História The Colour of Your Soul - Capítulo 22


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Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Elfos, Fluffy, Harrystyles, Larrystylinson, Louistomlinson, Unicornios, Universo Alternativo
Visualizações 68
Palavras 7.927
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 22 - Epilogue: the colours of our family


Fanfic / Fanfiction The Colour of Your Soul - Capítulo 22 - Epilogue: the colours of our family

 

 

Talvez nomear a filha deles com o nome de uma constelação não tivesse sido algo tão inteligente assim. Assim como ter um filho atrás do outro certamente não foi. Não é como se eles se arrependessem, mas às vezes Louis tinha a sensação de que eles deviam pensar um pouquinho mais.

 

Se Louis havia sido uma criatura terrível para se lidar durante a infância e adolescência - e boa parte da vida adulta, sejamos sinceros-, Andrômeda era muito mais inquieta. Eles não saberiam dizer se as coisas estavam interligadas ou era apenas superstição, mas acontece que a constelação, por si própria, possuía dezesseis estrelas. E eles realmente torciam para que fosse apenas uma superstição boba e que nomes realmente não influenciassem a personalidade de seus filhos, porque se aquilo não fosse apenas uma fase de infância, eles sabiam muito bem que estariam carecas antes dos quarenta. 

 

‘’Lá vou eu!’' Ouviram a voz da menina gritar no quintal fazendo com que Harry e Louis olhassem um para o outro, fechando os olhos em pura apreensão e esperando o barulho de alguma explosão. Ou de Narciso vindo correndo e chorando. Ou do rosnado de algum animal enfurecido correndo atrás da elfa. Ouviram o barulho de algo pesado caindo na água e os dois saíram correndo para o rio, com medo do que a criança poderia ter aprontado dessa vez. Viram ela correndo para fora do rio, sem roupas e subindo em uma árvore, pronta para pular lá de cima novamente.

 

‘'Andrômeda Joanne Tomlinson-Styles!’’ Harry gritou, estressado. ‘'Quantas vezes eu vou ter que te falar que você vai cair dessa árvore e quebrar o pescoço…’' Louis desligou sua atenção para a bronca do marido, pois ele próprio já tinha ouvido aquele mesmo discurso inúmeras vezes quando criança. Como era de se esperar, Louis era quem ensinava tudo de errado para os filhos e deixava o estrago para Harry consertar. Claro que haviam limites e que Louis sabia ser sério quando necessário. Contudo, a questão era que Harry era medonho quando ficava bravo. Desde a vez que um Kelpie tentou entrar na casa deles durante a madrugada para levar os filhos deles e Louis finalmente viu Styles entrar em ação com seu arco e flecha, Tomlinson nunca mais duvidou da força do marido. 

 

Deixou a bronca nas mãos de Harry e andou até Narciso, que estava ocupado brincando com as flores do quintal, sentando ao lado do filho. 

 

‘’Oioi!’’ Cumprimentou, vendo o filhotinho sair de seu mundo e prestar atenção em Louis. 

 

‘’Oi, 'pa.’' Pegou uma das flores e levou até o pai, encaixando-a em sua franja da melhor maneira que podia. O menino tinha uma fascinação por plantas que certamente tinha puxado de seu papai. Ele também era curiosamente silencioso, como se para compensar a irmã. 

 

‘’Então, qual a do dia?’' Perguntou, pois sabia que o filho tinha épocas para cada planta. Às vezes, ele passava ciclos e mais ciclos lunares obcecado com alguma planta - como fez com cenouras- e, em outros casos, ele enjoava da planta no mesmo dia - o que aconteceu com os Narcisos, para a tristeza de Harry. 

 

‘’Dalia.’’ Indicou a flor que havia entregado para o pai, os olhos brilhando em puro ânimo por poder falar livremente sobre o que gostava. 

 

‘’Eu gostei dessa. Que tal nós recolhermos algumas e levarmos para o seu papai? Andrômeda aprontou de novo e ele ‘tá daquele jeito.’’

 

‘’Tudo bem, ‘pa.’’ Pulou de onde estava, indo até as flores e tentando escolher as que achava mais bonitas. Ele tinha pouco mais de cinco anos agora, enquanto Andrômeda havia completado seu sexto ano há alguns ciclos lunares atrás. Eles seguiram Harry até dentro da casa, vendo que Andrômeda estava sentada num canto, encharcada dos pés à cabeça e enrolada em um pano, enquanto o elfo se ocupava com uma torta de frutas vermelhas. Louis deu um beijo no marido, ouvindo Andie gritar ‘’ECA!” ao fundo. Ela ainda não havia superado a aversão por beijos que aparentemente nasceu com ela. 

 

‘'O que aconteceu, Sol?’' Perguntou ao marido, indicando a criança emburrada no canto do cômodo.

 

‘’Castigo.’' Respondeu, abaixando-se para recolher as flores que Narciso o oferecia. ‘’Obrigado, Nars. São lindas.’' Beijou a testa do potrinho, que foi deitar ao lado da irmã, pousando a cabeça no colo dela. ‘’Eu descobri que ela também estava jogando sal na horta. Por isso que todas as minhas cebolas estavam morrendo, Louis!’’ Falou indignado, enquanto Louis lutava para manter uma cara séria. 

 

‘’Cebola é ruim!” A menina gritou.

 

‘'Isso é muito, muito errado.’' Concordou, mas só para conseguir roubar um pouco da geleia que Harry havia feito para colocar na torta. ‘’Quer ajuda com a comida?’' 

 

‘’Você? Na minha cozinha?’' O elfo perguntou, arqueando uma sobrancelha. ‘’Eu ainda não enlouqueci, Louis.’' 

‘’Ei, aquela vez que eu cozinhei, as crianças disseram que estava bom…’' 

 

‘’Bem, eu não queria te contar, mas já que você vai usar isso como argumento… Você se lembra que nessa mesma semana eu fiz doce de abóbora que, por um acaso, é o doce preferido das crianças mas que eu nunca faço porque detesto descascar abóbora? Então…’’ 

 

‘’Eu… Eu não acredito que você subornou nossos filhos para eles elogiarem minha comida, Harry Styles!’' 

 

‘’Eu vejo isso mais como… uma troca de favores. As crianças ficaram feliz, você ficou feliz, eu fiquei feliz, nós fizemos-‘' 

 

‘’Shhh. As crianças.’' Apontou para o canto do cômodo, onde Andrômeda continuava emburrada e Narciso parecia aproveitar os poucos momentos que a irmã ficava quieta para tomar Sol em paz. Louis olhou de volta para o marido, a pele bronzeada de Sol agraciando as curvas delicadas de seu corpo. Deixou seus olhos caírem sobre a mais nova curva nele.

