História The contract - Capítulo 20


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Categorias Alessia Cara, Austin Mahone, Camila Cabello, Demi Lovato, Fifth Harmony, Harry Styles, Justin Bieber, Nick Jonas, Selena Gomez, Zayn Malik
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila G!p, Camren, Camren G!p, Dinah G!p, Norminah, Norminah G!p
Visualizações 954
Palavras 3.470
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


2/4

Capítulo 20 - Dezenove


Eu não sabia o que fazer depois da conversa com Lauren. Suas palavras ficaram ecoando em minha cabeça, fazendo-me questionar as verdades às quais eu me segurei por todos esses anos. Eu me senti drenada, e precisava parar essa onda de pensamentos, então mudei isso, indo para a academia. Malhei pesado, tomei banho, depois segui para meu quarto. Esperava que Lauren se aproximasse de mim querendo continuar a conversa, o que eu esperava evitar, mas ela estava ocupada na cozinha, sem fazer esforço para olhar para mim conforme passei.

Na minha escrivaninha, havia um prato de sanduíches e uma garrafa térmica com café. Encarei a situação por um instante, depois, dando de ombros, perdi-me nos arquivos que trouxera para casa. Só no começo da noite que a vi de novo.

— O jantar está pronto, se estiver com fome.

Olhei para cima, apertando os olhos.

— Camila, você precisa de um pouco de luz. — Ela cruzou a sala, acendendo o abajur da minha escrivaninha. Ela balançou a cabeça. — E talvez óculos. Estive reparando em como você segura as coisas perto do rosto quando lê — olhei para baixo, percebendo que ela tinha razão.

— Vou marcar uma consulta para você — ela ofereceu, com um sorriso nos lábios. — Duvido que isso esteja na lista de tarefas de sua assistente.

Tive de rir, mesmo enquanto virava os olhos para cima. Quando me encontrei com Selena na sexta, listando todas minhas expectativas, ela me surpreendeu com sua própria lista. As assistentes pessoais no Grupo Hansen eram totalmente diferentes da Malik Inc. Ela estava lá para me dar apoio, manter-me organizada e até, de vez em quando, providenciar meu almoço, mas não estava lá para me fazer café, torrar um bagel ou pegar minha roupa na lavanderia. Dizer que fui colocada no meu lugar era apelido.

Ela foi gentil o suficiente para me mostrar o lounge enorme dos funcionários, como usar a máquina de café e onde encontrar os bagels e outras comidas que Dinah mantinha para sua equipe.

Lauren teve de sair para esconder a risada quando eu lhe contei essa história.

— Não é engraçado! — gritei para ela.

— Ah, é, sim. — Sua resposta seca veio do fim do corredor.

Tinha de admitir que ela estava certa. Pensando bem, não me matou ter de levantar e pegar um café. Era uma boa forma de esticar as pernas. Eu tinha uma sensação de que Selena seria muito econômica com o cream cheese no meu bagel, de qualquer forma. Lauren sempre o empilhava do jeito que eu gostava.

— Cristo, estou ficando velha — resmunguei. — Óculos de leitura.

Ela riu.

— Sim, trinta e dois é anciã. Você ficará bem. Tenho certeza de que vai fazê-los ficarem bonitos em você.

Ergui minha sobrancelha equivocada para ela.

— Ah, é? Está dizendo que vou ficar ainda mais sexy com óculos?

— Não estou dizendo nada. Seu ego é grande o suficiente. O jantar está na cozinha se quiser.

Com uma gargalhada, apaguei a luz, seguindo-a para a cozinha, ainda desconfiada. Algumas das minhas lembranças mais nítidas da infância eram as discussões constantes de meus pais. Minha mãe era como um cachorro com um osso, recusando-se a ceder um centímetro. Ela iria reclamar alguma coisa com meu pai, que, normalmente, explodiria. Eu estava preocupada que Lauren tentasse tocar no assunto de nossa conversa, mas ela não disse nada. Em vez disso, quando estávamos comendo, ela empurrou uma cor de tinta em minha direção.

