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História The Brightest Star - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, sweethearts! Faz um longo, longo tempo, mas aqui estou atualizando mais um pouco desses personagens que particularmente amo escrever. Por causa do tempo que demorei para postar, até brinco na narrativa da personagem neste capítulo.
Espero que gostem, boa leitura. Perdoem-me pelos eventuais erros.

Merci!

Capítulo 11 - Você diz que é impulsividade o que chamo de coragem.


Fanfic / Fanfiction The Brightest Star - Capítulo 11 - Você diz que é impulsividade o que chamo de coragem.

Agosto de 2017. Los Angeles, Califórnia. Selena Gomez narrando.

 Quando eu abri os meus olhos na manhã seguinte, algo havia mudado.

Parecia que tinha se passado muitos meses. Ou talvez fosse só a claridade. O quarto do hotel não costumava ter aquela luz, pois a janela de lá era, na verdade, um buraco minúsculo próximo ao teto. E tinha infiltração. E muito, muito mofo. Agora tudo estava devidamente limpo, parecia que eu tinha morrido e adentrado aos céus.  Não sabia que droga de lugar era aquele, mas quando eu vejo Justin sem camisa, apenas de calça preta, mexendo em coisas que são minhas, eu pensei: Com certeza isso não é o céu. Justin Bieber jamais iria para lá. 

    Solto um gemido sonolento. 

    Os raios solares da manhã irradiava todo o quarto. É meio estranho, sonhei que nevava em Los Angeles. E que camadas e camadas de neve cobriam os automóveis da cidade. As ruas também ficaram branquinhas. Saí caminhando com minhas botas de inverno e comecei a ouvir uma voz infantil, como se estivesse saindo do alto e que dizia: “Você quer brincar na neve?”. 

    Aí eu acordei.

    — Ei — disse Justin enquanto dobrava um moletom meu escrito “Texas”. 

    Por que minhas roupas estavam com ele? 

    Apertei meus olhos, incrédula. 

    — Estou me sentindo drogada. 

    Tento ficar sentada na cama, em vão, não tenho forças. 

    — Você está tomando uma medicação muito forte.

    É isso. Sabia que tinha algo estranho. Começo a forçar minha memória a me situar no espaço e no tempo. Está tudo sujo, embaraçado como um painel de um carro que não é lavado há um ano. Para o meu cérebro, parecia que eu tinha acabado de nascer. Fui insistindo mais. Com pesar, um flash de uma clínica fez um click em minha mente. Me dou conta de repente que eu tinha cometido o maior erro da minha vida. 

    — Onde está o meu bebê? — Coloco as duas mãos em meu abdômen. 

    Meu estômago começou a doer. 

— Vou te avisar que é a quarta vez que estamos tendo essa conversa. 

 Ele sentou-se à beira da cama. O músculo do seu peitoral se contraiu. Eu estava drogada, mas estava lúcida o suficiente para ver o quanto Justin é bonito, parecia um protagonista de filme, meio rebelde, meio bonzinho. 

    — O que houve? — Eu não fazia ideia o que ele ia me contar. 

    Os seus olhos me fitavam de um jeito diferente, estavam suavizado por um brilho angelical. 

    — Houve uma complicação quando você foi fazer o aborto. 

    Eu não conseguia falar, apenas balançar a cabeça. Enquanto Justin ia me contando, tudo ia ficando cristalino. A viagem, a hérnia, o bebê, o seu sorriso desconcertante, a paixão abrupta, o aborto, meu filho. Céus, eu o perdi para sempre.

    Sentei-me à cama. 

    — Bieber. — segurei suas mãos. Ele pareceu ficar desconfortável. — Como pode me ajudar depois de descobrir que sou a pior pessoa do mundo?

    Gemi de desespero e caí propositalmente para trás. 

    — É… Você teve uma reação diferente dessa vez. Acordou três vezes durante a madrugada e eu já te contei essa história, mas você disse que eu era o culpado por tudo que te aconteceu. 

    Volto a sentar, colocando as mãos na cabeça. 

    — Eu sou um lixo. 

    Justin levantou, ficando de costas para mim. Que costas lindas.

    — Escute. Você não é um lixo. Tem mais uma coisa que preciso te falar. 

    Eu fico de pé, lentamente, caminho até ele e o abraço por trás. Para minha surpresa, ele corresponde ao meu abraço e eu encosto a cabeça no dorso de suas costas. Suspiro, aspirando o ar pelo nariz, sentindo cheiro de sua pele. Cheirava a sabonete. Continuei abraçando-o forte, enquanto sentia suas mãos segurando meus antebraços.     

    Acho que eu o amo. 

    — O que você tem para me contar? — disse em um murmúrio. 

    Ele faz uma pausa.

    O som dos carros lá fora estão ecoando em meus ouvidos. E percebo que não quero ouvir aquilo mais uma vez. Concentro-me no som das buzinas. Não quero ouvir seja lá o que tem para me dizer. 

