História The Dark Witch - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Mistério, Suspense, Tragedia
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Palavras 6.793
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bem, aqui estou eu a pedido de umas amigas loucas e desesperadas que eu tenho que a tempos me perturbam por essa fanfic. Então vamos lá! Espero que gostem! 💙

Capítulo 1 - A pequena luz em meio a minha escuridão.


Fanfic / Fanfiction The Dark Witch - Capítulo 1 - A pequena luz em meio a minha escuridão.

P.O.V Raven 

O incômodo causado pela luz que invadira meu quarto acabou por me acordar com certa dificuldade pois demorei a finalmente abrir os meus olhos e me deparar com a imagem que via todos os dias ao abrir os olhos : O meu irmãozinho Kris.

Como a boa irmã que sou, fui encomodar o pobre coitado que ainda dormia ao meu lado. 

- Acorda, Kris! - Falei rindo da reação de incômodo de meu irmãozinho.

- Para, Raven! - Disse ele com certa irritação e, sem abrir os olhos, virou-se para o outro lado.

Mas eu não iria desistir tão facilmente. Adorava ver o quanto aquilo lhe incomodava e amava quando ele me batia, já que a força dele não me causava nenhum estrago a não ser pelos meus ataques de risos de seu esforço para me fazer sentir dor. E logo eu consegui o que queria com ele despertando completamente e me enchendo de socos e chutes sem nenhum efeito.

Infelizmente esse momento cômico não durou muito e se acabou com a primeira das batidas seguidas de minha mãe na porta de meu quarto, logo seguida por sua voz imperativa : 

- RAVEN, KRIS, LEVANTEM!

Após isso ela se retirou, muito provavelmente, para a cozinha, o que deduzi com o som de seus passos. 

Antes de me levantar, dei um tapinha no rosto de Kris e sentei-me na cama, olhando diretamente para o guarda-roupa de madeira de cor rosa bebê, algo que não combinava nada comigo (algo que Anthony concorda comigo) pois eu era, de acordo com ele, a Rainha das Trevas, a dark emo gótica trevosa das trevas, um pouco exagerado, eu sei. 

Meu olhar rolou para o papel de parede de cor creme totalmente sem graça que eu tinha que aturar. 

Olhei para a minha penteadeira com minhas coisas de maquiagem e depois para a janela coberta pelas cortinas também de cor creme que impediam a luz do dia de invadir completamente o meu quarto e me reduzirem a cinza, pois sou das trevas. 

- 5 anos... - pensei em voz alta. 

Já faziam cinco anos que a minha família e eu tínhamos nos mudado de nossa casa em Nova York para essa cidade estranha, essa tal de Stranger Place. 

Nós éramos felizes na grande cidade, eu era feliz. Tinha amigos e uma vida que me fazia muito feliz, mas isso tudo acabou. Tudo isso acabou quando meu pai recebeu uma ótima oferta de emprego nesta estranha cidade. A oferta era tão boa que meu pai deixou tudo o que já tinha para irmos para cá, mas foi tamanha a sua decepção e arrependimento ao descobrir que a oferta era falsa, era apenas mais uma pegadinha, uma brincadeirinha sem graça que lhe nos custou muito, nos deixando sem outro lugar pra ir a não ser aqui e aqui vivemos desde então. 

Porém nem tudo são lágrimas. Eu tive alguns problemas em me adaptar a escola nova, aos meus professores novos e aos meus colegas novos. Uma das minhas dificuldades foi aprender algumas palavras que eu falava de forma diferente por causa de meu sotaque (Josh ainda ri desse meu jeito de falar até hoje). Apesar disso, eu fiz uma amiga, uma verdadeira amiga, diferente da primeira menina que veio falar comigo quando cheguei na escola. Ela era doce, meiga e muito gentil, seu nome era Mary (Anthony a chamava de Branca de Neve pela sua incrível semelhança física e psicológica). 

Sai de meus devaneios quando Kris pulou nas minhas costas e quase me derrubou da cama. 

- Vamos, Raven, vamos tomar café! 

O garotinho pulou da cama e correu em direção a porta de nosso quarto, a abrindo e saindo correndo para tomar o seu café. A sua animação, hoje mais que normal, devia-se pelo fato de hoje ser o primeiro dia de aula do ano em nossa escola, a Ordison e ele estar louco para rever seus amiguinhos, o que eu também estava. 

Me levantei e me espreguicei por alguns relaxantes segundos e então me dirige a porta já aberta por Kris, saindo por esta e avistando o mesmo sentado a mesa de jantar, tomando o seu café da manhã e, no balcão de mármore da cozinha, contando algumas notas de dinheiro de nosso comércio estava minha mãe, que ao ouvir meus passos, disse :

- Finalmente. - Disse ela, erguendo o rosto até mim com um sorriso de mãe. - Bom dia, Raven.

- Bom dia, mãe. 

Enquanto preparava meu café, deixando o líquido negro e amargo descer da cafeteira em direção a minha xícara, pensava nos meus amigos da escola e em como seria bom reve-los depois das longas férias que passamos longe uns dos outros. Eu estava com saudade e sei que eles também. O pensamento de reve-los fez-me abrir um leve sorriso, principalmemte Mary, afinal foi a minha primeira amiga na nova cidade. 

