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História The Crown and The Sword - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


O que não é uma quarentena, não é meus muthathos?
Terminei esse capítulo rapidinho, a rainha dona da minha vida @dulceveiga betou super rapidinho e não pareceu justo ficar segurando né?
To postando logo pra matar a curiosidade de vocês e por isso os comentários não estão respondidos, mas vou responder viu? Inclusive MUITO OBRIGADA PELO FEEDBACK AAAAAAAAAAAAA Foram mais de 50 comentários e to me sentindo a autora mais pop pop desse saite rapaiz uwu
Creio que agora eu só poste na sexta feira mesmo, mas se rolar antes, quem sabe não volte antes né?
Novamente, MUITO obrigada pelo carinho. Tá sendo incrível. Vocês estão tornando essa quarentena super pesada em algo mais leve e fácil de viver. Eu amo vocês ♥

Capítulo 9 - The Fight and The Alphas


Baekhyun era um dos primeiros a ficar bêbado sempre que havia qualquer tipo de comemoração dentro do quartel, mas daquela vez ele sentia a necessidade de apenas ficar bem, com ambos os pés no chão, porque… Porque queria ter certeza de que estava bem para conseguir resolver as coisas pendentes que havia deixado para trás no momento em que saíra em batalha.

Talvez fosse exatamente por não ter álcool em seu cérebro que o Byun percebeu que havia algo de errado com seu general e melhor amigo. Após as palavras do príncipe, percebeu que ele simplesmente havia sumido. De início pensou que ele havia ido embora junto com o Kim, mas ouviu de seus soldados que Jongin partiu sozinho.

Por isso, estava procurando o Park por entre os diversos corredores do quartel, rindo uma vez ou outra quando via algum de seus soldados se atracando em meio ao escuro como se nunca fossem ser pegos. Arriscou na sala de estratégia e não o encontrou, acontecendo o mesmo quando procurou na própria sala de comando.

Estava quase desistindo quando viu uma silhueta do lado de fora do quartel, fazendo-o descer as escadas em passos rápidos e atravessar o portão até o campo externo onde geralmente os soldados treinavam em suas formas de lobo.

Chanyeol estava sentando em meio ao campo esverdeado, e de modo silencioso, Baekhyun sentou ao seu lado, direcionando o olhar para o mesmo local que o Park olhava para ver se tinha alguma dica do que havia acontecido, mas aparentemente a lua não tinha muitas sugestões.

— Queres dialogar? — Baekhyun perguntou num tom atipicamente calmo, ainda olhando para o céu junto com o Park. 

— Creio que não haja palavras para pronunciar de fato. Cometi um terrível erro e não consigo encontrar direções que possibilitem-me modificar o que ocorreu. — Ditou num suspiro, fazendo com que o Byun lhe olhasse.

— Conte-me o que fizeste.

— Prometi ao príncipe Kim que ele saberia pela minha boca acerca de minha volta. Que nosso lar seria o primeiro lugar ao qual eu colocaria meus pés.

— Lembro-me disso. Estava perto de ti quando ditou. — Baekhyun falou levemente pensativo.

— Mas não o fiz. Permiti-me vir direto ao quartel e dar aos meus soldados a comemoração que era de seus desejos. 

— E por que tu não me disseste tal coisa? Colocaria tudo em seu lugar ao tempo que tu visitaria o príncipe!

— Esqueci-me!

— Tu esqueceste da promessa feita para teu marido?

— Sim! Sim! — Chanyeol bufou, bagunçando os fios compridos. — Não permiti-me pensar em Jongin durante a batalha para não perder o foco frente aos meus homens. Entrei em estado de euforia por todos terem voltado comigo. É a primeira vez que não perdemos nenhum homem, Baekhyun!

— Isto não é resposta acerca do que tu fizeste com o Príncipe, Chanyeol. Todos teus homens já se encontravam bem, tu poderias ter galopado para teu lar. — Falou sério.

— Tenho ciência. — Tornou a suspirar. — Apenas… Não sei explicar-te, Byun. Era de meu desejo vê-lo, mas era certo colocá-lo frente ao meu papel no quartel? Sou um general, não sou?

