História The Crown - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Cavaleiros, Época, Gaaino, Konohana, Medieval, Naruhina, Naruto, Nejiten, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 185
Palavras 6.436
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Chegueeeei gente! Hoje eu to no modo máquina de escrever, consegui terminar The Beginning e trouxe um cap fresquinho para vocês!

Agradeço pelos comentários no último cap! Fico feliz que estejam gostando!

Aproveitem a leitura!

Capítulo 3 - Capítulo II


O capitão entrou nos aposentos reais assim que o grande rei Momoshiki permitiu sua entrada. Momoshiki era um homem em torno de quarenta anos, de cabelos longos e tão claros que chegavam a ser prateados e olhar cruel. Tinha as mesmas orbes prateadas características de um Otsutsuki e Hyuuga. A única maneira de diferenciar as famílias era através da cor dos cabelos, todo Hyuuga tinha os cabelos escuros herdados de Hamura, o homem por quem Haori um dia se apaixonou perdidamente.

- Então? – O rei indagou o homem assim que este terminou a pomposa reverência.

- Está feito, Majestade. – Kisame, o capitão da guarda real, falou. Era um homem intimidante e cruel cuja família servia a realeza há anos. – Encontramos os últimos dois Hyuuga, morreram queimados na pequena fazenda em que moravam. – Um sorriso inclemente brincou nos lábios do homem ao se recordar dos gritos vindos da propriedade.

- Meu avô e meu pai caçaram e mataram essas pragas por anos, mas eles sempre pareciam se multiplicar a cada ano. – O rei disse, o tom de voz exalava o desgosto. – Finalmente terminamos seu trabalho. – Completou, sentindo-se satisfeito pelo sucesso de sua empreitada. – Você se certificou de que eles sofreram?

- Sim, Vossa Graça. Eles foram trancados na casa sem nada que pudessem usar como armas. Morreram gritando em agonia e nos certificamos que soubessem o motivo. – Kisame respondeu.

- Ótimo. – Momoshiki sorriu ladino. – Pode ir. – Dispensou o capitão, voltando a ficar sozinho em seus aposentos.

Folheou os pergaminhos antigos da família nas mãos, todos contavam a história da ascensão de Indra Otsutsuki ao trono e contavam a antiga história sobre como Haori havia tentado usurpar o que era direito do filho mais velho de Hagoromo. “Esmague as ameaças antes que eles te esmaguem”, era o que Momoshiki sempre ouvira de seu pai quando o ensinava a ser seu sucessor. Pensou em seu filho mais velho, Toneri, avaliando o potencial da criança. Apesar de mimado pela mãe, Toneri já mostrava traços de um digno Otsutsuki e podia ser impiedoso até mesmo com os irmãos quando queria algo.

Momoshiki decidiu que começaria a treinar o filho para tomar seu lugar de direito. Tornaria Toneri um líder firme, imbatível e impiedoso como ele mesmo. No entanto, queria apenas apreciar o momento de vitória que o assolava no presente, acabar com todas as possibilidades de que a profecia pudesse se cumprir era um deleite para o grande rei. Nada mais poderia pará-lo ou ameaçar seu poder. Saiu de seus aposentos e foi até o grande salão de jantar, sentando-se em seu trono, ao lado da esposa e dos três filhos do casal: Toneri, Kinshiki e Urashiki.

- A partir de amanhã, Toneri começará a cumprir a agenda real junto comigo. – Declarou à esposa, a rainha Yurika.

- Momoshiki... – A rainha já se preparava para argumentar, quando o homem apenas a encarou com raiva.

- Está contrariando a palavra de seu rei? – Perguntou com a voz estranhamente controlada. Yurika engoliu em seco e negou.

- Não, meu rei. Sua palavra é lei para mim. – Declarou ao se encolher no trono ao lado do marido. Yurika não gostava de contrariar o rei, sabia muito bem o quanto ele poderia ser violento e impaciente quando não o obedecia. – Toneri ficará feliz por passar mais tempo com o pai, não é querido? – Perguntou ao olhar para o filho e acariciar seus cabelos prateados.

- Muito bem. – Momoshiki disse assim que seu herdeiro assentiu. – Você deve aprender tudo para ser um bom rei, meu filho. O poder é algo que muda as pessoas, você nunca deve confiar naqueles ao seu redor, eles podem traí-lo pelo poder. – Disse ao filho. – Mas o poder também abre qualquer porta a quem sabe usá-lo e você vai aprender rápido, meu filho. Terá tudo o que quiser em suas mãos com apenas um menear de cabeça. – Declarou com a expressão satisfeita. Momoshiki era acostumado com o poder que adquiriu com o tempo. Governava seu povo como foi ensinado no passado: pelo medo e pela força. Ensinaria ao filho a tomar tudo o que quisesse e faria dele um rei forte e temido, assim como ele mesmo era.

- Qualquer coisa? – Toneri perguntou ao fim do discurso do pai.

- Quando se é rei, nada é proibido. Você chega e toma o que quiser. – Respondeu e viu um sorriso divertido brincando nos lábios do príncipe.

 

••†••

 

O entardecer já avançava bastante quando Jiraya chegou à Academia de Cavaleiros. Deixou seu cavalo nos estábulos para que bebesse água e fosse alimentado, o animal precisaria de descanso antes de cumprir o trecho até as terras Uchiha.

