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História The Blue Eyes - Capítulo 29


Escrita por:


Notas do Autor


OI GENTE
voltei e não deu pra postar semana passada mesmo por causa das provas, aliás, ainda to meio perdida mas vou ficar bem
to postando meio tarde mas é pq eu queria revisar uma última vez e acabei demorando kkk
BOA LEITURA
(leiam as notas finais)

Capítulo 29 - Efeito dominó - parte 2


(Lottie)

Meu humor não costuma ser um dos melhores de manhã, mas hoje o mundo estava se superando em me deixar puta!

Eu já estava olhando para a minha própria cara no espelho há quinze minutos, enquanto tentava achar um jeito de disfarçar a espinha maldita que havia surgido na minha testa.

"Nossa, que problema ridículo, Charlotte." Sim, é ridículo mesmo, mas essa espinha contribuiu para o meu mal humor porque Cameron Dallas virá para a minha casa hoje.

Estou há dois dias tentando entender como o Universo pode ter sido tão filho da puta para ter deixado a casa dele desabar e ainda colocá-lo para morar comigo por um mês. Ou isso é muita falta de sorte, ou o Universo quer que todo mundo se foda.

Aposto na segunda.

Decidi que pelo menos um dos meus problemas eu iria resolver, então dei uma de Meredith e coloquei um band-aid na minha testa, só que da cor da minha pele, em vez de um da Hello Kitty.

Ser adolescente é uma merda.

Finalmente, vesti meu moletom cinza e respirei fundo, buscando energias de sei lá onde para enfrentar o dia de hoje.

Desci as escadas com minha mochila nas costas e encontrei Drake perto da porta segurando um paletó perfeitamente liso de tão bem passado, como o usual. Fomos para o carro e fizemos a mesma tragetória de sempre até a escola.

Ainda era quarta-feira e eu já estava esgotada. Eu só queria que o recesso dos feriados chegasse para que eu pudesse dormir e só acordar no natal.

Quando cheguei na escola, estranhei não encontrar Taylor perto da entrada, onde ele fica normalmente. Segui meu caminho até a sala de aula e fiquei lá, quase falhando em não dormir quando encostei a cabeça na carteira.

-Ah não, já está desmaiada, Charlotte?- perguntou meu amigo e eu levantei a cabeça, assustada.

-Eu estava descansando os olhos.- respondi e ele riu. -Atrasou?

-Uhum, o que é isso na sua testa?- perguntou rindo e eu quase tinha esquecido.

Será que ele vai me zoar muito se eu contar o motivo real?

-Bati a testa na porta hoje de manhã.- respondi, decidindo ocultar a verdade vergonhosa.

-Trouxa.- disse e eu o olhei feio. -Desculpa, tadinha.

-Pior consolamento de todos.- disse negando com a cabeça e ele continuou rindo.

-Desculpa, lindinha. Mas, vamos falar de coisa boa, faltam dois dias para as férias!- comemorou animado.

-Verdade, não aguento mais a escola.- concordei descansando minha cabeça em uma das mãos.

-Vamos fazer várias coisas nesse tempo e você vai ter que engolir esse seu desânimo avalassador.- disse me olhando seriamente. -Você já me deu perdido essa semana e a semana passada inteira, eu não sou besta não, Charlotte.- disse com uma sobrancelha arqueada, porém um sorriso divertido.

Dei um sorriso amarelo.

-Você sabe que eu tenho muito, mas muito sono.- tentei me defender e ele fechou a cara.

-Sem desculpas. Vamos fazer várias coisas sim.- avisou-me bem na hora que o professor adentrou a sala e nos calamos.

Eu realmente queria ter ânimo para isso.

Após alguns minutos do professor se organizando, o mesmo deu início à aula e a primeira coisa que ele fez foi entregar um teste horrível que fizemos na semana passada.

Quando o recebi, xinguei baixinho comigo mesma ao ver minha nota.

-Que foi?- perguntou Taylor, virando-se para mim.

-Eu sou muito burra.- choraminguei ao ver minha nota. -Estudei horas e horas, mas continuo sendo essa bosta em física.

-Charlotte, você não é burra.- Taylor disse olhando para o teste comigo. -Às vezes não era uma boa hora, o psicológico influencia muito nessas coisas.

-Então eu sou uma bosta e meu psicológico também?!- reclamei e ele prendeu o riso. -Pode rir, seu ridículo.

-Aqui, fica parada.- disse pegando algo no seu estojo antes de segurar meu rosto e jogar minha franja para trás.

-O que você tá fazendo?- perguntei desviando da mão dele, quando o mesmo veio com uma caneta permanente na minha direção.