— Tu és. — O coronel respondeu facilmente. — Mas não estás mais em guerra. Fora findada. Eram apenas teus homens desejando a embriaguez. Onde encontra-se erro em priorizar teu matrimônio? Não tratava-se de salvar a vida de teu marido e deixar mil homens a morrer, Chanyeol.

Aquilo pareceu pesar ainda mais para o Park, que deixou que o corpo caísse sobre a grama fofa, ficando parcialmente estirado sobre o chão. Baekhyun seguiu sentado, a expressão séria enquanto fitava o melhor amigo.

— Não é fácil estar em matrimônio. — Chanyeol admitiu baixo.

— Creio que também não mostre-se fácil para o príncipe. Mas ele está a tentar, Chanyeol. E tu? 

— Eu estou. — Respondeu prontamente, fazendo o Byun bufar.

— Estás? Tu segues a se proteger dentro de teu papel de General, Chanyeol. Mas fora desse quartel, dentro da tua casa, tu não és. Se quer que seja, se desejas que esse matrimônio se limite a papéis e união de reino, diga-lhe. Deve ser de ciência do príncipe que tu não queres nada além de fingir frente ao reino. Não o faça crer que algo possa vir a existir pois trata-se de crueldade.

Chanyeol tornou a levantar, olhando para o Byun como se tivesse ouvido o maior absurdo do mundo. Baekhyun manteve sua pose impassível.

— Achas que trata-se disso? Achas que estou a querer ser cruel para com o Príncipe? — Indagou raivoso.

— Não estou a afirmar tal coisa, Chanyeol. Estou a dizer que tu tens que passar a ser responsável pelas tuas atitudes. Não estás mais em Pavana. Park Yonam não é mais teu comandante. — Chanyeol fez uma careta ao ouvir o nome. — Tu não és mais um boneco.

— Não necessitas citar meu pai, Baekhyun!

— Necessito. Porque tu sabes que ele é o culpado por estar a cometer tantos erros. Não torne-se ele, Chanyeol. Não é só de apatia que é feita a vitória.

Baekhyun levantou após terminar de falar, e como não obteve qualquer resposta, acreditou que deveria voltar para dentro do quartel e deixar que Chanyeol voltasse a refletir sobre as próprias ações. Em seu íntimo, torcia para que o Park acordasse e se soltasse de vez das amarras que lhe foram postas há muito tempo atrás.

Chanyeol merecia ser muito mais do que um soldado de combate.

 

 

Jongin estava sentado em frente à janela do quarto, sentindo a brisa tocar em seu rosto ao tempo que penteava os longos cabelos de maneira distraída. Os fios negros já estavam chegando a sua cintura, completamente sedosos e brilhantes. O Kim acabou por levar os fios ao nariz, sentindo o cheirinho de camomila costumeiro do sabão que usava, abrindo um meio sorriso satisfeito em sentir o cabelo cheiroso.

Passou os dedos mais uma vez por todo o cabelo, decidido a fazer uma trança quando ouviu o barulho da porta da casa sendo aberta, fazendo-o suspirar aborrecido pedindo com toda força que havia em si para que não fosse Chanyeol, e que se fosse, que ele não entrasse no quarto.

Aparentemente ele não pediu com tanta força porque foi questão de segundos para que o cheiro do alfa se fizesse presente no recinto, e Jongin desistisse completamente da ideia de trançar o cabelo.

— Jo-Alteza. — Chamou baixo o Kim, que num suspiro virou o rosto para encarar o alfa.

— Sim, General? Em que posso ajudá-lo? — Indagou apático, a expressão fechada.

— Trouxe-lhe… Morangos. — Murmurou meio incerto, tirando uma cesta de trás de si para que ficasse no campo de visão do ômega, que riu de maneira irônica.

— O que tu queres que eu faça com esses morangos, general? — Perguntou de modo impaciente.

— Apenas… Uma forma de desculpar-me contigo.

Jongin encarou Chanyeol por alguns segundos e voltou a rir sem qualquer tipo de humor, enquanto negava com a cabeça.

— Tu crês que trata-se de morangos, alfa? Crês que podes partir meu coração e acreditar que resolverá todos os pormenores com frutas?