- Duas visitas em tão pouco tempo, devo considerar uma honra? – O grisalho escutou a voz de Gai ao longe. O moreno o cumprimentou com um aperto de mão caloroso e um sorriso singelo.

- Gostaria que fosse apenas uma visita para beber vinho e conversar, velho amigo. – Jiraya respondeu.

- Não tão velho, mestre Jiraya. – Gai disse e arrancou uma risada do grisalho. O moreno sempre dizia estar no auge de sua juventude e jamais aceitava as piadas sobre sua idade, exceto talvez quando vinham do próprio mestre. – Pode não ser uma visita para beber e conversar, mas creio que posso oferecer-lhe uma taça de vinho antes de tratarmos dos assuntos sérios.

- Seria muito bom. – O mais velho respondeu, sendo guiado por Gai até seu escritório e servido de uma taça de vinho cheia. Brindou com o moreno e sorveu o líquido com júbilo. Jiraya adorava um bom vinho e já começava a sentir falta de suas paradas em prostíbulos para aproveitar, afinal, suas últimas viagens não lhe permitiram longas paradas ou desvios.

- A quê devo a honra, mestre? – Perguntou Gai, enchendo novamente as taças de vinho.

- Estive recentemente com Minato. – Jiraya iniciou sua explicação. – Contei a ele sobre seus relatórios e o progresso de Hinata. Nosso Senhor ficou muito satisfeito com seu trabalho, Gai. – O moreno assentiu ainda com a expressão séria. – Nós também compartilhamos de sua preocupação em escondê-la por mais tempo aqui.

- Entendo. Eu pretendia escrevê-lo amanhã, mestre Jiraya. – Gai o interrompeu, lisonjeado pelas palavras do grisalho. – Recebi algumas cartas hoje, uma delas vinda do castelo real de Kirigakure. O rei enviou a lista de crianças para treinamento na Academia que serão os futuros cavaleiros da guarda real. Entre eles está o filho de Kisame, Deidara. – Jiraya divagou por alguns segundos.

- Isto é, com certeza, preocupante. Kisame e sua família foram responsáveis pelas mortes de diversos Hyuuga. Ele saberia identificar o sangue real há quilômetros. – O mais velho sorveu mais um gole de seu vinho.

- Exatamente. Creio que a Academia não seja mais segura para Hinata. – Gai falou. Jiraya logo percebeu a preocupação genuína na voz do homem, ele havia se afeiçoado à menina.

- Neste caso, creio que estamos adiantados, Gai. Estou partindo amanhã para uma viagem e vim até aqui para levar Hinata comigo. – Jiraya explicou ao diretor da Academia sobre as pistas que encontrou durante suas viagens sobre a história de Hiruzen, o filho de Haori e Hamura que sobreviveu. Ele precisava viajar até a grande cidadela dos meistres e encontrar o templo de que tanto ouvira falar.

- Eu entendo. Acredito que seja o mais seguro para ela. – Gai disse um pouco triste, sentiria falta de seus treinos com a menina e sua companhia. – Quando partirão?

- Amanhã ao amanhecer. Consegue providenciar as coisas dela neste meio tempo? – Jiraya perguntou e o amigo assentiu.

- Chamarei Hinata para contar-lhe a notícia. Enquanto isso, seu antigo quarto está disponível, caso queira descansar. – Disse Gai e o mestre sorriu.

- Seria ótimo. Passar dias sentado num cavalo não é muito confortável. – O grisalho reclamou, arrancando uma risada do Maito. – Pode deixar que eu encontro o caminho sozinho. Até mais Gai. – Saiu do escritório do moreno, rumo ao seu antigo quarto, almejando um bom cochilo antes do jantar. Gai mandou chamarem o jovem Haruo em seus aposentos e logo ele apareceu, fazendo uma reverência rápida.

- Hinata. – Gai chamou e a menina olhou para o mestre. – Mestre Jiraya retornou hoje à Academia. – A menina sorriu, gostava do grisalho com seu jeito brincalhão e grande expertise com espadas.

- Devo preparar algo para ele? – Perguntou imaginando que o moreno queria que ela cozinhasse algo diferente para seu convidado especial.

- Não, querida. Pedi que viesse para informá-la que Jiraya a levará em uma viagem. – Gai disse, tentando a todo custo esconder a leve tristeza que o assolava.

- Mestre Gai, eu fiz algo errado? – Ela perguntou baixo. Também se apegou ao moreno, de modo que estava preocupada que tivesse prejudicado Gai. Ele lhe sorriu brevemente.

- Não criança. Receio que tal medida foi pensada por sua segurança. Jiraya e eu temos receio de que algumas pessoas que passarão a frequentar a Academia reconheçam você. – O moreno explicou com paciência. Sabia que talvez Hinata ainda fosse muito nova para entender todas a situação em que se encontrava, mas a menina era madura e inteligente para a própria idade e confiava em seu mestre com todas as forças.

- Devo preparar minhas malas, então? – Perguntou, vendo Gai assentir.

- Vocês partem ao amanhecer, esteja pronta nos estábulos e aguardando por mestre Jiraya. – O homem a instruiu e viu a menina concordar com a cabeça. Eles permaneceram se olhando por longos minutos, Hinata ponderava se deveria pedir ao mestre o gesto que lhe passava pelos pensamentos.

