História The Crown - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Cavaleiros, Época, Gaaino, Konohana, Medieval, Naruhina, Naruto, Nejiten, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 255
Palavras 5.211
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Helloooooo!!!

Trouxe o primeiro capítulo fresquinho para vocês! Obrigada a todos que comentaram no prólogo, fico feliz que estejam tão animadas quanto eu para a história!

Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo I


O Senhor e Senhora do Norte caminhavam pelos corredores do castelo grandioso em que viviam. Kushina havia acabado de ser informada sobre a descoberta das crianças Hyuuga que os nortenhos há tanto procuravam. Minato a guiou para uma passagem secreta do local e logo se encontraram com Jiraya.

- Mestre Jiraya! – A ruiva o cumprimentou. O grisalho tinha manchas de fuligem no rosto e parecia extremamente cansado.

- Kushina. – Ele a cumprimentou com uma curta reverência. – Minato, já decidiu o que faremos? Não podemos manter os três juntos, é arriscado demais. – O loiro assentiu concordando. Jiraya e seu ex-aprendiz eram extremamente perspicazes.

- Quando recebi sua carta, fiz alguns arranjos antes que voltasse. O menino permanecerá conosco, sob a proteção deste castelo. Ele deve receber treinamento em segredo. – Minato disse seriamente. – O bebê será enviado aos Yamanaka. Inoichi concordou em escondê-la como uma camponesa dos campos de flores. Ela estará segura e perto o suficiente para receber socorro, caso necessário.

- Entendo, Senhor. – Jiraya disse, concordando com o plano do Namikaze. – Quem irá escoltar o bebê?

- Kakashi a levará. – O loiro disse. Confiava em seu cavaleiro com sua vida e sabia que o Hatake era o mais confiável para manter a discrição.

- Eu levarei a garota pessoalmente à Kumo. Como eu lhe disse, Minato, não sabemos qual dos três carrega a Vontade do Fogo, ainda é muito cedo para descobrir. – Jiraya disse. O loiro assentiu, Kumo era a único lugar restante em que poderiam esconder a criança sem levantar suspeitas do que planejavam caso encontrassem algum Hyuuga na posse de nortenhos.

- Deixe-me vê-los antes. Eles devem estar assustados e famintos. – Kushina pediu, preocupada com as crianças.

- Não diga seu nome, temos que ser rápidos aqui. – Minato ordenou à sua Senhora, que prontamente assentiu. Jiraya os guiou até as crianças que estavam sentadas numa carroça velha. Kushina levou as mãos à boca, surpresa com o tamanho deles.

- Olá. – Ela disse usando um tom suave, chamando a atenção das duas crianças que ainda estavam acordadas. – Estão com fome? – A menina olhou para o menino, com o rosto coberto de dúvida, mas pousou a mão na barriga, provavelmente sentindo fome pelo longo tempo de viagem. – Não tenham medo, não vou machucá-los. – Kushina disse ainda com o tom de voz amável e sorriu para os três.

O menino assentiu de leve, ainda estudando as belas faces da Senhora do Norte. Kushina era de uma beleza estonteante com seus longos cabelos ruivos e olhos quase violetas, além do sorriso encantador. Ela se aproximou da carroça e viu o bebê dormindo tranquilamente, enrolado em uma manta. Pegou-a no colo, ninando o pequeno corpo nos braços e estendendo uma mão às crianças.

- Como é o seu nome? – Ela perguntou à garota quando segurou sua mão gordinha na dela. Era uma linda menina de cabelos curtos, lisos e tão escuros que chegavam a ser azulados. Kushina se perdeu na imensidão dos olhos prateados da criança, fascinada pela cor límpida e rara. A menina olhou para o menino, estendendo a mão para ele em busca de segurança.

- Hinata é o nome dela. – O menino respondeu. Sentia em seu âmago que a bela Senhora não faria mal a eles.

- E você, querido? – Ela perguntou novamente.

- Neji. E nossa pequena prima é Hanabi. – Ele respondeu, apontando para o bebê nos braços de Kushina.

- Neji, Hinata e Hanabi. São lindos nomes. – A ruiva disse com simpatia. Continuou guiando as crianças até a cozinha já vazia e serviu as crianças de algumas frutas, pães e doces enquanto procurava uma antiga mamadeira de Naruto para alimentar o bebê. Assim que percebeu que Hanabi dormira novamente, levou as crianças de volta ao local em que Minato e Jiraya conversavam junto a Kakashi.