Lembro-me quando éramos apenas nós duas e de quando passéavamos de mãos dadas entre os canteiros de flores da praça. De certo que a praça não era o lugar mais belo de Stranger Place, mas era o nosso lugar e apenas nosso. Os canteiros não tinham flores exuberantes ou ao menos bonitas e sim algumas plantas com tons desbotados, como se pertencessem a uma antiga fotografia. O chão da praça também não era belo e sim perigoso, pois tinham algumas pedras soltas que, se não prestassemos atenção, acabariamos por tropeçar em uma delas e levar uma bela de uma queda naquelas pedras ásperas. Porém nada disso importava, o que importava, para nós duas, era a presença uma da outra e por isso aquele lugar era tão especial para nós, pois pertencia apenas a nós, a nós e a mais ninguém, um lugar só meu e dela. 

Sentei-me a mesa na cadeira ao lado da de meu irmão que logo acabaria o seu café da manhã e iria arrumar tudo para o seu primeiro dia de aula do ano, o que eu também iria fazer quando acabasse o meu, que logo comecei pois tinha muita coisa para aprontar. 

Mary não foi minha única amiga pra sempre, pois no ano posterior a minha chegada a escola, eu desenvolvi uma forte amizade com Phoebe, o que não diminuira minha amizade com Mary, isso não. Agora eu tinha duas melhores amigas, duas pessoas com quem sempre podia contar, dois portos seguros em meio a tempestade da vida social. 

Sem perceber, eu acabei acabando o meu café mais rápido do que pensava em meio aos meus pensamentos. Levantei-me com minha xícara em mãos, ajeitando a cadeira em que sentei após levantar e então me dirigi a pia, onde abri a torneira, deixando a água gélida escorrer pelas minhas mãos e pela superfície lisa de minha xícara enquanto eu lentamente esfregava a mesma para limpá-la.

Com o passar dos anos, Mary e Phoebe deixaram de ser minhas únicas companhias e atualmente eu posso dizer que tenho uma parcela razoável de amigos. Entre eles estão Ivy, Annie, Anthony, Trevor e Josh, todos eles com o seu próprio pedacinho do meu coração. E eu estava louca para rever todos eles, estava pior do que Ivy quando a música nova do Shawn Mendes foi lançada, pior do que quando chamam Justin Bieber de drogado na frente de Phoebe (o que realmente ele é) e pior do que Anthony esperando pelo filme da Melanie Martinez. Acho que teria um ataque de ansiedade se por acaso eu sofresse desse mal. 

Infelizmente eu despertei de meus devaneios só quando era tarde demais, só quando senti a água fria caindo sobre meus pés que percebi que a pia já estava cheia e de se não a fechasse, iria acabar inundando toda a casa. Então mais do que depressa, eu fechei a torneira e deixei que a água descesse ralo abaixo, encontrando a minha xícara no meio da água que secava e a guardando antes que me esquecesse. 

Enxuguei minhas mãos na toalha próxima e então comecei a me dirigir ao meu quarto, onde organizaria minhas coisas para voltar a escola. 


↜⏳↝


Depois de certo tempo tudo já estava pronto : minha mochila me esperava no sofá com todos os livros que, de acordo com a folhinha dos horários que sempre nos dão, usaríamos hoje e minha roupa já estava passada a ferro e prontinha para ser vestida e usada no primeiro de muitos outros dias de aula que teria pela frente. 

Terminei o meu banho e me cobri com minha toalha negra (amém), mas quando estava me dirigindo a porta do banheiro, acabei por olhar de relance para o espelho e, pela força de algo dentro de mim que eu desconhecia, acabei por caminhar lentamente até o espelho e ficar mirando o meu próprio reflexo borrado. 

Eu ainda era eu mesma apesar da mudança drástica e das muitas mudanças em minha vida que surgiram quando cheguei aqui, mas o mundo ao meu redor era outro totalmente diferente. Perdi o contato com minha melhor amiga desde que me mudei para cá, talvez a nossa amizade não fosse tão forte quanto eu pensava que fosse, mas em troca eu fiz novos amigos por aqui, amigos verdadeiros e maravilhosos. Minha família pode ter menos tempo para mim agora por conta do trabalho novo não ser tão lucrativo quanto o que eles tinham em Nova York, mas eu sentia, nos poucos momentos que estávamos juntos, que o amor deles por mim só aumentava. Pensando bem nisso, eu acho que essa mudança foi boa para mim, para todos nós. Cheguei a conclusão de que eu sou mais feliz em Stranger Place do que jamais seria em Nova York. 

Eu não conseguia identificar o meu sorriso através do meu reflexo borrado no espelho, mas podia senti-lo e, meramente para combinar, desenhei com um de meus dedos um belo sorriso no espelho, ou pelo menos tentei. 

Segurei a maçaneta de ferro da porta do banheiro e usei-a para abrir a porta, a fechando logo em seguida e me dirigindo sorrateiramente até o meu quarto, trancando a porta logo após entrar e então comecei a me arrumar. 