- Mestre Gai? – Ela, por fim, o chamou.

- Sim?

- Eu agradeço por tudo. – Hinata se aproximou do homem e o abraçou forte. Sentiria falta do mestre e seus conselhos. Sobretudo, de sua bondade e animação.

- Nós nos veremos novamente, criança. Tenha fé. – Gai retribuiu o gesto da menina e beijou o topo de sua cabeça. – Lembre-se que é capaz de tudo, basta que se esforce. Empacote também suas armas na sala de treinamento antes de ir embora.

- Não esquecerei. – Ela sentenciou com firmeza. Fez a costumeira reverência e se retirou do quarto. Desceu aos aposentos dos criados e começou a fazer uma trouxa com suas roupas e os poucos itens pessoais que adquiriu nos anos que passara na Academia. Ela se esgueirou pelo castelo enquanto todos estavam ocupados com os preparativos do jantar e abriu a porta da sala que usava para treinar com o mestre.

Embalou em uma segunda trouxa suas adagas, o arco, flechas, aljava e a espada que ganhara do mestre. Quando tudo ficou pronto, Hinata desceu ao salão principal para servir o jantar com os outros criados.

- Haruo, onde esteve? – Tenten perguntou quando avistou o amigo pegando uma das pratarias com as comidas para levar ao salão.

- Mestre Gai pediu que polisse suas armas antes do jantar. – Mentiu para a amiga. Hinata gostava muito de Tenten, mas não permitia se aproximar demais, pois se culpava por não poder ser completamente verdadeira com a Mitsashi.

- Oh, entendo. – Ela disse, também pegando uma bandeja de prata com a faisão assado delicadamente arranjado. Serviram os alunos, professores e o convidado de honra da noite, Jiraya. Assim que a refeição acabou, os criados jantaram e se retiraram para dormir. Naquela noite Hinata dormiu cedo, esquivando-se de Tenten a todo custo, não queria ter que se despedir da menina.

Antes que o sol aparecesse no dia seguinte, Hinata se levantou e foi buscar suas trouxas escondidas na sala de treinamento. Arrumou as próprias roupas e prendeu os cabelos que já cresciam no costumeiro rabo de cavalo baixo e frouxo. Colocou o chapéu que sempre usava e desceu para os estábulos, onde aguardou pela vinda de Jiraya.

- Oh, bom dia Haruo. – O grisalho a cumprimentou quando passou pela entrada dos estábulos. – Dormiu bem?

- Sim, senhor. – Ela respondeu com educação. Jiraya tirou uma maçã verde da bolsa e estendeu à menina.

- Sei que está acostumada a comer depois dos senhores, mas comigo passaremos a comer juntos. – Disse baixo para ela, entregando a fruta. – Temos um longo caminho pela frente e é bom sairmos logo. Permaneça em seu disfarce ainda, não podemos correr risco.

- Obrigada, mestre Jiraya. – Ela agradeceu e assentiu. O grisalho retirou o próprio cavalo do estábulo e Hinata se aproximou da última baia do local, vendo o cavalo branco tomando água. Era o animal que ela e Gai salvaram juntos quando saíram para caçar, o moreno a ensinou a domá-lo.

Ela colocou a sela no animal e o montou, guiando o garanhão branco até a saída do estábulo e parando ao lado de Jiraya e seu cavalo marrom. O homem checou uma última vez se tinha empacotado tudo corretamente e guiou o animal para a direção das terras Uchiha, com Hinata em seu encalço.

- Você será meu novo escudeiro em treinamento. Lembre-se das instruções de Gai, não podemos chamar muito a atenção, mesmo estando em território aliado, não sabemos se há espiões entre os Uchiha. E acredite criança, sempre há espiões entre os nobres. – O grisalho explicou e Hinata sorveu as informações atentamente.

- Sim, mestre! – Hinata respondeu, já que o homem não a viu assentir anteriormente. Jiraya deu o comando a seu cavalo para que começasse a correr e a menina o seguiu no garanhão branco, deixando novamente outra terra e pessoas para trás.

 

••†••

 

- Senhor, mestre Jiraya e seu escudeiro estão nas terras. – Fugaku ouviu um dos criados anunciar a chegada de seus convidados.

- Leve-os ao saguão principal, eu já descerei para receber nossos convidados. Alimentem os cavalos bem, precisarão deles amanhã cedo. – Ordenou com a voz firme.

- Sim, meu Senhor. – O criado respondeu, fazendo uma reverência e saindo para preparar tudo o que o Uchiha ordenou.

Assim que entraram no castelo dos Uchiha, Jiraya desmontou de seu cavalo e o guiou até os estábulos, local em que um dos criados pegou o animal de suas mãos, conduzindo-o até uma baia para alimentá-lo e dar água ao animal. Hinata espelhou os movimentos do mestre, também descendo do cavalo e o entregando a outro criado.

Eles foram encaminhados ao saguão do Castelo Otogakure, que há anos pertencia à família Uchiha e ficava quase na fronteira entre o Norte e o Sul. O lugar era conhecido pelos vastos campos de grãos e o grande porto, onde os Uchiha exportavam as mercadorias, o que os fez riquíssimos com o passar dos anos.

