História The Cure - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Otabek Altin, Yuri Plisetsky
Tags Otabek Altin, Otayuri, Viktor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky, Yuri!! On Ice
Visualizações 33
Palavras 1.759
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tia Bianca??? E isso é hora de postar capítulo novo? Pois é, gente, eu estava decidida de que eu precisava postar antes de dormir, e aqui está!
Me pedoem caso o capítulo tenha ficado pequeno em comparação aos outros, mas é que eu estive em semana de provas e meu tempo foi curto :\
Enfim, boa leitura!!!

Capítulo 4 - Let It Be


"Deixa ser como é

 Tu fizeste outro mar

 O oceano dessas coisas

 Que desejo."

 

 

 Me ofereci para buscar refrescos, voltei do caminho ensaibrado com dois copos altos de sumo de ananás, soda e gelo. Quando abro a porta do quarto, ouço o som das gotas do chuveiro batendo na água da banheira, inclino-me para depositar os copos em cima de uma mesa e vou em direção ao banheiro. Observo Yuri suspirar ao sair parcialmente da água cintilante. Sacudiu o cabelo perlado de água, estendeu-me os dois braços nus e para minha surpresa, ergueu um joelho.

 -Leva-me ao colo para a cama, por favor. Sinto que vou desmaiar a qualquer instante. 

 -Onde… Está sua cauda? - questiono, o sangue se esvaiu do meu rosto, estava pálido.

 E assim fez, resistindo a tontura no começo, balançando a cabeça lentamente de um lado para o outro. Logo inclinou-se para frente, andou até mim e desmaiou em meus braços. Foi então que um vazio repentino, no meu peito, me obrigou a urrar como um louco. O arrastei para cama, enxugando as gotículas sob sua pele gélida. Yuri despertou da falsa morte assim que coloquei a mão em sua testa. Não estava morna, permanecia gelada como a de um defunto, suas bochechas não estavam rosadas como costumam ser, e profundas olheiras brotaram abaixo de seus olhos vulgares.

 -Me escute - pediu, com voz fraca. -Isso vêm acontecendo desde ontem. Eu vou morrer se... Eu preciso… Preciso - sua voz falhava a cada palavra dita -…De carne, sangue… Do seu sangue.

 Por 10 longos minutos, afagando-se em meu colo, sugava meu sangue com voracidade, tamanha fome que suas unhas cravaram em minhas costas, provavelmente, deixariam marcas até um outro dia. Após sorver a bebida retirada do meu pescoço, livrou-se dos meus braços e vasculhou a mesa onde os copos "suavam" pelo extremo calor. Fitei a constrangida e pálida enguia colocar os restos de gelo no copo -apenas fragmentos gelados-, deitar a cola e acrescentar o sumo de ananá, enquanto meu coração parecia querer se arrebentar de amor dolorido. Limpou o sangue com gotas da bebida que escaparam do canto de sua boca, acabando com o líquido em poucos e longos goles. Quase o dia passou, e me perco nessas horas que o vejo. Já era de tarde quando decidiu sair do aposento e ir até o quarto onde seu irmão ainda sofria com os sintomas da ressaca. Não sei o tipo de conversa que tiveram. E mesmo que estivessem diante de mim, não saberia, aquelas duas enguias conversariam usando sua telepatia.

 Apenas Yurii apareceu no meu quarto em seguida. Não bateu na porta, entrou sem olhar em minha cara e sentou-se na estreita borda da cama. Com ar paciente, ajeitou os cabelos negros desgrenhados e declarou-me:

 -Chegando em Moonbow, quero que deixe ele livre para tomar decisões.

 O questionei com os olhos.

 -Quero dizer, se ele tiver de ir, se afaste, deixe ele voltar comigo - explicou. -Pensei sobre o que tinha me dito, e estava certo, deixou de ser uma criança há muito tempo, era eu que não queria enxergar isso. 

 Percebendo meu olhar de revolta, prosseguiu:

 -Não pense que ele irá ficar com você. Te amando ou não, seu instinto será de voltar para o mar. E que estrutura você teria para cria-lo aqui? Sei que desmaiou de fome - tornou a levantar da cama, aumentando o tom de sua fala. -Não seja egoísta, manter uma sereia longe de sua casa é doentio.