- Querido, eles já comeram e providenciei alguns cobertores extras para a viagem. – Olhou então para Jiraya. – A mais velha se chama Hinata e o bebê, Hanabi. Tome cuidado na estrada. – O grisalho olhou para Kushina sorrindo. A ruiva tinha um grande coração e o acolhera como se fosse o sogro, já que o homem considerava Minato um filho.

- Milady, faremos o trajeto em segurança. Agradeço por sua preocupação. – Jiraya disse. A Namikaze entregou o bebê a Kakashi, enrolada em um cobertor quentinho e trazendo outra mamadeira caso tivesse fome. Jiraya estendeu a mão para a menina, que ainda observava tudo assustada.

- Venha comigo, querida. Vou cuidar de você. – O grisalho disse com gentileza e Hinata estendeu sua mão devagar, guiada até o cavalo do homem. Olhou para Neji uma última vez, achando que talvez o primo fosse junto a outro cavaleiro. Hinata não sabia que aquela seria a última vez em que veria sua irmã e seu primo por um longo tempo.

Kakashi rumou com Hanabi para as terras Yamanaka, precisavam poupar o máximo de tempo para manter a discrição. Jiraya levava Hinata até Kumo, uma pequena cidade entre o norte e o sul conhecida por treinar cavaleiros. Foram dois dias e meio de viagem até lá, o grisalho chegou já solicitando a presença do comandante da escola de cavaleiros, Gai Maito.

- Mestre Jiraya, recebi teu corvo há pouco tempo. – O homem o recebeu na parte mais isolada do castelo. – Disse que era um assunto urgente e recôndito.

- De fato, o é meu amigo. – Jiraya respondeu, olhando para os lados e se certificando de que não havia pessoas a espioná-los.

- Quais são as circunstâncias? – Gai pergunta, queria ser direto, já que a cautela de Jiraya demonstrava ao homem que o assunto era delicado.

- Nossa busca pelos herdeiros teve sucesso. – O grisalho falou, fazendo com que o moreno arregalasse os olhos. – Infelizmente, encontramos apenas crianças quando chegamos. Os pais foram queimados vivos.

- Minha nossa! – Gai exclamou. – Você disse crianças, no plural. Estamos falando de quantos Hyuugas? – Perguntou perspicaz.

- Três deles. – Jiraya respondeu. – Minato determinou que fossem separados, cada um enviado a um local para sua proteção. Contamos com vocês para cumprir sua parte em nosso antigo acordo.

- É claro. – Gai logo arrumou a postura, demonstrando toda a seriedade de suas palavras. – Kumo é leal aos Namikaze e aos herdeiros do trono. – Acrescentou. – Como poderemos honrar nosso juramento? – Ele viu o homem andar até a carruagem e trazer uma menina pelas mãos. Gai ficou impressionado, jamais tinha visto olhos tão claros e cabelos tão negros.

- Gai, ela precisa de treinamento e proteção. – Jiraya disse. A criança não conseguia encarar o homem, assustada por não compreender a situação em que se encontrava.

- Não somos uma escola de boas-maneiras, mestre Jiraya. – O moreno disse olhando para a menina.

- Não precisamos de uma princesa. Não ainda. Ela precisa aprender a se proteger. Eu tenho o palpite de que estas crianças terão um futuro árduo pela frente. – O grisalho disse.

- Pois contes ao Senhor Minato que a protegerei com a minha vida. Serás minha protegida e minha pupila. – Gai informou. Não era do costume do local ensinar mulheres, mas encontraria uma forma de disfarçar a presença de Hinata no local.

- Eu voltarei de tempos em tempos para checá-la. Caso necessite de ajuda do norte, sou sua conexão com o nosso Senhor. – O mais velho disse e recebeu uma confirmação do moreno, junto a uma leve reverência.

Gai observou a criança por um tempo enquanto via Jiraya sair em seu cavalo. Observou os cabelos negros na altura dos ombros. “Serás tão bela quanto as descrições de Haori”, pensara ao analisar a garota. O moreno então se dirigiu à Hinata.

