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História The Captain and The Petal. - Capítulo 88


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Notas do Autor


Ois!

Gente, mil perdões pelo atraso nas postagens.

É que, como eu contei no aviso, meu computador pifou e eu passei praticamente todos esses meses sem pc, e ainda estou, pois o problema ainda não foi totalmente resolvido.
Ainda para piorar, houveram coisas ruins na minha vida pessoal, que me deram um bloqueio terrível.
Mas agora eu acredito que está tudo bem!
Eu finalmente consegui terminar o novo capítulo (depois de perdê-lo duas vezes), e pretendo começar a escrever o próximo, contudo, eu acredito que vá demorar um pouco, pois o computador que eu estou usando é emprestado, e eu não vou poder escrever com tanta frequência, mas prometo que vou continuar com a estória.

Agora, sem mais delongas, aqui está um capítulo novo!

Boa leitura!

PS: Desculpem-me se houver algum erro, pois não importa o quanto eu revise, sempre passa algum.

PS2: Eu não sou bióloga xoxo.

Capítulo 88 - Eighty-sixth chapter. - Rosebud.


Fanfic / Fanfiction The Captain and The Petal. - Capítulo 88 - Eighty-sixth chapter. - Rosebud.

Botão de Rosa.

Havia um peso em seu peito, algo levemente desconfortável, que a impedia de se levantar, mas essa coisa em cima dela vinha com um cheiro suave de verbena e lavanda, fazendo-a sorrir confortavelmente enquanto cochilava, esticando as pernas para envolvê-las nas coxas do ser humano que estava prendendo-a contra o colchão.

­­— Steven, eu tenho certeza de que você tem um lado só seu nesta cama. — Lynna ronronou, apoiando suas mãos nos ombros do loiro, antes de abrir os olhos lentamente, encontrando apenas a cabeça de seu marido, enfiada no decote de seu pijama de seda.

— Não! — ele resmungou, prolongando a palavra, enquanto se espreguiçava e a abraçava como se ela fosse um urso de pelúcia. — Você é tão quentinha... e tão suave... — um bufo de cachorro foi ouvido, então seu filhote (que não era mais tão filhote assim) pulou em cima das costas do supersoldado, deitando-se em cima dele, e aumentando ainda mais o peso em cima dela. — Viu? Até Mike concorda comigo.

Ela bufou.

— Vocês dois são impossíveis! — reclamou, esticando as pernas. — Eu terei câimbras terríveis quando essa brincadeirinha acabar, e não vai ser nada legal!

Finalmente, o loiro levanta a cabeça, mostrando-a seus belíssimos olhos azuis, que brilharam para ela, fazendo-a sentir-se mais quente.

— Eu não me importarei de carregá-la para onde quer que você queira ir. — sussurrou, tentando seduzi-la com a promessa.

— Mas eu me importaria, então levanta! — resmungou, mas no fundo ela realmente estava gostando de ter seus dois meninos em cima de si. Quando eles estavam assim, ela quase não conseguia distinguir um do outro, uma vez que ambos tinham o mesmo comportamento e impulsos diante dela, sendo que a única diferença era que um deles era mais irritante que o outro. — Stevie, eu não posso mimá-lo assim! Você sabe como foi difícil fazê-lo não subir na cama quando nós queremos outras coisas!

O loiro gemeu, frustrado.

— Ok, ok! Você venceu! — bufou, sacudindo seu corpo, mas não fazendo nada para tirar o belo Golden Retriever de cima de suas costas. — Mas será que nós não podemos compartilhar do seu calor só mais um pouquinho?

Merda! O bico dele ainda iria matá-la algum dia.

— Tudo bem! — ela bufou de volta. — Mas só cinco minutos a mais! Nós teremos um dia cheio hoje, e eu ainda tenho que...

Sua fala foi interrompida quando alguém bateu em sua porta.

Steve gemeu, voltando a enfiar a cabeça em seu decote.

— Ô STEEEVEEE! — era Hanna. — ABRE ESSA PORTA, SENÃO EU VOU ARROMBAAR.

— Eu já disse que odeio a Hanna hoje? — ele sussurrou contra sua pele.

O corredor ficou silencioso, antes que um furacão atravessasse sua casa e escancarasse a porta de seu quarto, assustando Mike de cima deles.

— Steven Grant Rogers, você tem exatos cinco minutos para sair de cima da minha irmãzinha, porque nós iremos sair hoje SÓ NÓS DUAS e a sua presença está me incomodando. Se não sair por bem, vai ser por mal. — disse-lhe sem fôlego, então saiu do quarto.

— Como é que esse toco de gente entrou aqui dentro? Eu tinha certeza de que Tony tinha blindado o sistema de segurança do Complexo, mas não. Hanna Nuri parece ter uma incrível supremacia aqui dentro. — resmungou, enfiando ainda mais sua cabeça de encontro à pele quente dela.

Respirando fundo, Lynna se preparou, pois Hanna jamais esquecia uma provocação.

Ela só estava se perguntando o que aquele serzinho do mal faria a seguir.

Cinco minutos depois, como cronometrado pelo relógio, não foi Hanna quem apareceu em sua porta, e sim seu primo mais velho, fazendo-a arregalar os olhos.

Então, sem que ela tivesse algum direito de protesto, o loiro mais alto puxou Steve de cima dela, carregando-o para fora do quarto.

— Tsc, tsc... eu avisei que ia ser por mal... — Hanna sussurrou, com os braços cruzados.

— ME SOLTA, SUA PSICOPATA! — Lynna ouviu Steve gritar, enquanto ela se levantava da cama.

— Você não tem jeito! — reclamou com a pequena, severamente.

Ela se encolheu um pouco.

— Foi mal, mas é que eu estou tão animada! — pulou logo em seguida. — Precisamos sair logo, se quisermos que isso dê jeito.

Lynna suspirou fortemente.

— Tudo bem, e para onde nós vamos? — perguntou, massageando as têmporas.

Hanna abriu um sorriso enorme.

— Para aquele lugar. — disse-lhe simplesmente.

— Ok. — a mais velha assentiu por fim, amarrando os cabelos em um coque. — Eu só vou tomar banho, então iremos lá.

E com isso elas se separaram, enquanto Hanna dava pulinhos de felicidade.

Isso tinha tudo para dar errado...

*

Desde que acordara do gelo, até o momento em que ele finalmente se familiarizou como o futuro, Steve não havia tido muitos pesadelos. É claro, que ele não era um ser anormal que não tinha pesadelos em si. Eles aconteciam esporadicamente, e pioraram um pouco quando Anna foi levada pela Hydra, mas depois disso tudo, sua mente parecia ter se acalmado...

Contudo, desde que Tony havia lhe contado que seu pior inimigo havia conseguido escapar de uma das prisões mais seguras do mundo, seu sono se tornara cada vez mais perturbado, pois não importava o que acontecia, ele sempre sonhava que sua amada estava nas mãos dele de novo, Igor Priekov, que agora sem seu pai na jogada, tinha poderes suficientes para fazê-la sofrer outra vez.

Ele sabia que deveria contá-la, mas simplesmente não podia. Ela parecia tão bem, tão feliz, tão realizada... ela já não tinha mais aquele parasita que lhe torturava, estava livre de qualquer amarra daquela organização maldita, que ele não conseguia desfazer o belo sorriso em seu rosto bonito.

Tudo o que Steve queria era o bem de Anna. E se o bem dela fosse não saber sobre o Priekov filho, então ele não iria contá-la.

Ele agradecia aos céus que Mary não estava por perto quando Tony recebeu a noticia na semana passada. Se tudo tivesse ido como o planejado, ela ainda estaria em Los Angeles com sua mãe e suas irmãs.

Respirando fundo, ele abriu os olhos, tentando limpar da mente as cenas de Anna sendo amarrada numa cadeira, sangrando e morrendo. Ele forçou-se a dizer para si mesmo que ela estava bem, apenas se acalmando ao ouvir o ressonar suave do sono dela. Ao seu lado.

Bufou frustradamente ao olhar o relógio de cabeceira, vendo que ainda estava cedo demais para ele sair lá fora e correr pelo Complexo, por mais que isso não fosse um problema para ele.

Olhou para o lado, vendo o seu semblante tranquilo, como deveria ser.

Seus dedos se arrastaram por sua pele macia sem o seu consentimento, sentindo o calor que ela emanava.

Não. Ele não podia simplesmente estragar o momento mais feliz da vida de sua esposa. Ele não seria esse tipo de cara.

Em sua mente, tudo já estava decidido. Ele irá caçar esse miserável, fará de tudo para trancá-lo numa caixa e enfiá-lo no meio do oceano, para que ele jamais volte a ter contato com a humanidade, tudo isso para protegê-la, para proteger o seu futuro.

Nada nunca mais irá ameaçá-la.

Suspirando, o loiro aproximou-se mais do calor que Anna emanava, decidindo por fim apertá-la em seus braços, para que ela jamais pudesse sair de sua proteção. E com isso, ele não sabe como, mas conseguiu dormir com a cabeça enfiada no decote dela, ouvindo as batidas ritmadas de seu coração, e sentindo o cheiro do perfume caro que ela gostava de usar no pescoço antes de dormir.

Mais tarde, ele sentiu as pernas dela se movimentarem e abraçá-lo, como inevitavelmente acontecia quando eles estavam nessa posição, minutos depois, ele ouviu sua voz melodiosa.

­­— Steven, eu tenho certeza de que você tem um lado só seu nesta cama. — ela não parecia estar brava, muito pelo contrário. Ele conhecia esse tom, o que indicava que ele não estava tão encrencado como da última vez em que acabou adormecendo literalmente em cima dela. Suas mãos macias foram como um bálsamo para os seus ombros tensos. Finalmente ele pôde relaxar propriamente.

— Não! — Steve resmungou, tentando ganhá-la com sua voz pidona, enquanto apertava-a ainda mais contra si. Ele tinha consciência de seu peso, mas era simplesmente impossível de resistir ficar assim com ela... — Você é tão quentinha... e tão suave... — ele foi cortado por seu cachorro, que pulou em cima de suas costas. Ele sabia que o filhote amava Anna tanto quanto ele a amava. — Viu? Até Mike concorda comigo.

Ela fez um barulho birrento.

— Vocês dois são impossíveis! — ouviu-a resmungar, enquanto sentia-a esticar as pernas, inconscientemente provocando sua virilha contra o colchão. Não era sua culpa que ele pela manhã era mais sensível naquela região. — Eu terei câimbras terríveis quando essa brincadeirinha acabar, e não vai ser nada legal!