— Jon-

— Cala-te! — Jongin bradou erguendo a mão. — Cala-te! Porque irás me ouvir. Porque estou farto de ter que engolir minhas palavras. Estou farto de ter que portar-me como um príncipe. Não sou um príncipe neste lar, sou teu marido! 

— Tens ra-

— CALA-TE ALFA! — Praticamente gritou, completamente irritado. — Respeita-me uma vez que seja debaixo desse teto. Culpei-me uma lua inteira por crer que estava falho em ter raiva de ti por teres me feito crer em falácias. Mas não sou o único culpado, alfa. Porque tu, tu também me fizeste crer que tinha motivos para ver este matrimônio como de fato ele deveria ser… Um matrimônio! Tu aceitaste meu selar, alfa. Tu permitiu que eu tocasse teus lábios e foi com eles próximos que prometeste voltar para mim. Para teu marido, não para teu príncipe. Agora diga-me… Diga-me, alfa. Por quê?

Chanyeol havia recuado dois passos após o grito do Kim e o fitava com uma expressão completamente culpada. Via as lágrimas brotarem nos olhos do príncipe e correr por entre suas bochechas. 

— Tu não estavas errado, Alteza. Eu estou. — Admitiu facilmente e o Kim passou a mão no rosto, apertando a carne ali presente em sinal de frustração.

— Sou um príncipe, alfa. Sempre me fora ensinado que meu povo deveria vir antes de meus desejos, de minhas vontades. É a razão pela qual estou em matrimônio. Mas sempre fora de meu desejo cuidar de meu povo e cuidar daqueles pelos quais tenho sentimentos. Sempre soube equilibrar minhas vontades ao meu querer. Teus soldados são tua responsabilidade e compreendo tal coisa. Mas não pedi para que prometesse salvar-me para ferí-los. 

Chanyeol não disse absolutamente nada porque era exatamente o que Baekhyun já havia lhe dito, e parecia que quanto mais aquilo era jogado contra sua cara, mais estúpido conseguia se  sentir.

— Não quero morangos, General. Não quero mimos. Quando tu destrói o coração de alguém, a única forma de consertá-lo é buscando ser um pessoa melhor. 

— Eu serei. — Disse rapidamente. — Dou-te mi-

— Não prometa-me nada. — Jongin o interrompeu bruscamente. — Não é de meu desejo ouvir quaisquer promessas tuas, alfa. Não me proves nada. Seja aquilo que prometera ser frente ao rei ao assinar o acordo de nosso matrimônio. Meu marido frente ao povo e nada mais.

— Jongin…

O Kim ergueu a mão mais uma vez.

— Chame-me pela minha classificação, alfa. Não sou nada além de um marido por contrato para que tenhas quaisquer intimidade comigo. 

Chanyeol ainda abriu a boca, mas desistiu derrotado.

— Peço-te licença. Desejo dormir. — Jongin ditou por fim, apontando para a porta.

O Park saiu em silêncio.

Silêncio que passou a reinar pela casa nas próximas luas.

 

 

Jongin nunca tivera autorização para andar só por qualquer canto que fosse, por isso tinha seu corpo coberto com uma imensa manta enquanto andava por dentro da floresta de Sanní, para não ser visto por qualquer pessoa de seu reino.

Estava atento, sabendo que era perigoso fazer o que estava fazendo, mas não queria esperar lua após lua para quando a carruagem o buscaria para ir ao castelo. Agora que Junmyeon estava outra vez no reino, tinha conhecimento que demoraria um bocado para pisar lá.

Ao menos, não era tão longe e conhecia bem o lugar. Não foi tão difícil chegar a uma área mais distante do centro do reino, onde pequenas casas com o mesmo padrão de cores e tamanho se assentavam pela rua. Mesmo que todas as residências fossem idênticas, sabia exatamente em qual bater, e por isso correu rapidamente ao local, batendo na porta com delicadeza, esperando alguma resposta.

Como não a teve, empurrou a porta vendo que a mesma estava aberta e decidiu entrar, deixando os sapatos ao lado da entrada. Acreditou por algum segundo que não havia ninguém na casa, mas quando ouviu um gemido sofrido, arregalou os olhos e correu em direção ao quarto totalmente preocupado, com o coração disparado.