- Deverás confiar apenas em mim enquanto viver aqui, criança. Compreendes? – Gai perguntou e a viu assentir. – Para que possas continuar aqui, teu nome daqui em diante será Haruo.

- Haruo. – Ouviu a menina repetir baixinho.

- Confio que és corajosa, menina. Nós vamos nos dar bem. – Ele sorriu verdadeiramente, passando confiança à criança, que delicadamente sorriu de volta. Gai já maquinava em sua cabeça toda a história que apresentaria quando acolhesse a menina. – Venha comigo, precisamos combinar algumas coisas.

Ele a levou até seus aposentos, pegando um pouco de comida para a menina no caminho. Enquanto Hinata comia, Gai buscou roupas e algumas mantas.

- Escutes bem, Hinata. – Ele chamou a atenção da menina. – Tu és preciosa para meus amigos, então preciso cuidar muito bem de ti. Para te manter em segurança, fingirás ser um órfão que eu encontrei nas ruas e ficarás comigo aqui na academia. Cortarei seu cabelo para que tenhamos mais sucesso.

Assim que a menina assentiu, Gai pegou uma adaga em sua mesa e se aproximou de Hinata. Pegou pequenas mechas e começou a cortar seu cabelo, tentando dar-lhe uma aparência menos feminina. O Maito falava com ela enquanto terminava o corte, combinando detalhes da história que contaria aos funcionários do castelo.

Hinata, agora conhecia como Haruo, era um órfão que trabalharia no castelo para pagar seu sustento. Durante o dia ajudaria na cozinha e limparia o local com os criados, e à noite seria treinada pelo próprio Gai. A menina aprenderia a manusear armas e se defender, ele sabia que ela precisaria muito no futuro. Hinata, mesmo sem compreender muito as circunstâncias que vivia, sentia muita segurança com a presença do moreno e decidiu que podia confiar no homem, obedecendo-o sem questionar.

 

••†••

 

5 ANOS DEPOIS

 

- Sua defesa continua aberta, Brandon. – Gai instruía os alunos nos jardins da propriedade, ensinando-os com dedicação a arte da esgrima, já que era um exímio cavaleiro.

- A turma do ano anterior era mais interessante de se observar, não acha Haruo? – Hinata ouviu a voz da menina e interrompeu seu trabalho juntando as folhas caídas do outono para encará-la. Tenten era como Hinata, exceto que não se escondia atrás de uma identidade masculina como a Hyuuga. Gai nunca explicava a ela os motivos pelos quais deveria se esconder, por mais que ela o implorasse.

- Ainda estão nas aulas iniciais, Tenten. Todos sempre começam meio duros aqui na Academia. – Respondeu, forçando a voz a engrossar como havia se acostumado pelos anos.

- Você não tem vontade de se tornar um cavaleiro? Talvez Gai o aceitasse como aluno. – Ela disse curiosa. Desde que chegara ao local, há dois anos, havia se aproximado do menino e logo viraram amigos. Tenten havia sido abandonada na estrada e foi acolhida por Gai.

- Não almejo travar guerras. – Hinata respondeu simplesmente. Gai a instruíra que jamais deveria chamar a atenção para si mesma. Com o passar dos anos, dividindo noites de treinamento com o mestre, se afeiçoou ao homem, assim como o moreno a ela. Por isso, a Hyuuga levava a palavra do homem à sério e o obedecia à risca. Fazia seu trabalho da melhor forma e procurava ficar invisível, sempre de cabeça baixa, sempre quieta, vendo as coisas acontecerem ao seu redor.

- Eu gostaria de ser treinada um dia. Imagine como deve ser emocionante portar uma espada e travar grandes lutas pelo mundo! – Tenten disse sonhadora. Mesmo aos dez anos de idade, a menina sonhava com grandes coisas.

- Deveria contar seus sonhos ao mestre Gai. – Hinata sugeriu.

- Você acha que ele treinaria uma garota? – Tenten perguntou esperançosa.

- Acho que ele treinaria qualquer um que se dedicasse. – Respondeu seguramente. Gostava da companhia de Tenten, mesmo não podendo dividir com ela todos os seus segredos. Terminou de empilhar o último monte de folhas e olhou para a menina. – Vou começar a esfregar o chão da cozinha enquanto termina aqui.

