História The Darkness Descendant - Capítulo 8


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Categorias Bleach
Personagens Aizen Sousuke, Gin Ichimaru, Grimmjow Jaegerjaquez, Ichigo Kurosaki, Nnoitra Gilga, Orihime Inoue, Personagens Originais, Rukia Kuchiki, Szayelaporro Granz, Ulquiorra Schiffer
Tags Ação, Aizen, Amizade, Arrancars, Aventura, Bleach, Darkness Descendant, Deathbarry, Grimmjow Jaggerjack, Guerra, Hichigo, Hollows, Humanos, Ichigo Kurosaki, Luta, Morte, Personagens Originais, Realidade Alternativa, Rukia Kuchiki, Shinigamis, Tortura, Uquiorra Schiffer
Visualizações 45
Palavras 11.716
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


> Depois de bilhões e bilhões de minutos sem postar nosso novo cap por alguns motivos, cá estou eu trazendo a compensação mais de 11 mil palavras Coiotinhos.
>aqui na capa temos essa foto muito nada a ver com o cap da nossa protagonista.

Capítulo 8 - Crossing The Rubicon


Fanfic / Fanfiction The Darkness Descendant - Capítulo 8 - Crossing The Rubicon

* No último capítulo:

_eu sei que se sente mais fraca desde que deixou o laboratório, faz parte do efeito da droga que está no seu sangue e você sabe disso. Me deixa te ajudar._ ele pediu.

Considerei suas palavras, era verdade, “para começar o motivo de termos saído da Seireitei era o fato de que era arriscado que me vissem por lá, se eles chegarem aqui vão começar a fazer perguntas, e o final disso não seria nada bom”; o encarei por alguns instantes “ mas também não vou conseguir sair daqui andando”. Acenei positivamente para ele, e logo senti, reaitsus que a poucos segundos estavam a quilômetros agora estavam a metros, tínhamos que nos apressar.

*Agora:

Kamilly (P.O.V)

Saí da banheira quente e logo me arrependi, apesar de ser final do verão, hoje era um dia que prometia chuva forte, e o vento que entrava por uma fresta debaixo da porta era gélido; peguei minha toalha e me enrolei para fechar a porta o máximo o possível, estava no banheiro do quarto de visitas da casa da avó do Hayaki, depois que deixamos o distrito número seis não tivemos mais problemas antes de chegar ao local, e nem depois já que ela me socorreu muito bem; abri a toalha que envolvia meu corpo para ver, pelo espelho que, os cortes e as marcas de queimaduras já bem amenas, mas ainda doíam um pouco. Elas me lembravam um dos castigos que foram infligidos a Noboru ainda na L.C.D.S; a diferença é que eles o queimaram com ferro quente em seu corpo humano, bem menos resistente que um corpo espiritual, eu podia sentir a agonia dele, através dos grunhidos de dor que ele tentava conter e principalmente daqueles que não conseguiu, de todas as lembranças que eu podia me lembrar agora essa era uma das piores, eu nunca entendi o motivo daquilo e ele nunca me contou. Peguei o Kimono branco que estava pendurado por ali e o vesti, o kimono interno era o que tinha ficado mais ileso da batalha já que o preto tinha sido destruído, a senhora conseguiu reconstituir o branco com facilidade, já o escuro…; na verdade a avó do Hayaki tinha sido muito boa desde que chegamos, eles priorizaram me tratar primeiro mesmo comigo dizendo que estava bem, descobri que ela é uma mestra em kidou e fiquei boquiaberta com a rapidez com que as feridas melhoram, de resto era só esperar agora que se cicatrizassem naturalmente. Após dar um nó na faixa eu saí do banheiro, o shitagi ( Kimono branco interno) era um pouco menor que o preto que o cobria e isso estava me deixando um pouco desconfortável, estava indo até o espelho do quarto para ajeitar meus cabelos molhados quando ouço leves batidas na porta.

_ Entre_ falei.

O garoto de olhos azuis um pouco escondidos pela franja abriu a porta levemente e depois fechou atrás de si, trazia consigo alguns instrumentos como seringas e agulhas; “isso não vai ser muito agradável” pensei enquanto ele preparava algumas coisas; sentei-me sobre a colcha verde que cobria a cama daquele quarto de paredes brancas de uma tradicional casa japonesa no sétimo distrito a norte em Rukongai, a casa de sua avó era bem bonita, observei a janela por onde poucos raios de sol entravam, em vez de iluminado o céu estava cheio de nimbos que indicavam uma chuva forte e próxima.

_ Bem…; isso deve te ajudar com o veneno daquela cobra_ ele disse se aproximando com uma seringa.

Se sentou à minha frente e segurou meu braço esquerdo, procurando por uma veia melhor; olhei para a janela rapidamente para não ver a agulha traspassar minha pele, ele por sua vez foi preciso e cuidadoso;e todo aquele suspiro exagerado que eu preparei perdeu intensidade já que nem doeu, ele soltou um leve riso da minha reação.

_ Enfrenta Adjuchas fugindo da Seireitei mas tem medo de agulha?_ ironizou.

Lhe dei uma risada falsa mas não consegui pensar numa resposta rápida então deixei isso para lá; voltei a observá-lo, ele já não tinha uma tala em seu braço e sim uma atadura.

_ Melhor?_ perguntei apontando seu braço.

_ Na verdade, sim_ disse enquanto se levantava e se voltava para a mesa que tinha ali perto, mexendo em alguns outros objetos_ esse aqui vai te ajudar com fraqueza causada pela droga que te deram.

_ Não! Isso não!_ disse quando o vi trazendo um pacote com soro injetável.

_ Ah, claro se quiser continuar sem seus poderes, que seja_ falou convincente.

Contudo ele tinha razão em algo, essa era uma das horas na qual eu menos poderia me abster de poder; atravessar a Seireitei novamente sem toda minha força seria suicídio.

_ Isso vai anular o efeito da droga?_ perguntei por curiosidade enquanto ainda ponderava.

_ Não, a droga vai sair do seu corpo naturalmente, o que ainda restou são apenas resquícios dela, a maior parte já deve ter saído; além disso sobrou apenas um pequeno impacto no seu organismo, quase inexistente, porque quem te dopou não queria ou não podia deixar sequelas, ou seja, aquilo não era mais que um calmante._ ele me explicou, e por mais que ele tenha dado vários detalhes eu ainda fiquei com cara de “hein?”_ só quero saber uma coisa, por que você acha que eles te dopariam?

_ eu não sei_ falei com sinceridade_ eu me lembro que eles mandaram um oficial de uma patente consideravelmente alta e ele parecia me preparar para alguma coisa mas ninguém te explica nada naquele lugar, você só faz. Quero dizer, não há necessidade de tanto cuidado para mover uma cobaia não é?

_ Depende da importância do experimento..._ ele disse mais como um cientista do que como o Hayaki normalmente, quando ele percebeu minha expressão se justificou_ me desculpe… eu só estou considerando as possibilidades.

_ Tudo bem_ eu respondi ainda estreitando os olhos.

Por algum tempo eu até me esqueci que Hayaki trabalhava mais ou menos na mesma área que Granz; Centro de Desenvolvimento e Pesquisa Shinigami, esse nome me cheira a experiências em seres vivos, me perturbei ao imaginar Hayaki no lugar Granz, ao compará-lo a ele.

_ Se eu tivesse que drogar alguém, seria provavelmente porque a pessoa é mais forte do que eu_ disse pensativo, eu sei que ele tentava decifrar a questão, mas tal hipótese fez com que minha mente novamente o comparasse a Granz, balancei a cabeça de um lado para o outro para me livrar desses pensamentos_ Acha que pode ser isso?

Ele me encarava agora com seus olhos azuis, mas eu estava com a cabeça longe.

_ hã?_ o perguntei de maneira realmente inteligente.

_ Acha que talvez ele tenha te tranquilizado porque não poderia controlar seus poderes?_ indagou-me

_ Quais poderes Hayaki?_ devolvi-lhe a pergunta junta a outra_ não tem poder e esse é o problema…

_ Como??_ ele me perguntou meio confuso.

_ Olha, é fato que eu nunca consegui uma liberação total dos meus poderes, todas as cobaias eram uma tentativa de criar um híbrido perfeito, aquele que era humano, shinigami e hollow, isso era o máximo que eu sabia_ comecei minha explicação_ alguns eram mais Shinigamis, outros mais Hollows e outros mais humanos, e desse modo seus poderes variavam, uns tinham resurrections outros shikais, muito poucos conseguiram Bankais..._ pausei minha fala por um segundo para pensar em quais palavras escolher, ele apenas prestava atenção em mim, decidi então ir direto ao ponto_ eu não tinha nada, ou melhor, Reina Quartz nunca foi uma Katana comum então me disseram que ela poderia estar em constante Shikai, mas não era mais que probabilidade, por isso eu nunca acreditei que eu era o final do experimento, sempre achei que era uma cobaia que tinha vindo a mais, talvez que eles tivessem pausado o processo… passei a creditar que outra pessoa era muito mais apta que eu. Então eu aprendi a lutar só com isso, com o que eu pudesse usar no momento, mas hoje eu não tinha ideia do que fazer e…

_ Espera..._ ele interrompeu meu falatório infindável_ e a reiatsu que liberou hoje?