Ele levantou a cabeça, encontrando a coisa mais linda que ele veria no dia de hoje. Os cabelos dela estavam um pouco embaraçados do sono e desfeitos da trança. Seus olhos castanhos ainda estavam nublados e seus lábios ainda possuíam um resquício do batom que ela havia usado noite passada ao sair com Hanna. E mesmo assim, ela ainda parecia uma deusa a seu ver.

— Eu não me importarei de carregá-la para onde quer que você queira ir. — disse a verdade. Se dependesse dele, ela jamais pisaria no chão, pois ele era muito profano para ela.

— Mas eu me importaria, então levanta! — ela disse severa, mas no fundo, ele podia ver como ela gostava desse tipo de aconchego. — Stevie, eu não posso mimá-lo assim! Você sabe como foi difícil fazê-lo não subir na cama quando nós queremos outras coisas!

Ele não agüentava quando ela o chamava assim. Era muita judiação.

— Ok, ok! Você venceu! — resignou-se, falsamente tentando expulsar o Golden Retriever de cima de si. Ele ainda não queria abandonar aquele calor aconchegante, essa emoção louca de estar em casa... Anna e Mike eram o seu lar, ele não estava com muita vontade de se afastar deles tão cedo. — Mas será que nós não podemos compartilhar do seu calor só mais um pouquinho?

Ele sabia que a tinha vencido quando ela reproduziu o seu bico involuntariamente.

— Tudo bem! — isso o fez sorrir. — Mas só cinco minutos a mais! Nós teremos um dia cheio hoje, e eu ainda tenho que...

Ele estava prestes a levar uma bronca, quando um de seus amigos da onça resolveu que seria interessante importuná-lo em seu dia de folga. Dia esse, que ele havia explicita e arbitrariamente reservado para levar sua querida esposa a um piquenique e depois a uma sessão interminável de filmes na Netflix.

O loiro gemeu, enfiando-se na pele de Anna, mandando esse vingador embora com o poder de sua mente, enquanto sentia os globos macios da mulher abaixo dele abraçá-lo suavemente.

— Ô STEEEVEEE! — Hanna Nuri. Ele queria matar aquela nanica irritante. — ABRE ESSA PORTA, SENÃO EU VOU ARROMBAAR.

— Eu já disse que odeio a Hanna hoje? — resmungou, tentando afundar na pele de Anna para fazer a pequena terrorista sumir dali.

Felizmente o silêncio reinou em seu quarto, até que o pobre do seu cachorro pulasse de cima dele na velocidade da luz quando a porta do cômodo foi praticamente arrombada pela emissária do cão, aka Hanna Lee Nuri.

— Steven Grant Rogers, você tem exatos cinco minutos para sair de cima da minha irmãzinha, porque nós iremos sair hoje SÓ NÓS DUAS e a sua presença está me incomodando. Se não sair por bem, vai ser por mal. — aquele pequeno projeto de pessoa! Ele iria bloqueá-la no corredor, então ela iria ver só quem iria rir por último!

Desde que eles se casaram que o alvo dos ciúmes de Hanna passou de Marnie para ele. Steve poderia até sugerir uma sessão com a doutora Jones para ela, mas tinha medo de perder o seu supersoldado. O fato era que aquela criatura deveria rever seus problemas com o ciúme.

— Como é que esse toco de gente entrou aqui dentro? Eu tinha certeza de que Tony tinha blindado o sistema de segurança do Complexo, mas não. Hanna Nuri parece ter uma incrível supremacia aqui dentro. — resmungou, enfiando ainda mais sua cabeça de encontro a pele quente de Anna.

Ela respirou fundo, e ele apenas se concentrou nisso, rezando para que aquilo tivesse sido apenas um surto involuntário de Hanna, contudo, tanto ele, quanto a ruiva sabiam que aquela criatura estava tramando algo mais poderoso do que assustá-los.

Tudo aconteceu muito rapidamente.

Num instante, ele estava abraçado à Anna, e no outro, alguém o arrastava para fora do quarto.

Thor.

Como ele não havia desconfiado antes?!

Hanna sempre o envolvia em seus planos maléficos.

Ele estava completamente contrariado agora.

— Tsc, tsc... eu avisei que ia ser por mal... — ouviu-a sussurrar, aquela fedelha, ela iria ver só uma coisa! Vai ter troco!

— ME SOLTA, SUA PSICOPATA! — ele gritou, sabendo que não tinha como argumentar com o asgardiano que o carregava, mas mesmo assim tentou. — Qual é cara, Hanna está fazendo isso de propósito!

— Eu sei disso. — Thor disse, encolhendo os ombros, então colocou-o sentado no sofá da sala comunal. — Mas eu não posso fazer nada. Ela é extremamente convincente quando quer as coisas, e elas já haviam planejado isso há semanas...

E com isso, ele foi deixado sozinho, ou ao menos foi o que ele pensou...

— Sabe...? Até que ele tem razão... — ouviu a voz de Marnie do fundo da cozinha, então soltou um grito de susto.

— O que você está fazendo aqui?! Não deveria estar em Los Angeles?! — disparou com a mão no peito.

Ela estreitou os olhos.

— Por que será que você se assustou comigo, Capitão Rogers? — sua amiga disparou de volta, cruzando os braços. — Deve ser por que o senhor anda escondendo coisas, não é mesmo?

Ele arregalou os olhos, incapaz de sustentar uma mentira. Seu estômago gelou.

— O quê? — babulciou. — Eu não... do que você está falando?!

Os olhos dela brilharam com malícia.

Igor Priekov. — ele vai matar Bucky! Maldito boca aberta!

— Mary...

— Não adianta me repreender, eu sei. — ela o cortou, cruzando os braços. — Na verdade, esse foi o maior motivo para eu ter voltado mais cedo. Ele tentou entrar em contato comigo, aquele idiota. Agora que a mãe dele está sem seus preciosos poderes, ele acha que pode tentar me aliciar para a sua causa...

Se os olhos de Steve estavam arregalados antes, agora eles estavam praticamente saltando da face...

Fazia pouco tempo que eles tinham dado liberdade a Milla Priekov, quando Tony aperfeiçoou o chip dentro dela, graças ao fato de que ela quase fez Anna e a pequena terrorista brigarem quando sua esposa criou a ilusão de ter jogado o banquinho rosa de Han pela janela.

Ele não imaginava que a maldita iria atacar tão cedo...

— Você... — sussurrou, abismado.

— Não se preocupe, não aconteceu nada. Eu não o vi, ou coisa parecida. Ele simplesmente me mandou um bilhete esquisito dizendo que tinha algo para mim, mas eu o ignorei, então, quando eu cheguei aqui ontem à noite, James me contou que ele havia conseguido fugir... — ela suspirou, aproximando-se dos sofás, enquanto ligava a TV em sua questionável série favorita. — E você está com medo de contar a Lya sobre isso.

Ele bufou.

— Eu simplesmente odeio quando você faz isso. — sussurrou, cruzando os braços.

— Por que eu estou certa. — disse-lhe, dando de ombros. — Você sabe que ela não irá te perdoar se descobrir isso por conta própria, não sabe? — ele assentiu, desviando os olhos dela. — E mesmo assim está disposto a arriscar?

Ele respirou fundo, enfiando o rosto entre as mãos. A confusão de mais cedo fora completamente esquecida.

— Eu só... eu só não quero vê-la triste, preocupada, espiando pelos cantos, olhando constantemente por cima do ombro... ela parece tão bem, Marnie, é até o pecado contar uma desgraça dessas a ela... — sussurrou, então sentiu a mão de sua amiga em seu ombro.

— Eu sei, e eu te entendo. — ele espiou-a entre seus dedos, vendo a sinceridade de suas palavras. — Mas, por mais que doa, ela precisa saber, porque isso é importante para ela. — Mary tirou suas mãos da frente de seu rosto. — Stevie, ela não é uma mocinha indefesa. Eu sei que você tem esse sentido aranha de protegê-la, levando em conta tudo o que vocês passaram... mas entenda, ela pode se proteger sozinha, e isso é algo importante para o relacionamento de vocês. Nós não estamos mais nos anos 40, não é mesmo?

Ele suspirou.

— Você tem razão, eu sei disso. — disse-lhe. — Mas eu simplesmente não consigo. Tentei ao máximo três vezes, e todas as vezes eu travava.

— Mas tente. — ela sussurrou, mandando-lhe o olhar de calma que ele realmente precisava. — Eu odiaria vê-los brigar outra vez. Porque você sabe que é isso o que vai acontecer se não contar. E esse sofá em que está sentado será o seu destino certo.

— Eu simplesmente odeio quando você está certa. — bufou. — Talvez seja por isso que eu não queria que você soubesse.

Ela lhe deu um pescotapa.

— Nunca mais diga isso. — resmungou. — Ou eu não terei outra escolha a não ser batê-lo.

Ele riu suavemente e coçou a nuca.

— Tudo bem, eu prometo que irei tentar. — disse-lhe por fim.

— Acho bom. — ela sorriu, mas não havia nada além de sua calma habitual em seu tom de voz. — Já que você é tão antiquado, deveria seguir aquele ditado horroroso: esposa feliz, vida feliz. Você se foderia menos, amigo.

Então, ele foi finalmente deixado sozinho, com mais conflitos internos do que quando acordou.

*

Por fora porcelana, por dentro, o caos.

Desde pequena, era assim que ela tinha sido.

Por fora, uma boneca, impenetrável, inquebrável, perfeita.

Por dentro, destruída, destroçada, rasgada, reconstruída, queimada, apagada, quebrada e reconectada para ser destruída outra vez.

Talvez em nenhum momento de sua vida, Nuri So-Hyun tenha tido a certeza de que fora verdadeiramente amada.

Seus pais eram pessoas ocupadas, que largaram o sonho americano para investir na pesquisa que eles tanto sonharam: a de salvar a vida de uma criança irremediável com uma cura milagrosa que eles haviam descoberto.

O que havia começado como algo inocente, para salvar a vida de sua filha não nascida, diagnosticada com uma doença rara antes mesmo de dar seus primeiros suspiros, tornou-se algo sombrio, mesquinho, podre, que por mais controverso que tenha sido, salvou a vida do feto, mas destruiu-o ao mesmo tempo.

Há alguns anos atrás – quarenta e quatro anos coreanos, se ela ousa dizer –, Nuri Shang e Park Stephânia, já pais de dois filhos – homens – saudáveis, foram agraciados com uma terceira gravidez. Uma princesinha. Contudo, essa menina trazia mau presságio para sua mãe, que constantemente passava mal. Após uma ida ao médico, seus pais ficaram sabendo que essa garotinha estava doente, e que o melhor caminho era o aborto, para prevenir que essa criança não sofresse no futuro.