— O que acha?

Analisei a cor esverdeada

— Um pouco feminina para meu gosto.

— É para o meu quarto.

— Se você gosta, vá em frente.

Ela me deu outra, e eu peguei. O tom de vermelho-escuro era forte e vibrante. Eu gostei.

— Para onde?

— Pensei em volta da lareira. Para ancorar a sala.

Ancorar a sala? O que será que isso significava?

— Só uma parede?

— Pensei em pintar as outras com um creme escuro.

Eu poderia viver assim.

— Tudo bem.

Uma série de tecidos apareceu em seguida. Era tweed com a mesma cor vermelho-escura queimada e o marrom-escuro dos sofás.

— Para que é isso?

— Algumas cadeiras para a sala.

— Eu gosto da minha mobília.

— Eu também. É bem confortável. Pensei em comprar mais; mudar um pouco. Elas ficariam bem ao lado da lareira.

— O que mais?

— Algumas almofadas, alguns outros toques. Nada muito grande.

— Nenhum babadinho ou coisa de menininha aqui. Faça o que quiser no seu quarto.

Ela sorriu.

— Nada de menininha. Juro.

— Quem vai pintar?

— O quê?

— Quem você contratou?

— Eu vou fazer.

— Não.

— Por quê?

Virei-me na cadeira, indicando o espaço grande.

— Essas paredes têm três metros e meio, Lauren. Não quero que fique na escada.

— Meu quarto tem a altura normal de teto. Eu gosto de pintar. Annie e eu fazíamos isso juntas, e sou muito boa.

Bati no topo do balcão com uma das paletas de tinta. Como eu poderia fazê-la entender que ela não precisava mais fazer essas coisas?

Mantive minha voz paciente ao tentar de novo.

— Você não precisa pintar. Vou pagar para que o façam.

— Mas gosto de fazer. Serei cuidadosa.

— Vou fazer um acordo com você. Pinte seu quarto, e vamos discutir a sala quando for a hora.

— Ok.

Outra série de tecido chamou minha atenção. Inclinando-me, peguei-a, sentindo sua grossura. Azulmarinho e verde brilhante xadrez em um fundo elegante. Segurei no ar, analisando. Não parecia para nenhum dos cômodos.

— Você gosta desse?

— Gosto. É impressionante. Para onde é?

Ela olhou para baixo, para a mesa, a cor se espalhando e tingindo sua pele.

— O quê?

— Pensei que talvez quisesse pintar seu quarto quando eu terminar os outros. Vi e me lembrei de você.

— Eu combino com xadrez?

— Não — ela respondeu com uma risadinha. — As cores, elas combinam com seus olhos... é uma combinação tão bonita.

Eu não tinha resposta, mas, por algum motivo, senti que era eu que estava ruborizando agora.

Empurrei as cores para ela e me levantei.

— Vamos ver como o resto se desenrola. Mais alguma coisa?

— Eu, ahn, preciso colocar minhas roupas no closet. Não quero que caia tinta nelas.

— Meu closet é enorme. Não uso nem metade dele. Pendure suas coisas lá. Há uns cabides bem altos...seus vestidos caberão lá.

— Você não se importa?

— Tudo bem.

— Obrigada.

Inclinei minha cabeça e voltei para o quarto. Repassei a conversa em minha mente, rindo quando percebi o quanto tudo parecia tão doméstico. Discutir cores de tinta e tecido no jantar com minha esposa.

Eu deveria ter odiado.

Mesmo assim, de alguma forma, não o fiz.

✨✨✨

O trovão soou e as nuvens estavam baixas e pesadas. Virei minha cadeira, olhando para fora no céu

escuro do fim da tarde. Fazendo uma careta, esfreguei minha nuca, reconhecendo os sinais de uma dor de cabeça. Elas eram raras, mas eu conhecia bem como começavam — a tempestade inesperada era o fato determinante.

