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História The blood bride (MadaHina) - Capítulo 1


Escrita por: e Imperio_Hime


Notas do Autor


Olá pessoal, cá estou eu com mais uma fanfic. Sejam muito bem-vindos!

Mais uma fanfic feita para o meu amado projeto, @Imperio_Hime. Essa foi feita para o quarto ciclo e o tema escolhido foi: sobrenatural. Espero que vocês gostem de lobos e vampiros.

A sinopse e o título foram produzidos pela maravilhosa @moondelozz, que é uma helper incrível!!! Obrigada por ser tão atenciosa comigo! <3

Tenham uma boa leitura!

Capítulo 1 - The beginning


[Ano 2121]

Reino dos de sangue frio; castelo do Conde Hyuuga.

[Três dias antes do casamento.]

Pensar naquilo trazia certa ânsia de vômito em Hinata, uma sensação que ela estava longe de deixar para trás; sabia que deveria sustentar toda a situação de uma forma suave e compreensível, mas tornava-se cada vez mais difícil. Sua garganta arranhava e implorava por alimento, mas ela estava proibida de consumir mais sangue, uma vez que estava deixando seu lado vampiro se descontrolar; Kurenai sempre dizia que eram os hormônios híbridos lhe afetando, algo que a mais nova achava impossível de existir e mais ainda de influencia-la. Estava nervosa demais, ansiosa ao extremo, e sabia que aquilo fazia com que sua fome aumentasse consideravelmente, tudo aquilo por conta daquela data que se aproximava mais e mais, o casamento. Lembrar daquilo fez com que a ânsia de vômito voltasse novamente. 

Não fazia nem um mês que seu pai — Hiashi Hyuuga — havia cruzado a entrada do castelo e informado que a menina estava destinada a se casar, como se a vida dela pertencesse a ele, o Conde daquela castelo a prometeu a um homem. E se esse mesmo ser de autoridade, o qual pertencia aquele título de nobreza, não fosse seu próprio pai, talvez ela tivesse aceitado a situação com mais facilidade. Mas apenas de pensar que o homem a quem deveria confiar sua integridade e proteção, havia jogado-a em um ninho de cobras e nem olhado para trás, trazia a ela um receio enorme. Não era certo confiar em ninguém. 

O incômodo maior era sobre a pessoa que estava destinada a se casar, talvez, apenas em um pensamento hipotético, se fosse alguém de sua própria espécie, ela não seria tão receosa assim. Entretanto, como se já não bastasse forçá-la a um casamento que não desejava, Hiashi também havia escolhido um ser de outra espécie para assumir lugar ao seu lado. Tudo aquilo não havia acontecido inconscientemente ou de forma inesperada, foi muito bem traçado pelo rei que comandava um dos dois grandes Impérios, Hashirama Senju havia ordenado que a filha do Conde Hyuuga, aquela considerada pela espécie humana como “O elo significativo”, deveria casar-se com aquele temido por todos. Mas antes de explicar o porquê de Hinata ser chamada assim, deve ser contado como os humanos sucumbiram ao reino sobrenatural.

O ano era 2021, quando o mundo inteiro havia saído de uma enorme pandemia que balançou até os mais fortes governos de todo o planeta, aproveitando o momento de vulnerabilidade, aqueles seres que viviam em completa escuridão e escondidos dos olhos de qualquer um, saíram das sombras. Foi um estouro mundial, algo que ninguém esperava que existisse, não souberam como reagir; a raça humana ainda tentou lutar contra as espécies, mas sua relutância não demorou muito para acabar, fazendo com que todas as autoridades máximas sucumbissem. Os vampiros foram os primeiros a se mostrarem e a tentar impor um comando sobre aquele mundo descontrolado, entretanto, os lobos não gostaram daquela submissão que os de sangue frio queriam impor, então, atacaram. 