 Com essas palavras, se recolheu e saiu jogando a porta violentamente.

 

 ~~~~~~

 

 Seguimos, portanto, para leste, eu mais arruinado do que revigorado pela satisfação da minha paixão e as enguias respirando o ar poluído pelo cigarro nos bancos de trás. Penso que aquela viagem demoraria séculos, e que devia ser assim, para cada segundo desfrutar ao seu lado, sim, aquela nossa longa viagem não era nada mais do que guias de estradas desfeitos, pneus velhos e os soluços de Yuri, -todas as noites, todas onde parávamos para dormir- assim que eu fingia adormecer.

 -Ei! Preciso ir no banheiro! - Yuri gritou, lá de trás.

 -Aguente até a próxima vila - respondi.

 Como uma criança mimada, chutou diversas vezes as costas do banco, consequentemente, acertando minha coluna.

 -Não! Eu preciso ir agora. Pare num posto de gasolina.

 Fazendo seus caprichos, estacionei na frente do bendito posto, a enguia sagaz correu até o banheiro químico e aguardei o seu retorno. A outra enguia dormia tranquilamente, não tinha pregado o olho noite passada, estava tão ocupado fazendo com que Yuri parasse de fazer chilique que esqueceu de seu sono. Esperei, 10 minutos. Esperei, 20 minutos. Esperei, esperei, esperei meia hora. Como eu fui idiota por deixar um canibal à solta?! Chovia, entretanto, a chuva transformara-se em um voluptuoso aguaceiro, convertendo as entradas de terra em barro. Saí do carro e corri em direção aos banheiros, fétidos e sujos, mas não havia Yuri algum. Havia sangue, um longo rastro se estendia até o matagal próximo onde me encontrava. Seguindo o rastro, você se depararia com a seguinte cena: um garoto, loiro, com uma enorme cauda de enguia, devorando um braço humano, pertencente a algo que um dia já foi um homem. Ao me enxergar de longe, a vista ofuscada pela tempestade, tratou de esconder-se, falhando ao tentar se arrastar pelo gramado encharcado. Claro que o busquei, não precisei correr, rastejava tão devagar que o alcancei em segundos. O olhar traduzia toda a vergonha que tratava de ocultar. Os pelos dos meus braços se arrepiaram, o suor frio da minha testa se mesclava com as gotas da chuva, enfim, meu corpo todo reagiu a imagem do rosto ensanguentado, das presas afiadas que Yuri escondeu em seu período na terra firme. O rosto angelical fora manchado, agora era a face de um maníaco, um sedento, um monstro.

 -Não olhe! - declarou, a plenos pulmões. 

 Sem dar ouvidos à sua pirraça, o levantei do chão, tendo dificuldade em conseguir manter aquela cauda pesada em meus braços. Continuava com as palmas das mãos cobrindo seu rosto, como se as mesmas pudessem esconder seu crime. Passei despercebido pelo morto no chão, não tive a decência de voltar para enterra-lo, ou chamar a polícia. O que iriam fazer? Prender um peixe?

 Meti a enguia no carro, e burro como sou, fiz com que molhasse a outra que pulou assim que pôs os olhos em seu irmão, banhado em sangue humano.

 Tratou de limpar o sangue, arrancado suas roupas -    ele precisaria tira-las de qualquer forma, para dar lugar à cauda- e enxugando seu rosto, assim como o sangue escorrendo até o peito. Limpo das evidências do assassinato, ainda encharcado, afundou a cabeça no ombro de Yurii, segurando suas mãos e soluçando baixinho. Voltei a dirigir, pensando em qualquer outra coisa que não fosse meu Yuri arrancando partes de um homem dilacerado e as engolindo.

 

