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História The Dark Side of Red - Capítulo 2


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Notas do Autor


Mais um cap só pra dar uma acalmada na ansiedade haha
boa leitura <3

Capítulo 2 - Dores e indecisões


Fanfic / Fanfiction The Dark Side of Red - Capítulo 2 - Dores e indecisões

5 anos depois.

Observei o homem que vestia um sobretudo verde escuro sair de um restaurante pela terceira vez em menos de uma semana, sempre em horários diferentes. Dessa vez, ele segurava um envelope amarelo, o qual deduzi conter dinheiro. Escutei meu celular tocar no banco do passageiro e o peguei, saindo do carro com o disfarce perfeito em mente.

— Alô?

— Becky? Está ocupada?

— Bom, no momento estou seguindo um homem que parece ter informações úteis sobre o contrabando de um gás super tóxico pra Rússia.

O homem virou em um beco, fazendo com que eu criasse certa hesitação em continuar seguindo-o visto que eu poderia assustá-lo caso ele percebesse algo suspeito.

— Preciso que volte para os EUA agora.

— Espera, o que? Eu não vou abandonar uma operação de meses só porque você precisa, Evan!

Decidi seguir o homem quando ele já havia atravessado o beco, virando para a direita. Não foi difícil de encontrá-lo no meio dos turistas espalhados pelo parque.

— Becky, eu preciso de você aqui o quanto antes, eu mando outra pessoa para tomar o seu lugar.

— O que? Evan, eu... Filho da puta! - ele havia encerrado a ligação e me deixado falando sozinha. Voltei a olhar para frente, eu havia perdido o cara. - Ah Evan, você me paga!

...

Caminhei em passos rápidos e furiosos pelo piso branco, eu podia sentir meu sangue quente correndo pelo meu corpo, sensação que só piorou assim que meus olhos cruzaram com aquelas íris violetas no final do corredor conversando com outros dois agentes.

— Você demorou. - Evan me olhou com uma cara nada amigável, cruzando os braços e dispensando os agentes.

— Qual parte do "eu estou atrás de uma fonte útil" você não entendeu?! - o encarei brava, juntando as sobrancelhas em irritação.

— Como eu senti falta desse seu bom humor matinal. - ironizou, passando por mim e indo em direção ao seu escritório. O segui e assim que a porta fechou atrás de mim, Evan voltou a me olhar. — Escuta, eu preciso de você.

— Espero que seja algo pelo qual tenha valido a pena largar uma operação tão longa. - fui até a cafeteira dele, que estava cheia, enchendo uma xícara com o café quente. Senti seus braços envolverem minha cintura por trás, me puxando para si.

Os pêlos da minha nuca se arrepiaram com o toque repentino, o qual eu havia sentido certa falta. Me virei de frente para ele, olhando em seus olhos.

— Não podemos falar sobre isso aqui, é perigoso. - ele disse enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. - Me encontra lá em casa depois do expediente, estarei te esperando.

Assenti, por mais que eu não demonstrasse, Evan sabia que eu ainda estava brava. Ele sabia mais do que ninguém o quão importante esse trabalho era pra mim.

Nos despedimos e eu saí do prédio, indo direto para minha casa. Estacionei o carro do outro lado da calçada, pegando a bolsa média de viagem no banco de trás e trancando as portas.

— Rosa? - a chamei ainda na porta, fechando-a atrás de mim em seguida. — Tá aí?

— Becky? - a vi descendo as escadas. Assim que ela me viu, correu em minha direção. — Becky!

Rosalya me abraçou forte, e eu retribuí. Por mais que eu odiasse admitir, a CIA havia roubado minha vida pessoal e jogado-a no lixo, eu mal conseguia ficar uma semana ininterrupta no meu próprio país sem ter que viajar a trabalho por meses e meses. Eu já perdi as contas de quantos eventos importantes eu faltei, como praticamente todos os aniversários dos meus amigos e até mesmo as festividades de fim de ano com minha família. Isso não existia mais para mim faz tempo.

— Como você está? Dessa vez foi muito longo! - Rosalya reclamou quando nos afastamos, tomando a bolsa de viagem que eu estava carregando de mim e deixando-a no sofá.

— Eu sei. - disse enquanto sentava no sofá, tirando os saltos. — Foi difícil passar um ano inteiro sem poder falar com nenhum de vocês.

— Becky, eu sei que quando você se inscreveu pra isso já estava preparada para qualquer coisa que acontecesse, mas você realmente quer continuar assim? Já se passaram quase seis anos e eu mal consigo passar mais de cinco dias completos na mesma casa com você! - Rosa me olhou preocupada. — Entendo que é importante, mas eu acho que essa vida não já deu pra você, dá pra ver o quanto isso te afeta. Por que não dá um tempo nisso tudo?

Suspirei pesadamente, ela estava certa. Eu não estava esperando ter que passar por tudo isso, eu me sentia sozinha durante a maior parte do tempo, de certa forma.

— Eu sei, Rosa, mas eu não posso parar agora. - ela assentiu.

— É o que você sempre diz. Me pergunto quando você vai poder parar, não vai poder continuar sendo uma espiã se não cuidar da sua saúde mental.

A platinada levantou-se, percebi que ela estava um tanto brava. E o pior é que ela estava certa, mas não havia nada o que eu pudesse fazer, todos na CIA contam comigo para essas operações a longo prazo, tudo por causa da influência que Evan tem na agência. Ele ter sido meu treinador e supervisor me rendeu reconhecimento lá dentro, principalmente por ele ser destaque como um dos melhores agentes.