-Fica parada.- repetiu eu olhei-o feio, mas fiquei. Ele riscou algo no band-aid da minha testa e depois deixou que eu visse na câmera frontal do seu celular.

Era uma careta feliz.

-Para te animar.- disse e eu neguei com a cabeça, sorrindo.

(...)

-Eu não entendo o porquê de termos que fazer essa faxina toda para recebê-los.- reclamei para Drake, enquanto fazia uma pausa de esfregar o chão da cozinha.

-Porque se eles entrarem e verem a casa nesse estado, Sierra vai achar que vivemos em um chiqueiro.

-Você se preocupa demais, ela não vive em escombros?- brinquei e ele repreendeu-me com o olhar. -Muito cedo?

-Muito cedo.

Prendi o riso.

-Fazendo um esforço muito grande para ver o lado bom dessa situação, agora você realmente vai ver se vocês dois vão casar ou terminar de vez.- comentei, voltando a esfregar o chão branco.

-Charlotte, meu Deus, então se ela descobrir minhas manias esquisitas eu vou ficar solteiro de novo?- choramingou e eu ri.

-Ou você descobre as manias esquisitas dela, vai que ela gosta de arrancar os pelos da perna com uma pinça ou coloca os cabides virados para o lado errado.- brinquei e ele fez uma careta engraçada.

-Por que eu fui oferecer ajuda?- choramingou.

-Porque você é besta, eu avisei.- disse com um sorrisinho e ele me olhou com cara de tacho. -Estou brincando, vocês não vão odiar as manias um do outro. Só não deixa ela ver que você passa roupa ouvindo Lady Gaga.

-Você só fala asneira, Charlotte.- disse cutucando-me com o cabo do seu rodo enquanto ia para sala e eu ri.

Levamos a tarde inteira para limpar a casa toda, porém ainda faltava um cômodo, o quarto da minha mãe.

O quarto que Cameron ficaria.

Drake trocou os lençóis da cama e eu esvaziei algumas gavetas do único móvel que restou no quarto, uma cômoda velha. Haviam algumas fotos que deixamos ali quando jogamos todas as coisas dela fora após a sua morte e um colar de pérolas que já a vi usando incontáveis vezes.

Isso é o que restou dela.

Em uma das fotos estavam ela e meu pai, sozinhos e sorrindo. Eu queria lembrar mais do meu pai, mas uma das únicas memórias que tenho dele está em uma outra foto, na qual ele estava construindo a casa de bonecas que ficava no fundo do quintal. Com certeza não é uma das melhores memórias.

Guardei todos os objetos dentro de uma caixa e enfiei bem no fundo do meu guarda-roupa para encontrar, no máximo, em um dia de limpeza.

Drake também arrancou as cortinas velhas e floridas, deixando apenas a persiana branca que havia por baixo. Parecia até outro quarto, mas aquele tom de verde musgo feio nas paredes ainda mantia o ar da minha mãe.

Saí dali o mais rápido que pude e fui tomar um banho correndo, antes que Drake passasse na minha frente.

Quando terminei, Drake entrou no chuveiro e me joguei na cama estirada como uma estrela do mar. Acabei pegando no sono, mas Drake me acordou uma meia hora depois quando os dois Dallas chegaram.

Eu ainda estava muito cansada, mas fui cumprimentá-los e encontrei Sierra se instalando no quarto do meu irmão, obviamente, e estava radiante como sempre. Fico admirada por ela conseguir estar de bom humor numa situação dessa, mas, em compensação, Cameron Dallas estava com a sua usual cara de bunda. Encontrei-o no quarto entre o meu e de Drake e ele estava procurando algo dentro da sua mala, que estava em cima da cama. Fiquei observando-o por um tempo sentindo uma sensação esquisita. Eu não gostava de vê-lo ocupá-lo um espaço da minha casa, ainda mais esse em específico.

Cameron me pegou fitando-o e fez uma careta. Apenas relaxei o rosto e disse um "oi" antes de voltar para o meu quarto.

(...)

Eu estava convivendo com Cameron Dallas há um dia, e até que não estava sendo tão ruim.

A quinta-feira foi normal, porém, após as 24 horas, começou a dar merda.

-Lottie.- Drake chamou. -Você esqueceu de algo.- apontou para a cozinha e rolei os olhos quando o mesmo deu as costas. Era o "olhar" de remédio dele.

Levantei do sofá, onde eu esperava meu irmão para ir à escola, e fui até a cozinha. Sierra estava lavando uma única xícara e Drake estava me esperando na bancada ao lado do micro-ondas.