 

Porque Harry ainda não havia perdido aquela mania estranha de não usar roupas, - que havia aparentemente passado para a filha deles- mas Louis tinha aprendido a parar de reclamar, principalmente quando ele podia beijar a barriguinha grávida de Harry sempre que quisesse. E era o que ele estava fazendo agora, murmurando carinhosamente contra a voltinha saliente.

 

Sim - eles teriam mais um bebê. Ou dois, se o que Johanna disse estava certo. E bem, quando vindo de uma mulher que teve dois pares de gêmeos, eles sabiam que ela provavelmente estava certa. 

 

‘’Mal vejo a hora de vocês estarem aqui com a gente, Niall e Amorinha.’' Deu um último beijo, levantando-se e vendo Harry olhar estranho para ele. ‘'Que foi?’' 

 

‘'A gente já não tinha concordado que eu escolheria um nome e você o outro?’'

 

‘’Oops,'' o humano sorriu. ‘’Nós já não concordamos em discordar?’’ 

 

‘’Louis. Eu não vou ter um filho chamado Niall.’' 

 

‘’Eu tenho certeza que nós já concordamos que nossos filhos vão se chamar Niall e Amora, Hazzie.’' E não, Harry não se lembrava dessa conversa, porque 1) ela nunca existiu; e 2) era mais uma dessas conversas que Louis tinha dentro de sua cabeça e que ele tomava como verdade absoluta, mesmo que o elfo jamais tivesse concordado com essas coisas. ‘’Quem quer tomar banho de rio?’' O humano gritou para as crianças, que saíram correndo atrás dele.

 

‘'Ela está de castigo, Louis!” Harry gritou, em vão. Revirou os olhos, ocupando-se em colocar a torta no forno e ir atrás da família, no rio. Viu as três raposinhas brincando com eles - Neese havia falecido na primavera anterior - e correu até o rio, pulando na água. ‘’Eu estou ok com Amora mas, por mais que eu ame o Niall, nosso filho não vai se chamar Niall.’' Falou, diretamente para o humano. Tomlinson só fazia aquelas coisas porque adorava saber que o marido era capaz de impor suas vontades quando necessário. ‘’Não vai combinar com a estética do nome dos nossos outros filhos, olha: Andrômeda, Narciso, Amora e… Niall? É antiestético.’' 

 

‘’Ugh, Harry. Por que você é tão… assim?’’ Grunhiu, esfregando o rosto. 

 

‘’Porque você me ama do jeitinho que eu sou.’' Sorriu largo.

 

‘’E os nomes seguem uma lógica… A, N, A, N…’’ Tentou argumentar, vendo Harry sorrir largo com a menção das letras. 

 

O elfo estava iniciando a alfabetização das crianças - e decidiu que ia ensinar Louis a ler também. E, apesar de Tomlinson não ver muita necessidade na leitura - ele não tinha que aprender runas como os elfos e sabia viajar pelos vilarejos de olhos fechados, então não é como se ele precisasse ler muitas coisas - mas ele só fazia aquilo pelo sorriso cheio de orgulho que Harry abria sempre que ele mostrava alguma evolução em seu aprendizado. Ou tentava escrever algo, com sua letra trêmula e descuidada, ao contrário da de Harry, cheia de voltinhas e rebusqueios. Sentiu a mão larga de Styles pousar em seu quadril, ao mesmo tempo que ele aproximava seu rosto, a expressão calorosa. 

 

‘’Não, beijo nãoooo!” Ouviram Andrômeda gritar e os dois se viraram, surpresos ao se lembrarem que tinham companhia.

 

 A garota tinha cabelos cacheados como os do pai e sardas por todo o corpo. Os cabelos dela costumavam ser compridos e selvagens, mas, em uma de suas traquinagens, ela acabou grudando seiva de árvore nele e tiveram que cortar mais da metade. 

 

‘’Andie, você sabe que tem que parar de fazer isso…’' Harry começou.

 

‘'Eu sabo, mas é nojento.’'

 

‘'Eu sei.’' Louis corrigiu, rindo.

 

‘’Louis!’' Harry cutucou o marido. ‘'Deixa a criança em paz. Vou tirar a torta do forno, venham comer.’' Disse e, quando foi para a cozinha, Narciso o seguiu. ‘’Você quer alguma coisa, bebê?’' Perguntou, vendo o potrinho o encarar com os olhos azuis e grandes.

 

‘’Piquenique… amanhã?’' 

 

‘’Você quer fazer um piquenique amanhã?’' 

 

‘’Por favor, dada.’' 

 

‘’Tudo bem, eu vou ver se seu pai busca pão e queijo na casa da vovó amanhã e nós fazemos um piquenique na hora do almoço, tudo bem?’' 

 

O pequeno assentiu, antes de voltar correndo para o jardim e suas amadas plantinhas. Harry se ocupou em colocar a torta para esfriar e arrumar a mesa. Louis reapareceu alguns segundos depois, pegando as coisas das mãos do Harry e dando um beijo em sua bochecha. Styles o abraçou, encaixando a cabeça em seu ombro. 

 

‘’Deixa que eu arrumo as coisas e alimento as crianças, vai descansar um pouco.’' Sorriu, sentindo o elfo amolecer contra o seu corpo. ‘'Eu te levo um pedaço na cama.’' 

 

‘'Não só o pedaço, espero?’' Murmurou, arrancando um riso suave de Louis. 

 

‘’Se as crianças dormirem depois de comer, quem sabe.’’ Beijou a cabeça do marido e se despediu dele com um tapinha em sua bunda. ‘’Narciso, Andrômeda, venham comer!’' 

 

No dia seguinte, Harry pediu para Louis levantar cedinho para que ele fosse na casa de Anne buscar as coisas, aproveitando para pedir para o marido combinar um dia para que Anne e Gemma fossem lá tomar um chá, já que o elfo não podia mais subir a montanha devido à gravidez. Ele se ocupou com as crianças, deixando que elas escolhessem suas frutas preferidas do pomar para que eles levassem. Louis voltou um pouco antes do horário do almoço, o rosto e braços vermelhos por causa do Sol forte. Lavou o rosto no rio e depois organizaram tudo em uma cesta e saíram numa missão de achar algum lugar com sombra para almoçarem. 

 

Assim que terminaram de estender uma toalha no chão e se prepararam para comer, ouviram as raposinhas correndo na direção deles, barulhentas como sempre. Andrômeda estava -curiosamente- quieta, comendo seus morangos enquanto ouvia a história que Louis estava contando. Pelo que Harry conseguiu entender, ele estava explicando como a dinâmica de poderes entre unicórnios funcionava e demonstrou, frustrado, sua incrível habilidade de controlar gotículas de água. Andrômeda riu baixinho do talento inútil do pai, enquanto Narciso permanecia, como de costume, em silêncio. Às vezes Harry queria entender o que se passava na cabeça de seu caçula. No segundo seguinte, o cantil que Louis segurava virou em seu próprio colo, a água encharcando suas roupas. Os quatro deram um pulo, sem entender o que estava acontecendo. 

