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História The Change- Fillie - Capítulo 7


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Notas do Autor


Boa leitura ♥️

Capítulo 7 - Capítulo 06


Millie

Duas semanas depois, David ainda não fazia a menor ideia de quem tinha vazado minhas fotos. Ele me explicou brevemente que a pessoa havia usado um software que mascarava o IP de internet utilizado, sendo assim seria mais complicado ainda localizar o culpado uma vez que a navegação tinha sido completamente anônima.

Me senti frustrada e derrotada ao passo que as coisas não pareciam melhorar conforme os dias se passavam, mesmo que todo o bafafá tivesse diminuído um pouco. David havia conseguido tirar todas as minhas fotos dos sites e as pessoas já não falavam tanto assim sobre o caso, porém, segundo ele, ainda não seria o momento certo para voltar.

Para ser sincera eu estava cada vez menos me importando em ficar isolada naquela casa, embora fosse difícil ficar longe do meu pai, de Ava e afastada do meu trabalho também, eu conseguia me distrair. Boa parte por que Finn era uma boa companhia, nós conversávamos sempre sobre coisas aleatórias e engraçadas, até mesmo víamos filmes juntos -com rose também- já que ela não largava do pé dele.

Os únicos momentos em que não estávamos juntos era quando íamos dormir ou quando ele ficava sozinho para falar no telefone e jogar. Ele era um viciado naquele aparelho e era sagrado que pelo menos duas horas fossem dedicadas ao game. Apesar de termos combinado de revezar o quarto com ar-condicionado, ele não quis trocar de lugar comigo, deixando que eu dormisse lá todos os dias. No começo insisti pela troca, mas ele se mostrou irredutível, ainda mais quando soube que David não permitiria um técnico na casa para substituir o aparelho ou conserta-lo.

E essa era uma das muitas razões pelas quais eu gostava de ficar com Finn. Ele era gentil comigo. E não era algo forçado nem fingido, ele era simplesmente assim, sempre.

Naquela manhã, depois que desci as escadas, vi que  ele estava vestido como se fosse sair de casa, eu sabia disso por que usava um boné preto na cabeça e um casaco por cima da camisa. Outra coisa que tinha de admitir era que ele também era bonito. Não uma beleza óbvia da qual faria garotas se derreterem aos seus pés, mas uma  simples e isso era alavancado ainda mais por sua personalidade. Eu aprendi a gostar dos óculos grandes e redondos, dos cabelos bagunçados, das roupas largadas e até mesmo do jeito nerd, mesmo que fosse algo extremamente oposto do que eu costumava gostar antes. 

-Você vai sair? -Perguntei quando o encontrei na sala de estar.

Finn abriu um sorriso, coisa que eu já estava cada vez mais acostumada também.

-Sim, vou até o supermercado fazer algumas compras com o Carter. A comida está acabando. -Ele disse enfiando as mãos dentro do bolso. -Você precisa de alguma coisa?

-Não. Acho que não. -Respondi, me lembrando do estoque de absorventes que eu ainda tinha dentro da mala.

-Então, vamos garoto? -Soou a voz de Carter atrás de mim.

-Sim vamos. -Finn assentiu e os dois se direcionaram até a porta.

-Ei, espere. -Eu o parei de repente quando me lembrei de algo. -Você pode trazer um shampoo novo pra mim?

Finn levantou as duas sobrancelhas e se afastou um pouco de Carter, vindo em minha direção.

-Claro. -Disse sério. -O mesmo de sempre?

Havia um pequeno vinco em sua testa o qual eu já sabia o motivo. Finn não havia me contado nada sobre a tal mulher que cheirava igual a mim, mas eu notava sempre sua apreensão e o jeito distraído que ele ficava quando eu me aproximava. E por alguma razão eu não queria que ele lembrasse dela quando estivesse perto de mim.

-Não. -Balancei a cabeça. -Você pode escolher qualquer outro, já enjoei daquele cheiro.

Ele notou minha intenção por trás daquelas palavras e pensei que fosse ficar esquisito com aquilo, mas ao invés disso ele sorriu depois de respirar fundo, parecendo até... orgulhoso?

-Tudo bem. Vou trazer algum outro então. Mais alguma coisa?

Mordi o lábio tentando me lembrar, então disse:

-Você pode trazer Pringles?

Ele riu.

-Batatas? Sério?

-Sim, você sabe que são minhas preferidas. -Rolei os olhos sorrindo e o empurrei suavemente pelos ombros.

-Ok. Ok. Já entendi, de creme e limão. 

Ele começou a andar para trás ainda olhando para mim. Era estranho que eu sempre quisesse abraça-lo, eu sabia, mas raramente eu conseguia me conter. Finn tinha um abraço gostoso, bom de verdade, aqueles que te faz se sentir pequena mas ao mesmo tempo protegida de tudo. Eu estava ciente de que ficava algo estranho quando acontecia aquilo entre a gente, ainda mais quando ele não esperava, por isso naquele momento me contive, apenas acenando em despedida.

Depois disso, Finn saiu com Carter e eu fiquei jogada no sofá. Rose mexia em algo na cozinha, provavelmente preparando o almoço. Eu me ofereceria para ajudá-la, talvez, se ela não deixasse muito claro que não gostava de ficar perto de mim. Confesso que nos últimos dias nós até nós até que nos damos melhor, pelo menos não precisávamos ficar soltando indiretas nem constrangendo uma a outra, grande parte disso também por que Finn estava sempre por perto e acabava distraindo Rose de mim. 

Em algum momento adormeci no sofá e acordei novamente quando ouvi o barulho da porta se abrindo. Pensei que fosse Finn e Carter chegando do supermercado então levantei pronta para ajudá-los com as compras, porém assim que cheguei no hall me deparei não só com um dos meus amigos, mas com todos eles. Lexi, Sadie, Noah e quem eu fiquei mais chocada: Louis.

-Surpresa! -Eles gritaram em uníssono.

De fato foi uma grande surpresa, tão grande que meu primeiro instinto ainda meio grogue de sono foi dar um passo defensivo para trás.

Lexi atravessou a porta primeiro e em seus braços assimilei uma caixa térmica, e ela usava um vestido curto que mal cobria suas coxas.

-Oh querida, pensei que você fosse ter uma reação bem melhor do que essa. -Sadie falou entrando em seguida.