-Bom dia, Lottie!- disse a mulher sorridente e eu sorri de volta. Logo, ela saiu da cozinha.

-Toma.- disse Drake entregando-me os três comprimidos da mão dele e o copo d'água.

-Valeu.- disse colocando os três de uma vez na boca e bebendo da água.

-Vou escovar os dentes e já vamos.- disse e foi em direção a porta da cozinha, onde Dallas estava parado há sei lá quanto tempo. -Bom dia, Cameron!

-Bom dia.- respondeu o garoto e eu quis morrer. Ele me encarou por um momento, até que desviei o olhar e deixei meu copo na pia.

-Licença.- pedi para ele sair da frente da porta, assim o fez e, finalmente, saí da cozinha.

Corri até o banheiro de baixo e cuspi os comprimidos parcialmente derretidos na pia. Eu tenho que dar conta dos meus problemas sozinha.

Saí do banheiro e Drake e Sierra estavam na frente da porta da sala. Ela vestia um conjunto social e arrumava a gravata do meu irmão, que segurava sua maleta de sempre.

-Estou pronta.- disse, morrendo por dentro de tanta fofura.

-Ótimo! Lottie, o Cameron está usando o carro da Sie hoje porque temos uma reunião em outra cidade, aí não faz sentido gastar o dobro de gasolina para irmos juntos.- disse Drake. -Então, tudo bem você pegar carona com ele, né?- perguntou meu irmão enquanto me lançava um olhar de "aceita ou eu te mato depois".

-Claro.- respondi com um sorriso forçado. -Só vou pegar minha garrafa d'água na cozinha.

-Tudo bem, ele está lá fora.- disse Sierra, referindo-se a Cameron, e logo o casal 21 se despediu e os dois saíram apressados. Só saí da cozinha quando ouvi o carro de Drake dar partida.

Nem fodendo que eu vou pegar carona com o Cameron.

Tranquei a porta de casa e avistei Dallas dentro do carro bem na frente de casa. Ele me viu de imediato, e logo desviou o olhar para seu celular em mãos. Respirei fundo e andei até o carro, mas virei para o lado da sua casa parcialmente destruída para encarar o caminho até a escola.

-Charlotte?- ouvi-o dizer e ignorei, apertando o passo. -Charlotte, espera aí!- disse e ouvi o barulho da porta batendo, seguido de passos atrás de mim.

-O quê?- perguntei, virando-me para ele.

-Onde você vai? Sierra pediu para eu te levar.

-Não precisa, vou andando.

-Eu te levo, Charlotte. Entra aqui.- insistiu, indicando o carro.

-Valeu, mas pode ir, Cameron.- respondi, dando as costas para ele.

-Não fode, Charlotte. Eu prometi para eles que ia te levar...

-Cameron, sinceramente, você não precisa fingir simpatia comigo quando sua irmã não está perto.- disse virando-me para ele. -Você sempre deixou bem claro que não gosta de mim e eu não quero nem saber porque, mas também não quero ficar perto de você mais que o necessário.- disse e ele arqueou uma sobrancelha no seu jeito Cameron Dallas, que eu não sei distinguir se era confusão, surpresa ou os dois. -Então, prefiro ir andando do que entrar num carro com você.- disse, dando-lhe as costas.

(...)

Cheguei na escola atrasada e só consegui entrar na segunda aula, mas pelo menos hoje era o último dia da semana e também o último dia de aula antes do recesso.

Hoje eu estava, oficialmente, exausta. Não tinha mais saco para encarar Becky e Maddie todos os dias e, agora, Cameron Dallas com seu olhar julgador que parece despir-me até que todas as minhas falhas e defeitos apareçam. Estou exausta.

-Lottie.- Taylor chamou, quando resolvemos sentar em um dos bancos nos corredores no intervalo. -Você está bem?

-Sim.- respondi, estranhando a pergunta.

-Não, você não está.- rebateu e eu arqueei uma sobrancelha. -Você está esquisita assim desde a semana passada, o que foi?- perguntou afagando meu joelho por cima do jeans.

O que foi? Que tal, uma garota me odeia tanto por eu ser uma pessoa horrível que quis me jogar na piscina para afogar?

Que tal, o garoto que também me odeia por eu ser uma pessoa horrível está morando na minha casa invadindo o único espaço que eu tenho paz?

Que tal, eu nem sei porque eu sou uma pessoa tão horrível assim, mas, aparentemente, todo mundo sabe.

-Não é nada. Vamos falar de outra coisa, por favor, hoje não é um bom dia.- disse acariciando de leve sua mão no meu joelho.

