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História The Celestial Fox - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


OLAR

Sei que já faz um tempão que não atualizo essa fanfic, mas tive um bloqueio gigantesco com esse capítulo e fiquei muito desanimada. Porém, felizmente consegui terminar ele e kkkk ficou enorme

Os próximos capítulos podem demorar um pouquinho também para sair, porque a partir desse capítulo as coisas mais importantes vão começar a acontecer, mesmo que em forma de pequenas menções, então fiquem atentos

Boa leitura~

Capítulo 4 - O Festival do Sol


Jongdae acordou quando um barulho insistente de alguém batendo na porta de madeira se fez presente. Resmungou atordoado e se levantou da cama, antes olhando para Baekhyun, que ainda dormia tranquilamente.

O sol já brilhava do lado de fora e sua luz adentrava pela janela grande, mas o Kim não fazia ideia de que horas eram. Por incrível que pareça, aquela havia sido a noite que mais havia dormido, mas, talvez pela exaustão acumulada dos dias anteriores, Jongdae sentia seu corpo todo dolorido. Havia dormido em uma posição péssima, porque havia morrido de vergonha de se mexer muito, já que todas as outras posições pareciam próximas demais de Baekhyun e Jongdae não queria passar por outra situação constrangedora.

Jongdae já estava rabugento demais, e ter alguém batendo insistentemente na porta só piorava isso. Se estivesse na casa de sua tia, Jongdae não pensaria duas vezes antes de abrir a porta e xingar um de seus primos por ter o acordado. Mas não estava em casa, por isso teve a sensatez de pegar o capuz preto que havia usado no dia anterior, agora pendurado em um gancho na porta, e o vestir. Kyungsoo havia o instruído a não ficar sem ele na frente dos outros kitsune. Jongdae havia imaginado que era para que eles não percebessem que ele não tinha orelhas de raposa, mas Baekhyun também usou um capuz e, bem, ele tinha orelhas de raposa.

Seja como for, o Kim não estava disposto a questionar o motivo, só fazia o que Kyungsoo mandava, porque ele certamente sabia o que fazia, diferente de Baekhyun e Chanyeol.

E quando Jongdae abriu a porta, deu de cara com uma garota de cabelos rosados. Ela estava prestes a bater na porta novamente, mas Jongdae a abriu antes que ela pudesse fazer isso. Quando seus olhos se encontraram, a garota sorriu simpática para o humano.

— Oh, então vocês ainda estão aqui. — Ela comentou, espiando por cima do ombro de Jongdae até a cama, onde Baekhyun ressonava tranquilamente. — Bem, bom dia.

— Como assim ainda estamos aqui? — Perguntou confuso.

— Bem, hoje é o festival e já passa das dez horas, então todos já saíram. — Ela explicou, passando para trás da orelha uma mecha de cabelo que ameaçava ir para frente do rosto. — Esse é o normal, para falar a verdade, mas o senhor e o seu companheiro devem ter seus motivos.

Jongdae engasgou com a própria saliva ao ouvir a última parte, mais especificamente a do companheiro. A expressão da garota caiu em confusão enquanto as bochechas de Jongdae coravam.

— Com-com-companheiro? Não, não, v-você entendeu errado, nós não somos companheiros! — Soltou uma risadinha nervosa. — Nós somos apenas- Espera, você disse que somos os únicos aqui? Isso é um engano, certo? Ainda tem outros dois. Um baixinho sério e outro grandalhão sorridente. — Gesticulou, mostrando o tamanho de quem se referia com a mão.

A garota pensou por um momento e depois uma suas sobrancelhas se arquearam e seus lábios se abriram em um pequeno 'o'.

— Oh, se forem quem eu estou pensando, eles saíram têm alguns minutos.

— Para onde?

— Desculpe-me, não sei lhe informar isso, não é o meu trabalho perguntar sobre a vida pessoal dos hóspedes. Mas, se ajuda, eles deixaram as coisas deles no quarto, então provavelmente vão voltar. — Ela se curvou levemente e se virou, pronta para ir embora, mas parou no meio do caminho. — A propósito, já ia me esquecendo. Esse bilhete estava no chão em frente à porta. Deve ser para o senhor e seu não-companheiro. — Ela riu baixinho, estendendo a mão que segurava um pedaço de papel e quando Jongdae o pegou ela finalmente deu as costas para ele e acenou com a mão enquanto ia embora.

Jongdae abriu o papel mal dobrado e franziu o cenho tentando decifrar o que estava escrito com aquela letra esquisita.

"Fomos ao mercado para repôr os suprimentos, voltamos logo. Tentem não se matar enquanto isso."

Ele supôs que havia sido Chanyeol quem escreveu aquilo, principalmente pela enorme carinha feliz torta desenhada no final.