O escritório estava tranquilo naquela tarde, o barulho normal da atividade estava ausente. Wilmer partira em uma viagem de última hora, Nick estava com clientes e Demi estava fora. Dinah havia pego Normani — para lhe fazer uma surpresa no fim de semana, e o resto dos funcionários estavam ocupados em suas próprias salas.

No tempo em que estive com o Grupo Hansen, descobri uma atmosfera completamente nova no mundo dos negócios. A energia antes era alta, o lugar era cheio de vozes, reuniões e estratégias, mas era um tipo diferente de energia da Malik Inc. Era positivo, quase aconchegante. Como Dinah me disse, eles trabalhavam juntos como uma equipe: administradores, assistentes pessoais, designers — todos envolvidos e tratados igualmente. Selena era uma peça tão importante quanto eu era. Demorou para eu me acostumar, mas estava começando a me sentir em casa.

Com um suspiro, percebi que estava me acostumando em outras áreas. Antes de Lauren, eu trabalhava até tarde, ia a muitos jantares de negócios e saía com um monte de mulheres. Quando eu estava no apartamento, usava a academia, assistia a um programa de TV e entrava na cozinha só para pegar um café ou um prato para o jantar pedido fora. Do contrário, passaria o tempo no escritório trabalhando ou lendo. Raramente tinha companhia; e era raro levar uma mulher para casa. Meu apartamento era meu espaço privado. Se precisasse, ou iria à casa da mulher ou reservava um quarto de hotel. As raras vezes que meus relacionamentos duraram mais do que alguns encontros, eu as convidava para jantar, mas elas iam para casa no fim da noite, e nunca subiram as escadas.

Agora, nos jantares de negócios aos quais eu ia, Katharine estava ao meu lado e a mesa cheia de colegas, suas esposas e, é claro, a família de Dinah.

Em um jantar, eu olhei para cima, encontrando o olhar congelante de Zayn do outro lado da sala.

Eu sabia que Zayn soubera de meu casamento, e meu nome não poderia ser falado nos corredores assombrados da Malik Inc. Achei sua raiva divertida. Apertei minha mão no ombro de Lauren, fazendo-a olhar para mim.

— O quê? — ela sussurrou.

— Zayn — murmurei.

Ela olhou-o de lado, virando-se para mim.

— Acho que preciso de um beijo agora.

— Você leu minha mente.

Com um sorriso maléfico, baixei minha cabeça. Os dedos dela se enfiaram na parte de trás do meu cabelo conforme ela me levou para mais perto, pressionando a boca na minha. Foi duro, profundo e curto demais; o suficiente para deixar Zayn mais bravo, mas não para envergonhar Dinah. Quando nos separamos, Demi estava rindo, e Zayn estava seguindo para a saída. Beijei mais uma vez Lauren.

— Muito bem.

Na maioria das noites, eu jantava com Lauren e me via conversando sobre meu dia, compartilhando projetos com ela, querendo ouvir seus pensamentos. Ela me conhecia melhor que qualquer um no escritório, e normalmente dava uma palavra ou um conceito no qual eu não tinha pensado. Em vez de ficar no escritório, eu normalmente levava meu laptop para a sala, trabalhando enquanto ela assistia à TV ou lia. Descobri que gostava de sua companhia silenciosa.

Convidamos Wilmer e Demi para jantar duas vezes, usando a nova mesa que agora ficava no espaço antes vazio. Lauren me assegurou que era uma coisa que um casal normal fazia — socializavam com outros casais. Descobri um lado dela muito competitivo quando Demi anunciou que trouxera alguns jogos de tabuleiro para depois do jantar. Virei meus olhos para cima ao pensar na noite dos jogos e sobre o fato de eu ter gostado da camaradagem. Wilmer e eu acabamos com elas no Trivial Pursuit, mas elas nos deixaram no chinelo no Pictionary e Scrabble. Depois de algumas taças de vinho, Lauren ficou desbocada e gostava de falar palavrão, o que eu achava bem engraçado. Fez-me lembrar de Annie.

