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História The Brightest Storm (Dramione) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Eu tenho pena de você, Ronald Weasley


Fanfic / Fanfiction The Brightest Storm (Dramione) - Capítulo 6 - Eu tenho pena de você, Ronald Weasley

A pena é um sentimento que aparenta ser positivo e movido pela bondade, mas, mesmo que de forma inconsciente, ela carrega outras razões. Quando você demonstra sentir pena de outra pessoa, está julgando que a situação dela é inferior à sua. _ Hermione Granger

 

Nem sempre somos capazes de ser fortes e manter nossas emoções sobre controle. Por experiência própria, Hermione Granger sabia disso muito bem. 

 

Quando foi atacada por um trasgo no banheiro, aos onze anos, se sentiu tão assustada e estarrecida, tudo o que ela queria era correr para a cama de sua mãe e sentir seus braços a protegendo do mundo. Mas isso não aconteceu.

 

A parte racional falou mais alto e descartou aquele “incidente” como uma memória indesejada. 

 

Nas férias desse mesmo ano, sua mãe sofreu um aborto que desestruturou não apenas a mulher mas toda a família. Foi o gatilho que precisava ser disparado para as brigas conjugais deixarem de ser feitas longe dos olhos e ouvidos da garota e se tornarem uma nova marca em sua vida.

 

O segundo, terceiro, quarto, quinto e agora… sexto ano em Hogwarts. Todos regados pelas ácidas aventuras ao lado do escolhido e seu melhor amigo. 

 

O Trio de Ouro. Irônico usarem o metal que simboliza a perfeição, a iluminação, a nobreza, quando estão de certa forma a caracterizar seus integrantes, a caracterizar, erroneamente diga-se de passagem, Ronald Weasley.

 

Seu nariz arde com a necessidade não atendida de verter as lágrimas que se alojam em uma quantidade cada vez menor dentro de suas orbes.

 

Ele partiu seu coração.

 

Ele abriu uma velha cicatriz que ainda não estava curada.

 

Ele fez a garota que disse amar, chorar na frente de seu rival.

 

Ronald Weasley a humilhou.

 

O choque da verdade corre entre suas veias como ácido, queimando qualquer resquício de consideração que possuía até ao momento, drenando sua razão e fazendo a emoção borbulhar crua sob sua pele.

 

Com um risinho venenoso atravessa o pequeno mar de estudantes que se esquivava da cena nojenta, ou seriam preliminares em público? A cabeça de fios cor de abóbora tão famosa se afunda no pescoço de Lilá Brown como se fosse um urso sedento por mel. 

 

E a loira então nem fazia questão de esconder seu prazer suspirando e soltando periodicamente gritinhos agudos que espetavam nos ouvidos da Granger como vespas.

 

Ela estava ciente de cada par de olhos queimando em suas costas com curiosidade, pena e diversão. Todos sabiam. Todos tinham conhecimento daquilo que ela também sempre acreditou. 

 

Mas pela primeira vez, Hermione Jean se recusa a passar por vítima.

 

Forçando a garganta, torna a sua presença conhecida através de um leve pigarreio que aparentemente chega aos ouvidos de Weasley como um choque pois ele rapidamente se afasta de Brown a fitando como se não soubesse o que dizer ou agir. - “Er...Mione...eu..”

 

“Me poupe, se poupe e nos poupe a todos, Ronald.” - o interrompe friamente forçando um sorriso a nascer em seu pequeno rosto antes de continuar - “Eu podia ter virado a cara, fingindo que você não estava literalmente comendo essa vadia…” - Lilá rosna tentando avançar em sua direção mas a Granger gargalha como se sua reação fosse engraçada e se aproxima calculista a desafiando - “Vadia, sim. Mas não se sinta ofendida.” - completa com falsa doçura se virando para encarar o ruivo com firmeza - “Você me fez um favor enorme, Brown. Você abriu meus olhos e apenas me fez enxergar aquilo que durante anos esteve bem diante de meu nariz.”

 

“Hermione…” 

 

“Calado!” - estrila furiosa - “Agora é a minha vez de falar e você vai ouvir até ao fim.” - inspira profundamente o fitando com uma raiva evidente e o jogador de quadribol recua amedrontado - “Se lembra de quando disse que me amava? Se lembra quando me beijou? Se lembra quando eu acreditei? Se lembra de quando me fez de idiota?” - cuspe ameaçadoramente calma e suspira artificialmente para afastar a vontade de chorar. Não fracassará agora. - “Se lembre de cada um desses momentos, Ronald Weasley. Porque eles jamais voltarão a acontecer.” - termina firme e séria.

 

“Eu te amo, Mione. Você… você sabe disso. Browm é… é só sexo.” - argumenta desesperado tentando se aproximar.

 

“Não encosta em mim!” - grita escapando de sua mão enojada - “Não respira perto de mim, não fale em mim, não pense em mim.” 

 

“Você não está pensando direito. Venha Mione, vamos falar, nós dois, a sós.” - tenta a convencer estendendo a mão com um olhar implorante.

 

“Eu tenho pena de você, Ronald Weasley.” - declara dando as costas para ele e mordendo os lábios com força mantendo o nariz arrebitado e a coluna ereta. 