    Porém é inevitável. A verdade sempre chega. 

    — O seu bebê estava morto quando chegou à clínica. 

***

    Dormi o dia inteiro. Anoiteceu na cidade. As luzes que entravam pela janela agora são da eletricidade.

    O fato de que meu bebê morreu antes de conseguir tirá-lo dentro de mim não me faz uma pessoa melhor. Só menos pouco ruim. Afinal, há um ditado que diz que o que vale é a intenção. Fiquei pensando sobre isso enquanto eu tomava banho. Justin queria me mostrar que eu tinha alguma esperança. Ele queria me fazer estar em um lugar seguro das minhas próprias emoções. 

    Eu sei agora que o amo. Ele se importa.

    Lavei meus cabelos com o shampoo masculino que estava dentro do box. Havia uma toalha limpa quando saí, então enrolo-me nela, é felpuda e branca. Sem pentear os cabelos molhados, deixo-os soltos para que seque de forma natural. Já são quase oito horas da noite. Visto qualquer coisa confortável. Vou andando para fora do quarto, a porta dava direto para uma sala integrada com uma cozinha compacta de móveis pretos e eletrodomésticos cinza. 

    Sorrateiramente, me mantenho em silêncio, apenas observando-o abrir o saco de ervilhas congeladas. É isso que eu amo nele, por fim, decidi que é realmente isso. Mesmo que eu grite aos quatro cantos o quanto o odeio, ainda está ali. Tenho pânico de ser abandonada. Enquanto isso, ainda existe alguém tentando me fazer feliz. Mas, como, pelo amor de Deus, acordou em um dia e, tcha-ran, estou apaixonada?

    — Olá — ele me cumprimenta, passando a mão no cabelo loiro e sexy. 

    Vou até ele e fico sentada no banco giratório por trás do balcão.

    — Você estava por trás de um balcão preparando uma bebida quando nos conhecemos, lembra? 

    Consigo arrancar um meio sorriso seu. 

    — Como se sente? 

    O meu coração acelerou. 

    — Como quem acabou de ter a certeza de ter se apaixonado à primeira vista.

    Observei-o por completo: Ele vestia uma calça jeans e uma camisa branca de mangas curtas. Ficava folgada nele. Sua barba estava bem feita e suas tatuagens me chamavam a atenção. Fiquei tensa, como se a qualquer momento eu fosse beijá-lo. 

    Com uma sobrancelha levantada para mim, Justin colocou um copo com um líquido dentro. 

    — Beba isto. Você precisa tomar as vitaminas que o médico passou. 

    Ele vai fingir que não ouviu?

    — Selena — ele voltou a se dirigir a mim. — Pode ficar aqui o tempo que quiser, mas não pode me dizer coisas como essa. 

    Opa, falei cedo demais.

    Mas por que não? 

    — Desculpe — pedi com melancolia. 

    Cuidadosamente, sinto sua mão tocar a minha. Parecia que estava tentando me consolar. Eu parecia uma irmã velha que ele não queria fazer mal e eu queria comê-lo com os dentes. 

    — Ok. Bem, você não tem culpa. 

    Olho para as panelas.

Do que ele estava falando?

    — O que tem aí? 

    — Frango e batatas. 

    — Eu amo frango e batatas — murmurei com uma pitada de desgosto. — Era tudo o que eu queria comer hoje… 

    Isso o que eu fiz foi golpe baixo. Deus, eu o amo demais. 

    Justin riu alto. 

    — Vai se surpreender, garota. 

    Garota? Quero ser sua garota. 

    — De qualquer maneira, Justin. Obrigada por cuidar tão bem de mim. 

    Ele ficou intrigado, mas agradeceu logo em seguida. 

    Fui forçada a ir sentar no sofá, não sei o motivo, mas Justin estava querendo ficar longe de mim. Minha presença estava deixando-o sem graça. Pego o controle remoto e fico trocando de canais até colocar em um documentário sobre plantas medicinais. 

    — Há quanto tempo estou aqui no seu apartamento? 

Ouço-o responder com sua voz rouca “dois”. 

Finjo estar prestando atenção ao documentário. Porque não importa o que eu falasse, Justin parecia não estar interessado na minha conversa. E assim ficamos por longos minutos. O documentário já não soava mais nenhum ruído na minha cabeça. Ao invés disso, uma música do Coldplay fica sussurrando em meus ouvidos, como se quisesse me dizer algo:

“Minha estrela está desaparecendo,

E eu não vejo chance de libertação, 

E eu sei que estou morto na superfície,

Mas estou gritando por dentro”.

    Eu preciso me libertar dessa dor, era o que Coldplay tentava me dizer. 

    Então eu o fiz completamente. Levantei-me confiante, embora minhas pernas estivessem moles. As palavras da música martelando em minha mente. Quando chego próximo a ele, é como se eu fosse explodir. O ritmo do meu coração estava acelerado com aquele jeito de me olhar. Se a música estivesse certa, isso quer dizer que ele é a minha única salvação. 