Não demorei muito, apenas vesti o horrível fardamento da escola, passei uma maquiagem que me deixou super cara de gótica (Anthony iria morrer) e, para finalizar, passei um batom negro como carvão em meus lábios. 

Me olhei no espelho e sorri de canto, eu estava o que Anthony diria de Raven raiz e eu sinceramente me adorava ver assim. 

Saí do quarto indo diretamente para a mesa para almoçar e sim, eu já tinha feito o meu prato adiantada porque, na minha escola, quem for chegando vai pegando os primeiros lugares e eu queria muito ficar no lugar que os alunos chamam de "Os Míopes", mas se quisesse fazer isso, teria que chegar lá bem cedo. 

Logo terminei meu almoço e pus o prato na pia, me desesperando quando meu relógio de pulso - também preto - apitou, avisando que já estava na hora de ir, o que me fez praticamente voar em direção a sala de estar, pegar minha mochila e entrar dentro do carro, o último meu irmãozinho fez imediatamente ao me ver entrando no carro, sentando-se ao meu lado e começando a falar suas expectativas para o primeiro dia de aula enquanto que nosso pai ligava o carro e começava a sair da garagem em direção a nossa escola. 

A minha ansiedade era grande, porém não a demonstrei, como a maior parte de meus sentimentos e para distrair-me desta, olhei para o vidro do carro, do qual podia ver todo o mundo exterior passando rapidamente por minha visão enquanto Kris continuava falando como se eu escutasse tudo do que ele estava falando, o que eu não estava fazendo. Ao ficar observando as pessoas, postes, casas e outras muitas coisas que se podem ver durante uma simples ida a escola de carro, eu acabei por acomodar minha cabeça perto do vidro e deixar a luz do Sol - essa muito incômoda, por sinal - ficar no meu rosto. Nesse meio termo entre conforto e desconforto, eu pensei...pensei em Mary, Phoebe, Ivy e muitas outras pessoas que conviveria mais um ano, talvez maravilhoso ou talvez extremamente perturbador. Não sou pessimista, sou realista e acho que o mais provável seja que a segunda opção definirá o meu ano, mas isso não importa, pois se tiver as pessoas com as quais me importo do meu lado, eu ao menos conseguirei sobreviver a mais um ano letivo em Ordison. 


↜⏳↝


Abri meus olhos ainda pesados de sono e tratei logo de olhar para a figura que me chacoalhava freneticamente sem motivo aparente (ou pelo menos era o que eu pensava) e vi que era Kris. 

- Vamos, Raven, acorda! Já chegamos na escola! 

- Escola? - Falei ainda sem entender o que estava acontecendo. 

Ao olhar para a roupa escolar que Kris vestia, eu fui atingida como uma pedra pela lembrança de que nós nos dirigiamos em direção a escola e a julgar pela situação, já estávamos nela! 

- Não, a Disneylândia. - Falou ele rindo da minha cara e em seguida saindo do carro. 

Na preocupação de que tinha demorado muito a me acordar e de que o carro já estava parado lá a bom tempo, eu olho discretamente pela janela a procura de olhos curiosos que ririam da minha cara ao sair do carro e, para a minha infelicidade, lá estavam eles, todos eles. Eu certamente já podia contar com uma piadinha de Josh sobre isso, algo do tipo : " Estava se trocando dentro do carro? ". 

Suspirei, me jogando no banco do carro.

- Filha, não posso ficar o dia todo aqui. - Disse meu pai, que já tinha sido paciente até demais.

- Ah, sim. - Eu ri de mim mesma. - Thal pai! 

- Até mais tarde. 

Tomando coragem para enfrentar a cova dos leões, eu sai do carro e fechei a porta, fazendo com que meu pai saísse logo em seguida, isso seguido de alguns gritinhos de meus amigos. 

Abaixei a cabeça, segurando um sorriso daquilo e de mim mesma, afinal se eu fosse outra pessoa, eu também teria rido daquela situação. 

Logo cheguei até eles e o que eu previ se tornou realidade : 

- Estava fazendo as entregas do comércio, Raven? - Disse Josh, no mesmo tom de sempre, aquele tom de piadas da nossa cara por parte de nossos amigos. 

- É não, louco, ela tava retomando a maquiagem pro crush notar ela. - Disse Annie, logo seguida de sua típica risadinha, o que eu definiria como a risada de um híbrido de uma retardada mental com um macaco drogado. 

- Tua cara, Annie. - Falei, no que era pra ser grosseiro e sério, se tornou algo sorridente e até muito amigável.

- Hmmmmm...retocando a make. - Disse Ivy, que logo em seguida começou a rir. 

- Hmmm...tu e o Will. - Falei no mesmo tom de deboche entre amigas que ela falou. 

- Raven! - Disse ela, me "reepreendendo". 

Na verdade, Ivy não gostava de Will, isso era apenas um shipp que inventei para incomoda-la, o que ela por sinal retribuiu me shippando com o mesmo, mas todos sabem que Willivy sempre será eterno, ou pelo menos entre as nossas brincadeiras.

- O Lucas tá podendo mesmo. - Disse Trevor, para nos encomodar.