Jiraya e Hinata entraram no saguão e a Hyuuga admirou a bela decoração do local. Havia muitas tapeçarias adornando as paredes e os suportes para tochas eram trabalhados em ouro, confirmando o quanto os Senhores daquele castelo eram abastados. Fugaku apareceu junto à esposa, Mikoto Uchiha, e cumprimentou o mestre com cordialidade.

- Seja bem-vindo, mestre Jiraya. – O Senhor de Otogakure disse com educação. Jiraya apertou sua mão e beijou a mão de Mikoto com um sorriso caloroso.

- Obrigado por atenderem ao pedido de Minato. – O grisalho disse.

- Quando o Senhor do Norte nos pede algo, oferecemos prontamente. – Fugaku respondeu. Os Uchiha e Namikaze se conheciam há anos e tinham boa convivência. Respeitavam Minato como seu Senhor e Protetor e confiavam em sua palavra. Além disso, Mikoto, a esposa de Fugaku, era uma simples camponesa antes de parar no castelo de Otogakure.

Mikoto viveu uma vida muito difícil em uma vila extremamente pobre antes de conseguir juntar pouco dinheiro para se mudar. Conseguiu um emprego na cozinha dos Uchiha e lá conheceu seu marido. Ambos se apaixonaram quase imediatamente e ela compartilhou com o homem toda sua história e todo o sofrimento que passou antes que chegasse ao castelo. Por isso, Fugaku simpatizava totalmente com as causas ocultas que Minato apoiava. Muitas pessoas sofriam com a tirania dos Otsutsuki por anos e ele sabia que, se pudesse fazer algo para mudar isso, era seu dever agir.

Fugaku observou atentamente o ajudante junto a Jiraya. Ninguém além de Minato, Jiraya e Gai sabiam sobre a verdadeira identidade de Hinata e o grisalho preferia que continuasse assim. O Uchiha achou o escudeiro bem baixo para a idade e um pouco estranho, mas nada falou ao homem. Sabia que o grisalho precisava de um navio para a cidadela e pretendia pedir também um favor ao homem.

- Jiraya, por favor, gostaria de conversar com você em meu escritório. Podes me acompanhar? – Fugaku disse e o homem assentiu. Assim, os dois subiram até o cômodo em que o Uchiha passava a maior parte de seus dias. – Gostaria de pedir-lhe um favor.

- Como posso ajudá-lo, Senhor? – Jiraya perguntou cordialmente.

- Quando Minato enviou a carta informando sobre sua vinda e a necessidade de um barco para a cidadela, decidi que pediria um favor a você. Conheço sua vasta reputação como treinador e gostaria que treinasse meu filho. – Fugaku disse. O homem tinha dois filhos: Itachi e Sasuke. Seu filho mais novo era fruto de um deslize do homem, um bastardo acolhido no castelo pela bondade de Mikoto. Era uma criança habilidosa e Fugaku queria transformá-lo no melhor dos cavaleiros, devia isso à mãe do menino.

No entanto, apesar de extremamente inteligente, Sasuke ainda era imaturo e um pouco sonhador demais para seu próprio bem. Fugaku gostava do ensino que outras crianças recebiam na Academia de Cavaleiros, porém, gostaria que o melhor dos melhores treinasse seu filho e esta missão só poderia ser conferida a Jiraya em pessoa.

- Sasuke? – O grisalho perguntou, recebendo uma confirmação em forma de aceno do Uchiha. – Senhor, com todo o respeito, a missão que estarei cumprindo para Minato pode levar anos, se Sasuke partisse comigo, vocês teriam de cogitar não vê-lo por um longo tempo. – Jiraya se sentiu na obrigação de alertar o homem.

- Eu entendo. Pensei nisso, mestre Jiraya. Confesso que meu filho mais velho sentirá muito a ausência de Sasuke, mas desejo o melhor ao meu filho e acredito que seu treinamento poderá ajudá-lo a se tornar o homem que planejo que ele seja. – Fugaku respondeu com firmeza. – Veja bem, Itachi é o herdeiro das minhas terras, ele não pode se ausentar por muito tempo de Otogakure e foi treinado em nossas terras para ser um bom Senhor. Sasuke, todavia, somente poderá ter sucesso na vida caso se torne um cavaleiro e pretendo que ele seja o melhor entre os melhores. Nós todos sabemos que a vida de um bastardo não é fácil.

- Se ele estiver disposto a aprender, não terei problemas em levá-lo comigo. Afinal, trago comigo Haruo que também é meu aprendiz. – O grisalho respondeu e Fugaku sorriu discretamente.

- Mandarei que ele faça as malas. Gostaria que passassem a noite aqui, assim poderão sair pela manhã devidamente descansados. – O Uchiha convidou.

- Certamente. Agradeço pelo gentil convite. – Jiraya respondeu com uma reverência. Fugaku pediu a um dos serventes para levar Jiraya a seus aposentos e subiu para procurar Sasuke. Achou o filho brincando com Itachi na sala de treinamentos.

- Pai. – Itachi interrompeu o que fazia imediatamente ao ver o pai. Fugaku o via como seu maior orgulho, seu filho sempre foi muito habilidoso para a própria idade e, por isso, era considerado o prodígio dos Uchiha.

