História The day after that - Capítulo 23


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Akaashi Keiji, Bokuto Koutarou, Kenma Kozume, Lev Haiba, Shouyou Hinata, Tetsurou Kuroo, Tobio Kageyama, Yaku Morisuke
Tags Bokuaka, Depressão, Drama, Kagehina, Kuroken, Levyaku, Transtornos Psicológicos
Visualizações 57
Palavras 4.001
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá! Estamos chegando na reta final! Eu estou animada e triste ao mesmo tempo, não queria que terminasse, mas é bom concluir uma história que você se esforçou! Anyway, o capítulo 25 é o final, vocês vão me acompanhar até lá?
Boa leitura!

Capítulo 23 - Sobre o acerto de contas


 

The day after that

 

Capítulo 23 – Sobre o acerto de contas

 

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Kenma POV’s on

 

 Abri a porta a deixando entrar, sentia a raiva me consumindo, mas me obriguei a ficar calmo, era só ouvir e ela iria embora.

— Filho, eu... – Ela dizia, parando com meu olhar irritado.

Filho? – Sorri sarcástico.

— Olha, eu sei que me afastei, mas não foi por sua causa, eu precisava ficar longe do seu pai! Foi a decisão mais difícil da minha vida, mas eu sei que está com raiva, eu fui para muito longe e eu sei que pareceu que eu não queria mais manter contato, mas não era isso. – ela dizia.

 Senti os olhos arderem, sentia um aperto no peito que não seria o primeiro, só de olhar para ela sentia enjôo, era horrível vê-la de novo, depois de tanto tempo.

— Você só aparecia nos feriados, e depois de um tempo morando na Tailândia você simplesmente não voltou mais! Aí fiquei sabendo que você se casou de novo e estava grávida. Por que se importar com o seu filho quando se pode apagá-lo e começar do zero, não é? Não me leve à mal, você poderia ficar lá para sempre, inclusive deveria ter feito isso!– Minha visão embaçava com as lágrimas, sentia que ficaria rouco.

— Eu não esqueci de você! Só foi muito difícil deixar um bebê recém-nascido enquanto eu viajava, quando voltei a trabalhar ficou ainda pior, não me sobrava tempo! Eu realmente queria te ver! Me desculpe se eu te magoei, eu fiz escolhas ruins!– Ela dizia.

— Muito ruins, você me deixou com o homem que me odiava e fugiu para viver sua nova vida de conto de fadas enquanto eu estava preso numa casa que eu nem queria estar, com um desgraçado que fazia o favor de me dizer todos os dias o quanto eu não era bom o bastante! Mas tudo bem, por que agora você está aqui, não é? Tudo isso se apagou por que você veio, não é mesmo? Você é patética... E agora é tarde demais para pedir desculpas. – Falei deixando a raiva fazer o seu trabalho, não tinha forças para segurar isso, não depois de tudo que aconteceu.

— Kenma, me desculpe, eu não sabia que ele te trataria assim! Ele sempre disse que você estava bem e para não me preocupar... Eu pensei qu– A interrompi.

 O ódio estava fervendo em minhas veias, o controle já havia se perdido.

— O que? Você pensou que, de repente, ele pararia de me odiar e seria um pai decente?! É assim que funciona para você? Eu já te disse, agora é tarde demais! – Gritei, fazendo questão de mostrar os cortes pelos pulsos, braços e pescoço.

 O olhar assombrado dela foi impressionante, era absurdo demais para ela perceber que isso acontecia de verdade quando se some no mundo e deixa o filho nas mãos de um maldito torturador que tinha a audácia de se chamar de pai.

— O seu ex-marido bonzinho que você tanto fala apontou a merda de uma arma na minha cabeça, sabe por quê? Porque eu beijei um cara! E ele achou que era motivo o bastante para ameaçar o filho de morte! Ele é realmente um bom pai, não acha?! Faria um lindo casal com uma certa mulher que foge do marido abusivo e abandona o filho com alguém claramente perturbado! Que família linda, não acha? Eu sei que está aqui pela culpa, mas agora já era! – Gritei, apertava os punhos, sentia as unhas entrando na pele.

