História The dark half of the blue - Capítulo 1


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Categorias La Casa de Papel
Personagens Mãe da Raquel, Professor, Raquel Murillo
Tags Alvaromorte, Elprofesor, Itziarituno, Lacasadepapel, Professor, Raquelmurillo, Sergiomarquina, Serquel
Visualizações 84
Palavras 960
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Queria agradecer a todos que vão ler a história, ao mb por motivo nenhum, à Madu por tudo, e à Danielle porque eu tenho que cadelar. <3

Capítulo 1 - About stars


Fanfic / Fanfiction The dark half of the blue - Capítulo 1 - About stars

Raquel estava coberta em sua própria sujeira, amarrada pelos braços a uma haste de metal, com seus pulsos machucados, de quando tentou se soltar, e a pele queimada pelos choques que recebera. Ainda assim, resistia. Não encontrava força alguma em si, e, depois de tantas semanas, sequer em Sergio. Sentia-se fraca, mas resistia.  Não se entregava por algo que estava dentro dela. Literalmente. Havia descoberto a gravidez alguns dias antes do assalto. Não tinha planejado, não cogitava de forma alguma ser mãe novamente depois de tanto tempo, pensava que um filho era o suficiente, e talvez fosse. Mas naquele momento seu bebê era tudo pra ela e ficava feliz por ter algo a que se agarrar. “Eu vou sobrevier por você, filho. E seu pai vai sobrevier pela gente.” Repetia para si mesma sempre que achava que não aguentaria mais.

Durante a noite, antes de a drogarem, se lembrava dos momentos em Palawan. Havia tido um dia que saíra cedo para comprar frutas e, por causa de um tumulto no mercado, demorou a voltar para casa, chegando quase na hora da Paulita ir para a escola. Quando entra no quarto da menina, se depara com o Sergio mexendo em seu cabelo tentando fazer uma trança que mais parecia um rabo de cavalo com alguns nós. Tenta observar a cena silenciosamente, mas quando a garotinha se dispõe a ajuda-lo a consertar, e ele faz uma cara de concentração que geralmente só fazia quando resolvia problemas complexos, ela cai na risada. Eles olham em direção à porta e a Paula corre até ela. “Mamãe, mamãe, que bom que você chegou. O tio Sergio estava estragando meu cabelo”. Ele faz uma cara de desapontado e a Paulita beija sua testa, voltando saltitante à penteadeira para que sua mãe pudesse terminar – ou melhor, consertar – o serviço. Sim, ele seria um ótimo pai. Já o era. 

Ficava às vezes dias sem comer, ou pareciam dias. Não conseguia definir a passagem de tempo dentro daquela sala escura. Preocupava-se com a saúde do seu neném. Lembrava-se de Mônica lhe dizendo sobre o péssimo obstetra a que fora, e pensava que qualquer médico que confundisse o sexo do bebê seria melhor que um balde de água fria – literalmente -. Queria saber como ele estava, o que precisa fazer, quais as recomendações. Queria ver seu rostinho borrado no ultrassom, fazer o seu enxoval, curtir a gravidez junto às pessoas que mais amava. Queria ver o Sergio neurótico lendo mil livros sobre gestação e falando toda hora sobre o que ela podia ou não fazer, enquanto ela o enlouqueceria ignorando todas as suas sugestões. “De que adianta todo o dinheiro que tenho na conta se eu não sei nem se poderei segurar meu filho no colo um dia?” pensava. “Eu vou sobrevier por você, filho. E seu pai vai sobrevier pela gente. E eu espero que você sobreviva por mim”. Tentava mentalizar. Mas havia dias em que era difícil.

Quando estava casada com o Alberto queria ter mais de um filho. Gostava da ideia de Paula crescer com um irmão para aprender com ela e ensinar a ela. Mas trabalhava demais e o seu marido também. Sentia-se muitas vezes, inclusive, culpada por não ser mãe em tempo integral, por perder tanta coisa da filha estando envolvida no trabalho. Por ter que deixa-la com sua avó e tia enquanto a menina implorava para que a mãe ficasse com ela. O tempo foi passando e a carga de trabalho foi o menor dos impedimentos para ter um filho. No momento em que Vicunã passou a agredi-la, ela temeu por Paula. Chorou noites inteiras pensando no quão horrível era por ter dado ao seu bem mais precioso um pai como aquele. Tudo que poderia lhe acontecer seria sua culpa e teria que lidar com isso, pensava. Com Sergio era diferente. Atravessou o oceano com sua família para estar com ele. Eram um do outro e a vida com ele eram como se estivessem em alto mar. Havia tempestades, o barco balançava, sequer conseguiam avistar terra firme. Mas enquanto remassem juntos esse caos seria melhor que a praia. 

***

Apesar de passados meses, sua barriga não estava crescendo, pelo contrário, sentia estar emagrecendo. Desejava mais que tudo passar sua mão sobre ela, como se dissesse: “Filho, estou aqui. Eu não te abandonei, por mais que possa parecer.”. Entretanto, quando sozinha se encontrava com os braços atados, e sabia que não podia fazer isso na frente dos guardas. “Só mais um pouco e te encherei de todo o amor que eu puder.”. Dizia mais para si que para ele.

Um dia, acorda e sente um líquido escorrendo pela sua perna. Apavora-se de súbito. Não deveria gritar, mas não conseguia se controlar. Estava em pânico. Gritava. Gemia. Chorava. Os policiais entram na sala com um sorriso no rosto. “Eu disse que um dia a inspetora perderia a pose”, um diz e ambos riem. Ela estava despedaçada. Só queria bater na cara deles até que sentissem toda a dor que ela estava sentido. Por culpa deles. Mas sabia que não era possível. Estava sentindo a maior dor que já sentira na vida. Nem quando o Alberto a batia, nem quando seu pai morrera, nem quando sua irmã a traíra, nem durante as sessões intermináveis de tortura, nem todas essas coisas juntas, nada doía como aquilo. Os guardas saem da sala e não havia mais luz – em nenhum sentido. E ela apenas se deixou chorar.

Achava que depois de perder o seu filho não teria mais forças para encarar a tortura. Ao contrário. Desde aquele dia não sentia mais nada. Antes de a drogarem, agora, simplesmente fechava os olhos, esperava e deixava o sono vir.

E quest'è il fiore del partigiano

Morto per la libertà



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