- Pai. – Sasuke também o cumprimentou.

- Itachi, preciso conversar com Sasuke. – O mais velho disse e viu o filho sair andando da sala obedientemente, como sempre. Sasuke encarou o pai com curiosidade, não desfrutava de muitos momentos a sós com ele, já que Fugaku se dedicava mais á educação de lorde do filho mais velho. Ele sabia que só vivia no castelo porque Mikoto permitiu sua estadia lá após muita insistência de Fugaku, mas era apenas um ser indesejado lá. – Você deve fazer suas malas, partirá amanhã com Jiraya e seu escudeiro. Ele o treinará.

- O quê? – Sasuke perguntou incrédulo. Seu pai estava mandando-o para longe? O menino, sempre sedento por atenção, ficou desapontado e até magoado pela situação.

- Sasuke, olhe bem para mim. – Fugaku chamou quando percebeu a expressão do filho. – Meus planos para você não são como os de Itachi, você não tem direito ao nosso dinheiro ou nossas terras. A vida de um bastardo não é fácil em lugar nenhum, mas a vida de um cavaleiro renomado e reconhecido pelo reino todo é. Você deve cortar os laços que te prendem aqui, Sasuke.

O menino olhou para o pai sem esboçar reações. Conhecia a sua própria situação melhor que qualquer outra pessoa, mas ouvir seu pai falando sobre sua condição de bastardo era humilhante para ele. Mesmo se achando ingênuo, Sasuke gostava de acreditar que sempre estaria por perto da família, afinal, Itachi o amava como um irmão legítimo e era o único que não se importava com sua condição de bastardo no castelo.

- Deve arrumar suas coisas hoje, pois partirão amanhã ao amanhecer. Eu acredito que um dia você será um grande cavaleiro, Sasuke. Foi o que sua mãe sonhou que você fosse por anos antes que a doença a alcançasse. Faça por ela. – Fugaku disse e viu o menino assentir. Sasuke tinha raras lembranças da mãe, sabia que ela tinha o amado muito antes de partir.

- Farei como ordena, pai. – Disse simplesmente e fez uma reverência para o homem, se retirando do salão rumo ao seu quarto.

- O que nosso pai queria com você? – Itachi apareceu no quarto do irmão depois de algum tempo indagando com curiosidade.

- Informar-me que devo fazer minhas malas. Partirei amanhã com Jiraya para treinamento. – Respondeu de forma seca.

- Quando voltará irmão? – Itachi questionou novamente.

- Não faço ideia. – Sasuke suspirou e olhou para o irmão mais velho. – Ele quer que eu me torne um cavaleiro.

- Eu compreendo. – O mais velho ficou espantosamente calado. Itachi, com toda sua inteligência, já começava a assimilar a informação de que talvez não fosse ver o irmão por anos. Afinal, a última vez que Jiraya visitou o País dos Campos de Arroz foi no nascimento de Sasuke, há dez anos. – Você quer ser um cavaleiro?

- Meu desejo é que eu não seja mais indesejável. Talvez me tornar cavaleiro seja o suficiente para que as pessoas comecem a me ver por quem sou e não como o filho bastardo Uchiha que foi acolhido no castelo. – Sasuke esbravejou irritado. Ser excluído era a pior das sensações, infelizmente não era algo com que Itachi estava familiarizado e o Uchiha não culpava o irmão por isso. As coisas simplesmente eram assim.

- Eu sentirei sua falta. – Itachi declarou. – Aconteça o que acontecer, prometa-me que nos veremos uma próxima vez. – Disse e viu o irmão assentir com seriedade. Itachi deu um sorriso leve e cutucou a testa do irmão com o indicado e dedo médio, uma mania que às vezes irritava Sasuke.

- Eu prometo que nos veremos novamente. – Repetiu a promessa do irmão e viu Itachi sair de seu quarto, deixando-o com seus próprios pensamentos e coisas para empacotar.

Naquela noite todos se reuniram no saguão para o jantar, que contou com um pequeno trio de flautistas em homenagem aos convidados. Sasuke passou o jantar inteiro analisando seu futuro professor, vendo a forma como ele ria abertamente e parecia inofensivo. Porém, já tinha escutado diversas histórias sobre o grande Jiraya e suas façanhas lendárias.

Ouviu falar não só sobre suas habilidades com armas, mas também sobre sua inteligência e grande coração. Jiraya era tão respeitado no Norte, que era tratado com o mesmo respeito de um Senhor de Terras, afinal, ele tinha treinado o atual protetor do Norte e praticamente o criou desde que o antigo protetor morreu. Imaginou se Jiraya ligaria, de alguma forma, para o fato de Sasuke ser um bastardo e esperava que não.

Depois passou a observar o menino ao lado de Jiraya, que saboreava lentamente a carne de veado preparada pelos cozinheiros do castelo. O menino tinha a estatura baixa, era extremamente magrelo e olhava para o chão o tempo todo, como se tivesse medo de encarar alguém abertamente. “Como alguém assim pode se tornar um bom escudeiro ou cavaleiro?” Pensou arrogantemente, parecia-lhe que o menino fugiria de medo a qualquer momento.