Fazia bastante tempo que eu não via Sadie, já que ela morava longe e praticamente só nos víamos quando eu acabava viajando para Londres. Noah entrou depois junto com Louis e ele veio em minha direção me abraçar.

-Que saudade, garota! -Falou me balançando de um lado para o outro.

Apesar de estar feliz de rever meus amigos, estava confusa também. David disse que eu não podia receber visitas e mandar um carro cheio de celebridades não parecia com algo que ele tivesse autorizado.

-Como... Como vocês chegaram aqui? -Perguntei fitando todos ao mesmo tempo quando Noah me largou.

-Não pense que foi uma tarefa muito fácil, quase tivemos que subornar David para ele deixar que viessemos fazer uma visitinha. -Lexi explicou, colocando a caixa no chão.

Eu assenti, ainda um pouco atordoada com tudo aquilo.

-Ha quanto tempo, Mills. -Louis se aproximou de mim com um sorriso ladeado.

De fato eu não o via desde que as gravações do nosso filme haviam acabado, mas droga, ele continuava tão lindo que instantanemente minhas mãos começaram a suar.

Pelo amor de Deus, você beija e transa com esse cara na ficção, não vai ficar nervosa agora.

Disfarcei minha apreensão mordendo o lábio e fechei nossa distância para abraça-lo.

-Você saiu de Londres só para vir me ver? -Perguntei próxima de seu ouvido.

Louis tinha um cheiro familiar e amadeirado, e sendo muito mais alto do que eu, prendeu as mãos em minhas costas me pressionando contra seu corpo.

-Bem, digamos que sim. -Ele respondeu piscando o olho na minha direção.

Não pude deixar de ficar feliz com aquele gesto. Louis morava muito longe e provavelmente estava muito ocupado com os eventos dos filmes, os quais eu não ia por motivos óbvios.

-Então... O que tem de interessante para fazer nesse fim de mundo? -Lexi interrompeu, passando por mim para averiguar a sala de estar. -Oh, quem é essa?

Me virei me deparando com Rose parada no meio da sala segurando uma travessa grande de massa de bolo. Seu rosto estava branco e ela mal se movia encarando Lexi e os outros.

-Ah, sim, essa é a Rose, ela ajuda aqui na casa. -Apresentei-a para os outros.

Eu poderia não gostar de Rose, mas percebi que ela estava quase tendo um ataque de Pânico vendo vários famosos de uma vez.

-Um prazer, senhorita. -Noah se aproximou dela. -Eu posso? -Perguntou apontando um dedo para a massa escura.

Rose assentiu e Noah enfiou o dedo dentro da travessa retirando um pouco e colocando na boca.

-Perfeito. -Ele disse revirando os olhos.

-David sabe disso, Millie? -Ela me perguntou bem séria.

-Sim, acho que está tudo bem.

Novamente ela encarou meus amigos, depois se direcionou até a cozinha sem dizer mais nada.

-Então essa é a vadia que está te importunando, em? -Lexi perguntou seguindo Rose com um olhar enjoado.

Eu havia contado para ela sobre Rose no início, mas por alguma razão não queria Lexi pegando no pé da garota.

-É ela, mas está tudo bem agora. -Confirmei com a cabeça. -Vamos sentar um pouco, quero saber tudo o que está acontecendo.

Maneei a cabeça em direção ao sofá e meus amigos se sentaram na minha frente, porém todos ficaram um pouco mais sérios se entreolhando.

-Então.... É tão ruim assim? -Perguntei esmiuçando um sorriso nervoso.

Noah coçou a parte de trás da cabeça.

-Bem, as pessoas gostam de falar, você sabe.

Sei.

-Garota se eu fosse você ativava novamente suas redes sociais, não se fala de outra coisa, você possivelmente ganharia milhões de seguidores. -Lexi falou com um sorriso presunçoso.

Sadie pigarreou.

-Ela não precisa desse tipo de público, Lexi. -Repreendeu. -Esta tudo bem Millie, as pessoas aos poucos vão esquecer de tudo isso. Você vai ver.

Eu assenti com alívio ao ouvir aquelas palavras. Lexi tinha um jeito diferente de encarar as coisas e as vezes eu evitava conversar com ela justamente por que ela tentava me convencer de que terem vazado minhas fotos era de alguma forma, algo bom para mim. Me perguntei naquele momento por que eu não era tão próxima assim de Sadie, provavelmente por que ela era mais retraída e não ligava para o sucesso embora fosse quase tão famosa quanto eu.

-Espero que tudo isso acabe logo. Estou começando a pirar nesse lugar. -Eu disse rindo, mas logo me arrependi daquilo.

Não era verdade, eu estava muito bem e sinceramente quase não sentia falta de fazer outras coisas.

-Sim, vai passar. -Louis garantiu. -Não tem sido muito fácil para mim também. As pessoas estavam me acusando, pensando que eu tinha feito aquilo com suas fotos. Tudo por causa do nosso ship idiota.

Nossa.

-Te incomodaram com isso? -Perguntei.

-Sim, bastante. Eu não podia sair na rua e até mesmo nas entrevistas. Tivemos que assinar um acordo para que os apresentadores não fizessem nenhuma pergunta pessoal, somente em relação ao filme.

Uma onda de culpa me invadiu e eu encolhi no sofá. As pessoas sempre acharam que eu e o Louis tínhamos um caso e agora sua vida estava arruinada por minha causa.

-Me desculpe por isso. -Eu falei.

-Nah.. não precisa disso. A culpa não é sua e como a Sadie disse, vão arranjar algo melhor para falar em breve. -Ele disse mandando uma piscadela para Sadie. 

Eles eram muito amigos.

-Sim Millie. -Noah concordou. -Apesar de tudo, as pessoas sentem sua falta, tem muita gente ansiosa para te ver de novo.

Aquilo me animou um pouco e eu sorri abertamente. Eu gostava tanto de trabalhar, atuar, fazer minhas campanhas e não via a hora de voltar a ter minha vida de volta. Dei uma olhada ao redor da casa e pensei que quando aquele inferno acabasse eu possivelmente não voltaria para aquele lugar. Não veria mais Finn.

Quando pensei naquilo senti algo desconfortável dentro de mim, uma espécie estranha de tristeza.

-Pelo que eu vi aqui tem uma piscina, vamos passar o dia nesse calor ou vocês estão afim de cair na água? -Lexi disse interrompendo meus pensamentos, já se levantando do sofá.

Os garotos assentiram e levantaram em seguida.