O mundo viveu por dois anos em uma guerra incessante, onde nenhum dos dois lados sobrenaturais desistia de alcançar o poder. Estranhamente, os vampiros se importavam com as vidas humanas e faziam de tudo para protegê-los, mas os lobos não demonstravam os mesmos interesses e a compaixão, resultando em muitos humanos mortos, e então o caos se instalou. Surgiram dois líderes de cada lado, vindo dos de sangue frio, Senju Hashirama, e dos de sangue ardente, Uchiha Madara. Depois de mais de dois anos em guerra, finalmente os conflitos cessaram, em um acordo de ambos os lados, prometendo que não iriam interferir em suas terras recém demarcadas. Assim foi feito dos reinos; os dos vampiros e o dos lobos. 

O reino das criaturas que podiam se transformar em enormes monstros, era fechado, não se sabia nada além de que compartilhava da mesma regra imposta pela outra espécie; no mundo agora não haveria mais coisas que o poluísse e que servissem como uma fonte de desordem, sendo assim, todas as tecnologias do mundo foram extintas. 

No reino das criaturas sanguinárias foram abolidas também qualquer tipo de classe social, vivendo todos os humanos da mesma forma, sendo apenas os vampiros o mais alto escalão. A era da monarquia havia retornado, mas não era tão conturbada como quando os humanos estavam no poder.

Os humanos eram livres para decidir o lado que iriam ficar e apoiar, como os vampiros haviam os ajudado e protegidos, a maioria recorreu a esse lado, mas ainda assim havia quem cruzava a fronteira e juntava-se ao outro reino, eram poucos, mas existiam.

Os vampiros — diferente dos lobos que se alimentavam como humanos e comiam a carne de outros animais quando transformados — se alimentavam apenas de sangue humano, sendo assim, criaram uma regra que deveria ser rigidamente seguida. Foram criadas colheitas em todo o reino dos sangues frios, onde uma vez por mês todos os mortais deveriam doar um litro de sangue ao menos. Em troca, Hashirama os ofereceu proteção e justiça; todos que ferissem um humano e o matasse, seriam mortos, sem o direito de julgamento. Aquilo não fez com que o crime contra as pessoas normais diminuíssem, mas fez com que eles sentissem segurança estando lá. Um dos motivos que haviam contribuído para a colheita, era o fato de que a mordida de uma vampiro era muito viciante, pois o veneno dos seres de sangue frio agia como uma droga no organismo de quem fosse usado contra; não transformava, os estágios para isso eram bem maiores, não resumindo-se só em uma mordida. 

Além de matar, havia outra coisa extremamente proibida, e essa era se relacionar sexualmente. Vampiros não deveriam ter relações com humanos, nada além de um laço de amizade ou um acordo válido; e quem desobedecesse também seria sentenciado à morte. As criaturas de sangue frio continham um nojo enorme sobre manter relações com humanos, mas ainda havia quem o tivesse, e isso sempre causava muita destruição. Pois era completamente possível que uma humana engravidasse de um vampiro, e isso sempre resultava na morte de um mortal. 

O sangue de terceiros que corria naquelas criaturas fazia com que mesmo estando mortos, o coração deles ainda batesse de forma lenta e quase inaudível. Diferentes das mulheres imortais, aquele pequeno estímulo era capaz de fazer os homens gerarem descendentes. E então aí entra Hinata Hyuuga, não a primeira e possivelmente não a última, mas a única que ocupava um espaço de reconhecimento e nobreza, sendo assim todos os olhares estavam nela, fazendo-a ser um exceção e até mesmo um base de alívio para os humanos. Entretanto, era extremamente proibido que híbridos fossem gerados, pois o fato de serem humanos desencadearia a criação de uma nova espécie — visto que poderiam procriar —, algo que Hashirama não queria que acontecesse. 

Cinquenta anos depois do mundo entrar em paz, o Conde Hyuuga se relacionou com uma mortal e engravidou a mesma, a notícia se espalhou por todos os reinos e causou muito alvoroço. Por sorte, o fato dele ter sido um dos peões na proteção dos humanos quando a guerra ainda se estendia, o salvou da morte; mas ele foi avisado de que em uma segunda vez não teria tanta sorte assim. Uma mortal nunca sobreviveu a uma gravidez sobrenatural, todas morriam no último mês de gestação, não foi diferente com a mãe de Hinata. Para que a gravidez fosse levada para a frente, todos os dias injetavam bolsas de sangue para que a criança dentro de si o sugasse enquanto crescia rapidamente. 