Quando o jantar acabou, todos se retiraram do salão para seus aposentos. Os convidados e Sasuke deveriam dormir cedo para partirem ao amanhecer. Com tudo arranjado, Jiraya saiu para o próprio quarto e adormeceu imediatamente. No dia seguinte, levantou-se e desceu para a cozinha, já encontrando Hinata de pé. O grisalho sorriu, a menina era obediente e dedicada, o que ele apreciava bastante. Pegou um pão recentemente assado e se sentou em frente à menina para tomar o desjejum junto dela.

Sasuke desceu depois de algum tempo e também pegou algumas coisas para comer e beber. Assim que todos já estavam com os estômagos cheios, partiram de volta aos estábulos para buscar os cavalos e rumar ao porto. A distância do castelo à guarida era de meia hora cavalgando, o que permitiu ao três que não demorassem para encontrar o barco de tamanho médio que os levaria à cidadela. Jiraya desceu do cavalo e respirou o cheiro da brisa marítima, sorrindo para si mesmo.

- Muito bem crianças, nossa aventura começa aqui.

 

••†••

 

6 ANOS DEPOIS

 

- Caramba, Sasuke! Você já foi melhor. – Hinata debochou enquanto as espadas se chocavam umas com as outras. O bastardo Uchiha sorriu de canto com a provocação.

- Não cante vitória antes do tempo, Haruo. – Respondeu insinuando um movimento e o quebrando no último segundo, parando com a espada no pescoço do amigo. Antes que pudesse declarar a própria vitória, sentiu uma lâmina em seu pescoço e percebeu que Haruo tinha uma adaga apontada para ele. Sasuke riu.

- Mais um empate. – Hinata declarou, se afastando devagar do amigo. Desde que partiram das terras Uchiha, os dois aprenderam a conviver juntos, tornando-se amigos depois de meses treinando. A viagem de barco durou quase três meses até chegarem à cidadela. Hinata ficou impressionada com o local, era grandioso, cheio de diferentes adornos e magnífico aos seus olhos. E o mais importante: ninguém a reconheceria lá.

Ela achava engraçado como Sasuke jamais percebeu, mesmo com o passar dos anos, que ela era uma mulher. Claro que Jiraya a instruía a permanecer com o disfarce sempre e, conforme seu corpo de mulher começava a se desenvolver, o mestre lhe ordenou que amarrasse faixas nos seios para não levantar suspeitas. Isso, somado às roupas levemente largas, escondiam a silhueta da jovem Hyuuga.

- Está ficando muito chato ter que lutar com você, Haruo. Prefiro os caras chatos da taverna, eu sempre venço. – Sasuke reclamou ao colocar a espada no chão também. Ele pegou um cantil com água e sorveu o líquido avidamente, estava exausto das horas que passaram treinando naquele fim de tarde.

- Pensei que gostasse de desafios. – Hinata disse e se levantou. – Vamos indo, Jiraya deve estar nos esperando. – Declarou e saiu andando, seguida por Sasuke. Ambos caminharam até a pequena estalagem que se acomodaram desde o dia em que chegaram à Cidadela. A dona do local, vovô Chiyo, adorava a companhia dos dois junto ao grisalho e já os aguardava com um bom prato de comida.

- Chegaram cedo, meninos. – Vovó Chiyo os recebeu com um sorriso no rosto.

- Jiraya ainda não chegou? – Sasuke perguntou, pegando uma maçã e a mordendo. A senhora negou com a cabeça.

- Vou aproveitar para tomar banho. – Hinata disse e a senhorinha assentiu sorrindo. Quando Hinata deixou o local, Chiyo olhou para Sasuke.

- E então? – A velhinha perguntou.

- Empatamos novamente. – O jovem bufou e ela riu.

- Um dia você vencerá Haruo, querido. – Ela declarou divertida e viu Sasuke revirar os olhos, Haruo era um maldito sorrateiro, nunca conseguia prever seus movimentos.

Em seu quarto, Hinata trancou a porta e começou a tirar as próprias roupas, soltando também os cabelos longos. Jiraya dizia a ela que não havia problemas em um homem ter cabelos longos, desde que ela não conservasse a franja que antes usava. Sendo assim, Hinata o obedeceu como sempre. Deixava os longos cabelos negros presos com um fio de forma frouxa, como via muitos homens usarem na cidadela. Ela tirou as faixas, sentindo o alívio habitual após um dia inteiro com os seios esmagados nas faixas.

Entrou na banheira, sentindo os músculos começarem a relaxar com a água quente. A jovem suspirou feliz enquanto banhava o corpo e lavava todo o suor e impurezas de um dia cheio. Hinata parou para pensar no quanto as coisas mudaram nos últimos anos para ela e para a família. Algumas vezes acordava aos berros quando sonhava com a morte do pai e do tio, o cheio de carne humana queimada impregnava nela e ela passava o dia todo enjoada.

Logo que chegaram à Cidadela, Jiraya colocava Hinata para ensinar esgrima básica a Sasuke enquanto o grisalho visitava templos e conversava com diversos sábios e meistres. Com o passar do tempo, vendo que seus dois alunos se davam muito bem e evoluíam bastante, Jiraya passou a dedicar mais seu tempo à pesquisa, mas jamais dividia suas descobertas com os pupilos, principalmente quando o mestre encontrou informações cruciais sobre os Hyuuga e a profecia que adornava sua história.