 

‘’’Pa! Desculpa!” Narciso exclamou, parecendo estar à beira das lágrimas. 

 

‘’Calma, Nars. Explica o que aconteceu.’' Louis pediu calmo, enquanto torcia o excesso de água para fora de suas roupas. 

 

‘’Eu… ‘tava pensando que seria legal controlar a água… para molhar as plantas…’’ 

 

‘’Louis…’' Harry disse, segurando no bíceps do marido, assustado. ‘’Eu acho que…’' 

 

‘'O bebê tem poderes!’’ Exclamou, levantando os braços. Narciso ainda estava levemente assustado com tudo aquilo e Harry não sabia se ele devia comemorar pela recente descoberta ou pelo fato de Narciso ter dito mais que meia dúzia de palavras. Andrômeda tinha um sorriso enorme atravessando seu rosto, como se, nos últimos quinze segundos, tivesse imaginado cinco tipos diferentes de travessuras que poderia aprontar com o irmão. 

 

‘’… ‘pa? O que aconteceu?’' 

 

Louis trocou olhares com Harry e eles se comunicaram daquele jeito só deles. Tomlinson se levantou e mudou de forma, chamando o filho para eles conversarem e ele explicar tudo. 

 

Harry voltou a atenção para a filha, respirando fundo ao perceber que ela já tinha arrancado as roupas e tentava subir em uma árvore. 

 

‘’Eu não posso descuidar de você por dois minutos, posso?’' Riu baixinho, cortando uma fatia de queijo para comer enquanto observava a menina tentar subir em uma árvore que claramente era alta demais para ela conseguir algo. Louis e Narciso voltaram um pouco após Andie ter desistido, ocupando-se agora de observar as trilhas das formigas. ‘’E aí?’' 

 

‘’Eu e Nars decidimos que vamos procurar um instrutor para ele na aldeia, então ele vai aprender a controlar os próprios poderes.’' 

 

‘’Ele vai ter aulas?!” Andrômeda questionou, pulando de onde estava e ficando de pé. ‘’Isso não é justo! Eu sou mais velha!’' 

 

‘’Andie… Nós já conversamos que, depois que você aprender o alfabeto élfico, eu vou iniciar você nas runas…’' 

 

‘’Mas o Narciso também não sabe o alfabeto todo!’' 

 

‘’Andrômeda, pare com essa atitude.’' Harry pediu. ‘’O seu irmão necessita de um treinamento específico pois precisamos ter uma dimensão dos poderes dele e para que ele aprenda a controlá-los antes da puberdade e não saía de controle. E a senhorita sabe que, quando for a hora, você também vai aprender-‘'

 

‘’Arquearia!’' Ela gritou, animando-se novamente. ‘’Papai, papai, nós podemos começar o meu treinamento? Eu quero aprender a usar o arco, por favorrr!”' 

 

‘’Eu adoro que você usa essas palavras sofisticadas quando fica bravo.’' Louis falou aleatório, apoiando a cabeça na mão. 

 

‘’Eu não sei se você está pronta para isso e eu estou grávido, Andie.’' Riu suave. ‘’Não vou poder fazer esforço físico por um bom tempo.’' 

 

‘’Mas não precisa fazer! É só você ficar sentado e falar o que eu tenho que fazer, que eu fazo!’'  

 

‘’Eu faço.’' Louis riu baixinho e Harry se virou para o marido, com as sobrancelhas franzidas.

 

‘’Louis!’' 

 

‘’Andie… Eu vou te contar tudo sobre as aulas e… posso tentar convencer o papai a levar você para a vila com n-‘'  Narciso começou, tentando animar a irmã e remediar a situação, mas no meio da frase se lembrou que ela não iria entender nada e abaixou a cabeça, cutucando uma plantinha dormideira com seu focinho e observando ela se fechar. 

 

‘’Andrômeda, sabe, o seu irmão acabou de me dar uma ideia genial.’' Louis começou, sorrindo para o potrinho, que olhou para cima animado ao perceber que seu comentário não ia passar em branco. ‘’Que tal se eu levar você para o vilarejo junto com ele e, enquanto ele fica na aula, nós passamos na vovó? Ou passeamos pela vila…’’ 

 

‘’Tudo bem, desde que a gente não precise ir na casa da titia!’'

 

‘’O que tem de errado com a minha irmã?’' Harry perguntou, franzindo as sobrancelhas.

 

‘’Ela não tem cara de bastardo o suficiente.’' Louis murmurou. 

 

‘'Com a tia Gems? Nada! É o Artorius que é um chato!’' Ela exclamou, revirando os olhos e o casal se lembrou da última vez que os primos se encontraram, que Andie empurrou Art n’uma poça de lama. Até aí, estava tudo razoavelmente bem, porque Harry ainda podia colocar a culpa do lado… excêntrico da menina na genética de Louis. Até que Artorius destruiu o argumento de Harry, quando colocou um sapo dentro do manto de Andrômeda, que renunciou completamente as roupas após isso. 

 

Dois dias depois, a família se preparava para que Louis levasse as crianças na jornada montanha acima. 

 

‘’Lou, deixa eu ir, por favorrr…’' O elfo pediu, fazendo um bico.

 

‘’Haz, por mais que eu ame a ideia de viajar com você, eu te carregar montanha acima com você grávido não é lá muito seguro. Aproveita o dia para descansar…’' Sorriu, acariciando a bochecha do elfo e se inclinando para darem um beijo. Continuou o beijo mesmo com os gritos de ECA! de Andrômeda. 

 

Se vocês perguntassem minha opinião, eu diria que Louis até que estava ficando bom em ignorar os protestos da menina quando beijava o marido. Uma hora ou outra, ela teria que se acostumar, afinal.

 

‘’Faz aquela coisa nojenta com mel e aveia que você gosta de passar no rosto. E tira o dia para nadar… Não sei. Aproveita os minutos de paz.’’ Sorriu suave, dando um último selinho no marido. E um beijo na ponta de seu nariz. E na testa. Nos olhos, queixo e bochechas também, para que eles não se sentissem negligenciados. ‘’Se cuida. Eu Harry você.’' Falou, fazendo Harry abrir os olhos para rir, envergonhado. 

 

‘’Você não vai parar com isso?’' 

 

‘’Por que eu pararia? Harry é amor.’' 

 

‘’Bobo.’' O elfo riu, seu rosto e pescoço ficando vermelhos. Aproximou-se do ouvido do marido e, sussurrando baixinho: ‘’Eu Louis você.’' 