— Xing, estás…

Jongin não conseguiu terminar a sua frase preocupada, porque gritou, fechou os olhos e virou o corpo completamente horrorizado com o que tinha acabado de ver.

— Majestade! Pela Deusa! — Yixing gritou, virando-se e quase caindo no processo, sendo segurado pela outra pessoa que também estava na cama.

— Estou de partida. Estou de partida. — Jongin praticamente gritou, ainda de olhos fechados, tateando pelas paredes como se tivesse visto a pior coisa de sua vida.

Antes mesmo de alcançar a porta, fora segurado pelo pulso, fazendo-o parar e gritar outra vez.

— Estou coberto. Juro-te. — Yixing ditou entre desespero e preocupação.

Jongin primeiro abriu um olho para depois abrir o outro e de fato constatar que o melhor amigo estava vestido. Não só ele, mas a companhia dele, que estava encostado na parede, igualmente sem graça.

— Perdoe-me pelo infortúnio, Xing. Não era de minha crença que estavas acompanhado. Perdoe-me, Coronel. Não fora mesmo de minha intenção. — Ditou para os dois, completamente constrangido.

— Não preocupa-te, Alteza. — Baekhyun ditou num meio sorriso. — Minha chegada fora de surpresa. Tu não tens culpa. Yixing poderia ter dito a mim que tua presença seria requerida aqui.

— Também fora de surpresa minha chegada, Coronel. — Jongin explicou sem graça. — Yixing sempre esteve só que não ocorreu-me pensamentos de que tal situação pudesse vir a acontecer.

— Tu nunca vens só, Alteza. — Yixing murmurou como se tentasse se justificar.

— Perdoe-me. Estava envolto de um grande pesar e pensei em ti. Era de minha vontade apenas buscar conforto. Nunca fora de meu desejo atrapalhá-los. Vós não sois culpados pelo meu matrimônio fracassado. 

— Alteza. — Yixing falou com pesar. — Baekhyun contou-me o infortúnio de tua vida. Venha. — Pediu com os braços abertos.

Jongin olhou levemente inseguro para aquilo, deixando o olhar cair sobre o Byun, que sorriu.

— Será de grande ofensa se não abraçares teu protetor na justificativa de minha presença, Alteza. 

Foi o suficiente para o Kim correr em direção ao Zhang e apertá-lo num abraço sofrido. Aquilo funcionou como uma zona de conforto, porque Jongin começou a chorar. Tudo que havia engolido, tudo que havia guardado por todo aquele tempo na necessidade de seguir demonstrando sua frieza enquanto príncipe, desmanchou. 

Yixing passou a fazer carinho nas costas do mais novo, soltando um longo suspiro, preocupado com o amigo. Dificilmente Jongin se permitia desabar. 

De forma cuidadosa, passou a puxá-lo de modo que sentasse no chão sobre o carpete, ainda acolhendo o príncipe em seu peito. Baekhyun observava tudo em silêncio, sem saber se deveria sair e deixar que ambos pudessem ter mais privacidade ou se ficava para ajudar em qualquer coisa que fosse.

Demorou alguns minutos para que o Kim pudesse se acalmar, afastando-se lentamente do Zhang, usando a manga do hanfu para enxugar o próprio rosto. Yixing lhe ofereceu um sorriso, acarinhando sua bochecha de modo gentil.

— Conte-me o que te perturba, meu príncipe. — Yixing ditou com carinho.

Jongin fitou o Byun por alguns segundos e acabou por baixar a cabeça, seguindo em silêncio.

— Creio que devo me retirar. Deixarei-os a sós. 

— Não é necessário. — Jongin disse baixinho. — Só… Estarei a falar negativamente de teu general e preocupo-me não lhe ser confortável.

— Falar mal do Chanyeol? Deixe-me começar. Tenho tantas coisas a dizer. — Falou num sorriso que fez o Kim também rir.

— Estou ferido. — Admitiu por fim, tornando a receber carinho em suas costas. — O General trouxe-me morangos em um pedido de desculpas e irritou-me completamente. Ele crê que frutas irão transformar minha dor em nada?