Conforme os anos se passavam, Hinata pensava mais e mais na morte de sua família e na razão pela qual foi separada de sua irmã e primo. Ela estava amadurecendo e as dúvidas começaram a brotar em sua mente. Sem poder mais conter o turbilhão que sentia quando pensava nisso, procurou Jiraya para confessar ao homem sobre a cisma que tinha ao pensar na família. Naquele dia, Jiraya contou a ela sobre a lenda do Rei Hagoromo e seus três filhos. Contou à morena que Hinata descendia da família Hyuuga e que por isso era perseguida pelo atual rei, Momoshiki, um louco por poder.

Tal conhecimento trouxe à tona um sentindo de vingança por parte de Hinata. Perdeu seu pai e seu tio e foi separada de sua família por causa de um homem que tinha medo de uma profecia boba, pelo menos era o que a menina achava. Jiraya fazia o possível para amenizar o sentimento da menina, mas sabia que ela teria que passar por tais conflitos se um dia quisesse que ela estivesse pronta para liderar uma possível rebelião com o primo.

Quando a água esfriou, Hinata saiu da banheira e se secou. Repetiu o processo para se vestir, amarrando as faixas no busto, colocando roupas limpas, penteando os cabelos e descendo para ajudar vovó Chiyo com a janta antes que Jiraya chegasse. Sasuke tinha saído para se banhar quando o grisalho irrompeu pela porta da frente e sorriu para Hinata e Chiyo.

- Boa noite! O cheiro está ótimo! – Disse, inspirando longamente para captar o cheiro maravilhoso vindo da cozinha.

- Mestre Jiraya! Seja bem-vindo! – A velhinha o recebeu com um sorriso. – Haruo está terminando de arrumar a mesa e já poderemos jantar. Eu tenho que dizer, esse menino tem ótimos dotes culinários. – Chiyo elogiou orgulhosa. Hinata sempre a ajudava com a comida quando chegavam cedo e a senhora ensinava vários truques e receitas à Hyuuga. Ávida por ensinamentos, Hinata sempre escutava tudo com atenção e aprendia numa velocidade surpreendente na opinião da mulher.

- Tudo pronto, vovó Chiyo. – Hinata surgiu na cozinha e a velhinha sorriu.

- Vamos, Jiraya, venha comer. – Ela disse, guiando o homem até a mesa. Sasuke surgiu de seu quarto com os cabelos úmidos e sorriu ao ver a comida posta na mesa. Eles se sentaram à mesa e fizeram a refeição. Jiraya perguntou aos alunos sobre o treinamento daquele dia, recebendo o relatório completo das práticas dos dois. Assim que terminaram, se retiraram para seus quartos.

Hinata tirou novamente as faixas do busto e colocou uma camisola fresca para dormir naquela noite de verão. Ela se deitou na cama, acomodando-se entre os travesseiros e fechou os olhos. Antes que pudesse pegar no sono, ouviu batidas à porta, três baques com uma pausa, seguidos de mais dois. Era Jiraya. Ela se levantou, andando até a porta e abrindo, deixando o grisalho entrar.

- Mestre Jiraya. – Hinata o cumprimentou com a reverência de costume, tinha jogado um coberto no corpo para ficar mais decente na frente do homem.

- Amanhã você não ficará treinando nos campos com Sasuke. Tenho que levá-la para conhecer alguém. – Declarou e viu a menina assentir.

- Quando saímos? – Perguntou. Jiraya apreciava isso em Hinata, jamais o questionava, ele tinha todo o respeito da jovem à sua frente e ela confiava sua vida a ele.

- Após o café-da-manhã. Esteja pronta. – Disse sério.

- Sim, Senhor. – Ela respondeu. Jiraya saiu do cômodo e a deixou sozinha, deitada na cama e pensando em quem iria encontrar no dia seguinte com o mestre. Adormeceu sem que percebesse e acordou bem cedo no dia seguinte.

Começou sua rotina diária como sempre: trocando de roupa, amarrando as faixas no busto, prendendo os cabelos e descendo para a cozinha a fim de ajudar vovó Chiyo a servir o café. Assim que o sol raiou, Jiraya desceu para a cozinha e encontrou Hinata terminando de preparar uma omelete. Sentou-se na cadeira da pequena mesa da cozinha e esperou que a jovem terminasse o prato.

- Bom dia Chiyo, bom dia Haruo. – Declarou, ganhando a atenção das duas.

- Mestre Jiraya. – Hinata respondeu.

- O café está quase pronto. – Chiyo declarou, oferecendo algumas frutas ao homem. Eles tomaram café juntos e Jiraya pediu à senhora que pedisse a Sasuke para levar as armas para afiar num ferreiro.

Saiu com Hinata, cada um em seu cavalo, rumo ao grande templo da Cidadela. O lugar não era chamado assim apenas por ser enorme, mas por abrigar informações e pessoas vindas de todos os lados do mundo. Todo o conhecimento da história do homem estava naquele lugar e Jiraya precisava levar Hinata para conhecer uma mulher que lhe chamou muito a atenção. Assim que chegaram ao templo, a jovem seguiu o grisalho pelos corredores, até que parassem em uma biblioteca enorme.

- Uau! Isso é gigante! – Hinata exclamou maravilhada.