 Ela estava chorando, muito. Suspirei me sentando no sofá onde Kuroo estava, com um olhar sério e dolorido de ouvir isso, segurei a mão dele atraindo os olhos negros para mim.

— Vai embora...Você veio pelo julgamento, certo? É amanhã, você deveria fazer o que veio fazer aqui e ir para casa... Eu nunca estive na sua lista de prioridades, não me coloque nela agora. Fazer isso não vai te fazer uma mãe melhor. – Falei o mais calmo possível, vendo-a levantar enxugando as lágrimas, caminhou em direção a porta.

— Me desculpe. – ouvi a voz dela seguida do som da porta fechando.

 Senti os olhos arderem e logo minha visão estava embaçada por lágrimas, as sentia rolar pelo meu rosto, os soluços não podiam ser parados e muito menos a dor que sentia.

— Por que ela veio? – Murmurei sendo puxado para um abraço.

Fui puxado com ele, que deitou no sofá comigo por cima, deitei a cabeça em seu peito, tentando me acalmar com o som de seus batimentos cardíacos ou seu cheiro bom, ou até com os dedos deslizando no meu cabelo. Kuroo sempre foi perfeito, não entendo como ele consegue lidar com alguém como eu, que sou um imã de problemas, e muitas vezes, o problema em si.

— Por que ela não pode só ir embora? Ela já fez isso uma vez mesmo, não importa mais. – Disse fechando os olhos, sentindo-o me abraçar.

 Correspondi o abraço, deitando a cabeça na curva de seu pescoço.

— Desculpa... É minha culpa que você se envolveu nisso tudo. – Sussurrei abrindo os olhos, só para confirmar a visão nublada.

— Não diga isso! Nada disso é sua culpa. Eu estou com você porque te amo, se me fizesse mal eu já teria terminado... Você não me causa mal algum, você sempre esteve comigo, você era a segurança da minha vida e ainda é. O mundo pode cair ao meu redor, se eu estiver com você isso não será um problema. – Kuroo disse.

— Idiota. – Murmurei entre os soluços e lágrimas intermináveis.

 

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 Suspirei aliviado ao ouvir o som do martelo do juiz e em seguida os gritos do meu pai.

— Isso é culpa sua, viadinho de merda! Você mereceu! Eu devia ter atirado em você da primeira vez! Está feliz agora?! Agora vai poder dar a bunda por aí sem ninguém para te ensinar a ser homem de verdade! Ouviu?! – Os gritos foram se tornando distantes, até que os policiais o levaram embora.

— Não ligue. – Kuroo sussurrou.

 Sorri para ele o abraçando, sentindo os braços dele ao meu redor.

— Estou bem, isso acaba hoje. – Sussurrei de volta.

 Ele iria para a máxima, com uma pena perpétua bem merecida, sequer teve um depoimento ao seu favor. Como poderiam defendê-lo? Ele nem se importava em fingir que era decente. As pessoas começavam a ir embora, dentre elas a minha mãe, provavelmente voltaria ao hotel e iria embora no dia seguinte.

— Pronto para isso? – Kuroo perguntou e encaramos a porta de entrada do tribunal.

 Estava lotado de repórteres e fotógrafos, já haviam nos pressionado quando entramos, certamente fariam o mesmo agora. Segurei a mão de Kuroo e seguimos para a porta, a abrindo e já fomos cegados pelos flashes. Andávamos o mais rápido possível no mar de gente.

— Kozume-san, qual foi o resultado da audiência?

— Kozume-san, como se sente em depor contra o seu pai?

— Por favor, conte-nos a decisão do juiz!

— Kozume-san, o que pretende fazer de hoje em diante?