-Por favor, eu estou derretendo aqui. -Noah começou a se abanar.

-Otimo, vão pra lá. Millie, você me ajuda na cozinha? Trouxe umas coisinhas para fazermos uns drinks. -Lexi disse, maneando a cabeça em direção a caixa deixada no chão.

-Sim, eu ajudo.

Eu e ela fomos para a cozinha, enquanto os outros saíram para a piscina. De longe só reconhecia os gritos de Sadie e de Noah, provavelmente empurrando um ao outro na água.

-Com licença, lindinha. Você pode liberar a mesa? Vamos precisar dela. -Lexi falou quando chegamos na cozinha.

Rose estava cortando legumes e fatiando carnes, ela levantou a cabeça e um frio na barriga me bateu ao vê-la segurar uma faca. De qualquer forma sabia que deveria conter Lexi antes que as duas começassem uma briga.

-Tudo bem, Lexi. Podemos usar essa parte vazia. -Sugeri apontando para a outra ponta da mesa.

Rose manteve os olhos semicerrados na minha direção, depois deu de ombros voltando a sua tarefa.

Lexi fez uma careta em sua direção, a qual graças a Deus ela não viu a tempo.

Ela tirou uma garrafa grande de tequila e uma de licor de laranja de dentro da caixa térmica e colocou-a sobre a mesa. Eu fui ate a geladeira pegar limões já percebendo que Lexi queria fazer margueritas.

Assim que fatiei o primeiro pedaço de limão ouvi um barulho vindo de fora, seguido pela voz de Noah.

-Ei cara, está tudo bem. Você não me conhece? -Ele gritou parecendo assustado.

Droga. Finn.

Deixei tudo como estava em cima da mesa e corri até a parte de fora da casa, onde Noah estava na beira da piscina sendo segurado por Finn que apertava seu braço ameaçadoramente, mesmo que o outro braço estivesse ocupado com uma sacola grande de compras, ele ainda o segurava com veemência.

-Finn! -Gritei me aproximando. -Esta tudo bem, eles são meus amigos!

Finn virou a cabeça na minha direção, havia algo por trás de seus óculos que me parecia como raiva e pânico ao mesmo tempo, porém ele suavizou a expressão quando me viu, passou os olhos para Sadie e Louis que estavam praticamente encolhidos em um canto.

Mesmo que Finn não fosse um brutamonte de músculos e virilidade, quando você é  famoso aprende desde cedo a temer ameaças por mais simples que sejam.

Ele largou o braço de Noah e Lexi correu até ele.

-Esta tudo bem? Ele machucou você? -Ela perguntou verificando o braço de Noah.

-Tudo bem Lexi, não exagera. -Noah respondeu se afastando dela.

-Me desculpa, cara. Eu não sabia de nada, pensei que... -Finn fez uma pausa e olhou para mim. -So desculpa.

Ele falou e deu as costas passando para dentro em alta velocidade, sendo seguido por Carter que também segurava sacolas de compra.

-Cara, foi a primeira vez que uma pessoa da minha idade não me reconheceu. Quem é esse doido? -Noah perguntou encarando Finn entrar em casa.

Não me dei ao trabalho de explicar, pois em segundos eu já estava correndo para dentro de casa atrás de Finn.

Ele foi direto para a cozinha deixando os pacotes sobre a mesa.

-Finn, ei, desculpa por isso. Eu não fazia ideia de que eles apareceriam aqui, não consegui avisar antes. -Expliquei vendo ele começar a tirar as compras das sacolas depressa. 

-Tudo bem Millie. Eu não sabia quem eram, fiquei assustado. -Ele falou, mas não olhou para mim.

Na verdade, ele não parecia chateado, mas sim envergonhado.

-Não é pra menos também, David disse que não queria ninguém aqui e de repente não só uma mas quatro pessoas surgem do nada. -Rose compactuou se inclinando para ajudar Finn a desempacotar as compras.

É claro que ela não perderia essa oportunidade.

-Eu já falei que o David permitiu que eles viessem. -Expliquei, embora nenhum dos dois parecessam interessados nisso.

Momentos depois sendo apenas ignorada eu perdi de vez minha paciência.

-Finn! Você pode falar comigo, por favor? -Praticamente exigi.

Rose levantou os olhos na minha direção surpresa e Finn virou o rosto me olhando como se não me entendesse.

-Você pode levar as compras para a dispensa, Rose, por favor? -Ele pediu ainda me encarando.

Ela assentiu e saiu como um cão mandado levando as compras para o outro cômodo.

-Olha, você não tem que me dar explicações, nem nada do tipo. Se o David permitiu, tudo bem. -Ele disse respirando fundo.

-Eu tenho que dar explicações sim. -Insisti. -Não estou aqui sozinha e não quero que você se sinta desconfortável.

Ele deu de ombros, agora mirando a garrafa de tequila em cima da mesa.

-Você ia bater no Noah? -Perguntei para desviar sua atenção.

Eu não bebia desde o primeiro dia que havia chegado aqui e algo me dizia que Finn tinha um certo receio de que eu fizesse aquilo de novo.

-Não. Só fiquei assustado quando vi um monte de gente que eu não conhecia aqui. -Ele respondeu e eu vi quando seu rosto ficou meio ruborizado.

Ele queria me defender.

-Eles não são uma ameaça, exatamente. -Sorri. -É capaz de você ter assustado eles bem mais do que o contrário.

-Sim, é verdade. Não sei por que fiz aquilo.

Eu sei.

Finn indireitou os óculos no rosto, depois cruzou os braços.

-Sem problemas. Eles vão entender. -O tranquilizei.

Finn realmente não conhecia meus amigos, o que por si só já era muito estranho, mas eu não comentaria sobre isso. 

-Hum, toma, eu comprei esse, acho que tem um cheiro legal. -Ele desviou a atenção para o único pacote que tinha ficado sobre a mesa.

Eu me aproximei e desembrulhei o shampoo de dentro, vendo que ele havia escolhido um com essência de morango. Abri o pequeno feixe e inalei a fragrância doce.

-Hmmm, é uma delícia. Obrigada, eu gostei muito.

Como eu não conseguia me conter larguei o vidro em cima da mesa e o puxei para um abraço. Finn rodeou minha cintura com as mãos e dessa vez não me passou despercebido que ele enfiou o rosto por dentro dos meus cabelos, quase perto do meu pescoço e sorveu meu cheiro. Inicialmente eu gostei da sensação especialmente quando meus órgãos começaram a fervilhar por dentro e passei as mãos por seus ombros, mas logo me lembrei que eu ainda estava cheirando a baunilha e aquele cheiro não era meu e sim dela. Me afastei instantanemente me sentindo desconfortável.