Yixing sorriu levemente.

— Tu sabes que o Do sempre esteve certo em afirmar a estupidez de alfas. — O guarda comentou. — Não tenho crença que ele o fez para irritá-lo.

— Porém irritou-me!

— Chanyeol sempre foi a forma mais bruta de ignorância e estupidez, Alteza. Peço perdão por tal coisa. — Baekhyun ditou num tom pesaroso, fazendo o Kim suspirar.

— Apenas é de meu desejo a não existência de qualquer matrimônio.

— Irás romper a reunião dos reinos? — Yixing perguntou, mas sem qualquer tom de julgamento.

— Sabes que não posso. Trata-se da segurança de meu povo, não de mim. Se a união é desfeita, o exército voltará a Pavana e estaremos desprotegidos. Fora a ofensa ao reino de Pavana. Minha dor será nada frente ao sofrimento de Sanní.

— Ser príncipe é… 

— Exaustivo. — Jongin terminou a frase do Byun, que fez uma careta. — Mas não é terrível como faço parecer. Amo meu reino, Coronel. 

— Desculpe-me a equiparação… Mas tuas falas são tais como as do General proferindo sobre seus soldados.

O príncipe tornou a fitar o Byun.

— Crês que é erro minha raiva? Que estou a ser incompreensivo do papel do General frente aos seus homens? — Perguntou de modo sincero, levemente encolhido contra o corpo do Zhang.

— De forma alguma, Alteza. O cumprimento da promessa de Chanyeol feita a ti não acarretaria em quaisquer dano aos seus soldados. Ele foi estúpido. Deixou-se levar por antigos ensinamentos e magoou-te. Estás certo em ficar preso em raiva. 

— Para minha tristeza, a raiva não mostra-se suficiente para extinguir a dor.

— Terás de ser paciente, Jongin. — Yixing tornou a falar, colocando uma mecha de cabelo do Kim para trás de sua orelha. — Em algumas luas encontrarás conforto. Até lá, busque aquilo que te faça bem e conseguirás voltar ao tempo em que a presença de teu marido era indiferente.

O Kim mordeu o lábio inferior e baixou o olhar.

— Posso confessar-te algo? — Indagou baixinho pro Zhang, que assentiu com a cabeça. — Não sei se é de meu gosto a volta da indiferença. Eu… Creio que meu coração fora tomado pelo General. 

Baekhyun arregalou os olhos com a confissão, enquanto Yixing apenas sorriu, tornando a abraçar o Kim outra vez.

— Então resta-nos pedir à Deusa para que teu coração encontre conforto. E que o General possa ser merecedor dessa tomada em alguma lua à frente.

 

 

Tudo continuava a desandar. Chanyeol e Jongin não trocavam uma palavra, e quando trocavam, eram frias e secas, chamando um ao outro pelas suas classificações. Era verdade que Chanyeol estava a tentar melhorar as coisas, mas o Kim não dava qualquer espaço para que isso acontecesse, sempre saindo dos cômodos quando o Park chegava, levantando-se da mesa de jantar quando o General sentava, vivendo no castelo como se fosse seu lar.

E o Park estava a sentir tudo aquilo. Sabia que era sua culpa, ainda tinha as palavras do Byun em sua cabeça. Sempre fora tão fiel aos ensinamentos de seu pai, principalmente do seu pai alfa, que parecia que ele não conseguia ser algo diferente.

O primeiro suspiro de Chanyeol fora dentro de um quartel. Seu pai beta era o braço direito de seu pai alfa. Não houvera amor ou quaisquer sentimentos que unissem os dois além do gosto pela batalha. O Park fora um erro de percurso que ambos decidiram levar à frente para treinar alguém que seria o futuro general, feito exclusivamente para ser um vencedor em batalha.

Chanyeol sequer se lembrava se um dia vivera em algum lar que não o quartel. Seu presente de primeira estação fora uma espada. Quando tinha cinco estações passara a aprender a ler utilizando o livro de estratégias de guerra. A primeira vez que se transformara em lobo em sua décima quarta estação, participara de seu primeiro combate onde parara na ala de enfermagem por ter batalhando com um alfa com muito mais luas vividas do que ele.