Bem, ele não podia prometer nada.

🦊 🦊 🦊

Jongdae estava alimentando os cavalos. Baekhyun ainda não havia acordado e Chanyeol e Kyungsoo ainda não haviam voltado. Era por volta do meio dia e o Kim estava frustrado e entendiado. Havia pensado em voltar a dormir, mas desistiu da ideia ao dar de cara com Baekhyun completamente espichado, ocupando toda a cama de casal. De qualquer forma, não é como se Jongdae quisesse dormir ao lado dele mesmo.

Jongdae aproveitou que não havia ninguém do lado de fora do hotel e decidiu andar por lá, mesmo sem o consentimento de Baekhyun ou dos outros. Poxa, ele não era uma criança que precisava pedir permissão para poder fazer alguma coisa. E, além do mais, Jongdae sabia que precisava ser discreto e não deixar ninguém saber que ele é humano. Ele podia fazer isso.

E lá do cercado dos cavalos Jongdae conseguia ver claramente um vilarejo não muito distante e ouvir a música que vinha dele, provavelmente para o festival do Sol. Não podia negar que a cada minuto que passava ficava ainda mais curioso sobre o tal festival e sentia mais vontade ainda de descobrir mais sobre ele. Talvez fosse divertido.

— Parece que esse festival vai ser mais barulhento do que os outros. — Uma voz soou desanimada ao lado de Jongdae. O Kim, assustado, rapidamente se virou e deu de cara com um homem alto escorado no cercado, olhando entediado para a mesma direção que Jongdae olhava antes. — Você trabalha aqui? Não me lembro de ter te visto antes.

— A-ah, não, eu não trabalho aqui, só estou de passagem, eu acho.

O homem arqueou uma sobrancelha.

— Acha?

— B-bem, é que… — Jongdae não sabia o que dizer e muito menos como se explicar. Não havia pensado na possibilidade de uma hora ter que ficar sozinho com um kitsune, então sequer havia preparado as desculpas para momentos como aquele, e tudo só piorava estando diante do olhar analítico do outro. Desconfortável, o Kim ajeitou o capuz apenas por precaução.

— Acho que já entendi. Você é um forasteiro que veio de longe apenas para participar do festival? — Aquilo pareceu mais uma afirmação do que uma pergunta e, por alguma razão, o homem não parecia muito alegre com essa ideia. Jongdae não respondeu. — Bem, se esse for o caso, não se preocupe, não vou dedurar para os outros.

— Outros? — Jongdae indagou confuso.

— Outros guardas.

Então os olhos de Jongdae se arregalaram e ele finalmente se deu conta da situação. Ou de uma parte dela. Kyungsoo, Chanyeol e Baekhyun não falaram muito sobre os detalhes daquele mundo, mas fizeram questão de deixar claro que Jongdae nunca, jamais, sobre nenhuma hipótese deveria se aproximar dos guardas reais. E se ele ao menos tivesse prestado atenção antes, teria visto aquele emblema sugestivo até demais estampado manga da blusa do homem.

— E-então você é um guarda real? — Jongdae quis garantir.

— Você realmente deve ter vindo de muito longe. De qual clã você é? — Ele pareceu surpreso.

Foi como se todos os neurônios de Jongdae entrassem em desespero e começassem a correr de um lado para o outro buscando alguma resposta para aquilo. Ele já havia ouvido Chanyeol falar sobre algo relacionado à clãs, mas não fazia ideia do que exatamente isso significava. Talvez, só talvez, não havia sido uma boa ideia ter saído sozinho e tão despreparado para situações como essa.

Jongdae não sabia o que dizer, por isso foi aos poucos entrando em desespero. Não parecia ter muitas escapatórias, porque se respondesse algo errado, muito provavelmente o homem perceberia que Jongdae não pertencia àquele lugar, literalmente, e se não dissesse nada ele poderia acabar suspeitando de algo. Sair correndo de lá também não parecia ser uma ideia muito boa.

— Tudo bem, faz sentido você não querer dizer isso para um guarda. — O homem riu baixinho. — Bem, seja como for, não estou aqui para prender ninguém hoje. Então não apronte nada e vamos apenas aproveitar o festival e comemorar este dia, certo? — Ele sorriu amigável.

— S-sim. — Jongdae acabou soltando uma risada nervosa. Seu coração já estava acelerado demais pelo medo de ser pego e, pior, acabar levando os outros junto.

— E já que você já está aqui, fique com isso. — Ele retirou de dentro de um dos bolsos de sua blusa um bolo de papéis dobrados e entregou para Jongdae, que pegou ainda meio relutante. — É a lista dos procurados atualizada. — Explicou. — Mesmo hoje sendo um dia de descanso para todos, nós guardas tivemos que sair entregando isso de porta em porta de todas as casas e estabelecimentos daqui.