Finn percebeu minha reação esquisita e franziu um pouco o cenho.

-É... bem, gostaria de te apresentar direito aos meus amigos. Eles só vão ficar por hoje, vamos lá fora? -Perguntei capturando seu dedo indicador.

Ele não se moveu.

-Não. -Negou. -Quer dizer, agora não. -Corrigiu. -Vou para o quarto, minha mãe pediu que eu ligasse e faz um tempo que eu não faço isso.

Senti uma onda de frustração, mas assenti. Finn era tímido demais para aquilo e ainda mais depois de ter dado um baita susto em Noah. Apesar disso eu ainda queria que ele fosse conhecê-los, não queria que ficasse isolado, por que.. bem, eu o queria próximo a mim.

-Tudo bem. Você pode fazer isso mais tarde. -Concordei com relutância.

Finn me deu um sorriso forçado, depois tocou a ponta do meu nariz.

-Até depois. Se divirta.

Ele passou por mim e foi em direção a sala, onde provavelmente iria pegar as escadas pro quarto. Eu não entendia, mas de repente quis que nada daquilo tivesse acontecido, quis que meus amigos não tivessem aparecido, pelo menos não daquele jeito. Suspirei culpada por sentir aquilo sobre eles, mas bem, o que eu poderia esperar?

Voltei até a área de fora vendo meus amigos se divertirem na piscina, mas me perguntando, por que eu mesma não estava me divertindo tanto assim?

--

Finn.

Assim que subi para meu quarto abri uma página na internet pesquisando em uma das páginas quem eram as pessoas que agora estavam lá embaixo.

O único que eu conhecia era Louis Partridge, o cara que fazia o filme com Millie, por que enfim eu já havia visto, o restante eu não fazia a menor ideia de quem era. Não demorou muito até que eu reconhecesse o garoto magro que eu quase havia empurrado dentro da água: era Noah Shnapp, ator que fazia uma penca de coisas que eu nunca tinha visto, filmes e séries bastante famosas, nos outros resultados encontrei a foto da garota ruiva sardenta, Sadie Sink, também atriz e tão famosa quanto ele, e eu, o idiota, era o único que não parecia conhecer ninguém.

A outra garota, a magra de cabelos negros foi a única que eu não localizei na internet, talvez ela não fosse famosa, ou pelo menos não tão famosa quanto os outros.

Mesmo assim me senti um completo imbecil por ter me comportado daquela maneira. Fiquei simplesmente desesperado quando cheguei e vi várias pessoas na piscina, sendo que David havia deixado claro que não queria ninguém mais por aqui.

Respirei fundo o ar abafado do "meu quarto" e deitei na cama, tentando encontrar um  mínimo de racionalidade dentro da minha cabeça.

Aquelas pessoas não deviam me causar nenhum tipo de incômodo, mas a parte egoísta de mim não queria que eles tivessem aparecido mesmo que eu soubesse que Millie talvez precisasse de um pouco mais de distração, talvez até mesmo por isso David havia os mandado para cá.

O problema era que na minha mente idiota estava tudo bem, passamos dias bons aqui e Millie sequer chorou de novo, nem mesmo falava sobre o que tinha acontecido, e eu sabia que provavelmente aqueles amigos dela poderiam muito bem trazer os assuntos de volta.

Em contrapartida eu sabia que não deveria me me importar com nada disso. Aquela era a vida da Millie, a qual eu não fazia parte, nem pretendia fazer já que quando fossemos embora tudo acabaria. Ela voltaria a ser a Millie Bobby Brown, e eu seria apenas o Finn de sempre. Nossos mundos não eram iguais e não havia a mais remota possibilidade de levarmos uma amizade adiante.

Esse pensamento deveria estar bem fixo na minha cabeça, eu já deveria ter aceitado isso, mas por alguma razão eu simplesmente não queria que acabasse, pelo menos não tão rápido assim.

Quando se aproximou da hora do almoço, esperei toda a gritaria na casa diminuir e desci as escadas para comer alguma coisa. Encontrei a cozinha vazia e uma Rose muito furiosa lavando uma pilha de pratos engordurados na pia.

-Eles já foram? -Perguntei me aproximando dela.

Rose tentou me dar um sorriso, mas saiu mais como uma careta.

-Quem dera. Estão enchendo a cara na piscina. Vão ficar lá a noite toda. -Ela disse espremendo mais sabão contra a louça. -O que esperar de um bando de riquinhos? Não lavam nem o próprio prato!

Escutei os barulhos de risadas ecoando na parte de fora da casa e em partes compreendi o que Rose estava sentindo. Eu também não queria que estivessem ali.

A mesa estava repleta de garrafas de cervejas e de tequila vazias e me perguntei quanto Millie já havia bebido, por que da última vez não deu muito certo. Dei de ombros para aquele pensamento e peguei uma esponja nova guardada no armário.

-Você precisa de ajuda? -Perguntei chegando mais perto de Rose.

Tudo bem que ela estava ali para trabalhar, mas não era justo que fizesse tudo sozinha, ainda mais quando se tratava do triplo de louças sujas.

Ela sorriu meio sem graça e afastou para o lado na pia deixando que eu pegasse um outro prato.

Depois de alguns momentos quando já havíamos quase terminado tudo, Millie apareceu na cozinha ao lado da garota de cara enjoada que eu não conhecia, essa última parecia bem alterada, mas Millie não. As duas estavam sorrindo falando de alguma coisa e ambas estavam apenas usando biquínis de banho, eu desviei o olhar, mas não antes de perceber que Millie parou de rir quando me viu ali, mesmo que seus olhos estivessem encobertos por um óculos escuro.

-Onde está a garrafa de tequila cheia? -A cara enjoada disse.

-Coloquei na geladeira. -Rose respondeu sem se virar, permanecendo concentrada lavando os pratos.

-Eu falei para não guardar na geladeira. A gente toma com gelo, não precisa. -Enjoada passou por nós dois indo em direção a geladeira.

Eu pensava que era só a cara, mas a enjoada era enjoada de verdade.

-Lexi, pega leve. -Millie repreendeu-a.

Então o nome dela é Lexi.

A garota deu de ombros e retirou duas das taças que Rose havia acabado de lavar do local onde estavam secando.