Talvez, apenas talvez, tenha sido naquele pequeno período de tempo que So-Hyun havia sido amada, pois eles decidiram lutar contra.

Sendo ambos os cientistas curiosos que eles eram, formados em áreas importantes dos estudos genéticos, eles se empenharam em lutar contra o tempo que sua filha tinha, lutar contra a doença que ela tinha, chegando até uma fórmula quase que incalculável.

Eles descobriram um tipo sanguíneo tão importante quanto o sangue do homem que ajudou a elevar o status do Estados Unidos da América a ser o que era na época. O sangue de uma mulher ferida numa rua estreita de Seul.

Contudo, essa mulher tinha dono, e seu ferimento havia sido estrategicamente arquitetado para atrair os cientistas desesperados.

No começo, era por amor, mas o amor pode ser simplesmente esquecido por uma quantia exorbitante de dinheiro e fama, muita fama.

Afinal de contas, o que era um girino machucado e murcho perto de dois filhos fortes e saudáveis que poderiam perpetuar seu nome por gerações, não é mesmo?

Eles simplesmente poderiam entregar o sapo manco para os russos, não poderiam?

E foi exatamente o que fizeram.

Com o sangue da mulher, a criança começou a curar-se dentro do ventre de sua mãe, enquanto eles ganhavam dinheiro de milionários estrangeiros que queriam apenas que o mundo queimasse, para que eles saíssem por cima dos EUA na Guerra Fria.

Foda-se que uma vida seria arruinada por isso.

Foda-se.

A partir do dia em que eles encontraram a mulher ferida, So-Hyun havia se tornado uma arma.

Hoje em dia, ela não culpava mais a mulher – que era uma adolescente na época, por mais que seu corpo se mostrasse diferente –, pois assim como ela, a outra havia sido tão fodida quanto, ou talvez pior, ela não sabia dizer. Não havia um medidor de quem havia se fodido mais.

Quando ela nasceu, os testes estavam a todo vapor, pois a fórmula havia funcionado. Depois de anos de desenvolvimento, quem diria que havia sido uma fedelha que mudaria tudo, não é mesmo?

Como prometido, os pais de So-Hyun entregaram-na para os russos, que a partir daquele momento, começaram a expô-la aos seus piores inimigos: o fogo e o gelo.

Desde os meses anteriores à formação da fórmula, eles vinham planejando algo grandioso, que pudesse aterrorizar ainda mais os inimigos dos russos, e nada melhor do que o fogo para fazer esse trabalho.

Talvez, aquele curto período de tempo em que So-Hyun fora amada havia sido uma completa ilusão.

Anos de testes, exposições e injeções se passaram, eles a treinaram para matar. Perfeitamente. Não como uma das russas deles, mas sim como uma guerreira do povo dela. Algo peculiar, ancião, o único símbolo que ela carregaria consigo de seu passado.

Seu nome, uma vez alterado, agora já não existia mais. Ela não era mais So-Hyun, ela não era mais a outra, que fora quebrada. Ela era o nome que os russos lhe deram, que a sua mãe lhe dera. Pyra.

E apesar de todo esse tempo, de tudo o que eles fizeram para alienar e apagar tudo o que ela jamais foi, e jamais teve alcance de ser, eles não conseguiram tirar uma coisa dela.

A vontade de ser amada. A resistência.

Nada, nenhum dispositivo, fosse ele a cadeira de choque ou o soro, poderiam fazê-la se curvar.

Era quase como o lema da Casa Martel: insubmissa, não curvada, não quebrada, tanto quanto um dia, a outra garota havia lhe dito que ela havia nascido para ser rainha. Mas quem seria o louco que permitiria uma coisa dessas?

Não, nenhuma arma tem direito a ter essas coisas. Nenhuma arma tem direito a ter amor.

Ela aprendeu isso do jeito mais difícil.

Ela ousou conquistar a piedade e o amor da mulher que lhe pariu, apenas para matá-la com um tiro, que por mais que não tenha sido disparado por ela mesma, foi pelas mãos do cara que jurou amar Park Stephânia eternamente.

Naquele dia, So-Hyun finalmente entendeu que o amor não a levaria a lugar nenhum.

E como ele poderia, se ela jamais o havia conhecido?

É claro, ela não seria hipócrita de dizer que não o havia conhecido completamente, pois ela havia experimentado isso com as outras armas dos russos, aqueles a quem ela chamou de irmãos. Aqueles que eram tão fodidos quanto ela, e que tiveram compaixão e compartilharam sua dor com ela.

Mas aquilo nunca parecera real para ela, até o momento em que ela fora salva.

Após seu pai ter matado sua mãe, ela surtou, tentou queimar o laboratório onde fora mantida, quase arrastando uma das armas consigo.

Ela lutou, e lutou, até que não tivesse mais forças. Foi quando enfiaram-na numa cabine de gelo, enfraquecendo-a completamente, ao ponto em que seu coração quase parou.

Quando ela voltou a despertar, a primeira coisa que viu foi o azul.

Lindo, limpo, puro, devastador.

O azul pareceu tê-la engolido completamente, adornado pelo sol escaldante, o calor em sua pele, o despertar do tormento frio em que ela foi colocada.

Só então, So-Hyun percebeu.

Ela já fora amada.

No momento em que Bucky rejeitou castigá-la para não danificar seu corpo fragilizado. No momento em que Lya se colocou em sua frente para que as balas não lhe atingissem.

No momento em que cada um deles dividiu e fragmentou suas almas para lhe entregarem um pedaço.

Mas mesmo assim, ainda lhe faltava algo, o mais básico, o fundamental.

O amor das pessoas que tinham a obrigação de lhe amar incondicionalmente.

Por mais que parecesse besteira – e era –, ela ainda se sentia incompleta sem aquele amor, traumatizada por ter sido tão cruelmente abandonada por alguém que deveria lhe dizer em qual direção seguir.

Por isso, ela rejeitou o sol, por mais brilhante que ele parecesse, por mais convidativo que ele fosse, por mais tentador que ele era...

Ela não estava disposta a se entregar, como fez com sua mãe, de permitir que a rosa frágil dentro de seu coração voltasse a se abrir outra vez, apenas para ser murchada pelo rancor e pela perda, pelo abandono e pela decepção.

Não. Ela não queria ficar com ninguém, pelo menos não permanentemente.

E então, durante muito tempo, ela fora feliz em ser a piranha, a que não ligava no dia seguinte, a megera sem coração, contanto que o botão de rosa estivesse preservado dentro de si.

Mas era praticamente impossível, quando cada passo que ela dava, cada pensamento que ela tinha, era direcionado para o primo de sangue de sua melhor amiga. Aquele com quem ela compartilhava seu sangue também, de um jeito muito bizarro...

No começo, ela imaginava que era por causa do gene asgardiano, que ela era tão ligada ao sol. Mas não era bem assim.

Hoje ela sabia que era algo bem mais forte, algo que é mais compreensível de entender o porque de ela constantemente pensar nele, em como ele deveria estar, se ele estava em segurança...

Ela não queria sentir coisas pelo primo de sua melhor amiga, mas era quase que inevitável. Era como se ela não tivesse controle sobre si mesma, como se ela já o conhecesse de outros tempos, como se...

Ela não sabia descrever, mas era mágico, profético... simplesmente acontecia.

Quando ele foi embora de volta para sua terra natal, ela pensou que teria paz, mas isso apenas se tornou pior.

Seu coração, o botão dentro dele, vibrava sempre que o nome do seu sol era mencionado. Oh, como ela odiava isso...

Então, quando ele voltou, So-Hyun teve medo de que seus sentimentos se tornassem ainda mais explícitos do que eram, uma vez que seus amigos brincavam que ela gostava dele...

Ela teve medo de revelar que o amava, para que toda a merda não acontecesse de novo.

E o pior de tudo, era saber que ele sentia o mesmo que ela. Era saber que cada uma de suas palavras cruéis o machucava. Era saber que ela estava ferindo a única pessoa que poderia curar o botão que sangrava.

Era terrível ver a tristeza naquela única bola azul, era difícil machucá-lo, e ela já estava chegando em seu ponto de ruptura, o ponto em que ela já estava completamente arrependida, e que queria rasgar de vez a sua alma para contá-lo sua história seu trauma, coisa que ela nunca havia contado a ninguém, exceto Bucky e Lya.

E quão irônico não havia sido, quando a Hydra fora seu maldito cupido.

Vê-lo ali, mais ninguém, apenas ele, limitado sem seu inseparável martelo, vibrando de raiva para ela, quebrando aquela maldita cela, por ela, a represa se rompeu.

Naquele dia, ela não entendia ainda, mas hoje, ela sabia que havia se rompido.

Ela, que sempre teve medo da chuva, do som exagerado dos trovões, encontrou abrigo no ser que os criava. Ela finalmente havia aceitado viver esse comichão em seu peito, permitiu-se acreditar que poderia ser amada de verdade, mesmo depois de ter sido um ser humano terrível...

“Porque eu não poderia conviver comigo mesmo se algo de ruim lhe acontecesse, ele havia dito, após ela ter indagado o porquê de ele tê-la salvo e não outro.

O que eu tenho de tão especial que o faria se sentir culpado pela minha morte?

Você é importante para o time, é a melhor médica que eu conheço e...

E...?

Você é parte da minha alma, eu jamais aguentaria perdê-la.

Olha, eu sei que eu tenho sido muito cruel com você, mas fazer isso...

Eu jamais brincaria com a você, minha senhora. Eu jamais seria capaz de machucá-la.

Eu não tenho nada de especial para te oferecer!

Como você pode não enxergar o quão doce você é, o quanto se importa com os outros, o modo como brilha quando sabe que é capaz de curar alguém?

Você diz isso porque não sabe o quão podre eu sou. Você não sabe a quantidade de coisas ruins que eu fiz antes de chegar até aqui.

Eu sou um guerreiro, minha senhora. Eu já vi tudo o que os Nove Reinos podem mostrar de podridão, e posso lhe afirmar que a senhora não é e jamais será podre. O que lhe aconteceu foi uma covardia, eu conheci sua história, e sei que as pessoas que macularam o seu corpo são pessoas cruéis, você não teve escolha, sua vida foi tirada de si antes mesmo de nascer.

Mesmo assim, isso não me faz digna. Eu aprecio sua preocupação por mim, vossa alteza, mas eu simplesmente não posso aceitar isso.