 Passamos por eles em silêncio, entrando no carro e Yaku e respirando fundo ao fechar a porta, deitei a cabeça no ombro de Kuroo, estava realmente cansado.

— E ai, deu tudo certo? – Lev se virou para nós do banco do carona.

— Sim, prisão perpétua. – Kuroo disse, encarei a mão na minha coxa.

 Se eu não estivesse tão cansado...

— Finalmente vão conseguir se acalmar.– Yaku disse.

— Verdade, vocês já passaram por tanta coisa. – Lev disse.

— Coisas demais, acho que não conseguiria suportar metade do que aconteceu com vocês. – Yaku disse.

— Não sei nem como é que nós fizemos isso. – Kuroo riu.

 Casualmente segurei a mão dele que estava na minha coxa, entrelaçando nossos dedos, ele sorriu de canto e senti meu rosto quente.

— Já chegou nesse nível? Não posso nem tocar você. – Kuroo sussurrou com um sorriso pervertido.

 Não tenho nenhum argumento, por que ele ta certo, mas nada vai acontecer comigo tão cansado, então melhor não arriscar. Os três começaram a conversar, eu estava com sono demais para prestar atenção... Quase não dormi, pensando nessa porcaria de julgamento.

— Sono? – Kuroo perguntou me encarando de canto de olho.

— Sim. – Sussurrei ainda deitado no ombro dele.

 Poderia facilmente dormir ali, mas não queria ser carregado para casa, é vergonhoso... E já aconteceu. O carro parou e notei que já estávamos no prédio, me esforcei para desgrudar de Kuroo mesmo com o sono.

— Tchau, fiquem bem! – Yaku disse, Lev acenou.

— Obrigado pela carona, tchau. – Kuroo disse saindo do carro e eu o segui acenando para eles.

 Segui atrás de Kuroo.

— Kenma-kun! Como foi o julgamento? – Ayato perguntou sorrindo.

— Para você é Kenma-san!– Kuroo disse e segurei o riso.

— Foi tudo bem. – Falei.

 Kuroo ficava fofo com ciúmes.

— Então descanse, você parece exausto, Kenma-kun. – Ayato disse.

 É impressão minha ou estou no meio de uma discussão infantil?

San!– Kuroo resmungou.

— Ah, Kenma-kun, isso chegou para você. – Ayato disse pegando envelopes e uma caixa, me entregando.

SAN!– Kuroo sorriu, seus olhos estavam assustadores.

— Então, Kenma... – Ayato disse meu nome devagar sob o olhar atento de Kuroo.

 Eu desviava o olhar de um para o outro, estava ficando interessante. E não, eu não vou impedir, porque estou com sono demais para isso.

— ...Kenma-kun! Avise se precisar de alguma coisa. – Ayato sorriu gentilmente, claramente provocando Kuroo.

— Sabe... A-ya-to-san... Faz um tempo desde a última vez que soquei alguém... Me ajuda a praticar, só um pouco? – Kuroo sorriu assustadoramente.

— Claro, onde eu bato primeiro? – Sorriu gentil, isso tiraria Kuroo do sério.

 Caminhei até o elevador, apertando o botão, era melhor acabar isso agora antes que eles comecem a se odiar de verdade. Agora, como faço para ele parar e subir comigo?

— Seu filho d– O interrompi a tempo que o elevador chegou e as portas abriram.

— Kuroo... Na verdade, acho que realmente quero transar. – Falei calmo entrando no elevador, o vendo correr na minha direção.

 Ele ignorou Ayato tão lindamente que deu pena, as portas fecharam e encarei o sorriso ansioso dele.

— É mentira. – Falei e ele me olhou irritado.

— Kenma, isso não se faz! – Ele reclamou ofendido.

 Logo entramos em casa e eu ri deixado as coisas na mesa de centro para ler depois.

— Você deveria ficar feliz, o Ayato pensa que vamos transar, meio que você venceu, né? – Sorri.