 

‘’Eu sabia que uma hora você ia ceder!’' Riu, traiçoeiro.

 

‘’Você faz esse mesmo trocadilho há quatro anos, Louis.’' 

 

‘’E vou fazer pelos próximos quatro e pelos quatro que se seguirem e-‘’

 

‘’Vaaaaaaaamos, paiiiiii.’' 

 

‘’Vai lá.’' Harry riu, dando um tapinha na bunda farta do marido. ‘’Não sintam muito a minha falta!’' Comentou, vendo Louis mudar de forma. E riu, percebendo que Andrômeda teria que aguentar quatro horas de viagem em silêncio, porque ela não conseguia se comunicar com unicórnios ainda. Talvez isso ensinasse ela a ter mais paciência.

 

Talvez ela fosse como Harry e tagarelasse o caminho inteiro. 

 

O elfo ajudou a fixar Andrômeda nas costas do equino e ele prendeu a alça de couro da bolsa que eles tinham feito especificamente para Louis conseguir carregar Narciso. É claro que o potro conseguia andar desde seu primeiro dia de vida, mas era ilógico fazer seu filho de quatro anos subir uma montanha andando, então eles deram um jeito para que Louis conseguisse carregá-lo quando ele ficasse cansado ou nas partes mais íngremes da subida.* Eles passariam a noite na casa de Anne, para não forçar as crianças em duas viagens longas num mesmo dia. 

 

Harry já sentia saudades.

 

Aquilo se tornou uma rotina entre os quatro. Lógico que, após a segunda ou terceira ida à vila, Andrômeda desistiu de ir com eles, emburrada por ter que ficar tanto tempo parada em cima do unicórnio e sem ter ninguém para conversar. Então ela passava as tardes correndo pelada com as raposas, mergulhando com seu papai e tentando descobrir mais sobre a natureza ao seu redor. 

 

Styles aproveitava os momentos com a filha para adiantar a alfabetização dela e tentar entender os pensamentos dela para, quem sabe, acalmar um pouco sua personalidade estrondosa. Ele esperava que Louis fizesse o mesmo com Narciso, tentasse tirar ele de dentro de sua concha. Quando Louis e o filho chegaram no início da tarde, os quatro se sentaram em uma roda para dividir o pão e compartilhar o que haviam feito no último dia. Aquilo havia se tornado uma rotina e, sinceramente, Harry não tinha do que reclamar.

 

Andrômeda contou todas as suas artimanhas, inclusive de algumas que Harry não fazia ideia de como ela tinha feito enquanto ele supervisionava ela. A inteligência de seus filhos o pegava de surpresa, às vezes.

Com intermédio de Louis para explicar tudo para Andie, Narciso contou como foi a viagem, seu treinamento e como foi visitar a avó. Louis sempre sorria internamente ao ouvir o filho falar, o jeitinho lento de pronunciar as palavras, como se escolhesse cada uma com cuidado e carinho. Exatamente como Harry.

 

Ao anoitecer, após colocarem as duas crianças em seus colchões e se revezarem entre contar uma história e cantar uma música, Harry e Louis foram para sua própria cama, prontos para ter o momento deles, em que eles trocariam beijos e conversariam, como se ainda fossem adolescentes. 

 

‘’Hoje a Andie conseguiu escrever o nome dela inteiro.’' O elfo disse, após trocarem uma série de beijos. Ele rolou na cama, até estar com a cabeça deitada em cima do peito do marido, que se ocupava em desfazer as tranças de Harry. 

 

‘’Sério?’' Sorriu, seu rosto refletindo o orgulho que sentia da filha. ‘’Amanhã eu vou dar parabéns para ela. O Narciso aprendeu a controlar pequenas quantidades de água. Eu estava pensando, nós precisamos programar uma viagem para irmos contar para a minha mãe que o neto dela tem poderes de água…’' 

 

‘’Sua mãe e irmãs virão para o nascimento do nosso nenê. Ela ficou tão brava quando soube que não assistiu o nascimento da Andie e do Nars!’' 

 

‘’Nossas mães e a estranha fixação delas por parto, sinceramente…’' O humano riu, o narizinho franzindo no rosto. Harry esticou a mão e beliscou o nariz de Louis entre os dedos. 

 

‘’Ugh, nem me fale. O surgimento de uma vida é linda e tudo o mais, mas eu não me imagino em que vida que eu me ofereceria para ver um parto por livre e espontânea vontade.’' 

 

‘’Você parecia bem voluntário no dia que eu pari o nosso filho…’' Provocou.

 

‘’Bem, era o meu filho!’’ Retrucou, esticando-se para beijar Louis. ‘’Falando no Narciso, eu estou preocupado com ele, Lou…’' 

 

‘’Por quê, Hazz? Andie te contou alguma coisa?’' 

 

‘’Não, nada em especial. Eu só…. Não sei. Tenho medo que ele não se sinta incluído porque não consegue se comunicar com a irmã. Eles acabam não sendo tão próximos por causa disso, sabe…’’ 

 

‘’Mas Harry, você passou pela mesma coisa com a sua irmã e olha, apesar da cara de bastardo e do senso de humor duvidoso, acho que você até é um elfo decente…’' 

 

‘’Idiota,’' mostrou a língua para o marido. ‘’E eu tinha oito anos quando Gemma encontrou a alma gêmea dela. Ela tinha doze. Eu acabei de perceber que… Eu tinha o dobro da idade dela quando nós nos conhecemos, Louis!’' Exclamou.

 

‘’Bem, o que eu posso fazer? Não sou um homem fácil.’' Sorriu de ladinho. ‘’E eu tenho certeza que nossos filhos se viram do modo deles, Haz… E, sinceramente, acho que não tem como forçar nosso filho a ser algo que ele não é. Eu sei que ele tem só cinco anos, mas quando ele realmente está a fim de conversar, ele fala extremamente bem para a idade… Até melhor que Andie.’'

 

‘’Você acha que é só a personalidade dele, então?’' 

 

‘’Uhum.’’ Assentiu, sorrindo para tentar acalmar Harry. ‘’Nem todo mundo fala pelos cotovelos, sabe. Você e Andie deveriam entrar em uma competição para ver quem consegue contar mais histórias por minuto durante as viagens.’' 

 

‘’Falando em viagem… Nós iremos ver o festival das ninfas esse ano, não é? O bebê já vai ter nascido até lá e… Eu sinto falta de viajar com você, Lou.’' 

 

‘’Nós podemos tentar ir, Haz. Agora descansa essa cabeça.’' Riu, massageando a testa do marido e dando um último beijo nele. ‘’Boa noite?’' 