_ Eu não faço ideia… eu nunca senti aquilo antes, eu saberia se já tivesse feito_ eu respondi, ele continuou com cara de interrogação, mas fazer o que?; era tudo o que eu sabia.

_ Sem Bankai, Resurreccións… Kamilly, como foi que lutou contra Granz?_ ele me perguntou sendo direto.

_ Eu não me lembro de ter lutado contra ele_ disse honestamente_ Sayuri me disse sobre isso no dia da fuga mas…

_ Se lembra de algo do dia antes da fuga?_ indagou.

_ Sim, eu me lembro da boate no centro da cidade, de tudo_ falei.

_ Não, você acha que lembra… uma lobotomia não poderia ser se não todas as suas memórias próximas teriam ido junto, seria um tipo de hipnose?_ ele voltou a pensar alto_ mas toda hipnose tem um gatilho, seria quase impossível não deixar rastro. Você é capaz de entrar na mente das pessoas, sabe se pode acontecer o contrário?

_ Do que você está falando?_ o questionei confusa.

_ Me desculpe_ ele disse se direcionando a mim_ Kamilly, a droga não era para limitar seus poderes, bom...era sim, mas era principalmente para não te deixar racionar, e recordar as memórias de suas técnicas de luta, porque seria mais difícil te controlarem, provavelmente isso não foi feito uma ou duas vezes, mas por toda sua vida.

“Que?

                                                                                                        ***

Mutsuto Okada (P.O.V)

_ É o que eu estou falando_ confirmei pela segunda vez brincando com meu almoço_ era ela.

_ Tem certeza que era a reiatsu dela?_ a pergunta foi transmitida por aquele aparelho semelhante a um fone em meu ouvido.

_ Sabe bem que é quase impossível ter certeza sobre a reiatsu dela…

_ Okada-san_ fui interrompido por alguém batendo um tanto desesperado e ofegante à porta da cabana.

_ …Mesmo assim, por coincidência eu a vi num restaurante com um garoto_ tentei ignorar o chamado, e continuei meu relato.

_ Espera, como assim..._ não consegui ouvir o resto direito.

_ OKADA-SAN_ gritou mais alto o miserável na porta e eu já sabia do que se tratava.

Fingir que não tinha ninguém em casa não daria certo já que o Jazz que estava tocando ressoava por todo o lugar.

_ Com licença Granz_ pedi ao que estava do outro lado da linha, e comendo mais um pouco do meu lamen, me levantei e fui até a porta abrindo-a.

O cenário à minha frente era uma parte da periferia de Rukongai, estava no sexto distrito a norte numa cabana abandonada, próximo onde os primeiros Hollows foram mortos. Quando eu cheguei junto com outros shinigamis ainda tinha vestígios quase inexistentes da reiatsu de Kamilly mas era impossível segui-la agora, porque novamente ela havia se tornado imperceptível, no entanto eu pude ter certeza que ela estava aqui, acompanhada de alguém, confirmei ao sentir vestígios de uma reiatsu desconhecida em um dos hollows que não estava totalmente morto, obviamente eu tive que cuidar disso sem ser percebido. Meus companheiros não perceberam as energias diferentes por falta de tempo, foram três Hollows Adjuchas em cada via principal norte já que eu não sabia por onde ela ia passar, mas teria que usar ao menos uma delas. E agora aqui estou eu, comendo meu almoço numa cabana abandonada, e providenciando o roubo de corpos de Hollo...

_ OKADA-SAN_ gritou mais uma vez o garoto à minha frente.

_ O QUÊ?_ ele me olhou meio assustado pelo meu tom de voz, eu esqueci que eles fazem essa cara quando eu não dou uma de  palerma_ me desculpe, eu estava distraído, entre.

_ Eu te chamei umas cinco vezes..._ disse o shinigami recém-saído da academia entrando_ Eu não tenho tempo, sobre a autorização que me entregou hoje de manhã sobre a liberação dos Adjuchas, parece que ninguém sabia de nada e agora estão investigando a sede da décima- segunda divisão e …

_ Achou interessante a borboleta do inferno que mandei para você?_ ele se surpreendeu com a pergunta nesse momento, continuei minha sentença enquanto analisava a borboleta preta com alguns sinais de velhice pousada em minha mão_ Ela é de um modelo mais antigo que era usado quando eu ainda estava na academia, desenvolveram um mais novo por que essa causava interferência e às vezes a comunicação falhava, e isso dificultava muito para a central monitorar a comunicação; eles deixaram de lado essas acreditando que tinham dado fim em todas, mas não foram todas…

_ Okada-san, o que isso tem a ver com o problema que temos agora?_ ele me interrompeu_ eles estão propondo falsificação de documento.

_ Realmente..._ falei pensativo_ acho que nunca forjei um tão autentico.

_ Como?_ ele parecia mais confuso.

_ Como não. Acho que você entendeu exatamente o que eu disse_ eu falei olhando o garoto que parecia pasmo_ Não temos um problema, você tem porque foi muito ingênuo. As câmeras mostram que você esteve lá, não existe um documento que prove que eu te induzi a nada, e nem modo de ter acesso a nenhuma comunicação…

Esmaguei a borboleta e essa se fez em restos e peças de metal.

_ Deus…_ foi tudo o que ele disse antes de se virar para correr para fora.

_ Não vai te ajudar_ completei, aparecendo a sua frente.

Eu era mais rápido e ele não pôde fazer muito mais que girar em seus próprios calcanhares e me encontrar do outro lado, cravei-lhe a espada através de sua barriga e ela o traspassou até as costas e seu sangue começou a jorrar, a expressão de derrota dele por morrer devido à sua falha era impagável, seu corpo colidiu com o chão convulsionando onde terminaria de derramar seu sangue .

_ Fraco_ me lamentei pela insignificância desse ato.

Peguei o comunicador na mesa, ele podia me manter em contato da Soul Society com o Hueco Mundo e vice-versa, para minha sorte parecia que a conexão continuava estável.

_ O matou a sangue frio_ Observou o espada ao perceber minha presença.

_ Não faria o mesmo?_ perguntei ao que me analisara.

_ Provavelmente_ ele disse_ então já sabe o que fazer, não é ?

_ Bem, essa não é a primeira e nem acho que será a última que farei isso_ o respondi em tom casual_mas se quer saber sobre a eficiência dos meus métodos, estou numa cabana isolada em Rukongai, providenciei que viesse para cá porque ninguém poderia sentir o desparecimento dele de tão longe, sem provas ou testemunhas, só vou aguardar que seu corpo se desfaça em Reishi e a poeira abaixar para voltar.

_ Bom, sobre o garoto então..._ ele começou a falar.

_ Isso também já está sendo providenciado._ resumi antes que continuasse.

_ Posso deixar essa parte com você?_ ele me perguntou.

_ Com certeza_ foi tudo o que disse.

_ Ótimo, qualquer informação sobre ela entre em contato_ Granz desligou.

_ Okay_ falei jogando o fone sobre a mesa.

Desviei do corpo que sangrava no tapete, limpei a mão do sangue com um guardanapo e peguei mais um pouco do meu lamen, mas já não estava a mesma coisa.

_ Humm, esfriou_ reclamei me virando para o cadáver_ culpa sua.

 

Kamilly(P.O.V)

Abri os olhos lentamente para me adaptar à luz do sol que emanava pelo lugar, o teto acima de mim era branco como as paredes mas estavam manchados de tons escuros, algo que percebi na lerdeza que me tomara, notei também que a superfície aonde estava deitada era fria e molhada, concluí que deitada no chão estava, quando o toquei. Passei a mão sobre o rosto e percebi que desta adquiriu uma mínima umidade, olhei minha mãos e tinha sujeira e… sangue?; levantei rapidamente e vi que no chão também havia sangue, na minha roupa, mas não era meu. Da poça se estendia um rastro que terminava em mim, fui seguindo-o até encontrar sua origem e vi o lugar em que um dia morei, aquele laboratório, ou melhor o fruto de tudo aquilo que as chamas pintaram de cinza, aquelas ruínas que presenciaram o caos e a dor sendo recobertas por fuligem, como neve sobre o solo de um massacre. Montanhas de corpos, corpos conhecidos, uns realmente sangravam, em outros faltavam partes decepadas ou consumidas pelo fogo, e alguns eram irreconhecíveis, mas todos tinham algo em comum; do mais intacto ao mais desfigurado sentia-se o sofrimento, o desespero em suas expressões, traços de toda a vontade e tentativa de sobreviver.