Sempre fora ensinado a importância da frieza frente a batalhas. Não deveria haver apego, sentimentos, nada. Sua vida eram seus soldados e nada mais do que aquilo. Viveria e morreria por eles. Fora isso que prometeu no dia que seu pai passara o posto de comando para si, quando fora chamado pelo rei de Pavana para ser chefe de estratégia interna da coroa.

Jongin foi… algo que ele nunca imaginou em sua vida. Quando seu pai o chamara para o castelo em um dia de tempestade, e ditou que ele iria casar com um príncipe de Sanní, ele ficou completamente confuso. Seu pai explicou em detalhes que se tratava de mais uma estratégia de proteção de Pavana, porque Sanní era um reino muito rico e que se o reino abrisse as fronteiras para eles, conseguiriam se manter de maneira mais confortável.

Obviamente Chanyeol não demonstrara qualquer oposição acerca disso. Se era para o bem de seu reino e seus soldados, aceitou com orgulho e preparou seus melhores soldados para partir consigo para Sanní e fazer o máximo de seu trabalho. 

Não lembrava bem de Jongin se perguntasse como foi a primeira vez que eles se encontraram. Ele só queria assinar o papel e reorganizar sua armada no quartel que estava numa completa bagunça. Se fora em seu novo lar umas três luas, havia sido muita coisa. Não estava de fato preocupado com o matrimônio, ainda que soubesse que deveria mantê-lo ou abriria espaços para uma ofensa à corte de Sanní e borbulhar uma tensão de guerra.

Fora algumas luas depois que pisara em Sanní que recebera uma carta de Lee Sunmi, princesa de Pavana. Aquilo o deixara completamente surpreso porque não tinha tanto contato com a ômega, a vira nas poucas vezes que pisara no castelo para dialogar com seu pai ou seu rei, Taehyun.

 

Caro General,

 

Sei que deve ser uma grande surpresa que estás a receber uma carta de meu punho. Não temas. Trata-se de um simples pedido. Chegou em minha ciência teu matrimônio com o Príncipe Jongin e estou a pensar desde então em tal coisa. Sempre foste criado em um quartel, com alfas e betas cercando-te por todos os lados. Sabes tu viver com um ômega? Para além de tal, sabes tu viver com outra pessoa além de teus soldados?

 

Não trata-se de classificações, trata-se de viver para além de muros que constantemente gritam por batalhas e vitórias. Estarás a dividir o lar com alguém da corte, alguém que possivelmente sempre fora ensinado a viver para seu povo, porque é tal coisa que nos é ensinado. Ao pensar em dividir minha vida e respirações com um alfa em matrimônio, sempre estive a pensar o que ocorreria. Fora de minha crença minha mão ao príncipe Kim Junmyeon, mas teu pai viera com a ideia de teu matrimônio, e meu pai acatou no mesmo suspiro porque mesmo que ele sempre apresente essa carranca de braveza, ele ama-me incondicionalmente. Se tu casas com Jongin, poderia casar-me com quem meu coração desejar.

 

Isso aflige-me. Não é de meu egoísmo apresentar-me em estado de felicidade enquanto o Príncipe Kim casará com um homem que só sabe viver pelos seus soldados? De fato é. E mostra-se a razão para qual estou a escrever de meu punho tal pedido.

 

Cuide do Príncipe Kim. Ele não é teu soldado, General. Ele mostra-se alguém que teve que abrir mão de seus sentimentos para cuidar do seu povo. Mostre-se presente em vosso lar, traga sorrisos em seus lábios, ensine-o nossa cultura, faça-o sentir-se além de príncipe, mas um ômega que também é merecedor de felicidade para além de sua coroa.

 

Compreendo a grande dificuldade de tal, já que tu sempre viveu pela tua espada. Estou a pedir que tentes. O pouco que tu tentares será de grande significado para o príncipe, tenho fé em tal. 

 

No mais, parabenizo-te pelo teu matrimônio. Pavana sempre estará aqui por ti. 

 

Atenciosamente,

Lee Sunmi. 

