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História The Dark Side of Red - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Uma boa tarde preguiçosa nesse domingão <3
Boa leitura

Capítulo 5 - Fantasmas do passado


— O que temos? - perguntei ao me aproximar de Nathaniel e Sophia que estavam no final do salão principal, onde haviam algumas telas grandes. Bebi um gole do capuccino que estava segurando, sentindo o líquido descer pela minha garganta.

Escutei Nathaniel explicar qual era o novo caso, mas ele foi interrompido na metade por um certo ruivo que chegou atrasado.

— Onde esteve? - Sophia o questionou, mas ele apenas deu de ombros.

— Enfim, continuando...

Nathaniel continuou explicando, enquanto eu só conseguia olhar para Castiel que estava de pé ao meu lado. O cheiro do seu perfume invadiu minhas narinas, fazendo com que eu me sentisse estranhamente relaxada.

O elevador se abriu atrás de nós, chamando minha atenção. Quando o vi, não pude acreditar. Minhas pernas bambearam por um segundo e minha respiração falhou, senti o café escorregar de minha mão e cair no chão.

— Eleanor? - senti uma mão em meu ombro, me trazendo de volta à realidade. Eu não conseguia falar e muito menos raciocinar. — Ei, tá tudo bem? - Sophia me olhou preocupada. Eu assenti, ainda um tanto desnorteada com aquela situação. Quando eu o vi de novo, mal pude acreditar. Não acreditava que realmente poderia ser ele, não depois de tantos anos.

— Pai...? - sussurrei para mim mesma para que ninguém pudesse ouvir. O vi passar por mim, indo direto para a sala do diretor-assistente. O que ele estaria fazendo aqui? Será que ele havia descoberto algo?

Não sabia a resposta, mas eu não podia correr o risco de deixá-lo estragar meus planos.

— Eleanor, você não vem? - Sophia indagou, Nathaniel e Castiel já estavam esperando o elevador para saírem.

— Eu não estou me sentindo bem, acho que vou ficar aqui pra ver se passa. - ela assentiu, se despedindo de mim. Cruzei os braços, observando o homem sentado naquela sala. Eu ficaria ali o dia todo se fosse preciso.

Já haviam se passado quase uma hora, e nada dele sair. Meus pés já estavam começando a doer, até que o vi se levantar e ir até a porta. Assim que ele saiu, percebi seu olhar direcionado à mim, me causando alguns calafrios conforme ele se aproximava.

— Então você fez isso mesmo. Até pior, pelo o que eu estou vendo. - ele disse para mim com sua expressão fria de sempre. Por um momento, lembrei da nossa última conversa.

Peguei a correspondência animada, passando todos os envelopes até achar o que eu estava procurando. Abri a carta às pressas, não contendo a emoção ao ler o seu conteúdo.

— Pai! - corri para dentro de casa, meu pai estava sentado de frente para a TV assistindo à algum programa e me olhou curioso. — Eu consegui, eu passei no curso! Vou trabalhar na polícia de Nova York!

Meu pai mudou a expressão, adquirindo um semblante irritado. Eu pensei que com o tempo aquilo mudaria, mas eu estava totalmente enganada, ele continuava irredutível.

— Rebecca, eu acho melhor você rasgar essa carta e fingirmos que nada aconteceu.

— O que? Não mesmo! Esse é o meu sonho, pai! - eu o encarei como se tudo aquilo fosse um absurdo, e era mesmo! — Eu vou seguir seus passos, pai, não está orgulhoso de mim?

— Você está perdendo seu tempo. - ele se levantou, virando as costas.

— Estou perdendo meu tempo fazendo o que eu quero?!

Senti meus olhos marejarem, deixando minha vista embaçada. Meu pai abaixou a cabeça, balançando-a em negação. Eu só queria que ele ficasse orgulhoso de mim uma vez na vida, apenas uma. Eu me dediquei tanto pra isso...

— Não foi isso o que eu planejei pra você, Rebecca. Você vai viajar pro exterior para fazer medicina, desde que você era pequena eu te dizia isso! - ele virou-se para mim novamente, com desgosto no olhar. — Se sua mãe estivesse viva aposto que estaria tão decepcionada quanto eu.