Uma lágrima escorreu pela extensão do meu rosto e delineou meu queixo indo em colisão com o chão; se enganou todo aquele que pensa que porque alguns são mais Shinigamis e outros mais Hollows que seriam mais apáticos diante da morte; sequei o caminho da lágrima com uma mão e fiz o máximo para evitar outras, antes de terminar de enxugá-la vi um reflexo prateado a duas horas (direita); movo automaticamente minha mão até onde deveria haver uma Zanpakutou mas não a encontro, lógico, eu estava presa à matéria física, olho aquele ponto novamente e nada, por alguns segundos, até que do meio dos corpos começa a erguer-se uma sombra em minha direção; me ponho a correr para o corredor à esquerda, mas já era tarde, mais uma sombra me impedindo, de forma humana e olhos prateados quase brancos, era a única claridade em seus corpos, esta estava no meio do corredor e também começou a me perseguir, tentei me distanciar para trás esquecendo da outra que segurou meu braço. Eu ouvia os sons que faziam, eram agonizantes, como se falassem comigo, dos meus medos, coisas que ninguém nunca soube, sussurros ensurdecedores capazes de enlouquecer, meu antebraço preso começou a se tornar escuridão espectral; comecei a tentar me debater para que me libertasse dele mas estava estática, não podia me mover; a aflição crescia à medida que aquilo se espalhava pelo meu corpo me transformando em sombras; eu podia sentir que mesmo involuntariamente ele tentava passar sua dor para mim, a amargura de ser uma alma atormentada pela eternidade, o fardo de ser uma lost soul.

Aumentando drasticamente a força que imprimia acabei me movimentando por pouco menos de um metro, não era muito e eu caí levando comigo a lost soul, mas foi o suficiente já que no meio da queda um raio de sol irradiou sobre nós fazendo com que o ser se desfizessem em partícula de sombra e fosse repelido desaparecendo. Sem perder o tempo que eu não tinha eu rolei para debaixo dos raios do sol ficando inalcançável para o espectro que ainda vinha em minha direção, mas ele não era idiota, ia conseguir um modo de chagar a mim se ficasse ali, então entrei num corredor e voltei a correr. Olhei meu braço mas a escuridão já o tinha deixado; lost souls?! A última vez que as vi, bom… já faz muito tempo. Estava correndo por um corredor escuro já que o sistema elétrico do laboratório estava torrado, apenas alguns raios de sol que entravam por alguma fresta, e em meio à penumbra, alguns defuntos e destroços do que nunca foram boas memórias, mas de algum modo, visto assim era pior.

Levantei meu olhar ao teto e vi dois olhos brilhantes em meio ao negrume e eles começaram a se mover pelo teto em minha direção, abri ligeiramente a porta ao meu lado e me enfiei lá dentro sem ao menos saber o que havia lá, a criatura começou a bater brutalmente na porta ainda sussurrando palavras e ruídos horríveis, algumas eram até indistinguíveis, ele aumentava sua força instante a instante, a porta ia ceder, coloquei um pano debaixo da porta para evitar que passe pela abertura, olhei para o lugar onde estava, que era “um armário do zelador?” me desnorteei um pouco com a conclusão mas logo percebi que esse era exatamente o lugar o onde eu deveria estar. Ainda com aquela criatura arrombando a porta peguei álcool embebendo um pando e enrolando no cabo de um espanador, uma lasca da porta quase me atingiu, ele tentou me alcançar mas me encolhi num canto onde achei uma caixa de força, perfeito, derrubei as coisas na prateleira até achar um alicate, a porta se desfazia cada vez mais quando eu cortei um pequeno fio que em contato com o álcool fez o pano entrar em combustão, a sombra parou de destruir a porta e se afastou um pouco, eu sabia exatamente o que estava prestes a fazer, e antes de ter a oportunidade lancei álcool na porta e ateei fogo com minha nova tocha, acertei a porta com o pé enquanto o fogo a queimava, ela se soltou da dobradiça e atingiu, juntamente ao fogo, aquela forma que se desfez em névoa.

Com o archote (tocha) e um vidro de álcool eu comecei a correr de novo, não podia parar, eles eram muitos, eu ouvia os sussurros aumentando cada vez mais. Localizei uns sete atrás de mim e o número só aumentava, fiz um rastro de álcool por onde passei e ateei fogo fazendo com que dois fossem consumidos, mas os outros pararam a tempo e começaram a tomar outros corredores para tentar chegar a mim; o que eu não tinha visto era que à minha frente tinha três, não daria tempo de fugir ou de atear-lhes chamas, coloquei fogo na embalagem do álcool e mudei meu trajeto jogando neles, em poucos segundos uma explosão se fez, eles despareceram deixando uma barreira em brasa. Eu já não tinha mais combustível, nem luz, acelerei o mais rápido que meu corpo humano poderia mas não era muito, não comparado às lost, senti os sussurros ensurdecedores se transformarem em gritos silenciosos de desespero e terror, olhei para trás, dezenas, talvez centenas de lost souls como uma nuvem negra vinda de trás corri mais rápido para chegar às grandes escadas mas não seria suficiente pois no próximo corredor mais e mais losts apareciam como em um tsunami; inacreditavelmente eu consegui chegar às escadas e descê-las, tão velozmente quanto aquele corpo aguentasse, mas não era muito e em uma das últimas escadas eu tropecei e rolei por alguns degraus e perdi minha única fonte de luz, ela ficou alguns degraus atrás e a onda de trevas já se aproximava, comecei a correr porém a torção no tornozelo não me deixava ser rápida.

Estava mancando arrastando minha perna por aquele corredor que tinha fim em portas duplas de vidro, mas a escuridão sorveu tudo atrás de mim e desesperadamente comecei a alternar entre me arrastar e engatinhar para ser mais veloz. “Corra, corra para onde quiser mas não pode escapar” os sussurros se tornavam mais nítidos “ Sabe que somos todos iguais, apenas sombra e medo, você não é diferente” disse outras entre ruídos “ O que teme? É essa forma? A única diferença entre você e nós é que sua mente é ainda mais perdida” disseram. Nesse momento eu senti, naquele breu do corredor, as paredes se fecharem ao meu redor, como se eu não fosse dar tempo, as sombras que me seguiam agora se moviam de forma lenta e apreciativa como o caçador que se deleita ao ver a aflição de sua presa antes de um ataque final; mas isso era tudo o que queriam, não?! Saber que não eram os únicos a sentir dor; mas eu me aproveitei de cada instante e me movi para a frente, isso durou um pouco, tempo suficiente para que eu pudesse pegar impulso com minha perna esquerda sã e me jogasse para a frente, meu corpo atingiu a porta que se abiu no impacto, rolei no chão, e me pus de joelhos fechando a porta atrás de mim e usando minhas costas para impedir que pudessem abri-la. Eles batiam freneticamente para tentar abrir, e conseguiriam logo.

_ Você demorou_ disse uma voz estranhamente conhecida a mim e logo as batidas pararam.

_ O que? Quem..._ eu estava meio confusa, mas não era uma lost já que sua mão era de carne e osso e segurava… Como?

_ Venha _ disse a figura encapuzada erguendo Reina Quartz_ eu vou te ensinar a usá-la.

_ Sério? Vai me ensinar a usar minha zanpakutou?_ ridicularizei_ eu dispenso, acho que sou completamente capaz de usá-la.

_ É mesmo?_ me perguntou em tom casual_ então porque não a empunha quando quem ama precisa de você?

Aquela pegunta se fez em minha mente como uma questão infindável, aquele ambiente se desmanchou em sombras e enfim… acordei.

*Sonho off

Meus olhos se abriram em outro cenário, me virei para o lado derrubando algumas coisas no criado para ligar uma luz, mas apenas estava deitada numa cama de um quarto branco, coberta por uma colcha verde, a casa da vó de Hayaki continuava a mesma ou, pelo menos, aquele quarto; aos poucos flashes de um pesadelo voltavam a mim, a L.C.D.S., a destruição, as lost souls… “ O que tá acontecendo?” eu me perguntava, mas de uma coisa eu tinha certeza, sabia o que faria de agora para frente. Me levantei, saí do quarto descendo as escadas para tentar encontrar alguém, desemboquei numa sala com algumas estantes de livros e poltronas, automaticamente me lembrei das folhas que tirei do livro na biblioteca, e passando a mão pelo kimono as encontrei, observei as folhas que pareciam papel pergaminho com certo apreciamento mas sem deixar de prestar atenção ao meu redor, enquanto observava percebi que eu estava ferrada, sério, a página era escrita numa língua que eu não conhecia, e olha que eu conhecia quatro línguas (cortesia da L.C.D.S.), decodificar seria quase… ouvi um barulho na sala de jantar, olhei de relance mas não vi nada anormal, guardei as folhas novamente no bolso interno do kimono e fui examinar os livros nas prateleiras, passei meu dedo lentamente olhando os nomes, encontrei alguns conhecidos como “O morro dos ventos uivantes” de Emily Bronte; “ Um conto de duas cidades” de Charles Dickens; “ Viagem ao centro da Terra” de Jules Verne, entre outros tantos nomes que eu já tive boas indicações, alguns cheguei a ler, outros apenas tive vontade, no entanto algo me chamou atenção, numa prateleira mais alta, de capa amarelo forte, livro antigo de Bram Stoker “ Dracula”; dei um pequeno pulinho para pegar porque a altura não ajuda, quase escorreguei no tapete mas tudo bem, pois agora tinha esse tesouro bem conservado em minhas mãos, que inveja dessa vovó. Junto ao livro retirado percebi que um papel também caíra no chão, me abaixei para pegá-lo e em seu envelope tinha a dedicatória “ Para meu príncipe azul de uma mãe que o ama” ao ler aquilo instantaneamente sorri, esse é o tipo de coisa fofa que Hayaki nunca me mostraria, eu concluí que príncipe azul se referisse a cor de seus olhos que eram de um azul forte, tanto que dentre todo ele, era o que mais destacava. Provavelmente a carta fora enviada em sua infância enquanto sua mãe estava em missão, apenas por curiosidade eu fui olhar a data de envio da carta, 13 de janeiro de 1915, só tem uns cem anos, né? Nem é tanto, eu só não sei se eu vou viver tudo isso. Meus pensamentos se interromperam quando vi uma figura parada na porta da sala, comecei a voltar com as coisas para o lugar tentando fingir que nada aconteceu.