O homem continuou a reclamar por um bom tempo e Jongdae sequer dizia alguma coisa, com medo de que algo que dissesse pudesse acabar o entregando. E agradeceu mentalmente quando a mesma garota de cabelo rosa de antes apareceu e chamou pelo guarda. O homem se despediu de Jongdae e seguiu a garota para dentro do estabelecimento e foi a deixa que Jongdae encontrou para correr de volta para o próprio quarto.

Quando entrou, deu de cara com um Baekhyun próximo a janela, de braços cruzados e cenho franzido. Jongdae respirou fundo, porque sabia que aquilo não significava coisa boa.

— Posso saber por que diabos você estava lá fora conversando com um guarda? — Ele falou, aquele tom alto que Jongdae já havia se acostumando, mas que ainda fazia seu sangue ferver de raiva.

— Eu não sabia quem ele era! E foi ele quem veio falar comigo.

— Não interessa se você sabia ou não, você nem deveria ter ido lá para fora sozinho e sem permissão!

Jongdae riu sarcástico.

— Eu não preciso da sua permissão para fazer alguma coisa! — Gritou de volta. — Eu sei muito bem me virar sozinho.

— Sabe, é? — Baekhyun deu passos para frente e, consequentemente, Jongdae foi para trás, até que sentiu a porta contra suas costas. Baekhyun parou a centímetros de si de forma intimidadora. — Se você soubesse de alguma coisa, não estaria lá fora conversando com o chefe da guarda real, seu maldito teimoso! Aquele é Zhang Yixing, se ele descobrir sobre você, estamos mortos!

Os lábios de Jongdae se separaram em um 'o' e por alguns segundos ele ficou sem palavras. Talvez a situação fosse mais grave do que ele havia imaginado.

— Desculpa. — Foi tudo o que Jongdae disse. Ele era um cara orgulhoso com pessoas como Baekhyun e raramente pedia desculpas para elas, mas naquele momento não havia nada que pudesse fazer além disso.

Baekhyun pareceu pego de surpresa com aquilo. Jongdae sabia que o objetivo de Baekhyun naquele momento era apenas brigar, mesmo que não levasse a lugar algum. Conhecia o Byun a menos de uma semana, mas já sabia o quanto ele gostava de descontar as frustrações nos outros e, sinceramente, Jongdae já estava cansado disso e não estava disposto a dar esse prazer para ele. Baekhyun sem palavras era um ótimo Baekhyun.

E o Byun, sem o que dizer, apenas deu as costas para Jongdae e saiu do quarto.


🦊 🦊 🦊


— Tem guardas por toda a parte da cidade, acho que nunca vi tantos antes. — Foi a primeira coisa que Chanyeol disse quando ele é Kyungsoo voltaram para o hotel. — Vai ser impossível sair daqui hoje.

— De qualquer forma seria difícil partirmos daqui por conta do festival, precisaríamos passar por ele. — Kyungsoo falou indiferente enquanto retirava as compras de dentro das sacolas de papel. Ele parecia calmo com a situação, contradizendo como sempre com Baekhyun, que agora andava em círculos, carregando em seu rosto aquela expressão preocupada.

Jongdae mordeu o lábio inferior, em dúvida se deveria ou não contar sobre o guarda com quem havia conversado. Talvez fosse importante e os dois devessem saber sobre.

— Eu conversei com um guarda hoje. — Murmurou baixo.

— O que? — Kyungsoo parou o que fazia para olhar para Jongdae. Até mesmo Baekhyun parou de andar em círculos e olhou surpreso para o humano.

— Eu saí lá para fora enquanto o Baekhyun dormia e um guarda veio até mim.

— Você o que?! — A voz do Do subiu um pouco e Jongdae se encolheu um pouco, se sentindo como uma criança que estava sendo repreendida pela mãe. — O que ele fez?

— Nada, apenas falou sobre o festival e coisas aleatórias. — Respondeu brincando com os próprios dedos em um sinal claro de nervosismo. — Ele achou que eu fosse um forasteiro e só disse para não causar nenhum problema e aproveitar o festival.

— Jongdae, isso foi muito irresponsável! Que tipo de guarda ele era? — Kyungsoo perguntou, a testa franzida.

Jongdae desviou o olhar e engoliu a seco. Se Kyungsoo soubesse que o homem com quem havia conversado era o chefe da guarda real, provavelmente passaria a ficar de olho em Jongdae o dia inteiro e o deixaria sair ainda menos de dentro de casa. Jongdae ficaria maluco caso se sentisse mais preso do que já estava, mas precisava dizer a verdade. Respirou fundo antes de dizer:

— Ele era o-

— Era um guarda novato. — Baekhyun o cortou. — Eu o vi pela janela. Ele não suspeitou de nada.