-Vocês já levaram todas as taças daqui, por que não trás as outras e lava ao invés de sujar as últimas? -Rose não se conteve e se virou de forma ameacadora para Lexi.

-Então.. querida. -Lexi se aproximou dela também. -Meu amigo esbarrou na bandeja e quebrou algumas, você pode ir lá recolher o vidro, não pode?

Havia tanto veneno escorrendo daquelas palavras que eu quase podia ver um filete verde percorrendo sua boca.

Rose se manteve firme em sua posição, soltando apenas uma risadinha de escárnio.

-Lexi, nós podemos fazer isso. -Millie interviu, pegando no braço da amiga. -Faz o seu drink e vamos voltar.

Por alguma razão Millie queria evitar uma briga maior ali, o que não era uma surpresa exatamente. Lexi encarou-a com um olhar mortal, mas depois assentiu.

Lexi se aproximou da mesa e começou a despejar tequila dentro da taça onde já havia coberto de gelo, limão e um líquido meio viscoso e amarelo que cheirava a laranja, depois saiu pisando firme no chão, deixando Millie para trás.

-Eu vou ver a bagunça que fizeram lá fora. -Rose limpou as mãos úmidas no avental preto e seguiu a garota.

Millie continuava atrás de mim, eu sabia por que de alguma forma eu sempre conseguia reconhecer quando ela estava por perto, embora eu não tenha me virado exatamente para vê-la melhor. Continuei lavando a louça, talvez por que eu queria ignora-la, só não entendia o por que.

-Então você prefere ficar aqui limpando as coisas ao invés de ir conhecer meus amigos? -Ela finalmente falou.

Eu hesitei, tentando ao máximo não parecer arrogante.

-Vocês fizeram uma boa bagunça, Rose não precisa cuidar de tudo sozinha. -Disse, ainda sem me virar.

Millie suspirou pesadamente.

-Entao eu fiz minha pergunta errada, acho, quer dizer que você prefere ficar com ela. -Concluiu.

Não entendi exatamente o por que daquela acusação, Millie sabia muito bem que eu não tinha nenhuma pretensão com Rose, mas quilo soou... Como ciúmes?

-E você, pelo visto prefere ficar com o Patt, não é assim o nome dele no filme?

Me virei para encara-la, embora eu não fizesse a menor ideia do por que havia dito aquilo.

Millie abriu os lábios surpresa, depois levantou os óculos como se quisesse um contato mais direto comigo, mas eu não queria, então abaixei a cabeça.

-Por que está fazendo isso? -Ela perguntou em um tom mais baixo.

-Foi você que começou. -Rebati, simplesmente por que não havia um argumento melhor.

Ela suspirou e se aproximou um pouco mais de mim.

-Me refiro ao seu comportamento. Você quase joga o Noah na piscina, não me pede desculpas, nem faz nenhuma questão de ficar perto de mim, agora está falando como se eu quisesse isso. -Ela suspirou, seu peito subindo e descendo. -Posso saber qual o problema com eles? Ou seria comigo?

Voltei a encara-la, por que mal acreditava que ela havia me feito aquela pergunta, mas na verdade eu simplesmente não sabia o que dizer.

Para minha sorte eu não precisei, pois Rose voltou para a cozinha, trazendo consigo uma caixa grande de lixo. Ela parou nos encarando, depois colocou a caixa no chão.

-Pronto. Já limpei sua bagunça. -Ela disse olhando para Millie que já tinha se afastado de mim. -Vem Finn, vou fazer algo para você comer.

Rose passou pegando a manga da minha camisa e me puxou suavemente para ir com ela e eu não pude fazer nada se não ir, deixando Millie sozinha.

--

O restante da tarde se arrastou quando voltei para meu quarto depois que comi o que Rose havia preparado.

Eu estava me sentindo um perfeito bobalhão depois que tive aquela discussão sem sentido com Millie. Obviamente não era culpa só dela, mas foi ela quem começou dizendo que eu preferia ficar com Rose. Eu não tinha que ter nenhuma preferência, não enquanto ela estivesse ocupada demais com os amigos na piscina.

Apesar disso eu não conseguia parar de pensar. Talvez ela realmente quisesse só que eu me apresentasse, que eu pedisse desculpas e eu como sempre havia estragado tudo deixando bem claro que não queria fazer aquilo. Talvez eu devesse ter sido menos intransigente, talvez eu pudesse descer e fazer o que qualquer pessoa normal faria.

Talvez, talvez, talvez.

Mal podia acreditar que eu estava tendo um conflito interno sobre aquilo, especialmente por uma situação que eu jamais pensei que estaria em toda minha vida.

Tomei um banho para me livrar do calor infernal e havia decidido que pelo menos hoje reividicaria meu quarto de volta, se ela quisesse poderia trazer aquela cambada de idiotas para o quarto quente, eu não me importava.

Antes que eu pudesse sair em direção ao meu antigo quarto meu telefone tocou, mostrando a foto bonita da minha mãe sorrindo na tela. Eu havia dito que ligaria para ela há dois dias atrás e me amaldiçoei por não ter feito aquilo antes. Atendi assim que peguei o telefone na mesa.

-Oi, mãe.

-Meu Deus! Que milagre você atendeu! -Ela brincou, forçando uma voz surpresa.

Eu sorri. Estava com saudade dela.

-Desculpa, não tive muito tempo.

-Ah, eu sei. Aposto que andou muito ocupado, não é? -Ela disse com ironia.

Era óbvio que ela sabia muito bem que não havia nada que eu fizesse ali naquela casa, e isso só me fez me sentir pior.

-Como você está? -Desviei da pergunta.

-Oh, estou bem. Apenas com saudade do meu menino.

Contive a vontade de rolar os olhos. Não importava o quanto eu crescesse, minha mãe continuava me tratando como uma criança.

-Tambem sinto sua falta. Não vejo a hora de voltar.

Quando disse aquilo percebi que não era totalmente verdade, então engoli em seco.

-Ah querido, não tenha pressa. Você está de ferias, não estaria fazendo nada de muito diferente se estivesse em casa. Onde a Millie está agora? -Perguntou com interesse.

Um fato sobre minha mãe era que ela era viciada em cinema, e para meu carma seu filme preferido era Olhares Impiedosos, talvez por isso ela não tenha ficado com o pé atrás quando soube que eu viria para cá ficar com Millie.