 Ele se aproximou me beijando intensamente, correspondia seu ritmo me agarrando ao seu terno, me afastei sentindo o calor do rosto fazer o caminho para baixo.

— Eu te amo. – Ele sorriu.

— De verdade ou só ta feliz por eu ter zuado o Ayato? – Ri me livrando dele e seguindo para o quarto, ele me seguiu.

— Por isso também. – Ele riu.

— Eu também te amo, idiota. – Falei tirando o terno e o devolvendo ao cabide.

— Ei, Bokuto e Akaashi estão nos chamando para sair, nós vamos? – Ele perguntou.

 Eu sabia que estavam fazendo isso por que acham que eu estou para baixo, mas eu estou morrendo de sono!

— Sim. – Falei mal humorado.

 Não é como se eu não estivesse precisando disso. Tirei as roupas, mantendo só a cueca e procurando algo para vestir.

— Ah, esqueci de te mostrar uma coisa! – Kuroo sorriu e correu para a mesa de cabeceira dele tirando algo em um porta-retrato.

 Ele me entregou e senti que poderia abrir um buraco no chão e me jogar, eu devo ter ficado vermelho até o último fio de cabelo.

— Não está orgulhoso? É a nossa primeira multa por barulho! – Kuroo parecia muito animado com isso.

— Por que isso ta emoldurado? – Ah, eu tinha tantas perguntas.

— Por que vai para a sala. – Ele disse sério.

 Tive que segurar o impulso de quebrar aquilo na cara dele.

— Não vai. E você já pagou essa droga? – Perguntei irritado.

— Sim, ah e foi pela última vez, só para você saber. – Ele sorriu.

— Por que eu namoro você? – Sussurrei incrédulo.

— Você me ama, ou não teríamos essa multa aí. – Ele sorriu pervertido.

 Dessa vez não segurei me e joguei na cara dele.

— Kenma, é brincadeira. – Ele disse passando a mão no rosto vermelho.

— Acho que vou terminar com você e vou aceitar o convite do Ayato-kun. – Falei irritado pegando uma muda de roupas decentes para sair e seguindo para o banheiro.

— E-e-espera... Eu não vou pôr na sala! – O ouvi gritar no corredor, tranquei a porta do banheiro e o ignorei.

 Qual o problema dele? Quem fica feliz com algo assim?! Não sei como vou encarar a senhora Ueda... Ela mora nesse andar, deve ter sido ela! Tirei a última peça e entre no box, ligando o chuveiro e parando debaixo dele. Tomei um banho rápido e me enxuguei antes de vestir uma calça preta esportiva, com listras brancas nas laterais e de amarrar na cintura, vesti uma camisa preta de banda, notando que eu não conhecia a banda e era bem maior que eu, ou seja, peguei do Kuroo sem querer e vou usar assim mesmo. Coloquei a parte da frente por dentro da calça e deixei o banheiro com a tolha nos ombros.

— Ah, minha camisa do Thrice. – Kuroo sorriu se aproximando e pegando a toalha e jogando na minha cabeça, começando a secar.

 Me sentei no meu lugar, encarando a pizza na caixa aberta, peguei minha garrafa de água na bancada e os remédios, tomei com alguma dificuldade, já que Kuroo fazia minha cabeça balançar.

— Certo. – Ele sorriu.

 Passei as mãos pelo cabelo bagunçado o vendo pegar uma garrafa de refrigerante da geladeira e encher dois copos, voltando para a bancada, peguei o meu tomando um gole antes de pegar uma fatia para comer. Observei que Kuroo já havia se livrado da camisa social e do terno, vestia só a calça preta. Percebi que estava olhando demais para o abdômen dele quando ele sorriu de canto, desviei o olhar para minha pizza, que eu parei de comer e travei o encarando.