Agora eu havia tido quatro encontros com Annie enquanto Lauren ia para a ioga. Ela ficou surpresa em me ver na primeira terça-feira, mas, assim que tirei os bombons de cereja cobertos com chocolate que Lauren me disse que ela amava, fui bem-vinda. O trio de jazz era surpreendentemente bom, e nós duas curtimos a música antes de voltar para o quarto dela a fim de tomar chá e conversar. Eu gostava de ouvila falar e escutar as lembranças que ela gostava de contar para mim. Ela deixava algumas dicas escaparem sobre ela e Lauren, que eu podia guardar para referência futura. Na quinta seguinte, escapei para voltar lá e vê-la no almoço, dando-lhe um cheeseburger que ela confessou estar desejando. Nossos dois encontros seguintes foram para prestigiar grupos locais, e saímos mais cedo para tomar chá, ouvir mais histórias de Lauren e comer qualquer besteira que eu tivesse trazido para ela naquele dia.

Na terça anterior, havia sido um grupo clássico, mas ela estava inquieta e ansiosa, e muito mais esquecida. Na metade do caminho, eu a levei de volta para seu quarto, torcendo para que o ambiente familiar a confortasse. Ela se acalmou um pouco, mas ainda parecia chateada. Quando procurei Tami, ela me disse que isso estava acontecendo cada vez mais com frequência e, geralmente, Lauren tentava acalmá-la. Eu liguei para ela, e ela foi até o asilo, saindo de sua aula de ioga imediatamente. Quando ela chegou, Annie estava dormindo na cadeira, acordou quando ouviu a voz de Lauren.

— Oh, minha Laur! Eu estava te procurando!

— Estou bem aqui, Annie. Camila me ligou.

— Quem?

— Camila.

Apareci por trás de Lauren.

— Olá.

Ela franziu o cenho.

— Eu te conheço?

Senti uma ferida pequena em meu coração aberto, mas ergui a mão.

— Sou um amiga de Lauren.

— Oh. É um prazer conhecê-la. Quero um tempo com minha filha, se nos der licença.

Levantei-me.

— É claro.

Lauren sorriu triste.

— Te vejo mais tarde.

Embora eu soubesse que isso fazia parte da doença, incomodou-me ao ponto de voltar lá para ver Annie no dia seguinte. Comprei um buquê de suas flores favoritas — margaridas — e a presenteei com uma reverência. Seus olhos escuros brilharam em suas bochechas gorduchas e ela deixou eu dar um beijo em sua pele aveludada.

— Eu vejo por que Laur é tão ligada a você, Camila.

— Ela é? Bom, sou charmosa. — Sorri para ela, aliviada.

Ela apertou os lábios.

— Acho que é mais do que isso.

Ignorando suas palavras, fiquei até ela dormir. Saí mais calma, de alguma forma. Se me deixava chateada o fato de ela não me reconhecer, pude imaginar o quanto aquilo afetava Lauren.

Fiquei intrigadA por que aquilo me preocupava. No entanto, ficara preocupada. Decidi que precisava começar a marcar de visitar mais vezes com Lauren, além das visitas sozinha.

Voltei para o arquivo diante de mim. A campanha da Kenner Footwear que eu tinha palpitado para Dinah havia sido um grande entusiasmo pelo cliente, e eu ainda estava trabalhando em todos os conceitos diferentes. Massageei minha têmpora, desejando poder me concentrar mais. Quando falei com Dinah ao telefone mais cedo, ela me disse para sair mais cedo, e fechei o arquivo, desligando meu laptop. Talvez eu aceitasse sua oferta. Poderia ir para casa e ver quais mudanças foram feitas naquele dia

— ver o que minha esposa estava aprontando.

Minha esposa.

Lauren.