_ Parece que dormiu bastante_ disse a senhora Hasegawa_ está melhor?

Sim, esse é o mesmo sobrenome que Hayaki me deu quando mentia para a pequena tenente, na verdade o sobrenome era de sua avó materna.

_ Sim, com certeza_ respondi rápido disfarçando minha bagunça_ a propósito obrigada.

Me referi a todas as feridas que ela curou ou ao menos cicatrizou em meu corpo.

_ Não há de quê_ ela disse indo para a outra sala me deixando sozinha_ venha cá… Kamilly, não é?

_ Sim, isso mesmo_ tentei falar de modo tão doce quanto ela mas era difícil para mim, digamos que ninguém nunca se importou em me ensinar a ser delicada_ a senhora já fez parte do Gotei 13 alguma vez?

Eu perguntei considerando seu dons com kaido, ela me olhou de canto, provavelmente não foi de propósito, mas parecia não ser sua melhor lembrança; mas a impressão logo passou quando sua expressão voltou ao normal.

_ Sim, eu já fiz parte do Gotei 13, fui terceira oficial da quarta divisão, há uns duzentos anos_ ela disse, eu tentei realmente tratar aquilo com normalidade.

Não a perguntei mais sobre isso, parecia algo que não queria tratar sobre. Ela entrou na cozinha e voltou com um bule, xícaras, biscoitos…

_ Me ajuda com isso?_ ela disse docemente, peguei algumas xícaras e o bule as arrumando-os no chabudai (mesa baixa tradicional japonesa) e ela fez o mesmo.

_ Sente-se e coma_ ela me convidou e eu a atendi.

_ Hayaki não havia me dito que suas habilidades com kidous eram tão boas_ falei pegando um biscoito_ ele tem a quem puxar.

_ Ah, sim, ele sempre teve facilidade em algumas áreas e nas que não tinha ele se esforçava_ ela disse sorrindo nostálgica enquanto nos servia chá.

_ Eh_ apenas concordei pensativa, apesar de Hayaki não ter a melhor ralação com seu pai, pelo que vi parecia que a avó e ele eram muito ligados um ao outro.

_ Sabe o que me deixou curiosa?_ ela me indagou e eu fiz uma expressão de interesse_ nenhum de vocês me disse como de onde se conhecem.

Esperei um instante para após retomar.

_ Então… eu não vou mentir, o conheço a pouco tempo, ele era amigo de uma amiga minha, mas... ele tem me ajudado muito nas... últimas horas_ respondi pegando mais biscoito, nem dava para acreditar que não tinha nem um dia ainda.

_ Ele é um garoto muito bom, sempre foi_ ela falou mas seu olhar se tornou um pouco triste_ ótimo saber que ele já está se abrindo mais.

_ Já está se abrindo?_ perguntei_ Por que?

_ Bem… depois do acidente com a minha filha, ele se distanciou do pai e simplesmente parou de falar, ele não falava sobre a dor, nunca dizia nada a ninguém, carregava todo o peso sozinho._ ela adicionou.

Eu sabia a dor de perder alguém importante, eu passava por isso nesse momento, a dor e o vazio é insuportável, eu não desejaria isso para o meu pior inimigo quanto menos para ele.

_ É bom saber que agora ele tem com quem falar._ finalizou a senhora.

Naquele momento eu queria poder ser a pessoa que diria “ fique tranquila, eu vou ficar ao lado dele o tempo que for preciso”, queria retribuir tudo o que ele fez, mas meu futuro era tão incerto e todas as pessoas ao meu redor sempre se machucavam de algum jeito. Eu apenas não respondi nada e continuei pensando em como eu era inútil.

_ Mas Hayaki não é o único que carrega uma dor, é?_ ela falou olhando profundamente para mim.

A pergunta simples, mesmo feita gentilmente por daquela senhora, fez com que um milhão de pensamentos que rondavam minha cabeça desmoronassem sobre essa de uma vez.

_ Você carrega um peso muito grande em seu olhar, querida_ ela disse e eu senti meus olhos queimarem pelas lágrimas que se formavam, lágrimas que não deveriam rolar.

_ Por favor, eu não posso,… eu tenho que manter minha estrutura por enquanto_ disse pausadamente para minha voz não ganhar um tom choroso.

_ Tudo bem se não quiser me contar sobre isso, mas..._ ela colocou uma mão deicamente em meu rosto_ prometa que algum dia vai falar sobre isso para alguém, tudo bem?

Eu a olhei e seu olhar tinha uma ternura que me fez considerar contar tudo para ela, mas eu não podia, porque se eu fosse contar tudo mesmo, mares de lágrimas seriam derramadas, eu estaria vulnerável, quero dizer, mais vulnerável; eu era uma fugitiva, deveria estar pronta a qualquer segundo.

_ Tá_ foi tudo o que respondi, “talvez eu faça isso”.

                                                                                                  ***

Antes de voltar para o andar de cima eu passei no banheiro para lavar o rosto e ver se escondia minhas lágrimas, não deu muito certo já que meus olhos estavam avermelhados. Agora caminhando até meu quarto eu tentava esvaziar minha mente e voltar ao equilíbrio emocional, e enquanto evoluía em minha jornada por autocontrole eu percebi que a porta de um quarto estava entreaberta, e ao invés de fechar eu a abri porque isso sempre dá certo, né?; o quarto era bem-arrumado e tinha alguns posters dispostos na parede; uma Zanpakutou na cama; uma mesa com uma pilha de livros, gibis e mangás; algumas peças; papéis e canetas e um vidro com o líquido que Hayaki tinha me dado para combater o veneno da cobra, “ Então, esse é seu quarto?” me questionei enquanto observava tudo aquilo atentamente e nem notei quando ele desligou o chuveiro, resultado, ele abriu a porta e eu não tive tempo de sumir, “ Ele vai pensar que eu tava bisbilhotando” pensei no intervalo entre sua abertura e a saída “ mas você tava bisbilhotando” minha consciência me julgou. Ele saiu, mas já estava com a hakama ( calça preta ) no entanto o kosode ( blusa preta) ainda estava aberta, ele passou a mão no cabelo para tentar tirá-lo do rosto mas foi inútil porque caiu de novo.

_ Kamilly?!_ ele me percebeu e se virou para mim, mas eu não estava preparada para reagir a isso.

Kuchiki Hayaki, provando que nerds shinigamis também fazem parte da modinha fitness desde… antes de 1915” foi um dos vários pensamentos que me vieram naquele momento, mas a maior parte dos outros me diziam " Vaza".

_ Ai, me desculpa_ eu falei tentando não corar.

_ Não tem…_ ele começou_ você tá bem?

Ele me perguntou quando me viu correr fora do quarto, eu escorei na parede ao lado da porta do lado de fora, meu rosto estava avermelhado, tinha total consciência disso.

_ Pode vir_ ele disse após alguns segundos eternos e eu o fiz, ele já estava bem-composto mas minhas bochechas ainda queimavam_ já está melhor?

_ Sim, obrigada_ respondi_ pelo menos parece que meus poderes estão mais fortes.

_ Isso é bom, voltaremos em pouco tempo, vai precisar das suas forças para cruzar a seireitei novamente_ explicou, assenti já que pensava da mesma forma_ estava me procurando?

_ Mais ou menos… eu tava no corredor, daí eu entrei no quarto e você apareceu e… _ eu percebi que seria melhor que eu não ficasse citando esse momento e fui direto ao ponto_ Na verdade,sim; tem uma pequena dúvida sobre sua zanpakutou e já que eu estou aqui.

_ Sansei Ame?!_ ele mais informou que propriamente perguntou olhando para sua espada na cama_ o que quer saber?

_ Aquele Hollow gritou de um jeito tão agoniante, o que aconteceu com ele?_ o perguntei.

_ A Shikai da Sansei Ame, como já sabe, são dois punhais; toda vez que eles cortam o inimigo, ou qualquer outra coisa eles liberam ácido de nível altamente forte que queima tudo ao redor do corte e o torna mais danoso. Youdokuna Umi é uma técnica baseada na capacidade de acumulação desse ácido nos punhais desde que o ataque é mencionado até atingir seu alvo, ele vai liberar uma dosagem tão grande, que quando espalhada pela corrente sanguínea do meu oponente, fará com que todo o seu corpo queime de dentro para fora, e claro, a ferida e tudo próximo a ela_ explicou ele cuidadosamente_ eu não expliquei isso mais cedo por duas razões, primeira porque estávamos sem tempo, segunda porque eu nunca vi lógica em explicar sua tática para o inimigo.