Tenten não compreendia o amigo, era sempre tão retraído e calado. Tão estranhamente quieto que parecia um fantasma na frente dos outros. Entretanto, achava tal característica tão contraditória cada vez que encontrava seu olhar, ela podia identificar um fogo que jamais havia visto e isso a intrigava. Tentou várias vezes conhecer mais sobre o passado dele contando-lhe sua própria história de vida, mas jamais conseguiu avanços, exceto pelo fato de que Haruo lhe contou sobre os cinco anos em que trabalhou para mestre Gai.

Ela recolhia as folhas em sacos enquanto pensava sobre o conselho do amigo. Talvez devesse conversar com mestre Gai e convencer o homem a ensiná-la. Seria a realização do seu maior sonho e ela estaria um passo mais perto de explorar o mundo. Ao terminar o serviço, rumou para a cozinha e esfregou o chão com o amigo até a hora do jantar.

- Está atrasada. – Hinata ouviu Gai falar assim que entrou escondida nos aposentos do mestre.

- Precisei despistar Tenten antes de vir até aqui. – Ela se explicou, olhando para o chão. – Peço perdão, mestre Gai.

- Tudo bem, Hinata. Nós devemos começar logo. – Ele jogou uma espada para a menina, que segurou o cabo com destreza. A garota não era alta para sua idade, mas os treinamentos a ajudaram a ter força nos membros e manusear habilmente diversos tipos de armas. Espada não era sua arma preferida. Hinata era muito boa com adagas, besta e arco e flecha. Gai reconhecia que a aluna tinha uma mira impressionante e sempre a levava para caçar quando tinha a oportunidade.

Treinaram por um longo tempo, até que o mestre viu o cansaço se apoderar da aluna. Com o passar dos anos, ele percebia que a personalidade tímida e retraída de Hinata aos poucos desabrochava, demonstrando uma menina determinada, corajosa e sensata. De tempos em tempos, o mestre se correspondia com Jiraya, informando o progresso da aluna ao grisalho, tecendo-lhe elogios atrás de elogios. Nunca recebia uma resposta do homem, sabia que um diálogo longo por cartas era arriscado. Deixavam para conversar quando ele aparecia para visitas raras.

- Quer água? – Gai perguntou à menina, que estava sentada no chão tentando normalizar a própria respiração.

- Sim, por favor. – Hinata podia não frequentar uma escola de boas maneiras, mas foi educada da melhor forma no local pelo moreno. Entretanto, no processo, a menina adquiriu um pouco da arte de xingamentos do mestre. Ele lhe serviu um copo de água. – Tenten quer aprender a manusear armas. – Ela disse enquanto mirava as chamas da lareira.

- Tenten? – Gai perguntou surpreso.

- Sim. Ela sempre assiste os treinamentos e adora saber tudo sobre diferentes armas. Eu lhe disse para conversar com o senhor e pedir que a ensine. – Hinata informou ao homem. – Eu acho que ela tem potencial.

- Realmente, ela sempre mostrou aprender rápido todas as tarefas do castelo. – Gai refletiu por um instante. – Eu precisaria refazer nossos cronogramas de treinos, no entanto. Está disposta a dividir seu tempo?

- Tenten é minha amiga. Posso treinar sozinha quando ela estiver tendo aulas e mostrar meu progresso depois. – Hinata disse. Queria muito que a amiga pudesse realizar seu sonho.

- Muito bem. Se Tenten vier até mim com o pedido para ensiná-la, eu aceitarei. – Gai viu a menina sorrir. – Mas somente se ela pedir, é preciso coragem para isso e interpretarei a tarefa como um teste. – Hinata assentiu. Conhecia a filosofia de vida do mestre, sempre procurando se superar, sempre disposto a ensinar aqueles que lhe provavam ter dedicação, não importando suas origens ou suas posses.

- Eu sei que ela o procurará. – Hinata respondeu, bebendo o resto do líquido no copo. Devolveu-o até a mesa do mestre. – Devo me retirar para o banho e descanso. Amanhã teremos tarefas a cumprir logo cedo. – Gai assentiu, dispensando a aluna.

 

••†••

 

O tilintar das espadas se chocando ecoava pelas paredes do castelo dos Namikaze enquanto o protetor do Norte observava as crianças duelando. Minato estava sentado na escada assistindo à luta de Naruto e Neji com atenção até que viu o Hyuuga habilmente desarmar o filho e chutá-lo, levando o menino ao chão.