-Ela está bem. -Respondi dando de ombros. -Esta lá embaixo fazendo uma festinha com os amigos.

-Ow, não me diga que Louis está aí também? -Ela parecia alvoroçada.

Rolei os olhos.

-É. Está.

-E o que meu filho está fazendo aí enquanto sua casa está cheia de celebridades?

Eu estou aqui por quase matei afogado uma das "celebridades", briguei com Millie e sou covarde demais para pedir desculpas.

-Eu não ligo para essa bobagem. -Disse isso ao invés do que eu pensei.

Ela fez uma pausa.

-Finn, eu sei que você não gosta muito de interagir com as pessoas, mas pense bem, você merece se divertir um pouco.

E la se vai meia hora de uma palestra interminável sobre socialização com Mary Wolfhard.

-Estou bem assim, mãe. -Falei me sentindo imediatamente cansado.

-Esta bem. -Por incrível que pareça ela não insistiu. -Sophia esteve aqui. Você falou com ela?

Oh não. Esse assunto de novo não.

-Falei, sim.

-Finn, está acontecendo algo que eu não saiba? Ela pareceu decepcionada quando eu disse que você havia viajado e nem deu uma explicação a ela.

-Nós não temos nada mãe, não devo explicação para ninguém. -Fui desnecessariamente rude.

Ouvi quando minha mãe suspirou.

-Querido, as vezes para algumas garotas sexo é mais do que apenas sexo, se ela está apaixonada por você...

-Mãe, não, por favor, não comece. -A interrompi.

Minha mãe tinha a capacidade de pensar em tudo ao mesmo tempo e sinceramente eu não queria falar especificamente sobre aquilo, ainda mais com ela.

-So me responda, você foi o primeiro dela?

Ah não.

-O que? Mãe, pelo amor de Deus, claro que não!

Não acreditava que minha mãe havia me feito aquela pergunta sem cabimento. Uma das primeiras coisas que eu quis ter absoluta certeza era de que Sophia não fosse virgem quando transamos. A maioria das pessoas não ligavam mais para isso como antigamente, mas eu não teria feito nada contrário a isso.

Ela soltou uma risadinha aliviada.

-Tudo bem, me desculpe, eu só precisava saber disso.

-Certo. Agora que você sabe será que podemos parar de falar sobre isso?

-Ok, Finn. -Ela concordou ainda rindo. -Eu já vou deitar, seu pai está com um pouco de dor de cabeça hoje. Só liguei para saber como você estava.

Meu pai vivia com dor de cabeça.

-Estou bem, não se preocupe.

-Certo. Pense sobre descer um pouco está bem? E se fizer isso, consiga um autógrafo da Millie e do Louis para mim, as garotas da faculdade vão morrer de inveja.

-Mãe... -Chamei sua atenção e ela riu ainda mais.

-Tchau, amor, mamãe te ama.

-Também amo você.

E desliguei a ligação.

Me joguei na cama e pensando em tudo o que minha mãe havia dito e por alguma razão comecei a rir, mas fui interrompido pelo som de risadas mais altas seguidos de tibuns na piscina.

Sim eles provavelmente estavam se divertindo bastante lá fora, porém nenhuma daquelas risadas era de Millie e me perguntei se ela de fato estava gostando daquilo, se estava se divertindo ou somente fingindo. Eu poderia jurar que o que vi em sua expressão me dizia exatamente que era fingimento, mas ao mesmo tempo por que ela precisaria daquilo?

Foda-se, vou descer e ver com meus próprios olhos.

Cheguei na parte inferior da casa e tudo estava praticamente escuro, exceto pela luz de um telefone ligado, era Rose deitada sobre o sofá mexendo no celular enquanto ouvia musica.

Cheguei perto dela devagar para não assusta-la e ela ergueu o olhar para mim.

-Ei, você não quer dar uma olhada no que estão aprontando lá fora? -Perguntei me abaixando para ficar na sua altura.

Rose tirou os fones do ouvido e se sentou no sofá, ela olhou em direção  a porta e fez uma careta.

-Não. Obrigada.

-Ah, qual é? Essa casa é do meu tio, você praticamente mora aqui. Não é justo que estejam fazendo uma festa e nós dois não estejamos nela. -Usei meu melhor sorriso para tentar convencê-la.

-Eles vão odiar. -Falou de forma maquiavélica.

-Eu sei, por isso mesmo temos que ir.

Ela ponderou por um momento, depois levantou do sofá ajeitando a barra do vestido curto.

-Estou dentro.

Nós dois sorrimos como cúmplices e saímos em direção a porta de saída. Ao chegarmos na parte de fora o que pude assimilar foi Louis e Noah na beirada da piscina enquanto Millie, Lexi e Sadie estavam deitadas sobre as espreguiçadeiras, pela bagunça lateralizada pude perceber que haviam bebido muito. Bastante para ser sincero. Quando nos aproximamos sem que ninguém percebesse, ouvi Lexi comentar:

-Qual é a do sobrinho do David em? Aquela vibe senhor dos anéis dele.

Millie virou o rosto olhando para ela no mesmo momento e me viu, por cima do ombro da amiga, caramba, ela parecia bastante surpresa.

-Harry Potter. -Eu falei chegando um pouco mais perto delas.

Lexi virou a cabeça e olhou para mim. Eu apontei para meus óculos.

-Acho que você quis dizer que me pareço com o Harry Potter. -Expliquei quando ela fez uma cara de confusa.

-Ora, é a mesma coisa. -Abanou a mão.

-Não. Não é. -Dei um sorriso sabe-tudo e me sentei no parapeito de pedra da fonte, Rose ficou ao meu lado.

Lexi me encarou, assim como todos os outros que pararam para me observar, por incrível que pareça ao invés de me sentir incomodado eu estava perfeitamente tranquilo.

-E você é um desses fãs nerds de carteirinha, por acaso? -Lexi disse empinando o nariz.

Eu ri.

-Não, nem tanto, gosto dos dois filmes para ser sincero, embora tenha preferência por senhor dos anéis.

-Cara e quem não teria?

De repente outra voz falou, olhei para o lado vendo Noah, o cara que eu quase tinha afogado, levantando da piscina e vindo na minha direção.

-Prazer, eu sou o Noah, espero que dessa vez você não tente me matar ou algo do tipo. -Ele me ofereceu a mão sorrindo.

Eu gostaria muito de ingnorar o cumprimento pois ele estava pingando, mas eu devia uma a ele e aliás, Noah parecia até ser gente boa.