 

Chanyeol estava sentado em sua sala no quartel, relendo a carta que recebera há estações atrás. Foram as palavras de sua princesa que o fizeram ir até seu lar apenas para olhar um pouco mais o príncipe, dentro de desculpas que necessitava pegar coisas que ele sequer lembrava o que era. Fora também quando ouviu as palavras do príncipe acerca de seu medo da solidão e decidira seguir o pedido da princesa em tentar cuidar-lhe.

Ela estivera certa em cada uma de suas palavras. Nunca soubera viver além de seu quartel e seus soldados. Era a maior batalha que vivia em tentar ser além de um general, ser um alfa, um marido para o príncipe. Mas não era o suficiente. Sua criação falava além de qualquer coisa que tentasse.

Seguia com a carta na mão, cogitando escrever também uma carta para a princesa, porém a demora de resposta fazia tudo parecer pior. Precisava conversar com alguém e não poderia ser o Byun, nem o Zhang, nem quaisquer de seus homens. Eles não o ajudariam de forma alguma.

Como num estalo, um nome veio em sua mente, e rapidamente levantou de onde estava sentado e correu para o lado de fora sem dizer absolutamente nada.

Precisava encontrar Do Kyungsoo.

 

 

Kyungsoo tinha um meio sorriso nos lábios enquanto fitava a flor que fora deixada em cima de sua máquina. Nunca entendia como Minseok conseguia deixar aquelas coisas pelo castelo quando ele sequer estava lá. 

Segurou a flor com cuidado indo em busca de um copo com água para colocá-la, quando foi surpreendido com batidas na porta de seu ateliê. Arqueou a sobrancelha levemente surpreso por conta do horário, a lua já pintava alto do céu para receber quaisquer visitas que fossem, e Minseok estava em viagem.

Colocou a flor num lugar mais protegido enquanto não conseguia achar o vaso e caminhou até a porta, abrindo-a lentamente, chocando-se com a figura do outro lado.

— General? — Indagou com a expressão ainda em surpresa. — Jongin está bem?

Chanyeol suspirou e assentiu com a cabeça.

— Ele encontra-se em nosso lar. Creio que adormecido. — Respondeu num tom baixo. — É de meu desejo dialogar contigo. Existem possibilidades?

Kyungsoo, ainda sem compreender bem o que estava acontecendo, abriu a porta de modo que permitisse que o Park entrasse antes de trancá-la.

— Sente-se. — Apontou para um dos bancos do local. 

Chanyeol sentou e Kyungsoo acabou sentando à sua frente, ainda com os olhos levemente arregalados, sem entender porque o marido de seu melhor amigo estava ali.

— Parti o coração do príncipe. — Chanyeol começou a falar, fazendo o Do bufar.

— Tenho conhecimento de tal, General. Desejas que eu convença o príncipe a perdoar-te? Perdeste teu tempo, não o farei. — Falou sério, os braços cruzados sem sequer se preocupar que o homem à sua frente era um general.

— Não é de meu desejo tal, Do. — Falou rapidamente. — É de minha vontade merecer o perdão do príncipe. Quero que ajude-me a ser um marido melhor.

— Desculpe-me?

— Não é de meu conhecimento lidar com pessoas além de meus soldados, Do. Quero que ensine-me teus conhecimentos sobre Jongin. Que diga-me o que devo fazer  para ser além de um general.

— General, temo dizer que esses comportamentos não são lecionados. É inato. — Kyungsoo falou levemente incrédulo. — Não é de meu poder lecionar para que sejas melhor.

— Compreendo, Do. Tenho ciência de tal. Mas podes me aconselhar, não podes? Por favor, Do.

— General…

— Imploro-te. — Ajoelhou-se aos pés do ômega, que arregalou ainda mais os olhos, completamente chocado. — Ajuda-me a ser o marido que Jongin tem merecimento.

 


Notas Finais


É isso bebês
Acho que deu pra sentir um pouquinho mais da história do Chanyeol né?
NOVAMENTE MUITO OBRIGADA PELO INCRÍVEL FEEDBACK!

Caso vocês queiram spoilers marotos, só me procurar aqui: https://twitter.com/DNG458


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