- Droga! – O loirinho reclamou, massageando a cabeça que havia batido no chão com a queda. – Como consegue adivinhar meus movimentos, Neji? – Naruto não conseguia vencer o amigo, por mais que se dedicasse. Neji era muito talentoso com uma espada e parecia conseguir prever todos os movimentos de seus oponentes.

- Os olhos enganam, os ouvidos não. – Ele respondeu simplesmente. Minato disfarçara o menino como um cego abrigado pelos donos do castelo. Neji ficava constantemente com Kushina e sempre andava pelos corredores com uma faixa nos olhos. Por ficar grande parte dos dias fingindo não enxergar, o menino aprendeu a se guiar por sons e tato. Mais tarde, aprendeu a incorporar sua audição aguçada nas lutas, o que o tornava ainda mais difícil de vencer. Minato se impressionava com a aptidão do menino em combate, Neji era praticamente um gênio aos olhos do líder.

- Muito bem. Acho que o treino de hoje foi bastante produtivo. – Minato se levantou do chão, chamando a atenção dos meninos.

Naruto não compreendia bem as razões do pai ao mentir para todos com relação a Neji, mas o Namikaze explicara ao filho que Neji estava em constante perigo e por isso precisava se camuflar dentro do castelo. Por ser apenas uma criança, Naruto não sabia dos planos do pai ou a verdade por trás das lendas que sua mãe sempre lhe contava, até o momento sempre pensou que eram apenas histórias de ninar.

Ele gostava de treinar com Neji, o amigo sempre era uma motivação para que o loirinho se dedicasse ainda mais nas aulas de esgrima e combate. Minato apreciava a amizade verdadeira entre os dois, sabia que no futuro precisariam trabalhar juntos e estes laços permitiriam que Naruto e Neji conquistassem seus objetivos com maestria. Neji recolocava a faixa no rosto e pegou a pequena bengala que Kushina providenciara.

- Senhor? – O Namikaze foi parado por um criado assim que levou as crianças aos seus quartos.

- Sim? – Minato perguntou com gentileza. O protetor do norte sempre foi um homem gentil, apesar de firme, e muito justo. Os cidadãos do País do Fogo admiravam seu líder e seguiam as regras do homem com precisão.

- Mestre Jiraya solicitou uma audiência com o Senhor. – Disse o criado após as reverências de costume. – Ele o aguarda na sala do trono.

- Claro. – Minato sorriu, fazia tempo que não encontrava seu antigo mestre. – Providencie um pouco de vinho para nós e algumas frutas, acredito que Jiraya estará faminto pela viagem.

- Sim, Senhor! – O criado se retirou e Minato rumou para a sala do trono. Abrindo a pesada porta de carvalho, encontrou o grisalho em pé, sorrindo para ele.

- Minato! – O homem abriu os braços para receber o Namikaze em um abraçou caloroso. Jiraya praticamente o criou desde que era uma criança e perdera o pai para varíola, o grisalho que nunca estabelecia raízes em lugar nenhum, ficou por anos em Konohagakure para treinar o loiro e cumprir a promessa que um dia fizera ao pai de Minato: transformá-lo em um bom líder.

- Mestre Jiraya! Como vai? – O loiro retribuiu o carinho do homem e lhe sorriu. – Pedi aos criados para que trouxessem vinho e frutas. Você deve estar cansado da viagem.

- De fato, estou. – O grisalho disse. Minato o convidou a se sentar quando os criados chegaram com a bebida e a comida e, assim que saíram, Jiraya assumiu a expressão mais séria e o tom mais baixo e reservado. – Estive verificando as crianças recentemente e tentando compreender a linha do tempo que se formou desde a morte de Haori e Hamura.

- E como estão? – O Namikaze perguntou.

- Hanabi tem se adaptado muito bem à vida em Takigakure, está sendo criada e educada para servir a filha de Inoichi. Não há suspeitas em volta dos Yamanaka e o rei já até mesmo os visitou recentemente, sem levantar desconfianças. – Jiraya relatou. – O juízo de escondê-la debaixo do nariz de Momoshiki tem funcionado muito bem.