-Foi mal, mesmo. Não foi minha intenção. -Falei apertando sua mão gelada.

Reparei que Millie estava olhando para mim, mesmo que não dissesse nada.

-Sem problemas. -Noah respondeu.

De repente havia outra pessoa atrás dele e Noah passou para o lado deixando que Louis se aproximasse de mim. O cara tinha a maior cara de mauricinho e ele ajeitou os cabelos molhados para trás antes de dizer:

-Sou o Louis. -Estendeu a mão para mim também.

Millie permanecia vendo a cena, só que dessa vez ela não estava olhando diretamente para mim e sim para ele, talvez isso tenha me incomodado. Diferentemente do que fiz com Noah, eu me levantei e apertei a mão de Louis com firmeza e por alguma razão fiquei contente por ser alguns bons centímetros maior do que ele.

-Sou o Finn. -Respondi.

-Ja que vocês dois estão aqui agora a gente podia fazer um jogo. -Lexi sugeriu, levando a taça com bebida em direção aos lábios.

-Sim, vamos, está um tédio aqui. -Sadie concordou.

Era estranho como elas três juntas eram tão diferentes uma da outra. Sadie era ruiva, estava usando um biquíni verde que era bem discreto, Millie era mais loira e estava com um  conjunto preto o qual eu ainda não tinha a visto usando, enquanto Lexi era morena e usava um biquíni berrante pink.

-Acho melhor não, Lexi. -Millie interviu, falando pela primeira vez.

Ela me direcionou um olhar confuso, depois se sentou direto na cadeira e cobriu as pernas com o vestido que esteja jogado de lado.

-Millie, por favor, já bebemos demais e agora precisamos esquentar as coisas. É só um joguinho inofensivo. -Lexi rebateu formando um bico.

-Voces querem participar? -Millie direcionou a pergunta para mim e Rose.

Eu dei de ombros, Rose não esboçou nenhuma reação. Na verdade eu não sabia se queria participar daquilo, mas não iria entrar já que estava ali.

-Ok, então. Vamos brincar de "eu nunca", com bebida. -Lexi disse, levantando o copo.

-Hum, eu topo. -Noah se aproximou dela o bastante para pegar o copo de sua mão e levar até os lábios sorvendo a bebida.

-O que é, "eu nunca"? -Rose sussurrou ao meu lado.

-Acho que todo mundo vai dizer algo que nunca fez, e se você já tiver feito você bebe. -Respondi na dúvida.

Apesar de ter tido pouquíssimas experiências em festinhas eu sabia como aquilo funcionava, talvez por ter visto em algum filme.

Rose arregalou os olhos.

-Vem, vocês dois, sentem mais perto. -Sadie disse desviando minha atenção.

Olhei para Rose querendo ter certeza de que ela de fato toparia aquilo e para minha surpresa ela me acompanhou até ambos estarmos sentados sobre a grama. Millie continuava olhando, especialmente quando Rose distraidamente enrolou seu braço ao meu, como se quisesse se proteger. Eu poderia tê-la afastado, mas bem, ela estava lá por minha causa para começo de conversa.

-Então... Eu posso começar? -Louis disse levantando seu copo.

Ele havia ficado estrategicamente perto de Millie e eu havia evitado encarar aquilo, mas voltei a faze-lo quando ele falou.

-Espera. -Lexi interrompeu.

Ela se inclinou sobre a caixa térmica e tirou de lá duas garrafas de cerveja, passando uma para mim e para Rose que me fitou como se tivesse acabado de receber um cão de sete cabeças. Eu sorri para tranquiliza-la. Na verdade bebidas me assustavam também, especialmente por que eu passei por uma fase em que usava o álcool para me livrar de certos assuntos, mas desde que não exagerasse, não via problema.

-Pronto. Pode começar. -Lexi disse endireitando as costas na cadeira.

-Bem... Eu nunca quebrei um braço. -Louis disse, arrancando risadas de Millie e Sadie.

Ok.

-Serio mesmo? -Lexi disse revirando os olhos.

Louis deu de ombros.

Eu bebi o primeiro gole, relembrando de quando era criança e havia quebrado o braço ajudando meu pai a pintar nossa casa, além de mim, Noah e Rose também deram um gole.

-Minha vez. -Sadie falou. -Eu nunca... Saltei de paraquedas.

-Cara, vocês estão brincando não é? Quem vai fazer as perguntas quentes? -Lexi mais uma vez interrompeu.

-Você faz na sua vez, Lexi. -Millie riu, empurrando o ombro da amiga.

Louis foi o único que bebeu daquela vez. É claro que ele já havia saltado de paraquedas, assim como caiu de paraquedas aqui também.

-Certo. Chegou a hora das perguntas interessantes. -Lexi disse e encarou um a um a sua frente com um sorriso diabólico nos lábios vermelhos. -Eu nunca fiquei um mês sem sexo.

Porra, fala sério.

-Caramba, garota. -Noah disse impressionado.

Rose se encolheu ainda mais perto de mim e tomou um gole seguido por mim. Olhei atentamente para Millie naquele momento e vi seu rosto ruborizar, porém ela bebeu também o que significava que já tinha passado um mês sem sexo, diferente de Sadie (sim, meu queixo caiu literalmente) e Noah, que ficaram se entreolhando sorrindo.

-Noah, você! -Louis apontou para Noah.

-Bem... Vamos ver... Eu nunca me apaixonei por alguem mais velho.

Eu congelei.

-Seja mais específico Noah, mais velho pode ser um dia, meses, anos... -Millie falou.

Não, não faça isso.

-Ok, tipo, muito mais velho, tipo, uns dez anos.

E que tal dezesseis? Droga, eu estava fodido.

Millie assentiu então deixou a garrafa de cerveja de lado demonstrando que não iria beber. Meus dedos estavam tremendo segurando a garrafa úmida.

Se eu bebesse ali, todos saberiam, ela saberia, mas era só um jogo, ninguém conhecia Susan e talvez ninguém se importasse com aquilo.

Quando dei por mim virei a garrafa tomando um gole longo da bebida. Endireitei a cabeça no mesmo momento em que Lexi também parou de beber então percebi que apenas nós dois haviamos tomado, no entanto todos os olhos estavam direcionados para mim, incluído os de Millie.

-Sr. Potter, quem diria? -Lexi falou impressionada me olhando dos pés a cabeça. -Você é do tipo que curte coroas, então?