- Hum, eu sou do Shawn, e só dele. - Se "defendeu", Ivy.

- Iludida. - Falei.

- Eu sei. - Falou Ivy, num tom de derrota, mas ainda amigavelmente.

Ivy era Mendes Army e até hoje se auto-demonina como "Srta. Ivy Mendes", ainda bem que eu não sou tão iludida assim em relação a meus ídolos. Imagina só, eu, me apaixonando pelo BTS inteiro e ficar me fantasiando com Imagines da Internet. Eu sabia que Ivy lia isso, mas com o Shawn. E que também lia várias fanfics hot, assim como eu. 

Eu vi Annie lançar um olhar de "Ai mds" pra Ivy e ir cochichar algo com Anthony, o que acabou numa série de risadas de dois retardados mentais. 

De repente eu fui surpreendida pelo som do portão de nossa escola sendo aberto e pelo som de vários passos apressados entrando escola adentro, o qual logo eu me juntei.

No meio da multidão eu procurava desesperadamente pela minha sala de aula e quando finalmente a encontrei, saí correndo o mais rápido que pude em direção a esta e, para a minha sorte, consegui pegar a segunda carteira da fileira do meio, com Annie na carteira a minha frente e Trevor a minha esquerda, na frente dele estava Anthony e na fileira a esquerda da de Anthony, na segunda carteira estava Ivy. 

Olhei para frente e vi Anthony e Annie conversando, eu já podia imaginar as altas loucuras que aqueles dois iriam conversar um com o outro, principalmente por se tratar de dois doentes mentais. 

Olhei para a minha esquerda e só pude imaginar muito deboche por parte de Trevor e ao olhar novamente para a frente, só pude imaginar muitas tretas e muito barraco entre ele e Annie, os quais Anthony e eu adorávamos assistir. 

Ao olhar para além de Trevor, eu pude ver Ivy e imaginar muitos olhares maliciosos entre nós duas quando qualquer palavra com segundo sentido para nós ser solta no ar.

Eu ouvia as fofocas das meninas que sentavam-se atrás de mim, a risada contagiante de Ashley e as risadas de Brianna, Jackie, Zoe e Destiny que se seguiram. Podia ouvir as altas idiotices dos meninos do fundão, principalmente a do insuportável Brandon. Eu não o detestava somente pelo fato dele ser um grande idiota, mas também por ele já ter ferido o coração de Mary. Ele nunca a mereceu e nunca irá merecer alguém tão boa e doce como ela e espero que ela já tenha visto isso. 

Podia ouvir Will e Remy conversando, não podia dizer exatamente o que estavam comversando, mas se tratando das pessoas, só podia ser uma idiotice. 

Ouvi as escandalosas vaias, grande parte dos meninos em direção a alguém que estava na porta. Eu já sabia de quem se tratava, mas mesmo assim olhei e, como eu já sabia, era Keith. 

- Keith, caralho! - Disse Will, no mesmo tom que eu e Ivy nos ofendíamos. 

- Will, porra! - Disse Keith, indo em direção a ele para conversarem.

Atrás dos três que agora conversavam, estavam Lauren e Lis fazendo exatamente a mesma coisa, mas com outro assunto com toda certeza.

Lauren olhou na direção de Will e fez como ela fazia no ano passado :

- Cala a boca, Will. - Disse ela, tentando ser autoritária.

Os três riram, pois no ano passado, Lauren estava cuidando de Will para que ele avançasse nos estudos, mas neste ano, isso não valia mais. 

Na carteira atrás de Ivy, estava Quinn e atrás dela, Emily. As duas não tinham nada a ver uma com a outra e por isso não conversavam. Eu achava que aquela era a parte mais "silenciosa" da sala. 

Abri um leve sorriso e suspirei, aquele seria um ótimo ano ou pelo menos eu podia ter certeza de que iria sobreviver.

Quando olhei para a porta da sala aberta, pude ver duas das minhas melhores amigas vindo juntas, eram Mary e Phoebe. 

Eu me levantei e fui em direção as duas com certa rapidez. Ao me ver, as duas sorriram e Mary abriu os braços para me abraçar. Eu fui até ela e nos abraçamos, um abraço confortável e cheio de saudade. Nos separamos e ela abriu seu sorriso doce para mim, o que eu tentei retribuir, mas não tinha toda a doçura que ela tinha. Olhei para Phoebe e li em seus olhos que ela também queria um abraço e eu não a negaria isso, principalmente porque eu também queria isso. 

Fui até ela e a envolvi com meus braços num abraço de urso, o que ela imediatamente retribuiu. Nossa relação não era muito cheia de abraços e carinhos por conta dela ser bastante sutil com seus sentimentos, o que eu também era, mas isso não significava que ela fosse menos especial para mim. 

Nos separamos e vi em seu rosto a felicidade que esta tentava miseravelmente esconder por tê-la abraçado e aquilo me deixou feliz também. 

Em meio a esse caloroso reencontro, fomos despertas pelo som insuportavelmente irritante da campainha da escola, nos alertando de que já estava na hora de irmos para a fila, onde ou rezaríamos ou cantaríamos um hino. 

- Vamos. - Disse Mary. 

