História The changes - Capítulo 2


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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Jean-Jacques Leroy, Ji Guang-Hong, Leo de la Iglesia, Otabek Altin, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Tags Jjxyurio, Otayuri, Victuuri, Viktuuri
Visualizações 107
Palavras 2.882
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Reencontros


Fanfic / Fanfiction The changes - Capítulo 2 - Reencontros

 — Desse jeito você irá abrir um buraco no chão, tente se acalmar Victor. - Yuuri para do meu lado entregando um copo de café que havia ido comprar para mim.

Desde que chegamos naquele aeroporto estava nítido o quanto não conseguia controlar minha ansiedade.

— Obrigado meu amor. - aceito de bom grado, necessitava mesmo de cafeína. — Será que está mesmo tudo bem, já fazem dez minutos que o avião pousou e ainda não há sinal deles.

— Ei, calma, você sabe muito bem como demora para retirar as bagagens e ...

— Estou com medo Yuuri. - ele para de falar ao ser cortado, e como sempre logo notou a preocupação que devia estar transparecendo nos meus olhos. Aproximou-se de mim. — Tenho medo da reação dele, sei que o que eu fiz não foi certo, e já se passaram tantos anos desde a última vez que nos vimos eu não sei o que dizer a ele ou como agir...

Yuuri coloca suas mãos no meu rosto, sendo obrigado a levantar os pés no processo para dar altura por eu ser mais alto, colando nossas testas.

— Vai dar tudo certo, você não está sozinho nessa lembra?

 Permito-me sorrir ao ouvir aquilo, não resistindo em dar um breve beijo nos lábios do meu esposo vendo ele sorrir também em resposta ao meu gesto de puxar suavemente seu lábio inferior entre os dentes, mantendo ainda o contato entre a gente. Não podia expressar como era feliz em poder ter uma pessoa como Yuuri ao meu lado por todo esse tempo. E principalmente nesse momento.

 ‘’Eu tenho mesmo o melhor esposo do mundo.’’

 Sou pego de surpresa então, ao perceber a aproximação das outras duas pessoas que pararam a nossa frente.

 A mulher bem vestida trajando um terno social verde musgo, sorriu ao nos cumprimentar de forma educada com aqueles lábios pintados exageradamente de vermelho e estaria elegante se não fosse por toda aquela maquiagem forçada. Porém, meus olhos foram direto de encontro com os verdes do garoto ao lado dela, era nítida a mistura de raiva e mágoa expressada neles; aquilo me tira o ar. Vejo aquela força que Yuuri me passou ir por água abaixo em segundos.

Sabia que merecia aquilo, mas ainda sim, doía.

— É um prazer revê-lo senhor Nikiforov - Lília estende sua mão para mim que retribuo meio automático. — E o senhor, deve ser o Yuuri, certo?

— Ah sim, Yuuri Katsuki, muito prazer. - ajeitando os óculos cumprimenta também a mulher a sua frente.

Não consigo mais prestar atenção na conversa que se seguiu entre eles logo depois.

 A passos lentos vou chegando perto do garoto. Após tantos anos Yuri havia mesmo crescido, a imagem do garoto em minha frente agora, de longe lembrava aquele garotinho sorridente que ainda guardava em minha memória. O semblante sério emoldurado pelos cabelos loiros que estavam na altura do ombro. Era como ver uma cópia exata do seu pai.

‘’Céus, é realmente como ter Dimi ali de novo me encarando, como na primeira vez que nos conhecemos...’’

Com tal pensamento não pude mais me conter, e o abraço. Sinto como ele fica estático com o ato, talvez não esperando aquele contato entre nós.

— Senti tanto a sua falta Yura - ele estremece em meus braços ao ouvir o antigo apelido.

Não consigo decifrar o que estaria passando pela sua cabeça no momento, e não demorou para ele se remexer soltando-se do meu abraço. Não antes de perceber algo em seu rosto que me choca. — Ei, oque é isso no seu olho?

Seu olho esquerdo havia uma forte coloração arroxeada em volta, no entanto, quando tento tocar para tirar a mecha de cabelo, tenho minha mão rejeitada pelo sonoro tapa desferido por ele.

— Como se você realmente se importasse com alguma coisa além de você velho idiota!

 A cena chamou atenção dos outros dois que nos encaravam, Lilia se aproxima de nós provavelmente para lhe dar um sermão. — Eu só quero que vocês se fodam e me deixam em paz…

Sua voz parece embargada pelo choro que deveria estar sendo contido, Yuri pega sua mala e sai apressado sem nos olhar pelo saguão em direção a saída.