De alguma forma, desde que trocamos os votos, permanecemos em uma trégua não combinada. As coisas que eu sempre achei irritante não me incomodavam mais. Talvez fosse porque eu entendia de onde vinham. Talvez eu fosse mais paciente porque ela me entendia. Entre nossas conversas, Annie, ioga, tinta, jantares e jogos, nós nos tornamos... aliados. Talvez até amigos. Tínhamos um objetivo comum e, em vez de ficarmos brigando e discutindo, quase nos ajustamos em uma vida juntos. Eu sabia que minha língua era afiada. O que antes era maldoso, agora era brincadeira. Eu gostava de ouvi-la rir. Ficava ansiosa para compartilhar meu dia com ela. Quando ela estava triste por um dia ruim com Annie, eu queria animá-la. Eu a levara para jantar algumas vezes, simplesmente para ela se arrumar e se divertir.

Eu me vi querendo ser carinhosa com ela. Parecia natural dar as mãos, beijar sua testa ou seus lábios

— e nem sempre quando estávamos em público. Ela frequentemente beijava minha cabeça quando ia para seu quarto, e havia vezes em que eu a abraçava ou beijava suas faces em agradecimento pelo jantar ou para dizer boa-noite. Eram ações sem pensar — tudo fazia parte de estar com ela agora.

Talvez naquela noite, eu a surpreendesse. Sugerisse para sairmos se ela quisesse. Poderíamos passar e visitar Annie, e levar algum doce que ela amasse — ou poderíamos pedir comida. Afinal, eu poderia relaxar, ela poderia assistir a um dos programas que gostava ou poderíamos ver um filme. Talvez uma noite tranquila ajudaria a acalmar minha cabeça.

Eu perguntaria o que ela queria.

Ainda gostava de ver a surpresa e confusão em seu olhar quando eu perguntava o que ela queria.

✨✨✨

Abri a porta, ouvindo vozes e reconheci as duas e sorri. Demi estava lá... de novo.

— Lauren, docinho!

Passos apressados vieram até mim e ela apareceu. Ela estava incomumente acabada. Eu estava acostumada a vê-la calma e fiquei surpresa quando ela envolveu os braços em meu pescoço, puxando-me para perto.

— Você está bem? — murmurei em seu ouvido.

— Demi tem medo de tempestades...Wilmer está fora. Ela perguntou se pode ficar aqui até as tempestades acabarem.

O alerta em suas palavras me atingiu.

— Seu quarto? — perguntei, preocupada.

— Sim.

Recuei.

— Ele está...?

— Todo arrumado, sim.

— Ok.

— E-eu nã-não... — ela balbuciou.

— Está tudo bem.

Andei à frente dela, puxando-a atrás de mim.

— Ei, Demi.

A mulher que eu estava acostumada a ver perambulando, entusiasmada e vibrante estava curvada no canto do sofá, parecendo tudo menos vibrante. Estava pálida e parecia estar morrendo de medo.

— Desculpe, Camila. Tempestades me deixam aterrorizada. Com minhas mães e Wilmer fora, eu não sabia o que fazer. A casa é tão grande quando ele está fora.

Sentei-me ao seu lado e dei um tapinha esquisito em sua perna.

— Está tudo bem. Estou feliz que veio.

— Laur disse que vocês não tinham nenhum plano para eu interromper.

— Não. Na verdade, estou com dor de cabeça. Estava ansiosa para uma noite tranquila em casa. Vamos ficar juntos, ok?!

Ela pegou minha mão com a dela trêmula.

— Obrigada.

Levantei-me.

— Sem problemas. Vou me trocar e tomar um banho.

— Vou te levar um Tylenol — Lauren ofereceu. — Você está pálida, Camila. Tem certeza de que está bem?

— Vai passar. Posso dormir um pouco.

— Vou levar uma compressa fria também.

Passei por ela, parando para dar um beijo de agradecimento em sua cabeça.

— Obrigado... isso vai ajudar.