-Não é "um bom dia" todos os dias, Charlotte. Eu sou seu melhor amigo e sei quando há algo de errado com você.- disse segurando minha mão. -Você pode me contar, às vezes por para fora faz bem.

A insistência dele estava me deixando impaciente. Eu realmente queria poder jogar todos os meus problemas em cima do Taylor e fazer com que ele os resolvesse para mim, mas era injusto e ele não merecia ouvir toda a minha merda.

-Eu estou bem.- disse e puxei minha mão do meio das suas. -Eu realmente estou bem e você não precisa se preocupar. Te vejo na sala.- disse me levantando.

-Lottie.- chamou me olhando seriamente.

-Até.- respondi, dando-lhe as costas.

-Caralho!- ouvi-o praguejar e segui qualquer caminho até ir parar no banheiro feminino.

Encontrei meu reflexo no espelho e tomei um susto por algum motivo. Talvez fosse minha cara de sono horrível, mas com isso eu já estava acostumada.

O que eu tô fazendo? Ser grossa com Cameron é uma coisa, agora ser grossa com Taylor é outra.

Por que eu faço tudo errado?

(...)

Finalmente acabou. Que coisa louca pensar que mais um ano está indo embora.

Estou em casa há dois dias completos sobrevivendo de comida requentada, porque sempre acordo depois do almoço, maratona de Grey's Anatomy e encontrando Cameron Dallas eventualmente.

Hoje, no domingo, Drake me obrigou a ficar quinze minutos tomando sol no quintal e eu contava os segundos para poder voltar para a minha toca, ou quarto. Eu estava deitada na grama recém cortada com o sol pegando no meu corpo inteiro, apenas observando, ou tentando, o céu azul quase cegante de tão iluminado.

Quando meus olhos começaram a doer, me sentei no tapete verde de grama e fiquei observando o quintal.

O quadrado de terra morta continuava no canto direito lá no fundo e, um pouco mais a frente, um pedaço de grama mais clara que o resto que cobria o quintal. Era mais nova. Cobria o lugar onde rosas carbonizadas ocuparam um dia. Esse, fora o quarto, é o lugar que mais me lembra minha mãe. Ela costumava ficar sentada numa cadeira de área depois do trabalho e cuidava das rosas do meu pai todos os dias. Para minha mãe, as rosas dele eram praticamente sagradas porque ela tinha uma obsessão louca pelo meu pai. Ela nunca superou ter sido deixada.

Esse era um dos motivos pelos quais ela sentia raiva de mim. Uma vez, eu a ouvi dizer que se eu não tivesse nascido, talvez meu pai não tivesse ido embora. Algumas vezes eu já cheguei a pensar que isso é verdade, mas a verdade mesmo é que minha mãe era podre.

Eu costumava ter esperança de que minha mae podia ser uma boa pessoa. Quando eu tinha uns oito anos de idade, uma cachorra marrom surgiu numa praça perto de casa que passávamos todos os dias quando minha mãe ia me buscar na escola e ficou lá por dias. Sempre que passávamos lá, eu passava a mão nela e fazia carinho na cabeça dela, até a apelidei de Cookie, porque ela tinha manchinhas pretas no meio do pelo marrom. Um dia, uma tempestade atingiu a cidade e a cachorra apareceu na frente de casa. Com o passar do tempo, a chuva só ficava piorava e a cachorra ficava com mais frio e fome. Eu implorei para minha mãe deixar ela entrar e ficar na parte de trás do quintal. E ela deixou, mas pela manhã a cachorra timha sumido.

Foi a primeira e última vez que eu senti uma ponta de esperança de que minha mãe não fosse tão ruim assim.

-Lottie?- Drake chamou, fazendo com que eu voltasse para a realidade. Ele estava parado no batente da porta da cozinha que dava para o quintal. -Entra, você vai tostar aí no sol daqui a pouco.- disse e eu arregalei os olhos, levantando imediatamente. Parte de mim assustada pelo choque de realidade e a outra parte com medo de ter câncer de pele.

-Valeu.- agradeci pelo aviso e ele deu um sorrisinho. -Vou subir.

-Quando der umas seis horas você desse para jantar, escutou?- perguntou meu irmão e eu assenti.

-Tá bom.- respondi com um sorrisinho e deixei a cozinha para trás, indo em direção das escadas.

Cheguei no topo rapidamente e segui para o meu quarto, mas a porta aberta de Cameron me chamou a atenção.

Não, ele não estava sem camisa ou algo do tipo, mas sim conversando no telefone perto pela janela.

Exatamente igual minha mãe fazia.

Ela costumava ficar perto da janela monitorando o quintal, enquanto conversava com alguma amiga no telefone velho e de discagem dela.

