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História The boy that needed to feel - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


uma oneshot soft feita pra vcs, espero que gostem :)

Boa leitura💜

Capítulo 1 - Single chapter


Fanfic / Fanfiction The boy that needed to feel - Capítulo 1 - Single chapter


- Já não te disse que não gosto de você cozinhando? Sempre acaba assim, com a mão cortada - Geum-jae, meu irmão mais velho, me repreende.


- Foi só um descuido... - olho pra baixo e resmungo, sentindo que o curativo que ele fez estava apertado demais.


- Você é sempre descuidado Yoongi.


Era verdade. Mas não era minha culpa.


- Mas sei que não é sua culpa - ele diz, como se tivesse ouvido meus pensamentos.


Ele coloca o kit de primeiros socorros de lado e volta a tomar café. Faço o mesmo.


Sempre foi assim, desde que me lembro. Quando nasci, fui diagnosticado com uma deficiência sensorial, mais especificamente no tato. Resumidamente, não consigo sentir as coisas como uma pessoa comum, como abraços, simples cumprimentos e até uma faca.


Me lembro de quando eu e meu irmão éramos crianças e brigávamos por tudo. Eu sempre acabava ganhando, por não sentir seus socos tanto quanto ele sentia os meus. Era engraçado antigamente.


Hoje em dia, nem tanto.


- Quando começa o período de volta às aulas? - Geum-jae pergunta, mordendo mais um pedaço da torrada que estava comendo.


- Sem ser semana que vem, a próxima.


- Já organizou tudo?


- Sim senhor - brinco me levantando da mesa e ele ri.


- Vai na vovó? 


- Vou, mas vou na floricultura primeiro - digo ajeitando a faixa na minha mão e pegando minha mochila.


- Não chegue muito tarde! - ele grita, já me vendo fechar a porta.


Ao sair, respiro fundo e fecho os olhos. O clima é gostoso do lado de fora, está sol, mas não um sol que queima, um sol coberto de nuvens. Há pouco vento também, embora ele já seja suficiente para fazer com que algumas folhas secas, antes presas às árvores, caíssem no chão. 


Começo a caminhar e depois de alguns minutos, chego até a floricultura que tanto conheço. Desde que vovó adoeceu, tenho o costume de visitá-la pelo menos três vezes na semana e ela sempre me pede para levar a mesma coisa todas as vezes: flores.


O sino da porta avisa a minha chegada e, ao entrar na pequena lojinha, sinto aquele típico cheiro de lavanda, dessa vez acompanhado de café. Me aproximo do balcão e, estranhamente, não vejo o senhor que trabalha lá.


- Ahjussi? - chamo, mas não sou respondido.


Vou para os fundos da loja e vejo um garoto que nunca vi antes ali, vestindo uma blusa com a logomarca da loja. Era aparentemente não muito mais novo que eu e estava escorado na parede, dormindo.


- Com licença - ele não se move. - Olá? - digo, um pouco mais alto.


- Boa tarde, me desculpe - ele se levanta rápido e limpa a boca, como se procurasse qualquer requisito de baba. - No que posso ajudar?


- Trabalha aqui certo? - ele assente. - Eu gostaria de algumas tulipas - digo e ele pede para que eu o siga, embora eu já conheça bem o caminho.


- Temos essas cores. Pode escolher e levar até o balcão que eu embrulho para você. São para presente?


- São sim - digo o observando melhor. - Nunca te vi, o que aconteceu com o senhor que ficava aqui?


- Ele precisou fazer uma viagem de última hora e me pediu para que eu tomasse conta da floricultura enquanto não voltasse.


- Ah sim. Ele é seu avô? - pergunto e vejo ele pensar um pouco sobre isso.


- Pode-se dizer que sim - ele sorri, fazendo seus olhos sumirem de um jeito fofo, e caminha pra longe, me deixando sozinho com as tulipas.


Fiquei um tempo escolhendo as flores. Depois de combinar as cores que me agradavam em um arranjo, voltei para perto do balcão e ele estava já estava lá.


Estava terminando de passar o café que senti o cheiro na entrada. O garoto coloca calmamente o líquido quente em uma xícara e a cobre com um píris de porcelana.


Logo, ele pega as flores da minha mão e as analisa, fazendo algumas contas com a calculadora que estava em cima do balcão.


- São dez mil wons. 


Assinto e puxo a mochila para frente, começando a buscar pela minha carteira, mas não a encontro e acabo machucando mais minha mão enfaixada enquanto a procuro. 