Por favor, não diga isso. Eu que não sou digno de você. Da sua graciosidade, da sua beleza, da sua bondade. Não importa quanto eu tente, eu jamais merecerei um sorriso seu.

Mas...

Meu coração pertence a ti, desde o momento em que eu a vi naquela cápsula. Quando eu era pequeno, minha mãe sempre me falava sobre a lenda das almas gêmeas. Ela era uma bruxa, e podia prever certas coisas sobre o futuro de seus filhos. Ela me disse que eu estava destinado a encontrar a única mulher digna de trazer paz à fúria existente em meu coração. E essa mulher é você. Eu tive certeza disso no instante em que Mjolnir voou para suas mãos, coisa que ninguém mais pôde fazer além de mim.

 Por que eu? Eu sou só a filha indesejada de dois cientistas malucos, eu não tenho sangue real, eu não tenho nada para oferecer ao deus do trovão!

Eu não preciso que me dê nada além do que quiser me dar, eu não preciso de terras, conquistar fronteiras ou outros planetas. Eu só queria ter a honra de merecer um sorriso seu, então eu poderia morrer feliz, porque eu mereci algo vindo da minha flor, da minha rainha, da minha alma gêmea”.

Alma gêmea...

Antigamente, essas duas palavras fariam parte da mesma palavra que o homem que as proferiu. Um mito.

Pois não havia como, em todo o mundo, alguém ter sido feito exatamente para ela.

Mas ele foi.

Pela primeira vez em sua história, So-Hyun permitiu-se ser Hanna, a garota que deveria ter nascido para ser amada, a menina doente que sua mãe carinhosamente havia nomeado.

E ela foi.

A o botão de rosa dentro de seu peito não foi totalmente curado – e também não poderia –, mas ele já não sangrava mais, e havia desabrochado. Ela sentia tanto amor em seu peito, que era capaz de se consumir em chamas lilases.

Ela o amava, e ele a amava de volta, mesmo que menos de um ano tivesse se passado. Era inexplicável o modo como eles conheciam um ao outro, como se tivessem nascido com o gabarito de ambos os corpos traçados na ponta dos dedos. Ela nunca se sentira tão bem.

Contudo, nem todas as coisas são flores.

O universo havia lhe entregado um sol, aquele destinado a ser sua luz no fim do túnel, o calor que lhe esquentaria à noite, mas ele também era o sol de outras pessoas, o farol que os guiaria para a plenitude, para a paz. Ele era o rei dourado de outras pessoas, e isso era algo terrível para ela.

Eles a odiavam.

A maioria poderia fingir muito bem em aceitá-la como futura rainha, mas ela sabia que no fundo tudo era um mero teatro.

Como eles poderiam ousar enganá-la, quando ela lutou ao lado de mestres na arte do blefe?

Eles poderiam ter montado os caminhos de flores, ter acolhido-a em sua casa, mas não, eles não a queriam como rainha, e ela entendia o porquê.

O reino deles explodiu. Eles não pertencem a este planeta, estão tentando se adaptar a algo novo, e procuram fincar-se em cada grama de suas tradições possível. Em um segundo, eles eram deuses, no outro, eles não podiam se passar por mais que meros mortais, agora sem teto.

Eles querem uma Brunnhilde, não uma Hanna. Eles querem uma pessoa do povo deles, e não uma pessoa clandestinamente com o sangue deles. Há uma gritante diferença nisso, por mais que segundo Bruce, de um jeito estranhamente bizarro, ela poderia se passar por uma asgardiana legitima pela quantidade de sangue de Lya em suas veias, que graças a sua doença terrível, ela quase não tinha o sangue de seus pais em suas veias... era algo tão, tão complicado, que ela não conseguia encontrar explicações plausíveis para isso, nem mesmo com seus frágeis anos na medicina.

Mas o verdadeiro fato era que ela tinha medo.

Ela tinha medo de se arriscar mais e terminar sendo rejeitada outra vez.

Porque para um rei, seu povo deveria vir primeiro, e ela sabia que não estava preparada para ser uma rainha. Ela não queria ser apenas uma alegoria, e ela não saberia como lidar com um povo, ela nunca aprendera isso na escola de assassinos.

A única coisa que ela sabia era como criar um caos, como desestruturar um país pela raiz, e não como ajudar a construir um, onde todas as pessoas também estavam traumatizadas pela perda como ela.

Se o Conselheiro o pressionasse mais, pelo povo danificado, por sua alma honrada, ela sabia que Thor escolheria se casar com a moça que lhe fora designada. Uma jovem que realmente tinha potencial para ser rainha.

A garrafa de hidromel tremeu em sua mão.

Ela tinha tanto, tanto medo...

Seu coração parecia podre outra vez, mas talvez, fosse melhor assim. Talvez fosse melhor ela desistir antes, para não se machucar depois.

Pegou o celular que estava irritantemente vibrando e viu a foto de Lya na tela. Sem cerimônias, ela permitiu que o aparelho se espatifasse lá embaixo, enquanto ela admirava a visão de Nova York à noite.

 Ela não precisaria juntar os cacos de duas pessoas.

Era simples, Hanna iria voltar para seu país de origem, ficaria lá por um tempo, escondida no laboratório de Helen. E quando a ferida em seu peito sarasse, talvez ela pudesse voltar para visitar... ela só...

Ela só não queria ser abandonada outra vez.

Se ela tivesse que decidir entre um final feliz, esse final seria onde a pessoa que ela ama não precisasse escolher entre ela e seu próprio povo. Se tivesse que haver algum abandono nessa história, que fosse ela a fazer isso. Por amor.

*

Bucky! — ele ouviu Lya praticamente gritar em seus ouvidos, mas também não ajudava que a música da boate estivesse tão alta. — Onde você está?

Ele engoliu em seco.

Quem o mataria primeiro, Anya ou Hanna?

— Numa boate. — respondeu-lhe, esperando a reprimenda.

Sai já daí, eu tenho um problemão! — ela gritou, mas seu tom não era de raiva, o que fez seu estômago gelar. — Hanna sumiu!

Ele arregalou os olhos, rapidamente caminhando até a saída.

— Como assim a Hanna sumiu?! — perguntou-lhe, tentando avistar os rapazes lá de dentro. — Ela não está aí com vocês?!

Lya bufou.

Barnes, o seu conceito de SUMIU é extremamente diferente do meu! — ela rosnou. — Sua mula! Ela sumiu, desapareceu, se escafedeu, tomou chá de sumiço, roubou a capa de Harry Potter e se tornou invisível, entendeu? — gritou. — Eu estou tentando encontrá-la há horas, mas não sei onde inferno ela pode ter ido. E ela também não me responde no celular, estou tentando contatá-la desde que chegamos ao local onde seria a despedida de solteira dela, mas já são onze e meia da noite e ela não deu as caras!

Se o estômago dele havia gelado, agora ele parecia ter voltado à câmara criogênica.

— Estou indo te encontrar, onde você está? — perguntou-lhe, agora desesperado.

— Vou te mandar o endereço por mensagem. — ela respondeu, então tomou um suspiro. — Seria bom você chamar os meninos. Eu não queria ser estraga prazeres, mas tenho medo do que ela pode fazer. Seus traumas estão vindo à tona, e a pressão do casamento só os tornou piores.

*

— Onde ela possivelmente iria se estivesse chateada? — Steve perguntou, sentando-se ao seu lado.

Lynna encarou seus pés, movendo o salto vermelho para cima e para baixo.

— Ela iria para o laboratório, e enfiaria a cara no trabalho, para nos ignorar. — Mary respondeu, segurando a mão de Thor, que estranhamente parecia à beira de um precipício. Ela tinha medo da expressão assombrada que ele carregava em seu olho. Aquilo lhe dizia que não estava nada bem, e a culpa era toda dela.

Ela deveria ter ficado com Hanna, mas a pequena implorou para se arrumar sozinha, que ela simplesmente permitiu-lhe.

Desde quando elas saíram, ela não parecia muito bem. Ela tinha lhe dito que havia sonhado com seu pai, chamando-a pelo nome que ele a batizou, enquanto a torturava na caldeira.

 No começo, Lynna pensou que fosse apenas nervosismo com o casamento, agora, ela imaginava que a situação tenha tomado um nível astronômico.

Han sofreu muito com seus pais, por mais que sua mãe tivesse se arrependido e tentado reconquistá-la. Ela sofreu muitas perdas, mesmo antes de nascer. Sua família abriu mão dela pelo dinheiro e pelo poder, enquanto deveriam defendê-la.

Sua pequena foi diagnosticada com uma doença rara, que a deixava com muito ou quase nada de sangue circulando em seu corpinho. Se ela tivesse chegado a nascer, sem os recursos necessários, sobreviveria por apenas alguns dias, talvez horas ou minutos.

Desesperados, seus pais tentaram criar algo que pudesse ajudá-la, para que a mãe dela não precisasse abortá-la, mas não conseguiram.

A Hydra, ouvindo falar do talento deles, enfeitiçou-os com dinheiro e fama, e logo o objetivo principal foi esquecido. Eles criaram uma arma para o inimigo.

Isso fez Hanna sofrer muito, se decepcionar, e ser traumatizada por seu passado, que deveria estar vindo à tona agora.

Ela nunca teve tanto medo quanto agora. Medo de que esses fantasmas acabassem forçando Han a fazer algo tenebroso.

Mas se isso tivesse acontecido, ela saberia, por que almas gêmeas sempre sabiam quando a sua metade se machucava...

— Mary... — pronunciou as palavras com uma expectativa diferente. — Os dois estão conectados, não estão? Então é como se um sentisse o outro...? você não poderia...?

Ela arregalou os olhos, como se apenas agora tivesse despertado.

Imediatamente, Marnie apertou a mão de seu primo, permitindo que a cor de suas pálpebras mudasse, enquanto ela examinava através dos vários fios de emoção que ele tinha, o ponto em que eles se misturavam com os de Han.

— Ela está na Torre dos Vingadores. — por fim, ela disse, fazendo todo mundo suspirar aliviados. — No heliponto.

E o alívio se foi. O que esta garota estava tramando?!

— Isso não é bom. — o loiro mais alto se levantou, sacudindo os braços. — Precisamos ir logo!

— É melhor apenas Lya e James irem. — Marnie voltou a se pronunciar, fazendo-os encará-la. — Ela não irá ouvir ninguém senão vocês dois. De todos aqui, vocês são os únicos que a conhecem bem.

Eles assentiram, se levantando.

Bem, ela tinha razão. Hanna ouviria somente a eles num momento de crise, e ela provavelmente não iria querer que Mary adentrasse suas emoções, ou Wanda seus pensamentos...