Inferno.

-Lexi, chega tá bem? -Millie disse exasperada me salvando de ter que dar aquela resposta, mas não olhou para mim. -E você, por que bebeu? -mudou de assunto.

-Oh, você sabe que eu já tive uma quedinha pelo David.

Santo Deus, eu iria vomitar.

-Caramba, você é nojenta. -Millie disse franzindo o nariz.

Talvez David fosse uns vinte anos mais velho que Lexi, Susan era dezesseis anos mais velha do que eu. Será que Millie me acharia nojento também?

Aquela pergunta me veio na cabeça e eu a balancei querendo parar de pensar naquilo. Não me importava o que ela achava, eu nunca ia contar nada mesmo.

Lexi estava rindo, depois parou afastando um pouco o copo de marguerita.

-Certo. Isso já deu. Vamos de desafio ou desafio, agora.

-Não era verdade ou desafio? -Louis perguntou juntando as sobrancelhas.

-Sim, mas não vamos contar nossos podres aqui na frente deles dois, não é? -Ela maneou a cabeça na minha direção e de Rose.

Eu quase iria rebater o comentário, mas minha cabeça ainda estava muito ligada no que tinha acontecido segundos atrás para me importar com aquilo.

Millie fez um gesto de cabeça discordando daquilo, mas Lexi era boa em conseguir o que queria, então momentos depois estávamos imersos em outro jogo idiota.

Sadie desafiou Noah a beber dois shots de tequila pura, depois Noah desafiou Louis a fazer a mesma coisa e um a um, todos foram bebendo.

Aquilo não poderia ficar pior. 

Eu já estava ficando de saco cheio e com certeza não iria ficar ali esperando ser desafiado a encher minha cara, estava prestes a levantar para ir embora quando Lexi disse:

-Certo agora sou eu - Ela se sentou melhor na cadeira e olhou para Millie.

-Te desafio a dar um beijo no Louis.

Ok, poderia ficar pior.

Millie abriu bem os olhos como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. Todos nós ficamos em silêncio e embora eu quisesse sair, simplesmente não consegui pensar em  mais nada.

-Tem certeza? -Ela perguntou esmiuçando um sorriso sem graça.

Estava uma noite até fria, mas por alguma razão eu estava começando a suar por dentro da camisa. Que merda, não acreditava que aquilo estivesse mesmo acontecendo.

-Sim, qual é? Não é nada muito diferente do que vocês fizeram no filme. -Lexi insistiu.

Mantive minha cabeça abaixada fitando a grama, mas senti um olhar específico em mim.

-Ok. Tudo bem, Louis? -Millie perguntou.

Provavelmente o cara assentiu pois não ouvi mais nada em seguida.

Senti Rose se encostando no meu braço, algo que foi como um sinal e eu levantei a cabeça, porém não devia ter feito aquilo.

Millie estava sentada na frente da cadeira onde Louis estava, eu podia ver suas costas lisas por baixo do biquíni e podia ver também a mão dele ali em sua cintura enquanto suas cabeças se moviam juntas uma com a outra.

Aquilo não deveria ter me incomodado, eu não deveria ter sentido vontade de ter ido até lá e acabar com aquilo, não deveria ter me feito quase colocar para fora o que eu tinha comido, mas principalmente: não deveria ter doído. Não uma dor profunda e insuportável, uma sutil e inesperada, foi se espalhando levemente até quase se extinguir.

Depois de um tempo longo demais os dois se afastaram e o que veio em seguida me deixou ainda mais enjoado.

-Nossa, até fiquei com calor aqui. -Noah disse fingindo se abanar.

-Ah gente, eu amo a Audrey e o Patt da vida real. -Sadie comentou batendo os cílios.

-Ou seria Loulie, da vida real? -Lexi finalizou, citando o Ship idiota que os fãs faziam deles.

Contive a bile que subiu na minha garganta tomando mais um gole da cerveja que já estava bastante quente.

-Esta bem gente, para. -Millie disse envergonhada, mas estava séria.

Louis mantinha um sorriso imbecil nos lábios, como de um virgem que tinha acabado de transar pela primeira vez. Era bem óbvio que ele gostava dela, assim como ficou bem claro que todos ali sabiam disso, talvez Millie gostasse dele também.

Quem iria saber? Certamente não era da minha conta.

-Ok, vai Millie, sua vez de desafiar alguém. -Sadie mudou de assunto, graças a Deus.

Millie mordeu o lábio inferior, o mesmo lábio que estava na boca de Louis a poucos minutos, e levantou da cadeira. Ela andou até ficar mais próxima, então disse:

-Desafio Rose a dar um beijo no Noah. - disse encarando Rose ao meu lado.

Rose pestanejou e encarou Noah com os olhos saltados. Não entendi por que Millie estava fazendo aquilo com ela.

-Não vou beijar alguém que eu não conheço. -Rose disse cruzando os braços.

Millie franziu os lábios.

-Você ouviu, a madre Tereza não vai baixar alguém que ela não conhece. -Lexi imitou a voz de Rose com um tom propositalmente infantil. Depois estalou os dedos como se tivesse tido uma ideia. -Ela pode beijar o Finn, vocês dois se conhecem, não?

Só podia ser brincadeira.

-Não! Sou eu quem escolho o desafio Lexi! -Millie surpreendeu a todos quando gritou, fechando as mãos em punhos ao lado do corpo.

Lexi levantou também da cadeira e cruzou os braços.

-Por que está tão incomodada com isso? -Falou num tom de desafio. -Ela não vai beijar o Noah e duvido muito que vá querer ficar comigo ou com a Sadie também, a menos que você queira tentar com o Louis, o Finn é a única opção.

Eu mal conseguia acreditar que elas estavam discutindo mesmo por causa da porcaria de um jogo, mas a forma irredutível de Millie me chamou atenção e por isso fiquei calado. Ela olhou direto nos olhos de Rose, depois olhou para mim, parecia nervosa como se tivesse que fazer a escolha mais difícil de sua vida.

-Então Millie, qual vai ser? -Lexi pressionou quando ela ficou em silêncio.

Millie de novo olhou para mim e mordeu o lábio inferior que por alguma razão estava tremendo. Ela esmiuçou para mim um "me desculpa" de forma muda e de repente, saiu correndo para dentro de casa.


Notas Finais


N quer q ele beije a Rose mas beija o Louis, em Millie 🤐

Até breve ♥️


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