Lá em cima, fui olhar seu quarto, sem ter visto enquanto ela o estava reformando. Houve uns atrasos

com os móveis que ela encomendou, então o quarto levou mais tempo do que ela tinha planejado, só tendo sido terminado aquela semana. Havia uma mala no chão que eu presumia ser de Jenna. O quarto estava completo, parecendo o que Demi pensaria ser um quarto de hóspedes. Vazio. Não havia nada de Lauren espalhado. Ela tinha adicionado uma prateleira de livro e desfeito algumas de suas caixas, as bugigangas e os livros preenchiam as prateleiras. Uma nova chaise estava no canto, uma mesinha e um abajur ao lado. Algumas das telas de Annie decoravam as paredes. Eu abri as gavetas da cômoda e do closet, vendo que estavam vazias, além de algumas caixas guardadas no closet. A cama estava arrumada com lençóis novos que ela comprara. Estava bem encenado.

Fui para meu quarto e tive de parar por um momento. Lauren estava em todo lugar. Seu robe estava jogado no pé da cama, o vermelho-escuro de seda brilhava na luz. Algumas fotos de Annie e nós estavam espalhados por todo canto. O criado-mudo antes vazio agora tinha livros e um copo com água pela metade. O topo da cômoda tinha seu perfume preferido, vasos e garrafas espalhados. Sem nem olhar, eu sabia que as últimas gavetas da cômoda estavam com suas roupas, e o closet ainda abrigava coisas dela que ela havia planejado trazer para cá nesta semana. No banheiro, sua escova de dentes estava ao lado da minha; seus cremes diários estavam no balcão. Ela deve ter arrumado aquilo como um furacão, para fazer parecer que era seu quarto também.

Ela estava esperando quando saí do banho, segurando a compressa fria e os comprimidos. Ela fechara a porta, dando-nos um pouco de privacidade.

— Quanto tempo você teve? — perguntei, mantendo a voz baixa.

— Uns cinquenta minutos. Um monte dos itens estão nas caixas que eu não tinha aberto. Troquei tudo o mais rápido que consegui quando ela ligou, chorando, perguntando se poderia vir. Ela ligou do celular...Eu lhe disse que estava fora e que chegaria em casa em uma hora. Não sabia como dizer não.

— Você não podia — reconheci.

— Concorda com isso?

Suspirei e ergui minha mão para pegar os comprimidos.

— Está tudo bem. Graças a Deus, é uma cama king-size. Você fica com sua metade e eu fico com a minha. — Sorri. — Você pode ouvir o assobio mais de perto.

Seus olhos ficaram redondos, fazendo-me gargalhar. Ela ficara tão ansiosa em preparar tudo que não pensara no que aconteceria depois. Engolindo os comprimidos, peguei a garrafa de água que ela estava segurando.

— A não ser que, é claro, você queira retomar o tópico de foder ou não foder. Já resistiu por um mês.

Ela me olhou furiosa e não pude resistir e me abaixei e a beijei na boca.

— Pensei nisso, docinho — murmurei contra sua maciez.

Eu estava ficando cansada da minha mão.

Ela colocou as mãos na cintura.

— Duvido que faça sua performance estelar neste momento. Principalmente estando sem prática... e com dor de cabeça.

Sorri ao cair no colchão, gemendo de alívio quando ela colocou a compressa na minha cabeça.

— Eu estaria disposta a me esforçar ao máximo.

Fiquei chocada ao sentir sua boca na minha de novo.

— Vá se foder, Cabello.

Suas palavras não tinham veneno, e minha oferta era brincadeira. Nós dois sabíamos disso e demos risada, o som de nossa diversão baixo no quarto.

— Descanse, venho te chamar para jantar.

Peguei sua mão e a beijei.

— Você está ficando boazinha— ela cochichou, passando a mão por minha cabeça dolorida.

Fechei os olhos e me rendi ao seu toque delicado.

— Tudo culpa sua — resmunguei.

— Eu sei — ela respondeu ao fechar a porta


Notas Finais


Tive que sair, desculpem a demora


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