 Nossa, eu realmente estou com sono, não consigo nem raciocinar e encarar Kuroo ao mesmo tempo. Terminamos de comer e eu fui lavar a louça enquanto ele tomava banho. Assim que terminei enxuguei as mãos e me joguei no sofá com o celular nas mãos, respondi as mensagens de pessoas preocupadas comigo e abri um jogo mmorpg que estava jogando há algum tempo.

— Vamos? – Ouvi a voz de Kuroo e levantei o olhar o observando.

 Ele também usava uma calça esportiva, vestia uma camisa lisa vermelha e estava com os tênis do vôlei. Levantei contragosto fechando o jogo antes de aceitar minha quest e segui para o banheiro, escovei os dentes e fui para o quarto, coloquei meias curtas e calcei um vans preto antes de colocar um brinco de correntes em uma das orelhas e espalhar um pouco de liptint nos lábios. Chequei meu celular no bolso e saí atrás de Kuroo, senti meu rosto aquecer assim que pisamos do outro lado da porta.

 A vizinha estava ali e nos encarou seriamente por algum tempo.

— B-boa tarde. – Murmurei.

 Seguimos para o elevador e vi ela balançar a cabeça negativamente, claramente em desaprovação. Agora posso ter certeza que ela fez a reclamação. Assim que as portas fecharam Kuroo começou a rir sem controle, chegamos ao térreo e eu o arrastei antes que voltasse a puxar briga com o porteiro, foi só encará-lo que ele parou de rir.

 Bocejei o seguindo pela calçada, nem sabia para onde estávamos indo, mas devia ser perto. Eu só queria achar um lugar para dormir. Andamos até uma praça do bairro, já conseguíamos ver o cabelo chamativo de Bokuto então fomos naquela direção, o encontrando com Akaashi em uma das mesas dali, as barracas de comida e bebida eram em volta.

— Oi! – Kuroo disse animado se aproximando.

— Bro! – Bokuto disse na mesma animação.

 Eles se abraçaram.

— Bokuto-san, você está me traindo? E com o Kuroo? Achei que fosse tivesse bom gosto. – Akaashi sorriu ganhando um dedo do meio de Kuroo e uma risada de Bokuto.

— Oi. – Falei me sentando ao lado de Akaashi.

 Kuroo e Bokuto sentaram na nossa frente.

— Então, vocês agora tem paz? – Akaashi sorriu.

— Sim, o máximo de paz possível para alguém como eu. – Ri sem humor recebendo um olhar preocupado de Kuroo.

— Com paz ou não, fico feliz de estar com você. – Kuroo sorriu segurando minha mão na mesa.

 Às vezes me sentia mal por estar triste, eu deveria estar feliz agora, mas não consigo parar de pensar que tudo de ruim que aconteceu com ele foi por minha causa, eu sei que não bom o suficiente para alguém como ele, mas meu egoísmo não me deixa fazer a coisa lógica... Tudo porque eu gosto de me sentir amado, para variar. É ainda pior quando penso que eu sei que sequer mereço todo esse amor de Kuroo, e mesmo assim o aceito, devo ser muito desonesto mesmo.

 De repente senti os lábios de Kuroo nos meus, fechei os olhos devagar apreciando aquele selinho demorado antes dele se afastar, acariciando meu rosto com a mão. Meu coração já está acelerado com isso, eu realmente não tenho jeito.

— Eu te conheço, está pensando besteiras agora, então para. – Kuroo sorriu.

— Eu não estava. – Menti desviando o olhar.

— Não sabia que tinha uma quadra aqui! – Bokuto disse surpreso e olhamos na direção que ele olhava.

— Você nunca veio para cá, né? Vamos lá, se tivermos sorte estará vazia. – Kuroo disse.

 Levantamos e seguimos Kuroo naquela direção, ao chegarmos na quadra vimos algumas crianças jogando vôlei desajeitadamente, era como me ver com nove anos, jogando com Kuroo porque ele queria. Sorri me sentando na arquibancada, os outros também fizeram isso, estávamos só olhando, mas os garotos pararam de repente nos encarando surpresos.