Eu poderia parar e explicar para Hayaki que era tudo uma questão de orgulho, a superioridade de sentir que mesmo tendo mostrado suas cartas ao seu adversário não faria diferença, porque sabe que o vencerá mesmo que ele conheça sua capacidade; mas acho que ele entendia sim, só não sentia mérito nesse tipo de coisa, parecia ser uma pessoa que não luta por orgulho ou poder, mas sim para defender uma causa; e só talvez eu tivesse um pouco de inveja de pessoas assim.

_ Sua vez… mais cedo, você foi atrás daquele garoto em Rukongai numa velocidade impressionante que me fez questionar se o que eu podia sentir era realmente todo seu poder, mas é óbvio que não era_ ele começou, logo me lembrei do aumento repentino de reiatsu que sofri mais cedo_ mas também percebi outra coisa… sua velocidade não se tratava de Shunpo, era diferente. Mas o que era?

“Se eu não soubesse, diria até que… isso foi um sonido” lembrei da fala de Lupus enquanto lutávamos naquele distrito.

_ Sonído, aquilo era um sonído_ fui direta_ um dos efeitos de ser “um híbrido perfeito” é ter poderes de diferentes raças.

Naquele lugar pouco nos era dito, boatos absurdos corriam mas existia apenas uma coisa sabíamos; a Arena praticava experimentos em seres vivos, o laboratório era grande e com certos recursos era bem encoberto da realidade humana mesmo estando bem ali, o projeto era enorme e seu objetivo era obsessivo, talvez utópico até; criar o “ híbrido perfeito”. A expressão era vaga, e explicar não era foco deles, mas a partir de um tempo, quando tivemos maior noção do que era o mundo espiritual, teorias começaram a ser criadas, baseadas nos tipos diferentes de poderes que tínhamos, sobre qual seria o significado de um híbrido perfeito, e levando tudo isso em consideração, a mais aceita foi de que seria aquele que conciliaria as raças Humano, Shinigami e Hollow de modo harmônico e equilibrado.

_ Hibrido perfeito_ ele ponderou sobre o peso dessas palavras.

_ Pois é, eu tô tentando me acostumar_ declarei, eu ainda não conseguia acredita nisso tudo, tentei mudar de assunto_ mas falando de velocidade você também é bem rápido.

_ Nem tanto_ ele falou modestamente e depois começou a contar_ quando eu era ainda era bem novo e, minha mãe percebeu que eu comecei a desenvolver o Shunpo por conta própria; ela pensou que seria bom se dedicar a isso e não estava errada, então desde antes da academia Shinōreijutsuin (academia shinigami) eu já treinava a velocidade. Um dia, uns parentes distantes da parte do meu pai, organizaram um evento e por um motivo que eu não me lembro qual, nós fomos.

Fiquei tentando imaginar como seria um evento de uma família nobre.

_ Minha mãe foi a primeira a entender que eu não tinha nenhuma veneração por zanpakutous, e por causa da minha facilidade com o Shunpo ela me sugeriu a Onmitsukidou. A importância daquele evento nisso foi que eu conheci meu primo terceiro Kuchiki Byakuya, ele parecia ter uma rotina bem focada em treinar, mas minha mãe conseguiu fazer com que ele me ensinasse algumas técnicas de Hohou_ ele sorriu ao citar a façanha de sua mãe_ lógico que isso foi antes de se tornar capitão e líder dos Kuchiki, mas ele já era muito veloz.

_ Não é mais?_ perguntei sobre sua afirmação.

_ Ele é, mas… tem muito tempo que eu nem falo com ele_ ele respondeu e prosseguiu_ então eu não entrei na Onmitsukidou porque meu pai fazia questão de que eu fosse para a sexta divisão e então eu fui.

Hayaki não parecia tão satisfeito em citar seu pai quanto parecia quando falava da mãe. Eu preferi não falar nada já que ele já tinha me contado sobre a sexta divisão, ao invés disso achei que seria mais interessante falar sobre outra coisa que me deixava curiosa.

_ Posso fazer mais uma pergunta?_ indaguei e ele fez sinal para que eu prosseguisse, levantei o pingente de Sayuri que estava preso a meu pescoço_ como a conheceu?

_ É uma longa história_ ele disse sorrindo.

_ Não vai faltar tempo_ o incentivei.

Ele suspirou olhando para o teto ainda sorrindo, mas um sorriso menos contente e um olhar com uma nota de melancolia, eu havia me esquecido que Sayuri também era sua amiga, até a mais tempo que minha.

_ Bom… Eu e Akira ainda eramos muito amigos quando nos formamos na academia Shinō , que dizer, eu me formei primeiro, acho que o sobrenome Kuchiki tem lá suas vantagens, mas estudamos juntos por bastante tempo e eu vivia tirando ele de encrenca, desde aquela época ele já era um maldito viciado, mas quando ele saiu da academia foi logo escalado para a sétima divisão_ ele contava quando se jogou para trás em sua cama, a essa altura eu já estava sentada na cadeira da escrivaninha ouvindo_ poucos anos depois ele recebeu uma missão para checar o aumento do nível de reiatsus incomuns em Sapporo, uma das cidades que, na época, era responsabilidade dessa divisão. Ele seria auxiliar da sétima oficial que estava liderando, Hasegawa Itsumi.

“Hasegawa, será que ela era…?” liguei os pontos.

_ Minha mãe_ ele continuou_ a missão em si foi normal, investigações e relatórios, entre outras coisas e eles já voltariam, pelo menos, foi o que Sakai me disse, então minha mãe o liberou, junto com outros dois para que pudessem aproveitar uma noite no mundo humano, ela era assim, sabe?, legal; enquanto isso ela e um outro colega cuidariam de desarmar e guardar os últimos materiais restantes da última análise que foi feita no ponto onde a reiatsu era mais instável, e eu só me pergunto "oque houve?". Akira estava num bar e percebeu a oscilação das reaitsus dos dois e voltou ao local, mas já era tarde, nem minha mãe nem o outro cara estavam lá. Os restantes voltaram à Soul Society relatar o acontecido e no dia seguinte uma equipe de busca foi enviada, mas nada também, o que fosse que tivesse feito aquilo, sabia apagar seus rastros. Mas eu não consegui desistir sem ter certeza, sem um corpo para enterrar.

_ Hayaki, se não quiser continuar falando sobre isso, tudo bem, eu entendo_ disse ao ver que seu olhar se tornara distante e ele olhava para um ponto fixo no nada.

_ Não tem problema_ disse se mantendo estoico mas não existe um ser que seria apático diante da lembrança da morte da própria mãe_ eu pedi que Sakai voltasse comigo ao mundo humano, mas ele falou que eu deveria me desapegar disso, que se envolver com o que fez aquilo por vingança não valia a pena, que ele não faria isso, é, ele simplesmente não me entendeu ou estava com medo de irmos sozinhos.

_ Era disso que falavam hoje mais cedo? Sente que ele é culpado por não ter te ajudado?_ eu questionei quando lembrei de quando ele falou de uma dívida relacionada ao mundo humano com a qual Sakai se exaltou.

_ Olha eu sei o que eu disse, mas foi apenas porque eu precisei, na verdade nunca o responsabilizei por isso_ ele respondeu, percebi que ele não se referia ao fato diretamente.

_ Mas então por que se afastaram?_ eu novamente levantei uma dúvida.

_ Sinceramente, foi ele que se distanciou, acho que ele via em mim a lembrança daquela noite e que isso o incomodava de algum modo_ supos e continuou seu conto_ então eu fui investigar sozinho, eu sabia qual era o último lugar onde estiveram, e eu fui averiguar, era um antigo hospital, um lote grande e abandonado na periferia da cidade, mas já não tinha ninguém, foram espertos o suficiente para perceber que estavam levantando suspeita e vazaram. Mas aquela noite particularmente foi estranha porque eu senti uma reiatsu instável, mas de um jeito bem diferente, parecia um Hollow, Humano e Shinigami, mas eu nunca tinha visto algo desse tipo, quero dizer, apenas em livros da Academia; até que vi uma garota loira num beco de Sapporo; eu não sabia exatamente o que era ela, mas ela sabia o que eu era e eu tentei interrogá-la...

_ E o que aconteceu?_ eu o perguntei curiosa.