 

‘’Boa noite, Loueh’' sorriu, virando-se para que Louis o abraçasse, já que agora ele tinha uma barriguinha extra e não podiam fazer o contrário. Eles ficaram em silêncio e, como sempre, Louis esperou um bom tempo antes de murmurar: 

 

‘’Eu amo você.’' Harry deu tapinha no braço do marido. 

 

‘’Você é ridículo.’' Retrucou, ouvindo a risadinha de Tomlinson contra a sua nuca. ‘’Depois de todos esses anos, você ainda acredita que eu estou dormindo…’' 

 

‘’Bastardo e ridículo, unidos por toda a vida.’' 

 

‘’Vai dormir, Louis.’' 

 

 

Quando, em um dia quente de verão, bateram na porta com certa insistência e impaciência, Harry e Louis se entreolharam, confusos. E, quando abriram a porta e se depararam com Zayn e Liam, eles não sabiam se deveriam se sentir mais intimidados pelo fato de Zayn ter aparecido na luz do dia ou pelo fato dele ter realmente anunciado sua presença no local, ao contrário de sua costumeira mania de aparecer aleatoriamente. Eles pareciam desesperados com alguma coisa, então Louis deixou para fazer alguma piadinha para depois, permitindo que eles entrassem. Liam segurava o filho deles nos braços, que parecia ser mais nova que Andrômeda mas não mais nova que Narciso;  observaram Zayn entrar, trazendo uma bolsa estufada de coisas. Harry franziu a testa, tentando entender o que estava acontecendo apenas com aqueles pequenos detalhes. 

 

‘’Eu vou fazer chá, tudo bem?’' Louis disse, enquanto o elfo ajudava os visitantes a descarregarem as coisas que traziam e se acomodarem. 

 

‘’Desculpa aparecer assim,’' Liam começou, parecendo extremamente culpado. ‘’Eu realmente sinto muito, sei que não é educado aparecer sem avisar.’' 

 

‘’Isso nunca pareceu um obstáculo para o Zayn antes!’’ Louis provocou, voltando do poço com um balde de água para o chá. 

 

‘’É, eu tenho que admitir que os hábitos do meu marido não são os melhores.’' Payne riu baixinho, acariciando os cabelos da criança em seu colo. 

 

‘’Nós tentamos enviar uma mensagem pelas árvores durante a noite passada mas… ficamos ansiosos demais para esperar alguns dias até que ela chegasse e decidimos vir logo.’' Zayn mudou o assunto. Esperto. 

 

Tomlinson retornou com o chá, informando o marido que as crianças estavam brincando nos fundos e provavelmente não iriam incomodá-los por algum tempo. 

 

‘’Desculpa a grosseria, eu nem perguntei como é o nome do filho de vocês?’’

 

‘’Basil. Ou Baz, como ele prefere.’' Zayn respondeu, ao mesmo tempo que Liam dizia: ‘'Nossa, faz  realmente muito tempo que nós não nos vemos.’' 

 

‘’Fica tranquilo. Vocês estão bem, espero?’' Louis perguntou, tentando descobrir o que fez eles viajarem com tanta pressa. Ocupou-se em servir o chá enquanto esperava eles revelarem e, a cada segundo que se passava, ele se sentia mais ansioso. 

 

‘’Não é nada grave, é que…’' Liam começou, parecendo estar sem jeito para falar o que quer que fosse que precisava chamar. ‘’Nós podemos ver seus filhos?’' 

 

Cada vez mais aquilo ficava mais estranho.

 

‘’Eu vou chamar eles, mas… Os bebês estão dormindo, espero que não seja um problema? Eles devem acordar em pouco tempo, de qualquer forma.’' 

 

‘’Vocês tiveram mais filhos?’' Liam perguntou, arregalando os olhos. ‘’Não que seja um problema, é que… uau.’' 

 

‘’Sim, Amora e Niall!’' Louis respondeu, animado. ‘’Eles só têm seis ciclos lunares. Os dois são gêmeos…’' 

 

‘’Niall? Esse não é o nome do…’’

 

‘’Sim,’' Harry revirou os olhos. ‘’Por mais que eu aprecie muito o Niall e tudo o que ele fez por mim, eu não queria nomear meu filho assim. Mas aparentemente o idiota do meu marido fez uma aposta mais-idiota-ainda em que ele nomearia um dos filhos dele de Niall.’' 

 

‘’Eu realmente acreditava que eu nunca teria filhos na época, sabe.’' 

 

‘'E enfim, Niall é o segundo nome. O Niall original é realmente o único que chama ele de Niall. E o Louis, quando ele quer me provocar. O primeiro nome dele é Leon. Ou Leo.’’

 

‘’Como a constelação?’' Basil falou pela primeira vez, os olhos brilhando.

 

‘’Exatamente.’' Harry sorriu largo. ‘’Enfim, volto já…’’ Levantou-se e andou até o quintal, vendo Andrômeda plantando bananeira com a ajuda do irmão. ‘’Crianças, vocês podem vir aqui por um instante? Nós temos visitas. Zayn, Liam e o filho deles.’' 

 

‘’O tio Zayn que desaparece do nada?’' Andie perguntou, provavelmente reconhecendo o nome das histórias que Louis contava.

 

‘’O próprio.’' Harry riu, observando as crianças o seguirem até o interior da casa. ‘Andrômeda, Narciso, conheçam Zayn, Liam e Baz.’’ O elfo disse, enquanto sentava novamente.

 

‘’Oi!’’ Andrômeda abriu o seu sorriso mais angelical, mas que os pais dela sabiam que significava que ela já estava planejando alguma pegadinha para aprontar com as visitas. 

 

‘’Então, eu sei que a situação parece ser muito estranha…’' Zayn começou e Liam completou, naquela mania esquisita dos dois: ‘’Mas há uns três dias atrás aconteceu um-‘'

 

‘’Oi…’' Harry e Louis ouviram Narciso cumprimentar, mesmo sabendo que Baz não iria conseguir entender ele. Esse era o nível de gentileza do filhotinho deles. Harry realmente queria que ele conseguisse se comunicar com a irmã logo. 

 

‘’Oi!’' O menino sorriu, ainda um pouco envergonhado por estar ao redor de tantas pessoas novas. 

 

Andrômeda deu um pulo, assustando todo mundo.

 

‘’Que isso?!’' Ela gritou. 

 

‘’Isso o quê?’' Louis perguntou, já esperando a menina soltar a resposta que tinha na ponta da língua: chouriço.

 

‘’Eu…’' Ela franziu o rosto e depois fez um sinal com a mão, indicando que eles se esquecessem do assunto. Quando ela voltou a atenção para a nova criança no cômodo, Harry e Louis decidiram que aquilo era um assunto encerrado e olharam para o outro casal, esperando eles terminarem a narrativa. Tomlinson se inclinou para pegar a chaleira, para se servir de mais chá. 