— Pois eu tenho certeza de que minha mãe estaria do meu lado me apoiando como sempre fez, ao contrário de você.

Meu peito doía como o inferno, eu jamais pensei que meu próprio pai não me apoiaria com o que eu queria e havia me esforçado tanto para conseguir. Por um momento, todos os dias que a gente tinha passado juntos, todas as memórias boas, as brincadeiras, tudo parecia tão distante...

— Por favor, não vire as costas para mim, não faça como fez com a minha irmã. - disse, fazendo-o parar. Engoli seco, vendo o olhar mortal que ele lançou para mim ao se virar. 

— Rebecca, se você entrar por essa porta vestindo aquela farda, você pode esquecer que tem um pai.

Meu mundo caiu ao escutar aquelas palavras, eu não acreditei o quão cruel ele poderia ser apenas pelo simples fato de eu não agir de acordo com o que ele havia planejado para mim. Limpei meu rosto, enxugando minhas lágrimas.

— Não se preocupa, você não vai mais precisar olhar pra minha cara nunca mais. - passei por ele, indo até meu quarto e arrumando minhas malas.

Depois daquela noite, eu nunca mais havia o visto novamente. Tive sorte por Rosalya ter me acolhido em sua casa, logo eu já tinha dinheiro suficiente para alugar um apartamento, mas ela quis sair de casa junto comigo, e assim nós construímos uma casa para morarmos juntas com nossas economias.

— Nem um pouco de acordo com o seu plano, não é? - o provoquei. — Meus parabéns, você perdeu não só uma, mas duas filhas com esse seu orgulho idiota.

— Vocês me envergonham, Rebecca.

— Me chame de Eleanor. - pedi, ríspida. Ele me encarou confuso, mas assentiu. — Adeus, Sr. Stuart.

Dei as costas para ele, seguindo até o vestiário. Sentei em um dos bancos que haviam ali no meio, levando as mãos até minha cabeça e permitindo que as lágrimas escorressem como uma cachoeira pelo meu rosto. Meu peito doía, por mais que fizessem tantos anos, nada mudaria as coisas que ele disse naquele dia. Nada consertaria isso, e saber que eu nunca seria boa o suficiente para ele machucava demais.

A porta havia sido aberta, me assustando. Eu passei algum tempo ali, apenas colocando pra fora o que eu havia segurado durante todo esse tempo em que fingi ser forte.

— Eleanor? O que aconteceu? - escutei a voz de Nathaniel, que sentou-se ao meu lado. — Ei, fala comigo.

— Não foi nada, Nath. - limpei meu rosto, forçando um sorriso. — Nada com o que tenha que se preocupar.

O loiro me olhou preocupado, senti sua mão acariciar meu ombro.

— Pode contar comigo para o que precisar, ok? - eu assenti, dando um sorriso fraco. — Você faz parte do time, Eleanor. Aqui nós somos uma família.

Tive vontade de chorar novamente com aquelas palavras. Depois de tanto tempo achando que não me adaptaria com trabalho em grupo, até que eu estava conseguindo encontrar meu lugar ali. Por um momento eu quis que as coisas tivessem sido diferentes, que eu tivesse escolhido o FBI ao invés da CIA, como o meu pai havia escolhido. Eu estava tão cega o colocando em um altar que não conseguia enxergar mais nada além disso. Mas infelizmente não havia como voltar atrás.

Nathaniel saiu, mas eu não fiquei sozinha por muito tempo, pois outra pessoa havia entrado. Respirei fundo, levantando e indo até a pia, parando ao lado de Castiel. Lavei meu rosto, sentindo meus olhos marejarem novamente. Não, eu não iria chorar de novo.

Inclinei a cabeça para trás, respirando fundo e engolindo o choro. O que foi em vão, visto que eu tinha desabado ali mesmo, sentindo meu corpo fraquejar e indo de encontro com o chão. Senti os braços do ruivo me levantarem, dando suporte para que meu corpo permanecesse de pé.

— Me deixa sozinha, por favor. - pedi, estava totalmente sem cabeça para conversar com alguém, principalmente com ele.

— Posso não ir muito com sua cara, mas eu não vou te deixar aqui nesse estado. Vem, vamos beber uma água e tomar um pouco de ar fresco lá fora. - Castiel me levou até o elevador, pude perceber os olhares em cima de nós.