É uma rotina cansativa, é horrível ter que ficar meses assumindo uma identidade que não é sua, fingindo ser uma pessoa que você não é, agir de um jeito que você não agiria e criar laços falsos com outras pessoas enquanto você tá em vivendo uma dupla, tripla, quádrupla identidade.

— Alexy está na lua de mel, só volta semana que vem. - Rosalya disse ao voltar pra sala, estendendo para mim um sanduíche e um copo com suco de laranja. Sorri em agradecimento, pegando o lanche e devorando-o em questão de segundos.

— Espera, ele já se casou com o Morgan? - perguntei assustada. Rosalya assentiu, naquele momento comecei a me sentir mal. Eu era uma das madrinhas junto com Rosalya, não quero nem pensar em como ele deve ter ficado ao perceber que eu não compareceria.

— É o que eu estou tentando te alertar, Becky. Olha quanta coisa você está perdendo, daqui a pouco não vai saber mais nada sobre a vida dos seus amigos. E... eu estou noiva!

Uma sensação ruim tomou conta de mim enquanto Rosalya exibia o anel de noivado em seu dedo, eu me sentia perdida. Era como se eu estivesse em outra vida, e não falando das novidades.

Passamos o dia inteiro conversando, sempre que eu voltava de uma operação longa ela me mantia atualizada de todos os acontecimentos, já que não podíamos conversar por telefone.

E quanto mais ela falava, mais eu me sentia mal.

...

Senti beijos quentes sendo distribuídos pelo meu maxilar e pescoço, me despertando de um sono profundo e tranquilo. Abri os olhos devagar, dando de cara com aquelas íris violetas me encarando com carinho. Acariciei o rosto de Evan, que fechou os olhos diante de meu toque, me fazendo lembrar da noite quente que tivemos juntos.

Nossa relação não era algo muito fora do comum, eu acho. Por mais que gostássemos um do outro, nosso trabalho nos impedia de ter uma relação sólida como qualquer pessoa normal. Não tínhamos tempo e nem disposição para lidar com algo desse tipo, mas como ninguém é de ferro... tínhamos nossas recaídas.

Evan deslizou sua mão por meu corpo nú debaixo do lençol, repousando-a em minha cintura e apertando-a fraco, me fazendo sorrir enquanto ele se aproximava para me beijar.

— O que você queria tanto me dizer que me fez abandonar uma operação importante pela metade e não podia ser dito na agência? - perguntei assim que separamos nossos lábios, fracos raios de sol iluminavam o quarto, denunciando que a manhã já havia dado as caras.

— Becky, eu quero que você saiba que eu gosto muito de você. - Evan sentou na cama, percebi que ele havia ficado um pouco tenso, o que me preocupou. — Quero te mandar numa missão importante. Ninguém pode saber, apenas eu e você.

— Como assim, Evan? - o encarei confusa, também me sentando, enrolando o lençol em volta do meu torso para cobrir meus seios expostos. — Você quer me mandar em uma missão não sancionada? Sabe o quão perigoso isso pode ser pra nós dois?!

— Eu sei, Becky, mas... Você é a única pessoa que eu confio pra fazer isso por mim. - ele voltou a me encarar. 

Suspirei profundamente, me preparando para o que viria a seguir.

— O que eu teria que fazer?

— Quero que se infiltre no FBI para investigar um agente. - eu continuei o encarando, esperando que ele dissesse pelo menos algum nome. — Castiel Coleman. Não posso te dar mais detalhes que isso, me desculpa.

— Eu... Preciso de um tempo pra pensar. É um risco muito grande, Evan. - ele assentiu. Dei um beijo em seu rosto, levantando da cama e vestindo minhas roupas que estavam espalhadas pelo chão. - Eu te ligo quando tiver uma resposta.

...

Tentei me distrair de diversas formas, mas a proposta que o Evan fez essa manhã não saía da minha mente. Resolvi dar uma corrida no parque para esfriar a cabeça e organizar os pensamentos, eu sequer sabia se todo o risco valeria a pena.

Pensei nas palavras de Rosalya, eu precisava de um tempo. Em contrapartida, Evan parecia aflito quando sugeriu aquilo, eu sei que ele não me colocaria em risco por bobagens. Eu acho.

Eu estava prestes a enlouquecer com todas as hipóteses que rondavam minha mente, se eu fosse pega seria o fim da minha carreira de vez, não só minha mas a de Evan também.

Peguei meu celular, enviando uma mensagem para Evan para que pudéssemos nos encontrar. Ele não demorou a responder, dizendo que já estava a caminho.

Caminhei até uma ponte que havia sob um lago pequeno, observando a paisagem em volta. Eu vinha bastante aqui na época do ensino médio, época que eu tinha tempo e disposição para manter qualquer tipo de relação. Me pergunto se eu segui o caminho certo, se eu deveria mesmo estar onde eu estou agora.

— Becky? - a voz de Evan me despertou de meus devaneios. Encarei suas íris violetas, pensando se tinha tomado a decisão certa.

— Evan, essa missão... É algo pessoal? - Evan desviou o olhar, encarando o lago atrás de mim. — Evan?

— Não. - respondeu, e eu assenti.

— Ok, então eu aceito. Quando eu começo?


Notas Finais


Agora eu sossego kkkkkkkkk
Até a próxima, bjss


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