- Ótimo, fico feliz por isso. – Minato respondeu satisfeito. Sabia da fama da família real quanto ao seu exacerbado senso de superioridade e arrogância. Aproveitou-se deste fato para colocar uma das crianças Hyuuga no esconderijo mais óbvio do reino. – E quanto à Hinata? – Indagou ao mais velho.

- Gai tem me enviado notícias sempre que pode e eu os visitei no caminho para o norte. Ele a esconde como um órfão perdido na Academia e a treina todas as noites. Ela é... – O grisalho parou para pensar ao ser inundado pelas lembranças da criança lutando com ele. – Impressionante.

- Tenho este mesmo pensamento quando vejo Neji em treinamento. São crianças admiráveis. – Minato revelou ao mestre. – Gai a esconde disfarçada como menino? – Perguntou curioso com a atitude do líder da Academia de Cavaleiros.

- Sim e eu posso compreender seus motivos. – Jiraya disse com suavidade. – A menina desabrocha como uma flor em beleza. Uma simples camponesa com a aparência dela não seria respeitada pelos homens, dentro ou fora da Academia. Além disso, torna-se mais fácil a ele que Hinata entre e saia de seus aposentos sem levantar suspeitas.

- Entendo. – Minato refletiu as palavras do homem.

- E como está o meu afilhado? – O grisalho perguntou com a expressão mais suave. Adorava o filho do casal como se fosse seu próprio neto.

- Crescendo mais a cada dia. – O loiro exibiu o sorriso de orgulho. – Ele herdou o temperamento de Kushina, então saiba que nosso filho não é muito paciente. – O mestre gargalhou divertido. Kushina era apelidada pelas criadas como a Senhora Pimenta, e a razão não era somente pelos cabelos ruivos luminosos, mas também por seu temperamento difícil e determinação que beirava à teimosia.

- E eu que pensei que ele seria tranquilo como você, Minato. – Jiraya sorriu divertido. O grisalho amava a esposa do loiro, Kushina era dona de um grande coração e saber que o filho herdara seu jeito lhe trazia felicidade, pois sabia que Naruto se tornaria um grande homem.

- Vovô Jiraya! – Ouviram a voz da criança, correndo até o mais velho com animação. Os cabelos loiros espetados para todos os lados balançavam pela corrida e Jiraya segurou o afilhado num abraço afável.

- Como você cresceu, Naruto! – Ele se impressionou a diferença de altura dele desde que o visitara anteriormente.

- Logo eu vou alcançar você, sábio tarado. – Brincou e viu o grisalho contorcer a expressão com desgosto.

- Já disse que não deve me chamar assim. – Jiraya bronqueou, mas não conseguiu manter a expressão amarrada para a criança.

- Naruto? – Ouviram a voz de Kushina e o loirinho ficou paralisado. A Senhora entrou na sala do trono e fuzilou o filho com a expressão dura.

- Pai, socorro. – Naruto gemeu quando viu a mãe se aproximar e correu para trás do pai. Kushina se aproximou e bateu na cabeça do loirinho, com os olhos transbordando fúria.

- Quantas vezes já disse para não fugir dos criados desse jeito? Você ainda vai me deixar louca! – Ela vociferou e Naruto massageou a cabeça no lugar em que foi atingido. Minato riu baixo e discretamente, afinal, não desejava ser alvo da fúria da esposa também. Ao observar Jiraya na sala, Kushina rapidamente mudou a expressão para total simpatia e o abraçou. – Mestre Jiraya, que bom que está bem!

- Kushina, você continua linda como sempre. – O grisalho a cumprimentou.

- Pai, a mamãe é tão estranha. – Naruto sussurrou para o pai que sorriu ternamente.

- Aprenda uma coisa, filho: as mulheres estranhas são as mais interessantes. – Disse baixinho e viu o menino sorrir.

- Como estão as crianças? – Kushina perguntou baixinho a Jiraya. Desde que as vira, há cinco anos, jamais pode esquecer as belas meninas que o grisalho salvou nos escombros de um incêndio.

- Estão crescendo bem, Kushina. – Jiraya respondeu e viu a mulher respirar aliviada.

- Que bom! Fico feliz por isso! – Exclamou feliz. – Neji também cresceu bastante. Está mais alto que Naruto e é um menino tão educado e doce. – Ela disse com orgulho, tinha acolhido o pequeno Hyuuga como um segundo filho.