— Yuri espera !

Faço menção de seguir ele, pois queria entender o que havia acontecido e porque daqueles machucados em seu rosto, mas sou parado por Yuuri que segura meu braço.

— É melhor dar esse tempo para ele respirar Victor - abro a boca para responder porém apenas o olhar do meu esposo já me convence a ficar. É talvez Yuuri tivesse razão.

Fico com eles ali parado na área de alimentação, enquanto Lília nos entregava os documentos do garoto passando os últimos detalhes sobre o período de adaptação e que ainda poderíamos ter algumas visitas dos assistentes. Me senti totalmente aliviado que meu esposo parecia estar atento a cada palavra que estava sendo dita, pois eu não conseguia tirar os olhos de onde Yuri havia saído. E agradeço mentalmente quando finalmente nos despedimos da mulher.


 

Vou andando na frente em meio às pessoas. Era final de tarde mas o aeroporto estava cheio por ser sábado, acabo esbarrando em alguns carrinhos pelo caminho e Yuuri ia me advertindo para manter a calma atrás de mim, mas isso era algo difícil; e sem perceber logo acabo me distanciando dele. Ao sair enfim para fora, começo a vasculhar por todos os lados com o olhar em busca de Yuri. O tempo aqui em Ottawa estava extremamente frio, as pessoas passavam por mim apressadas dentro de seus casacos entrando em táxis ou indo em direção ao outro lado da rua onde havia um ponto de ônibus.

Começo a ficar desesperado por não encontrar Yuri em lugar nenhum ali.

‘’Será que ele pegou um táxi? Ou será que saiu totalmente sem rumo pela cidade, não, não gosto nem de imaginar isso.. Yura sozinho por aí, definitivamente não.‘’

Pego meu celular já cogitando a ideia de ligar para a polícia naquela altura, até olhar melhor do outro da rua, finalmente lá estava ele. Sinto o ar encher meus pulmões de volta, eu nem havia percebido o momento que havia parado de respirar, mas lá estava ele, encostado na parede do outro da rua próximo a entrada do estacionamento. Parecia estar mais calmo e pelo jeito nos esperava mexendo em seu celular.

 Penso em ir até ele parando em seguida, fico com medo de que talvez ele saísse correndo de novo de mim, espero então por Yuuri e não demora muito até ele sair também e me encontrar ali parado.

—  Eu sei o quanto está preocupado, mas não adianta sair por aí feito um louco né Victor. - ele parece ofegante provavelmente porque veio correndo atrás de mim.

—  Me desculpa.

—  Está tudo bem. Então, você conseguiu encontrar o Yuri?

Aponto para o outro lado da rua onde o loiro continua parado parecendo não notar que estava sendo observado, Yuuri acompanha com o olhar e sorri aliviado, sabia que ele também havia ficado tão preocupado quanto eu.

—  Então vamos? - Yuuri já estava atravessando a rua mas volta ao ver que eu continuava estático no meu lugar.  — Victor Nikiforov, você quem é o adulto da situação, então aja como tal.

Ele pega na minha mão e praticamente me arrasta até o outro lado. Não sabia porque estava agindo assim, mas ainda sinto medo. Ao pararmos enfim na frente do garoto, ele apenas nos olha de canto e continua a mexer em seu celular.

Então Yuuri se inclina até ele e estende a mão chamando assim a sua atenção.

—  Bem, ainda não fomos apresentados. Meu nome é Yuuri Katsuki e é um prazer finalmente poder conhecer você Yuri - ele sorri de forma carinhosa. Era incrível ver o jeito que Yuuri tinha com os jovens.

— Prazer. - ele responde tão baixo que quase não ouvimos sua voz.

— Venha, vou te ajudar com as suas malas.

O garoto nada disse apenas concorda com a cabeça vendo Yuuri pegar a sua mala e o segue pelo estacionamento até o carro, faço o mesmo enquanto os observo andando logo atrás. Pelo jeito, ele apenas se sentia confortável com Yuuri.

O trajeto até o apartamento onde eu e meu esposo vivíamos foi em total silêncio, a não ser por Yuuri que em um momento ou outro tenta puxar algum assunto na tentativa de quebrar a tensão que pairava ali dentro.

   ''Como sempre meu esposo tentando salvar a pátria.''