Jongdae encarou Baekhyun em um misto de confusão e surpresa, mas o Byun sequer o olhou de volta. Por quê aquilo tão de repente? Foi o que Jongdae se perguntou. Baekhyun estava tentando melhorar sua situação? Não, ele jamais faria algo assim por Jongdae, o humano tinha certeza. Algumas horas atrás Baekhyun estava gritando com Jongdae pelo mesmo motivo que Kyungsoo, então não fazia sentido ele estar tentando o defender agora.

— Viu só? Não tem motivo para ficarmos preocupados. — Chanyeol disse, se aproximando de Jongdae e levando uma mão até sua cabeça para bagunçar seu cabelo. — E de qualquer forma, não tinha como o Jongdae adivinhar que encontraria um guarda do lado de fora de um hotel logo pela manhã.

Kyungsoo pareceu analisar a situação por alguns instantes e então suspirou, voltando ao trabalho de retirar as coisas de dentro das sacolas.

— Tem razão. Desculpe por me alterar, Jongdae. — Ele pediu, dando uma rápida olhada para o Kim. — Mas não faça mais essas coisas arriscadas, certo?

— T-tudo bem.

🦊 🦊 🦊

Mais uma noite chegou rapidamente. Jongdae passou o tempo no quarto de Kyungsoo e Chanyeol, apenas conversando para o tempo passar mais rápido ainda e jogando alguns jogos típicos daquele mundo com eles. Baekhyun, por outro lado, ficou o mais distante possível deles e as únicas poucas palavras que havia dito foram trocadas com Chanyeol.

Jongdae se sentia estranho com essa situação. Embora não se desse muito bem com Baekhyun, não se sentia bem sabendo que ele estava claramente desconfortável. Havia perguntado sobre para Chanyeol quando Kyungsoo foi para a recepção pedir algo para comer, e Chanyeol explicou que Baekhyun quase sempre agia desse jeito, principalmente quando Kyungsoo estava por perto. Ele também disse para Jongdae não se preocupar, porque não era nada pessoal. Baekhyun não costumava ficar perto de ninguém que ele não conhecia muito bem e que até mesmo sequer deixava que o tocassem.

Isso apenas serviu para deixar Jongdae ainda mais pensativo e confuso. Claro, já havia reparado diversas o quão difícil Baekhyun era e o quão distante ele sempre estava de todo mundo. Ele parecia sempre tão pensativo e preocupado, embora estivesse sempre obviamente tentando passar aquela imagem de indiferença com qualquer situação. Jongdae, no entanto, não conseguia imaginar o porquê de Baekhyun agir dessa forma. Apesar de tudo, sabia melhor do que ninguém o quão terrível era sempre se sentir distante de todo mundo a sua volta. Não desejava essa sensação para ninguém, nem mesmo para um chato feito Baekhyun.

Quando já estava muito tarde, Kyungsoo pediu para que Jongdae fosse dormir, porque iriam sair logo cedo, antes do amanhecer. Foi só então que Jongdae percebeu que teria de dormir mais uma vez ao lado de Baekhyun, o que com certeza não era uma ideia muito divertida, principalmente em um dia em que o Byun não estava muito bem-humorado.

Ao que entrou no quarto já escuro, pensou que Baekhyun já estava dormindo, mas, apesar da falta de luz, podia ver que a cama estava vazia. E então seus olhos se ajustaram na luz das luas que vinha da janela, e lá estava Baekhyun, sentado no parapeito da enorme janela, olhando para o céu.

Jongdae trancou a porta atrás dele e, pensando uma ou talvez duas vezes, decidiu se aproximar de onde o Byun estava. De lá era possível ver com clareza o vilarejo logo abaixo da colina, de onde a música já estava mais alta do que pela manhã.

— Parece divertido. — Comentou baixinho. — Sabe, essa coisa de festival.

Baekhyun o olhou pelo canto dos olhos por apenas alguns segundos e depois voltou a olhar para frente.

— Está sem sono? — Ele perguntou.

— Sim.

— Então será que você poderia ir ficar sem sono em outro lugar?

Jongdae lançou um olhar indignado para Baekhyun. Estava tentando puxar assunto e ser legal e o maldito ainda tinha a coragem de falar daquele jeito com ele?

— Cara, por que você tem que ser tão chato? — Bufou irritado, apoiando as costas na parede ao lado da janela.

— E por que você tem que ser tão insistente e teimoso? — Ele retrucou, sem nem ao menos se dar ao trabalho de olhar para Jongdae.