 

‘’Como eu ia dizendo, há três dias acontec-‘'

 

‘’Olha, papai!’' Andrômeda interrompeu novamente e Harry já estava pronto para dar uma bronca nela por interromper alguém falando duas vezes, mas os acontecimentos seguintes foram o suficiente para instalar um silêncio generalizado: ‘’O Baz tem um colar igual o meu e o seu! Na verdade, parece mais com o seu do que com o meu… por que só o meu que não tem cor, mesmo?’' Ela levantou o pingente que segurava, quase enforcando Basil no processo, tamanha a excitação. 

 

Harry e Louis piscaram diversas vezes para o que viam, o cérebro deles declarando estado de pane geral. Andrômeda continuava falando alguma coisa mas, fora isso, o cômodo estava em um silêncio quase fúnebre.

 

Bastou que Louis derrubasse a chaleira que segurava para todos voltarem à realidade.

 

‘’Bem, é isso que estávamos tentando explicar.’' Zayn deu de ombros. ‘’Acreditem, nossa reação foi parecida quando percebemos que conhecíamos um tom de azul parecido com esse de algum lugar.’' 

 

‘’Narciso- você pode, por favor, falar alguma coisa?’' 

 

‘’Como assim, ‘da?’' 

 

‘’Basil… Você conseguiu entender o que o Narciso disse?’' Louis perguntou, esperando que o menino respondesse. Os grandes olhos liláses dele pareciam duas vezes maiores quando ele confirmou. ‘’Então… É isso?’' 

 

‘’Mais de vinte anos, Louis!’' Harry gritou, em seguida. ‘’Esse foi o tempo que eu esperei! Eu sinceramente não ‘tô acreditando.’’ Exclamou e Louis riu baixinho da maneira do marido de lidar com as boas novas. Em seguida,  ouviram o lamento queixoso de um dos bebês e Harry levantou com pressa, apontando um dedo para Louis indicando que ele tinha mais a dizer, mas que tinha outras prioridades no momento.

 

‘’Porque vocês tão olhando ‘pra mim? E o papai ‘tava bravo… Eu fiz alguma coisa errada?’' Narciso perguntou, olhando para Tomlinson, buscando alguma indicação do que estava acontecendo. ‘’Quando a chaleira caiu, ‘da… Não fui eu, eu prometo!’' 

 

‘’O seu pai não estava bravo, Nars. Não com você, pelo menos.’' Louis riu baixinho. ‘’E, pelo que parece, encontramos a sua alma gêmea. Yay!’' 

 

O filhotinho deu meia volta, olhando para Baz e parecendo se dar conta. Então, ele correu até Louis e tentou se esconder atrás do pai, tímido. 

 

‘’Então é por isso que eu achei que o Baz tinha falado oi para o Nars aquela hora!’' Andrômeda exclamou, arregalando os olhos verde-floresta. ‘’Eu bem que suspeitei!’’ Ela sorriu mas seu sorriso caiu imediatamente. ‘’Vocês… Não vão se beijar igual nossos papais, né?’' Perguntou e Louis ouviu Narciso guinchar de seu esconderijo, parecendo tentar se esconder mais ainda entre as pernas do Louis.

 

‘’Não. Nope. E nananinanão.’' Ouviram Harry dizer, enquanto voltava carregando um dos bebês, que Louis logo reconheceu como Leon, por causa de seus olhos, um verde e outro azul: o melhor dos dois mundos. ‘’Sem beijos para as crianças.’’ Apontou para Baz e, em seguida, para Narciso. ‘’Criança tem que brincar. E vocês vão brincar. Até os vinte anos. Depois a gente conversa sobre beijos. E a senhorita inclusa.’' Apontou para Andrômeda.

 

‘’Eu vou brincar para sempre!’' Ela exclamou, indignada com a acusação de que, logo ela, quisesse algo do tipo. ‘’Eu sou uma alma livre! Não preciso de almas gêm-‘'

 

‘’Louis William Tomlinson-Styles,’' Harry se virou, apontando para o marido.

 

‘’Eu juro que eu não disse nada sobre o meu passado. Eu não sei nem de onde ela tirou isso.’’ Ele levantou as mãos, pedindo paz. Aproveitou o guincho inicial do choro de Amora no outro quarto para levantar e correr até o quarto para pegar a pequena, que já o esperava com os braços estendidos, os olhos castanhos tentando ver tudo ao mesmo tempo. 

  

Quando Louis voltou, ele parou um minuto na soleira da porta, observando o caos que sua casa havia se tornado. Bem, a realidade é que desde o momento que eles decidiram adotar raposas, aquilo era um caos, mas agora, com seus quatro filhos e sua nova família estendida,  ele pensou que as coisas seriam bem mais interessantes agora. 

 

Mais tarde, quando todas as crianças já estavam dormindo, os adultos sentaram para dividir canecas de hidromel e conversar sobre como seria dali para frente. Eles estavam extremamente felizes ao saber que as famílias deles agora tinham uma conexão e que Baz e Nars tinham perdido a vergonha um do outro no decorrer do dia e até concordaram em brincar de esconde-esconde com Andie. Eles decidiram que a família Payne-Malik passaria o verão ali, pelo menos para as crianças se conhecerem melhor e que, dali para frente, eles se revezariam entre visitas, porque eles realmente esperavam poder criar os filhos juntos. 

 

Naquela mesma noite, vagamente afetado pelo álcool, Harry deitou a cabeça no peito de Louis e perguntou:

 

‘’A cor do pingente só se revela quando o unicórnio precisa de amor, Louis. Eu não consegui parar de pensar nisso a tarde inteira. Nós falhamos com nosso filho, Lou e…’' Ele parou de falar para soluçar, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto, pingando quentes no corpo de Louis. ‘’Nós falhamos.’' 

 

‘’Ela também se revela quando o unicórnio está pronto para amar, Haz. E,’' Ele estendeu a mão para limpar o rastro deixado pelas lágrimas. ‘’Eu realmente acredito que esse seja o caso. Nosso filho tem um coração tão grande. Igual você, Hazza. Ele puxou isso de você e eu sei que você esteve pronto pra conhecer sua alma gêmea desde antes de você entender direito como essa história toda de almas gêmeas funcionava…’' Falou, fazendo Harry abrir um sorriso porque, sim, era verdade que o Harry de apenas quatro anos andava olhando para o seu colar, na espera de que a cor dele mudaria apenas com a força de seu desejo. ‘’E eu sei que eu fui um caso complicado mas… não vê isso pelo lado ruim, por favor…’’ Inclinou, beijando as bochechas do elfo, vermelhas por causa do choro. 