_ Ela acabou me interrogando no meu interrogatório_ ele confessou, eu parei e tive vontade de rir nessa hora, é exatamente isso que a Sayuri faria_ a garota era esperta, eu admito, também era bem mandona, mas era muito louca. Depois que eu finalmente falei o motivo de eu estar lá ela disse que me ajudaria, do nada, eu nem pedi, mas ela disse que faria se eu não perguntasse mais quem era ela, de onde veio e o que estava fazendo ali, eu acabei aceitando mesmo desconfiado, ela me fez passar a noite num quarto de motel porque disse que tinha que voltar para casa, e os próximos três dias foram uma piração total, fomos a becos escondidos, subsolos de cassinos, entre outros lugares em que Shinigamis da Seireitei nunca chegariam a procurar, e ela me levou até eles fazendo questões a diferentes tipos de pessoas, eu me perguntei se ela tinha saído dum seriado policial quando ela criou em quadro de investigação no armário do motel, relacionando os relatos das pessoas e os acontecimentos estranhos recentes, e todo dia no final do dia ela ia embora, sem me dizer para onde, é lógico que se eu soubesse que ela ia para aquele lugar… eu não a deixaria ir; até que no quarto dia ela apareceu na minha janela com a resposta, por incrível que pareça minha mãe estava num hospital do outro lado da cidade, chegamos lá e os médicos disseram que ela estava em coma, mas era muito improvável que médicos humanos soubessem tratar problemas de origem espiritual, também disseram que tinha sido levada para lá na noite do dia anterior, ou seja, quem fosse que a levou, não queria mais ser caçado. Então mais uma vez Sayuri me ajudou a ganhar alta e poder levá-la para casa.

_ Que bom_ disse pensando ser uma coisa boa, quando ele me olhou vi que o pesar em seu olhar que havia diminuído há alguns instantes veio à tona novamente_ Isso não é bom?

_ Eu também pensei que era no começo_ ele começou a dizer evitando que a tristeza alterasse seu tom de voz_ ela voltou com sequelas visíveis não só fisicamente, ela criou um bloqueio mental em que não conseguia se lembrar do que houve, mas o estranho foram os sintomas que vieram depois, sentia indisposição à luz, febre alta, reclamava dor de cabeça, alucinações, e começou a se tornar agressiva, minha avó a examinou mas não conseguiu encontrar nada, a levamos para a quarta divisão por precaução mas eles também não detectaram nada, disseram que talvez fosse apenas efeito do estresse junto aos vários outros fatores, mas eu não conseguia acreditar, então comecei a observar as mudanças que ocorriam no sangue dela, apesar de se tornar cada vez mais reclusa, minha mãe ainda deixava que eu e a vó nos aproximássemos dela. Eu analisei amostras sanguíneas por quatro dias seguidos, e estava prestes a passar para outro método quando no final do quinto dia eu presenciei, eu não precisei de uma análise porque quando a seringa perfurou seu braço ela se encheu de líquido preto pastoso, aquilo era tudo menos sangue. Naquela noite eu ouvi os gritos agoniados, meus vizinhos assistiam àquilo mas ninguém perguntava nada, todos eles já sabiam, minha mãe estava se contorcendo de dor no andar de cima dessa casa, minha vó fez de tudo para diminuir a dor e nada deu certo, ela pediu para que eu saísse, desse uma volta mas eu não poderia estar em outro lugar naquele momento que fosse longe dela…

_ Hayaki, eu sinto muito_ eu não tinha ideia do que dizer.

_ Chegou um ponto em que minha mãe ficou exausta demais e dormiu e eu acabei fazendo o mesmo_ ele falou pausadamente para manter sua voz impassível_ quando eu acordei tudo ainda estava calmo, fui até o quarto no andar de cima, vi minha mãe deitada naquela cama, ela ainda parecia muito cansada pelo desgaste físico e emocional, eu lembro quando ela abriu os olhos e me encarou com aquele olhar triste, estava desfalecendo mais e mais a cada segundo, dava para ver que ela não tinha muito tempo, ela me pediu para ficar ali, e eu… eu hesitei, doía vê-la daquele jeito, mas eu não podia negar aquele pedido, mesmo com toda a agonia que eu sentia não conseguia imaginar a dor dela, então eu a abracei e ouvi ela contar, com a voz débil e rouca, sobre memórias da minha infância. Não tinha nem uma hora que eu estava e… ela parou de falar, e em pouco tempo ela já não...

Ele jogou a cabeça para trás encostando na parede atrás de si com os olhos fechados, eu não pensei muito antes de me lançar na cama dele e abraçá-lo, depois de alguns segundos ele retribuiu e ficamos desse modo por um tempo.

_ Me desculpe, eu não deveria ter te pedido para falar sobre isso, eu realmente sinto muito_ disse sem me soltar dele.

_ Não tem problema_ ele disse já com seu tom de voz ponderado, se afastando de mim_ Alguns dias depois eu achei aquela amostra, mas já não tinha nada, o líquido preto tinha virado sangue e quando eu fiz uma análise detalha era só sangue, todos para quem falei disso disseram que provavelmente eu tive uma ilusão gerada pelo choque, mas nunca é só uma ilusão, eu sei o que vi.

Como assim? como uma substância pode aparecer e sumir assim do nada?, e o que seria forte a ponto de causar tal sofrimento a um Shinigami que tem uma resistência mínima mil vezes maior que a da maioria dos humanos?

_Pouco antes de tudo isso minha mãe me deu um conselho quando eu disse a ela da probabilidade de sair da sexta divisão, disse que essa era minha decisão, para que eu fizesse o que eu sentisse que fosse melhor, duas semanas depois do acontecido eu pedi transferência_ adicionou ele_ Meu pai que já estava afastado da minha mãe, depois disso sumiu, eu só o vejo na Seireitei de vez em quando. No final, a vó dispôs de quase tudo o que era da minha mãe, ela achou que esse seria o melhor jeito de superar; mas ela me pediu para guardar o cordão, a rosa dourada da minha trisavó.

Automaticamente olhei para o pingente dourado de metal que deixava gélido o ponto por ele encostado em meu peito.

_ Eu não conseguia olhá-lo sem ter a memória presente dela, do modo que ela estava logo antes de…bom, do fim; mas jogá-lo dentro da gaveta parecia tão errado quanto jogar sua recordação dentro de uma; eu simplesmente não conseguia parar de encará-lo então pedi mais um favor a Sayuri, que levasse o colar, assim eu não o estaria negligenciando mas também não lembraria daquilo toda vez que entrasse no meu quarto.

Levei a mão ao cordão rapidamente no intuito de tirá-lo.

_ Eu não sabia que ele era tão importante, eu não..._ comecei e antes que o retirasse ele segurou minhas mãos levemente.

_ Sim, ele é importante, e por isso quero que fique com ele, é muito provável que você encontre Sayuri antes de mim, acha que pode entregar a ela?_ ele me incumbiu.

_ Hai_ aceitei, porque seria eu quem a devolveria, frente a frente.

                                                                                                           ***

Depois de sair do quarto do Hayaki eu corri para o meu porque já eram mais de 18:30 e advinha quem teria que sair às 19? Pois é; então eu fui correndo, e quando eu cheguei no quarto percebi que a vovó 10/10 já tinha deixado o kimono preto em cima da minha cama, sério, eu vou adotar essa avó pra mim. Eu entrei no banheiro indo direto para o chuveiro, e tomei o banho mais rápido da história (mentira). Eu saí vestindo rapidamente o shitagi (kimono branco), depois o shihakusho (e esse é o preto), mas chegando na frente do espelho eu parei para observar como eu estava horrível, olheiras entre outras marcas de cansaço que se espalhavam pelo meu rosto, acho que os últimos três dias foram os mais desgastantes da minha vida, eu estava tão confusa e tão emocionalmente esgotada que eu nem sabia mais o que sentir, eu não tive tempo para viver minhas perdas, mas não tenho agora para reclamar também. Prendi meu cabelo no coque mais breve que consegui fazer, deixando algumas mechas para fora ciando ao lado da minha face, havia um vaso com várias sakuras, peguei umas duas para colocar no meu cabelo ( como na foto do último capítulo), talvez as pessoas olhem a flor em vez de olhar minha cara. Usei o sonido para para me apressar e logo estava na porta da casa, ao lado de Hayaki, ele olhou ligeiramente para mim e depois voltou sua atenção para o que observava antes, olhei para o mesmo ponto no céu tentando visualizar.

_ As nuvens de chuva_ ele facilitou_ quem diria que elas iriam se dissipar mais tarde.

Ele tinha razão, o sol acabava de se por mas agora emanava raios mais livremente; a brisa naquele momento fez com que meus cabelos se agitassem.

_ Eu ouvi você e minha avó conversando na sala por acaso_ ele disse.

_ Ouviu?!_ perguntei um pouco pasma_ até qual parte?

_ Só a parte sobre ela ter saído do Gotei 13 quando eu fui pegar um livro na outra sala_ ele estranhou minha surpresa_ por que?

_ Nada demais_ eu disse “ apenas uma preocupação idiota que alguém me veja chorar” me critiquei mentalmente, mas, na verdade, eu nunca consegui me livrar dessa mania, estava simplesmente atrelada ao meu orgulho._ ia falar algo, não é?

_ Sim_ ele disse mudando de assunto_ minha avó não fala muito da sua saída da Seireitei mas… já ouviu falar de Quincys?