— Eu vi vocês na TV! São do time da Todai! – Um garoto gritou animado.

— São mesmo! Eu não conheço vocês. – O outro disse parando o olhar em mim e em Akaashi.

— Eu conheço ele, é aquele das lives! Eu já te mostrei. – Um outro menino diz.

— Ei, vocês podem jogar! – A única menina ali disse empolgada.

— Sim... Isso seria incrível! Eu quero ver! – Um deles pulou.

— Eu também! – O outro concordou.

— Vamos, vai ser legal. – Bokuto levantou animado.

— Vamos. Ei, vocês vão ter que levantar, tudo bem? – Kuroo perguntou nos olhando.

 Suspirei. Eu não mudei nada... Kuroo fala “vamos fazer isso?” e eu nem penso a respeito, é ridículo.

— Certo, se até o Kenma vai. – Akaashi deu de ombros.

 Deixamos nossas coisas no canto da quadra, do lado de dentro, só por precaução. As crianças deixavam a quadra depois de pedir fotos com a gente, ficaram grudadas na grade para ver.

— Vocês não conhecem ele, mas ele foi o melhor levantador que eu conheço. – Bokuto de gabou, conversando com as crianças.

Onii-chan, você sabe jogar? – Um deles perguntou para mim.

— Um pouco. – Dei de ombros.

— Um pouco?! Kenma, você é incrível! E faz o melhores levantamentos! – Kuroo disse.

— Tá, ta... Vamos jogar logo que eu estou com sono. – Falei.

— Boa sorte para vocês, nós dois somos mais fortes. – Kuroo zombou deles do outro lado da rede.

 O olhar assustador de Akaashi deixava claro que ele provaria o contrário. Bem, se ele vai jogar a sério, não posso perder, até porque eu não deixaria Kuroo perder.

— Faz tempo que não jogo. – Comentei me alongando assim como eles.

 Vi Akaashi e Bokuto discutindo sobre como jogariam sem um time, encarei Kuroo e sorrimos, eles não tem como ganhar, eu entendo Kuroo perfeitamente e ele me entende completamente também, não precisamos planejar estratégias, Kuroo as segue mesmo que eu não diga nada.

— Vamos, três sets. – Kuroo disse.

Ele e Bokuto se juntaram na rede em um par ou impar para decidir quem começaria com a bola. Eles ganharam.

— Ei, algum de vocês anota o placar! – Kuroo gritou para os garotos que rapidamente pegaram o celular abrindo na tela de desenho.

— Certo. Vamos! – Akaashi disse e nos posicionamos.

 Ele fez um levantamento em parábola, eu e Kuroo pulamos ao mesmo tempo bloqueando a tentativa de ponto, a bola caiu no chão antes que Akaashi pudessem salvar. Kuroo aproximou a mão e eu acertei um highfive. Ouvimos as crianças torcendo da arquibancada, pelo jeito estavam do nosso lado.

 Era a minha vez de levantar, olhei para Kuroo brevemente, confirmando que ele sabia que fazer. Levantei alta e me mantive no chão, a bola foi bloqueada por Bokuto e eu a salvei antes de cair no chão, Kuroo a pegou e eu alcancei a distância perfeita, ele fez um levantamento alto e rápido para mim, que cortei do fundo da quadra com toda a minha força, ela passou pela rede tão rápido que nenhum deles teve reação, e foi nosso segundo ponto.

— Foi uma bela estratégia. – Kuroo sorriu me dando um selinho.

 Eu o empurrei quando ele ia aprofundar o beijo, sentindo o rosto quente ouvindo as crianças comemorando mais que o ponto.

— Kuroo. Crianças. – Sussurrei advertindo, ele riu.