 

‘’É que… Nós tivemos ele e a Andie tão perto um do outro e, às vezes ela dá tanto trabalho que eu acho que eu estou negligenciando ele… E tem os bebês agora…’’ 

 

‘’Harry, eu viajo com ele uma vez a cada ciclo lunar. São horas conversando com o nosso filho. Eu sei que você não teve muitas oportunidades de ter esses momentos com ele mas- já sei. Na próxima vez, você quem vai levar ele para o treinamento. Você verá que ele é uma criança perfeitamente saudável. Apaixonado por plantas e pela vida. Um mini Harry Styles, só que sem a parte de ser tagarela.’’ Riu, enrolando o dedo em uma mecha do cabelo do marido. 

 

‘’Você acha?’' Perguntou, ainda com resquícios de insegurança. 

 

‘’Lógico que sim, Harry. Nós estamos criando crianças maravilhosas. É claro que um dia eles vão virar adolescentes e nos culpar por todos os problemas que eles vierem a ter, mas faz parte, eu acho.’' Deu de ombros e Styles riu, sem acreditar no quão bobo era o seu marido. E maravilhoso. Não resistiu, esticando o corpo para dar um beijo naquele ser maravilhoso que era a primeira coisa que ele via todos os dias ao acordar e a última, antes de dormir. 

 

Os dias quentes se arrastaram entre banhos de rio, horas de descanso ao Sol e o constante barulho de crianças pela casa. Os adultos dividiam suas atenções entre as crianças e simplesmente aproveitarem as companhias um dos outros, sabendo que a estadia na casa dos Styles-Tomlinson estava com os dias contados. Harry tentava não espionar muito a vida do filho, mas era impossível quando ele próprio era um romântico nato. E, considerando que Zayn e Liam tinham hábitos noturnos e dormiam por maior parte do dia, Louis era o único que podia impedi-lo. E, mesmo assim, Harry sabia de todas as maneiras de dissuadir Louis de algo. 

 

Era simplesmente adorável ver Baz e Narciso vagando pelo jardim, tagarelando sobre plantas e constelações. Ver o filho tão confortável com alguém realmente tranquilizava o coração do pai e, quando ele viu eles passarem a tarde fazendo coroas de flores, ele tinha certeza que o coração dele ia explodir. Narciso continuava silencioso mas - agora ele tinha alguém que apreciava o silêncio ao seu lado. Ele notou que a mesma dinâmica acontecia entre Zayn e Liam, os dois aproveitando a companhia um do outro, poucas palavras pairando no ar.

 

Até que um dia, Narciso desapareceu. 

 

Louis estava ocupado alimentando os bebês, Zayn e Liam estavam dormindo e Harry estava ocupado tentando acertar a massa do pão de batatas. Sinceramente, ele não sabia como sua mãe fazia aquilo tão bem. As raposas corriam por todos os lados, enquanto Andrômeda estava sentada no canto da cozinha, emburrada após ter sido colocada de castigo por colocar fogo no quintal - graças à Deusa, Louis encontrou ela antes que algum acidente acontecesse. Harry não acreditava na violência como método de educar os filhos e sim, em uma boa conversa e depois, deixar a filha sentada, refletindo sobre a sua atitude. Porém, quando ele colocava Andrômeda no canto de algum cômodo e tinha que ouvir ela reclamar por minutos a fio, ele tinha quase certeza que o castigo era para ele. 

 

Ele tinha checado Narciso e Baz há pouco tempo, vendo os meninos recolhendo as pedrinhas que achavam bonitas na beira do rio, quando resolveu fazer pão. Quando achou que a massa estava suficientemente parecida com a de sua mãe, colocou tudo em uma forma e foi para o quintal, colocar no forno. Olhou para o rio, vendo Baz sentado com os pés dentro da água, uma pilha de pedrinhas ao seu lado e o Sol destacando a bela cor oliva de sua pele. Ele e Narciso tinham aquela coisa só deles de ficarem sentados por horas a fio no Sol do fim da tarde. Basil notou que estava sendo observado e olhou na direção de Harry, abrindo um sorriso para o elfo, que devolveu o sorriso e procurou ao redor, para ver se encontrava o filho. Resolveu dar a volta na casa e olhar no jardim, em busca de Narciso.

 

 Apesar de saber que ele provavelmente estava por ali em algum lugar, a noite em que um Kelpie tentou levar seus filhos ainda estava bem viva na memória de Harry, então ele não podia deixar de se sentir ansioso com a situação.

 

‘’Andrômeda, você viu se o seu irmão entrou em casa enquanto eu estava lá fora?’' Perguntou, entrando dentro de casa e recebendo um olhar semi-cerrado da menina, que parecia ter resolvido entrar em modo silêncio. Logo quando Harry precisava que ela falasse. Ele já sentia as mãos começarem a tremer. ‘’A-Andie, por favor.’' 

 

‘’Não, eu não vi ninguém entrar.’' Ela resmungou, ansiosa para sair logo daquela cadeira. Styles dispensou-a com um sinal de mão e ela sorriu, pulando de onde estava sentada e correndo para fora, feliz em finalmente estar livre. 

 

‘’O que aconteceu?’' Louis perguntou, percebendo a inquietação de Harry e dando um jeito de segurar os dois bebês em seus braços - o que era uma proeza e tanto, considerando que já tinham mais de seis ciclos lunares. 

 

‘’Eu não ‘tô conseguindo encontrar-‘’ Falou, sendo interrompido pelas raposas e Andrômedas correndo pela cozinha, quase derrubando Louis com as crianças.

 

‘’Desculpa!’' Ela gritou, antes de voltar a correr. 

 

‘’Eu não tô conseguindo encontrar o nosso filho e essa bagunça não está ajudando!’’ Grunhiu.

 

‘’Calma, Haz. Você perguntou para o Baz se ele sabe onde ele está?’' Perguntou e Harry abriu a boca, ficando em silêncio. Como que ele não tinha pensado naquilo antes? Era tão… óbvio.

 

Correu até a margem do rio, vendo o menino separando as pedrinhas por cores, os cabelos pretos caindo sobre o rosto. 

 

‘’ Baz, você viu onde o Narciso foi?’’ 

 

‘’Eu disse que estava com fome e ele foi pegar alguma coisa para a gente comer…’’ Respondeu e a mente de Harry entrou num frenesi de pânico, com medo do menino ter sentido o cheiro de pão assando e ter ido tentar pegar um pedaço no forno. Enquanto corria até o forno, sentiu a mão de Louis em seu bíceps, parando-o. 

 

‘’Ei, Harry, ei, calma… O que o Basil disse?’' 