    — Amsterdam. 

    — Como?— seus olhos só enxergavam a minha boca. — Não sei do que você está falando.

    Sorri de um jeito meio diabólico, mordendo os lábios em seguida.

    — É uma música do Coldplay que fala sobre redenção. Há alguns anos, toda vez que eu estou passando por alguma situação que me abala completamente, surge uma música na minha cabeça, que fala o que devo seguir. E hoje, essa música está dizendo o quanto quero que você me ame para sempre. 

    Os seus olhos castanhos moveram-se para o lado. 

    Deus do céu, eu estava sexualmente atraída por alguém que amo. 

    É incrível. 

    — Olha, Selena… 

    Não dei chance para terminar. Coloquei o dedo indicador na sua boca e elevei meus seios para encostar em suas tatuagens. Tenho a certeza de que ele sentia o mesmo, mas estava com medo. 

    — Há algo mais excitante do que você me dizer agora o quanto me quer também? — vou perguntando de um jeito malicioso. — Concordo com você quando me diz que não posso dizer coisas como essa. Só que entenda, te amar me faz mergulhar e sair da superfície. Eu quero mergulhar na gente, não importa o que vou encontrar lá dentro. 

    Não houve resposta. Então, beijo seus lábios que estão tremendo.

    O gosto da sua boca explode profundamente no meu ser. Meus olhos estão fechados quando sinto sua mão segurar o meu rosto, o seu carinho é mais forte do qualquer outra coisa que eu havia sentido antes. O seu carinho estava me devolvendo o fôlego que eu precisava há muito tempo. Eu pedia, em silêncio, para aquele momento congelar.

    Suas mãos continuavam a acariciar-me. 

    Era muito surreal poder beijá-lo e sentir sua entrega.

    E, de repente, como um daqueles solavancos que te fazem acordar, suas mãos me afastaram.

    Eu não podia acreditar que Justin era tão covarde. Meu coração queria saltar fora do peito, como ele conseguia parar um momento como aqueles? Os seus lábios estavam contraídos enquanto olhava para mim, perplexo. Oh, Deus, conseguiu ficar ainda mais lindo. 

    — Eu não entendo — digo.

    — Preciso ter responsabilidade afetiva. Preciso muito ser sincero com você. 

    — O que é? Vai me dizer que tem outra pessoa?

    Suas pálpebras baixaram e levantaram com um intervalo de tempo preocupante. 

O que é que tem de tão sincero?

— Selena, se parar de ser tão incisiva e perceber, eu não tenho mais ninguém nessa cidade além de você. 

Eu ainda não fazia a menor ideia do que aquilo significava. 

Dou de ombros. 

    — Por que não percebe que eu também preciso de você?

    — Eu sei disso. Mas existem outras coisas. Acho que você está deprimida porque acabou de se dar conta que perdeu um filho. Está projetando em mim a sua dor como forma de negação. Não posso deixar que acredite que quer me beijar quando está tão vulnerável. 

    Ele deslizou uma mão no meu rosto. Lentamente, volto a encará-lo. 

    — Pelo menos você está aqui parado sendo sincero. 

    Eu claramente estava desapontada. Uma parte de mim sabia que era verdade. A outra parte, queria rolar na ilusão de que nós dois poderíamos, juntos, ser felizes. 

    Justin e Selena fazendo compras no supermercado.

    Justin e Selena andando de mãos dadas. 

    Justin e Selena dando jantares.

    Coisas normais de casal.

    — Desculpe se parece que não quero. Quando tudo estiver mais nítido, poderíamos voltar a conversar sobre sentimentos.

    Meu Deus, conversar sobre sentimentos?

    — Eu não preciso que nada fique mais nítido do que está. Às vezes, a vida te faz passar por algo só para que você enxergue tudo que estava o tempo todo abaixo do seu nariz. 

Ele começou a rir. 

— Isso foi a coisa mais coerente que você já disse. 

Fingindo que estou ofendida, arregalei os olhos e coloco a mão no peito.      

    — Então… Está me dizendo que entende o que sinto? 

    — Não é mais um impulso seu? — ele retrucou. 

    Claro que era mais um impulso meu. 

    A questão é: e daí? 

    Não estou me importando mais, eu só quero mergulhar. 

    — Vamos descobrir. — seguro o seu rosto e o beijo mais uma vez.

    A música do Coldplay explode novamente em minha mente: 

    “Você pode dizer o que quer dizer, 

    Mas isso não vai mudar em nada, 

    Estou cheio de segredos,

    Parado na beira, amarrado à corda,

    E você veio e me libertou.”

 Ficamos nos beijando um longo tempo. Um beijo com direito a trilha sonora.  Agora tudo fazia sentido.

Eu o amo!


Notas Finais


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