- Mais que droga! - reclamo.


- Algum problema?


- Não consigo encontrar minha carteira, devo ter deixado em casa.


- Está tudo bem, pode levar - ele diz, se referindo as flores.


- Nem pensar! Eu... - tento pensar em uma solução. - Eu posso deixar meu relógio aqui como garantia e depois volto para buscá-lo e pagar pelas flores - digo, já tirando o relógio do pulso. 


- Não é necessário, pelo jeito que disse que nunca havia me visto é fácil deduzir que você compra várias vezes aqui. Cortesia - ele diz estendendo o arranjo.


- Obrigado mesmo - digo as pegando e sinto uma ardência maior na mão.


- A sua mão - ele aponta e percebo que ela está sangrando. 


Ele dá a volta no balcão, para na minha frente e começa a desenfaixar o meu machucado. Nesse exato momento eu me esqueci de como era respirar. Ele estava tocando a minha mão.


E eu estava sentindo.


Não consigo desviar meu olhar. Enquanto ele cuida do meu corte, passando remédio (que nem me lembro de onde teria vindo) eu analiso pequenos detalhes nele que não tive a oportunidade de analisar antes.


Seu cabelo era de um tom loiro desbotado e estava úmido, provavelmente foi lavado antes de ir para loja. Sua pele levemente morena fazia a minha se assemelhar a uma folha de papel.


Ele tinha olhos castanhos escuros, lábios carnudos e duas tatuagens visíveis, uma em cada braço, com as palavras "young" e "forever", respectivamente.


E ele também tinha o principal: seu toque. Eu podia sentir seu toque.


- Qual o seu nome?


- Min Yoongi... - foi tudo o que conseguir dizer.


- Eu me chamo Jimin, Park Jimin. Esse corte está bem feio, foi faca? - apenas assinto enquanto ele termina de reinfaixar minha mão e depois a solta. - Prontinho. Está melhor?


Não tenho ar para falar mais nada. Pego as flores e saio de lá o mais rápido que consigo, apenas ouvindo o sininho apressado da porta.


Mas antes que eu possa atravessar a rua ele segura meu braço e me impede. Levo um susto ao novamente sentir seu toque.


- Eu posso te ver de novo algum dia? - ele pergunta, ainda com a mão em meu braço.


- Quem é você? - sussurro mas ele ouve.


- Talvez só alguém que você precisava conhecer - ele sorri e volta para dentro da loja.


Balanço a cabeça. Mas o que foi aquilo?


Volto a andar e quando percebo, já estou correndo em direção a casa da minha avó. Entro no prédio e subo as escadas correndo, sem me importar em cumprimentar o porteiro ou esperar o elevador.


- Vovó! - exclamo, já dentro do apartamento.


- Estou no quarto! - vou até lá e a encontro lendo um livro que dei a ela no Natal passado. - O que houve com sua mão querido?


- Me cortei cozinhando - digo com a voz já embargada e a abraço. 


Não sinto nada.


- Está tudo bem? - ela pergunta ao me ver querendo começar a chorar.


- Está sim - saio de seu abraço e limpo meus olhos. - Trouxe 'pra você - pego as tulipas que eu havia deixado cair na correria e as coloco no vaso do lado de sua cama, junto com as que eu trouxe da última vez 


- Obrigada querido, são lindas. Parecem diferentes das que você geralmente trás.


- Elas são vó, elas são...


A tarde correu calma, não comentei mais nada em relação a minha crise e minha avó também não fez questão de perguntar mais nada, o que me deixou bem mais confortável. Jogamos cartas, tomamos café, lemos alguns livros e quando me dei conta, já era noite.


Era por volta das nove quando me despedi dela e saí do prédio. A rua estava bem escura e gélida para o horário, provavelmente pela chegada do inverno. Comecei a caminhar mais rápido, poderia chover a qualquer momento mas para o meu azar acabei tropeçando no meio-fio.


- Merda! 


Pela dor que eu estava sentindo, tinha certeza que meu tornozelo havia torcido. Tentei me levantar mas mal conseguia dar um passo e para completar, eu começava a ver os primeiros pingos de chuva, apesar de não poder senti-los efetivamente.


Ótimo.


E foi quando eu menos esperava, ele apareceu. Senti suas mãos em volta da minha cintura, logo me colocando em sua corcunda e começando a caminhar. Olhei com dificuldade para seu rosto pela posição que estávamos, mas ele olhava pra frente.


- Você e sua mania de se machucar - O Park sorri, ainda não me encarando.


