrasar.

— Jiwoo passou mal e Matthew, Já o Taehyung... — eles riram. — Foram levá-la na enfermaria. Só tem eu e Hoseok aqui, poderia ser ele?

— Hoseok?

Por que as pessoas estavam chamando ele de Hoseok? Será que o tal 'Hobi' tinha mentido até sobre seu nome?

— A pessoa que te atendeu. Infelizmente, eu não posso sair, pois ainda não o ensinamos a preparar os pedidos.

— Acho que pode ser, sim. — ele respondeu, ouvindo Somin pegar seus pratos e saiu.

— Vamos. — ele ouviu a voz de Hoseok o chamando e levantou-se, pegando suas coisas.

Hoseok foi na frente dele para poder abrir o guarda-chuva emprestado por Somin.

— Não sei lidar com pessoas cegas. Então como prefere que eu te leve?

Taehyung pegou o braço rapaz.

— Minha faculdade é a do lado da de direito, sabe onde é?

— Sim. — ele comentou, começando a dar o primeiro passo.

— Você é tão mentiroso assim mesmo? — Taehyung perguntou. — Mentiu até seu nome.

— Não menti, é o meu apelido.

— Por que não disse seu nome de verdade, Hoseok?

— Porque... Porque...

— Não tem um porquê, né?

— Porque eu não quero que as pessoas me vejam só pelo meu nome. Todos aqui conhecem Jung Hoseok.

— Você é filho do Jung Hwangseok?

— Sou. — ele confirmou. — E se é para me odiar ou me amar, que seja por quem eu sou, e não pelo meu nome.

— Entendi, Hoseok.

— Chegamos. — Hoseok deixou Taehyung bem onde ele pediu. — Faculdade de Letras.

— Obrigado. — Taehyung agradeceu, pegando seu bastão e entrando no local.

Hoseok ficou ali o olhando até ter certeza que ele entraria em segurança. Quando estava voltando para seu trabalho, Dong o parou.

— Eu vi que virou babá de cego. — ele riu. — Babazinho de ceguinhos, que fofo!

— Dong, me deixa em paz, ok? — ele pediu se desviando. — Não fala assim dele!

— Está com pena? — perguntou com maldade na voz. — O que faria se a gente batesse nele, hein?

— Dong! — ele ia se desviando do rapaz.

— Que foi, Hoseok? Não estou mais te reconhecendo! Será que conviver com aqueles viados da cafeteria te fez virar um também? — ele gargalhou. — Oh, gente, Hoseok é viado igual Jimin e a Maria Sapatão que a Jungkook é! — Dong gritou, chamando atenção de algumas pessoas que passavam por ali. — Que decepção! Definitivamente, você não pode mais pertencer ao melhor grupo da universidade, vai ter que pedir amiguinhos com os losers.

— Hoseok! — a voz grave de seu pai o chamou, fazendo Dong parar de zoá-lo e mudar seu caminho. — Onde estava?

— Trabalhando, pai. Algumas pessoas nesse lugar têm deficiências. — ele explicou.

— Me leva para onde você trabalha.

— Não quer vir amanhã? Sério, hoje só tem eu atendendo e vai acabar atrasando tudo.

— Amanhã sem falta eu estarei aqui para vê-lo trabalhar.

— Certo. — ele mexeu a cabeça, confirmando. — Com licença, pai.

× × ×

Hoseok sentou-se no banco do lado de fora, descansando um pouco antes de voltar para casa. Ele nunca tinha sentido tanta dor nos pés quanto estava sentindo naquele momento. Quase dez dias de trabalho e estava quase desistindo de tudo. Ele abaixou a cabeça, pensando em todas as merdas que tinha feito nesses dois anos estudando naquele lugar e se arrependendo por cada uma delas. Parecia que o carma realmente existia e estava tudo voltando para ele naquele momento. Se tivesse feito tudo certinho, seguindo a linha e continuado amigo de Matthew e Taehyung, talvez nada daquilo estivesse acontecendo.

Ele não aguentou e deixando o 'eu' dele chorão se manifestar. Ele pôs as mãos no rosto para abafar o barulho, mesmo que ele soubesse que ninguém ia se importar, já que era uma das pessoas mais odiadas daquele lugar.

— Por que está chorando? — ele ouviu a voz de Taehyung.

— Para que está perguntando? Você se importa? — perguntou.

Taehyung se aproximou dele, sentando-se ao seu lado.

— Eu tenho muita raiva de você. Muita mesmo.

— Levou as dores dos seus amigos com você?

— Sim, eu levei. — ele confirmou. — Só que eu não te odeio, entende? Eu consigo sentir que você é uma pessoa boa.

— Eu sou o contrário de uma pessoa boa!

— Você é uma pessoa boa, sim, só fez as escolhas erradas. Eu acho que todos têm que uma segunda chance de fazer tudo dar certo, e não acha que está na hora de aproveitar a sua?

— Ninguém mais gosta de mim.

— Quem gosta de você de verdade continuará gostando. Eles só podem estar magoados com o que você se tornou e devem está esperando por uma retratação sua. Até eu tive uma segunda chance, Hoseok.

— Você? Você não tem cara que fez algo errado.

— Não é de algo errado. — ele riu. — Eu não fui cego minha vida toda, eu enxerguei até meus sete anos.

— O que te deixou cego?

— Ambliopia. É uma doença que atinge a visão e a minha era grave, infelizmente. Desde que fiquei cego, meus pais nunca mais me deixaram sair, eu estudei em casa e se tornaram superprotetores. Até hoje sinto que perdi minha infância toda dentro de casa, fazendo coisas que "pessoas cegas" deveriam fazer. — ele abaixou a cabeça. — Só que meu sonho era estudar em uma universidade e foi muito difícil fazê-los concordar com isso. Só vim com a condição de que meu irmão mais velho também passasse e cuidasse de mim. Nós dois conseguimos vir e quando cheguei aqui, eu não sabia nem andar sozinho, tive que aprender tudo desde o começo, até como fazer amizades com as pessoas. Jimin foi a primeira pessoa que fiz amizade, pois é a pessoa mais doce que eu conheço. Logo depois fui conhecendo o Yoongi e o Jin, os amigos do meu irmão, Jungkook, o namorado de Jimin que estuda música. Por Jimin, eu conheci Matthew, que faz faculdade de dança com ele, e fui conhecendo as outras pessoas. Com todas elas foi um desafio mostrar que eu era mais do que uma pessoa cega e que podia fazer tudo o que eles faziam, mas eu superei. Deve ser por isso mesma idade que a minha, e doeu muito ver meus dois melhores amigos chorando e não podendo nem sair do quarto por causa de bullying. Porém, eles tiveram uma segunda chance também e deram a volta por cima, pois não é vergonha alguma você amar alguém do mesmo sexo ou do sexo diferente. Nem mesmo ser uma pessoa transsexual como Jungkook é. Eu sei que você pode superar as coisas, Hoseok, e deixar esse passado obscuro que teve lá atrás.

— Me sinto pior do que estava antes. Estou recebendo conselhos de uma pessoa mais nova que eu. Se pudesse, pediria perdão para todas as pessoas que fiz mal.

— Você pode. — Taehyung se levantou. — Começa por seus amigos. Matthew sempre falou o quão amigos vocês eram e ele sente sua falta também. Tchau, Hoseok.

— Obrigado, Taehyung. — ele pediu, antes do rapaz começar a andar em direção aos dormitórios.



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