Ela entrelaçou os nossos braços, com ela ficando no meio, eu na esquerda e Phoebe na direita e fomos dessa forma pelo curto tempo que levamos até chegarmos a fila e ficarmos uma atrás da outra. 

Enquanto Phoebe e Mary conversavam antes de começarem a cantarem ou rezarem, eu observava Ivy na frente da fila conversando com Lauren, as duas eram amigas desde muito tempo, acho que desde o Jardim I, se não me engano. Eu e Lauren já brigamos muito, MUITO mesmo, principalmente no ano passado em que Ivy estava sendo forçada a escolher uma de nós duas. Felizmente essa fase passou e eu diria que agora estamos até muito bem. 

Eu também observei Anthony com Roxy, sua "namorada", ou pelo menos era assim que eu os via. Eles estavam conversando e rindo de algo que eu não conseguia ouvir em meio ao barulho eufórico que se fazia na fila. 

Observei, atrás de mim, as meninas que mencionei antes conversando sobre coisas que só elas entendiam e, atrás delas estavam os meninos, praticamente escondidos em suas conversas e, em meio a eles, eu podia ouvir as vozes de Trevor e Josh, o primo da Phoebe. Eles eram bastante amigos também. Eu lembro-me de quando os dois, juntamente de Kris, praticaram chutes na boneca de minha priminha. 

Fui acordada dessa terrível lembrança quando as vozes de todas as classes da escola Ordison começaram a soar num imperfeito uníssono e eu, completamente perdida, tentei acompanhar, inventando palavras sem sentido no processo, arrancando risadas das pessoas que conseguiram escutar em meio aquele alvoroço de vozes. 

Quando o hino terminou, todos nós nos viramos e nos direcionamos a nossa classe numa fila já imperfeita que logo se desmanchou completamente enquanto que as outras classes faziam o mesmo. 

Ao entrar sala adentro, junto com os outros, pela porta de ferro, eu me direcionei ao meu lugar e sentei-me no mesmo.

Percebi que ainda não sabia onde Phoebe e Mary sentavam-se e ao tentar olhar para trás para encontrá-las, fui surpreendida por Phoebe que praticamente pulou na cadeira atrás de mim. 

- Cheguei. - Ela disse rindo. 

Eu ri e pude ver Brianna sentando-se numa carteira que ficava mais atrás enquanto sorria para Phoebe. Deduzi eu que Phoebe tinha trocado de lugar com ela para ficar mais perto de mim. 

- Trocou de lugar com ela?

- Sim. 

Sorri e olhei para frente ao perceber que o professor havia entrado na sala. Eu sabia que não iria haver problema em Phoebe sentar-se atrás de mim pois ela até mais quieta que eu nas aulas e só falaria comigo caso precisasse ou apenas quando não estivéssemos tendo explicações dos professores. 

- Depois vamos conversar. - Disse ela baixinho, quase que num sussuro. 

Eu assenti com a cabeça sem tirar o olhar do quadro e do professor que acabara de iniciar o seu discurso de boas-vindas. 


↜⏳↝


A campainha finalmente tocou, avisando que era hora do recreio e, num suspiro, comecei a guardar meus materiais escolares e meus livros em minha mochila para usá-los após o pouco e maravilhoso tempo do recreio que tínhamos para aproveitar. 

- Então, você soube? - Perguntou-me Phoebe que fazia exatamente o mesmo que eu. 

- O quê? - Respondi a pergunta com uma pergunta.

- Que...

- Posso me intrometer? - Disse Mary, saindo de sua carteira que, infelizmente, não ficava perto da nossa. 

- Eu nem sei do que se trata, então sim. - Respondi. 

Olhei para Phoebe que esperava a minha confirmação e então assenti para ela, fazendo com que ela continuasse :

- Vocês souberam que o Jacob está querendo ficar com você? - Disse ela baixinho e, no final, olhando para mim. 

- Ele está querendo ficar...comigo? -Disse incrédula. 

- É o que parece. - Disse Mary docemente. 

- Pois vai ficar querendo. - Falei curta e grossa. 

Elas não falaram nada, apenas me olharam, não estavam me reeprendendo, mas também não estavam me apoiando com todas as suas forças. Jacob era lindo de morrer, eu admito, e também era legal, mas eu não queria me relacionar com ninguém, não agora. Namorados só dão problema. 

- Vamos conversar no banco. - Disse convidativa. 

- Vamos. - Disse Mary 

Nós três fomos juntinhas para o "nosso" banco, porque não éramos apenas nós que nos sentavamos ali, Anthony e Roxy conversavam ali antes de tocar o sinal, Lauren, Gaby e outras iam as vezes lá, mas não ficavam muito tempo e até mesmo algumas crianças sentavam-se nele de vez em quando. 

Sentamos as três ao mesmo tempo e logo nos pusemos a conversar sobre várias coisas : Escola, séries (Incluindo Riverdale), alunos e assuntos aleatórios. 

Em algum momento, eu olhei sem intenção para o bebedouro perto do banco e o vi de relance, Jacob, logo abaixando a cabeça e disfarçando o máximo que pude para que elas não percebessem. 