Notoriamente, o grande rei poderia ter destruído Hinata no mesmo momento em que os cochichos começaram, mas ele ainda assim não o fez, pois estranhamente o povo humano estava contente com o que havia acontecido. Se viam fascinados por alguém que possuía uma parte deles estar ocupando um lugar de nobreza perante os vampiros, por mais que não fosse totalmente humana. Então Hashirama não interpretou a existência da menina como algo que fosse intimidar ou trazer futuros conflitos, pois a menina confortava os mortais e traziam a eles uma sensação de mais igualdade. Ela foi chamada de “O elo significativo”, pois o significado dela era de paz e prosperidade para a vida humana. Todos a amavam e ela era muito gentil, assim como honesta e bela; tinha todos os atributos perfeitos e seguia tudo o que era proposto a si. Os mortais confiavam nela e seriam até mesmo capazes de segui-la cegamente. 

O que nos leva à Madara Uchiha, o lobo mais odiado do mundo; os humanos do reino vampiro não confiavam nele, o temiam. Mas Hashirama tentava incessantemente criar um acordo com o outro, pois, estranhamente, as terras do Uchiha tinham uma força enorme de plantio; os melhores frutos e legumes vinham de lá, até mesmo os melhores vinhos, aquilo causava uma desvalorização no que o reino dos sangues frios possuía. Porém, o lobo não estava aberto a acordos, dizendo fielmente o quanto odiava vampiros e que não venderia nada de suas terras para humanos que o odiavam. Mas como não odiar? Madara Uchiha havia matado mais daquela espécie do que poderia ser enumerado, apenas pelo prazer de desestabilizar os vampiros. 

Mas, por algum motivo, o Rei Senju havia conseguido um acordo, e Hinata era uma das coisas ofertadas. A menina não sabia o motivo, tão pouco imaginava, mas por alguma razão Hashirama viu nela um favorecimento. A filha do Conde questionava-se também sobre o outro Rei, aquele que havia aceitado o acordo, o que ele ganharia com aquilo? Em Hinata havia duas espécies que Madara mais odiava, ela era todo o desprezo que ele sentia em uma coisa só. Talvez houvesse aceitado apenas para brincar com ela, fazer dela um brinquedo para quando o tédio chegasse ou apenas a mataria na primeira oportunidade. Apenas sabia que deveria ter sido ofertado algo muito grande também, algo bem além dela. Sentia-se à mercê da própria morte. Seu pai não havia nem hesitado, muito pelo contrário, seguiu as ordens do Rei dos vampiros como um cachorrinho. A Hyuuga não sabia qual seria o seu fim… mas imaginava que seria o mais cruel possível.

Ela não gostava da situação que se encontrava, mas sequer tinha o direito de negar qualquer coisa, afinal, se o fizesse, com certeza pagaria por aquilo de uma maneira bem pior. Hashirama não era sempre bondoso. O que havia adiantado ser tão obediente e disciplinada por cinquenta anos? Se agora estava naquela situação, submetida à própria morte. Por que logo ela? Talvez o “Elo significativo”, tivesse outro significado mais importante, ou era apenas um simples descarte. Hinata Hyuuga não sabia muito bem onde se encontrava.

Sentiu novamente ânsia de vômito, assim que Kurenai apertou mais o laço do vestido de noiva — o qual um dia havia sido dela —, o cheiro do mesmo era remetente a algo velho e empoeirado, fazia o nariz da garota coçar incessantemente e uma vontade enorme de espirrar a preencher, resultado do seu lado humano. 

Ser híbrida não era algo vantajoso, muito pelo contrário, os únicos atributos vantajosos eram a imortalidade, a força e a velocidade, entre outras características básicas, mas ainda assim, esses benefícios não eram tão vigorosos como os de um vampiro, ela fazia tudo com menos potência. Seu lado humano era de fato um problema, ela precisava se alimentar como um e fazer as necessidades biológicas padrão, até mesmo havia a presença de um período menstrual — o que era sempre desconfortável —, trazendo a certeza de que ela poderia engravidar também. Hinata gostava de ser híbrida, gostava de ter limitações e se sentir viva, se sentir humana; adorava sentir as batidas de seu coração e o sangue quente passar por suas veias, não frio ou ardente, apenas quente. 