 

‘’Que ele foi buscar alguma coisa para eles comerem.’' Respondeu, tragando ar com dificuldade após ter corrido. Andrômeda ainda continuava fazendo folias e ele só queria ter a capacidade de parar todo o mundo, se isso tornasse mais fácil achar o filho. ‘’E se ele foi mexer no forno? Lou, me solta, deixa eu ver.’' 

 

‘’Ele não está lá, eu dei a volta pela casa e a única coisa que vi foi Baz tentando escalar a mangueira.’' 

‘’Mas ele está na beira do rio, não tem como ele ter andado tão rápido, a menos que ele tenha poderes iguais os do pai… E mesmo assim, os poderes de Zayn só funcionam durante a noite.’’ Disse e os dois franziram o cenho com isso, Louis finalmente soltando o bíceps de Harry e indo com ele até o pomar. 

 

Como descrito por Tomlinson, realmente havia um menininho tentando derrubar as mangas com uma vara, de costas para os dois. O elfo estava pronto para andar até Baz e perguntar como que ele tinha andado tão rápido, quando ele notou que aquele menino era, definitivamente, mais alto e menos magro que o filho dos Payne-Malik. O menino finalmente conseguiu pegar uma das frutas e correu até onde ela havia caído, parecendo notar que estava sendo observado e virando-se para Harry e Louis, segurando a fruta como se ela fosse preciosa.

 

‘’Oi pai, oi ‘da!’' Ele gritou, antes de sair correndo na direção do rio.

 

‘’Louis-‘'

 

‘’Harry-‘' 

 

O casal parou por um instante, olhando um para o outro, atônitos. 

 

‘’Você não reconheceu o nosso próprio filho, Louis.’’ Styles disse, assim que um pouco do choque passou.

 

‘’Em minha defesa, eu nem sabia que ele podia virar humano. E eles tem quase a mesma cor de cabelo.’' O humano respondeu e Harry revirou os olhos, correndo para observar o filho em sua forma humana pela primeira vez. 

 

Vendo as duas crianças sentadas na beira do rio, dividindo a manga, era compreensível a confusão de Louis, levando-se em conta que eles jamais esperariam ver o filho como humano, pelo menos, não tão cedo. Agora que eles estavam observando com mais atenção, porém, eram notáveis as diferenças, mesmo com os dois garotos de costas. A pele de Narciso era bem mais clara e- ele era incrível demais para Harry sequer acreditar que ele e Louis tinham feito aquela criaturinha com o seu amor. Ele tinha aquele tipo de cabelo ondulado e volumoso que dava vontade imediata de passar as mãos até bagunçar, as mechas escuras de seu cabelo agindo como um contraste em sua pele pálida. 

 

‘’Narciso?’' Harry chamou, vendo a criança se virar com um sorriso largo, como se soubesse exatamente a confusão que havia acabado de criar. Styles já sabia que os olhos dele eram azuis como os de Louis, mas ver todo o seu complexo facial, aquele rostinho infantil - ver tudo aquilo e acreditar que ele quem tinha feito- era muito para seu pobre coração. 

 

‘’Eu acho que nós não deveríamos para nunca de fazer filhos.’' Ouviu a voz de Louis, que passou um braço por sua cintura e deitou a cabeça em seu ombro, os dois aproveitando aquele momento para apenas observar os meninos. 

 

‘’Desde quando, Nars? Desde quand-‘' 

 

‘’Ontem!’' Baz respondeu, parecendo animado. ‘’Eu estava tentando ver se ele tinha cosquinha, mas ele não tinha. Aí ele começou a fazer cócegas em mim com a crina… E quando abri os olhos, ele estava lá. Ele é tão lindo, não é, titio Haz?’' Perguntou, as bochechas rosadas. Harry sorriu com a inocência do pequeno.

 

‘’É, ele é.’' Procurou a mão de Louis, entrelaçando-as.

 

E quando, no último dia de verão, Zayn e Liam arrumavam as coisas para ir embora, ele não pode deixar de sentir orgulho. Orgulho, porque tanta coisa havia mudado naquele verão: ele ganhou três pessoas novas em sua família, ele viu seu filho se desenvolver tanto em tão pouco tempo, ajudou Andrômeda aprender a ler, ajudou Louis a aprender a ler; viu os gêmeos começarem a engatinhar e, por mais que já tivesse experienciado aquilo outras duas vezes, ele nunca ia deixar de ficar admirando os novos aprendizados de seus filhos como o pai bobão que ele era. 

 

E, quando ele, o marido e o casal de amigos pararam para observar as crianças brincando no quintal, um sentimento de saudades antecipadas pairando sobre todos, no que eles sabiam que seria a última tarde que seus filhos se veriam em um bom tempo, pelo menos até depois do festival das ninfas na próxima estação, que as duas famílias combinaram de irem juntas. 

 

Narciso e Baz estavam deitados no gramado, o Sol de fim de verão contra seus corpos. Harry tinha quase certeza que Baz estava adormecido, enquanto Narciso se ocupava em colocar Jacintos liláses por todo o cabelo de Basil. Harry se lembrava bem de ouvir Narciso contar para Louis que Jacintos eram suas flores preferidas agora porque tinham a mesma cor que os olhos de Baz. 

 

Até que Andrômeda entrou em ação, correndo enquanto carregava um balde cheio de água, pronta para jogar água nos dois e quebrar o silêncio. Todos ficaram apreensivos por alguns segundos, até notarem que a água desviou e acabou voltando para a própria garota. 

 

‘’Bem, acho que tudo está em seus conformes.’' Harry ouviu Louis murmurar, referindo-se ao fato de Narciso continuar sendo o filhotinho pacífico de sempre e Andrômeda continuar com suas travessuras. 

 

‘’Não acorda o Baz, Andie.’' Pediu, enquanto mostrava a língua para a irmã e tentava não rir dela encharcada. 

 

‘’Vocês são nojentos!’' Ela gritou, desistindo de importunar os dois e sentando ao lado deles, mostrando a língua de volta para o irmão. 

Sentiu dois pares de mãozinhas alcançarem suas pernas e olhou para baixo, vendo Amora e Leo olhando para eles, tendo engatinhado até lá. Abaixou e pegou o filho, enquanto Louis fazia o mesmo com a Amora. Eles riram da sincronia de seus movimentos, como se eles estivessem se espelhando. Louis o abraçou com o braço livre e Harry aproveitou para encostar a cabeça na do marido, sentindo Leo brincar com as flores em sua trança.

 

E aquilo era tudo que ele sempre desejou: uma casa cheia, com crianças saudáveis, animais correndo por todos os lado, flores rodeando-os. A cena se assemelhava a um mini caos, mas ele não trocaria aquilo por nada no mundo.

 

Porque Harry sabia que envelhecer ao lado de Louis seria uma aventura incrível. 

 



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