Eu pude vê-lo olhando diretamente para mim com um sorriso sacana enquanto bebia sua água, ou pelo menos fingia estar ali para beber água, aposto que veio só me observar. 

De qualquer forma eu logo consegui focar novamente na conversa antes que alguma das duas percebesse, eu acho. 

Eu o observei discretamente, ele ainda me observava, parecia tentar fazer uma cara sensual e estava falhando miseravelmente. Ao perceber que eu não estava nem aí pra ele, ele bebeu logo a água que fingia estar bebendo a uns 10 minutos e saiu dali, parecia decepcionado com sua fracassada tentativa de me atrair, como se eu ligasse. 

Logo o sinal tocou e nós três saímos como viemos : juntinhas. Estávamos quase entrando na sala quando uma mão que eu não conhecia tocou o meu ombro e me fez virar na sua direção, era Jacob. 

- Eu acho que você não recebeu a notícia. - Disse ele com um sorriso, achando que eu daria atenção para ele caso eu soubesse de seu interesse por mim. 

- Na verdade eu sei do seu interesse por mim, eu simplesmente não ligo. - Disse, já sem paciência. 

- Sério? Eu achav...

- Achava o quê? - O cortei. - Que eu automaticamente me interessaria por você ao saber que você gostava de mim? Faça-me o favor...

- Eu só...

- Shiu! - Disse Mary por fim, mesmo sendo grossa, ela ainda tinha uma pitadinha de doçura em sua voz. 

Me virei triunfante em direção a porta da sala e fomos juntas na direção da mesma, o deixei um tanto arrasado, mas ninguém o mandou gostar da pessoa errada, não é? 


↜⏳↝


O resto da aula foi como uma continuação das aulas que tivemos antes do recreio. Foram uma série de boas-vindas por parte dos professores com algumas poucas aulas bem práticas. Por fim o sinal tocou, sinalizando que era hora de irmos embora, irmos para casa, irmos para a liberdade, como alguns da sala diriam. 

Todos se levantaram rapidamente já com as bolsas preparadas e nas costas, correndo em direção a porta para saírem o mais rápido possível dali, criando um pequeno engarrafamento que logo atravessei, chegando finalmente ao lado de fora. Pode parecer dramático, mas é a única forma que consigo descrever aquilo. 

Esperei elas duas também saírem, o que não demorou muito e então fomos andando até o portão, onde eu esperaria meu pai vir buscar a mim e ao meu irmão e, enquanto ele ou alguém que viesse buscá-las não chegasse, nós iríamos conversar o máximo possível. 

Estava tudo indo bem até que ele apareceu. Jacob, de novo. Ele veio com um sorriso no rosto, o mesmo que estava me lançando no recreio, do bebedouro, onde ele fingia beber água só para me observar. 

- Oi, Raven. 

- Oi o caramba. - Respondi. 

- Eu achei que talvez você tivesse mudado de ideia. - Ele retrucou.

Sério que ele disse isso mesmo? Eu não estou na auto-confiança exagerada que ele tinha. Sério mesmo que eu iria mudar uma decisão minha por causa de um idiota? 

Eu me levantei, pronta para um confronto. 

- Mudado de ideia? A única coisa que mudou em você foi o meu ponto de vista sobre ti. Eu sempre soube que você era igual ao outros, mas não que era mais idiota que a maioria. - Falei numa mistura de ódio controlado e tranquilidade por ter colocado para fora o que achava. 

- Você vai ficar comigo sim, mesmo que seja a força.

Sério? Ele deve estar ouvindo muito aquela música. 

- E quem vai obrigar ela? - Disse Phoebe. 

- Eu. - Disse ele por fim, pegando meu braço tão brusco e rapidamente que nem tive tempo de reagir. 

Ele começou a me puxar para o outro lado da rua e, mesmo que eu tentasse me soltar com todas as minhas forças, ele ainda conseguia me vencer por ser muito mais forte que eu. 

Eu gritei, sem poder olhar para trás, para ver minhas amigas. De repente, eu senti-me livre e logo vi o porquê : Mary avia conseguido o empurrar, fazendo com que ele me soltasse. 

Não pude ver direito o que aconteceu em seguida, mas me lembro de algumas coisas : uma luz, um som, alguns gritos e um empurrão, alguém me empurrou e eu me choquei contra o chão tão bruscamente que acabei apagando, tendo como minha última visão o chão pedegroso e nada confortável da rua a frente de nossa escola, o qual já havia passado tantas vezes, mas nenhuma vez o havia sentido como o sentimento que sentiria em seguida. 


↜⏳↝


Em meio as outras pessoas trajadas de preto, eu observava sob meu negro guarda-chuva o seu belíssimo caixão, era digno dela. Minha mãe apertou os meus ombros, minha família estava comigo, estava do meu lado, porém eu continuava me sentindo só. As gotas de chuva que conseguiam chegar até mim se misturavam com minhas lágrimas incessantes. 