— Ah, é? E por que você tem que ser tão irritado e gostar de contrariar os outros?

— Não sou eu que sempre saio por aí desobedecendo ordens e colocando os outros em enrascadas.

— Não? Pelo que eu me lembre, Chanyeol falou que ir para o mundo humano é contra as regras daqui. — Devolveu, com um sorrisinho convencido nos lábios, porque sabia que Baekhyun não teria resposta contra isso, e foi o que aconteceu. A boca de Baekhyun se abriu para dizer algo, mas nada saiu, então ele voltou a se virar para frente, um biquinho contrariado nos lábios. Jongdae havia vencido daquela vez. — E por falar em enrascadas… por quê você mentiu mais cedo quando Kyungsoo me perguntou qual era o tipo de guarda que havia falado comigo?

Baekhyun virou o rosto para o lado contrário de onde Jongdae estava e o Kim observou a cauda branca e longa balançar de um lado para o outro, talvez em um sinal de incômodo. Jongdae não sabia se era uma boa ideia tocar neste assunto, mas acabou fazendo mesmo assim por pura curiosidade, afinal aquilo ficou martelando em sua cabeça o dia inteiro.

— E-eu- — Jongdae arqueou as sobrancelhas, surpreso pela gagueira do outro para responder aquilo. — Eu só não estava a fim de ouvir mais uma das lições de moral do Kyungsoo pelo resto do dia, tá legal? Não pense que fiz isso para limpar sua barra. — Ele olhou para Jongdae. O Kim notou a tentativa falha de manter uma expressão firme, que na verdade resultou em uma expressão tímida e envergonhada. Seria fofo, se não fosse Baekhyun ali.

— Eu não disse que fez. Na verdade eu ficaria surpreso se você dissesse que havia feito isso para me ajudar. — Jongdae comentou em meio a uma risadinha.

— E por que isso? — O Byun, que antes estava mais do que indiferente a ouvir qualquer coisa de Jongdae, agora parecia muito interessado.

— Porque você claramente me odeia e só quer se livrar logo de mim.

— Eu não te odeio.

— Mentiroso. — Apontou, rindo descrente das palavras do outro. — Não precisa mentir, eu aguento a verdade. Já estou acostumado com a rejeição. — Brincou.

Jongdae foi até a janela e sem nem ao mesmo pedir, se sentou ao lado de Baekhyun no parapeito. Este o olhou confuso, mas não questionou, apenas foi um pouco mais para o lado para dar espaço para Jongdae.

— Você acostumado com a rejeição? Duvido. — Soltou uma risada seca.

— Como assim?

— Você tem cara de quem foi adulado por todos a vida inteira.

— E você tinha cara de simpático antes de eu te conhecer melhor e olha só você agora, com essa cara de quem quer me empurrar dessa janela. — Falou de forma dramática e exagerada, o que fez Baekhyun rir pela primeira vez desde que iniciaram aquela conversa. Jongdae acabou rindo também.

— Talvez eu realmente queira fazer isso, mas aposto que um pirralho como você morreria só com essa pequena queda.

— Oh, me desculpa, vovô. — Debochou, recebendo do outro um leve empurrão no ombro. De repente, um pensamento aleatório veio em sua mente e Jongdae sorriu animado. — Uau!

— O que foi?

— Falando em vovô, deve ser incrível ser um de vocês!

— Avós?! — Baekhyun franziu o cenho em algo entre confusão e indignação, pensando que Jongdae realmente o via como um idoso.

Jongdae caiu na risada, batendo na própria coxa enquanto ria, deixando o Byun ainda mais confuso com a situação.

— Não! — Jongdae falou rapidamente. — Meio-raposas, sabe?

— E o que isso tem a ver com avô?

— Vocês são imortais, não é? Logo vivem para sempre. Deve ser incrível ter seus avós para sempre. — Sorriu, olhando para o céu.

— Meus avós não estão vivos. — Baekhyun murmurou calmo. Jongdae rapidamente o olhou confuso, com aquela expressão de "mas você não disse…?" que logo foi captada pelo Byun, que não tardou em explicar: — Nós não somos exatamente imortais. Nós vivemos para sempre, contanto que nada interfira nossa vida.

— E o que pode interferir?

— Somente a magia da nossa raça pode nos matar. Fora isso, não há nada.

— Então seus avós foram…? Oh, sinto muito por isso, eu não sabia. — Pediu envergonhado.

— Tudo bem, já faz muito tempo. — Baekhyun deu de ombros. — Mas e quanto a você? Pela forma que você disse, você sente falta dos seus.

— Sim, eu sinto muita falta deles. Eles eram pessoas incríveis e eu passei mais tempo com eles do que com meus próprios pais.