 Voltamos aos lugares, Akaashi levantou rapidamente e baixo, Bokuto pulou alto para enganar, não era um corte e sim uma finta. Como esperado Kuroo foi para bloquear e a bola ia cair ao lado dele, mas eu peguei antes que acertasse o chão. Kuroo a pegou e corri a tempo de pegá-la no ar e aproveitando para um levantamento rápido, Kuroo já pulava com a mão no ângulo e posição onde eu a arremessei. Foi um corte tão rápido que até eu tive dificuldade de ver quando a bola deixou nosso lado da rede e caiu no deles, ao lado de Akaashi que mergulhou para pegar. Observei o garoto marcar nosso ponto.

— Kenma, você ta usando Cheat?! – Bokuto gritou em choque e eu ri.

— Bokuto-san, aquilo. – Akaashi disse baixo, mas pude ler seus lábios.

— Kuroo, bloqueio.– Sussurrei.

 Akaashi fez o levantamento rápido, mas comum, era para nos confundir, para acharmos que seria algo mais elaborado quando na verdade é um ataque simples, a diferença é o atacante, Bokuto era muito forte. Eu pulei primeiro ao calcular nossos pontos cegos e quais poderiam ser atingidos daquela altura e naquele ângulo, Kuroo foi comigo quase ao mesmo tempo e Bokuto atingiu a bola com um corte tão forte que abriu caminho entre meu braço e o de Kuroo.

— Merda. – Kuroo disse vendo o sorriso convencido de Bokuto.

 Kuroo me encarou e eu sorri. Peguei a bola, a levantei baixa o bastante para Kuroo recebê-la do outro lado da quadra, a bola subiu e trocamos de lugar, levantei-a em um ataque rápido, a jogando de costas para Kuroo o vendo alcançá-la facilmente, tão rápido que pareceu combinado, Bokuto e Akaashi não conseguiram correr a tempo, pensando que faria um levantamento no meio da rede para Kuroo pegar... Mas eles não conhecem tão bem assim o Kuroo comigo, ele consegue cortar em qualquer lugar que eu jogue. E mais um ponto nosso foi contado, os dois nos olharam quase com raiva.

— Ei, vamos jogar sério agora? – Kuroo sorriu para mim e assenti.

 E jogamos, no fim dos três sets, estávamos os quatro deitados ou sentados no chão, ofegantes e suando. Vencemos o primeiro set de 16 x 09, o segundo perdemos de 15 x 10 e ganhamos o último de 17 x 08. No total fizemos 43 e eles marcaram 32.

— Puta que pariu! Isso foi incrível! – Bokuto gritou e rimos.

 A garotinha apareceu com duas garrafas de água cheia, entregando uma para Kuroo e outra a Bokuto.

— Foi muito legal! Você correu tão rápido, e quando cortou foi tão legal! – Um menino falava com Kuroo quase a ponto de um colapso.

— Obrigado. – Kuroo sorriu aceitando a garrafa e bebendo longos goles antes de me estender.

 Aceitei tomando uns três goles antes de devolver a ele.

— Você é muito bom... Quero ser assim um dia. – A garota falou para mim e eu sorri.

— Se eu consegui você consegue. Só precisa de um idiota te incentivando. – Sorri.

— Kenma, quer parar de me chamar de idiota gratuitamente? – Kuroo perguntou.

— Não.

— Certo! Está no youtube! – Um garoto disse e todos o encaramos.

 Ele filmou isso?

— Bem, acho que tudo bem, nem vai dar em nada. – Kuroo sorriu.

 Naquela noite antes de dormir, abri o youtube para ver gameplay e vi aquele vídeo nos vídeos em alta, com quase um milhão de visualizações.

 


Notas Finais


A fic está acabando! E eu já escrevi o último capítulo... Eu amei escrever essa fic inteira, espero que vocês sintam o mesmo até o final de tudo <3
Obrigada a todo mundo que continua lendo e comentando :3
Vou deixar o discruso para o último, até!


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