Mas olhando agora, por aquele novo ângulo que havia surgido, ela não gostava mais de ser ela mesma e de ter que viver sobre essas novas condições, odiava estar naquela situação e sentir que não havia mais salvação para si própria. 

— Você está linda. — A voz melodiosa de Kurenai soou suave, enquanto a mesma acariciava a lateral dos braços da menina. 

Hinata não via tal beleza ao se olhar no espelho; os cabelos azulados e escorridos caíam por seu corpo até a altura do quadril, o rosto delicado e a pele alva tornando tudo mais destacado, possuía olhos perolados que remetiam a imagem da lua, além de um corpo cheio de curvas e pequeno. O vestido de Kurenai havia lhe caído bem — o vestido era do modelo sereia, ajustando às curvas do corpo desde a altura dos ombros até abaixo dos joelhos, a partir daí, a saia se esparramava, tradicionalmente branco —, não sentia emoção alguma ao se ver dentro dele, muito menos achava que combinava consigo, mas nunca iria confessar aquilo. 

Se aquilo fazia sua madrasta feliz, então ela forçaria o melhor sorriso do mundo e fingiria estar também. Foi o que ela fez. 

— Também acho. 

O sorriso forçado não convenceu a vampira ao seu lado, fazendo a mesma soltar um suspiro arrastado. 

— Estou tão insatisfeita quanto você — confessou a Condessa, segurando a mão da enteada. — Ficará tudo bem, não se preocupe. 

— Como pode ter tanta certeza? — Os olhos perolados brilharam ao perguntar, tentando achar um bom argumento para se tranquilizar. 

Não houve uma resposta para aquela pergunta. 

 

[Ano 2121]

Reino dos de sangue frio; castelo do Conde Hyuuga.

[Um dia antes do casamento.]

Frio, era isso que Hinata sentia, por mais que fizesse um sol caloroso do lado de fora. O castelo de seu pai era frio, totalmente frio e desconfortável, depois de cinquenta anos ela havia se acostumado, mas naquele último mês parecia que todo o costume havia se esvaído. Seus receios de criança haviam voltado e ela percebia com mais clareza os sinais que nem ao menos estavam encobertos. Hiashi nunca havia escondido o seu desprezo por ela, e Hinata sempre soube que não era amada por ele. Bastarda. Lembrava-se com clareza das palavras desferidas a ela ainda quando criança, a realidade era que ele apenas a aturava por Hashirama querer que ele o fizesse.

Não poderia dizer o mesmo de sua madrasta, Kurenai sempre demonstrou afeto e deixou claro o quanto a amava. Era até mesmo surpreendente, afinal, quando a mãe de Hinata engravidou, o Conde já havia se casado com ela, mas mesmo assim, a vampira nunca a tratou mal, muito pelo contrário, ela havia lhe ensinado tudo o que poderia. Era como sua própria mãe, ainda que ela não a chamasse assim, mas o sentimento era o mesmo. Sabia o quanto a mais velha não estava satisfeita com o casamento e havia escutado com clareza os gritos e mobílias sendo arremessadas contra seu pai, assim que a Condessa soube com quem a menina iria se casar. Mas não havia o que se fazer, ela também não negaria uma ordem direta do rei. Hinata entendia a situação e não se afetava com a posição de Kurenai. 

Estava sentada na sala de jantar, exatamente no dia anterior ao seu casamento, ou dizendo melhor, ao seu confinamento. A ânsia de vômito já havia deixado seu corpo, agora apenas a agonia se instalava. Seu pai estava presente no ambiente também, lendo o habitual jornal, assim como sua madrasta, a qual olhava atentamente para Hinata, enquanto a mesma terminava seu almoço. Assim que o fez, a mais velha tomou a fala. 

— Como está sendo o dia de vocês? 

A pergunta era sempre a mesma, todos os dias da semana, sem falta alguma. Kurenai tinha uma necessidade imensa de unir a família, por mais que fosse impossível tal coisa, mas ela ainda tentava. 