Assim que saímos do subsolo, saímos do elevador e fomos até o lado de fora do prédio. Suspirei profundamente, limpando meu rosto com as mãos, pegando o copo com água que Castiel havia trazido para mim, bebendo um gole. O olhei de canto, ele havia acendido um cigarro e se apoiado na parede com uma das mãos no bolso.

— Obrigada. - disse e ele assentiu, expulsando a fumaça de seus pulmões.

— Pensei que fosse morrer desidratada. - aquele comentário me fez soltar uma risada fraca, eu me senti mais tranquila na presença dele. As portas se abriram ao nosso lado, pelas quais saíram Íris, Nathaniel e Sophia conversando.

Os três nos viram e vieram até nós, animados.

— Hoje é sexta, dia mundial do "sem desculpas para sair em uma noitada com os amigos". - Sophia disse para nós, me fazendo rir.

— Vocês não sossegam? - perguntei. — Eu não estou muito a fim de sair hoje. - ela me encarou com raiva.

— Você não tem direito de escolha. Aliás, ninguém tem! Todos nós vamos ir para o bar, beber e rir até esquecermos todo o estresse semanal que esse trabalho incrível nos proporciona!

Revirei os olhos, por um momento lembrei de Alexy e Rosalya. Será que eles estavam bem? Começamos a caminhar enquanto eu enviava uma mensagem para eles, apenas para confirmar. O bar não ficava muito longe do prédio, apenas um quarteirão de distância.

— Ei! - reclamei ao sentir meu celular ser puxado por Íris.

— Os celulares ficarão todos no meio da mesa. Quem pegar o seu primeiro, paga a conta de todo mundo. - a encarei, juntando as sobrancelhas. Esse pessoal era maluco. — Vamos, a curtição nos espera!

Assim que sentamos na mesa, consegui ficar um pouco mais calma. Pela primeira vez percebi o olhar de Castiel sobre mim, ele parecia um tanto preocupado, o que me surpreendeu um pouco. Conversamos e bebemos durante algumas horas, pelo menos eu havia conseguido rir e esquecer um pouco toda a dor que eu tava sentindo.

Ficamos mais algumas horas, até vermos que já estava bem tarde.

— Bom gente, eu vou indo. Minha carona chegou. - Íris se levantou. - Boa noite!

— Nath, você me leva? - Sophia pediu e o loiro assentiu. Os dois se despediram de mim e de Castiel, nos deixando sozinhos na mesa.

— Parece que deixaram a conta pra gente. - brinquei, vendo o ruivo assentir. — Tá tudo bem?

— Sim. - ele direcionou suas íris acizentadas para mim. — Por algum motivo, fiquei preocupado com você. O que aconteceu para ter te deixado daquele jeito lá no prédio?

Desviei o olhar, eu sei que ele já estava um pouco alterado por conta do álcool mas mesmo assim eu não poderia correr o risco de abrir a boca.

— São só alguns fantasmas do passado que ainda me assombram. - sorri fraco. Castiel assentiu, terminando de tomar a cerveja.

— Deixa que eu pago tudo, uma retribuição pela ajuda que você me deu ontem de manhã. - ele piscou para mim ou foi impressão minha?

De qualquer jeito, eu precisava ir embora, eu já estava começando a me sentir um pouco zonza por causa do álcool. Levantei da mesa, mencionando ir embora, mas senti a mão de Castiel em meu braço me impedindo de ir.

— Eu te levo. - senti sua respiração quente bater contra meu pescoço, fazendo com que eu me arrepiasse. Estávamos muito próximos.

— Tudo bem. - sorri fraco para ele, esperando que pagasse a conta para irmos embora.

Seguimos em direção ao seu carro, eu entrei no banco do passageiro e Castiel entrou logo em seguida, ligando o motor.

Suspirei, o silêncio havia se instalado ali dentro. O encarei, ele parecia pensativo enquanto encarava a estrada com atenção. Virei a cabeça, olhando a rua através do vidro escuro da janela, fechando meus olhos em seguida.


Notas Finais


Bom final de domingo, nos vemos logo
espero que tenham gostado e me desculpem qualquer erro
bjs <3


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