Mas Yuri não parecia estar disposto a conversar, com a cara emburrada no banco de trás apenas continua o responder de forma monossilábica. Podia acompanhar a expressão dele pelo retrovisor, ele olhava a paisagem do centro da cidade pela janela com um olhar perdido como se realmente não estivesse ali conosco. Tudo o que eu mais queria naquele instante era conseguir ler aquele pequeno rosto como fazia antigamente quando sem perguntar nada já sabia exatamente o que se passava, e o colocava no meu colo até tudo ficar bem.

 Agora, o garoto sentado atrás de mim havia se tornado uma grande incógnita.

‘’Ah, porque tudo não pode voltar a ser como antes.’’




 

Não demoramos muito, pois moramos em condomínio na parte central da cidade, então foram apenas alguns minutos e já estávamos entrando no estacionamento subterrâneo do prédio. Ao subir até o décimo quarto andar paro de frente a entrada do apartamento, e abro a porta dando passagem para que os dois entrassem na frente.

Yuuri e eu não podemos conter a risada ao ver a cena a seguir. Yuri leva um baita susto dando um grito quando Makkachin pula em cima dele o fazendo cair no chão.

— Calma rapaz, desse jeito você vai assustar o Yuri - Yuuri segura na coleira do nosso enorme poodle marrom que estava todo alegre em cima do garoto que lutava com todas as suas forças para se defender das lambidas

— Sai de cima de mim, sua bola de pelos babona, meu rosto não !

Apesar da cena cômica, ofereço minha mão para o ajudar a levantar e me surpreendo por ele ter aceito. Ficando de pé novamente secando o rosto.

— Desculpa, é que Makkachin se empolga um pouco ao conhecer pessoas novas, Você gosta de cães? - Yuuri diz ao finalmente conseguir controlar o Makka.

— Nada contra, desde que eles não babem em mim. - Yuri lança um olhar fumegante para Makka, que parece entender bem o recado se encolhendo no meio das pernas do Yuuri.

— Então aconselho a não deixar sapatos pela casa, não vai querer saber o que acontece com eles.

Yuuri lhe dá uma piscada enquanto levava Makka até a porta de vidro que dava para nossa sacada, tirando um sorriso tímido dele. Vendo aquele sorriso respiro mais calmo, parece que enfim o clima entre nós estaria mudando.

— Me dê as suas coisas, eu vou ajudar você…

Mas quando me abaixo para pegar a mala, Yuri a tira da minha mão.

— Eu estou bem, não preciso da sua ajuda.

 Foi como sentir uma lâmina fria me perfurar.

Em menos de segundos sinto como se toda aquela tensão voltasse a dominar o ambiente, não aguentava mais aquilo. Já que a partir de agora voltaríamos a ser uma família,Yuuri tinha razão, eu preciso tomar o controle da situação e certas coisas precisavam ser resolvidas.

—  Yuri quero que entenda que realmente estou disposto ajudar você, esse é o momento que deveríamos estar nos dando uma chance para recomeçarmos não acha?

—  Recomeçar? Como uma família feliz depois de tudo? Engraçado ouvir isso vindo de você - o sarcasmo em seu rosto era nítido.

— Eu sinto muito pelo seu avô Yura...

— Não ouse falar dele...- sou interrompido pelo tom de voz perigosamente baixo dele, mas não me intimido dessa vez em continuar.

— … Você sabe muito bem o quanto Nikolai era como um pai pra mim, foi ele quem me criou praticamente ... Não imagina como também sofri com a morte dele quando soube, e fui até você porque também é alguém importante pra mim..

— CALA A PORRA DA BOCA ! - ele avança furioso sobre mim agarrando minha camisa social a amassando toda. — Seu desgraçado, esperou então ele morrer pra dar alguma importância pra gente? Depois de todos esses anos Victor, você simplesmente some e ainda tem a coragem de dizer que somos importantes pra você? Onde esteve durante todo esse tempo que eu precisei de você hein? - ele chora não importando-se mais de esconder as lágrimas de mim. Que agora escorriam livres pelo rosto.

Ouço o barulho da porta correndo e Yuuri aparece na sala provavelmente devido aos gritos, parecia confuso nos olhando sem saber se deveria intervir ou não, ao ver a cena dele ainda me segurando pela gola da camisa enquanto chorava alto. Mas olho meu esposo mostrando que estava tudo bem.