_ Algumas vezes_ falei tentando me recordar_ eles são um tipo de clã de humanos mediúnicos, capazes de detectar Hollows, lidam com reiryoku, e manipulam reishi e…

_ Estão extintos_ ele completou, mas eu não ia dizer isso, na verdade eu nem sabia_ os shinigamis os extinguiram há mais ou menos duzentos anos, porque o fato de suas armas destruírem as almas dos Hollows causava desequilíbrio ao ciclo natural, após vários anos de insistência para que deixassem essa tarefa para os Shinigamis, para evitar o colapso dos mundos, o Gotei 13 optou pela aniquilação dos Quincys . Minha avó ainda fazia parte da quarta divisão, uma vez ela me disse que ela foi numa das expedições de caça aos Quincys, não pela vontade própria mas ordem superior; e essa missão não mudou em nada seu jeito de pensar, pelo contrário, ela só conseguiu ver horror, sangue e mortes sem sentido, foi o que ela disse...

Eu percebi que ele falava comigo mas não me olhava, ao menos, não diretamente.

_ Mas era necessário não é? Quero dizer, para manter o equilíbrio, não é?_ questionei e ele me olhou de canto novamente.

_ Bem… pela visão dela eles escolheram o caminho mais fácil… _ ele respondeu voltou a observar o céu, dava para imaginar o motivo de uma pessoa gentil como a senhora Hasegawa odiar um cenário desses, eu odiaria um cenário desses sem ser uma pessoa tão boa assim, ele continuou_ Só estou te falando isso para não pensar que ela quis ser rude com você, ela só não gosta de falar disso.

Ele disse, seu tom de voz estava totalmente apático, o tom cordial sumira para dar lugar a esse, o que poderia acontecer em menos de trinta minutos para haver essa mudança?,  alguns segundos de silêncio estranho se passaram enquanto eu conivência minha mente de que eu não iria falar, mas é minha mente que convence a mim e não ao contrário.

_ O que foi, hein?_ finalmente perguntei a ele.

Ele me olhou por um segundo e voltou seu olhar para seu precioso céu novamente.

_ Olha aqui, eu tenho certeza de que eu não fiz nada_ eu parei de tentar alegar minha inocência quando me lembrei_ se arrepende de ter me contado sobre... aquilo?

Se nem ele se referia diretamente ao falecimento de sua mãe eu também não iria fazê-lo.

_ Não é isso_ ele disse apenas.

_ Então o que é?_ questionei menos calma.

_ Eu sabia que daria nisso_ ele disse ainda olhando o céu.

_ Me diz_exigi.

_ Tô tentando evitar que me olhe com esse olhar de dó_ ele respondeu simplesmente sem olhar para mim.

_ Eu não vou te..._ antes que eu terminasse ele me encarou, dessa vez ele me encarou de verdade, mas com um olhar incrédulo de que eu terminaria por dizer que não vou olhá-lo com um olhar de dó sendo que eu sabia que já estava fazendo isso, mesmo sem querer. Prossegui_ Okay, então fazemos um acordo, paramos de ter pena um do outro de uma vez por todas.

_ Como?_ ele fingiu não entender.

_ “Como” nada_ respondi_ desde que eu saí daquela biblioteca você tem me olhado diferente, e então depois que me contou que eu esqueci meus poderes você me olha como se olha para um inocente condenado. O que você não me contou Hayaki?

Só agora eu percebi o quanto era incomum nos conhecermos a menos de um dia e nos tratarmos pelo primeiro nome normalmente.

_ Não é nada_ ele falou ainda sério mas um pouco mais maleável.

_ Não é nada? Não é nada?_ eu tentava controlar meu nervosismo mas já havia horas que eu tinha percebido que ele escondia algo, me acalmei um pouco antes de prosseguir_ Olha, eu agradeço muito o cuidado que teve comigo todo esse tempo, e estou totalmente ciente de que não devo estar com nem metade talvez dos meus poderes; mas eu não sou frágil, e eu não vou quebrar se me contar a verdade.

Dessa vez ele me olhou normalmente, não mais com pena, ele se pôs de frente para mim, e como era pelos menos 15 centímetros maior que eu, teve que ficar olhando para baixo.

_ Eu quis dizer que não é nada com que precise se preocupar agora_ disse em um tom um pouco mais suave_ não acho que você é frágil, e nem que quebraria por alguma coisa.

Então me conta” eu pensei, sabia que ele estava tentando me enrolar, ele ficou sabendo de alguma coisa enquanto eu estava naquela biblioteca, alguma coisa séria, mas mesmo eu insistindo não parece que ele ia me contar. Ele olhou o céu mais uma vez, mas essa não foi para me evitar e sim porque o sol deixava sua última tonalidade laranjada no céu da Soul Society, dando espaço para os primeiros pontos de luz que apareceriam na escuridão noturna.

_ Não sei se Sayuri teve tempo de te contar aquele dia_ ele começou a dizer_ mas você não só lutou contra o Octava Espada, como o venceu.

_ Não, Sério?!_ perguntei incrédula.

_ Pelo que ela me disse, sim_ ele respondeu.

_ Caramba, mas como isso?_ eu perguntei ainda desacreditada.

_ Bom, ela me disse que…

_ Kuchiki-kun_ ouvi uma voz feminina bem doce chamá-lo,“agora não” me queixei só na mente.

Porque na vida, toda vez que alguém vai revelar alguma coisa importante sempre vem um outro para atrapalhar. Quando olhei para o lado uma garotinha de uns sete anos, cabelos castanho claros e olhos verdes se aproximou com dois garotos, um maior de cabelo preto e olhos castanhos e outro mais ou menos da idade dela, loiro de olhos acinzentados.

_ Kiwa-san, Daisuke-san, Kou-san_ ele os cumprimentou pelos respectivos nomes.

Senti o olhar de Daisuke, o mais velho, sobre mim por alguns segundos.

_ Kuchiki, não vai me apresentar pra sua amiga?_ disse o garoto de uns doze anos.

_ Vou, mas só no dia que você tiver altura para falar frente a frente com ela_ retrucou Hayaki e eu ri.

Não que demoraria para ele atingir minha altura já que tamanho nunca foi meu forte, o garoto pareceu irritada com a provocação.

_ Vacilão morre cedo, Kuchiki_ ameaçou o garoto que ficou mais enfurecido quando Hayaki se mostrou nem um pouco preocupado.

_ Ah, eu sou vacilão? Tá bom então._ ele respondeu ao garoto.

_ Meu nome é Kamilly_ falei cortando sua discussão com uma criança, eu queria saber mesmo era da minha resposta.

_ Kamilly é bonito, mas…é só isso?_ a garotinha estranhou, deixei que ela continuasse para que entender qual era sua questão_ tipo… normalmente as pessoas falam seu sobrenome até antes do primeiro nome, sabe?

_ Eu particularmente não acho isso tão importante quanto a maioria das pessoas_ eu disse após pensar sobre o que ela tinha dito e ela deu de ombros.

_ Então, esses são os irmãos Saito, vizinhos da minha avó, a pequena Kiwa, Kou _ ele indicou o loirinho lá atrás_ e o idiota do Daisuke.

_ Kuchikiii_ falou o garoto moreno raivoso.

"Então esses três são irmãos?, mas são tão diferentes." observei comigo mesma.

_ Falando nisso como está sua família?_ perguntou Hayaki ignorando o outro.

_ Nós estamos bem,_ disse Kiwa mas pareceu lembrar de algo logo depois_ ou melhor quase todos mas o Kou quase não fala com a gente desde que o trouxemos para casa, eu não sei porque mas ele não consegue aceitar que está morto, parece que ele tem crise da linha dupla.

_ Crise da linha dupla?_ questionei sem entender.

_ A pessoa sente que isso não passa de uma experiência de quase morte, que vai ser temporário e que vai voltar ao mundo humano quando isso acabar, como um trem que vai e volta numa linha_ Hayaki explicou-me_ no caso de Kou, que é parecido com o de muitas outras pessoas, ele morreu sozinho e não encontrou ninguém da sua família humana aqui, então os Saito o levaram para casa a pouco menos de dois meses.

Dois meses, para uma criança que não tem nem dez anos acreditar que morreu e que possa nunca mais ver sua família, e por mais que pessoas boas tentem ajudá-lo, ele não conhece nada e nem ninguém, acho que isso é suficiente para fazer qualquer um entrar numa crise” pensei enquanto observava o loirinho arredio e aéreo que agora olhava uma árvore.

_ Kiwa e eu também fomos adotados pelos seus sogros_ Daisuke disse sorridente.

_ Daisuke deixa de ser trouxa_ falou Kiwa, sinceramente eu demorei um pouco para entender que uma criança estava dando em cima de mim mas aí quando eu entendi…

_ Eu?! Trouxa?! Tem medo de morrer não?_ eles iam começar a discutir ali e eu estava ficando envergonhada.

_ Hayaki_ Chamou a senhora Hasegawa saindo pela porta com uma caixa_ Hayaki eu achei.

   Vovó 10/10, é multiuso, serve desde para curar queimadura de terceiro grau até para fazer bolo e cortar conversa constrangedora, adquira a sua.

_ Arigatou, Obaasan (avó)_ ele a agradeceu.

_ Eu tenho que ir que o doce está no fogo_ ela entrou novamente após dizer isso.

Ele abriu a caixa me deixando ver, que lá dentro tinha uma peça feita de tecido preto aveludado, observando melhor eu vi que era uma capa.