 ~~~~~~~~

 

 Parando em uma pensão caindo aos pedaços, pedi o de sempre: dois quartos. Enquanto pagava, Yurii subia escada acima com Yuri no colo, mais para desmaiado do que dormindo. Trancaram-se num quarto e lá permaneceram até onze da noite, quando eu -já sonolento e envolvido nos lençóis da cama- tenho meus olhos iluminados por um feixe de luz, da porta onde Yuri se encontrava. Um misto de ingenuidade e fingimento, encanto e vulgaridade, amuos verses e jovialidade rosada, andou até mim, e sem convite, lançou-se em cima do meu corpo. Mesmo esmagando minhas costas, esperei o que tinha para dizer:

 -Eu prometo, fazer greve de fome - ele mesmo sorriu da própria piada, mostrando-me os dentes, com seu adorável jeito infantil. -Não quero ver essa sua cara assustada de novo.

 -Ainda bem. Realmente, não é bom ver alguém sendo assassinado todo dia – sorri.

 Puxando-o pelo pulso magro, o acolhi ao meu lado, este divertia-se bagunçando meu cabelo, ao mesmo tempo que eu me maravilhava secretamente por ele ser meu, meu, e recordava de todas as noites quando dormíamos e acordávamos um ao lado do outro, ao som do arrulhar de pássaros matinais. Ah, como ele me enfeitiçava ao passar dos segundos! O frio da madrugada nos uniu ainda mais, Yuri com sua cabeça levemente deitada em meu ombro e seu cabelo espalhado, esfregando seus fios em meu pescoço. E eu o envolvia com os braços, o prendendo ali até o amanhecer.

 E quando o sol se levantou, pude sentir seus lábios encostarem nos meus, e sempre se declarava quando eu dormia. Se declarava para si, dizia "eu te amo" quando mais ninguém o observava, nem mesmo eu. Mas com sua terrível falha de não averiguar se eu realmente estava dormindo, deixou que eu ouvisse cada palavrinha: eu-te-amo.

 

 ~~~~~

 

 Yuri. 4 letras, harmoniosas. Você tem que abrir lentamente os lábios, joga-los para frente, logo, eles se abrem, e os dentes se encostam. Yuu-rii. Perfeito como quem o possuía, dono dos olhos verdes vulgares e hipnotizantes.

 -Quero que saibam que, assim que chegar à Moonbow, a primeira coisa que vou fazer é pular naquelas ondas enormes - declarou alegremente, minha enguiazinha que balançava as pernas e folheava uma revista que comprei numa loja de souvenir. Qualquer letreiro luminoso onde lia-se "VISITE A NOSSA LOJA X COM PROMOÇÃO" tínhamos que parar para comprar objetos de artesanatos, feitos de conchas em sua maioria. Foi assim que ganhei um cordão que ele mesmo fabricou, pegou a concha azul que tanto venero e a transformou em um pingente, perfurando e atravessando a conchinha com o cordão feito de fios escuros.

 Enfim, ele lendo, eu dirigindo, Yurii recordando que ler enquanto alguém dirige pode estragar a sua visão, nossa estrada estava completa. E claro, tratou de repreender seu comentário alegre:

 -Nem pensar! Quer morrer na mão desses lunáticos? Nadaremos em uma outra rota, iremos para outro país assim que chegarmos.

 Em protesto, Yuri fechou bruscamente a revista e levantou o olhar para Yurii, que rapidamente tentou amenizar a intenção de suas palavras:

 -Se você vir comigo, claro.

 Seja o que foi a sua resposta, não a escutei, e se escutei, ouvi de forma distorcida, era impossível de entender suas pesadas palavras. Enquanto discutiam, os meus dedos amoleceram e senti a súbita sensação de uma facada em meu coração, fechando os olhos e não os abrindo mais, escuto suas vozes a gritar pelo meu nome, até o carro frear com uma velocidade inacreditável. Bati a cabeça, permaneci consciente por um minuto, o suficiente para poder ver seus rostos horrorizados, e meu peito ardia, ardia sem piedade, como se fosse explodir. Quando desmaiei, desejei que todos os homens iguais a mim sumissem da Terra.


Notas Finais


Agradeço a quem conseguiu ler até aqui! E até a próxima semana, eu acho ^^


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