- Me solta! - me mecho em suas costas e ele para.


- Será que você podia ser menos teimoso e se deixar ser ajudado? - ele finalmente olha para mim. - Olha, só estou querendo ajudar, eu não mordo.


- Mas me toca...


- É, eu te toco.


- E eu sinto - ele sorri de novo, fazendo seus olhos sumirem, como julguei ser sempre, e volta a caminhar. - Você me conhece?


- Não exatamente.


Silêncio.


E o resto do caminho foi assim, silencioso, eu apenas falava para indicar o caminho quando necessário. Depois de um tempo já havíamos chegado. Ele me põe no chão e me ajuda a subir a calçada.


- Obrigado. Por mais que seja difícil admitir, eu não sei o que eu teria feito se você não tivesse aparecido.


- Você teria acabado em um hospital resfriado e com o pé quebrado de tanto andar - ele diz sorrindo e eu reviro os olhos.


Esse garoto sorria demais.


- Bom, acho que vou indo - digo me virando para abrir o portão quando ele me impede.


- Espera... - ele me puxa pra si.


Eu levo um susto mas ele não me solta, pelo contrário, me aperta mais para si. Nós estávamos abraçados. 


- Por que você é assim? - eu pergunto.


Ele não diz nada e a partir daí tudo fica rápido demais. Jimin afrouxa o abraço, mas não o suficiente para que eu escape dele. Ele segura minha nuca delicadamente e junta seus lábios nos meus. 


Ele havia me beijado.


Sua boca era bem mais macia do que aparentava e quando sua língua entrou em contato com a minha, uma corrente elétrica passou por todo o meu corpo, dos pés da cabeça sem exceção.


Sua mão que fazia carinho em minha nuca estava gelada, e logo subiu para os meus cabelos, me causando outra onde de arrepios.


Naquele momento, eu podia jurar que nenhuma sensação se comparava com aquela.


Céus, o que eu estou fazendo?


Depois que me dou conta do que estava acontecendo, dou um empurrão nele e ele cai no chão.


- Qual é o seu problema? Sabia que não podia confiar em você, era por isso essa sua gentileza? Estava planejando isso o tempo todo? - grito e ele nega com a cabeça, rindo.


- Você tem mesmo muita dificuldade de entender Min - ele diz se levantando e vai embora.


- Mas o que... - o observo se afastar.


Toco em meus lábios, eles estavam quentes apesar do frio. Atordoado, entro em casa e vou direto para o quarto. Não me dou o trabalho de comer, muito menos colocar um pijama, só consegui me deitar na cama.


Eu não entendia aquele rapaz, muito menos aquela noite e nos dias seguintes continuei confuso.


Diria que até mais.


Apenas anos depois é que fui entender o porquê dele ter aparecido.


Ele queria que eu sentisse.


Sem ele, eu nunca teria descoberto o que era um abraço, o que era um beijo e o Park apareceu para me mostrar exatamente o que era tudo isso.


(...)


Respiro fundo.


Não precisava abrir os olhos para saber que ele estava ali, seu perfume amadeirado já se fazia presente.


Sorrio, ainda de olhos fechados, ao sentir o primeiro toque.


Ele correu seus dedos por todo o meu braço e ficamos assim por longos minutos. Logo, sua mão se movimentou para meu pescoço, nuca, cabelo e enfim rosto.


Ele me acariciava sutilmente, como se o estivesse fazendo com uma pena. Por meus olhos e sobrancelhas. 


Testa, bochechas, nariz, queixo, boca.


Ele beijou cada centímetro do meu corpo, sempre com suas mãos entrelaçadas as minhas. Nossas respirações se misturavam a todo instante. Era maravilhoso, tudo nele era maravilhoso.


Então eu acordei.


(...)


Abro os olhos e a primeira coisa que escuto é o som irritante do despertador. Resmungo baixinho 'pra mim mesmo antes de me levantar preguiçoso e me arrastar até o banho.


Desde aquele dia, sonhos assim com Jimin eram comuns. No começo era meio estranho, inusitado eu diria. Mas com o tempo passei a me acostumar e, confesso, até gostar.


Hoje em dia, eu até dormia mais cedo ansiando sonhar com o loiro.


Fora os sonhos, daquele dia em diante, eu vivi a minha vida normalmente. Ainda não sentia as coisas e vivia me machucando como sempre, mas agora com uma diferença. 


Eu sabia o que era o toque.










Fim.




Notas Finais


erros?
ignorem pfv.
divulgar ajuda mto!!

obgda por lerem até aq :)


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