1. Spirit Fanfics >
  2. The Chase - A Perseguição >
  3. Não se esconda

História The Chase - A Perseguição - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


LEIAM AS NOTAS!!!!!!!!!!!
Olaaaaa pessoaaaal!!
Gente eu tive essa ideia depois de ouvir o ASMR do canal "Akira Dubs" e eu vou deixar o link nas notas finais, tá em inglês mas vocês super conseguem sentir a tensão. É maravilhosooooo!
Como está escrito na sinopse, essa história não é um romance bonito, ela vai ter dois capítulos e nos dois terá relacionamento abusivo e violência tanto física quanto psicológica.
DEIXANDO CLARO QUE EU NÃO APOIO NADA DISSE TIPO!!
EU REPUDIO QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA.!!
Para os sensíveis, eu não recomendo ler para que não tenham gatilhos. Eu não acho que está tão pesada, mas quero avisar para que vocês não se sintam mal se realmente estiver muito pesada.
Aproveitem a leitura e desculpem os erros!

Capítulo 1 - Não se esconda


Seu sono estava leve, uma parte de sua consciência estava perdida na porta do mundo dos sonhos, fazendo que seu corpo relaxasse na cama macia. 

A outra parte estava em alerta, processando o vento frio que entrava pela sua janela que deveria estar trancada, batendo em suas bochechas junto da luz dos postes de fora. Talvez ele devesse levantar e a fechar, mas tinha medo que perdesse um pouco do sono que finalmente estava sentindo. Fazia dias que não dormia mais do que leves cochilos de 20 minutos.

Suspirou, dando as costas para a janela e a deixando daquele jeito mesmo, não teria problema certo? Era apenas uma noite, depois ele voltaria a tomar cuidado.

Estava na beirada abismo do sono, mal tinha noção da sombra se movendo, saindo do canto de seu quarto, dando passos tão silenciosos que parecia flutuar sobre o chão. Achou que estava sonhando quando sentiu sua cama mexer levemente com a adição de peso no lado oposto onde ele estava. 

Abriu os olhos abruptamente quando sentiu o peso de um braço rodeando sua cintura, o puxando em direção a um peitoral firme.

Tudo que ele podia ver era a porta de seu banheiro a sua frente, os olhos tão arregalados que pareciam que saltariam para fora. Sua respiração começou a desregular, o coração perdendo uma batida para então acelerar de modo perigoso. Não conseguia se mexer, o choque deixando seu corpo paralisado e a merce da pessoa que o puxava para um tipo de abraço que ele conhecia, e como conhecia, mas não podia acreditar que estava ali. Arquejou quando sentiu sua blusa sendo infiltrada e um toque gelado em sua barriga.

Sabia quem era.

- Levi..? – Sussurou.

- Eren.

Aquela voz foi o suficiente para que uma onda de adrenalina e medo corresse por suas veias, um grito rouco saindo de sua boca ao mesmo tempo em que se debatia para longe daquele toque, caindo da cama e se afastando o mais rápido possível, batendo as costas na porta do banheiro. Não podia enxergar muito bem sua face, mas pôde ouvir com clareza um suspiro e a sombra se levantando de sua cama. De modo calmo, ele acendeu a luz do abajur no criado mudo, iluminando boa parte do quarto e deixando seu rosto a mostra.

Não havia mudado nada, estava exatamente o mesmo de meses atrás, nem um milímetro de seu cabelo estava diferente. Os olhos azuis acinzentados como o céu em tempestade o encaravam, cravando-se em seu rosto e analisando cada um de seus movimentos, vendo sua alma nua e crua. O corpo estava coberto de preto, moletom e calça se camuflando onde não havia luz. Uma de suas mão estava coberta por uma luva enquanto a outra, provavelmente a que o tocou estava descoberta, os dedos contraídos como se esperassem apenas um movimento de Eren para que eles pudessem se mexer e avançar.

Ficaram se analisando por alguns segundos até que Levi deu um passo a frente.

Nesse momento a mente de Eren começou a trabalhar rápido. Ele havia deixado seu celular no andar de baixo, no assento do sofá a direita e na mesinha de centro a frente, grudado na parte de baixo da madeira com um suporte fácil de tirar estava a 38 que ele havia comprado e treinado como usar a cerca de um mês.

Levi deu mais um passo.