Eu consegui juntar o quebra-cabeças do que aconteceu naquele dia : Um carro muito provavelmente pilotado por bêbados desgovernados estava vindo em nossa direção e só teve tempo de me empurrar e salvar a minha vida, entre eu e ela, ela escolheu a mim. Minha última visão dela foi a de seu rosto angelical virado na minha direção com o que parecia ser um sorriso, sei que parece improvável, mas ela estava sorrindo para mim, não era um sorriso pretensioso, muito menos um sorriso doentio, era simplesmente um terno e simples sorriso, como os que damos ao receber uma notícia que não irá nos fazer pular de alegria, mas que nos deixe satisfeitos. E assim ela se foi para sempre, sorrindo docemente para mim antes do carro se chocar contra ela e a levar de minha vida.

Eu sentia-me culpada, aquilo tinha acontecido por minha causa, se eu não tivesse sido tão fraca, se eu tivesse tido mais autoridade, aquilo não teria acontecido e ela estaria comigo agora, estaríamos juntas. 

O longo e melancólico velório havia chegado ao fim e as pessoas começaram a se dirigir a saída, até mesmo os meus pais, mas eu queria ficar ali, junto a ela, mesmo que sua alma não estivesse mais em nosso mundo, eu queria ficar ao menos na presença de seu corpo. 

Meus pais seguraram as minhas mãos carinhosamente e começaram a me dirigir a saída, porém me detive com os olhos ainda cheios de lágrimas. 

- Não quer ir ainda? - Perguntou minha mãe.

- Ainda não, eu quero ficar um pouco com ela. - Respondi. 

Ela apenas sorrio sem mostrar os dentes e acariciou o meu queixo.

- Tudo bem.

Eu os observei se retirarem do cemitério lentamente, agora só restava eu entre os vários mortos que descansavam ali naquele lugar triste e silencioso onde o único barulho que se podia ouvir era o dos animais que ali habitavam e a chuva fraca que caía sobre o solo e sobre tudo.

Eu estava com uma rosa branca em minha mão, era a sua flor favorita, ela sempre quis que o nosso lugar tivesse flores desses tipo, infelizmente nunca teve e parece que nunca terá. 

Andei lentamente até o seu caixão rodeado de flores e de velas, algumas ainda queimavam apesar da chuva que mesmo nem sendo tão forte, já deixava o céu num tom acinzentado. Cheguei perto deste com os olhos marejados e o admirei, ele é mais belo de perto e só agora eu pude perceber que havia um retrato dela na lapde. Coloquei a rosa em cima da madeira negra de seu caixão lentamente e então me pus a admirá-la com as mãos apoiadas levemente sobre o caixão. 

- Mary, eu nunca fui boa com palavras ou sentimentos, pois eu nunca fui capaz de expressar realmente o que sinto por alguém pois eu tenho medo de que um dia essa pessoa me deixe, levando consigo as minhas palavras e a jogando fora como se não fossem nada. Mas você me fez ver que eu deveria me arriscar mesmo assim, você me mostrou que eu podia confiar nas pessoas, me mostrou que eu podia; apostar tudo que eu tenho em uma pessoa que ela iria fazer o máximo para me orgulhar. Você encheu a minha vida de boas lembranças que eu vou guardar comigo pelo resto da minha vida, mas...mas eu lamento que não poderemos ter mais nenhuma por minha culpa! A culpa disso tudo é minha e eu te peço desculpas, Mary, sei que isso não é o suficiente para compensar o que te fiz, o que você fez por mim, mas eu te peço do fundo do meu coração: Me perdoe. Você fez tanto por mim que eu não sei como vou poder viver o resto da minha vida sem você. Você sempre foi o meu abrigo seguro em meio a interminável e impetuosa tempestade da vida, você sempre foi a luz que iluminou a minha vida obscura, foi sempre você que me fazia me sentir bem mesmo após a maior das decepções e agora sim eu posso dizer que estou completamente sozinha. 

Eu deito o meu rosto encharcado de lágrimas sobre a madeira espessa e até macia do caixão, deixando minhas lágrimas escorrerem sobre o material liso, o apertando como se eu a estivesse abraçando. 

- Adeus, Mary. - Disse entre as lágrimas e os soluços quase intermináveis. 

Fechei os meus olhos e apertei o caixão mais do que nunca. Dizer adeus foi muito mais difícil do que eu pensava e muito mais doloroso. 

Eu me ergui novamente com certa dificuldade e então olhei novamente para o retrato de Mary sobre o caixão, recostado na lapde. O seu rosto macio, o seu sorriso doce, a sua feição amável, essa era a última vez que eu a iria ver. 

Me virei para a frente lentamente e me pus a caminhar em passos curtos e lentos sobre aquele terreno agora lamacento e escorregadio em direção a minha família, que estendeu os braços para me acolher em seu meio.


↜⏳↝


A única coisa que eu queria fazer ao chegar em casa era derramar o restante das muitas lágrimas que ainda ainda tinha guardadas em paz, por isso, assim que meu pai abriu a porta, eu corri em direção ao porão, onde costumo ir para chorar a sós quando alguma coisa me fere o bastante para me fazer chorar, o que acontece frequentemente. 

Eu pude ouvir minha mãe me chamando, mas ignorei, eu não podia mais segurar todas aquelas lágrimas para mim, eu abri a porta do porão e passei por esta, chegando ao lugar escuro e sombrio que era o porão, não era diferente de todos os outros, trancando a porta em seguida para que ninguém viesse me incomodar. 