— Por que?

— Meus pais sempre brigaram muito, quando eu completei seis anos as coisas ficaram mais feias e eles decidiram se separar. Eu era apenas uma criança e presenciava todas as discussões e acabava sendo envolvido e usado nelas como meio de chantagem.

— Meio de chantagem?

— Sim, um ameaçava o outro dizendo que ficaria com a minha guarda. O que era bem irônico, porque no fundo nenhum dos dois me queria de fato. — Riu ao pensar nisso. — Minha mãe acabou ficando com a minha guarda, mas ela nunca parava em casa, então me deixava aos cuidados dos meus avós. Eles me amavam muito e no final acabaram sendo mais meus pais do que os próprios.

— Então você não se dá bem com seus pais? — Baekhyun indagou, olhando diretamente para Jongdae.

— Eu sequer os conheço direito. Desde que nasci um já tentava me jogar para o outro. Inclusive, só estou aqui porque dessa vez os dois não estavam a fim de me aguentar nessas férias e resolveram me mandar para passá-las com a minha tia. Ela me levou para aquele festival onde acabei te encontrando.

— Entendo.

— Mas e você? Se dá bem com seus pais? — Jongdae sentiu a liberdade de finalmente perguntar alguma coisa pessoal ao outro. Baekhyun também havia o perguntado coisas pessoais, então podia ser um bom momento para fazer o mesmo. Ou talvez nem tanto, porque a expressão de Baekhyun mudou na mesma hora de calma para desconfortável. — Você não precisa me falar sobre caso não se sinta a vontade. Não quero que você se sinta pressionado ou toque em um assunto que você não se sente bem falando sobre. Faz sentido? — Completou e viu aos poucos a expressão de Baekhyun suavizar.

Eles suspirou, soltando uma risadinha.

— Por que você começou a ser legal agora? — Baekhyun quis saber, olhando agora sério para Jongdae.

Jongdae bufou ofendido.

— Eu sempre fui um cara legal, você que não me deu oportunidade de ser assim com você, senhor estressadinho. Como eu disse, você me odeia.

— Eu não te odeio. — Repetiu, respirando suavemente. Embora Jongdae quisesse duvidar disso, ele sentiu nessas poucas palavras que Baekhyun não mentia, o que deixou o Kim um pouco desconcertado. — E você? Não me odeia?

Jongdae foi pego de surpresa com a pergunta repentina, mais porque Baekhyun realmente parecia ansioso e esperançoso por uma resposta. Desde quando ele se importava com o que Jongdae pensava sobre ele? Desde quando a opinião de Jongdae importava para ele? Jongdae se fazia tanto essas perguntas nos últimos dias que sequer imaginava que alguma hora teria uma conversa normal com Baekhyun como acabara de ter, sem que este fosse sarcástico e indiferente como sempre era.

— Eu não te odeio, Baekhyun. — Jongdae soltou baixinho pela timidez em dizer essas palavras. — Quero dizer, você é chato na maior parte do tempo, é um baita mandão, se irrita com qualquer coisa, é sarcástico demais e no começo me deu um pouco de medo, mas, não, eu não te odeio. — Completou com um biquinho involuntário. — E sendo sincero, eu não quero passar os meus últimos dias aqui brigando com você e querendo te te afogar no vaso sanitário. — Baekhyun fez uma careta com a última parte. — Eu quero me sentir confortável perto de você, que nem eu me sinto quando estou com Chanyeol e até mesmo com o Kyungsoo.

Dessa vez foi Baekhyun que ostentou a expressão surpresa no rosto. Jongdae sentiu que ele esperava outra resposta, esperava que Jongdae dissesse que o odiava. Bem, Jongdae também se enganou quanto ao que achou que o outro pensava dele, então não o julgava.

— Você… está dizendo que quer ser mais próximo de mim? — Quis ter certeza. Jongdae observou o peito de Baekhyun subir e descer rapidamente e em um piscar de olhos a imagem que tinha do Baekhyun assustador mudou para o Baekhyun que parecia um filhote de cachorro assustado.

— B-bem, s-se você quiser. — Tentou parecer indiferente, dando de ombros e virando o rosto, mas a gagueira o entregou.

Quando olhou novamente para Baekhyun depois de alguns segundos, percebeu que este ainda o olhava espantado. Ele estava com as bochechas levemente avermelhadas e os olhos arregalados, agora tão expressivos. Jongdae sentiu o próprio rosto esquentar, mas não conseguiu desviar os olhos dos de Baekhyun. Talvez tivessem ficado bons minutos apenas encarando um ao outro, e quando Baekhyun estava prestes a quebrar o silêncio para dizer algo, um barulho alto de explosão o interrompeu. Tanto Baekhyun quanto Jongdae quase se desequilibraram da janela pelo susto, mas se ajeitaram a tempo para que não caíssem.