- Sim. Olhe, ela está ali! Vamos. – Jiraya apontou para a direção onde uma bela mulher estava sentada lendo livros. Ela era loira, aparentava ter 30 anos e tinha um corpo escultural. Antes que se aproximasse, ainda de olhos fechado, ela sorriu.

- Jiraya, vejo que retornou. – Ela disse com a voz melodiosa.

- Tsuyu. – O mestre cumprimentou a mulher sem fazer uma reverência. Quando Hinata a viu abrir os olhos, entendeu o motivo: Tsuyu era cega. – Trouxe meu pupilo Haruo, gostaria que conversasse com ele. – O grisalho pediu e viu a mulher aquiescer.

- Sente-se, Haruo. – Ordenou e Hinata imediatamente obedeceu. – Segure minhas mãos, por favor. – Tsuyu disse e estendeu as próprias mãos para que Hinata as segurasse. A mulher respirou fundo e fechou os olhos novamente.

- Eu vejo Fogo. – Ela declarou depois de alguns minutos calada. – Há muita determinação em você, o que é bom, pois seu caminho é difícil, não é mesmo Hinata? – A jovem escancarou a boca e Jiraya apenas observava tudo com atenção.

- C-como? – Ela gaguejou, pega de surpresa.

- Todo dom diferente dos comuns vem com um preço, querida. Eu posso ver mais do que qualquer ser humano e por isso acabei perdendo a minha visão normal. Quanto toco em você, eu sinto o sangue Hyuuga correndo por suas veias, suas lembranças com a família na pequena fazenda, sua felicidade. Eu também sinto o ódio que sente por saber que tudo isso foi tirado de você. E vejo que você reluta em acreditar na profecia. – A mulher declarou de forma serena.

- E-eu... – Hinata estava sem palavras. A mulher falava a verdade, ela sentia o ódio queimar dentro de si e sabia que não conseguia entender o porquê de um rei matar toda uma família por causa de uma profecia boba que há anos não se realizava.

- O tempo das profecias não é exato, criança. Eu sei o que está pensando, mas deve saber de algo. Seu pai morreu acreditando na profecia, acreditando nos ideais de Haori e na vontade do Fogo. Hiashi e Hizashi morreram acreditando que um de vocês é a criança da profecia, eles desejavam profundamente libertar seu povo da tirania. – Tsuyu respirou fundo novamente. – Eu vejo o Fogo em você, menina. E o Fogo é perigoso, precisa ser contido para não causar grandes danos, não pode ser alimentado de forma errada ou você mesma queimará.

- O que quer dizer com isso? – Hinata perguntou. Estava estarrecida e confusa pelas informações que recebeu.

- Há muito mais em jogo do que você pensa, não faça disso uma missão de vingança. Não fará bem a você. Alimente seu Fogo com coisas boas e você irá prosperar em seus objetivos. – Ela largou as mãos da moça. Hinata se levantou ainda perplexa e pediu licença para beber um pouco de água. – Jiraya, eu sinto que é ela.

- Tem certeza? – O grisalho perguntou, pensou no menino que era criado por Minato e na outra menina acolhida pelos Yamanaka.

- Sim. Mas toda profecia é uma faca de dois gumes. Eu vejo duas possibilidades para ela: o ódio consumi-la até que destrua Momoshiki e a si mesma ou ela encontrará uma forma de alimentar seu Fogo com amor, um tão forte que a fará quase invencível. – Tsuyu declarou impassível.

- Como é possível? – Jiraya perguntou. Achou que as profecias fossem feitas para se realizar na exata forma em que são escritas.

- Quando alguém como eu tem uma visão, nós vemos apenas possibilidades e escrevemos as melhores para que o povo conheça. Imagine como deve ser estranho saber que há mais de uma possibilidade no futuro, as pessoas enlouqueceriam com isso. – A loira disse com calma. – Quando meu ancestral previu a queda dos Otsutsuki, ele escreveu apenas as partes concretas das possibilidades. É certo que um Hyuuga destronará um Otsutsuki, porém, não sabemos o que acontecerá a ela nessa processo ou mesmo se um Hyuuga ficará no trono em seu lugar. As visões não são uma ciência exata.

- E o que podemos fazer? – Jiraya perguntou.

- Desejar que a melhor possibilidade se cumpra. Oriente a menina sobre os sentimentos, alimente sua sede de conhecimento pela própria família. Leve-a para conhecer seu povo e a dor que os assola. Ela deve compreender que sua vida não é apenas sua, ela tem um povo todo que conta com seu sucesso. – Ditou ao final. Jiraya pensou em suas palavras com atenção. Hinata, a jovem gentil que vinha criando, poderia nutrir um ódio sem igual por Momoshiki, um ódio que a mataria.

- Eu prometo que não perderei mais ninguém pelo ódio. – Jiraya disse sério. Prometeu a si mesmo que faria de tudo para manter a aprendiz viva. Nem que tivesse que dar a própria vida por isso.


Notas Finais


Tam tam taaaaaaaaaam *le música de suspense*

Não esqueçam o comentário para essa autora que vos fala, adoro saber a opinião de vocês viu? Fantasminhas, não tenham medo, eu juro que não mordo e sou louca pra conhecer vocês!

Até a próxima! Beijinhos! :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...