Puxei a cordinha que acendia a única e pequena lâmpada do lugar, não iluminava muita coisa, mas era o suficiente para mim. Eu avistei a cadeira velha e empoeirada onde sempre me sentava para extravasar toda a minha tristeza em formato de gotas formadas de pura melancolia e de quaisquer sentimentos que eu tinha que guardar para mim até chegar até ali. 

Fui até a cadeira e sentei-me na mesma, fazendo com que um pouco de poeira voasse com o impacto. Eu abaixei a minha cabeça e pus as minhas mãos nos meus olhos que já começavam a deixar as lágrimas escaparem e logo as lágrimas encharcaram o meu rosto e as minhas mãos, eram muitas e não cessavam, talvez fossem a quantidade de tristeza que eu sentia no formato de água. 

Em meio as minhas lágrimas eu lembrei de Mary e dos nossos momentos juntas, eu pude ver os nossos passeios na praça de mãos entrelaçadas, os nossos risos, os nossos abraços, enfim : tudo o que tínhamos passado juntas e aquilo só me fez chorar mais pois agora tudo aquilo havia acabado. Eu faria de tudo para tê-la de volta. 

Eu pigarriei para trás um momento e a cadeira se impulsionou para trás e, para a minha grande surpresa, fez um buraco na parede atrás de nós, me jogando no chão de uma sala nova e desconhecida para mim. 

Eu levantei o meu rosto, sentindo um pouco de dor pelo impacto e por alguns pedaços de madeira que haviam me perfurado superficialmente, mas nada com o que eu não possa lidar. Ao levantar o meu rosto, tudo o que pude sentir foi espanto. Para todos os lados que eu olhava eu só via coisas que me deixavam mais apavorada. Agora eu entendia onde eu estava, mas não entendia como e porquê a quilo estava ali e escondida de quem?

Assim que me levantei com as pernas bambas de tanto espanto, eu percebi sobre o que estava deitada, era um círculo vermelho com uma estrela também vermelha dentro, mas não era uma estrela normal, ela estava ao contrário. Era um símbolo satânico. Eu rapidamente sai de cima daquilo e voltei a olhar ao meu redor, tinha tudo o que rituais satânicas precisavam ali : tinham velas negras, vestes negras, ingredientes macabros como partes humanas guardadas em potes numa estante e vários símbolos escritos nas paredes, coisas escritas em outras línguas, as quais eu desconhecia. 

Eu olhei para a frente novamente e lá estava algo que eu até agora não tinha notado : um livro, certamente não era um livro com uma história de aventura ou um conto de fadas, mas sim um livro cheio de práticas macabras e rituais de algo maligno com quem ninguém deveria mexer. Porém, a minha curiosidade misturada com a minha dor era mais forte que o meu bom senso que me dizia para sair dali o mais rápido possível, concertar a porta e tentar esquecer aquela lembrança perturbadora, eu já tinha visto lugares como esses em livros e em filmes, mas nunca imaginei que um dia estaria num. 

Eu me dirigi em direção a ele, o qual estava preso num altar por algumas correntes velhas e enferrujadas, das quais eu o consegui soltar facilmente. Eu o segurei, era pesado pela sua grande espessura e também tinha uma capa muito desgastada, que estava se desfazendo na minha mão, parecia existir a séculos, o que eu não me espantaria se fosse verdade. Mesmo com a capa estando super desgastada, eu consegui decifrar o que o título dizia : Práticas de bruxaria e rituais. 

Eu sei que já o deveria ter o devolvido para o seu lugar, mas uma curiosidade avassaladora corria pelo meu corpo : E se, naquele livro, tivesse alguma coisa que me ajudasse a trazer Mary de volta? 

Esse pensamento fez se abrir um sorriso no meu rosto, um sorriso de esperança, de que havia uma possibilidade de nos reencontramos novamente. 

Eu folheei o livro rapidamente, conseguindo ver vários desenhos negros nas páginas, desenhos de rituais terríveis envolvendo tudo o que continha naquela sala e...um sacrifício. 

Eu não pude acreditar nos meus olhos quando encontrei o que queria : Um ritual para trazer os mortos de volta. Eu sorri já na esperança de ter Mary de volta em minha vida, mas eu estava curiosa em saber qual era o preço a se pagar por esse tipo de feito. 

Eu li a descrição do ritual e deixei o livro cair de minhas mãos ao ler a parte em que dizia o era necessário para fazer aquilo, para trazer Mary de volta : Eu precisava sacrificar a pessoa que amava igualmente a que queria ressuscitar. Apenas um nome veio a minha cabeça neste instante, o nome da única pessoa que foi minha amiga antes de todas as outras com exceção de Mary, o nome da única pessoa que possuía uma amizade comigo quase tão antiga quanto a de Mary : 


- Phoebe. 



  


Notas Finais


Ufa, finalmente eu postei (😅), espero que isso sacie a fome de vocês por algum tempo porque, eu não vou mentir, o segundo capítulo pode demorar, mas um dia sai.

Espero que tenham gostado (💙).


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