- Ouvi dizer que ele é ótimo manuseando uma espada. – Jiraya comentou e a mulher assentiu com um sorriso contido.

- De fato. Naruto e Neji treinam juntos sempre que podem e tem evoluído bastante. E suas pesquisas? – Ela perguntou e viu o grisalho sorrir. Kushina bufou. – Não estas pesquisas, Jiraya. Eu falo da profecia.

- Tenho conversado com meistres em diferentes localidades. Descobri que na costa vizinha há um templo que abriga pessoas com dons especiais e é possível que os refugiados do antigo castelo do rei tenham encontrado abrigo lá. Se há alguma anotação disponível, acredito que seja o lugar. – O grisalho disse.

- Oh, e você pretende partir para lá? – Ela perguntou e viu o homem assentir.

- Combinarei os detalhes com Minato, é uma viagem longa e alguém precisa checar as crianças na minha ausência. – Jiraya disse.

- Tome cuidado e volte inteiro, Jiraya. – Kushina pediu com carinho e o homem sorriu para ela.

- Alguma vez eu deixei de tomar cuidado, Senhora? – Perguntou divertido.

- Posso listar, pelo menos, dez vezes. – Kushina replicou, afiada como sempre. Jiraya riu alto. – Se me der licença, mestre Jiraya, eu ainda preciso conversar com os cozinheiros sobre o menu do jantar. Até mais tarde. – A ruiva disse, caminhando para a porta e se virou para o marido. – Naruto, venha comigo, seu pai tem assuntos importantes a tratar.

O loirinho fez um muxoxo, mas obedeceu a mãe e se despediu do pai e padrinho, saindo da sala dos tronos atrás da ruiva. Kushina levou o filho até o quarto para tomar banho e saiu para a cozinha. Seu companheiro de todas as horas já aguardava pela Senhora no recinto e ela sorriu ao ver Neji parado, aguardando ordens.

- Senhora. – O cozinheiro fez uma reverência.

- Teuchi, hoje teremos um convidado para o jantar, mande matar um carneiro e prepare o molho de ervas que Jiraya adora. – Ordenou e viu o homem assentir, já orientando os demais criados. Kushina escolheu o resto do cardápio e foi até Neji que a aguardava sentado. – O que achou do cardápio, Neji?

- Parece muito bom. – Ele respondeu com educação. Kushina sorriu.

- Ótimo, então vamos aproveitar o tempo de sobra para terminarmos de cuidar do jardim. – Ela disse, segurando o braço do Hyuuga com leveza.

- Sim, Senhora. – Ele falou enquanto era guiado pela ruiva até o belo jardim do castelo. Kushina gostava de cuidar das plantas e preparar belos arranjos. Ela entregou luvas e materiais de jardinagem ao menino e começaram a trabalhar nas terras juntos. Neji sempre passava horas no local com a Senhora e, mesmo sem poder ver, ela o ensinava com paciência, já que Naruto nunca tinha o dom da mansidão.

- Senhora. – Neji chamou, parando seu trabalho de repente. Um pensamento contínuo o assolava nos últimos dias e ele sabia que ali, junto à ruiva, poderia talvez confessá-lo.

- Sim? – Ela respondeu. Demorou à mulher se acostumar a verbalizar quase tudo o que fazia, já que Neji vivia como um cego pela maior parte do tempo no castelo.

- Um dia eu poderei vê-las novamente? Hanabi e Hinata? – Perguntou. Há dias sonhou com as primas e sentia falta das duas. Lembrar-se delas fazia Neji voltar no tempo até a época em que viviam com os pais em harmonia, antes do incêndio e do horror de ver seu pai e seu tio morrerem diante deles. Kushina suavizou a expressão e colocou a mão no ombro do menino.

- Do fundo do meu coração, eu acredito que sim Neji. – Ela respondeu com sinceridade. Um dos dons que Neji adquiriu ao se passar por cego era a habilidade de detectar os diferentes tons de voz de uma pessoa, sabendo quando sua voz tremia ou soava firme. Ele poderia farejar uma mentira há quilômetros. Respirou fundo mais aliviado por saber que sua Senhora acreditava fielmente no que dizia. – Um dia vocês se reunirão novamente e você entenderá a razão pela qual foram perseguidos e separados.