Ele precisava agir rápido, o delegado era conhecido por ser veloz, mas Eren ainda tinha as pernas maiores, talvez pudesse usar isso como vantagem. Mais um passo. Ele estava próximo e se afastando da porta do quarto, se o empurrasse e corresse até a porta teria alguns segundos a frente para pegar o celular e a arma. Mais um passo, Levi estava agora praticamente de frente a si, teria que ser agora ou seria pego e não saberia o que poderia acontecer consigo.

Num solavanco, Eren jogou-se para o lado, cravando as unhas e os pés no carpete, jogando-se em direção a porta no exato momento que Levi avançou para pegá-lo. Foram segundos, mas foi o suficiente para que ele saísse do quarto.

Começou a planejar o que faria a seguir enquanto se dirigia a escada. Ele teria que pegar o celular, a arma e sair correndo de sua casa para o vizinho mais próximo e ligar para a polícia. Fosse essa ser uma denúncia contra o delegado da polícia ou não eles teriam que o ajudar.

5 segundos. Talvez 10. Foi esse o tempo que levou para que Eren chegasse no início da escada.

Foi esse o tempo para Levi o pegar.

Sentiu braços o agarrando por trás, puxando sua camisa com força e o levando ao chão com um baque, nem teve tempo de virar-se e ficar de frente com seu agressor, sentindo um joelho sobre suas costas e outro sobre suas pernas, mãos segurando as suas com força suficiente para marcar a pele amorenada. Estava paralisado no chão, a respiração entrecortada e erradicá. Tentou se debater, os cotovelos ficando doloridos pelas vezes que o bateu no chão, o pouco ar que tinha se esvaindo com a pressão em suas costas.

- Agosto. – Parou de se mexer quando a voz bateu em seus ouvidos. – 12 de Agosto. Você sabe que dia é esse não é?

Não respondeu, o coração quase saindo de seu peito. Ele sabia.

- Foi o dia que te vi pela primeira vez. – Eren quase podia sentir o sorriso de Levi em suas costas. -- Naquele dia, começamos a conversar e logo depois, você sabe, eu era seu namorado. – Sentiu as mãos afrouxando seu pulso e continuou parado, esperaria a hora certa. – Eu estava levando você para jantares em diferentes restaurantes, estávamos tendo o melhor tempo de nossas vidas. – As mãos saíram de seus pulsos, o lugar pulsando com o sangue voltando a circular. – Então o que aconteceu? Você sabe o que aconteceu, não é Eren? – A respiração que batia em sua nuca era pesada como se a pessoa estivesse com raiva. – Você me traiu.

De modo automático, sua boca se abriu e as palavras saíram: – Eu nunca-

- Você me traiu e brincou com os meus sentimentos. – Eren olhou com o canto de olho, os braços de Levi estavam se afastando, estava quase. – Mas então você me fez uma promessa, você me disse : “não importa o que aconteça, eu sempre vou fazer o meu melhor” e, oh, você fez, você fez várias e várias vezes por mim amor.

Um suspiro.

- Por que eu encontrei mensagens de amor para um tal de Jean no seu telefone? Pode me dizer, Eren?

Agora.

O mais rápido que podia, o moreno jogou seu peso para o lado, jogando Levi no chão e, ainda sentado, chutou sua barriga com o máximo de força que tinha, nem pensando em ficar para saber sua reação, só descendo a escadas. Não sabia como não havia tropeçado no escuro pela rapidez que desceu, mas correu direto para a porta. Não dava tempo de pegar o telefone ou a arma, só tinha que sair dali o mais rápido possível.

Levi o estava espionando, havia visto suas mensagens, havia pego seu celular.

Ele havia entrado na sua casa.

Girou a maçaneta.

Fechado. Girou de novo.

Fechado.

Não, não, não.

Passos descendo as escadas.

Não dá tempo de arrombar a porta.

Correu pra cozinha, havia uma porta ali ao lado da dispensa, ela ficava camuflada já que havia pratilheiras cheias de vasos e temperos que ele não usava mas deixava a entrada invisível. Os sons de passos havia chegado na sala.

Enfiou-se o mais silenciosamente possível dentro do pequeno espaço, era tão apertando que mal podia mexer os braços, tudo que pôde fazer foi sentar e se encolher, as mãos sobre a boca para abafar o som de sua respiração.