Eram fogos de artifício estourando no céu, mas não como os que Jongdae costumava ver no mundo humano. Ao se darem conta disso, os dois caíram na risada, se divertindo com a cara de susto alheia. Quando se acalmaram, voltaram o olhar para o vilarejo não muito distante, de onde mais fogos de artifício vinham.

— Eles parecem estar se divertindo muito. — Jongdae murmurou sorrindo.

Baekhyun ficou em silêncio por alguns instantes, olhando fixamente para de onde vinha a música alta do festival, mas em um piscar de olhos sumiu de onde estava, deixando para trás apenas um rastro daquela luz azul que emanava. Jongdae piscou várias vezes, confuso, e olhou para os lados, procurando pelo outro, até que sentiu um toque em sua costa. Rapidamente se virou e deu de cara com Baekhyun, mas dessa vez vestindo um capuz e com o de Jongdae em mãos. Ele o estendeu para Jongdae.

— Vista.

— Por que? — Questionou sem entender.

— Você não quer ir ao festival? Nós vamos.

— M-mas vocês não disseram que seria perigoso entrar no meio dele e que lá estaria repleto de guardas?

— E vai estar, mas se formos cuidadosos e você não sair de perto de mim vai ficar tudo bem. — Garantiu confiante, empurrando o capuz marrom novamente contra Jongdae, que o pegou meio hesitante e o vestiu rapidamente.

— E quanto ao Kyungsoo e Chanyeol?

Baekhyun sorriu arteiro antes de dizer:

— Eles não precisam saber.

Jongdae engoliu a seco. Embora fosse o primeiro a querer agarrar qualquer oportunidade de sair e não soltar mais, achava aquilo arriscado demais. Não entendia também a súbita mudança de Baekhyun, que era quem mais queria prender Jongdae dentro de casa e não parecia nem um pouco disposto a correr algum risco por ele. O humano não sabia se era uma boa ideia ir para um festival cheio de guardas reais, mas o pensamento em sua cabeça de que Baekhyun não faria nada muito arriscado o tranquilizava. E no fundo, Jongdae não queria deixar passar algo assim quando Baekhyun estava aparentemente tentando ser legal.

Respirando fundo, Jongdae disse:

— Certo, mas como vamos passar pela recepção sem parecermos muito suspeitos?

— Não vamos passar pela recepção. — Baekhyun falou como se fosse a coisa mais óbvia possível e então apontou para a janela.

Jongdae olhou para baixo da janela, vendo a enorme descida. Estavam no terceiro andar, se Jongdae caísse, quebraria muito ossos ou até mesmo morreria. Voltou o olhar para Baekhyun novamente e ele pareceu ler seus pensamentos, porque teve a audácia de rir do medo estampado no rosto do humano. Quando Jongdae estava prestes a protestar e dizer que seria impossível sair pela janela, Baekhyun se aproximou e o puxou contra ele abruptamente. As palavras morreram na garganta de Jongdae pela surpresa e perdeu qualquer reação que teria normalmente em uma situação como essa, como se afastar.

De repente, sentiu um frio estranho na barriga que durou por poucos segundos, o que fez Jongdae sair daquela especie de transe em que havia ficado. Ele piscou algumas vezes e olhou por cima do ombro de Baekhyun, se dando conta de que agora estavam do lado de fora do hotel.

— M-mas o que?! C-como v-você fez isso?!

Baekhyun riu, mas não respondeu, apenas deu as costas para Jongdae e começou a andar. Jongdae, ainda muito confuso, correu atrás de Baekhyun para que pudesse acompanhar seus passos. Em meio a diversas perguntas que não eram respondidas por Baekhyun e algumas briguinhas ocasionais que aconteciam por esse motivo, andaram até o pequeno vilarejo.

A brisa fria da noite batia contra o rosto de Jongdae e o fazia se arrepiar, mas ela deixou de ser um incômodo quando o foco do humano passou a ser a música que ficava cada vez mais alta conforme se aproximava do festival. Já podia avistar de não muito longe diversas pessoas — ou melhor, raposas — alegres correndo, dançando e algumas paradas em frente à barracas de comida e jogos. Por um segundo, tudo parecia como o festival em que Jongdae esteve em seu último dia no mundo humano. Bem, tirando o fato de que nele não havia pessoas meio-raposas. E por falar nelas, Jongdae se surpreendeu ao notar que, diferente de Baekhyun e dos outros que já havia visto, algumas delas possuía mais do que uma cauda.