Assentindo outra vez, ela e Bucky saíram da recepção da boate que elas alugaram para Han, indo até o carro de Steve.

Antes que eles pudessem adentrar o carro,Thor apareceu, ofegante.

— Eu vou com vocês. E não adianta me impedir. Se eu não for de carro, com certeza irei voando. — disse de uma vez só, fazendo-a bufar e abrir a porta de trás para ele.

Rapidamente, os três avançaram pela cidade, bufando sempre que eram parados num semáforo. Depois de mais três quadras, eles adentraram o estacionamento da Torre, obtendo um sinal positivo de SEXTA-FEIRA para prosseguir em sua busca.

Hanna estava no heliponto, então, eles precisavam ser rápidos.

Os três tomaram o elevador e ela apertou o botão que os levava até a sala de recepções de Tony, arregalando os olhos ao ver a criatura caminhando próxima ao parapeito do arranha-céu.

— Eu sei que você vai me odiar por isso, mas fique aqui, por favor. — disse para seu primo, fazendo-o apertar sua mão, em desespero. — Ela não irá te escutar se você for sozinho, provavelmente, pelo que eu a conheço, ela irá te machucar, e não é isso o que queremos, é?

Dolorosamente, ele assentiu.

Bucky olhou para ela, e os dois começaram a andar até Hanna, que parecia não tê-los notado ali.

*

— Hanna? — merda, como eles me descobriram aqui?

Sem olhar para trás, ela recomeçou a contar seus passos, enquanto caminhava para lá e para cá ao lado do parapeito.

— Hanna! — foi a vez de Bucky lhe chamar. Ele não parecia nada feliz. Ótimo. — Hanna, desça já daí, senão eu vou tirá-la! — ela o ignorou, o que meio que foi sua “morte”. — SO-HYUN/HANNA LEE NURI, SE VOCÊ NÃO DESCER AGORA, EU JURO POR TUDO QUE HÁ DE MAIS SAGRADO QUE EU TE ARRANCO DAÍ! VOCÊ QUER MORRER?!

Ela respirou fundo e o encarou, cruzando os braços, quase fazendo sua garrafa cair.

— O que vocês querem aqui? Como me descobriram? — perguntou, enfezada, então bufou. — Ah, claro. Vocês tinham que fazer a Mary me achar. Mas eu não vou voltar. Na verdade, eu já estava de saída.

— Ah é? E para onde exatamente você vai, bêbada desse jeito? — Lya perguntou, cruzando os braços.

Hanna bufou.

— Para qualquer lugar longe de vocês. Longe disso. — um soluço escapou de seus lábios e ela se sentou, encostando-se no parapeito. — Eu não posso ficar. Não posso. Meu pai tinha razão. Eu não nasci para ser feliz. Se eu ficar, eu posso estar arruinando a chance dele ser feliz, e eu não...

Ela sentiu o peito do mais velho do seu lado direito, puxando-a para si enquanto ela chorava.

— Não é assim, Han. Ele te ama. E você não tem culpa que seus pais foram podres e corruptos. Você merece amor, é claro que merece. — ele sussurrou contra seus cabelos.

Ela riu desdenhosamente.

— Você é pessoalmente obrigado a me dizer essas coisas, Barnes. — resmungou. — Eu não acredito em nenhuma delas.

Ele bufou.

— Porque você é tão teimosa quanto uma mula. — resmungou de volta fazendo-a beliscá-lo. — Não fique assim, você sabe que é verdade.

Eles me odeiam. — sussurrou, encolhendo-se. Finalmente a noite fria começou a incomodá-la. — Não iriam me querer como rainha.

Lya bufou.

— Pois eles são completamente idiotas por fazerem isso. Você é incrível! — disse-lhe, segurando suas mãos.

— Eu sou uma assassina! — Hanna disparou entre dentes.

— Pessoas más te fizeram ser assim. — Bucky cortou.

— Mas eu bem que me diverti matando pessoas, desconstruindo membros... — soluçou. — Matar é a única coisa que me protege de ser quebrada outra vez. — encarou seus irmãos teimosos, derramando o último gole de licor no chão. — Eu não posso mais fingir isso. Eu não posso machucar ninguém. Se eu for para a Noruega amanhã, estarei tomando o lugar de alguém que realmente deveria estar lá. Por mais que isso doa, eu preciso ir para o laboratório de Helen, ajudá-la com suas invenções. Isso poupará tanta coisa...

— E quanto a vocês dois? — Lya arqueou a sobrancelha. — Você acha que vai ser fácil? Eu não sei nada sobre essas coisas, mas de uma coisa eu sei. Nenhum dos dois vai ficar feliz com a separação.

— É por um bem maior. — Han sussurrou, encolheu-se ainda mais contra Bucky.

Então, ela olhou para cima, arregalando os olhos ao ver a figura de seu noivo de smoking.

— Hanna? — ele murmurou, fazendo com que os seus irmãos da onça se afastassem dela.

O olhar em seu rosto provavelmente gritava ME TIREM DAQUI, SEUS BASTARDOS, mas eles simplesmente ignoraram isso, levantando-se e deixando-os. SOZINHOS!

Rapidamente, ou nem tanto, ela tentou se virar para o parapeito, quase caindo.

— Eu não quero falar com você. — sussurrou, piscando nervosamente para espantar as lágrimas.

— O que você disse é verdade? Está pensando mesmo em fugir? — droga, por que Lya e Bucky o trouxeram consigo? — Eu fiz algo que lhe machucou?

Ela suspirou, encostando a cabeça no metal frio.

— Não é você, sou eu. — respondeu. Levantando a cabeça para encarar o céu estrelado. — O problema todo sou eu. Nós não deveríamos ter começado isso.

Então, se afastou.

Mas é claro. É claro, que ele não iria deixá-la em paz. Era da sua natureza.

— Você não é um problema. — sua voz estava extremamente próxima. — Na verdade, você nunca foi. O verdadeiro problema foram seus pais. — Hanna arregalou os olhos, finalmente encarando-o. O loiro piscou, mal cabendo-se entre o parapeito e o batente de cimento. — Eu sei sobre eles. Eu sei sobre a história inteira. Você me contou isso enquanto eu tentava fazê-la dormir depois de uma crise de sonambulismo.

Merda.

Por que ela tinha que estragar tudo?

— Bem, eu sinto muito por isso. — resmungou, baixando os olhos.

Em instantes, ela sentiu uma mão quente tocar seu rosto, fazendo-a instintivamente inclinar-se para pegar a onda de calor.

— Por quê? — ele sussurrou, aproximando-se de seu corpo, encostando sua testa na dela. — Hanna, meu amor, se você está insegura com o casamento, com a pompa e tudo mais, eu não ficarei desapontado se você não aparecer amanhã. Eu entenderia.

— E então, saberia que eu estou o machucando. — ela resmungou outra vez, tentando se afastar, por mais que fosse um pouco impossível com todo aquele calor aconchegante. — Sinceramente, você não deveria ter vindo. Eu não queria que você me visse desistir de tudo por medo.

Seu rosto foi segurado entre as mãos enormes de seu noivo.

— Mas eu estou aqui, não estou? — ele retirou a distância que os separava. — Como eu disse, se você não for para a Noruega amanhã, eu entenderei. E isso não irá me machucar. — ela arqueou a sobrancelha, incrédula. — Eu irei saber que você não foi porque não se sente segura, porque seu coração ainda não está pronto, e isso está bem. Não irá mudar nada o que eu sinto por você.

Ela engoliu em seco.

— Você está falando sério? — sussurrou, ainda mais incrédula.

Ele sorriu.

— Por que eu mentiria? — sussurrou de volta, puxando-a para si. — Eu não sou capaz de mentir para você, querida.

— Eu não... — ela fora silenciada por um de seus dedos grossos.

— Não diga nada, apenas volte para casa conosco. — ele sussurrou. — E se amanhã você não estiver pronta, eu voltarei para você de qualquer forma.

Ela arqueou a sobrancelha, cruzando os braços.

— E se eu fugir?

Ele riu baixinho.

— Bem, você mesma disse o local para onde estava indo, então não seria nenhuma dificuldade encontrá-la. — brincou.

Ela bufou.

— Isso é tão irritante! — resmungou, enfiando a cabeça no vão do pescoço do mais alto. — Eu só... eu tenho medo de decepcioná-lo. De não ser boa o suficiente.

Ele apertou-a contra si.

— Você jamais seria uma decepção para mim. — sussurrou-lhe, como se fosse um segredo.

— Eu vou voltar. — disse-lhe, encarado seu único olho azul. — Mas você terá que me deixar sozinha para que eu possa fazer minha escolha.

Ele assentiu.

— De qualquer forma, eu estava indo hoje de madrugada. — deu de ombros. — Ainda há coisas a serem preparadas.

Ela tremeu suavemente.

— E se eu não for, o que você vai fazer? — perguntou-lhe, fragilmente.

— Eu voltarei. — respondeu-lhe firmemente. — Porque, por mais que eu não seja esse tipo de pessoa que conhece os sentimentos das outras, eu conheço os seus, e sei que sua maior intenção é a de não machucar as pessoas. Por isso você teme. E a minha última intenção é fazê-la sentir-se insegura com isso. — segurou seu rosto entre as mãos. — Isso é o que chamam de amor. Enxergar o outro, e as suas limitações.

Cara, Hanna não sabia o que fez nessa vida para merecer alguém assim, mas...

Obrigada universo.

Ela não conseguiu falar mais nada, apenas concordou em se levantar, então os dois se arrastaram para fora do heliponto, encontrando Bucky e Lya encostados no elevador, digitando furiosamente em seus celulares.

Han pigarreou, então os dois levantaram a cabeça e o moreno apertou o botão de chamada da caixa de metal.

Os quatro adentraram o compartimento sem falar nada, assim como no carro de Steve no estacionamento, indo para o Complexo.

Seus amigos não estavam à vista, o que era algo bom.

Sem despedidas, Hanna enfiou-se em seu quarto e deitou-se em sua cama, a confusão e o cansaço vencendo a vontade de tomar banho.

*

Fazia o quê, duas horas, desde que ela fora dormir?

Alguém havia invadido sua privacidade quando ela EXPLICITAMENTE havia ordenado a SEXTA-FEIRA que bloqueasse o acesso de todo mundo ao seu apartamento.

Alguma coisa caiu na cozinha, fazendo-a acordar de sobressalto, com a cabeça latejando.

— Quem está aí? — uma cadeira se arrastou. — Eu tenho um canivete, e eu não tenho medo de usá-lo, está me ouvindo?