Silêncio.

- Eu estive atrás de você, eu sei que é por isso que você ficou assustado e se escondeu em outra casa, porque você sabe disso. – Mais passos, talvez ele estivesse chegando até a cozinha. – Você ficou com medo de que se eu o encontrasse, se o visse, as coisas poderiam não acabar muito bem para você. – Seu coração batia forte, o sangue pulsando em seus ouvidos. – O que é compreensível, certo? Eu sou Levi Ackerman, afinal, misericórdia não é realmente um dos meus valores.

Sentiu um arrepio descer por suas costas quando ouviu o som da risada rouca que ele quase nunca teve a sorte de ouvir.

- Mas talvez! – Aumentou a voz e Eren pulou de susto. – Se você vir até aqui eu poderia, provavelmente, mostrar a minha misericórdia a você. Talvez se você vier aqui e dizer a quem você pertence, a merda não precise ser jogada no ventilador como ela está prestes a ser… E você não quer isso, certo? Você não quer que as coisas fiquem feias…

Mais passos, Levi havia entrado na cozinha, não podia ver nada, a porta não tinha frestas muito visíveis mas mesmo se tivesse ele não conseguia ver nada, não conseguia se mexer, estava com tanto medo que seu corpo estava travado.

- Amor… – Um baque alto, como uma gaveta e talheres caindo no chão encheu o ambiente, fazendo Eren tremer. Mordeu o lábio com força suficiente para sangrar, engolindo o grito que quase saiu por seus lábios. – É hora de brincar. – Ele está mexendo nas facas. Empalideceu. – Baby, você sabe que eu não gosto de ficar procurando por você… Me deixa doente, me deixa pilhado. – Agora um som de vidro sendo jogado no chão. – E irritado.

Eren podia ouvir os sons dos vidros sob as solas dos sapatos do Ackerman, estilhaçando em pedaços menores. Levi o queria assustado, acuado como um animal.

- Bang, bang, honey, é hora de sair e brincar com seu daddy… Seu daddy… Você não quer brincar com o daddy? – A respiração dele estava pesada de novo, a voz fervilhando de raiva escondida. – Okay, vamos fazer isso mais interessante para você… Saía, saía, onde quer que você esteja. – A voz que Eren tanto amou sussurrava pelo ambiente, chegando cada vez mais perto. – Eu não vou te machucar, eu só vou brincar com você por um tempo… Talvez envolver meu braço no seu pescoço, te apertar nos meus braços, dizer o quanto eu te amo e sinto sua falta, o que acha? Não é tão mal, não acha? Eu acho que é exatamente o que você precisa. – Agora a voz voltou ao seu tom normal. – Saía, saía onde quer que você esteja, não faz isso comigo, não faz isso com a gente, nós somos mais que isso, você é mais que isso, certo? – Eren deixava que lágrimas grossas descessem por seus olhos, Levi estava brincando com seus sentimentos. – Baby, eu preciso de você…

O que havia acontecido com ele? Ele está louco. Não, não era assim. Ele sempre foi louco. Desde a primeira vez que brigaram até a última, ele sempre foi louco.

Fazia um ano desde que eles terminaram,

Eles estavam felizes, apesar das agressões que ocorriam algumas vezes quando desrespeitava – como o próprio dizia – o Ackerman, ele o tratava com amor na maioria dos dias. Ele não mentiu quando disse dos restaurantes ou eventos, o menor não tinha medo de o levar a qualquer lugar e expor que eles estavam juntos. Um troféu. Era só o que ele era, um troféu a ser exibido, um pedaço de carne.

Nos primeiros meses, nada havia mudado. Depois de 3 meses, Levi começou a gritar ofensas quando algo o irritava. No quinto mês, Eren levou o primeiro soco. Foi direto no olho e ele não saiu de casa até que o roxo sarasse. Ele não conseguia devolver nenhuma das agressões e quando tentava apanhava mais. Surras e mais surras, por motivos que nem mesmo ele conseguia entender.

Mas a última gota foi quando ele resolveu sair com Armin, seu amigo de infância.

Eles estavam bebendo, Eren estava sorrindo como a meses não fazia e Armin ficava feliz ao ver o amigo daquele jeito, mesmo que franzisse os olhos em preocupação a cada vez que a manga da camisa comprida do Jeager subia e ele podia ver claramente manchas roxas subindo por seus braços.