— Você é tão fácil de ler, moleque. — Baekhyun riu soprado, tomando a atenção de Jongdae. — Está se perguntando o porquê da quantidade de caudas que temos, não está? — Jongdae assentiu, tímido por ter sido pego tão facilmente. — A cada cem anos ganhamos uma nova.

Jongdae assentiu maravilhado e começou a contar em sua mente a quantidade de caudas de cada raposa que passava por si, desviando o olhar envergonhado toda vez que alguma delas notava e o olhava de volta. Baekhyun se divertia com a situação e sempre acabava rindo.

O cheiro das comidas estava delicioso e embora Jongdae já tivesse jantado, sentia sua barriga roncar em interesse. Baekhyun não estava muito diferente, então parou em frente à uma barraca de algo que Jongdae nunca havia visto antes, mas que tinha um cheiro maravilhoso. Baekhyun pediu dois daqueles que estavam no palito e entregou um para Jongdae. O Kim agradeceu.

— Não precisa pagar?

— Não, tudo no festival é de graça. — Baekhyun explicou enquanto dava uma mordida na comida. Jongdae fez o mesmo e se surpreendeu com o gosto bom e doce, mas muito diferente de tudo que já havia comido antes. Era em um tom de rosa chamativo que brilhava e emanava uma luz na mesma cor, mas em um tom mais escuro.

Ao olhar para Baekhyun enquanto caminhavam, Jongdae engasgou com o que comia pela súbita vontade de rir. A boca de Baekhyun estava toda suja com aquele brilho rosa, mas ele logo limpou ao se dar conta disso.

— Ha ha, muito engraçado. — Ele revirou os olhos, mas o sorrisinho no canto de seus lábios o entregava. — Você também está sujo. — Ele parou de andar e analisou Jongdae seriamente.

— Onde? — Perguntou, passando a mão sobre a boca para limpar.

— Aqui. — Baekhyun juntou um pouco do recheio rosa com o dedo e o levou até a ponta do nariz de Jongdae, rindo como o bobo que era por ter enganado o outro.

Obviamente isso desencadeou um Jongdae revoltado brigando com Baekhyun enquanto este ria alto e zombava do humano por ser tão ingênuo e cair em algo tão bobo quanto aquilo. No fim, a guerra para ver quem sujava mais o outro foi inevitável e só acabou quando ambos estavam completamente sujos do rosa brilhante e sem mais comida para acertar no outro.

Estavam tão distraídos com a brincadeira que por um segundo até se esqueceram que estavam cercados por guardas reais. Em todas as partes do festival havia um e conforme o tempo passava, mais e mais deles apareciam. Aquela foi o aviso para irem embora, Jongdae pensou. Isso só ficou mais claro ao se dar conta que o Baekhyun alegre de antes começou a dar lugar ao Baekhyun preocupado. Jongdae também estava, então não questionou quando foi praticamente puxado para fora do festival sem qualquer aviso.

Baekhyun só voltou a relaxar quando já estavam longe do festival, subindo de volta a pequena colina para o hotel. Jongdae sentia que havia algo de errado desde o primeiro dia, porque a preocupação de Baekhyun parecia ir muito além de alguém descobrir Jongdae. Ele parecia temer por algo além disso. Mas não era como se fosse da conta de Jongdae, não? Além disso, já havia invadido muito o espaço pessoal de Baekhyun naquele dia, não queria o incomodar ainda mais, então se calaria por hora.

Quando chegaram no hotel e voltaram para o quarto, perceberam que precisariam tomar um banho e trocar de roupa antes de dormir. Baekhyun pediu que Jongdae fosse primeiro e ele o fez. Quando estava retirando o kimono que vestia, percebeu que havia algo em seu bolso. Curioso, verificou o que era e viu aquele papéis que o guarda havia o entregado mais cedo próximo ao cercado dos cavalos. Algo sobre procurados, ele havia dito. Apenas por curiosidade, Jongdae desdobrou os papéis para que pudesse os analisar.

Olhou para as gravuras de diversos procurados e por seus nomes logo em baixo, ao lado estava a classificação do perigo de cada um. Ia de C à S, sendo os de classe S os que possuíam uma recompensa maior para quem os entregasse para a guarda. Se sentou na borda da banheira enquanto folheava as páginas e passava os olhos rapidamente por elas. Na última página, no entanto, algo chamou a atenção de Jongdae e seus olhos se arregalaram.

— Byun Baekhyun… — Ele leu em voz alta o nome que estava escrito logo abaixo da gravura de uma criança classificada como S.

Mesmo sendo uma criança, estava claro que se tratava de Baekhyun. Seus olhos, sua boca, seu nariz… era Baekhyun. Por quê Baekhyun estava em uma lista de procurados perigosos?



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