- Apesar de tudo, eu estou feliz por ter ficado aqui com vocês. São sempre muito gentis comigo. – Neji disse e Kushina sorriu. – Quando a Senhora nos conta histórias, eu me lembro da mãe de Hinata e Hanabi, ela sempre nos contava várias lendas. – A mulher, emocionada, abraçou a criança.

- Pode contá-las um dia pra mim? – Kushina perguntou e viu o menino assentir com um sorriso discreto. A ruiva sentia as energias renovadas cada vez que recebia um sorriso de Neji e de Naruto. Os dois eram seus filhos para a ruiva, se apegara ao moreno e o amava como se fosse seu.

 

••†••

 

- Tens certeza disso, mestre? – Minato perguntou, impressionado com as informações do grisalho.

- Quero checar com meus próprios olhos, Minato. Só assim terei certeza. – Jiraya respondeu sério.

- Você sabe que esta viagem pode durar anos, certo? Sei do que está abrindo mão aqui. – Minato se sentia na obrigação de alertar o mestre. Jiraya era o seu maior exemplo, tinha-o como um pai.

- Minato, as pessoas que não fazem parte do círculo do rei ou que não são nobres passam diversas necessidades, são descartáveis ao nosso rei. Não era isso que o grande rei Hagoromo queria para o seu reinado, por isso ele escolheu Haori há tantos anos. Nós devemos lutar não só pelo nosso povo, mas por nosso reino como um todo. Rei após rei, todos os Otsutsuki tem a mesma sede de poder e falta de respeito pelos súditos e eu estou cansado de olhar e não poder fazer nada. Quero fazer a grande e temida vontade de fogo que corre em minhas veias valer à pena. – Confessou ao loiro.

Jiraya, que vagou pelo reinado por longos anos, viu o sofrimento do povo e suas dificuldades. Não poderia simplesmente ignorá-los e viver a boa vida que um dia lhe prometeram, era por esse motivo que deixou a Academia de Cavaleiros e se pôs a viajar para procurar as crianças Hyuuga. Ele, mais do que ninguém, acreditava que a profecia se cumpriria um dia e pensava que era seu dever ajudá-los.

- Eu entendo o que fala, quero um reino melhor para o meu filho. Meus filhos, na verdade. – Minato disse. – Mesmo sem meu sangue, tenho Neji como um filho, assim como o tenho como um pai. – O grisalho sorriu diante da declaração. – Providenciarei tudo o que me pediu para sua partida.

- Há mais uma coisa. – Jiraya capturou a atenção do loiro novamente. – Tenho a impressão de que Gai não conseguirá esconder a menina por muito tempo. Acredite em mim, ela chama muito a atenção, mesmo tentando não fazê-lo de várias formas. Creio que devo levá-la comigo. É algo que pressinto que devo fazer. – O homem sempre acreditava em sua intuição, pois fora ela que o salvou diversas vezes em suas aventuras.

- Pois bem, providenciarei a entrega dos suprimentos no País dos Campos de Arroz. Enviarei também uma carta a Fugaku para solicitar uma embarcação e tripulação para você. – Minato falou e o mestre assentiu. Os Namikaze tinham uma aliança com os Uchiha e sabia que Fugaku o atenderia rapidamente, afinal, eram nortenhos e respeitavam amplamente seu protetor. – Tome cuidado, mestre. – Minato pediu quando o assunto se deu por encerrado.

- Alguma vez eu deixei de tomar cuidado, filho? – Jiraya indagou da mesma forma que fez com Kushina mais cedo e viu o loiro sorrir divertido.

- Só tenha em mente que, se você se machucar, há duas mulheres que vão atrás de você apenas para matá-lo. – Minato falou divertido. – Uma delas é minha esposa.

- Oh sim, a outra é um furacão loiro. – Completou de forma espirituosa.


Notas Finais


Espero que tenham gostado hueheuheuehe Kushina bota o terror no filho e no marido.

Não esqueçam o comentário, ok? Sabem que opiniões, sugestões e dúvidas são sempre bem-vindas. Quero saber as reações da galera quando leem a história, então não se acanhem, prometo que sou boazinha. Hihihi

Até a próxima! Beijinhos! :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...