Hanna sacou a arma e caminho na direção do barulho, prematuramente não encontrando nada na cozinha.

— Acredito que isso não funcionaria comigo, uma vez que já estou morta. — uma voz feminina disse, fazendo-a arregalar os olhos e virar violentamente a cabeça na direção dela. — Não grite. — ela disse, fazendo Han tremer. — Você não quer acordar James, quer?

— Quem é você, e como conhece meus amigos? — encarou a mulher loira sentada em sua mesa de jantar. — Se não quer que eu grite, é melhor começar a falar. — ela ergueu o queixo, apontando o canivete na direção da mulher, que riu.

Com um aceno dela, a luz da cozinha monstruosamente se acendeu, cegando Hanna, que aparentemente estava sem lentes de contato.

Rapidamente, ela começou a tatear no balcão em busca de uma de suas armações de óculos.

Agora que ela podia enxergar outra vez, avaliou melhor a mulher. Ela possuía cabelos dourados, ondulados até a cintura, num penteado exageradamente elaborado. Suas vestes eram igualmente douradas, e o busto do vestido parecia muito com uma armadura.

O sangue de Hanna gelou.

— Você é a rainha Frigga? — questionou-a, arregalando os olhos.

A mulher sorriu.

— E você é a famosa Hanna. — disse-lhe com um tom brincalhão, semelhante ao de seu filho.

— Por que eu estou vendo-a? — a morena perguntou, encostando-se no balcão, depositando o canivete ao seu lado.

— Porque eu precisava vê-la. — a rainha respondeu, levantando-se de sua mesa de jantar. — Você está em conflito, e isso machuca aos dois. — o cenho de Hanna franziu. — Eu sei que pode parecer confuso, mas eu a conheço. Há mil e quinhentos anos atrás. — se Han já estava confusa, imagine agora? Quantas garotas tiveram a maravilha de conhecer sua sogra fantasma na véspera de seu casamento, ainda mais nesta situação, em que ela estava falando que a conhecia há muitos, muitos anos atrás? — Eu acredito que meu filho já tenha lhe dito que eu sou uma bruxa, sim?

— Ele mencionou. — a morena respondeu, franzido o cenho.

A rainha assentiu.

— Bom. — soltou um suspiro. — Antes de ele nascer, eu tive a visão de uma moça em sua vida, uma garota que o ajudaria a atravessar um período difícil. Uma curadora. Mesmo naquele tempo, encontrar a outra metade de sua alma era algo completamente impossível, mas uma das minhas crianças iria encontrar a si mesmo em outra pessoa, alguém para compartilhar a vida... e esse alguém é você. — Han engoliu em seco, diante do olhar penetrante dessa mulher, que era muito parecida com seu noivo. — Não é muita coincidência que de todas as pessoas no mundo, a única que poderia te salvar era a minha sobrinha? Não. Isso foi o destino. O destino quis que vocês tivessem alguém em comum. Que ela fosse te procurar dentro do gelo, que ela tivesse ficado do seu lado... que Lyanna fosse a ponte para vocês dois. — a mulher se aproximou dela, mas parou a pelo menos um metro de si. — Tudo pelo que você passou, quer tenha sido com o povo russo, quer com seus pais... esse é o caminho árduo que a maioria da almas gêmeas passam até uma encontrar a outra, se é que todas elas se encontram... muitos deles vão à loucura quando eles não os encontram... só eu posso dizer como vi meu filho lentamente perder a esperança de encontrá-la... — ela soltou um suspiro enfadado. — Ele imaginava que seria a outra garota, mas, por mais que ela fosse uma boa pessoa, não era aquela que traria calma ao seu coração. Ela não era uma curadora...

— Por que está me dizendo isso? — a morena questionou, um pouco incomodada, cruzando os braços para tentar se aquecer.

— Você está com medo, Hanna. E o medo irá destruí-la. — Frigga disse, fazendo-a arregalar os olhos. Ela abriu a boca para rebater, mas a mulher levantou sua mão, pedindo para que ela a escutasse. — Não há nada mais aterrorizante do que ter o seu coração quebrado, e eu posso entendê-la, mas você não pode virar as costas para algo tão puro e poderoso, isso irá machucá-la tanto quanto irá machucá-lo. — sua respiração prendeu-se na garganta. Aquilo era um recado ou um sermão? Talvez os dois...? — Você ainda não é mãe, não pode entender o quão difícil é para mim, vê-los se machucando, pois você também é como uma filha para mim, apesar de não termos nos conhecido pessoalmente, eu conheço sua energia. Não tenha medo, Hanna, permita-se ter o poder da escolha, poder cujo lhe foi tirado antes mesmo de nascer. Para amar, não precisa banhar-se em dor.

— Acredite em mim, eu sei disso. E não estou desistindo do seu filho, eu só... — ela murmurou, então baixou os olhos e tomou um suspiro forte. — Eu só tenho medo que ele precise escolher entre mim e o povo. Os asgardianos que sobraram da destruição de Asgard me odeiam eles prezam por suas tradições milenares e não querem uma estrangeira midgardiana no trono. Então eu prefiro desistir de tudo, do que forçá-lo a fazer uma escolha tão pesada.

— Você acha que foi fácil para mim no começo? — Frigga questionou, fazendo-a franzir o cenho. — Eu também era uma estrangeira, uma bruxa... não tinha nada para oferecer ao trono. Esse apego pelas tradições não vem de hoje. O povo asgardiano sempre foi assim, sempre apegados aos seus antepassados. Criados por homens velhos frustrados que não aceitam mudanças. — a distância entre as duas foi superada, então, Hanna se surpreendeu por sentir as mãos da rainha Frigga contra seu rosto. — Não deixe que eles façam-na curvar. Você jamais se curvou para a vida. Amor não é um fardo leve de se carregar, mas o peso não precisa ser carregado por um indivíduo sozinho.

Han sorriu.

— Você se casou por amor. — afirmou, encarando sua sogra, que sorriu também.

— Meu laço com Odin não era tão poderoso, mas sim, foi amor. — respondeu-lhe, então suspirou. — É claro que o tempo, e as escolhas que ele fez nos fizeram mais fortes, tanto quanto nos afastaram. Mas se eu tivesse desistido de tudo, nós duas não estaríamos conversando aqui. O destino não pode ser evitado, acredite em mim, eu vi isso. E o seu será muito prospero. Você será uma rainha incrível, seus conhecimentos de cura poderão salvar muitas pessoas. E é graças a eles que você será amada. Aquelas pessoas precisam de alguém piedoso, que os mostre que eles estavam errados, não com palavras rudes ou com atos de violência, e sim, com bondade e generosidade. Nosso país depende de você também, não apenas como uma alegoria, mas como a guerreira que lhe treinaram para ser, como a mulher brilhante que você se tornou depois de toda a tormenta em sua vida. Tudo isso se refletirá em seus descendentes através dos séculos, e não haverá criança asgardiana no mundo que não saberá o seu nome. — ela abriu um sorriso maternal, fazendo Han se sentir um pouco quente por dentro. Ela nunca havia ganhado um desses. — E me dará netos maravilhosos que farão a minha vida ter valido a pena, é claro. Está destinado que um de seus filhos liderará seu povo através de um mau terrível. — imediatamente, ignorando as palavras da mulher loira, Hanna olhou para baixo, para sua barriga plana, fazendo mil cálculos matemáticos, se perguntando como isso poderia ser possível diante de suas dezenas de injeções anti-concepcionais. — Não agora. — ela pareceria rude se mostrasse seu alívio diante de sua sogra esperançosa? Frigga riu. — Mas está mais perto do que você imagina. — ah pronto. — Não tenha medo, como eu disse, o destino não pode ser evitado. Mesmo que você não compareça ao casamento, inevitavelmente, seus caminhos continuarão se cruzando, ao ponto em que será impossível os dois se afastarem, pois aqueles que estão destinados, sempre encontrarão o caminho até o outro. É por isso que eu estou aqui, para lembrá-la.

— Obrigada. — por fim, Han suspirou, sorrindo ao sentir as mãos geladas de Frigga escapulirem de seu rosto.

Ela sorriu outra vez, amplamente.

— Não por isso. — disse-lhe. — Hanna... não importa o que aconteça mais tarde, quero que saiba que seu pai estava errado. Você merece ser feliz, e é apenas você quem pode decidir isso, não importa o quanto eu tenha dito sobre o futuro. — a pequena assentiu. — Faça uma boa decisão. Saiba que seu coração tem as respostas que você precisa. Faça seus inimigos se curvarem com o que você tem de mais precioso: o dom de curar.

E com isso, ela sumiu do mesmo jeito que apareceu.

Hanna não saberia dizer se seu encontro com Frigga ajudou ou atrapalhou sua confusão mental.

Ela se arrastou até o banheiro, tomou uma ducha rápida e enfiou-se na cama outra vez.

*

Quando acordou-se, o sol batia irritantemente do seu lado da cama, porque a idiota havia esquecido de fechar as cortinas de madrugada.

Seu coração começou a palpitar forte quando ela se lembrou que dia era.

Depois da conversa esquisita que havia tido com sua sogra, Hanna havia tomado uma decisão.

Levantou-se da cama, calçou suas pantufas e correu para fora do apartamento, encontrando Bucky sentado no balcão da cozinha, com o celular na mão. Ele estava conversando com alguém. Provavelmente Lya ou Mary, por conta do tom feminino.

— Ela está aqui na minha frente. — disse para o aparelho.

— Desliga o telefone. — disse-lhe, desesperada, fazendo-o arregalar os olhos.

Imediatamente, ele largou o celular em cima do balcão.

— Decidiu? — perguntou-lhe, ansioso.

Ela assentiu.

— Vamos, precisamos chegar lá antes que anoiteça, o que eu acho extremamente difícil. — disse-lhe simplesmente, correndo para buscar suas coisas.

*

— Como fecha esse negócio? — Bucky perguntou, pela décima quinta vez.

Hanna bufou.

— Droga, Barnes! Você viveu numa época onde as mulheres usavam coisas de corda e não sabe como laçar isso?! — rosnou.

— Primeiramente, eu nasci no final da década de 1910, e o espartilho já havia sido ultrapassado. E segundamente, eu não laçava coisas, eu tirava. — seu irmão resmungou, tentando colocar o cordão nos ilhoses.

Ela estreitou os olhos para ele, que bufou, para depois tomar um suspiro de alívio.

— Acho que consegui colocar no lugar. — voltou a falar, levando-a para frente do espelho. — Vê se ficou folgado.