— Estou resolvendo algumas coisas pendentes para amanhã — respondeu Hiashi, movendo os olhos perolados pelo jornal. 

A Hyuuga mais nova não entendia o porquê de ele estar sempre presente ali, visto que ambos os vampiros nem ao menos comiam e nem precisavam compartilhar daquele momento com ela, mas eles sempre estavam. Aquilo até mesmo fazia com que ela se sentisse bem. 

— Estive me despedindo dos cômodos da casa — a voz de Hinata soou calma enquanto ela falava. 

Atentou-se aos rostos dos dois vampiros, não vendo nenhuma expressão no semblante de seu pai — que nem ao menos a olhou —, mas vendo todo o peso daquelas palavras no rosto de sua madrasta. A híbrida sabia que a vampira sentiria fervorosamente sua falta. 

— Eu estive preparando suas malas e confirmando todos os detalhes para que tudo seja perfeito amanhã — foi a vez da mais velha falar, forçando uma animação inexistente. 

Hinata sentiu o peso daquelas palavras também, suspirou pesadamente. Pensou em mudar o assunto e descontrair toda a tensão momentânea, mas antes que o fizesse, a atenção de ambos vampiros foi até a porta de entrada do cômodo, a qual estava fechada. 

Demorou alguns segundos para finalmente o barulho de passos alcançar a audição da híbrida, fazendo ela olhar para a porta com o mesmo questionamento. Não demorou muito para o cômodo ser aberto e um vampiro entrar, trajava um uniforme nas cores brancas, mostrando que vinha à mando da realeza, e carregava uma caixa vermelha em mãos. 

— O que houve? — Hiashi perguntou, deixando o jornal de lado na enorme mesa. 

Hinata encarou o homem de cabelos pretos e olhos azuis, o qual estava alguns metros na frente dela — uma vez que ela estava sentada do lado oposto e de frente para a porta, com seus pais sentados nas pontas da mesa. 

— Trago um presente para a senhorita Hyuuga, à mando do Rei Uchiha Madara — informou, sem hesitar muito, carregava uma postura de respeito. 

O silêncio estendeu-se por todo o cômodo, nem ao menos o Conde ousava falar. Estranhamente, aquilo parecia trazer certo desagrado, mas ainda assim, Hinata encontrava-se bastante curiosa e animada. Não seria a primeira vez que ganharia um presente de algum “pretendente”, muito pelo contrário, era uma moça muito requisitada, mas seu pai nunca havia dado autorização para que alguém a cortejasse, tão pouco que entrasse naquele castelo para sugerir tal coisa. Mas Madara havia deixado de ser um pretendente, aliás, nunca havia sido. 

— Como ele ousa? — Hiashi perguntou em um breve rosnado, nem um pouco satisfeito. 

— O lobo que entregou à mando do Rei informou que é uma das condições. — As palavras fizeram a menina sentir-se ainda mais curiosa. 

Ainda quando o casamento não havia saído dos papéis e era amarguradamente discutido entre os dois reinos, foi proposto por Madara que a cerimônia ocorresse em terras lupinas, mas Hashirama não aceitou, dizendo que a menina deveria casar-se nas terras que havia nascido. Então o outro Rei não perdeu tempo em concordar, mas deixando claro que em troca iria impor três condições. 

A primeira havia sido a pessoa que iria oficializar a cerimônia, o Uchiha não aceitou que fosse feito por um humano ou um vampiro, mas sim por um de suas terras, um lobo. A segunda coisa era sobre a população, o casamento deveria ocorrer de forma reservada e nenhum humano seria bem-vindo na ocasião. E agora, a terceira condição, estava dentro daquela caixa. 

Hiashi suspirou fundo, como se tentasse manter a própria lucidez. Balançou a cabeça em concordância, o mensageiro caminhou na direção da mesa e depositou a caixa sobre ela, logo depois retirou-se. Mais uma vez o clima esfriou, fazendo a híbrida evitar olhar para o semblante dos outros sobrenaturais. 

— Abra, Hinata — falou o Conde, a repugnância era visível em sua fala. 