Passo minha mão pelos fios loiros os ajeitando, como eu queria poder o abraçar, mas sabia que não tinha esse direito sendo eu o causador de toda aquela dor. Apenas deslizo meus dedos pelas lágrimas que mancharam a pele em um carinho sutil e o seu choro vai diminuindo gradativamente com aquele toque. Paro então minha mão em seu rosto o segurando.

— Me perdoa, eu sei o quanto errei… - tento erguer seu rosto para me olhar, mas ele o vira.

— Ainda bem que você sabe - Yuri afasta-se soltando o tecido da minha camisa sem me olhar terminando de secar o rosto com as mãos se recompondo, e volta a pegar a mala que havia sido esquecida no chão.

— Yuri vem comigo, eu vou te mostrar o seu quarto. - disse Yuuri, que pela sua cara não devia estar aguentando mais aquele clima, sinalizando com a cabeça para que ele o seguisse até o corredor. E ainda sem me olhar foi me deixando então sozinho na sala.


 

Permaneço parado no mesmo lugar apenas olhando por onde os dois haviam saído, sentindo um nó se formar em minha garganta, já esperava por isso, mas ver toda aquela dor diante dos meus olhos foi horrível. Ando então até o corredor onde ficavam os quartos e pude ver no final a luz acesa do nosso antigo quarto de hóspedes que agora seria do Yuri; meu esposo ainda estava lá dentro com ele. Penso em me aproximar, mas minhas pernas fraquejam parando de responder e sou forçado a me sentar ali mesmo encostado na parede para não cair.

Yuri tinha toda razão em me odiar, eu mesmo estou me odiando pela droga de escolha que eu fiz, e agora essas lembranças estavam voltando na minha mente todas de uma vez me atormentando. Havia sido fraco, preferi me afastar de Yuri e Nikolai, aquelas duas únicas pessoas que eu ainda tinha como minha família quando Dimitri e Aleksandra morreram.

‘’Céus, porque só de pensar em vocês ainda doí tanto.’’

Tive medo de encarar as memórias daquelas duas pessoas tão importantes para mim ao continuar vivendo ao lado do pequeno, e agora teria que encarar toda aquela raiva direcionada a mim. Fico tão desnorteado em meio a estes pensamentos que não noto quando meu esposo volta e senta comigo.

— Ele vai ficar bem, não se preocupe. - sinto as mãos suaves de Yuuri secar meu rosto, só então percebo que chorava no momento.

— É tudo culpa minha, fui egoísta em me afastar deles e não percebi como isso afetou o Yuri… tudo porque tive medo. - sua mão desliza pelo meu cabelo deitando minha cabeça em seu ombro.

— Apenas dê um tempo para o garoto, ele não parece ser uma má pessoa, é só um adolescente que passou por muita coisa. Tenho certeza que ainda irá entender e o perdoar.

— Mas.. eu não consigo me perdoar, eu prometi a eles.. prometi que se algo acontecesse seria eu quem cuidaria dele.. eu o via também como meu filho e mesmo assim tive a coragem de o abandonar quando algo realmente aconteceu - afundo a cabeça no peito dele abafando o choro que voltava. Yuuri aperta ainda mais o abraço entre nós.

— Ei, você não errou com eles, pois este é o momento em que Yuri mais precisa de alguém e aqui está você, você não o abandonou e agora está encarando seu passado para conseguir provar isso a ele. - continuou a acariciar meus cabelos, aquele toque e suas palavras foram acalmando meu choro aos poucos.

''O que seria de mim sem você Yuuri.''

Ficamos naquela mesma posição por alguns minutos compartilhando de um silêncio confortável entre nós, onde somente as nossas respirações podiam ser ouvidas. Momentos nossos como este sempre me traziam um sentimento de paz, em poder deitar em seu colo e ficar apenas sentindo seu cheiro.

Mas logo levanto o rosto me endireitando ao seu lado ainda permanecendo sentado.

— Você está certo amor - brinco com os cabelos negros o que desajeita seus óculos. Yuuri abre um sorriso ao ver que eu estava melhor.

— Eu sempre estou certo - nós dois rimos e dou um leve empurrão em seu ombro, que ele aproveita para se levantar. — E já que estamos de acordo nisso, vem me ajudar com o jantar.

 ‘’E como sempre, tão doce.’’

 

Estende sua mão que foi aceita por mim me ajudando a levantar do chão. E ao ficar de pé não resisto em o puxar segurando firme em sua cintura lhe roubando um beijo antes de ser guiado por ele até a cozinha.

 



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