Han testou a resistência do corpete de seu vestido e sorriu, vendo que ele estava perfeitamente no lugar.

— Está perfeito. — respondeu-lhe, fazendo-o sorrir também. — Obrigada Buckie.

Ele também sorriu, apoiando o queixo no ombro dela, fazendo com que ele parecesse bastante corcunda por causa do seu tamanho.

— Espero estar fazendo a escolha certa. — Han sussurrou, tremendo levemente.

Bucky esfregou seus braços.

— Qualquer escolha que você tenha feito com o coração, será a escolha certa. — disse-lhe firmemente. — Mesmo que pareça loucura.

Ela suspirou.

— Preparando para pousar. — SEXTA-FEIRA disse, fazendo-a alarmar-se.

— Está na hora. — Hanna murmurou, afastando-se do espelho. — Lya está realmente nos esperando?

O moreno assentiu, então, ela assentiu de volta.

O quinjet pousou na grama verdinha e automaticamente abriu a porta de cara, mostrando-lhe a figura de sua irmã, e do seu segurança irritante, que sorriam abertamente para ela.

— Eu pensei que tinha explicitamente dito para que apenas Lyanna me encontrasse na pista de pouso! — reclamou, cruzando braços sob a armadura do vestido.

Steve abriu um sorriso culpado.

— Eu não tenho culpa se ouvi toda a conversa, e além do mais, Anna precisava de um álibi para escapar de Brunnhilde e Thor. — deu de ombros.

Revirando os olhos, Hanna tentou se equilibrar em suas sandálias escorregadias, enquanto segurava a saia do vestido pesado para descer a rampa da aeronave.

— Então, para onde vamos? — perguntou-lhes.

— Para a cabana de Loki. — Lya respondeu. — Aparentemente a cerimônia de casamento deve ser ao entardecer, o que lhe deixa um tanto quanto atrasada, mas podemos resolver isso muito bem.

Sem mais tempo a perder, Bucky pegou Hanna nos braços, enquanto eles praticamente correram para a cabana de seu cunhado. Ela queria bater na cara dele ao chegar em frente à porta vermelha, mas sabia que não conseguiria ser rápida com aquelas malditas sandálias, de qualquer forma.

Mary abriu a porta, saltitando.

Hanna bufou.

— Loki, meu amado, numa escala de 0 a 10, quanto você ama o instrumento que eu estou prestes a arrancar na unha? — ela rosnou, vendo o moreno de olhos verdes lhe dar um sorriso amarelo.

— Eu juro que tentei, mas essa coisa não parava de se esgueirar até mim, lendo minhas emoções, que eu não consegui segurar! — ele tentou se defender.

Lya bufou.

— Que seja, agora já foi. — disse-lhes. — E já que Marnie está aqui, você vai até seu irmão, para que ele não desconfie de nada. Nós duas ajudaremos Hanna, e quando chegar a hora, nós iremos até o altar.

Assentindo rapidamente, Loki se mandou, sem sequer olhar para ela.

Lya puxou-a para frente da penteadeira, que por alguma razão, seu cunhado maluco possuía. Ela abriu uma maleta azul e retirou de lá alguns assessórios de cabelo que elas tinham comprado quando saíram juntas na semana passada.

Com a mesma pressa de sua irmã, Marnie vasculhou a maleta e retirou uma quantidade um tanto quanto assustadora de maquiagem, começando a separar as coisas.

Ela se sentou, e as duas começaram a trabalhar, uma em seu cabelo, e a outra em seu rosto, simultaneamente.

Durante alguns minutos, ninguém disse nada, e esse silêncio maldito estava mexendo com os nervos de Hanna, que estavam cada vez mais frágeis desde que ela fora acordada por sua sogra fantasma nesta madrugada, ela havia tido pouquíssimas horas de sono, mesmo durante o voo no jato mega rápido dos Vingadores.

— Falem comigo! — Han murmurou, apavorada. — Eu juro que estou prestes a surtar, e esse silêncio não está ajudando em nada!

— Sentimos muito, pequena. — Lya murmurou de volta.

— Exatamente. — Mary sorriu. — Vai dar tudo certo, não há nada o que temer. Vocês dois se amam, e ninguém pode mudar isso. Além do mais, estaremos todos aqui para segurarmos sua mão. Não precisa ter medo.

Ela suspirou, então sorriu de volta.

— Vocês são demais. — elas lhe abraçaram, então, voltaram a cuidar de sua aparência.

A partir daquele pequeno diálogo, ela se sentiu mais satisfeita com o silencio ao seu redor.

Em um dado momento, Han permitiu-se fechar os olhos para que sua amiga continuasse a maquiá-la, e quando os abriu, surpreendeu-se com a mulher encarando-a de volta no espelho.

O vestido dourado com vermelho lhe deixava com uma aparência mais madura, mais parecida com a mulher adulta que ela realmente era. O penteado que Lya fizera, deu-lhe um ar mais solene, combinando com a maquiagem leve que ela tinha em seu rosto, graças a Marnie.

Ela não iria mentir, aquela era a imagem que ela achava que uma rainha deveria ter, por mais que por dentro...

— Pare de se torturar! — Marnie sussurrou, segurando sua mão. — Hoje não é um dia melancólico.

Han bufou um sorriso, então assentiu, lentamente se esgueirando para colocar os brincos que ela havia trazido.

— Estamos prontos? — Bucky colocou a cabeça na porta.

— Estamos? — Lya encarou Hanna, que assentiu, apavorada. — Não tenha medo. — ela beijou sua testa. — Se alguém ousar se meter a besta com você, eu juro que vou largar a mão.

Ela sorriu.

— Obrigada.

E com isso, ela foi deixada sozinha com seu irmão.

— Você está bem? — ele perguntou, tocando seus braços nus.

Ela sorriu.

— Esta é a quinta vez que você me pergunta isso. — disse-lhe, respirando fundo. — Eu estou, Bucky.

Ele sorriu de volta.

— Isso é bom. — disse-lhe, engasgando-se com lágrimas surpresa. — Eu não acredito que estou vivo para ver minhas duas irmãzinhas casadas.

Os olhos de Hanna arderam ao ver Bucky chorar.

— Você sabe que Lya vai te bater por me fazer chorar também, não sabe? — ela sussurrou, apertando-se contra ele.

O moreno lhe deu um beijo na cabeça.

— Eu só quero que você seja feliz, ok? — murmurou, balançando-a lentamente. — Você merece o mundo.

Ela o apertou.

— Obrigada. — disse-lhe. — Agora vamos, senão nunca mais sairemos daqui.

Rindo, os dois se separaram.

Suavemente, Bucky colocou uma capa vermelha sob seus ombros, prendendo-a com o fecho dourado.

— Vamos, vossa majestade, seu príncipe a espera. — disse-lhe de maneira pomposa.

— Você sabe que ele é um rei, não sabe? — Hanna riu, enfiando seu braço fino no do mais alto.

Ele bufou.

— Não estraga!

Eles saíram da cabana rindo e brincando, enquanto iam em direção ao lago, onde seria realizada a cerimônia, diante de um altar dourado.

Por serem de culturas diferentes, obviamente, Hanna não sabia chongas sobre como um casamento nórdico funcionava, mas ela teve alguns meses de pesquisa para entender alguns de seus rituais, principalmente aqueles que ela não estava tão de acordo, como eles terem que sacrificar um animal para que a união deles fosse próspera.

Uma conversa leve a distraiu enquanto eles caminhavam até o arco de folhas verde-escuras próximo ao lago.

Bucky parou bem na reta onde Loki e Thor estavam conversando. Ele usava uma túnica no mesmo tom de vermelho do seu vestido, realçando o dourado de seus cabelos, adornados por um círculo de metal com grossas jóias vermelhas, que combinavam com o bordado no tecido, algo que lhe soava bastante tradicional. Ela mordeu o lábio ao ver o deus da trapaça enfiando a mão no pescoço de seu irmão, então, ele abriu um sorriso que dava para sentir de longe a malícia e indicou o lugar onde ela estava parada, fazendo-a xingá-lo mentalmente.

Ele abriu um sorriso enorme, surpreso, fazendo todos olharem na mesma direção em que o loiro estava olhando.

— Barnes, se você sair do meu lado eu juro que... — Han começou, mas foi cortada.

— Jura que vai arrancar alguma coisa minha? — ele zombou.

Ela bufou e o encarou, provavelmente vermelha até o talo.

Pelo canto do olho, ela viu seu noivo se aproximar, ainda com um sorriso enorme em seu rosto, e o que parecia ser a sua única safira embaçada por lágrimas.

Seu coração tremeu, então, não havia mais ninguém ao seu redor.

Ele lhe deu um abraço apertado, abaixando-se para beijar seus lábios, então, girou-a, enquanto ria, fazendo-a rir também.

— Você veio. — ele sussurrou, quase como se não conseguisse acreditar no que seus olhos estavam vendo.

Ela sorriu, tocando sua têmpora ao lado do tapa-olho cinza-chumbo.

— Eu percebi que não haveria razão para fugir do que sentimos. — sussurrou de volta, encostando a testa na dele. — Podemos cuidar dor resto juntos.

O loiro a beijou outra vez, então carregou-a até o altar, sob as saudações de todos os convidados.

Em frente a eles, a sacerdotisa sorriu, arqueando a sobrancelha para os dois.

— Estão prontos? — ela perguntou num sussurro.

Hanna olhou para seu noivo, que tinha um sorriso amplo para ela. Ambos assentiram, então, a mulher de cabelos grisalhos pigarreou, atraindo a atenção de todos.

Ela os colocou um de frente para o outro, antes de recomeçar a falar.

— Hoje, estamos aqui, diante dos deuses, não apenas para celebrar a união de nosso amado rei, mas também, para celebrar o amor. — pronunciou, numa voz solene. Ela era a única sacerdotisa que Hanna mais gostava, contudo, infelizmente, a mulher possuía um nome completamente difícil de pronunciar. — A maioria aqui, deve ter conhecido a força do amor, em seus corações, em sua vida diária, e hoje, nos reunimos para celebrar o amor desse casal, que pelo pouco que sei, é um dos mais fortes que eu já vi. — ela tomou um suspiro e levantou as mãos para o céu. — Minha senhora Frigga, deusa da fertilidade e do casamento, Odin, Paidetodos, sejam testemunhas neste dia em vossas honras. Que sua presença seja sentida entre nós. Derrame sobre estas almas que hoje se unem, suas abundantes graças. — ela olhou para o lado, onde de relance, Hanna podia ver Loki e Lya juntos, eles sorriam como dois idiotas. — As espadas.