Ela se ergueu da cadeira, andando calmamente pelo cômodo, poderia usar a velocidade vampira para acelerar os passos e saciar a própria curiosidade, mas deveria mostrar-se indiferente com a situação. Logo já estava do outro lado da mesa, erguendo a parte de cima da caixa e vislumbrando o que continha dentro. 

Sua expressão vacilou, deixando claro sua surpresa diante ao que havia visto; era um vestido de noiva, mas não um simples vestido, por mais que não desse para o ver por inteiro, podia ser observado que haviam detalhamentos na cor vermelha. Aquilo seria um estouro, uma ofensa enorme diante os olhos de Kurenai, Hinata sabia daquilo; não apenas por ser um vestido de noiva, mas pela cor que possuía. 

— Mostre, Hinata! — seu pai ordenou. 

As mãos — agora trêmulas — seguraram o tecido macio, e ela o ergueu sem hesitar mais. Os detalhes em vermelho eram em forma de flores, passeavam com cautela por todo o vestido. Era muito bonito, não poderia ser negado. 

— Isso é uma ofensa enorme para a família! — bradou a matriarca. 

Por mais que muitos preconceitos houvessem sido deixados de lado, ainda havia alguns que acompanhavam as gerações. Em relação ao que Kurenai carregava consigo, era velho e um tanto significativo. Mulheres que se casavam com cores diferentes de branco ou detalhamentos, não eram mais castas; era desconfortável até ouvir tal coisa, significava prontamente que a mulher que usava não era mais imaculada, não era mais pura e o pecado a rodeava. Hinata não se importava com aquilo, mas não poderia dizer o mesmo de sua madrasta. 

— Ele deve estar rindo da nossa cara uma hora dessas — o Conde sussurrou em fúria, visivelmente ofendido. 

A Hyuuga não se importou com a fúria, apenas vislumbrou o vestido que havia lhe roubado todo o foco, era de fato muito belo. Não sabia se havia feito propositalmente para irritar, mas gostaria de pensar que não havia sido por isso. Respirou fundo, inalando o cheiro de cerejeiras que vinha do tecido, era bastante reconfortante e fazia ela ponderar sobre o que a aguardava. Seus pais ainda discutiam, incrédulos, Hinata sabia que deveria apartar a motivação deles por queimar aquele tecido. 

— É uma das condições, não podemos negar, não é mesmo? — A pergunta fez com que os dois vampiros parassem de falar, concordando em silêncio com o que havia sido dito. Não havia o que fazer sobre aquilo. 

— Pelo menos não haverá ninguém de fora da realeza para ver essa enorme falta de respeito, nos causará menos vergonha. — As palavras foram jogadas com todo o ódio por Hiashi, o mesmo sustentou um passo para à frente, sumindo logo depois da sala. 

O vestido foi guardado novamente na caixa, enquanto o semblante entristecido da menina transparecia em seu delicado rosto. 

— Ele apenas está estressado com as coisas do trabalho. — Era sempre a mesma desculpa, mas daquela vez Hinata não sorriu em direção à Kurenai e concordou silenciosamente, sabia que havia o propósito de ofensa nas palavras ditas. 

Caminhou novamente pelo cômodo, dessa vez usando a velocidade sobrenatural a seu favor, chegando com rapidez em frente ao lugar que o Conde anteriormente estava sentado. As mãos foram até o jornal que ele possuía outrora, levando os olhos perolados até a imagem que descansava na capa. Era uma foto sua, em um dos festivais, enquanto ela olhava atentamente algo do outro lado de um lago. Diferente da imagem sútil e de uma leveza notável, o título da manchete não possuía discrição. 

“A filha do Conde Hyuuga se casará com o monstro Uchiha.”

 


Notas Finais


҂ Como vocês estão meus amores? Eu espero que bem, pois eu estou ótima. Ainda mais por estar trazendo essa história para vocês, espero de coração que tenham gostado! Não deixem de dizer o que acharam.

҂ Quero ter a interação de vocês para sempre saber o que estão achando, se estão gostando ou não. Assim como qualquer dúvida que tiverem eu estarei a disposição para responder. Não deixem de me seguir também, para que sejamos ainda mais próximos, seguirei todos de volta.

҂ Por hoje é só. Um beijo enorme da autora e até o próximo capítulo.


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