 

Weasley foi seu primeiro amor, aquele que fez a garotinha sabe-tudo agir contra seus princípios e quase morrer em aventuras suicidas. Com ele, Hermione conheceu o amor de infância, viu seus sentimentos evoluírem e se transformarem de uma coisa “pura” para algo que somente a machucou.

 

Apressando seus passos para escapar dos sussurros que a perseguiam pelos corredores, a morena praticamente corre cegamente na direção da primeira porta que aparece em sua frente. As lágrimas caem livremente e ela nem se dá ao trabalho de as secar.

 

Escorregando pela porta de madeira pesada Hermione abraça suas próprias pernas chorando alto. Merda, porquê? Porquê? Seu peito aperta quando o peso da realidade cai como um mamute. E agora? Como eu ajo? O que eu faço agora? A ideia de ser o centro de conversas nos círculos de fofoca, a enoja profundamente.

 

Hermione… Venha…. 

 

Pulando em posição de defesa a bruxa puxa sua varinha a empunhando firmemente e olhando ao redor ofegante - “Quem está aí? Homenum Revelio.” 

 

Inteligente… mas não é muito educado tentar enfeitiçar os mais velhos, querida.

 

“Mais velhos?” - indaga surpresa e cerrando os dentes determinada levanta a cabeça vendo uma porta entreaberta vários metros acima de sua cabeça. Curiosa como uma verdadeira grifinória, procura apressadamente alguma forma de subir.

 

Feche os olhos. Abra o coração.

 

“Abrir o coração?” - Hermione quase ri sarcasticamente mas ao receber silêncio como resposta apenas decide seguir o conselho e fecha os olhos sussurrando o mais calmamente possível - “Pode me ajudar a subir, por favor?”

 

1….2….3….4...5…6….7

 

“Hey?” - abre os olhos frustrada e nervosa apontando a varinha para o vazio - “Nada aconteceu?”

 

Eu disse abra o coração, não a boca.

 

“Argh…” - resmunga e fecha os olhos novamente respirando ruidosamente no processo. 

 

Deixe sua mente aberta, relaxe. 

 

É fácil falar. Rebate mentalmente e suspira deixando os ombros caírem em exaustão. 

 

Est potentia cogitandi. (Pensar é poder.)

 

Franzindo o cenho confusa Hermione se vê tentada a abrir os olhos mas tudo o que sente é o ar de seus pulmões sendo evaporado e uma estranha sensação de conforto aquece seu peito.

 

Por manter as pálpebras juntas, a castanha não acompanha o que acontece ao seu redor. Uma espiral de pó branco brilhantes cai sobre ela a envolvendo como um manto de neve e em seguida a fazendo desaparecer no ar.

 

__

 

“Caraca! A Granger pisou em grande no cabeça de cenoura.” - gargalha Pansy esparramada num dos ricos e acetinados sofás verdes das masmorras.

 

“Viu a cara dele? Eu jurei que ia explodir de tão vermelho.” - Blásio comenta agarrando a barriga e rindo alto da cena protagonizada entre os dois grifinórios.

 

“Não vai falar nada, Draco?” - Nott pergunta curioso parando de rir momentaneamente para analisar o amigo que beberica seu uísque pensativo demais.

 

“Quê?” - tosse balançando a cabeça para se concentrar nos amigos - “O que disse, Nott?”

 

Pansy franze o cenho estendendo a mão e encostando no braço dele o mais carinhosamente que uma sonserina de nascença sabe fazer - “Está tudo bem, Drake?”

 

“Tudo, não se preocupe comigo, Pay.” - responde evasivo dando um beijo estalado na têmpora da melhor amiga que assente desconfiada. - “E então?” - olha inquisitivo para Theodore.

 

“A DR do casal de ouro mais cedo.”

 

“Ah… é só isso?” - encolhe os ombros largos indiferente - “Que Weasel não vale nada todos sabemos e a Granger… é só uma sangue-ruim.” - completa recuperando a voz que perdeu após precisar refletir sobre o que dizer.

 

Por Salazar? O que está acontecendo com você, Malfoy? Se recrimina silenciosamente agradecendo pelos amigos não terem reparado em sua vacilada.

 

__

 

“Uau…” 

 

As palavras somem da boca de Hermione assim que suas pálpebras se abrem e seu maxilar cai surpresa. A rica fragrância balsâmica com doces notas amadeiradas penetra suas narinas junto ao frescor e suavidade de água de colónia. 

 

Ela se sente em casa, se sente protegida e recuperada.

 

Estantes carregadas de títulos antigos e variados cobrem a parede norte do lado norte, onde a porta está situada. Cambaleante, a morena dá alguns passos fascinada dedilhando os mesmos com admiração.

 

Do lado oposto, onde as janelas refletiam os raios solares do pôr-do-sol um divã magenta repousa seguido por uma rústica cômoda de três gavetas retangulares e uma mesa de madeira com quatro cadeiras decorada por uma simples jarra de girassóis.

 

Gostou?

 

“Quem é você?”

 

Em breve saberá.

 

E tão repentinamente quanto apareceu, a voz desapareceu como uma brisa fria a deixando sozinha naquele espaço desconhecido e acolhedor, onde ladeada por paredes alheias e sentada no confortável assento iluminado, sente seu coração ficando mais leve e a familiar sensação de lar a envolvendo.

 


Notas Finais


Spoleirzinho: Preparem a tequila!!!!


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