Minha mãe também costumava organizar as gavetas da cômoda dela uma vez por semana, enrolando as camisas e cardigans simetricamente. Todos eles em tons de preto, vinho e verde musgo. Não sei se já vi ela usando outra cor. Agora, a cômoda estava com algumas gavetas semi-abertas e uma mala jogada em cima.

Dessa vez, a pontada de incômodo por Cameron estar ali, no ambiente dela, me atingiu com força e até senti minhas bochechas esquentarem de nervoso. Ela não tem o direito de mexer comigo depois de morrer e ele não tem o direito de invadir meu espaço com tanta brutalidade.

Que inferno.

Fui para o meu quarto antes que Dallas percebesse que eu estava o observando como uma maluca e fechei a porta com força, questionando Deus e o mundo o porquê da minha cabeça ser tão bagunçada.

(...)

Pela primeira vez desde o início das férias eu estava sozinha em casa. Drake e Sierra foram ao cinema e Cameron foi para a casa de algum amigo. Então, era o momento perfeito para eu me afundar dentro da cama e só levantar no natal.

Eu estava dando uma pausa na minha maratona infinita de Grey's, após eu desidratar com tantas mortes, e mexendo nas redes sociais pelo computador. Fiquei incontáveis minutos rolando o feed do Instagram até que quase joguei o celular na raiva quando o site atualizou e fui para o começo da timeline. Porém, assim que a página atualizou, percebi que alguém havia me marcado em uma foto.

@maddieismad marcou você e @holypolly em uma publicação.

Paralisei ao ver a foto e fiquei a encarando por um bom tempo. Mostrava eu, Maddie e Polly abraçadas em uma festa. Todas nós estávamos sorrindo e lembro desse momento como se fosse ontem. Era a nossa primeira festa no ensino médio.

Eu estava no meio, com meus antigos cabelos castanhos, e Polly estava ao meu lado esquerdo com seus óculos de sol de coração caracteristicos. Ela estava quase derrubando um copo de bebida em mim, enquanto me abraçava pelo pescoço, e Maddie estava do meu outro lado, espremendo nós três em um abraço enquanto mostrava a língua em meio ao seu sorriso.

Maddie não escreveu nada na legenda, só colocou um emoji do símbolo do infinito.

Se eu forçasse um pouco a memória, poderia ouvir o som das nossas risadas nesse dia e meu peito doía só de lembrar o quão divertido era. Eu amava essas garotas e nossa amizade com todo meu coração. Eu queria tanto que tudo de ruim que aconteceu entre mim e Maddie não fosse real.

Mas é real. E a realidade dói.

Maddie se aliou a Becky e isso é real. Isso também dói. É algo que eu jamais esperaria da garota que eu conheço desde sempre.

Conhecia.

Coloquei o computador de lado para tentar pegar ar, enquanto meu peito doía de tão apertado e as lágrimas saíam como rios dos meus olhos.

Todos os dias eu sinto meu peito apertar quando as lembranças ruins me inundam e trazem à tona que eu estava tentando esquecer. Esse sentimento do pesar nunca me deixa em paz e tudo volta para aquele maldito dia.

O dia da piscina.

Toda vez que vejo Becky nos corredores ou pego Maddie me encarando, eu me lembro desse dia. Todas as vezes que minha mente fica vazia, eu me encontro afogando nessas memórias novamente. Tudo leva a esse momento e eu não aguento mais.

Eu não consigo levantar da cama. Eu não consigo conversar. Eu não consigo pensar. Eu não consigo ser eu mesma com esse sentimento me sufocando vinte e quatro horas por dia. Eu não consigo.

Levantei da cama com dificuldade, mas andei até o quarto ao lado e procurei alguns minutos, até achar o que eu queria. É impressionante como algo que demoramos tanto para construir pode desmoronar em segundos.

Eu só queria que esse pesar passasse.

O objeto brilhou no meio dos meus dedos como a água azul e infinita da piscina. Não importa o quanto eu tente nadar, continuo me afogando.

Uma vez que a primeira peça é derrubada, o efeito dominó se torna irreversível até que a última peça esteja no chão.


Notas Finais


EAIEAIEAIEAIEAI???
gente talvez TALVEZ talvez TALVEZ tenha um capítulo amanhã (sábado)
mas só talvez
vou fazer o possível pra escrever e postar, mas não prometo nada
NO ENTANTO fiquem de olho
KKKKKKKKKKKK
só mais uma coisinha: o próximo já da uma ideiazona da treta entre o cam e a lottie
é isso, bjos mores
ciao adios💙💜💙💜💙💜💙


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