Ele não tinha avisado Levi, na verdade saíra escondido porque agora ele o proibia de chegar perto de quaisquer outras pessoas. Mas estava tudo bem, não é? Sabia que ele ia entender, Levi o amava de seu próprio jeito.

Eren estava errado.

Levi rastreou seu celular, entrou naquele bar e na frente de todos bateu no Armin.

Ele jogou seu amigo no chão, socando e socando até que uma poça de sangue fizesse envolta da cabeça loira. Ele gritou, pediu pra ele parar, implorou, tentou o segurar. Mas Levi só parou quando o menor nem se mexia mais, tudo que era visível era o movimento difícil de seu peito tentando puxar ar. E Eren nem pôde ajudar, já que ele o arrastou dali e a surra da vez nem fora dentro de casa. 

Foi em um beco sujo, com o rosto do Yeager no lixo enquanto sentia chutes por seu corpo.

E depois disso, ele decidiu que ia fugir. Não dava mais, aquela surra havia quebrado 3 costelas suas e o deixado com várias contusões, Armin teve o rosto praticamente desfigurado e tomou vários pontos pelo rosto.

Eren não conseguia mais.

Ele se escondeu na casa de seus pais, morava no porão e não saía para nada, tinha medo de olhar pela janela e tinha ataques de pânicos quando ouvia batidas na sua porta. Foram 4 meses assim, ele mal comia ou dormia, emagreceu e quando Armin – quase curado de suas feridas – foi o visitar, os dois choraram. Abraçados, Eren pedia desculpas, tanto para o loiro quanto para si mesmo.

Como ele havia deixado as coisas irem tão longe? Como?

Por isso que ele mudou de casa, foi para o extremo Sul da cidade, um bairro em que a maioria das pessoas não conhecia, mais isolado, havia cerca de 500 metros de distância entre cada casa então ele podia ter privacidade. 

Ele conheceu outra pessoa e era tão bom e estranho, quer dizer, ele não precisava mais pedir permissão para usar determinado tipo de roupa ou de como agir na rua. Jean era engraçado e gentil, mesmo quando eles brigavam e tudo que Eren esperava fossem tapas e socos.

Demorou 6 meses mas ele estava começando a ficar menos assustado.

Então recebeu a ligação do amigo.

Ele disse que vai te procurar Eren” foi a primeira coisa que ouviu quando atendeu a ligação.

Depois disso, as noites em claro voltaram, ele não conseguia mais andar na rua sem achar que estava sendo seguido, Jean sempre o apoiava mandando mensagens carinhosas que alegravam seu dia.

E agora estava ali, se escondendo dentro de um pequeno armário, tremendo e chorando, se segurando para não gritar por socorro e entregar onde estava.

- Eu preciso ligar para esse Jean para saber quem ele é, o fazer vir até a porta da frente e cortar a sua cabeça, só pra fazer você sair e brincar comigo? Eu faço isso… Vai ser tão bagunçado e você me conhece, eu não gosto de bagunças, hum, mas eu poderia com certeza limpar você.

Eren podia imaginar com clareza o ódio no rosto do Ackerman, podia imaginar suas sobrancelhas juntando-se e formando uma ruga entre elas, o maxilar rígido e fazendo sons de estalo a cada vez que ele trincava os dentes. As mãos fechadas em ódio, punhos cerrados, como quando ia bater nele.

- Você é meu! Meu! Meu! Meu! E se alguém tenta tirar o que é meu de mim então ele tem que morrer! – Agora Levi gritava, batendo nas portas dos armários, jogando as coisas que ganhou de presente de seus pais para montar a casa. – Você sabe as regras do jogo, você sabe como todas as coisas funcionam!

Seu pé escorregou.

Bateu na porta.

Não foi um barulho alto, mas ele tinha ouvido. Eren sabia que ele tinha ouvido.

Passos vindo em sua direção.

Não, ele ia o achar.

Ia apanhar de novo.

Levi vai o matar.

Por favor.

- Saía pra mim gatinho.

Alguém.

- Você pode correr, mas não pode se esconder.

Me salve.O link so ASMR


Notas Finais


O link do ASMR: https://www.youtube.com/watch?v=sHlCaxPhpxs&t=272s
Espero que tenham gostado, beijinhoooos!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...