_ Isso vai tornar sua reiatsu imperceptível, ou, pelo menos, deveria tornar_ ele reduziu o volume na última parte.

_ Por que deveria?_ perguntei a ele.

_ Isso foi um projeto que eu achei num diário de invenções escrito por um gênio que conheci uma vez, só que estava codificado, eu tive que criptografar e depois recriar o projeto e não dá pra ter certeza se vai dar certo_ ele disse um pouco tenso.

_ Vai dar sim_ foi tudo o que eu disse, ele tirou a capa da caixa e passou-a sobre meus ombros e eu a segurei, e ele voltou a olhar de longe_ Sentem alguma coisa crianças?

Perguntei sem olhar para eles, eu sabia a resposta, já conseguia perceber que minha reiatsu tinha se tornado invisível, só queria ver a reação dele ao concluir que tinha conseguido.

_ Não, nadinha_ disse Kiwa.

_ Parece até que nunca existiu_ disse Daisuke e Kou não disse nada.

Ainda olhando aquele à minha frente eu vi  que ele passou a mão pelo rosto jogando o cabelo para trás para esconder o contentamento inevitável que sentiu, “então, é nisso que reside seu orgulho” concluí. Ele me fitou observando sua criação, provavelmente ela foi feita à sua medida, porque para mim, grande parte arrastava pelo chão, o veludo era macio e cheirava a roupa lavada. Ele se aproximou ajeitando a capa para acomodá-la melhor aos meus ombros e a prendeu ao redor do meu pescoço fazendo com que eu não tivesse mais que segurá-la.

_ Só por curiosidade..._ Kiwa começou_ essa é a parte em que vocês se beijam?

Isso me surpreendeu, ele automaticamente olhou para o céu e eu para o chão porque eu acho que roxo seria uma cor melhor para descrever minhas bochechas nesse momento; crianças, são uns amores, quando elas querem; uns capetinhas, quando elas querem; mas podem te fazer ficar vermelha, quando elas querem.

_ Essa é a hora em que criança vai para casa porque tá tarde_ ele falou conduzindo as crianças para que se afastassem.

_ Mas Kuchiki-kun, são sete horas da noite_ protestou a garotinha.

Eu comecei a rir vendo aquela cena até que eles desapareceram por pouco tempo, olhei para o cima e respirei fundo tentando voltar ao meu estado normal e diminuir o rubor em meu rosto. Logo Hayaki reapareceu sozinho.

_ Agora nós precisamos ir._ele disse para mim num tom um pouco mais sério que antes.

_ Mas já Kuchiki-kun?_ eu disse com voz fofa e ele me olhou com uma cara que só poderia ser descrita como “não”.

Ele disparou usando o Shunpo e em segundos estava a metros de distância, então era a vez do Sonído que ia transformar meu cabelo numa vassoura.

                                                                                                                             ***

Nós dois concordamos que eu iria ficar num local mais reservado, que fosse discreto, bom, agora estava eu aqui no meio do mato, observando se não estava sendo vista, porque ninguém ia notar a figura com uma capa preta do dobro do tamanho dela. Depois que passamos pelo portão norte da Seireitei até chegar a esse local, eu tive que usar o Hansha ( Hyaku Man-mai no Kagami no Hansha) para chegar até aqui sem ser notada; teletransporte ajuda quando você tem que passar por um dos mais fortes exércitos existentes sem ser percebida. Com o colar, a capa e a repressão de reiatsu que eu fazia, nem um vidente me acharia. Eu apenas esperava, Hayaki ia me dar um sinal quando fosse a hora de atravessar o Senkaimon, e eu cruzaria a Seireitei até lá o mais imperceptível que eu pudesse ser; ele precisaria de tempo para rever os detalhes da missão juntamente aos outros, sua volta ao mundo humano só era possível por causa dessa missão, da qual, ele tinha me contado, que Sapporo, passou a ser uma cidade sob supervisão da décima segunda divisão por causa do aumento gradual das reiatsus instáveis nos últimos anos, a ordem era para que o grupo monitorasse de perto as alterações, e Hayaki foi um dos primeiros a aceitar o encargo por motivo compreensível.

Eu vigiava, olhava todas as direções que pudesse e me mantinha no ponto que eu menos poderia ser vista, não ousaria a usar o Hansha se não fosse muito necessário, precisava de energia, principalmente depois de descobrir que a minha tinha sido roubada de mim. Elevei minha percepção principalmente para minha audição já que a pouca luz do arvoredo não ajudava, fechei os olhos por segundo e apenas ouvi, conversas em um ponto mais longe, aguá corrente em algum lugar, o vento soprando sussurros, mas nada ao meu redor, pelo menos no primeiro instante; e em seguida, uma agitação das folhas do alto das árvores, localizada demais e de modo exagerado para ser apenas a brisa, estava perto, um movimento contínuo, eu não podia ver o que, os ruídos se intensificavam mostrando que estava se aproximando, e parecia vir atrás de mim, me desloquei para um ponto diferente com o sonido e novamente me dediquei apenas a ouvir, e mais uma vez ouvi, algo me perseguia e eu não podia ver por causa da escuridão, então eu tomei a atitude mais racional que poderia… eu comecei a correr, tentei achar luz e quando achei logo desemboquei numa clareira, percebi que, seja quem fosse, não era muito rápido por que demorava a chagar à mim. Levei minha mão levemente à Reina.

_ Hyaku… _ Comecei a preparação para usar o Hansha.

Partes das minhas células já se desfaziam quando eu vi aquela coisa vir em minha direção, eu não completei o nome do ataque, me teleportei na marra mesmo, usando a apenas meu poder para reaparecer dois metros a sudeste do oponente que era…

_ Uma coruja?_ perguntei para mim mesma porque não tinha ninguém além de mim e da coruja_ mas é uma filha da mãe, né?

Falei para a coruja que nada fez além de elevar seu voo para um nível acima das árvores. Eu fiquei lá, ajoelhada no chão, refletindo sobre minha estupidez e esperando que passasse a vertigem do teletransporte abrupto, e nesse meio tempo eu sentir, o que inegavelmente era uma reiatsu essencialmente forte.

_ Aquilo não era um Shunpo, mais parecia um teletransporte_ disse uma voz atrás de mim, eu não queria me virar para ver quem, estava tão desanimada para lutar_ Quem é você?

Eu não respondi, apenas me levantei segurando Reina, algo que fez com que, mesmo de costas eu percebesse que a pessoa tinha levado a mão à empunhadura da Zanpakutou, mas contrariando suas expectativas eu apenas a guardei na bainha, mas a pessoa não pareceu menos tensa quando o fiz, pelo contrário…

_ Porque não posso sentir sua reiatsu?_ Voltou a me perguntar inutilmente, não responderia essa como não o fiz com a outra_ Responda.

Meu provável oponente estava ficando impaciente, eu percebia, mas também me incomodava essa situação; eu havia sido descoberta e quanto menos informação eu desse melhor.

_ A partir de agora sua omissão será considerada uma afronta_ falou depois de um tempo.

Isso era só o que me faltava, mas falar eu não ia.

_ Acho que já pode considerar isso uma afronta._ eu disse.

Eu apenas ouvi o saque de sua espada para nossas lâminas se chocarem e então, vi...


Notas Finais


*Notas:
> Em primeiro a Nasa publicou que comentários em fics são capazes de melhorar a qualidade do ar na Terra, então não mate crianças de asfixia kkk
> Em segundo lugar, se você está se perguntando como o colar da Itsume esconde reiatsu eu vou dar uma ideia, Sekkiseki é o nome de uma pedra que eles têm na Soul Society, que, se bem se lembram, formava as paredes da sela da Rukia e também era responsável por formar uma barreira ao redor da Seireitei. Pois bem, essa pedra estava nos respectivos lugares pela capacidade de anular Reiryoku ( energia espiritual ), ou, pelo menos, isolá-las. No colar seria mais um isolamento, já que as quantidades bem pequenas da pedra fundida ao ouro, já poderia atordoar o sentido do inimigo para localizar.
> Em terceiro lugar desculpem a demora Coiotinhos, e esse ficou bastante diálogo, porém alguns desses podem ser importantes para entender dúvidas de atuais e futuras, o capítulo complementar vai vir com mais ação.
> Essa última é bem IMPORTANTE, n que as outras n sejam mas, eu alterei os nomes das Resurreccións do Noboru, Mina e Sayu.
-guillotina del verdugo - guilhotina do carrasco ( Noboru)
-entidad del metal - Deus do metal ( Mina)
-Corrientes infernales- Correntes infernais ( Sayu)
Mudei para espanhol porque se tratam de Resurreccións e lembrei disso outro dia, mas foi só isso na fic, outra mudança que eu fiz foi na sinopse por erros " técnicos", então se quiserem passar lá e dar uma olhada e dizer se ficou bom eu e minha equipe ( eu e eu) agradecemos.
* Significados:
Hohou- é a técnica do Shunpo.
Reiryoku- é a energia espiritual ( enquanto a reiatsu é pressão exercida por essa força)
Reishi- São partículas espirituais, como átomos espirituais.


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