Como lhes foi pedido, os dois caminharam até eles, entregando-lhes uma espada cada um. A que Lya lhe deu era muito bonita, com a lâmina e a guarda em tons diferentes de vermelho, bastante assustadora.

— Agora, vocês dois devem trocar suas espadas, que são um símbolo de proteção entre as famílias, sob o juramento de que ambos devem levantá-las sempre que alguém as levante contra um de vocês. — a sacerdotisa voltou a falar, então fez um gesto para que ela e Thor trocassem as espadas que estavam em suas mãos, pelo menos umas duas vezes. Quando fizeram isso, a mulher desenrolou uma fita vermelha de seu cinto, para depois enrolá-la nas mãos direitas deles, que seguravam suas espadas com as lâminas para cima. — Que vocês sejam um para o outro, tão inquebráveis quanto o metal fundido. — ao dizer isso, ela colocou dois anéis na ponta das espadas, cada um pertencente ao respectivo dono dela.  A mulher soltou um suspiro. — Vocês já podem trocar os anéis.

Eles fizeram o que ela mandou, retirando os círculos de metal decorados com runas das pontas das espadas, para colocarem em seus anelares esquerdos.

Ao fazerem isso, a mulher assentiu, então os dois se encararam para recitar seus votos.

Diante de todos os deuses acima, eu sou seu/sua e você é meu/minha, a partir deste dia, até o resto dos meus dias. — eles pronunciaram em nórdico, o que foi uma proeza tremenda para ela, que desgastou um pouco de suas habilidades da escola de assassinos para aprender essas palavras complicadas.

A fita foi retirada de suas mãos, então, a sacerdotisa acenou para que eles abaixassem as espadas.

Ela mergulhou um ramo de flores secas dentro de um caldeirão com água perfumada e o sacudiu em cima deles, molhando-os, assim como Loki e Lya, que estavam perto dos dois.

— Eu vos declaro casados. — disse-lhes, então uma horda de gritos os cobriu.

Sem esperar mais, Hanna puxou seu novo marido para beijá-la, aumentando os uivos. Ela tinha certeza de que alguns deles eram mais falsos do que uma nota de três dólares.

Um trovão a assustou e ela o beliscou, escondida pela capa, franzindo o cenho ao se separarem.

— Eu não tenho culpa se estou feliz, min dronning. — o loiro sussurrou, fazendo-a sorrir.

Eles se afastaram, ao mesmo tempo em que a sacerdotisa trazia consigo uma coroa de metal escuro, porém extremamente delicada, como se fossem galhos de árvore, com pequenas flores e borboletas adornando-a, assim como pequenas jóias vermelhas. Ela era linda.

A mulher entregou-a a Thor, que quase sumiu em suas mãos enormes. Ele disse algumas palavras em nórdico e colocou-a em sua cabeça gentilmente, fazendo-a sacudir o nariz com a frieza do metal em seu couro cabeludo. Por fim, ele beijou sua testa, e eles se voltaram para o povo pela primeira vez.

Eles fizeram uma reverência solene, e mais uma vez, Hanna podia perceber a falsidade de alguns, principalmente a de um dos Conselheiros.

Com o fim das cerimônias, eles seguiram o cortejo de vikings animados até o Grande Salão, que era enfeitiçado para caber todos de uma vez só, separados em mesas tipo as casas de Hogwarts.

Por mais que Hanna quisesse sentar com seus amigos na mesa dedicada aos Vingadores, ela era uma autoridade agora, e deveria cumprir com algumas regras, portanto, sentou-se na mesa que ficava de frente para todos. Pelo menos, Lya estava lá ao seu lado, por ser um membro da família.

Muitos vieram cumprimentá-la e felicitá-la. A maioria deles ganhou um sorriso sincero seu, porém, com a porcentagem Chernobyl ela teve que se esforçar para mostrar contentamento, e não constipação. A melhor coisa era ver a raiva deles.

— Então... — Lya sussurrou, enquanto elas comiam ao som animado da música tradicional. — Qual delas seria a noiva?

Hanna olhou para cima e engoliu, varrendo os olhos pelo salão. No canto, ao lado do grupo de conselheiros que conversavam com Thor, estava a filha mais nova do Conselheiro Ivar, Sigrid.

— Aquela no canto, ao lado da lareira. — sutilmente apontou para a mulher de longos cachos loiros, que olhava descaradamente para o rei, como se ela não ligasse para a figura de Hanna ali na mesa.

Lya franziu o cenho enquanto elas a observavam, então, ela tomou um gole do vinho.

— Ela parece ainda ter esperança de ser a nova rainha. — sussurrou. — Eu teria cuidado.

Hanna suspirou.

— Bom, deixa ela continuar achando. — sorriu de lado. — Acredito que ela não terá muitas razões para se empenhar quando descobrir do que eu sou capaz. — a sobremesa chegou, fazendo-a ampliar o sorriso. — Mas não vamos falar dela! — sacudiu-a de leve. — Temos coisas melhores para fazer.

E com isso as duas comeram seus respectivos doces, conversando sobre coisas aleatórias, enquanto os convidados se divertiam com música alta e muita cerveja.

Quando já estava razoavelmente tarde, e seu noivo havia voltado à mesa para aproveitar o banquete ao seu lado, um grupo de mulheres, incluindo suas amigas se aproximaram dela, com sorrisos amplos e maliciosos. Infelizmente, esse grupo de mulheres também incluía Sigrid.

Hanna queria se fazer de desentendida, despistá-las, mas algum ser que não tem amor à vida viu-as reunidas e soltou um urro que ela parcamente entendeu como “cama de pétalas”. Ela queria esfregar essas pétalas na cara dele e fazê-lo engoli-las!

O loiro ao seu lado soltou uma gargalhada estrondosa, levantando-se logo em seguida. Ela foi forçada a se levantar, morta de vergonha. Com um sorriso amplo, ele se curvou levemente para beijar sua testa.

— Não precisa se envergonhar, minha rainha. — ele sussurrou. — É apenas a tradição.

Ela bufou, sorrindo.

— Suas tradições são muito intensas. — sussurrou de volta.

Suspirando, ela desceu do tablado e foi em direção às mulheres, recebendo um coro de uivos e um assovio de Loki. Na hora, ela desejou poder mandar-lhe um dedo do meio, mas isso seria deselegante, o que o deixou com um sorriso maior na cara.

Ela foi levada até a sua cabana, a de porta amarela, onde foi guiada até o que seria o quarto do casal. Sua cama havia sido preparada com pétalas brancas e tinha cheiro de óleo essencial cítrico.

As senhoras sorridentes lhe ajudaram a retirar a coroa – que foi colocada em cima da nova penteadeira –, desatar os laços com nós quase cegos que Bucky fez e guiá-la para trás de um biombo no canto do quarto.

Ela vestiu uma camisola rosa clara, que tinha mangas longas e arrastava no chão, tomando seu tempo para abotoá-la e ignorar um pouco o falatório no quarto.

Quando saiu, elas lhe ajudaram com os retoques finais, e lhes deixaram com suas amigas, que tinham sorrisos enormes em seus rostos.

— Meninas, vocês sabem que eu não vou para a guerra, não é? — Hanna arqueou a sobrancelha, olhando para as suas amigas, que ainda tinham aqueles sorrisos de merda em suas faces.

— A gente sabe. — Helen piscou.

— Mas temos que completar o ritual. — Nat finalizou, abrindo um sorriso extremamente perigoso.

— Você não ouse... — ela ia começar a argumentar, quando Lya e Pepper jogaram perfume em sua cabeça. Não foi muito, mas foi o suficiente para assustá-la. — VOCÊS PERDERAM A NOÇÃO DO PERIGO?!

Elas riram.

— É um ritual pacífico, boba. — Lya sorriu de lado. — Para dar boa sorte.

E com isso suas amigas deixaram o quarto, após cada uma delas lhe darem um abraço, como se ela estivesse indo para a guerra.

Bem, ela não estava indo para a guerra, mas estava começando uma nova vida, o que era entendível.

Então, Hanna ficou sozinha no quarto.

Ela mordeu o lábio, passando a mão pela coberta macia.

Esqueça eles, sua mente sussurrou, quando um arrepio gelado se alastrou em seu estômago. Esse momento é só seu.

As dobradiças rangeram quando a porta se abriu. Ela não precisou olhar para trás.

— Você arrepende? — a voz de Thor lhe alcançou, mas próxima do que ela imaginava.

Ela voltou-se para encará-lo, vendo como seus cabelos brilhavam elegantemente a luz da lua. De repente, o quarto ficou mais aquecido.

— Não. — Hanna respondeu, sorrindo. — Na verdade, eu não estava pensando em algo específico. — aquilo não era exatamente uma mentira. — E você, se arrependeu?

Ele sorriu, segurando suas mãos.

— Jamais. — sussurrou, massageando a pele de suas palmas. — Este é o dia mais feliz da minha vida. — seus lábios quentes e macios tocaram sua testa.

— Também é o meu. — ela sussurrou de volta, apertando suas mãos. — Eu sinto muito por ter surtado. E por não ter te contado toda a verdade sobre o meu passado... propriamente. Ainda há buracos muito escuros dentro de mim, cujo eu não consigo acessar...

Ele soltou suas mãos para conseguir segurar seu rosto entre elas.

— Você passou por muitas coisas ruins, querida. — seu brilhante olho azul parecia encarar o fundo de sua alma. — Eu não me importo que você tome o tempo que quiser. Não importa o que aconteça, eu estarei sempre ao seu lado.

Ela sorriu, então ficou na ponta dos pés, mal chegando a tocar o seu queixo.

Rindo, o loiro levantou-a pela cintura, para que eles ficassem nivelados, então seus lábios finalmente se tocaram.

Hanna moveu suas mãos para a túnica vermelha dele, torcendo o tecido entre seus dedos trêmulos.

Ela foi colocada no centro da cama, entre os travesseiros.

Lentamente, as roupas de ambos foram sendo retiradas, e nada mais era ouvido, a não ser o barulho de suas respirações aceleradas e dos guinchos de prazer.

Começou a chover forte lá fora, e assim como todas as vezes em que eles estavam intensamente juntos, ela não teve medo. E agora, mesmo depois de todas aquelas noites sofridas de pesadelos, Hanna finalmente achava que o pequeno broto dentro de si poderia ser completamente curado.


Notas Finais


E o nosso casal furacão se casou <3
Espero que tenham gostado <3

Até breve!

PS: Lavem as mãos, usem álcool em gel e fiquem em casa <3

Beijos!


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